
O mercado imobiliário de Belo Horizonte comercializou 12.099 imóveis no primeiro semestre de 2026, considerando unidades residenciais, pontos comerciais e lotes. O volume representa uma redução de 6,7% em comparação com as 12.970 unidades negociadas nos seis primeiros meses de 2025. Apesar do resultado inferior ao registrado no ano passado, o desempenho é avaliado como um movimento de acomodação depois do ciclo de crescimento observado pelo setor nos últimos anos.
Para a economista Camila Nogueira, especialista em mercado imobiliário, a retração não significa necessariamente uma perda de força estrutural. “Depois de períodos de expansão mais acelerada, é comum que o mercado entre em uma fase de ajuste. O comprador passa a analisar mais as condições de financiamento, o preço e a perspectiva econômica antes de fechar negócio”, ressalta.
O segmento residencial continuou dominando as transações realizadas na capital. Cerca de 90% das unidades comercializadas entre janeiro e junho pertenciam a essa categoria. Dentro dela, os apartamentos responderam pela maior parcela das vendas, com 9.485 unidades, contra 10.206 no primeiro semestre de 2025, uma queda de 7,1%.
Ainda segundo Camila, a redução pode estar relacionada a um comportamento mais cauteloso dos consumidores. “A decisão de comprar um imóvel envolve um compromisso financeiro de longo prazo. Quando há maior percepção de incerteza, parte das famílias prefere adiar a aquisição, pesquisar mais ou esperar condições consideradas mais favoráveis”.
O desempenho não foi uniforme entre os diferentes padrões de imóveis. Enquanto algumas categorias apresentaram retração, outras registraram crescimento. Os segmentos Super Luxo e Econômico Faixa 4 tiveram alta de 4,8% cada no período, enquanto o padrão Standard avançou 2,4%. Na direção contrária, as vendas caíram 33,2% entre os imóveis classificados como Luxo, 25,9% no padrão Alto, 19,3% no Médio e 7,9% no Econômico.
De acordo com o consultor de mercado imobiliário, João Almeida, os movimentos aparentemente distintos refletem públicos com comportamentos e necessidades diferentes. “O consumidor de renda mais alta pode ter maior capacidade para aproveitar oportunidades específicas, enquanto a procura por imóveis econômicos está diretamente associada à necessidade de moradia e ao acesso a faixas de financiamento mais compatíveis com o orçamento das famílias”.
A relevância dos imóveis de menor valor também aparece quando se observa um período mais amplo. Entre 2022 e 2026, as categorias Econômico e Econômico Faixa 4, que reúne unidades avaliadas entre R$ 400 mil e R$ 600 mil, concentraram 62,4% das unidades comercializadas em Belo Horizonte. Já os padrões Luxo e Super Luxo, somados, representaram apenas 2,5% das vendas. No primeiro semestre de 2026, os imóveis Econômico Faixas 2 e 3, com valores de até R$ 400 mil, responderam por aproximadamente 36,6% das unidades vendidas. A Faixa 4 acrescentou outros 22,5% desse total.
Para Almeida, a expansão de 4,8% registrada no Econômico Faixa 4 pode estar associada à busca por imóveis que ofereçam um equilíbrio entre preço, localização e padrão construtivo. “Existe uma parcela de compradores que não encontra mais tantas alternativas nos imóveis de menor preço e acaba migrando para uma faixa um pouco superior, desde que consiga compatibilizar o valor da unidade com sua capacidade de pagamento”.
No mercado de alto padrão, por outro lado, o comportamento é mais concentrado. Os imóveis classificados como Luxo, com valores entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, e Super Luxo, acima de R$ 5 milhões, representaram juntos 2,4% das unidades comercializadas no primeiro semestre. Segundo Almeida, o crescimento do Super Luxo pode estar ligado à disponibilidade financeira de consumidores de maior renda e à aquisição de imóveis como forma de diversificação patrimonial.
Mesmo com a retração registrada no primeiro semestre, a expectativa é de que o mercado apresente maior atividade na segunda metade de 2026. De acordo com Camila, o comportamento sazonal ajuda a explicar essa projeção. “O segundo semestre costuma ganhar força porque muitas famílias passam a ter maior disponibilidade financeira no fim do ano, enquanto outras começam a planejar mudanças de residência, seja por questões profissionais, familiares ou patrimoniais”.