Todos brigam e ninguém tem razão. Esta expressão continua cada dia mais atual. O ânimo de boa parte da população brasileira está baixo, demonstrando desconfiança e desilusão.
Se verificarmos os indicadores econômicos, a realidade comparada com outros períodos até que está suportável. A inflação está sob controle aparente, segundo órgãos oficiais como o IBGE, e órgãos acadêmicos como a Fundação Getúlio Vargas, mas os profissionais liberais com receio das novas regras fiscais estão aumentando as contas em percentuais superiores aos 5% do IPCA. O risco Brasil, em outros momentos muito vigiado, está pouco acima de 100 pontos podendo ser considerado bom. Já o desemprego mostra números baixos, mas desconfia-se de eventual manipulação e influência de programas de apoio à baixa renda. O dólar oscila em torno de R$ 5, significando uma normalidade, e o crescimento econômico em 2026 caminha para ficar em 2% ao ano.
Ocorre, entretanto, que vivemos uma situação de dívidas públicas e privadas que assusta e desestimula novos investimentos. Não é aceitável que o presidente da República diga em canal nacional de televisão que não se preocupa com a dívida do país.
Comparando-se com países em estágio semelhante de desenvolvimento, o Brasil tem posição intermediária.
Qual o motivo então de tamanha preocupação? Respondo que o problema é a desconfiança que atinge a todos. Desconfiança com as instituições, com a reforma tributária já em implantação, com os sinais de custo de vida em ascensão, com as novas tecnologias que hora encantam e hora desencantam. Desconfiança com a insegurança que atinge até cidades pequenas outrora tranquilas.
Culpava-se a imprensa tradicional, mas hoje a mídia eletrônica perde a credibilidade a cada dia.
Volto ao tema Desconfiança, agora para destacar o momento importantíssimo das Eleições Gerais. Daqui a poucos dias, cerca de 150 milhões de eleitores estarão registrando seus votos e em nível nacional com repetição da radicalização dos extremos ideológicos. As acusações de corrupção destroem esperanças de lado a lado e a inacreditável atuação do Banco Master atinge a Justiça. Mais desconfiança e fortíssima.
Como somos um país muito extenso, a realidade política varia muito com consequências desiguais. Alguns candidatos clamam por mais transparência, mas na hora dos debates fogem da exposição pública.
As promessas fáceis continuam desconsiderando a complexidade da gestão pública, sujeita a regras burocráticas e a um grande número de órgãos fiscalizatórios que aumentam o já enorme custo de governança.
Nós mineiros somos desconfiados por natureza, mas costumávamos “dar um boi para não entrar na briga e uma boiada para não sair”. E agora?
Um alerta permanece, muito cuidado com os populistas que somam hipocrisia e demagogia.
Pesquisar mais, ouvir pessoas experientes e desconfiar, porém, sem excesso, pode ser um bom caminho.