Cerca de 20 milhões de brasileiros são asmáticos

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias e acomete aproximadamente 150 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, há cerca de 20 milhões de brasileiros asmáticos, entre crianças e adultos, e, anualmente, ocorrem 350 mil internações devido a casos mais extremos, sendo a terceira maior causa de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda com informações da pasta, entre os anos de 2019 e 2023, foram registradas 12.195 mortes por asma no país. Já no primeiro semestre de 2024, o número de óbitos chegou a 883. “Caracterizada por episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax, a asma pode afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais comum na infância. O que caracteriza a asma é a inflamação crônica dos brônquios, que são os canais por onde o ar passa até os pulmões. Essa inflamação torna as vias respiratórias mais sensíveis a diversos estímulos, como poeira, ácaros, poluição, fumaça de cigarro e mudanças climáticas”, explica o clínico geral Lucas Almeida. Ele afirma ainda que as causas da asma ainda não são totalmente compreendidas, mas há um componente genético importante. “Pessoas com histórico familiar de asma, rinite ou outras doenças alérgicas têm maior predisposição. Fatores ambientais também desempenham papel fundamental: exposição precoce a alérgenos, infecções respiratórias na infância e até mesmo o uso excessivo de antibióticos nos primeiros anos de vida podem contribuir para o desenvolvimento da doença”. O diagnóstico da asma é essencialmente clínico, baseado nos sintomas e no histórico do paciente. No entanto, exames como a espirometria, que avalia a função pulmonar, são fundamentais para confirmar o diagnóstico e acompanhar a evolução da doença. “A espirometria é simples, indolor e bastante eficaz. Ela mede a quantidade e a velocidade do ar que a pessoa consegue expelir dos pulmões. Isso nos ajuda a entender se há obstrução das vias aéreas e se essa obstrução melhora com o uso de medicamentos”, afirma a pneumologista Sônia Andrade. A médica diz que embora não tenha cura, a asma pode ser controlada com o tratamento adequado, permitindo ao paciente levar uma vida normal. O tratamento inclui medicamentos de alívio rápido e de controle contínuo. “Os broncodilatadores são usados para aliviar os sintomas em crises, enquanto os corticosteroides inalatórios ajudam a reduzir a inflamação das vias respiratórias. O maior erro que vemos é o uso somente dos broncodilatadores quando há crise. Isso é perigoso, pois mascara o agravamento da inflamação. O tratamento contínuo com anti- -inflamatórios é o que garante o controle da doença a longo prazo”. Além da medicação, mudanças no estilo de vida também são importantes. Evitar o contato com alérgenos, manter o ambiente limpo e ventilado, não fumar, praticar atividade física regular e seguir as orientações médicas são medidas essenciais para o controle da asma. A prevenção da asma envolve, principalmente, a redução dos fatores de risco. Programas de saúde pública, como o fornecimento gratuito de medicamentos pelo SUS, têm ajudado a reduzir hospitalizações e mortes por asma no Brasil. A educação do paciente também é crucial. “É fundamental que o paciente aprenda a reconhecer os sinais de alerta e saiba como agir diante de uma crise. Ter um plano de ação por escrito, elaborado com seu médico, pode salvar vidas”, conclui Sônia.
Combate a diabetes e excesso de peso ganha um novo aliado

Disponível nas farmácias brasileiras a partir da primeira quinzena de maio, o Mounjaro chega como mais uma alternativa no combate ao diabetes tipo 2 e à obesidade. O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O médico especialista em emagrecimento e saúde integrativa, Lucas Penchel, explica que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, é uma molécula inovadora que imita a ação de dois hormônios intestinais, o GLP-1 e o GIP, atuando diretamente na regulação da saciedade, do apetite e da glicemia. “A medicação ajuda a reprogramar o metabolismo da pessoa, atuando na melhora da glicose e de alterações metabólicas, como a gordura no fígado. Além disso, promove a desinflamação do organismo e contribui para a melhora geral do metabolismo. Por todas essas características peculiares, proporciona uma perda de peso superior à de qualquer outro remédio, sendo a primeira droga comparada à cirurgia bariátrica por possibilitar uma redução maior que 20% do peso corporal”. Penchel ressalta que fatores como sedentarismo, sono de má qualidade, alterações hormonais, ansiedade, uso de medicamentos, metabolismo lento e compulsão alimentar contribuem para o ganho de peso. “A maioria das medicações atua apenas no emagrecimento. No entanto, as causas subjacentes não são tratadas. Ou seja, a pessoa emagrece, mas continua dormindo mal ou apresentando disfunções metabólicas, o que faz com que readquira o peso na maioria das vezes”. “Além do uso de medicamentos, é fundamental um acompanhamento multidisciplinar para tratar fatores que levam ao excesso de peso, como a melhoria do sono, a prática regular de atividade física, a identificação e correção de desequilíbrios hormonais, a hidratação adequada e a criação de uma rotina saudável. Também é essencial abordar questões emocionais, como a ansiedade, que pode levar à compulsão alimentar e comprometer os resultados a longo prazo”, acrescenta. Antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento, é imprescindível realizar um acompanhamento adequado, orienta Penchel. “Sabemos que o efeito sanfona é extremamente prevalente e, muitas vezes, ocorre após a interrupção do uso de medicamentos, especialmente em pessoas que não têm frequência no consultório. O efeito sanfona é muito mais prejudicial para a saúde do que a própria obesidade”. Efeitos colaterais A endocrinologista Alessandra Rascovski alerta que o uso da tirzepatida sem acompanhamento especializado pode acarretar riscos significativos para o paciente. “Perda de peso temporária e efeitos colaterais como náuseas, gastrite, risco nutricional por baixa ingestão de proteínas, pancreatite, alterações renais por desidratação e distúrbios neuropsiquiátricos. O acompanhamento médico é fundamental para identificar e tratar rapidamente possíveis complicações”. Venda apenas com receita Em abril, a Anvisa determinou que a venda do Mounjaro e de outras canetas emagrecedoras só poderá ser realizada mediante retenção da receita médica. Alessandra avalia que a decisão é pertinente. “Um uso racional, orientado por profissional de saúde, permite um melhor controle sobre a utilização da medicação, além de garantir o acesso para quem realmente precisa. O monitoramento da evolução do tratamento também se torna mais provável com a exigência da receita”. Ela ressalta que, apesar do grande potencial desses medicamentos para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, surgem novos desafios relacionados ao uso indiscriminado. “São medicamentos revolucionários. Para os pacientes que realmente necessitam, especialmente com a classe dos agonistas duplos, como a tirzepatida, os resultados têm sido muito positivos e com menos efeitos adversos. No entanto, a prescrição responsável e a educação do paciente, reforçando que essas drogas são auxiliares e não substituem mudanças no estilo de vida, representam um grande desafio para os médicos”.
Estudo aponta aumento de 80% na incidência de câncer entre jovens

Com mais de 1,8 milhão de casos, cada vez mais jovens são diagnosticados com câncer em todo o mundo. O aumento foi de 80% em novas ocorrências entre pessoas com menos de 50 anos nas últimas três décadas (1990-2019), segundo um estudo publicado na revista britânica BMJ Oncology. O tumor de mama foi o mais incidente, embora os tipos de traqueia e da próstata tenham aumentado mais rapidamente desde 1990, revela a análise. Os cânceres que causaram o maior número de mortes e que mais comprometeram a saúde entre os adultos mais jovens foram os de mama, traqueia, pulmão, intestino e estômago. Mais de 1 milhão de pessoas dessa faixa etária morreram em decorrência de tumores em 2019, um aumento de pouco menos de 28% em relação aos números de 1990. Com base nas tendências observadas nas últimas três décadas, os investigadores estimam que o índice global de novos casos de início precoce e de mortes aumentará mais de 31% e 21%, respectivamente, em 2030. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados 704 mil novos diagnósticos a cada ano do triênio de 2023 a 2025, uma soma que resultará em mais de 2 milhões de novos casos da doença ao longo desses 36 meses. Entre os tipos de tumor mais comuns no Brasil, o câncer de pele do tipo não melanoma continua na liderança. Para o presidente do Instituto Oncoclínicas, Carlos Gil Ferreira, as medidas-chave para conter o avanço desses índices estão nas políticas de conscientização sobre a importância do acompanhamento médico periódico e realização de exames de rotina para detecção precoce do câncer. “Elas são a solução para diminuição dos impactos gerados pela doença em aspectos que extrapolam o debate epidemiológico, devendo ser considerado ainda o impacto dessa realidade nos custos, tanto do ponto de vista financeiro quanto humano”. Já para a cirurgiã oncológica, docente na Faseh e mestre em Ciências Aplicadas à Oncologia, Fernanda Parreiras, esse crescimento expressivo reflete, em parte, justamente os avanços na detecção precoce. “Exames mais sensíveis e maior conscientização da população fazem com que hoje encontremos tumores que antes só seriam diagnosticados em estágios avançados. Porém, não podemos atribuir tudo ao diagnóstico, há, de fato, uma verdadeira elevação na ocorrência de alguns tipos de câncer em adultos jovens, que em alguns casos estão relacionados a fatores genéticos e também, ou exclusivamente, aos fatores ambientais, como hábitos de vida associados ao aumento da obesidade, uso e abuso de substâncias químicas, exposição à agentes agressores e outros”. “O sedentarismo, por exemplo, contribui para o acúmulo de gordura corporal e inflamação crônica de baixo grau, ambos ligados a maior risco de câncer de cólon, mama e endométrio. Dietas ricas em ultraprocessados, gorduras saturadas e açúcares refinados promovem obesidade e resistência à insulina, condições prótumorais. Além disso, o estresse crônico altera o equilíbrio hormonal e reduz a eficiência do sistema imunológico em reconhecer e eliminar células anormais. Assim, um estilo de vida desequilibrado cria um ambiente interno que facilita o surgimento e a progressão de tumores”, explica. Prevenção Fernanda destaca que a vacinação contra HPV e hepatite B, reduz significativamente os cânceres de colo de útero, orofaringe e fígado; mudança de hábitos; proteção solar; e aconselhamento genético, em famílias com histórico de câncer precoce, permite rastreamento e intervenções personalizadas, são alguns dos cuidados que as pessoas podem ter para se prevenir. Ela cita ainda alguns sinais de alerta que esse grupo não pode ignorar. “Nódulos ou caroços persistentes em qualquer região do corpo; feridas que não cicatrizam em boca, pele ou genitais; sangramentos anormais nas fezes, na urina, no corrimento vaginal ou no vômito; perda de peso inexplicada superior a 5% do peso corporal em seis meses; dor persistente sem causa aparente; e mudanças na pele, como pintas que alteram de cor, tamanho e bordas irregulares”, finaliza.
Síndrome de Tourette afeta cerca de 80 milhões de pessoas no mundo

A síndrome de Tourette é um transtorno neuropsiquiátrico que se manifesta principalmente durante a infância e adolescência, caracterizado por múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal, presentes por mais de um ano. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome acomete cerca de 1% da população mundial, aproximadamente 80 milhões de pessoas. Segundo a neurologista Camila Borges, “os tiques são movimentos ou vocalizações súbitas, rápidas e recorrentes. Eles podem ser simples, como piscar os olhos, ou complexos, como saltar ou repetir palavras. A coprolalia, que envolve o uso involuntário de palavrões ou expressões inapropriadas, é um sintoma presente em uma minoria dos casos, mas frequentemente associada ao estigma social. É importante compreendê-la como um sintoma neurológico involuntário. Os xingamentos não refletem a personalidade ou os valores da pessoa, mas sim uma condição que está fora de seu controle”. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e na exclusão de outras condições e os tiques variam em intensidade e frequência e tendem a piorar em situações de estresse ou ansiedade. Camila diz que a Tourette raramente aparece sozinha. “É muito comum que venha acompanhada de outros transtornos, como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ansiedade e dificuldades de aprendizagem”. O psiquiatra Rafael Monteiro explica que é essencial que os sintomas estejam presentes por pelo menos um ano e comecem antes dos 18 anos. “Às vezes, os pais demoram a procurar ajuda, achando que os tiques são apenas manias ou nervosismo. Mas quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor é a qualidade de vida da criança”. A síndrome não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas e o impacto na vida do paciente. Em casos leves, muitas vezes, a simples observação e apoio psicológico são suficientes. Nos casos moderados a graves, podem ser indicados medicamentos como antipsicóticos, relaxantes musculares e antidepressivos. “A Terapia de Intervenção Comportamental para Tiques (CBIT) ajuda o paciente a reconhecer o impulso do tique e desenvolver respostas concorrentes para impedir sua manifestação, antipsicóticos são utilizados para reduzir a intensidade dos tiques. Além disso, existem diversos medicamentos que podem ser eficazes, especialmente em crianças”, esclarece. A educação da família e da escola também é fundamental. A empatia e o acolhimento ajudam a reduzir o estigma social e melhoram o desempenho acadêmico e social dos jovens com Tourette”. Monteiro ressalta que apesar de retratada muitas vezes de forma caricata na mídia, a condição é uma condição real que pode ser desafiadora. O desconhecimento sobre a síndrome ainda gera preconceito, isolamento e até bullying. “Informar-se é o primeiro passo para combater o estigma. Pessoas com Tourette são inteligentes, criativas e capazes. Com apoio e tratamento adequado, podem levar uma vida plena”. A cantora Billie Eilish falou abertamente sobre os desafios de conviver com a síndrome de Tourette, descrevendo a experiência como “extremamente exaustiva”. Durante uma participação em um programa em 2022, ela foi registrada tendo um tique enquanto conversava com o entrevistador. A artista afirmou que sente grande satisfação em compartilhar sua vivência com a condição, pois acredita na importância de falar sobre o assunto. No entanto, ela também destacou que nem todos reagem bem quando presenciam um de seus tiques.
Sintomas de Parkinson vão além dos tremores

Doença que atinge cerca de 200 mil brasileiros, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Parkinson acontece devido à degeneração das células situadas em uma região do cérebro chamada substância negra. Elas produzem a dopamina, que conduz as correntes nervosas (neurotransmissores) ao corpo. A falta ou diminuição dela afeta os movimentos do paciente, causando os sintomas. A doença pode afetar qualquer indivíduo, mas tende a atingir os mais idosos. A grande maioria das pessoas, geralmente, apresenta os primeiros sintomas a partir dos 50 anos. Porém, também pode surgir em idades mais jovens, embora os casos sejam mais raros. O neurologista Augusto Coelho explica que cerca de 80% dos pacientes com Parkinson têm tremores, mas esclarece que esse não é um sintoma definidor para o diagnóstico da doença. “O mais importante é a lentidão, pois, sem ela, não tem como fazer o diagnóstico. Outro sintoma que é muito marcante também é uma rigidez nos braços e pernas, que causa dores aos pacientes em muitos casos”. “Hoje nós sabemos que existe uma série de outros sintomas não motores que podem acontecer até muito mais precocemente do que o tremor e a lentidão. Por exemplo, destaco o intestino preso, alguns distúrbios do sono e dificuldade em sentir os cheiros, que podem acontecer até dez anos antes do tremor e da lentidão”, acrescenta. A aposentada Cleide Lovato recebeu o diagnóstico de Parkinson aos 45 anos. “Comecei a perceber um pequeno tremor no meu dedo, o polegar da mão esquerda, e depois percebi que a minha perna esquerda estava arrastando quando eu caminhava. Fui em busca de um neurologista para saber o que estava acontecendo. Hoje em dia, consigo fazer serviços domésticos, além de manter uma rotina de cuidados contando com terapias coadjuvantes da doença. Não esconda a doença, mantenha sua rotina de atividades o mais próximo possível do que você fazia antes”. Diagnóstico Coelho destaca que o diagnóstico para o Parkinson acontece a partir de uma avaliação clínica. “Buscamos verificar se o paciente está com um histórico condizente com a evolução clínica da doença e, especialmente, com exame neurológico e exame físico, procurando tremor, lentidão e rigidez. Exames de imagem podem ser usados, mas para descartar outras possibilidades”. Conscientização é importante Ele avalia que quanto mais a população compreender a doença, mais fácil será dar um suporte aos pacientes. “Uma das formas é a sociedade se organizar para conseguir que eles tenham esse acompanhamento multidisciplinar. No dia a dia, respeitar as limitações que esses pacientes podem ter ao longo da vida é algo essencial”. Os pacientes e também familiares devem ficar atentos à oferta de tratamentos milagrosos para a cura da doença nas redes sociais, lembra o neurologista. “Qualquer tipo de tratamento que esteja fora do que foi estudado pela comunidade científica deve ser verificado em fontes confiáveis”, finaliza. Mês da tulipa vermelha O quarto mês do ano é dedicado à conscientização da doença. Desde 1998, no dia 11 de abril é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson.
Brasil tem 13,7 mil internações de sinusite crônica em cinco anos

Segundo Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH-SUS), durante o intervalo de 2019 a 2023, foram registradas 13.731 internações decorrentes de sinusite crônica em todo o Brasil. As regiões Sudeste e Sul apresentaram a maioria dos casos, com 7.245 e 2.757 ocorrências, respectivamente. No total ,42 óbitos foram registrados no período, com uma taxa de mortalidade calculada em 0,31%. A média anual foi aproximadamente 2.715 internações. Na análise demográfica destacou a predominância da raça branca, representando 6.387 pacientes e o sexo feminino foi prevalente, com 7.014 admissões (51,06%). A faixa etária de 50 a 59 anos foi a mais representativa (19,97%), seguida pela faixa de 40 a 49 anos (18,75%). Em 2020, observou-se um marcante decréscimo para 1.603 internações, reflexo das repercussões da pandemia de COVID-19. A médica otorrinolaringologista, Danielly Andrade, explica que a sinusite é a inflamação dos seios da face, cavidades que temos em nosso rosto, e pode ser aguda ou crônica, associada ou não a infecções bacterianas ou virais. “As mais comuns são as agudas virais e pós virais (bacterianas), principalmente em pacientes que já possuem obstrução nasal”. “As sinusites podem ser desencadeadas por rinites, muitas vezes mal cuidadas; sintomas alérgicos exacerbados; e infecções virais, bacterianas e fúngicas. Os fatores de propensão genética de cada paciente e o ambiente que ele vive e trabalha estão extremamente relacionados aos quadros crônicos”, acrescenta. Os sintomas agudos podem provocar dor, tosse produtiva, prostração, sensação de peso na face, coriza e congestão severa. “Já nos crônicos podem ser silenciosos, mas incluem a sensação de peso no rosto, dores de cabeça recorrentes, crises de exacerbação (às vezes até duas ou mais vezes em um único mês), necessidade de uso de antibióticos e corticoides, cansaço constante, e perda da qualidade de vida e do sono devido às ocorrências que reduzem a produtividade diária”. Danielly pontua ainda que os quadros agudos são mais frequentes no outono e no inverno no Brasil. “Devido à queda das temperaturas, clima mais seco, maior concentração das pessoas em ambientes fechados e maior circulação nesta época de vírus respiratórios sazonais”. Tratamento Para realizar o tratamento, a médica esclarece que precisa ser feito um diagnóstico diferencial e tratar a causa dessa condição inflamatória de forma direcionada. “Com corticoides nasais, lavagem nasal com soro, antibioticoterapia, nos casos bacterianos, cuidados diários e, às vezes, tratamento cirúrgico nos quadros crônicos já instalados. Existem sinusites crônicas com formação de pólipos nasais que são extremamente severas, recorrentes e graves, que necessitam de cuidados direcionados e muita atenção”. Ela finaliza ressaltando algumas medidas preventivas que podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver a sinusite. “Como lavagens nasais com solução salina diariamente; consultas regulares ao otorrinolaringologista; e cuidados com o ambiente, evitando ao máximo o contato com fatores alérgenos e inflamatórios. Além de cuidados gerais com a saúde, como a alimentação, atividades físicas e dormir bem”. Alimentação A nutricionista Aline Quissak afirma que ajustes na alimentação podem contribuir significativamente para a redução das alergias respiratórias e seus sintomas. “Alimentos como frutas: mamão, kiwi e melão; vegetais: espinafre e cenoura; e proteínas: tilápia; além de chá de gengibre e suco de limão, podem ser aliados para reduzirem os sintomas da sinusite”. “Embora a alimentação seja uma grande aliada no combate às alergias respiratórias, a avaliação de um especialista é fundamental para um tratamento adequado. Esses alimentos ajudam a reduzir os sintomas da sinusite, mas não substituem a necessidade de acompanhamento médico”, observa a nutricionista.
Bronquiolite é uma das principais causas de internação das crianças

A bronquiolite é uma infecção respiratória comum, principalmente entre bebês, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. É mais prevalente nos meses mais frios e pode causar dificuldades respiratórias significativas nos primeiros dois anos de vida. Na maioria das vezes, a doença é causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que é o responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite no Brasil, segundo dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Outros vírus, como o adenovírus, rinovírus e coronavírus, também podem ser agentes etiológicos, mas em menor escala. “A infecção começa nas vias aéreas superiores, com sintomas que lembram um resfriado comum, mas rapidamente avança para os pulmões, comprometendo a respiração da criança. A inflamação e o estreitamento das vias aéreas dificultam a passagem de ar, o que pode levar a um quadro de insuficiência respiratória”, explica a pneumologista Sônia Andrade. “Os principais sintomas incluem coriza, tosse seca ou produtiva, dificuldade para respirar, com respiração rápida e ruidosa, chiado no peito, febre (frequentemente baixa), fadiga excessiva, dificuldade para se alimentar e cianose, que é a coloração azulada da pele, especialmente em torno dos lábios, devido à falta de oxigenação adequada”, acrescenta. O pediatra João Cardoso diz que o diagnóstico da bronquiolite é geralmente clínico, baseado na observação dos sintomas e na avaliação do histórico da criança. “O médico realizará uma série de perguntas sobre os sinais apresentados e a evolução da doença. Para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da infecção, exames complementares podem ser realizados, como a radiografia de tórax e o teste viral”. Ele ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental para o início de um tratamento adequado e para evitar complicações respiratórias que podem ser fatais, principalmente em bebês com menos de 6 meses. “O foco do tratamento é aliviar os sintomas e apoiar a respiração da criança. Entre as abordagens comuns estão a hidratação constante, oferecer líquidos para evitar a desidratação, especialmente se a criança estiver com dificuldades para se alimentar”. “O monitoramento respiratório para acompanhar atentamente a respiração e os níveis de oxigênio do paciente, pois, em determinadas situações, pode ser necessário administrar oxigênio adicional para garantir a oxigenação adequada e o uso de broncodilatadores (medicações que ajudam a abrir as vias respiratórias nos pulmões), quando o paciente apresenta chiados evidentes, o médico pode optar por prescrever broncodilatadores para facilitar a respiração, especialmente em casos de bronquiolite”, completa Cardoso. De acordo com Sônia, algumas medidas preventivas que podem ajudar a reduzir o risco de infecção, especialmente em bebês e crianças mais vulneráveis, como manter uma boa higiene das mãos, evitar aglomerações, amamentação com o leite materno para manter o sistema imunológico do bebê forte e evitar contato com pessoas doentes com sintomas respiratórios”. Prevenir complicações O Ministério da Saúde vai incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) duas tecnologias para prevenir complicações causadas pelo vírus sincicial respiratório. O anticorpo monoclonal nirsevimabe é indicado para proteger bebês prematuros e crianças de até 2 anos de idade nascidas com comorbidades, e a vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B é aplicada em gestantes para proteger o bebê ao longo dos primeiros meses de vida.
Sedentarismo e alimentação ruim impulsionam obesidade

De acordo com dados do Atlas Mundial da Obesidade, organizado pela Federação Mundial de Obesidade, 68% da população brasileira está com excesso de peso, sendo 37% com sobrepeso e 31% com obesidade. Segundo a entidade, essa porcentagem pode aumentar nos próximos anos, com projeção de crescimento de 33,4% entre os homens e 46,2% entre as mulheres até 2030. “O Brasil, assim como outros países, enfrenta esse aumento preocupante nos índices de obesidade devido a mudanças nos hábitos da população, ao sedentarismo e ao uso excessivo de telas. Além disso, fatores socioeconômicos, como insegurança alimentar e dificuldade de acesso a alimentos saudáveis, também contribuem para esse cenário”, ressalta o especialista em emagrecimento Thiago Viana. Para o nutrólogo Diego Torrico, o alto consumo de alimentos ultraprocessados também é um fator determinante para o aumento da obesidade. “Eles fazem com que a vida cotidiana seja mais rápida, levando as pessoas a optarem por soluções práticas, como fast food e outros produtos industrializados. Esses alimentos são ricos em açúcares, gorduras saturadas e aditivos químicos, estimulando o aumento do apetite e a ingestão excessiva de calorias”. Uma das principais queixas das pessoas, segundo Torrico, é a de que estão se alimentando bem, mas não veem resultados. “Existe uma diferença entre comer bem e ter um déficit calórico. O paciente pode consumir alimentos saudáveis, mas não na quantidade adequada. Para perder peso, é necessário gastar mais calorias do que se consome”. Impactos Viana explica que a obesidade pode afetar a saúde mental, aumentando o risco de depressão, ansiedade e baixa autoestima. “Muitas pessoas ainda enfrentam estigmas e discriminação, o que pode agravar o quadro. A qualidade de vida acaba sendo comprometida, gerando um ciclo vicioso de isolamento social e transtornos emocionais”. “Na saúde física, a obesidade está associada a diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer. O excesso de peso também sobrecarrega as articulações, podendo causar dores crônicas e perda de mobilidade. Outro fator preocupante é a síndrome metabólica, que eleva o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC”, complementa. Segundo o especialista, fatores como estresse, privação do sono e distúrbios hormonais estão diretamente ligados ao ganho de peso e à obesidade. “O estresse crônico aumenta os níveis de cortisol, estimulando o acúmulo de gordura e o desejo por alimentos calóricos. Já o sono inadequado desregula os hormônios da fome e saciedade, levando a escolhas alimentares ruins. Além disso, desequilíbrios hormonais, como hipotireoidismo e resistência à insulina, desaceleram o metabolismo e favorecem o ganho de peso. O controle desses fatores exige acompanhamento médico e melhoria na qualidade do sono”, orienta Viana. Incentivo desde cedo Ainda de acordo com o Atlas, entre 40% e 50% da população adulta não pratica atividade física com a frequência e intensidade recomendadas. Viana avalia que um dos caminhos para combater a obesidade é incentivar, desde cedo, a prática de esportes entre crianças e adolescentes. “Ensinar sobre alimentação equilibrada pode prevenir a obesidade no futuro. As escolas deveriam incluir educação nutricional no currículo e conscientizar pais e cuidadores. A redução do tempo de tela também é essencial, equilibrando entretenimento digital e atividades físicas. O poder público deve garantir infraestrutura para a prática de exercícios”. O nutrólogo reforça que a educação nutricional é fundamental, especialmente ao ensinar crianças a se alimentarem melhor. “Descascar mais e desembalar menos deve ser um princípio essencial. Os pais precisam preparar mais refeições em casa, incluindo frutas e verduras na dieta e evitando produtos industrializados. Essas pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença ao longo do tempo”, conclui.
Taxa de infecções hospitalares atinge 14% do total das internações no país

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que a taxa de infecções hospitalares atinja 14% das internações no país. Já a Associação Médica Brasileira revela que mais de 45 mil brasileiros morrem anualmente devido às infecções hospitalares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que esse número pode chegar até 100 mil por ano. Ainda segundo o Ministério, houve um avanço significativo na adesão dos hospitais à vigilância e à notificação dos dados de infecção. Em 2018, mais de 2.200 hospitais com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) notificaram seus dados para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto em 2009 eram apenas 1.000. Os números são visualizados e monitorados pelas coordenações estaduais, distrital e municipais de controle de infecção das Secretarias de Saúde. Para o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Adelino de Melo Freire Júnior, uma taxa de 14% é preocupante, pois indica que ainda há desafios significativos no controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). “Além disso, é preciso considerar que existe subnotificação, fazendo com que os números reais sejam ainda superiores a esse. Embora existam avanços em políticas de prevenção e controle, a alta prevalência sugere a necessidade de reforçar essas medidas”. Ele explica que as IRAS podem ser favorecidas por vários fatores. “Como alta densidade de pacientes, uso excessivo ou inadequado de antibióticos, falhas na adesão a protocolos de higiene das mãos, sobrecarga de profissionais de saúde, falta de estrutura adequada para isolamento de pacientes infectados e presença de microrganismos multirresistentes no ambiente hospitalar. E a incidência pode variar conforme as condições estruturais, disponibilidade de insumos e adesão aos protocolos de controle de infecção”. Impactos A médica pneumologista e paliativista na Saúde do Lar, Michelle Andreata, pontua que as infecções impactam gravemente a saúde dos pacientes. “Aumentando o tempo de internação, a morbidade e a mortalidade. Muitas dessas infecções são causadas por microrganismos multirresistentes, o que dificulta o tratamento e pode levar a complicações graves. Já no sistema de saúde, elas elevam os custos hospitalares, aumentam a demanda por leitos de terapia intensiva e sobrecarregam equipes de saúde”. Os principais desafios para a implementação eficaz de políticas de controle incluem a resistência microbiana devido ao uso inadequado de antibióticos, ressalta a médica. “Além da necessidade de capacitação contínua das equipes de saúde, a baixa adesão a protocolos de higiene das mãos e a falta de investimentos em infraestrutura hospitalar. Além disso, a vigilância epidemiológica ainda enfrenta dificuldades na coleta e análise de dados”. Anvisa A gerente de Tecnologia em Serviços de Saúde da Anvisa, Márcia Gonçalves, destaca que várias normas sanitárias definem a obrigatoriedade dos serviços de saúde executarem ações de prevenção e controle. “Entre as quais destacam-se a RDC 63/2011, que trata das Boas Práticas de Funcionamento dos serviços de Saúde, e a RDC 36/2013, que estabelece ações para a segurança do paciente. E também, a Lei nº 9431/1997 determina a obrigatoriedade da manutenção dos hospitais elaborarem um programa de controle de infecções hospitalares e da Portaria GM/ MS nº 2.616/98 que estabelece o que deve conter nesses programas”. “A fiscalização do cumprimento das normas e orientações sanitárias é realizada pela vigilância sanitária local (estadual/distrital ou municipal). Além disso, todos os estados e alguns municípios possuem uma Coordenação de Prevenção e Controle das IRAS, que podem estar vinculadas às vigilâncias sanitárias locais ou a outras estruturas das Secretarias de Saúde”, esclarece a gerente. Ela ainda observa que a Anvisa disponibiliza um canal para que o usuário possa relatar incidentes/falhas decorrentes da assistência à saúde. “O formulário específico de notificação, denominado Sistema Notivisa, está disponível no link: www16.anvisa.gov.br/notivisaServicos/cidadao/notificacao/evento-adverso. Além dos canais da ouvidoria da instituição, disponível em www.gov.br/anvisa/pt-br/canais_atendimento/ ouvidoria e das vigilâncias sanitárias estaduais/distrital e municipais”.
Março Amarelo: mês é dedicado à conscientização da endometriose

O Março Amarelo é o mês de conscientização sobre a endometriose, e de acordo com informações do Ministério da Saúde, estima-se que uma em cada dez mulheres enfrentam a doença no Brasil. Ela ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio, que reveste a parte interna do útero, cresce fora dele. Este tecido pode ser encontrado nos ovários, nas trompas de falópio, na bexiga, nos intestinos e até em áreas mais distantes, como os pulmões. Esse crescimento anômalo pode causar inflamação, dor intensa e, em alguns casos, até infertilidade. Segundo a ginecologista Fernanda Silva, a dor é o principal sintoma da doença. “Muitas mulheres acabam demorando a procurar ajuda médica porque associam a dor à menstruação intensa. No entanto, a dor da endometriose pode ser contínua, ocorrer fora do período menstrual e ser muito debilitante”. “Outros sintomas incluem dor durante ou após relações sexuais, dores ao urinar ou evacuar, especialmente durante o período menstrual, e até dificuldades para engravidar. O grau de intensidade dos sintomas pode variar de mulher para mulher, com algumas experimentando sintomas mais leves, enquanto outras enfrentam dor crônica”, explica. Difícil diagnóstico O diagnóstico é desafiador, pois os sintomas podem ser confundidos com outras condições, como a síndrome do intestino irritável ou doenças urinárias. O clínico geral Lucas Almeida destaca que “o diagnóstico definitivo só pode ser feito por meio de uma laparoscopia, que é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo. Porém, exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, podem ajudar a identificar lesões mais evidentes”. Infelizmente, muitas mulheres passam anos sem diagnóstico, o que pode atrasar o tratamento adequado e agravar a condição. “É fundamental que a paciente procure um especialista ao perceber sintomas fora do comum, como dores intensas durante o ciclo menstrual, pois, com o diagnóstico precoce, podemos adotar um tratamento mais eficaz”, alerta Almeida. Tratamentos Embora não exista cura para a endometriose, os tratamentos disponíveis ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pacientes. O tratamento pode incluir medicamentos, terapias hormonais, cirurgia e, em casos mais graves, uma combinação de abordagens. Fernanda explica que “os medicamentos mais comuns são os analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor, além dos tratamentos hormonais, que visam reduzir a produção de estrogênio, responsável pelo crescimento do tecido endometrial fora do útero. Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para remover o tecido endometrial que está fora de lugar”. Além disso, o tratamento psicológico também é importante, já que a endometriose pode afetar a saúde mental das pacientes devido ao impacto da dor crônica e da infertilidade. “A abordagem multidisciplinar é essencial, incluindo apoio psicológico e, se necessário, acompanhamento de uma nutricionista, já que uma alimentação balanceada pode ajudar no controle da inflamação”, complementa. Almeida diz que, “embora a endometriose não possa ser evitada, uma detecção precoce e um manejo adequado da doença são essenciais para melhorar a qualidade de vida da mulher afetada. O acompanhamento médico regular, especialmente para aquelas que têm histórico familiar de endometriose, pode ajudar na identificação precoce da condição”.