Democracia em risco

A sociedade está convidada a reagir com o objetivo de trazer às claras o atual modelo adotado para financiar políticos. Eles são beneficiados com os artifícios das emendas parlamentares, em que o dinheiro público é drenado para servir aos interesses individuais, tanto em Brasília como em todos os estados. Há indícios de que esse processo representa uma verdadeira compra de votos ou de apoio dos prefeitos e outras lideranças, para atender aos projetos eleitorais dos parlamentares que destinam a verba para essas entidades públicas.

Esse assunto não é novo, mas a volúpia dos deputados federais e senadores é tanta que o orçamento do governo federal projeta mais de R$ 44 bilhões no próximo ano, para atender a esse grupo de políticos com mandatos. Soma-se a esse fato as emendas parlamentares concedidas pelo governo mineiro aos deputados estaduais, cuja cena se repete nas demais unidades da federação brasileira.

O debate sobre o tema vai além de uma discussão puramente ideológica. É uma questão de falta de ética, pois quem ostenta mandatos acaba levando vantagens, a partir da engrenagem de benefícios pecuniários para os entes municipalistas, com somas impressionantes de dinheiro que nem sempre é aplicado com o zelo necessário.

Hoje em dia, o Poder Legislativo no Brasil pode ser considerado como quase vitalício. Afinal, um candidato a deputado ou a senador, emergindo neste ambiente pela primeira vez, dificilmente conquistará êxito por conta de uma concorrência desleal, diante da derrama de reais provenientes de quem tem mandato nas Casas Legislativas.

Para efeito de comparação, existem prefeituras de municípios de Minas que receberam de determinado deputado a verba de R$ 20 milhões. Com certeza, um pedido implícito de apoio ao pleito para reeleição na peleja deste ano. Isso é um cenário certamente repetido em todas as regiões do Estado.

Lamentavelmente, a possibilidade é desvirtuar do caminho da democracia no Brasil e caminhar para a consolidação de um indesejável feudo, proporcionando o surgimento de “senhores do poder”, mediante segmentação de uma casta de privilegiados. Pode ser que daqui a alguns anos, a sociedade seja instada a se manifestar por mais igualdade de condições para escolha dos parlamentares.

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