
O Festival da Onça volta ao Mirante da Cachoeira, no bairro Novo Aarão Reis, na região Norte de Belo Horizonte, de 8 a 12 de setembro, para promover atividades culturais e ações de transformação do espaço, em uma iniciativa que busca fortalecer a relação dos moradores com o território e o Ribeirão da Onça. Com o tema “Viver a Cachoeira da Onça”, o local será ocupado com oficinas, shows, mutirões, cortejos, entre outras atrações.
A Cachoeira do Ribeirão da Onça é a maior queda d’água em leito natural dentro de uma capital brasileira. O ribeirão nasce em Contagem, atravessa Belo Horizonte e deságua no Rio das Velhas, na divisa com Santa Luzia. Em agosto, o local recebeu a manutenção dos mobiliários construídos em mutirão na edição passada.
Desde 2017, as ações são realizadas junto às comunidades do Baixo Onça e estão relacionadas ao Parque Ciliar Comunitário do Ribeirão da Onça. Em 2024, essa trajetória deu origem ao Festival da Onça. A mobilização tem como horizonte o sonho de voltar a nadar e brincar no ribeirão, rio que tem trechos poluídos.
Segundo uma das coordenadoras do evento, Letícia Ribeiro, o Festival nasce a partir de uma mobilização que já acontece no Baixo Onça há mais de 20 anos. O Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu (Comupra) e o Movimento Deixem o Onça Beber Água Limpa são precursores dessa luta e de diversas ações pelo território.
Ela explica que o rio sempre esteve presente na vida dos moradores. “Tanto nas memórias de quem nadava e brincava nele quanto nas experiências de quem sofreu com as inundações. Recuperar essa relação não é só pela questão ambiental, é voltar a enxergar o rio como parte da cidade e da vida das pessoas”.
“E um dos principais obstáculos é a falta de prioridade e de continuidade das políticas públicas voltadas para o ribeirão. Existe uma responsabilidade muito grande em relação ao saneamento, além da necessidade de ações articuladas entre diferentes órgãos públicos”, acrescenta.
Lugar de encontro
Débora Tavares, também organizadora do evento, ressalta que um dos resultados do Festival é a apropriação dos espaços. “O Mirante da Cachoeira foi palco de diferentes atividades no último ano, e isso mostra que o local se tornou um lugar de encontro, cultura e convivência”.
Existe também um legado concreto na possibilidade de intervir fisicamente em um projeto urbano que está em discussão pela Prefeitura, afirma Débora. “A gente tem a oportunidade de participar desse processo, concretizando uma intervenção e mostrando outras possibilidades para um projeto público. Isso é muito importante e fortalece a ideia de que os moradores podem participar ativamente da transformação dos lugares onde vivem”.
“Pois, queremos que o Mirante seja cada vez mais reconhecido como um espaço de cultura e convivência e, quem sabe, possa fazer parte de um circuito cultural e turístico de BH. Mas, principalmente, almejamos que seja uma referência de um lugar construído a partir da mobilização comunitária. E que o Ribeirão da Onça possa ser reconhecido como um rio urbano, parte da paisagem e da vida da cidade”, finaliza.
Mais detalhes sobre a programação do Festival no perfil do Instagram @festivaldaonca.
Um sonho
Moradora do Novo Aarão Reis há 35 anos, a costureira e agricultora urbana Elenilza Brito conta que considera um privilégio ter no bairro uma cachoeira tão linda. “Voltar a nadar, pescar e brincar no ribeirão é um sonho, e significa muita luta e uma conquista. Estamos empenhados em ver esse rio limpo como era antes”.
“O Festival trouxe para a comunidade um despertamento de valorização do nosso bairro. É onde as pessoas podem ver que não existe só violência, problemas, tumulto e brigas. E o público pode usufruir dessa festa para ter momentos de alegria, trazer conhecimento e cultura. Isso foi muito importante para nós”, complementa.
O mais relevante também é que muita gente que não tinha expectativa com o local e havia se mudado está voltando, destaca Elenilza. “Eles perceberam as melhorias no bairro e começaram a valorizar o espaço, tomar posse daquilo que é da nossa comunidade, e isso é bonito de se ver”.