A enorme crise vivida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tem contaminado campanhas políticas para as próximas eleições pelo país inteiro. De Norte a Sul, candidatos se posicionam contra ou a favor de determinado ministro, envolvidos em uma guerra fratricida, ao sabor de suas crenças políticas ou posicionamento na absurda polarização já existente. Cidadãos, como todos os outros, aos envolvidos cabe o rigor da lei, após inquéritos, acusação e defesas apresentados. Nunca na história deste país, como sempre diz certo candidato à reeleição, fato desta gravidade e natureza aconteceu no STF. O ineditismo e violência destes fatos, as acusações apresentadas, as manifestações interesseiras de jogar para baixo do tapete todo o lixo moral exposto, nos leva à severa crise institucional exatamente no poder de onde se espera equilíbrio, orientação e meios para determinar destinos e comportamentos da sociedade.
A política e a democracia estão expostas de forma fragilizada com estes acontecimentos, deixando a insegurança jurídica ainda maior, ao sabor de interesses ocultos, como bem demonstrado neste lamaçal de acusações. Minas, infelizmente, já contribuiu com o agente causador de tanta celeuma, o malfadado banqueiro das aventuras e negociatas do mundo das arábias, só possíveis em um país onde a lei só existe para os ladrões de galinha, negros e pobres.
Nossos candidatos mineiros, especialmente aos cargos majoritários, têm mantido distância aparente destes nefastos acontecimentos, no que fazem muito bem. Precisamos valorizar campanhas que demonstrem interesse em divulgar suas próprias candidaturas e projetos, não desconstruir adversários com falsas notícias ou acusações inoportunas. Ouvido do eleitor não é latrina, onde se joga o lixo do comportamento da vida alheia, em oportunismo condenável, de quem quer que seja. Para acusações existe o Judiciário, lugar próprio para denunciar crimes, buscar reparo contra falsas denúncias e resguardar os espaços de campanha para enumerar propostas e caminhos para nosso futuro. Aliás, com raras e notáveis exceções, os candidatos ao Governo de Minas têm proposto poucos projetos para a solução de nossa impagável dívida com a União, busca de novos caminhos para a economia exaurida, solução para a defasagem dos salários dos funcionários, especialmente da segurança e educação, melhoria do atendimento à saúde, solução para a infraestrutura de transportes e estado desastrado de nossas rodovias. Cabe registrar que neste último item temos a proposta de um candidato que vai buscar priorizar ferrovias em Minas Gerais, no que faz muito bem. Minas carece muito de investimentos neste meio de transporte que nunca deveria ter sido desativado, causando enormes prejuízos à nossa economia, inclusive com o considerável aumento de perdas de vidas nas rodovias.
Quanto à crise do STF, nela não há surpresa, afinal transformou-se em uma Corte política, muitas vezes em detrimento ou substituição ao Congresso, a serviço dos interesses do Poder Executivo de plantão. Seus membros não têm currículos apropriados, sem o chamado notório nem a sabedoria advinda da idade e militância jurídica adequada, porém, amigos do rei e dele subordinados, a ele comprometidos pela índole ideológica ou pessoal.