
A trombose ocorre quando um coágulo de sangue, chamado trombo, se forma dentro de um vaso e dificulta ou interrompe a circulação. Na trombose venosa profunda (TVP), uma das formas mais conhecidas, as veias profundas das pernas são as mais atingidas pela condição. O principal risco é que parte do coágulo se desprenda e chegue aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar, complicação potencialmente fatal.
Um levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), com dados de internações do Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro de 2012 e maio de 2022, identificou mais de 425 mil hospitalizações relacionadas a tromboses venosas no período. A estimativa divulgada pela Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia é de que quase 300 mil brasileiros sejam acometidos anualmente por algum fenômeno trombótico.
Segundo a médica vascular Fabiana Alvarenga, a trombose não tem uma única causa. “Cirurgias, principalmente as de maior porte, longos períodos de imobilidade, internações, câncer, obesidade, tabagismo, algumas doenças cardíacas e alterações hereditárias da coagulação estão entre os fatores associados ao aumento do risco. Gestação e pós-parto também exigem atenção, assim como o uso de determinados anticoncepcionais e tratamentos hormonais”.
Fabiana explica que os sinais mais frequentes da trombose venosa profunda aparecem em apenas um dos membros. “Inchaço, dor ou sensibilidade, sensação de peso, aumento da temperatura e alteração da coloração da pele são sintomas que devem ser investigados, mas em alguns casos, a doença pode não produzir sinais evidentes. Um inchaço súbito, especialmente quando acompanhado de dor ou endurecimento da panturrilha, merece avaliação rápida”.
Quando o coágulo chega aos pulmões, o quadro muda de gravidade. A falta de ar repentina, dor no peito, respiração acelerada, palpitações, tontura ou desmaio podem indicar embolia pulmonar e exigem atendimento de emergência. O Ministério da Saúde ressalta que um trombo pode se deslocar pela circulação e atingir os pulmões, cérebro ou coração, provocando lesões graves.
Diagnóstico e tratamento
Toda investigação começa pela avaliação clínica e pelo levantamento de fatores de risco. “O médico observa a história do paciente e, quando há suspeita de trombose venosa profunda, o ultrassom com Doppler é um dos principais exames utilizados para verificar o fluxo sanguíneo e identificar a presença de um coágulo. Dependendo da situação, exames de sangue e outros métodos de imagem podem complementar a investigação”, afirma Fabiana.
Os especialistas ressaltam que o tratamento depende do local e da extensão do trombo, além das condições clínicas do paciente. Nos casos de trombose venosa, os anticoagulantes são frequentemente utilizados para impedir que o coágulo aumente e também para reduzir o risco de novos eventos. Em situações específicas e mais graves, podem ser considerados procedimentos para remover ou dissolver o trombo.
O tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por profissional de saúde, já que os anticoagulantes também podem aumentar o risco de sangramento. “A escolha do anticoagulante, a duração do tratamento e a necessidade de outros procedimentos dependem da recorrência, da causa da trombose, da presença de outras doenças e do risco de sangramento”, esclarece o hematologista Bruno Pereira.
Ele alerta que a prevenção começa pela redução dos fatores de risco modificáveis como manter atividade física regular, evitar o tabagismo, controlar o peso e permanecer atento a doenças crônicas. “O diagnóstico precoce e o tratamento adequado reduzem o risco de complicações e podem evitar que um coágulo inicialmente localizado se transforme em emergência de maior gravidade”.