Cleitinho não tem ainda uma boa articulação com os deputados estaduais mineiros

Quando ainda em campanha, o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) propalava a sua intenção de dialogar com os setores organizados de Minas, inclusive buscaria uma aproximação institucional perante o governo federal. Em verdade, o futuro governador encontrará pela frente um preponderante desafio, com um déficit orçamentário de mais de R$ 10 bilhões, além de uma famigerada dívida de R$ 200 bilhões entre Estado e União.

Para encaminhar positivamente essas e outras demandas, o novo chefe do Executivo terá de usar do seu poder de efetividade. Afinal, apenas produzir vídeos hilariantes, como se constatava no seu histórico para mobilização da população, em nada poderá contribuir para encontrar uma tangente consistente para as suas necessidades oficiais.

Convivência com a Assembleia

A imprensa tem noticiado a sugestão de nomes supostamente escalados para a composição do primeiro escalão do futuro governo. A sondagem menciona o empresário e deputado estadual eleito Vittorio Medioli (PL), o deputado Cassio Soares (PSD), o candidato derrotado Gabriel Azevedo (MDB), o vice-governador Luís Eduardo Falcão (Republicanos) e o presidente da Federação das Indústrias, Flávio Roscoe. Este último, que também disputou o Palácio Tiradentes, segundo informações dos bastidores, promete colaborar com o governo a ser instalado a partir de janeiro, mas ao menos por enquanto, não há interesse em aceitar cargos.

Percebe-se um movimento de aproximação do governador Cleitinho com os setores mais estruturados de Minas. A imprensa de Minas desconhece um projeto do futuro titular do Palácio Tiradentes com vistas a uma harmonia com o Legislativo estadual.

Manter-se distante dos deputados é um desafio efetivamente arriscado, basta ver o exemplo de Romeu Zema (Novo). Ao ser eleito em 2018, sua excelência vaticinava independência completa e prometia enquadrar os parlamentares mineiros. Porém, o que se viu foram atritos constantes ao longo dos anos, tanto que os membros do Legislativo estadual atuam de forma orgânica em defesa de seus projetos, independentemente da caneta do Executivo.

Muito possivelmente, quando o nome para ocupar o cargo de secretário de governo for definido, o escolhido ficará com a incumbência de dialogar com os diversos grupos que formam a união dos 77 deputados estaduais.

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