Turismo de experiência movimenta a economia de cidades mineiras

A Fazenda Centenária já recebeu mais de 300 visitantes / Foto: Divulgação/Sebrae Minas

O turismo mineiro respondeu por quase 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e atraiu mais de 32 milhões de turistas em 2024, segundo o Observatório do Turismo da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG). O cenário tem sido acompanhado pela expansão do turismo de experiência, que busca transformar características culturais, gastronômicas e naturais dos municípios em produtos turísticos.

Com um total de 21 destinos estruturados, 245 experiências turísticas criadas e 570 empresas atendidas, Minas Gerais deve encerrar 2026 com R$ 21 milhões em investimentos nos últimos quatro anos. Por meio do programa Check-in Turismo, uma iniciativa do Sebrae Minas para fomentar o turismo, 75 municípios foram impactados diretamente pela iniciativa. Entre as empresas participantes, o faturamento cresceu, em média, 22% nos últimos quatro anos.

A Fazenda Centenária, que fica dentro da comunidade rural quilombola de Brejo do Amparo, em Januária, no Norte de Minas, faz parte do programa Check-in Turismo, e reúne em suas ações um roteiro que inclui histórias, receptividade, um casarão centenário, a tradicional cachaça mineira e receitas diversas.

De dezembro de 2025 até meados de 2026, foram mais de 300 visitantes na Fazenda Centenária. O projeto inclui visitas ao canavial e ao alambique, degustação de cachaças de produção própria, café e almoço com quitutes mineiros, moda de viola e passeio pelo casarão, construído no século 18 e considerado o primeiro imóvel na região de Januária. A visitação de escolas, instituições e projetos sociais locais é gratuita.

O projeto

Uma das proprietárias do empreendimento, Izabela Martins Itabaiana, explica que, há quatro anos, o projeto vem sendo preparado. “Junto ao meu sócio e marido, Walter Viana Neves, buscamos criar na Centenária um turismo de experiência, aproveitando a estrutura da cachaçaria, que produz o rótulo Cachaça Viana, e da fazenda, mostrando a história da região”.

“Desde o início, o Walter sempre demonstrou interesse em mostrar a história do território, que tem uma tradição de mais de 300 anos na produção de cachaça. Mais que vender uma bebida, é apresentar a história da região e inseri-la na rota da cachaça mineira e, também, constituir uma rota regional própria”, destaca Izabela.

Ela conta ainda que já sabia do potencial do local, mas foi preciso observar os pontos fortes e aperfeiçoar a experiência, com apoio do Sebrae em todos os processos. O casal já está pensando em ampliar e explorar novos serviços dentro da propriedade, como a observação de pássaros e trekking.

Relevância

O presidente da Expocachaça e turismólogo, José Lúcio Mendes, ressalta que construir roteiros turísticos da cachaça é muito importante em Minas Gerais. “Porque junto com a destilaria, também temos as atividades que acontecem nas cidades e regiões. Juntar essas ações com as festas regionais pode trazer receitas relevantes para a manutenção dessas destilarias e também para o crescimento desses municípios em termos de turismo e negócios”.

A rota turística está inserida em um contexto que não isola a cidade que ela faz parte, explica Mendes. “Tudo que for promovido para o negócio, vai impactar a economia do município e região. Todos ganham nesse processo. Além de promover o produto em nível nacional e internacional”.

Reconhecimento

Segundo o presidente, o reconhecimento da cachaça como patrimônio cultural de Minas Gerais ajudou na valorização do produto. A mesma coisa está acontecendo com o queijo, pelo reconhecimento da Unesco como patrimônio cultural da humanidade.

Além deles, temos o café, a cerveja e o azeite mineiro da Serra da Mantiqueira, destaca o especialista. “São muitos produtos e a percepção, através das menções e indicações, faz com que as nossas mercadorias sejam valorizadas no mercado nacional e mundial”.

O pequeno produtor sempre tem dificuldade de fazer investimentos, observa Mendes. “Mas, existem possibilidades, como as Secretarias de Cultura e Turismo, Emater e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) que podem ajudar determinadas regiões a se desenvolverem. Outro ponto é que o pequeno produtor tem que se unir para crescer, seja através de projetos ou associações”.

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