Na falta de propostas concretas para apresentar à nação, os candidatos à Presidência da República, sem exceção, decidiram se apegar à pirotecnia política, como forma de tentar aumentar a popularidade e melhorar nas pesquisas eleitorais.
Chegou a ser hilário o tema escolhido por grande parte dos candidatos para as comemorações do 7 de setembro. O alvo foi o Supremo Tribunal Federal (STF), com citações intensas contra o ministro Alexandre de Moraes. O objetivo não deveria ser aquela Corte, porque o ministro não está concorrendo ao pleito eleitoral. Este embate, especialmente turbinado pelos discursos inflamados e impulsionamentos nas redes sociais, tem mais conexão com a polarização entre direita e esquerda.
Nos meandros burocráticos repousam os programas de governo, documentos exigidos pela legislação eleitoral. São folhas e mais folhas de papel, com textos quase sempre elaborados por “aspones”. Escrito apenas para constar, porque os próprios candidatos não têm paciência de ler integralmente esse maçante amontoado de palavras.
Nem tudo está perdido e o eleitor ainda deve nutrir a expectativa de que o debate público de qualidade possa elucidar as propostas. Não é possível que os aludidos eleitores sejam guiados apenas por mensagens disseminadas pelos meios eletrônicos. O ideal é haver mais presença dos candidatos em diferentes logradouros e praças públicas.
Até o momento, existe muita eloquência para convencer o determinado público formador de opinião. Outrossim, os moradores das comunidades e os habitantes dos grandes aglomerados nas maiores urbes também carecem de esclarecimento sobre a intenção dos incumbentes. O ato na Avenida Paulista, realizado no dia 7 de setembro, poderia ter acontecido em local onde a população encontrasse motivo para participar e hastear as suas bandeiras.
Roga-se a Deus para que o processo democrático seja levado a bom termo nessa peleja, prevalecendo sempre o costumeiro diálogo. Esse é o pressuposto básico para conquistar os votos e o direito de comandar uma nação como o Brasil, com seus mais de 200 milhões de habitantes.