
Um estudo encomendado pela Embratur estima que a Copa do Mundo Feminina de 2027 pode movimentar cerca de R$ 8,8 bilhões na economia brasileira e gerar mais de 73 mil empregos. Dados do Comitê Olímpico do Brasil (COB) mostram que o setor esportivo gerou R$ 183,4 bilhões em 2023, mais que toda a atividade cultural do país.
Entretanto, esses resultados não ocorrem automaticamente. A especialista financeira, Karen Freitas, ressalta que os fatores para que um megaevento esportivo realmente deixe benefícios econômicos duradouros são investimentos em infraestrutura com utilidade permanente. “Além da qualificação da mão de obra, fortalecimento do ambiente de negócios, promoção internacional do destino e planejamento integrado entre governos e iniciativa privada”.
Minas Gerais, que terá Belo Horizonte como uma das cidades- -sede, deveria concentrar esforços em investimentos com elevado retorno econômico e social, acrescenta a especialista. “Como mobilidade urbana, segurança pública, conectividade digital e qualificação dos profissionais do turismo e dos serviços. Outro ponto importante é apoiar pequenas e médias empresas para que elas consigam integrar a cadeia de fornecimento do evento”.
Para Karen, os impactos tendem a alcançar diversos setores. “Destaco alguns que são tecnologia da informação, logística, economia criativa, publicidade, eventos, segurança privada, alimentação, indústria de bebidas, comércio varejista, confecção, artesanato e produção cultural. Também existe potencial para fortalecer bastante a imagem de produtos mineiros de maior valor agregado, como cafés especiais, queijos, cachaças e outros alimentos com identidade regional”.
A Copa do Mundo Feminina ocorre em um momento de expansão global da economia do esporte e do futebol feminino, reforça a especialista. “Esse crescimento representa uma oportunidade para o Brasil ampliar sua inserção nesse mercado, fortalecer sua imagem internacional e estimular novos investimentos”.
Captação de recursos
A especialista em Direito Empresarial e Gestão de Projetos, e consultora em leis de incentivo ao esporte, Rafaella Krasinski, explica que grandes eventos aumentam a visibilidade do setor esportivo e fortalecem a percepção de retorno institucional para as empresas. “Do ponto de vista do investidor, a Copa Feminina amplia a confiança em projetos esportivos bem estruturados, especialmente aqueles desenvolvidos por meio das leis de incentivo”.
“Essas leis são, provavelmente, o principal mecanismo de aproximação entre o setor privado e o esporte brasileiro. Elas reduzem o risco do investimento, oferecem segurança jurídica e permitem que empresas direcionem parte dos tributos para projetos que geram impacto social mensurável”, acrescenta.
Ela salienta ainda que a Copa do Mundo Feminina representa uma oportunidade histórica para reposicionar o esporte na agenda de desenvolvimento do Brasil. “O sucesso do evento não deve ser medido apenas pela sua organização, mas pela capacidade de transformar o interesse momentâneo em projetos permanentes”.
Segundo a especialista, o Mundial de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 deixaram importantes aprendizados. “Os recursos em infraestrutura demonstraram que grandes eventos podem acelerar obras e melhorar equipamentos públicos, mas também evidenciaram que o verdadeiro legado depende da ocupação permanente dessas estruturas após o encerramento das competições”.
Estimativa econômica
Com base na metodologia de Matriz de Insumo-Produto (MIP), o volume financeiro total divide-se em dois eixos. O primeiro é o impacto do público, que está estimado em R$ 4,7 bilhões, com a expectativa de fluxo de 2 milhões de pessoas (residentes e turistas) durante o mês da competição. Já o segundo é sobre os investimentos para a organização do torneio, que devem gerar um impacto total de R$ 4,1 bilhões na economia.
“Em 2014 houve ganhos na promoção internacional e no turismo, mas também ocorreram investimentos cuja utilização posterior ficou abaixo do esperado em algumas cidades. Para 2027, o foco deve ser em obras de alta utilização, apoio ao setor privado, fortalecimento do turismo e melhoria da experiência do visitante, reduzindo custos e aumentando a eficiência do gasto público”, finaliza Karen.