Esportes femininos estão na melhor fase e atraem marcas

Futebol tem chamado a atenção / Foto: Lívia Villas Boas/CBF

O avanço dos esportes femininos, consolidado em 2025 com recordes de audiência, engajamento e receitas bilionárias, prepara o terreno para um 2026 marcado por expansão e forte movimentação do mercado publicitário. O segmento deixa de ser apenas uma pauta de representatividade para assumir o posto de plataforma estratégica de investimento para marcas que buscam alcançar consumidores engajados, alta capacidade de influência e retorno financeiro acima da média.

Dados da Women’s Sport Trust mostram a dimensão dessa virada: 80% das marcas globais planejam investir em esportes femininos até 2027, enquanto 86% afirmam que o retorno sobre investimento (ROI) já supera as expectativas. O consumidor dessa modalidade também demonstra características que atraem o mercado, segundo o Women in Sports Review, fãs do esporte feminino são 4,7% mais receptivos às marcas patrocinadoras e têm 2,1% mais probabilidade de compra. Cada dólar investido gera, em média, US$ 7,29 em valor de cliente.

Na visão do CEO da US Media, Bruno Almeida, essa evolução marca uma mudança estrutural no setor. “Os esportes femininos abriram uma nova fronteira premium de mídia e branding, sustentada por dados sólidos, crescimento de audiência e retorno comprovado. É hoje um dos terrenos mais seguros para marcas que buscam relevância cultural e resultado mensurável”.

Receita global

O relatório da Deloitte projeta que os esportes femininos cheguem a US$ 2,35 bilhões em receita global até dezembro de 2025, quase o dobro do registrado dois anos antes. O basquete responde pela maior fatia, movimentando cerca de US$ 1,03 bilhão, enquanto o futebol soma US$ 820 milhões.

No Brasil, o futebol feminino puxa a fila do mercado. A segunda partida da final do Campeonato Brasileiro Feminino, entre Corinthians e Cruzeiro, levou 41.130 torcedores à Neo Química Arena e registrou a maior renda da modalidade, com R$ 1,23 milhão. A modalidade tem mostrado um público fiel e ativo no Brasil.

Segundo a pesquisa “Consumo do Futebol Feminino”, 96% acompanham a modalidade semanalmente, 70% usam redes sociais diariamente para se informar, 82% preferem marcas patrocinadoras do futebol feminino, 67% já compraram produtos oficiais e 80,8% pretendem comprar ingressos para a Copa 2027, sediada no Brasil.

Para Almeida, o engajamento do torcedor brasileiro reforça o potencial do setor. “Não é apenas um público que cresce. É um consumidor altamente comprometido, que reconhece e apoia marcas investidoras”.

Ele conclui dizendo que os esportes femininos deixaram de ser tendência para se tornarem um eixo estratégico de investimento. “Quem entender desde já a progressão do setor vai liderar a conversa com o consumidor. O esporte feminino une propósito e eficiência e é uma oportunidade rara de escala e construção de marca”.

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