
O segmento de bares e restaurantes deve registrar R$ 540 bilhões de faturamento em 2026. O valor representa uma alta de 9% em relação aos R$ 495 bilhões registrados em 2025, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Em 2024, o setor alcançou R$ 455 bilhões.
A pesquisa mostra ainda que o setor acumula 11 meses de crescimento nas vendas. Em agosto, o índice apontou alta de 7,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Dos 24 estados acompanhados, 23 venderam mais, e o Nordeste liderou com 10,3%.
Conforme esclarece o mestre em economia, Heldo Siqueira, o crescimento projetado revela uma expansão acima do ritmo geral da economia. “Descontando a inflação prevista de 4,9%, a alta nominal de 9% equivale a um crescimento real próximo de 4%. Para comparação, no primeiro semestre de 2026, os serviços cresceram 1,8% e o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,9%. Embora os períodos sejam distintos, os números sugerem um desempenho relativamente mais forte do setor”.
Para Siqueira, bares e restaurantes são bastante sensíveis à evolução da renda e do emprego. “Quando o orçamento aperta, as famílias tendem a reduzir as saídas ou escolher opções mais baratas; quando a renda melhora, há mais espaço para comer fora de casa. O desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, no menor nível da série histórica, e o crescimento de 3,7% no rendimento médio real, em relação ao ano anterior, ajudam a explicar o movimento favorável do setor. Além da alta dos preços”.
Prejuízo
Apesar do avanço das vendas, a Pesquisa Nacional de Conjuntura Econômica mostra que 20% dos estabelecimentos fecharam no prejuízo, sendo que 42% operaram com lucro em julho. Em dezembro de 2025, esse índice de lucratividade era de 47%.
O economista ressalta que essa aparente contradição não é incomum. “A expansão do faturamento pode ocorrer ao mesmo tempo que uma redução dos lucros, porque os custos também aumentam. O setor depende muito de mão de obra e a elevação dos salários, que favorece o consumo, mas também pode pressionar as despesas dos estabelecimentos. Se os custos crescem mais que as receitas, o negócio pode vender mais e ainda operar com prejuízo”.
Outro elemento a ser levado em conta é a sazonalidade, pontua Siqueira. “Em julho, mês de referência da pesquisa, o frio pode reduzir a frequência em bares e restaurantes de algumas regiões. Já as festas de fim de ano e o verão tendem a estimular o movimento”, complementa.
“Será importante acompanhar se essa trajetória de crescimento se mantém nos meses de verão, quando o movimento tende a aumentar. Por isso, os sinais atuais são favoráveis, mas precisam ser acompanhados ao longo do tempo”, acrescenta.
Sustentabilidade
O especialista afirma também que a sustentabilidade desse crescimento depende também da continuidade dos ganhos reais de renda e da manutenção do desemprego em níveis baixos. “A redução dos juros pode ser interpretada como um sinal de que o Banco Central avalia ser possível favorecer a expansão da economia sem comprometer o controle da inflação”.
Segundo Siqueira, ao tornar o crédito mais acessível, esse movimento pode favorecer o consumo e os investimentos, embora seus efeitos sejam graduais. “Há, portanto, perspectiva de continuidade da expansão, mas não há garantia de manutenção do mesmo ritmo nos próximos meses”.
Para que o aumento do faturamento se transforme em maior rentabilidade, é importante que a expansão econômica seja contínua, sustentando o emprego, a renda e o consumo das famílias, destaca o economista. “Bares e restaurantes dependem também do crescimento dos demais setores, que geram renda para a população consumir seus serviços”, finaliza.
Empregos
Os bares e restaurantes somam mais de 1,5 milhão de estabelecimentos e empregam cerca de 5 milhões de pessoas, o equivalente a 7,9% dos postos de trabalho do Brasil. São 2 milhões de empreendedores, o que coloca o setor entre os que mais reúnem donos de negócio no país. Além disso, o segmento conta com maior presença feminina: 39% dos empreendedores são mulheres.