Projeto recupera áreas no entorno da Lagoa de Ibirité com agroecologia

Foto: Divulgação

Mais de 700 mudas de árvores plantadas, cerca de 10 mil metros quadrados de sistemas agroflorestais e aproximadamente 2 mil estudantes alcançados por atividades de educação ambiental. Esses são alguns dos resultados do Projeto Vem Viver, iniciativa que reúne moradores, organizações e mulheres de Sarzedo, Ibirité e Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em ações de recuperação ambiental, agroecologia e mobilização comunitária no entorno da Lagoa de Ibirité.

Iniciado em maio de 2025, o projeto é realizado pela Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas (REDE), com apoio do coletivo Marias Vão Com as Outras, Sim!. Com duração prevista até abril de 2028, a iniciativa busca disseminar práticas sustentáveis, fortalecer a produção de alimentos e ampliar o envolvimento da população na conservação do território.

Segundo a técnica em agroecologia da REDE, Laura Barroso, uma das principais estratégias são os sistemas agroflorestais. “A gente planta junto com as famílias agricultoras uma diversidade de árvores, arbustos, sementes e mudas. Isso aumenta a biodiversidade daquela área produtiva, criando pequenas ilhas que atraem mais pássaros e enriquecendo a região como um todo”.

Participação comunitária

Além dos plantios, o projeto promove oficinas em escolas públicas, atividades de formação e mutirões comunitários. A intenção é aproximar crianças, jovens e adultos de práticas como compostagem, produção de mudas, cultivo de hortas e reaproveitamento de resíduos.

Para a técnica em agroecologia da REDE, Ingrid Cristine, os conhecimentos adquiridos pelos estudantes já começam a chegar às famílias. “Eles estão tendo cuidado, o interesse de cuidar da planta em casa, de plantar o alimento. Na questão da compostagem, agora estão ensinando em casa como separar o lixo”.

A iniciativa também prevê a implantação de tecnologias sociais, como cisternas para captação de água da chuva, composteiras e tanques de evapotranspiração, utilizados no tratamento ecológico de resíduos sanitários. A meta é implantar 40 sistemas agroflorestais, com aproximadamente 150 mudas cada, 20 quintais agroflorestais e dez tanques de evapotranspiração.

A mobilização tem como uma de suas bases o coletivo Marias Vão Com as Outras, Sim!, que desenvolve atividades de agroecologia, produção de mudas, costura criativa e artesanato sustentável. Segundo a assistente social e coordenadora administrativa do coletivo, Nilce Nicácio, a aproximação com a REDE permitiu ampliar o trabalho e fortalecer a atuação no território. “O projeto representa a continuidade e a ampliação desse trabalho. Por meio do Centro de Educação Ambiental, temos a oportunidade de transformar conhecimento em prática, recuperar espaços e mobilizar a comunidade”.

A continuidade das ações depende de recursos, estrutura, manutenção dos espaços e participação dos moradores. Para Laura, a troca de conhecimentos entre agricultores é fundamental para que as experiências possam ser reproduzidas. A metodologia utilizada, conhecida como campesino a campesino, incentiva o compartilhamento de práticas entre as próprias famílias. “São tecnologias sociais de baixo custo e fácil replicação, para que possam ser apreendidas coletivamente e os agricultores consigam reproduzir por conta própria com outras famílias”.

Até 2028, estão previstos intercâmbios, seminários e um festival envolvendo os três municípios, com o objetivo de ampliar as articulações e discutir políticas públicas. A expectativa é consolidar o Centro de Educação Ambiental Vem Viver como referência regional e garantir que os conhecimentos adquiridos permaneçam nas comunidades.

Para Laura, o principal legado está na permanência das tecnologias implantadas e na possibilidade de continuidade das práticas pelas famílias. “As agroflorestas que implantamos agora são florestas para o futuro. Esperamos que sejam manejadas e permaneçam com as famílias por 20, 30 ou até 50 anos”, conclui.

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