Dívidas das empresas inadimplentes no Brasil somam R$ 238 bilhões

Foto: Magnific.com

O número de companhias no vermelho alcançou um novo recorde e chegou a 9,2 milhões de CNPJs em julho de 2026, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. A quantidade de pendências atingiu 67,2 milhões, somando R$ 238,6 bilhões.

Em média, cada empreendimento inadimplente acumulou 7,3 contas negativadas, com dívida média de R$ 25.983,88 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.551,59. As micro e pequenas empresas seguiram como maioria expressiva da inadimplência empresarial, com 8,7 milhões de CNPJs negativados. O grupo concentrou 60,5 milhões de dívidas, que somaram R$ 206 bilhões.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a permanência da inadimplência em níveis elevados ocorre em um momento em que as condições financeiras continuam restritivas. “Apesar dos cortes recentes da Selic, ainda não observamos uma mudança estrutural nas condições financeiras. O mercado continua precificando juros elevados por um período prolongado, e é essa expectativa que influencia diretamente o custo de financiamento e a capacidade das empresas de rolar suas dívidas”.

“Ao mesmo tempo, a atividade econômica entra em uma trajetória mais clara de desaceleração. Portanto, temos uma combinação de custo financeiro ainda alto com menor dinamismo da receita, que mantém o ambiente bastante desafiador para a regularização dos passivos”, acrescenta.

Já a economista e coordenadora de cursos do Centro Universitário FMU, Natalie Verndl, destaca que além da alta da taxa de juros, a economia vem perdendo ritmo. “Ou seja, continua decrescendo, e é um resultado que acontece justamente quando o crescimento das receitas é menor do que as despesas financeiras que ainda costumam ser muito elevadas”.

A inadimplência pode dificultar, inclusive, o acesso ao crédito, alerta a economista. “Isso gera menor capital de giro, redução dos estoques e dos investimentos, diminuição das contratações e atraso no pagamento aos fornecedores. O que faz o problema deixar de ser apenas pontual e contaminar outras empresas na cadeia produtiva, podendo resvalar na redução do PIB”.

Ela ressalta que ter várias dívidas em atraso não vai significar automaticamente que a empresa esteja em situação de insolvência. “Para poder afirmar isso, tem que ser necessário avaliar todo o patrimônio, a questão dos recebíveis, o faturamento e a própria capacidade de geração futura de caixa. O que esses dados revelam é que tem uma situação de liquidez que está bastante pressionada”.

Minas Gerais

Minas Gerais é o segundo Estado com o maior número de empresas inadimplentes no país, com 915.410 CNPJs. O índice representa alta de 24,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. São Paulo lidera, com 3.147.102 empresas, enquanto o Rio de Janeiro aparece em terceiro, com 870.189.

Em média, cada empresa inadimplente acumulou sete contas em atraso, em Minas Gerais. A dívida chegou a R$ 24.911 por empresa, enquanto o valor de cada pendência foi de R$ 3.538,89. Entre junho e julho, a quantidade de dívidas aumentou de 6.323.710 para 6.443.860, enquanto o valor total dos débitos subiu de R$ 22,04 bilhões para R$ 22,8 bilhões.

Natalie explica que o Estado tem uma economia diversificada, principalmente com presença relevante nos setores de serviço, comércio e indústria. “Há também um contingente grande de pequenos negócios e com os juros elevados e a desaceleração econômica atingindo simultaneamente o consumo, capital de giro e a própria cadeia de fornecedores, esses efeitos acabam aparecendo mais rapidamente para essas empresas menores”.

Segundo a economista, a política generalizada de crédito barato e as expansões fiscais para estimular a demanda podem aliviar o problema no curto prazo. “Só que, ao mesmo tempo, pode produzir uma pressão inflacionária, dificultando uma redução sustentável de juros e impactando o Banco Central”.

“Existem outras alternativas que são mais direcionadas, por exemplo, criar mecanismo de renegociação de passivos para os negócios economicamente viáveis, fazer um alongamento de prazos e reorganizar todo o fluxo de caixa. Poderia também ampliar os fundos garantidores e os instrumentos de garantia para as micro e pequenas empresas, isso reduz o risco percebido, inclusive pelos bancos. O objetivo deve ser recuperar a capacidade financeira das empresas sem que estimule a demanda na economia”, finaliza.

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