Psoríase: doença crônica vai além da pele e exige acompanhamento

Foto: Magnific.com

Vermelhidão, descamação, coceira e lesões que podem aparecer em diferentes partes do corpo são alguns dos sinais mais conhecidos da psoríase, uma doença inflamatória crônica que afeta milhões de pessoas no Brasil. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a estimativa é de que entre 3 milhões e 5 milhões de brasileiros convivam com a doença, o número mais recente divulgado pela entidade mantém essa faixa de estimativa e reforça a dimensão do problema no país.

A psoríase ocorre quando o sistema imunológico passa a atuar de maneira inadequada, provocando uma inflamação que acelera a renovação das células da pele. A causa exata ainda não é completamente conhecida, mas fatores genéticos e imunológicos têm papel importante. Pessoas com familiares que apresentam a doença possuem maior risco de desenvolvê-la, ao mesmo tempo, determinados fatores ambientais e comportamentais podem funcionar como gatilhos, como estresse, infecções, lesões na pele, clima frio e seco, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Alguns medicamentos também podem desencadear ou agravar crises em determinadas pessoas.

“É importante entender que a psoríase não é simplesmente um problema superficial da pele, trata-se de uma doença inflamatória relacionada ao funcionamento do sistema imunológico, que pode apresentar períodos de melhora e de piora. O paciente pode ter uma predisposição genética e, diante de determinados gatilhos, desenvolver ou agravar as lesões”, explica a dermatologista Helena Moura.

As manifestações variam de acordo com o tipo de psoríase e a região atingida, afirma Helena. “A forma mais comum é a psoríase em placas, caracterizada por áreas elevadas, espessas e avermelhadas, geralmente cobertas por escamas esbranquiçadas. Cotovelos, joelhos e couro cabeludo estão entre os locais frequentemente afetados, mas as lesões podem aparecer em outras regiões, inclusive nas unhas. Coceira, ressecamento e desconforto também podem ocorrer, em alguns casos, a doença ultrapassa a pele e provoca inflamação nas articulações, condição conhecida como artrite psoriásica”.

O tratamento depende da extensão e da gravidade do quadro. Nos casos leves, podem ser indicados medicamentos de uso tópico, como cremes, pomadas e loções com ação anti-inflamatória. Quando a doença é mais extensa ou não responde adequadamente às terapias locais, o dermatologista pode recomendar fototerapia ou medicamentos sistêmicos, administrados por via oral ou injetável.

“O objetivo do tratamento não é apenas deixar a pele com uma aparência melhor. É controlar a inflamação, reduzir sintomas, prevenir novas crises e melhorar a qualidade de vida. A escolha do medicamento precisa ser individualizada, considerando a extensão da doença, outras condições de saúde, idade e resposta aos tratamentos anteriores”, ressalta a reumatologista Carolina Menezes.

Apesar dos avanços, a doença ainda não possui cura definitiva. Isso não significa que o paciente precise conviver permanentemente com lesões ou desconforto. Com acompanhamento médico adequado, é possível alcançar controle significativo ou até quase completo dos sinais e sintomas. A interrupção do tratamento por conta própria, por outro lado, pode favorecer novas crises.

Carolina explica que não existe uma forma conhecida de prevenir completamente o surgimento da psoríase, principalmente porque fatores genéticos e imunológicos estão envolvidos. “É possível, contudo, reduzir alguns fatores que podem desencadear ou piorar as crises, como controlar o estresse, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, proteger a pele contra ferimentos e queimaduras e seguir corretamente o tratamento prescrito. Também é importante identificar os gatilhos individuais de cada paciente”.

Mais do que uma questão estética, a psoríase deve ser encarada como uma doença crônica que merece acompanhamento. Formas mais graves podem estar associadas a outras condições, como obesidade, hipertensão e alterações metabólicas, além da artrite psoriásica. Por isso, o diagnóstico e o tratamento devem ser conduzidos por profissionais de saúde, especialmente dermatologistas e, quando necessário, reumatologistas.

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