Sinistros de trânsito pressionam o SUS

Problema é tanto estrutural quanto comportamental / Foto: Divulgação/PRF

Os sinistros de trânsito em rodovias vão além das estatísticas e têm impacto direto no sistema de saúde, na economia e na rotina da população. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), nos primeiros cinco meses de 2025, Minas Gerais já tinha gasto R$ 7,8 milhões com custos de internações na rede pública.

O levantamento mais recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados do Datasus, mostra que o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 449 milhões, em 2024, com internações de vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Os gastos crescem a cada ano. Desde 1998, a alta foi de quase 50% em termos reais.

A especialista em segurança no trânsito, Roberta Torres, ressalta que o impacto de sinistros de trânsito no sistema de saúde é gigantesco. “São internações que estão ocupando leitos que poderiam ser destinados a outras causas, e o custo é de fato alto. Sem falar do dano social, pois afeta a vida das pessoas, como trânsito parado e atrasos no trabalho”.

Roberta explica que a violência no trânsito é multifatorial, e é um conjunto de vários fatores. “Desde a quantidade de veículos, fluxo intenso, passa pela parte de engenharia, manutenção de vias, e também no investimento, principalmente em medidas que tenham como base os dados e as evidências que avaliem os pontos que ocorrem os sinistros”.

Para a especialista, o problema é tanto estrutural quanto comportamental. “Nossas vias precisam ser mais seguras, priorizando especialmente os mais vulnerabilizados, que são os pedestres, os motociclistas e os ciclistas, especialmente nos trechos de perímetros urbanos. E comportamental pelo fato de não termos, na prática, a educação para o trânsito sendo aplicada”.

Ela pontua ainda que estudos mostram que existem ações da engenharia que são muito efetivas e que não são necessariamente a duplicação. “Soluções mais baratas de segurança, como a redução da velocidade máxima permitida em trechos críticos, sonorizadores, defensas metálicas, entre outros. Existem uma série de elementos que conseguem entregar bons resultados por um custo menor, já que a duplicação é um investimento alto”.

Rodovia da Morte

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram a dimensão do problema. Em 2024, Minas Gerais registrou 794 mortes e 11.756 feridos em cerca de 9,3 mil sinistros. Entre as rodovias, a BR-381, conhecida como Rodovia da Morte, aparece entre as mais críticas do país, com milhares de ocorrências.

Em março/abril de 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou a duplicação do lote 8A da BR-381, entre Caeté e o distrito de Ravena (Sabará), com 18 km de extensão (km 422,4 ao 440,4) e no lote 8B, entre Ravena a BH/Anel Rodoviário, com 13,4 km, dependem da conclusão de projetos.

Por meio de nota, o DNIT ressalta que o cronograma da obra tem duração total de três anos, sendo dois somente de execução. Além de ter sanado o problema dos buracos, o departamento está fazendo uma revitalização no pavimento, até que a obra da duplicação possa fazer uma restauração total onde os trechos serão coincidentes.

Segundo o órgão, o perigo da BR-381 pode ser explicado pelo grande fluxo de caminhões e veículos pequenos associado à pista simples. Outro fator é que a rodovia, em vários segmentos, tem muitas curvas, aclives e declives, característicos de uma região montanhosa. Isso propicia que qualquer desatenção ao volante, erro, problema mecânico ou algum defeito da pista aumente a possibilidade de um acidente. Regiões onde a rodovia é mais plana, como a BR-365 no Triângulo Mineiro, por exemplo, têm acidentes menores mesmo com a pista simples.

Um dos principais objetivos do DNIT com a obra é melhorar a trafegabilidade e a segurança dos usuários. “Com a duplicação da pista, acidentes graves diminuirão, pois não haverá batidas frontais. Além da duplicação, a intervenção irá promover uma melhora na geometria em vários pontos, reduzindo raios de curva, aclives, subidas e descidas, preservando a segurança dos motoristas”, finaliza.

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