
Há poucos anos, o América vivia um dos momentos mais marcantes de sua história recente. O clube alcançou a semifinal da Copa do Brasil em 2020, garantiu vaga inédita na Copa Libertadores de 2022, após terminar o Campeonato Brasileiro de 2021 na oitava colocação, e voltou a jogar uma competição continental em 2023, disputando a Copa Sul-Americana.
Agora, o cenário é completamente diferente. Na reta final da Série B deste ano, o Coelho aparece na zona de rebaixamento e tem 99,92% de probabilidade de queda para a Série C de 2027, de acordo com levantamento do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Para o jornalista Lucas Marques, a origem da crise está na mudança de postura da diretoria após os anos de maior sucesso esportivo. “Antes, o clube apresentava uma gestão firme e competente, que levou o América a conquistas importantes, como a semifinal da Copa do Brasil e a disputa da Libertadores”.
“Depois desse período de sucesso, surgiu a sensação de que a diretoria passou a querer dar passos maiores do que as próprias pernas. Isso influenciou diretamente a montagem dos elencos e principalmente na condução financeira do clube”, acrescenta.
Segundo Marques, o rebaixamento da Série A em 2023 foi um marco importante para a situação atual. Naquele ano, o América terminou a competição na última colocação e retornou à Série B. “O clube vinha de uma boa campanha no Brasileiro e havia acabado de negociar o atacante Ademir por um valor significativo. Ou seja, reunia sucesso esportivo e recursos financeiros. Depois disso, uma série de decisões equivocadas comprometeu o futuro do América”.
Ele destaca ainda que o aumento das despesas do clube após a queda à Série B ajuda a explicar o agravamento da crise. “Segundo os balanços do clube, as despesas totais foram de R$ 92 milhões em 2023 para R$ 152 milhões em 2024, já na Série B. Esse aumento expressivo ajuda a dimensionar os problemas de gestão que contribuíram para a atual crise”.
Na avaliação do jornalista, a gestão do futebol foi o principal ponto de ruptura de um modelo que vinha funcionando. “O América já havia demonstrado que era capaz de montar equipes competitivas mesmo com menos recursos financeiros. O que faltou foi manter os pés no chão e dar continuidade ao trabalho que vinha apresentando resultados”.
A campanha recente reforça o diagnóstico apontado por Marques. Após terminar a Série B de 2024 em oitavo lugar, o clube caiu para a 14ª posição em 2025. “Essa sequência revela que os problemas de gestão não foram corrigidos e se agravaram. Em 2025, o América brigou até as últimas rodadas para evitar um novo rebaixamento. Neste ano, a situação se repetiu de forma ainda mais preocupante”.
Apesar do momento delicado, o jornalista acredita que ainda há caminhos para a recuperação. “O clube está em negociações para a venda de sua SAF e com as contas em dia. Consegue se reestruturar, sobretudo buscando recuperar receitas, valorizando a base e apostando em uma prospecção de mercado mais criteriosa. Existe margem para o América se reerguer e reconstruir um projeto esportivo sustentável, capaz de recuperar gradualmente o protagonismo conquistado no início desta década”, conclui.