Mário Pedersoli, uma vida dedicada ao esporte

A disputa era para ver quem seria o campeão mundial de natação nos 400 metros livres, nos anos 1990. Mário Pedersoli, atleta mineiro, estava lá, entre os melhores do mundo.

Pedersoli saiu da piscina com o recorde mundial cravando 4:20,80. Pouco depois, Djan Madruga caiu na água e baixou alguns centésimos, ficando com a melhor marca: “Tudo bem, senti o gostinho de um recorde mundial por alguns minutos”, relembra Mário Pedersoli nesta entrevista ao Edição do Brasil. Ele chegou um pouco atrasado para a nossa conversa no Minas Tênis Clube, Unidade 1, na rua da Bahia.

O atraso foi justificado. Ele é dentista e acabara de fazer três implantes na boca de um paciente. Pedersoli concilia o trabalho no consultório com os treinamentos. Ele chega a treinar seis dias por semana alternando natação, pedal e corrida: “Vou continuar treinando até o corpo não aguentar mais. Dois anos atrás (ele tem 69 anos) descobri que tinha envelhecido. Tive que reduzir a intensidade porque o corpo já não respondia mais. Mesmo com dor em alguns momentos, mantenho a atividade física, com cuidado para não lesionar porque aí são meses de recuperação”.

Pedersoli é o atleta número um em assiduidade na equipe de Triathlon do Minas Tênis e, talvez, o atleta brasileiro mais longevo na modalidade. Foi um dos pioneiros e participava de provas país afora, antes mesmo do esporte se firmar: “Eu sempre fui fominha. Ia em todas as competições que apareciam. Teve uma vez que fiz uma prova em Araxá (MG), no domingo e, de carro, fui para o Rio de Janeiro participar de outra competição no meio da semana. Fiz isso dezenas de vezes”.

Na trajetória pessoal estão sete provas de Ironman (3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida, uma maratona) em Louisville (Estados Unidos), Nice (França), Cozumel (México), Florianópolis e outras cidades.

A intimidade de Mário Pedersoli com a piscina, onde é mais rápido, vem desde os sete anos quando começou a nadar no Clube dos Oficiais, em Belo Horizonte. Rapidamente se destacou. Aos 14 anos foi convidado para a equipe do Minas e não saiu mais. Os pódios foram aumentando: “Eu ganhava quase tudo. Ia ao Rio onze vezes ao ano participar de competições. Em uma delas, fui vice-campeão mundial nos 6 km em águas abertas. Sempre escolhia as provas que participava para chegar na frente. Aquelas que o Marcus Mattioli, atleta olímpico estava, eu pulava (risos). Fui líder do ranking brasileiro da natação master, dos 33 aos 50 anos, e campeão mineiro diversas vezes”.

O senso de humor do Mário é contagiante: “De 100% das coisas que falo, 90% você deixa para lá (risos)”. Ao final de um treino na piscina, ele diz: “Amanhã vou fazer um treino de águas abertas na Lagoa da Pampulha. Alguém anima?”. Todos sabem que não é permitido nadar no local, mas ele vai e corre os 18 km da orla.

Ao finalizar a entrevista, Pedersoli declara com o olhar ao longe: “A elite me tomou muito tempo e me arrependo de ter dedicado tanto ao esporte sem visar o lado financeiro. Podia ter conseguido uma aposentadoria melhor. Por outro lado, amo a minha profissão e me mantenho atualizado, participando de congressos nacionais e internacionais”.

Pedersoli já tem no radar o próximo desafio: fazer mais um Ironman. O técnico dele, Adriano Maron, recomenda o 70.3 (o meio Ironman). Não importa o que o Mário Pedersoli fará, ele continuará sendo um exemplo de dedicação e perseverança para quem gosta de esporte.

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