
Até agosto de 2026, foram registrados 4,7 mil adeptos do Lian Gong em Belo Horizonte. A atividade é uma prática corporal chinesa que ajuda a prevenir e tratar dores crônicas, estimula a percepção dos sentidos e trabalha as emoções para o prolongamento da vida com qualidade. A cidade oferece a modalidade, de forma gratuita, para 188 grupos em todas as regionais da capital.
Conforme a psicóloga e referência técnica do programa, Vânia Duarte, antes da pandemia, a prática já conseguiu atingir 10 mil pessoas e que, após o período, os usuários voltaram gradualmente. “O Lian Gong se diferencia das atividades físicas convencionais por integrar corpo, mente e emoções. A prática deve ser oferecida de forma tranquila e harmônica para tirar as pessoas do estado de agitação e automatismo”.
A ginástica é uma atividade física leve, com movimentos suaves e firmes, sem necessidade de aparelhos. Pode ser praticada por pessoas de qualquer idade, incluindo cadeirantes e com mobilidade reduzida. Tem duração de 40 a 60 minutos, pelo menos duas vezes na semana.
“Além dos Centros de Saúde, a atividade é desenvolvida nos Centros de Referência em Saúde Mental (CERSAMs), Centros de Convivência, Centros de Referência em Reabilitação (CREABs), Academia da Cidade, Centro de Referência da Pessoa Idosa/ CRPI/SMEL, praças, parques e outros equipamentos”, complementa Vânia.
19 anos em BH
O Lian Gong foi implantado em 2007, com o objetivo de ampliar o acesso à prática corporal aos usuários do SUS-BH, oferecendo a chance de sair do sedentarismo em espaços mais próximos de suas moradias. A ginástica terapêutica é composta por três módulos, cada um com 18 exercícios.
A psicóloga destaca que o principal benefício das práticas corporais é a conquista da autonomia na saúde e no bem-estar. “Durante os 19 anos de oferta regular da atividade, percebemos que possibilitou às pessoas cuidarem de si mesmas de maneira consciente. Mais do que movimentar o corpo, estimulou a uma rotina mais ativa e saudável”.
“Em 2014 foi realizada uma pesquisa quantitativa que apontou como benefícios da prática: a redução da dor referida (63,68% relataram que houve redução no nível de dor sentida e 45% afirmaram que a intensidade chegava a ser nula); diminuição no uso de medicamentos (principalmente de ansiolíticos, analgésicos e antidepressivos); melhora da qualidade do sono; e diminuição na procura de Centros de Saúde”, acrescenta.
Rotina
A taxista Andreia de Castro, 54 anos, diz que pratica a atividade três vezes por semana, na região Centro-Sul. “Conheci o Lian Gong por meio de uma amiga, e desde então pratico há mais de 10 anos. Os benefícios para a saúde são inúmeros. Melhora a dor no corpo, mobilidade, interação social, qualidade do sono, além de ser relaxante. O dia que não faço, sinto muita falta, moro a 2 km do local da prática e não deixo de ir. Como tem a interação social, a gente acaba fazendo amizades e se tornando uma família”.
Já a produtora cultural, Cibele Teixeira, 67 anos, relata que a atividade trouxe uma centralidade. “Tem seis anos que pratico, e o Lian Gong na minha vida tem o antes e depois. Antes, era uma pessoa ansiosa, agora, a prática me trouxe para o meu eixo. Não só na mente, mas no corpo”.
“Faço a atividade três vezes por semana, na região Centro-Sul, e mudou a minha vida. Aprendi a respirar corretamente e a ter mais calma. Quando não estou em Belo Horizonte para realizar a prática, faço as aulas de forma on-line. O poder público trouxe a possibilidade de cuidar da mente e do corpo, de forma gratuita. E está auxiliando pessoas que não têm condições de pagar qualquer prática esportiva ou de bem-estar”, finaliza.
Para os interessados, é possível procurar uma unidade de saúde próxima de sua casa para se informar sobre o local de realização da prática. As informações também estão disponíveis no site da Prefeitura de Belo Horizonte.