Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave afetam as crianças

Vacinação é a principal medida de prevenção / Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Minas Gerais está entre os 14 estados em nível de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com tendência de crescimento dos casos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Até abril deste ano, foram notificadas 7.592 ocorrências de SRAG, sendo 428 por influenza.

Conforme o Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os casos de SRAG por influenza A têm impactado crianças de até 4 anos e idosos. Em 2026, já foram notificadas 37.244 ocorrências. Destas, 15.816 (42,5%) tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, 14.723 (39,5%) foram negativas e 3.990 (10,7%) ainda aguardam resultado.

Também houve aumento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças menores de 2 anos de idade. A pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella, afirma que o VSR é um dos principais responsáveis por internações por SRAG nessa faixa etária. “O vírus também é uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana, tomem a vacina contra o vírus para proteger seus bebês nos primeiros meses de vida”.

O pediatra e intensivista pediátrico, Bruno Morais Damião, reforça que a principal medida de prevenção de SRAG são as vacinas. “Não existe outra forma de prevenir uma infecção viral grave, principalmente os abaixo de um ano, prematuros, e os menores de dois anos que têm comorbidades. A imunização é o mecanismo mais eficaz e estudado para esse tipo de síndrome”.

Ele acrescenta ainda que os pais podem ensinar as crianças doentes a forma mais higiênica de toalete de vias respiratórias e nasal. “Como colocar o braço na frente da boca na hora de tossir; usar máscara, quando sabidamente estão com alguma infecção gripal; e levar ao médico quando ver algum sinal de gravidade, como falta de ar”.

Já que esse sintoma é um dos principais sinais de SRAG, alerta Damião. “Percebemos a piora de um quadro gripal quando a infecção que começou mais leve, com obstrução nasal e febre no início, com o passar do tempo tem uma piora no estado geral e do padrão de respiração, insuficiência respiratória, principalmente nas crianças, que vão apresentar uma respiração mais acelerada”.

SRAG

De acordo com a SES/MG, a SRAG não é uma doença específica, mas um conjunto de sintomas graves que afetam a respiração. Começa como uma gripe, mas piora rapidamente, exigindo cuidados urgentes. Ela pode ser provocada por diversos tipos de vírus e bactérias, sendo as mais comuns, o vírus da gripe (Influenza); coronavírus, que causa a COVID-19; vírus sincicial respiratório (VSR) e outros que também atacam o sistema respiratório.

O principal procedimento de tratamento é o suportivo, que é focado em estabilizar o paciente, garantindo oxigenação adequada e manejo dos sintomas enquanto o corpo combate a infecção subjacente. “A ideia é deixar o paciente hidratado, porque perde muito líquido pela via respiratória e tem que manter a oxigenação do sangue. Em alguns casos, só a oferta de oxigênio pelo cateter nasal é suficiente, em outros, precisam da ventilação não invasiva”, destaca o pediatra.

O profissional complementa dizendo que a SRAG pode acometer qualquer faixa etária. “Desde crianças, adultos e idosos. É uma enfermidade grave, com possibilidade de insuficiência respiratória, e em alguns casos, com um atendimento mais intensivo”.

A recomendação é procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), em casos leves. Já sintomas como falta de ar, respiração acelerada e piora do estado geral indicam a necessidade de atendimento imediato em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou hospitais.

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