Sintomas de Parkinson vão além dos tremores

Doença que atinge cerca de 200 mil brasileiros, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Parkinson acontece devido à degeneração das células situadas em uma região do cérebro chamada substância negra. Elas produzem a dopamina, que conduz as correntes nervosas (neurotransmissores) ao corpo. A falta ou diminuição dela afeta os movimentos do paciente, causando os sintomas. A doença pode afetar qualquer indivíduo, mas tende a atingir os mais idosos. A grande maioria das pessoas, geralmente, apresenta os primeiros sintomas a partir dos 50 anos. Porém, também pode surgir em idades mais jovens, embora os casos sejam mais raros. O neurologista Augusto Coelho explica que cerca de 80% dos pacientes com Parkinson têm tremores, mas esclarece que esse não é um sintoma definidor para o diagnóstico da doença. “O mais importante é a lentidão, pois, sem ela, não tem como fazer o diagnóstico. Outro sintoma que é muito marcante também é uma rigidez nos braços e pernas, que causa dores aos pacientes em muitos casos”. “Hoje nós sabemos que existe uma série de outros sintomas não motores que podem acontecer até muito mais precocemente do que o tremor e a lentidão. Por exemplo, destaco o intestino preso, alguns distúrbios do sono e dificuldade em sentir os cheiros, que podem acontecer até dez anos antes do tremor e da lentidão”, acrescenta. A aposentada Cleide Lovato recebeu o diagnóstico de Parkinson aos 45 anos. “Comecei a perceber um pequeno tremor no meu dedo, o polegar da mão esquerda, e depois percebi que a minha perna esquerda estava arrastando quando eu caminhava. Fui em busca de um neurologista para saber o que estava acontecendo. Hoje em dia, consigo fazer serviços domésticos, além de manter uma rotina de cuidados contando com terapias coadjuvantes da doença. Não esconda a doença, mantenha sua rotina de atividades o mais próximo possível do que você fazia antes”. Diagnóstico Coelho destaca que o diagnóstico para o Parkinson acontece a partir de uma avaliação clínica. “Buscamos verificar se o paciente está com um histórico condizente com a evolução clínica da doença e, especialmente, com exame neurológico e exame físico, procurando tremor, lentidão e rigidez. Exames de imagem podem ser usados, mas para descartar outras possibilidades”. Conscientização é importante Ele avalia que quanto mais a população compreender a doença, mais fácil será dar um suporte aos pacientes. “Uma das formas é a sociedade se organizar para conseguir que eles tenham esse acompanhamento multidisciplinar. No dia a dia, respeitar as limitações que esses pacientes podem ter ao longo da vida é algo essencial”. Os pacientes e também familiares devem ficar atentos à oferta de tratamentos milagrosos para a cura da doença nas redes sociais, lembra o neurologista. “Qualquer tipo de tratamento que esteja fora do que foi estudado pela comunidade científica deve ser verificado em fontes confiáveis”, finaliza. Mês da tulipa vermelha O quarto mês do ano é dedicado à conscientização da doença. Desde 1998, no dia 11 de abril é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson.
Brasil tem 13,7 mil internações de sinusite crônica em cinco anos

Segundo Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH-SUS), durante o intervalo de 2019 a 2023, foram registradas 13.731 internações decorrentes de sinusite crônica em todo o Brasil. As regiões Sudeste e Sul apresentaram a maioria dos casos, com 7.245 e 2.757 ocorrências, respectivamente. No total ,42 óbitos foram registrados no período, com uma taxa de mortalidade calculada em 0,31%. A média anual foi aproximadamente 2.715 internações. Na análise demográfica destacou a predominância da raça branca, representando 6.387 pacientes e o sexo feminino foi prevalente, com 7.014 admissões (51,06%). A faixa etária de 50 a 59 anos foi a mais representativa (19,97%), seguida pela faixa de 40 a 49 anos (18,75%). Em 2020, observou-se um marcante decréscimo para 1.603 internações, reflexo das repercussões da pandemia de COVID-19. A médica otorrinolaringologista, Danielly Andrade, explica que a sinusite é a inflamação dos seios da face, cavidades que temos em nosso rosto, e pode ser aguda ou crônica, associada ou não a infecções bacterianas ou virais. “As mais comuns são as agudas virais e pós virais (bacterianas), principalmente em pacientes que já possuem obstrução nasal”. “As sinusites podem ser desencadeadas por rinites, muitas vezes mal cuidadas; sintomas alérgicos exacerbados; e infecções virais, bacterianas e fúngicas. Os fatores de propensão genética de cada paciente e o ambiente que ele vive e trabalha estão extremamente relacionados aos quadros crônicos”, acrescenta. Os sintomas agudos podem provocar dor, tosse produtiva, prostração, sensação de peso na face, coriza e congestão severa. “Já nos crônicos podem ser silenciosos, mas incluem a sensação de peso no rosto, dores de cabeça recorrentes, crises de exacerbação (às vezes até duas ou mais vezes em um único mês), necessidade de uso de antibióticos e corticoides, cansaço constante, e perda da qualidade de vida e do sono devido às ocorrências que reduzem a produtividade diária”. Danielly pontua ainda que os quadros agudos são mais frequentes no outono e no inverno no Brasil. “Devido à queda das temperaturas, clima mais seco, maior concentração das pessoas em ambientes fechados e maior circulação nesta época de vírus respiratórios sazonais”. Tratamento Para realizar o tratamento, a médica esclarece que precisa ser feito um diagnóstico diferencial e tratar a causa dessa condição inflamatória de forma direcionada. “Com corticoides nasais, lavagem nasal com soro, antibioticoterapia, nos casos bacterianos, cuidados diários e, às vezes, tratamento cirúrgico nos quadros crônicos já instalados. Existem sinusites crônicas com formação de pólipos nasais que são extremamente severas, recorrentes e graves, que necessitam de cuidados direcionados e muita atenção”. Ela finaliza ressaltando algumas medidas preventivas que podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver a sinusite. “Como lavagens nasais com solução salina diariamente; consultas regulares ao otorrinolaringologista; e cuidados com o ambiente, evitando ao máximo o contato com fatores alérgenos e inflamatórios. Além de cuidados gerais com a saúde, como a alimentação, atividades físicas e dormir bem”. Alimentação A nutricionista Aline Quissak afirma que ajustes na alimentação podem contribuir significativamente para a redução das alergias respiratórias e seus sintomas. “Alimentos como frutas: mamão, kiwi e melão; vegetais: espinafre e cenoura; e proteínas: tilápia; além de chá de gengibre e suco de limão, podem ser aliados para reduzirem os sintomas da sinusite”. “Embora a alimentação seja uma grande aliada no combate às alergias respiratórias, a avaliação de um especialista é fundamental para um tratamento adequado. Esses alimentos ajudam a reduzir os sintomas da sinusite, mas não substituem a necessidade de acompanhamento médico”, observa a nutricionista.
Bronquiolite é uma das principais causas de internação das crianças

A bronquiolite é uma infecção respiratória comum, principalmente entre bebês, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. É mais prevalente nos meses mais frios e pode causar dificuldades respiratórias significativas nos primeiros dois anos de vida. Na maioria das vezes, a doença é causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que é o responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite no Brasil, segundo dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Outros vírus, como o adenovírus, rinovírus e coronavírus, também podem ser agentes etiológicos, mas em menor escala. “A infecção começa nas vias aéreas superiores, com sintomas que lembram um resfriado comum, mas rapidamente avança para os pulmões, comprometendo a respiração da criança. A inflamação e o estreitamento das vias aéreas dificultam a passagem de ar, o que pode levar a um quadro de insuficiência respiratória”, explica a pneumologista Sônia Andrade. “Os principais sintomas incluem coriza, tosse seca ou produtiva, dificuldade para respirar, com respiração rápida e ruidosa, chiado no peito, febre (frequentemente baixa), fadiga excessiva, dificuldade para se alimentar e cianose, que é a coloração azulada da pele, especialmente em torno dos lábios, devido à falta de oxigenação adequada”, acrescenta. O pediatra João Cardoso diz que o diagnóstico da bronquiolite é geralmente clínico, baseado na observação dos sintomas e na avaliação do histórico da criança. “O médico realizará uma série de perguntas sobre os sinais apresentados e a evolução da doença. Para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da infecção, exames complementares podem ser realizados, como a radiografia de tórax e o teste viral”. Ele ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental para o início de um tratamento adequado e para evitar complicações respiratórias que podem ser fatais, principalmente em bebês com menos de 6 meses. “O foco do tratamento é aliviar os sintomas e apoiar a respiração da criança. Entre as abordagens comuns estão a hidratação constante, oferecer líquidos para evitar a desidratação, especialmente se a criança estiver com dificuldades para se alimentar”. “O monitoramento respiratório para acompanhar atentamente a respiração e os níveis de oxigênio do paciente, pois, em determinadas situações, pode ser necessário administrar oxigênio adicional para garantir a oxigenação adequada e o uso de broncodilatadores (medicações que ajudam a abrir as vias respiratórias nos pulmões), quando o paciente apresenta chiados evidentes, o médico pode optar por prescrever broncodilatadores para facilitar a respiração, especialmente em casos de bronquiolite”, completa Cardoso. De acordo com Sônia, algumas medidas preventivas que podem ajudar a reduzir o risco de infecção, especialmente em bebês e crianças mais vulneráveis, como manter uma boa higiene das mãos, evitar aglomerações, amamentação com o leite materno para manter o sistema imunológico do bebê forte e evitar contato com pessoas doentes com sintomas respiratórios”. Prevenir complicações O Ministério da Saúde vai incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) duas tecnologias para prevenir complicações causadas pelo vírus sincicial respiratório. O anticorpo monoclonal nirsevimabe é indicado para proteger bebês prematuros e crianças de até 2 anos de idade nascidas com comorbidades, e a vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B é aplicada em gestantes para proteger o bebê ao longo dos primeiros meses de vida.
Sedentarismo e alimentação ruim impulsionam obesidade

De acordo com dados do Atlas Mundial da Obesidade, organizado pela Federação Mundial de Obesidade, 68% da população brasileira está com excesso de peso, sendo 37% com sobrepeso e 31% com obesidade. Segundo a entidade, essa porcentagem pode aumentar nos próximos anos, com projeção de crescimento de 33,4% entre os homens e 46,2% entre as mulheres até 2030. “O Brasil, assim como outros países, enfrenta esse aumento preocupante nos índices de obesidade devido a mudanças nos hábitos da população, ao sedentarismo e ao uso excessivo de telas. Além disso, fatores socioeconômicos, como insegurança alimentar e dificuldade de acesso a alimentos saudáveis, também contribuem para esse cenário”, ressalta o especialista em emagrecimento Thiago Viana. Para o nutrólogo Diego Torrico, o alto consumo de alimentos ultraprocessados também é um fator determinante para o aumento da obesidade. “Eles fazem com que a vida cotidiana seja mais rápida, levando as pessoas a optarem por soluções práticas, como fast food e outros produtos industrializados. Esses alimentos são ricos em açúcares, gorduras saturadas e aditivos químicos, estimulando o aumento do apetite e a ingestão excessiva de calorias”. Uma das principais queixas das pessoas, segundo Torrico, é a de que estão se alimentando bem, mas não veem resultados. “Existe uma diferença entre comer bem e ter um déficit calórico. O paciente pode consumir alimentos saudáveis, mas não na quantidade adequada. Para perder peso, é necessário gastar mais calorias do que se consome”. Impactos Viana explica que a obesidade pode afetar a saúde mental, aumentando o risco de depressão, ansiedade e baixa autoestima. “Muitas pessoas ainda enfrentam estigmas e discriminação, o que pode agravar o quadro. A qualidade de vida acaba sendo comprometida, gerando um ciclo vicioso de isolamento social e transtornos emocionais”. “Na saúde física, a obesidade está associada a diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer. O excesso de peso também sobrecarrega as articulações, podendo causar dores crônicas e perda de mobilidade. Outro fator preocupante é a síndrome metabólica, que eleva o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC”, complementa. Segundo o especialista, fatores como estresse, privação do sono e distúrbios hormonais estão diretamente ligados ao ganho de peso e à obesidade. “O estresse crônico aumenta os níveis de cortisol, estimulando o acúmulo de gordura e o desejo por alimentos calóricos. Já o sono inadequado desregula os hormônios da fome e saciedade, levando a escolhas alimentares ruins. Além disso, desequilíbrios hormonais, como hipotireoidismo e resistência à insulina, desaceleram o metabolismo e favorecem o ganho de peso. O controle desses fatores exige acompanhamento médico e melhoria na qualidade do sono”, orienta Viana. Incentivo desde cedo Ainda de acordo com o Atlas, entre 40% e 50% da população adulta não pratica atividade física com a frequência e intensidade recomendadas. Viana avalia que um dos caminhos para combater a obesidade é incentivar, desde cedo, a prática de esportes entre crianças e adolescentes. “Ensinar sobre alimentação equilibrada pode prevenir a obesidade no futuro. As escolas deveriam incluir educação nutricional no currículo e conscientizar pais e cuidadores. A redução do tempo de tela também é essencial, equilibrando entretenimento digital e atividades físicas. O poder público deve garantir infraestrutura para a prática de exercícios”. O nutrólogo reforça que a educação nutricional é fundamental, especialmente ao ensinar crianças a se alimentarem melhor. “Descascar mais e desembalar menos deve ser um princípio essencial. Os pais precisam preparar mais refeições em casa, incluindo frutas e verduras na dieta e evitando produtos industrializados. Essas pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença ao longo do tempo”, conclui.
Taxa de infecções hospitalares atinge 14% do total das internações no país

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que a taxa de infecções hospitalares atinja 14% das internações no país. Já a Associação Médica Brasileira revela que mais de 45 mil brasileiros morrem anualmente devido às infecções hospitalares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que esse número pode chegar até 100 mil por ano. Ainda segundo o Ministério, houve um avanço significativo na adesão dos hospitais à vigilância e à notificação dos dados de infecção. Em 2018, mais de 2.200 hospitais com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) notificaram seus dados para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto em 2009 eram apenas 1.000. Os números são visualizados e monitorados pelas coordenações estaduais, distrital e municipais de controle de infecção das Secretarias de Saúde. Para o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Adelino de Melo Freire Júnior, uma taxa de 14% é preocupante, pois indica que ainda há desafios significativos no controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). “Além disso, é preciso considerar que existe subnotificação, fazendo com que os números reais sejam ainda superiores a esse. Embora existam avanços em políticas de prevenção e controle, a alta prevalência sugere a necessidade de reforçar essas medidas”. Ele explica que as IRAS podem ser favorecidas por vários fatores. “Como alta densidade de pacientes, uso excessivo ou inadequado de antibióticos, falhas na adesão a protocolos de higiene das mãos, sobrecarga de profissionais de saúde, falta de estrutura adequada para isolamento de pacientes infectados e presença de microrganismos multirresistentes no ambiente hospitalar. E a incidência pode variar conforme as condições estruturais, disponibilidade de insumos e adesão aos protocolos de controle de infecção”. Impactos A médica pneumologista e paliativista na Saúde do Lar, Michelle Andreata, pontua que as infecções impactam gravemente a saúde dos pacientes. “Aumentando o tempo de internação, a morbidade e a mortalidade. Muitas dessas infecções são causadas por microrganismos multirresistentes, o que dificulta o tratamento e pode levar a complicações graves. Já no sistema de saúde, elas elevam os custos hospitalares, aumentam a demanda por leitos de terapia intensiva e sobrecarregam equipes de saúde”. Os principais desafios para a implementação eficaz de políticas de controle incluem a resistência microbiana devido ao uso inadequado de antibióticos, ressalta a médica. “Além da necessidade de capacitação contínua das equipes de saúde, a baixa adesão a protocolos de higiene das mãos e a falta de investimentos em infraestrutura hospitalar. Além disso, a vigilância epidemiológica ainda enfrenta dificuldades na coleta e análise de dados”. Anvisa A gerente de Tecnologia em Serviços de Saúde da Anvisa, Márcia Gonçalves, destaca que várias normas sanitárias definem a obrigatoriedade dos serviços de saúde executarem ações de prevenção e controle. “Entre as quais destacam-se a RDC 63/2011, que trata das Boas Práticas de Funcionamento dos serviços de Saúde, e a RDC 36/2013, que estabelece ações para a segurança do paciente. E também, a Lei nº 9431/1997 determina a obrigatoriedade da manutenção dos hospitais elaborarem um programa de controle de infecções hospitalares e da Portaria GM/ MS nº 2.616/98 que estabelece o que deve conter nesses programas”. “A fiscalização do cumprimento das normas e orientações sanitárias é realizada pela vigilância sanitária local (estadual/distrital ou municipal). Além disso, todos os estados e alguns municípios possuem uma Coordenação de Prevenção e Controle das IRAS, que podem estar vinculadas às vigilâncias sanitárias locais ou a outras estruturas das Secretarias de Saúde”, esclarece a gerente. Ela ainda observa que a Anvisa disponibiliza um canal para que o usuário possa relatar incidentes/falhas decorrentes da assistência à saúde. “O formulário específico de notificação, denominado Sistema Notivisa, está disponível no link: www16.anvisa.gov.br/notivisaServicos/cidadao/notificacao/evento-adverso. Além dos canais da ouvidoria da instituição, disponível em www.gov.br/anvisa/pt-br/canais_atendimento/ ouvidoria e das vigilâncias sanitárias estaduais/distrital e municipais”.
Março Amarelo: mês é dedicado à conscientização da endometriose

O Março Amarelo é o mês de conscientização sobre a endometriose, e de acordo com informações do Ministério da Saúde, estima-se que uma em cada dez mulheres enfrentam a doença no Brasil. Ela ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio, que reveste a parte interna do útero, cresce fora dele. Este tecido pode ser encontrado nos ovários, nas trompas de falópio, na bexiga, nos intestinos e até em áreas mais distantes, como os pulmões. Esse crescimento anômalo pode causar inflamação, dor intensa e, em alguns casos, até infertilidade. Segundo a ginecologista Fernanda Silva, a dor é o principal sintoma da doença. “Muitas mulheres acabam demorando a procurar ajuda médica porque associam a dor à menstruação intensa. No entanto, a dor da endometriose pode ser contínua, ocorrer fora do período menstrual e ser muito debilitante”. “Outros sintomas incluem dor durante ou após relações sexuais, dores ao urinar ou evacuar, especialmente durante o período menstrual, e até dificuldades para engravidar. O grau de intensidade dos sintomas pode variar de mulher para mulher, com algumas experimentando sintomas mais leves, enquanto outras enfrentam dor crônica”, explica. Difícil diagnóstico O diagnóstico é desafiador, pois os sintomas podem ser confundidos com outras condições, como a síndrome do intestino irritável ou doenças urinárias. O clínico geral Lucas Almeida destaca que “o diagnóstico definitivo só pode ser feito por meio de uma laparoscopia, que é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo. Porém, exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, podem ajudar a identificar lesões mais evidentes”. Infelizmente, muitas mulheres passam anos sem diagnóstico, o que pode atrasar o tratamento adequado e agravar a condição. “É fundamental que a paciente procure um especialista ao perceber sintomas fora do comum, como dores intensas durante o ciclo menstrual, pois, com o diagnóstico precoce, podemos adotar um tratamento mais eficaz”, alerta Almeida. Tratamentos Embora não exista cura para a endometriose, os tratamentos disponíveis ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pacientes. O tratamento pode incluir medicamentos, terapias hormonais, cirurgia e, em casos mais graves, uma combinação de abordagens. Fernanda explica que “os medicamentos mais comuns são os analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor, além dos tratamentos hormonais, que visam reduzir a produção de estrogênio, responsável pelo crescimento do tecido endometrial fora do útero. Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para remover o tecido endometrial que está fora de lugar”. Além disso, o tratamento psicológico também é importante, já que a endometriose pode afetar a saúde mental das pacientes devido ao impacto da dor crônica e da infertilidade. “A abordagem multidisciplinar é essencial, incluindo apoio psicológico e, se necessário, acompanhamento de uma nutricionista, já que uma alimentação balanceada pode ajudar no controle da inflamação”, complementa. Almeida diz que, “embora a endometriose não possa ser evitada, uma detecção precoce e um manejo adequado da doença são essenciais para melhorar a qualidade de vida da mulher afetada. O acompanhamento médico regular, especialmente para aquelas que têm histórico familiar de endometriose, pode ajudar na identificação precoce da condição”.
Estudo aponta alto risco de recorrência do câncer de pele

De acordo com um relatório elaborado pelo National Comprehensive Cancer Network (NCCN), 60% das pessoas que tiveram câncer de pele serão diagnosticadas com um segundo caso dentro de dez anos. Ainda segundo o estudo, o risco de uma nova ocorrência aumenta drasticamente se o paciente já tiver sido diagnosticado com um segundo câncer de pele não melanoma. Recentemente, a atriz Ísis de Oliveira anunciou que recebeu um novo diagnóstico da doença. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela mostrou as lesões no rosto. Outras celebridades também enfrentaram um segundo diagnóstico de câncer de pele, como os atores Ewan McGregor e Hugh Jackman, as atrizes Diane Keaton e Melanie Griffith, além da influencer Khloé Kardashian. Segundo o vice-diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Alex Schwengber, existem dois fototipos de pele mais propensos ao desenvolvimento do câncer de pele. “O tipo um corresponde a pessoas de pele muito clara, com sardas e cabelo ruivo. Já o tipo dois inclui indivíduos de pele clara, cabelo claro e sem muitas lesões pigmentares. Essas pessoas têm uma propensão natural maior devido à baixa proteção da melanina, que é mais abundante em indivíduos de pele escura, a desenvolver câncer de pele com mais frequência”. “O grande problema está no fato de que a maioria de nós, ao longo da vida, recebe muita radiação, oriunda especialmente do sol, mas também da iluminação artificial e da exposição a raios X, como os emitidos por aparelhos de radiologia. Além disso, há ainda a exposição à radioterapia, que é um método de tratamento do câncer. Quando chegamos à fase adulta, por volta dos 30 ou 40 anos, já acumulamos uma carga de radiação suficiente para provocar alterações no DNA das células da pele, aumentando o risco de tumores cutâneos”, acrescenta. Um estudo realizado na Espanha, com pacientes diagnosticados com câncer de pele, avaliou o risco de uma segunda neoplasia cutânea e apontou que as recorrências foram significativamente mais comuns em regiões como face central, sobrancelhas, nariz, lábios, queixo, orelhas, têmporas, genitália, mamilos/auréolas, mãos, pés, tornozelos e unhas, especialmente quando os tumores apresentavam mais de seis milímetros de diâmetro. A pesquisa também revelou que os homens possuem um risco 160% maior de desenvolver a doença pela segunda vez. Schwengber destaca que essa maior probabilidade entre o público masculino está relacionada à maior exposição ao sol. “A maioria dos trabalhadores que se expõem cronicamente à radiação ultravioleta são homens. Outro fator importante é o autocuidado. Geralmente, as mulheres adotam comportamentos mais cuidadosos com a saúde e buscam orientação médica antes que as lesões evoluam”. O especialista orienta que, independentemente de já ter tido câncer de pele ou não, o paciente deve consultar um dermatologista ao menos uma vez por ano para detectar lesões pré-malignas antes que evoluam para câncer. “Isso evita tratamentos mais agressivos e a necessidade de remoção cirúrgica. Já para aqueles que tiveram câncer de pele não melanoma, a recomendação é que consultem o dermatologista pelo menos a cada seis meses”. “Cuidar da pele de forma integral também é essencial. Evite a exposição prolongada à radiação ultravioleta, especialmente nos horários de pico, entre 10h e 16h. Sempre que houver exposição ao sol, use roupas com fator de proteção, chapéu de aba larga, óculos escuros e filtro solar”, finaliza. Casos em 2025 Considerado o tipo de câncer mais comum no Brasil, são esperados para este ano 220.490 novos casos de câncer de pele não melanoma, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Além disso, há previsão de 8.980 novos casos anuais de melanoma, a forma mais agressiva da doença.
Mulheres entre 15 e 45 anos têm mais chances de ter lúpus

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), estima-se que existam cerca de 150 a 300 mil pacientes com lúpus no Brasil. A doença pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e raça, porém, é prevalente em mulheres, principalmente, na faixa etária entre 15 e 45 anos, período compreendido, em geral, após a primeira menstruação e a pré-menopausa. De acordo com o Ministério da Saúde, dentre as mais de 80 doenças autoimunes conhecidas atualmente, o lúpus é uma das mais graves. Não existem formas de se prevenir e também não há vacinas. Conforme uma pesquisa feita com os dados do Sistema Único de Saúde (SUS), dos cerca de 74 mil pacientes que receberam o diagnóstico da enfermidade entre 2000 e 2019, 89,9% eram do sexo feminino, sendo quase metade delas com idades entre 26 e 45 anos. Somente nesse período, foram 24.029 óbitos em decorrência da condição. O presidente da Comissão Científica de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Edgard Reis, revela que não existe um único fator para o aparecimento do lúpus. “Ele resulta de uma junção de fatores genéticos, ambientais (radiação ultravioleta) e hormonais (estrógeno) que atuam sobre o sistema autoimune. Ou seja, o próprio indivíduo começa a produzir anticorpos, células, moléculas que vão atacar o próprio organismo, em vez de atacar o vírus e bactérias”. A reumatologista da Unimed-BH, Cláudia Neiva, destaca que a doença se apresenta em dois principais tipos. “O lúpus cutâneo crônico, que afeta apenas a pele; e o lúpus eritematoso sistêmico, que pode atingir diversos órgãos, como articulações, rins, pulmões, coração e cérebro. Um dos sinais mais característicos é uma irritação na pele, em forma de ‘asa de borboleta’ no rosto, além de lesões em áreas expostas ao sol. Outros sintomas comuns incluem dores, edema (inchaço) e rigidez nas articulações, queda de cabelo, inflamação nos rins, também conhecida como nefrite, entre outras manifestações”. Ela explica ainda que o lúpus pode ser uma condição desafiadora, mas o diagnóstico precoce e o tratamento adequado ajudam a controlar os sintomas e garantem uma boa qualidade de vida. “A conscientização é fundamental para que as pessoas busquem ajuda médica o quanto antes”. “O diagnóstico é feito clinicamente, com base na avaliação dos sintomas, e em exames laboratoriais, com a detecção de autoanticorpos, incluindo o Fator Antinuclear (FAN). O lúpus acomete, principalmente, mulheres jovens e está entre as principais causas de internação hospitalar entre as doenças reumáticas. A patologia tem origem multifatorial, envolvendo predisposição genética, fatores hormonais e ambientais”, detalha. A patologia não existe cura, alerta a profissional. “O diagnóstico precoce e o rápido início do tratamento são importantes para controle regular da doença e para evitar as fases de ativação da enfermidade”. Tratamento Cláudia destaca que, com o tratamento adequado, os pacientes podem levar uma vida com menos complicações. “A terapia inclui o uso de medicamentos, além de opções específicas para cada caso e terapias biológicas mais modernas. Também é preciso manter uma rotina saudável, com atividade física regular, dieta equilibrada, controle do estresse e proteção solar adequada. A exposição aos raios UV, por exemplo, é um dos gatilhos para o surgimento e agravamento dos sintomas. Por isso, o uso de protetor solar e vestimentas adequadas é altamente recomendado”. “A falta de acesso ao tratamento adequado leva a dores crônicas, lesões na pele e inflamações graves em órgãos vitais, podendo causar sequelas permanentes. A doença é caracterizada por surtos, ou seja, alternando períodos de inatividade e fases ativas. O acompanhamento médico é crucial para detectar precocemente os períodos de atividade e, consequentemente, evitar complicações”, conclui a reumatologista.
Especialista chama a atenção para as doenças transmitidas pelo beijo

O Carnaval é uma das festas mais esperadas do ano, marcada pela diversão, aglomerações e a celebração em blocos de rua. No entanto, é importante estar atento aos cuidados com a saúde, especialmente em relação às doenças contagiosas que são mais facilmente transmitidas durante a folia. Entre elas, o herpes labial e a mononucleose, duas condições que podem ser evitadas com simples precauções. Herpes O herpes labial é causado pelo vírus Herpes simplex tipo 1 (HSV-1), que afeta principalmente a região da boca. De acordo com a dermatologista Luciana Oliveira, especialista em doenças virais de pele, o herpes é altamente contagioso e é transmitido por meio do contato direto com as lesões ou até mesmo pela troca de objetos, como copos e utensílios. “É muito comum que as pessoas desenvolvam herpes labial quando estão com o sistema imunológico enfraquecido, o que pode ocorrer no Carnaval. A aglomeração e o contato próximo entre as pessoas contribuem para a propagação do vírus”. “Os sintomas do herpes labial incluem pequenas bolhas doloridas que aparecem na boca, gengiva ou língua, seguidas por crostas e desconforto, podendo também aparecer vermelhidão e até febre. O diagnóstico é geralmente baseado nos sintomas e na aparência das lesões (em alguns casos, exames adicionais podem ser feitos), e embora não exista cura definitiva, o tratamento com medicamentos e pomadas antivirais pode ser usado para reduzir a duração e a gravidade do surto”, explica. Luciana recomenta evitar beijar pessoas que tenham lesões visíveis na boca. “Mesmo que as bolhas não estejam presentes, o vírus pode ser transmitido, especialmente no período de surto. Também não compartilhe utensílios pessoais, como copos, talheres, toalhas, batons ou qualquer outro objeto que possa ter tido contato com a boca”. Mononucleose A mononucleose, também conhecida como ‘doença do beijo”, é causada pelo vírus Epstein-Barr e é transmitida principalmente pela saliva. Embora o nome remeta ao beijo, a transmissão também pode ocorrer por meio de utensílios compartilhados, como copos, garrafas e até toalhas. A infectologista Fernanda Diniz explica que, embora os sintomas da mononucleose possam se assemelhar a um resfriado comum, a doença geralmente apresenta febre alta, dor de garganta intensa, aumento dos gânglios linfáticos e fadiga extrema. “Em alguns casos, pode haver inchaço do fígado e/ou baço, que pode ser acompanhado de dor abdominal”. “O diagnóstico é feito através de uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Um teste físico verifica sinais como febre, linfonodos inchados e amígdalas inflamadas. Já o de sangue, como o hemograma completo, pode mostrar um aumento no número de linfócitos e a presença de linfócitos, que são típicos da mononucleose. Por último, o exame de anticorpos detecta anticorpos específicos contra o vírus Epstein-Barr”, completa. Fernanda ressalta que não há um tratamento antiviral específico para a mononucleose. O objetivo é aliviar os sintomas e promover a recuperação. As principais abordagens incluem repouso, devido à fadiga extrema que pode acompanhar a doença, controle da febre e dor com anti-inflamatórios e analgésicos, além da hidratação adequada”. Como a mononucleose é transmitida principalmente por saliva, as medidas de prevenção são praticamente as mesmas do herpes labial, como evitar beijos e o compartilhamento de utensílios, contato próximo com pessoas infectadas e cuidados com sistema imunológico e higiene pessoal.
23 milhões de crianças em idade escolar têm problemas de visão

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, cerca de 23 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos apresentam problemas como miopia, hipermetropia e astigmatismo. A ausência de um acompanhamento adequado pode impactar o desempenho em sala de aula e reduzir a motivação delas para ir à escola e estudar em casa. Segundo a oftalmopediatra Lara Seixas, é fundamental que pais e responsáveis fiquem atentos a possíveis sinais de dificuldades visuais nos filhos. “Em casa, eles devem observar se a criança ou adolescente se aproxima demais da televisão ou de objetos, lacrimejam excessivamente, demonstra sensibilidade à luz, reclama de dor de cabeça e nos olhos, sofre quedas frequentes, desvia os olhos involuntariamente ou fecha os olhos para tentar enxergar melhor”. “Na escola, sinais como baixo rendimento acadêmico, dificuldade de aprendizado, necessidade de sentar-se mais próximo ao quadro para acompanhar a aula ou copiar do caderno do colega também são indicativos da necessidade de uma avaliação oftalmológica”, acrescenta. A oftalmopediatra reforça que crianças e adolescentes devem passar por consultas oftalmológicas de rotina periodicamente, mesmo na ausência de queixas, e a qualquer momento em que apresentem algum sintoma ou sinal de problema visual. “Muitas vezes, esse público ainda não tem a percepção da dificuldade visual e, por isso, não se manifesta. Os cuidados com a saúde ocular devem incluir uma alimentação equilibrada, o uso moderado de telas conforme a faixa etária e o estímulo a atividades ao ar livre e em contato com a natureza”. Uso de telas Lara explica que o uso excessivo de telas pode comprometer a visão de crianças e adolescentes. “Isso pode causar distúrbios na superfície ocular, como olho seco, e, quando utilizadas muito próximas aos olhos, favorecer ou agravar a miopia e o estrabismo. Para minimizar os impactos, é essencial respeitar o tempo máximo de uso por faixa etária, além de adotar medidas como fazer pausas regulares e optar por ambientes bem iluminados”. Passar tempo excessivo diante das telas também pode gerar impactos psicológicos e comportamentais nesse público. “O primeiro deles é a desatenção. Elas podem desenvolver um quadro de distração acentuado e, em alguns casos, até apresentar sinais semelhantes a um vício. A criança pode ficar mais irritada, ansiosa e ter dificuldades de concentração e socialização, prejudicando o desenvolvimento de habilidades interpessoais. A longo prazo, o uso demasiado pode levar à dependência de telas e comprometer o crescimento social e emocional, uma vez que ela não estará interagindo com outras pessoas”, explica a doutora em psicologia Catiele Reis. Ela recomenda que crianças e adolescentes utilizem telas por, no máximo, duas horas diárias. “Os pais também devem dar o exemplo. Não adianta impor limites se eles próprios estão sempre no celular. É importante reservar um tempo para interagir com os filhos. Estratégias como restringir o uso, principalmente à noite, próximo à hora de dormir, e oferecer alternativas como jogos de tabuleiro e quebra-cabeças para reduzir o tempo de tela”. “Os pais também precisam incentivar atividades ao ar livre e investir em momentos de qualidade com os filhos, promovendo passeios e estimulando um equilíbrio maior entre a conectividade e a vida real”, acrescenta. Sobre a proibição dos celulares nas escolas, Catiele avalia que a medida é um primeiro passo. “As escolas têm exigido muito a utilização das tecnologias. É necessário um trabalho de conscientização sobre o uso responsável dos dispositivos e a importância do retorno à socialização”, conclui.