Brasil deve ter cerca de 530 mil vagas temporárias até dezembro de 2026

Indústria deve representar maior parte das contratações – Foto: Magnific.com

O mercado de trabalho temporário deve registrar cerca de 530 mil contratos no Brasil no último trimestre de 2026, segundo projeção da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem). O volume representa alta de 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Além de atender ao aumento sazonal da demanda, as vagas podem funcionar como porta de entrada ou retorno ao emprego formal. Segundo a entidade, cerca de um em cada cinco trabalhadores temporários é efetivado ao fim do contrato.

Para o diretor regional da Asserttem, Glaucus Passos Botinha, a modalidade atende diferentes áreas, mas concentra vagas operacionais. Na indústria, predominam operadores e auxiliares de produção. No comércio e nos serviços, vendedores e atendentes estão entre os mais procurados. “É um mercado muito grande de primeiro emprego. Aquela primeira carteira de trabalho assinada e o ingresso de um profissional no mercado corporativo. Ali ele tem a chance de se destacar”.

“Devido à taxa de emprego baixa, nenhuma empresa está dispensando bons talentos. Os bons trabalhadores, mesmo que entrem em um contrato temporário e que se destaquem, vão ser aproveitados”, complementa.

O presidente da Employer Recursos Humanos, Marcelo de Abreu, afirma que a efetivação depende do desempenho do profissional e da necessidade de pessoal da empresa. “Historicamente, cerca de 20% dos trabalhadores temporários são efetivados ao término do contrato. Aprendizado rápido, pontualidade e trabalho em equipe pesam na decisão”.

Setores que mais contratam

A indústria deve responder por 45% das contratações temporárias no trimestre, seguida por serviços (35%) e comércio (20%), conforme a Asserttem. Botinha destaca que antes era muito comum associar o trabalho temporário de fim de ano ao comércio, principalmente por causa do Natal e da Black Friday. “Nos últimos anos, houve uma migração significativa para o mercado on-line, o que também ampliou a demanda da indústria, grande fornecedora de produtos para esse segmento”.

Abreu destaca vagas para auxiliares de logística, operadores de estoque e ajudantes operacionais, além de vendedores e operadores de caixa. A indústria antecipa a produção de bens de consumo, enquanto serviços são impulsionados pela logística. “O grande desafio no fim de ano é a corrida contra o tempo. As empresas enfrentam janelas de recrutamento muito curtas, combinadas com a escassez de mão de obra qualificada. Como todo o mercado busca os mesmos perfis ao mesmo tempo, a competição por talentos fica acirrada”.

Direitos e novas oportunidades

Regulamentado pela Lei nº 6.019/1974, o trabalho temporário é formal e assegura registro, remuneração equivalente à de empregados da mesma função e direitos trabalhistas e previdenciários. Mesmo sem efetivação, a experiência pode favorecer a recolocação. Segundo Abreu, o contrato garante renda e direitos, atualiza o currículo e mantém o profissional no radar das consultorias para novas seleções. Para 2027, ele aponta oportunidades ligadas ao verão, turismo, lazer e serviços, além de projetos de tecnologia e inclusão de jovens no mercado.

Sobre o volume de contratações para o próximo ano, Botinha considera cedo para fazer uma estimativa, devido às incertezas sobre juros, PIB e diretrizes econômicas. “O mercado está em compasso de espera. Fazer qualquer previsão de aumento ou redução de contratações para o próximo ano ainda é prematuro”, finaliza.

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