R$ 750 bilhões em recursos disponibilizados para reerguer a indústria

Lançada em 2024, a Nova Indústria Brasil representa a principal estratégia do governo federal para impulsionar a indústria nacional.
Foto: Magnific.com

Com expectativa de superar R$ 750 bilhões em recursos disponibilizados até o fim de 2026, a Nova Indústria Brasil (NIB) representa a principal estratégia do governo federal para impulsionar a indústria nacional. Lançada em janeiro de 2024, a política reúne linhas de crédito, financiamentos e incentivos voltados à inovação, à transformação digital, à transição energética e ao fortalecimento das cadeias produtivas, com metas estabelecidas até 2033.

Entre as metas da Nova Indústria Brasil estão: ampliar a competitividade das empresas, estimular investimentos em inovação, fortalecer a indústria da saúde, promover a descarbonização da produção, incentivar a transformação digital e aumentar a capacidade tecnológica do país em setores estratégicos.

O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, destaca que entre 2023 e 2026 foram desembolsados cerca de R$ 1,27 bilhão para a indústria mineira por meio do programa BNDES Mais Inovação. Considerando todas as linhas contempladas pelo Plano Mais Produção, os desembolsos no Estado alcançaram aproximadamente R$ 39,1 bilhões.

Apesar dos números, Pio ressalta que ainda não é possível medir os impactos econômicos da política. “A NIB é uma iniciativa relevante e pode contribuir para ampliar o investimento e a modernização da indústria. No entanto, ainda é cedo para afirmar que ela já esteja produzindo efeitos amplos e estruturais sobre a indústria brasileira e mineira. O volume de crédito disponibilizado e o número de projetos financiados são indicadores importantes, mas não são suficientes para medir seu resultado econômico”.

Segundo o economista, os desembolsos demonstram que os recursos estão chegando a setores importantes da economia mineira, principalmente em projetos ligados à inovação, infraestrutura, biocombustíveis e transição energética. Mas, pondera que o sucesso da política deverá ser avaliado pelos resultados concretos. “Para identificar quais segmentos foram os mais beneficiados, será necessário avaliar em que medida esses recursos contribuíram para ampliar a produção, os investimentos, o emprego, a produtividade e a capacidade de inovação de cada setor”.

Na avaliação de Pio, reverter o processo de desindustrialização demanda mais do que ampliar a oferta de crédito. “Exige um aumento sustentado da participação da indústria de transformação na economia, elevação da produtividade, ampliação dos investimentos, maior conteúdo tecnológico da produção, crescimento das exportações de maior valor agregado e geração de empregos industriais qualificados. O crédito pode ajudar a financiar investimentos e acelerar projetos. Entretanto, sem enfrentar os problemas estruturais que reduzem a competitividade da produção brasileira, seus efeitos tendem a ser localizados ou temporários”.

“Mais do que programas pontuais de financiamento e incentivo, o Brasil precisa de uma estratégia de desenvolvimento consistente, capaz de promover transformações estruturais. Reduzir o Custo Brasil continua sendo uma das políticas industriais mais eficazes e abrangentes”, acrescenta.

Para finalizar, Pio ressalta que o principal indicador do sucesso da política será o desempenho da própria economia. Ele acredita que os números de emprego, renda, consumo, crescimento das vendas, além das contratações futuras e dos investimentos em infraestrutura, serão fundamentais para avaliar se a estratégia está fortalecendo a indústria brasileira.

Segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entre 2023 e março de 2026, R$ 709,37 bilhões foram destinados a cerca de 494 mil projetos. A maior parte dos investimentos foi direcionada à infraestrutura, que concentrou R$ 310,9 bilhões, seguida pela agroindústria (R$ 147,4 bilhões) e pela transformação digital (R$ 122,4 bilhões). Na divisão por eixos estratégicos, o foco principal tem sido o aumento da produtividade, responsável por R$ 452,6 bilhões dos recursos contratados.

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