Estudo mostra que abandono escolar caiu 40% no 1º ano do ensino médio

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A taxa de evasão escolar dos estudantes do 1º ano do ensino médio teve uma redução de mais de 40% em um ano e atingiu o menor índice da série histórica. De 2024 para 2025, o percentual caiu de 3,7% para 2,2%. Em 2015, 8,7% dos estudantes dessa etapa haviam abandonado a escola. Os dados são da 2ª etapa do Censo Escolar, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Para analisar os resultados e os desafios para a permanência dos jovens na escola, o Edição do Brasil conversou com o consultor de políticas públicas educacionais da Fundação FAT, Francisco Borges.

O que explica essa queda acentuada no período?
A queda é explicada principalmente pelo incentivo financeiro do Programa Pé-de-Meia, que alivia a necessidade de o jovem deixar a escola para trabalhar. Além disso, somam-se a expansão das escolas em tempo integral, a reestruturação curricular do Novo Ensino Médio e a ampliação da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) integrada, que torna o currículo mais atrativo e conectado ao mercado.

Por que essa redução, especificamente no 1º ano do ensino médio, merece atenção?
O 1º ano é historicamente o gargalo da evasão escolar, onde ocorre a transição mais difícil e as maiores taxas de reprovação e distorção idade-série. Garantir a permanência logo no início evita o descolamento imediato do sistema de ensino. É nessa etapa que o Pé- -de-Meia e a atratividade do ensino técnico integrado atuam como fortes âncoras para criar o vínculo inicial do estudante.

Quais desafios ainda precisam ser enfrentados para evitar que esses estudantes abandonem os estudos nos anos seguintes?
Os desafios incluem a manutenção do suporte financeiro e o combate à necessidade precoce de inserção no mercado de trabalho formal. É preciso também expandir vagas de ensino técnico integrado com boa infraestrutura nas regiões vulneráveis e oferecer apoio socioemocional e pedagógico para que o aluno consiga acompanhar o aumento da complexidade das disciplinas no 2º e 3º anos.

Além da taxa de abandono, quais outros indicadores deveriam ser observados para entender se essa queda representa uma mudança consistente na trajetória dos jovens?
Devem ser observados os índices de aprendizagem adequada (especialmente em matemática e português), as taxas de reprovação e a distorção idade-série. Também é essencial monitorar a taxa de conclusão na idade certa, a empregabilidade dos egressos da educação profissional e o percentual de estudantes inseridos no ensino superior ou no mercado de trabalho qualificado.

O que seria necessário acontecer nos próximos anos para que a redução do abandono observada se transforme em uma mudança permanente nos índices de conclusão do ensino médio?
Será necessário garantir a sustentabilidade orçamentária de longo prazo para programas como o Pé-de-Meia e consolidar a expansão da rede física de educação profissional integrada. Além disso, as redes estaduais precisam aprimorar a Busca Ativa Escolar, alinhar os cursos técnicos às demandas econômicas locais e assegurar que a qualidade do aprendizado em sala de aula evolua no mesmo ritmo da retenção.

Analisando o cenário atual, é possível projetar uma continuidade da queda dos índices nos próximos anos? Quais fatores podem determinar esse comportamento?
Sim, é possível, desde que as políticas de indução continuem consolidadas. Os fatores determinantes serão a continuidade e reajuste dos incentivos financeiros, a atratividade real dos itinerários de formação profissional (EPT), e a capacidade do poder público de reduzir as desigualdades regionais, já que estados do Norte e Nordeste ainda registram índices de abandono muito superiores à média nacional.

Que estratégias podem ser adotadas pelas escolas e pelo poder público para fortalecer o vínculo dos estudantes com a educação?
O poder público pode fortalecer esse vínculo articulando o Pé-de-Meia a programas de estágio e menor aprendiz. As escolas devem apostar em metodologias ativas, modernização dos laboratórios de ensino técnico, escuta ativa das juventudes, projetos de vida estruturados e parcerias diretas com empresas e indústrias locais, aproximando os estudos do futuro do estudante.

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