Estudo aponta alto risco de recorrência do câncer de pele

De acordo com um relatório elaborado pelo National Comprehensive Cancer Network (NCCN), 60% das pessoas que tiveram câncer de pele serão diagnosticadas com um segundo caso dentro de dez anos. Ainda segundo o estudo, o risco de uma nova ocorrência aumenta drasticamente se o paciente já tiver sido diagnosticado com um segundo câncer de pele não melanoma. Recentemente, a atriz Ísis de Oliveira anunciou que recebeu um novo diagnóstico da doença. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela mostrou as lesões no rosto. Outras celebridades também enfrentaram um segundo diagnóstico de câncer de pele, como os atores Ewan McGregor e Hugh Jackman, as atrizes Diane Keaton e Melanie Griffith, além da influencer Khloé Kardashian. Segundo o vice-diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Alex Schwengber, existem dois fototipos de pele mais propensos ao desenvolvimento do câncer de pele. “O tipo um corresponde a pessoas de pele muito clara, com sardas e cabelo ruivo. Já o tipo dois inclui indivíduos de pele clara, cabelo claro e sem muitas lesões pigmentares. Essas pessoas têm uma propensão natural maior devido à baixa proteção da melanina, que é mais abundante em indivíduos de pele escura, a desenvolver câncer de pele com mais frequência”. “O grande problema está no fato de que a maioria de nós, ao longo da vida, recebe muita radiação, oriunda especialmente do sol, mas também da iluminação artificial e da exposição a raios X, como os emitidos por aparelhos de radiologia. Além disso, há ainda a exposição à radioterapia, que é um método de tratamento do câncer. Quando chegamos à fase adulta, por volta dos 30 ou 40 anos, já acumulamos uma carga de radiação suficiente para provocar alterações no DNA das células da pele, aumentando o risco de tumores cutâneos”, acrescenta. Um estudo realizado na Espanha, com pacientes diagnosticados com câncer de pele, avaliou o risco de uma segunda neoplasia cutânea e apontou que as recorrências foram significativamente mais comuns em regiões como face central, sobrancelhas, nariz, lábios, queixo, orelhas, têmporas, genitália, mamilos/auréolas, mãos, pés, tornozelos e unhas, especialmente quando os tumores apresentavam mais de seis milímetros de diâmetro. A pesquisa também revelou que os homens possuem um risco 160% maior de desenvolver a doença pela segunda vez. Schwengber destaca que essa maior probabilidade entre o público masculino está relacionada à maior exposição ao sol. “A maioria dos trabalhadores que se expõem cronicamente à radiação ultravioleta são homens. Outro fator importante é o autocuidado. Geralmente, as mulheres adotam comportamentos mais cuidadosos com a saúde e buscam orientação médica antes que as lesões evoluam”. O especialista orienta que, independentemente de já ter tido câncer de pele ou não, o paciente deve consultar um dermatologista ao menos uma vez por ano para detectar lesões pré-malignas antes que evoluam para câncer. “Isso evita tratamentos mais agressivos e a necessidade de remoção cirúrgica. Já para aqueles que tiveram câncer de pele não melanoma, a recomendação é que consultem o dermatologista pelo menos a cada seis meses”. “Cuidar da pele de forma integral também é essencial. Evite a exposição prolongada à radiação ultravioleta, especialmente nos horários de pico, entre 10h e 16h. Sempre que houver exposição ao sol, use roupas com fator de proteção, chapéu de aba larga, óculos escuros e filtro solar”, finaliza. Casos em 2025 Considerado o tipo de câncer mais comum no Brasil, são esperados para este ano 220.490 novos casos de câncer de pele não melanoma, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Além disso, há previsão de 8.980 novos casos anuais de melanoma, a forma mais agressiva da doença.
Mulheres entre 15 e 45 anos têm mais chances de ter lúpus

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), estima-se que existam cerca de 150 a 300 mil pacientes com lúpus no Brasil. A doença pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e raça, porém, é prevalente em mulheres, principalmente, na faixa etária entre 15 e 45 anos, período compreendido, em geral, após a primeira menstruação e a pré-menopausa. De acordo com o Ministério da Saúde, dentre as mais de 80 doenças autoimunes conhecidas atualmente, o lúpus é uma das mais graves. Não existem formas de se prevenir e também não há vacinas. Conforme uma pesquisa feita com os dados do Sistema Único de Saúde (SUS), dos cerca de 74 mil pacientes que receberam o diagnóstico da enfermidade entre 2000 e 2019, 89,9% eram do sexo feminino, sendo quase metade delas com idades entre 26 e 45 anos. Somente nesse período, foram 24.029 óbitos em decorrência da condição. O presidente da Comissão Científica de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Edgard Reis, revela que não existe um único fator para o aparecimento do lúpus. “Ele resulta de uma junção de fatores genéticos, ambientais (radiação ultravioleta) e hormonais (estrógeno) que atuam sobre o sistema autoimune. Ou seja, o próprio indivíduo começa a produzir anticorpos, células, moléculas que vão atacar o próprio organismo, em vez de atacar o vírus e bactérias”. A reumatologista da Unimed-BH, Cláudia Neiva, destaca que a doença se apresenta em dois principais tipos. “O lúpus cutâneo crônico, que afeta apenas a pele; e o lúpus eritematoso sistêmico, que pode atingir diversos órgãos, como articulações, rins, pulmões, coração e cérebro. Um dos sinais mais característicos é uma irritação na pele, em forma de ‘asa de borboleta’ no rosto, além de lesões em áreas expostas ao sol. Outros sintomas comuns incluem dores, edema (inchaço) e rigidez nas articulações, queda de cabelo, inflamação nos rins, também conhecida como nefrite, entre outras manifestações”. Ela explica ainda que o lúpus pode ser uma condição desafiadora, mas o diagnóstico precoce e o tratamento adequado ajudam a controlar os sintomas e garantem uma boa qualidade de vida. “A conscientização é fundamental para que as pessoas busquem ajuda médica o quanto antes”. “O diagnóstico é feito clinicamente, com base na avaliação dos sintomas, e em exames laboratoriais, com a detecção de autoanticorpos, incluindo o Fator Antinuclear (FAN). O lúpus acomete, principalmente, mulheres jovens e está entre as principais causas de internação hospitalar entre as doenças reumáticas. A patologia tem origem multifatorial, envolvendo predisposição genética, fatores hormonais e ambientais”, detalha. A patologia não existe cura, alerta a profissional. “O diagnóstico precoce e o rápido início do tratamento são importantes para controle regular da doença e para evitar as fases de ativação da enfermidade”. Tratamento Cláudia destaca que, com o tratamento adequado, os pacientes podem levar uma vida com menos complicações. “A terapia inclui o uso de medicamentos, além de opções específicas para cada caso e terapias biológicas mais modernas. Também é preciso manter uma rotina saudável, com atividade física regular, dieta equilibrada, controle do estresse e proteção solar adequada. A exposição aos raios UV, por exemplo, é um dos gatilhos para o surgimento e agravamento dos sintomas. Por isso, o uso de protetor solar e vestimentas adequadas é altamente recomendado”. “A falta de acesso ao tratamento adequado leva a dores crônicas, lesões na pele e inflamações graves em órgãos vitais, podendo causar sequelas permanentes. A doença é caracterizada por surtos, ou seja, alternando períodos de inatividade e fases ativas. O acompanhamento médico é crucial para detectar precocemente os períodos de atividade e, consequentemente, evitar complicações”, conclui a reumatologista.
Especialista chama a atenção para as doenças transmitidas pelo beijo

O Carnaval é uma das festas mais esperadas do ano, marcada pela diversão, aglomerações e a celebração em blocos de rua. No entanto, é importante estar atento aos cuidados com a saúde, especialmente em relação às doenças contagiosas que são mais facilmente transmitidas durante a folia. Entre elas, o herpes labial e a mononucleose, duas condições que podem ser evitadas com simples precauções. Herpes O herpes labial é causado pelo vírus Herpes simplex tipo 1 (HSV-1), que afeta principalmente a região da boca. De acordo com a dermatologista Luciana Oliveira, especialista em doenças virais de pele, o herpes é altamente contagioso e é transmitido por meio do contato direto com as lesões ou até mesmo pela troca de objetos, como copos e utensílios. “É muito comum que as pessoas desenvolvam herpes labial quando estão com o sistema imunológico enfraquecido, o que pode ocorrer no Carnaval. A aglomeração e o contato próximo entre as pessoas contribuem para a propagação do vírus”. “Os sintomas do herpes labial incluem pequenas bolhas doloridas que aparecem na boca, gengiva ou língua, seguidas por crostas e desconforto, podendo também aparecer vermelhidão e até febre. O diagnóstico é geralmente baseado nos sintomas e na aparência das lesões (em alguns casos, exames adicionais podem ser feitos), e embora não exista cura definitiva, o tratamento com medicamentos e pomadas antivirais pode ser usado para reduzir a duração e a gravidade do surto”, explica. Luciana recomenta evitar beijar pessoas que tenham lesões visíveis na boca. “Mesmo que as bolhas não estejam presentes, o vírus pode ser transmitido, especialmente no período de surto. Também não compartilhe utensílios pessoais, como copos, talheres, toalhas, batons ou qualquer outro objeto que possa ter tido contato com a boca”. Mononucleose A mononucleose, também conhecida como ‘doença do beijo”, é causada pelo vírus Epstein-Barr e é transmitida principalmente pela saliva. Embora o nome remeta ao beijo, a transmissão também pode ocorrer por meio de utensílios compartilhados, como copos, garrafas e até toalhas. A infectologista Fernanda Diniz explica que, embora os sintomas da mononucleose possam se assemelhar a um resfriado comum, a doença geralmente apresenta febre alta, dor de garganta intensa, aumento dos gânglios linfáticos e fadiga extrema. “Em alguns casos, pode haver inchaço do fígado e/ou baço, que pode ser acompanhado de dor abdominal”. “O diagnóstico é feito através de uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Um teste físico verifica sinais como febre, linfonodos inchados e amígdalas inflamadas. Já o de sangue, como o hemograma completo, pode mostrar um aumento no número de linfócitos e a presença de linfócitos, que são típicos da mononucleose. Por último, o exame de anticorpos detecta anticorpos específicos contra o vírus Epstein-Barr”, completa. Fernanda ressalta que não há um tratamento antiviral específico para a mononucleose. O objetivo é aliviar os sintomas e promover a recuperação. As principais abordagens incluem repouso, devido à fadiga extrema que pode acompanhar a doença, controle da febre e dor com anti-inflamatórios e analgésicos, além da hidratação adequada”. Como a mononucleose é transmitida principalmente por saliva, as medidas de prevenção são praticamente as mesmas do herpes labial, como evitar beijos e o compartilhamento de utensílios, contato próximo com pessoas infectadas e cuidados com sistema imunológico e higiene pessoal.
23 milhões de crianças em idade escolar têm problemas de visão

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, cerca de 23 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos apresentam problemas como miopia, hipermetropia e astigmatismo. A ausência de um acompanhamento adequado pode impactar o desempenho em sala de aula e reduzir a motivação delas para ir à escola e estudar em casa. Segundo a oftalmopediatra Lara Seixas, é fundamental que pais e responsáveis fiquem atentos a possíveis sinais de dificuldades visuais nos filhos. “Em casa, eles devem observar se a criança ou adolescente se aproxima demais da televisão ou de objetos, lacrimejam excessivamente, demonstra sensibilidade à luz, reclama de dor de cabeça e nos olhos, sofre quedas frequentes, desvia os olhos involuntariamente ou fecha os olhos para tentar enxergar melhor”. “Na escola, sinais como baixo rendimento acadêmico, dificuldade de aprendizado, necessidade de sentar-se mais próximo ao quadro para acompanhar a aula ou copiar do caderno do colega também são indicativos da necessidade de uma avaliação oftalmológica”, acrescenta. A oftalmopediatra reforça que crianças e adolescentes devem passar por consultas oftalmológicas de rotina periodicamente, mesmo na ausência de queixas, e a qualquer momento em que apresentem algum sintoma ou sinal de problema visual. “Muitas vezes, esse público ainda não tem a percepção da dificuldade visual e, por isso, não se manifesta. Os cuidados com a saúde ocular devem incluir uma alimentação equilibrada, o uso moderado de telas conforme a faixa etária e o estímulo a atividades ao ar livre e em contato com a natureza”. Uso de telas Lara explica que o uso excessivo de telas pode comprometer a visão de crianças e adolescentes. “Isso pode causar distúrbios na superfície ocular, como olho seco, e, quando utilizadas muito próximas aos olhos, favorecer ou agravar a miopia e o estrabismo. Para minimizar os impactos, é essencial respeitar o tempo máximo de uso por faixa etária, além de adotar medidas como fazer pausas regulares e optar por ambientes bem iluminados”. Passar tempo excessivo diante das telas também pode gerar impactos psicológicos e comportamentais nesse público. “O primeiro deles é a desatenção. Elas podem desenvolver um quadro de distração acentuado e, em alguns casos, até apresentar sinais semelhantes a um vício. A criança pode ficar mais irritada, ansiosa e ter dificuldades de concentração e socialização, prejudicando o desenvolvimento de habilidades interpessoais. A longo prazo, o uso demasiado pode levar à dependência de telas e comprometer o crescimento social e emocional, uma vez que ela não estará interagindo com outras pessoas”, explica a doutora em psicologia Catiele Reis. Ela recomenda que crianças e adolescentes utilizem telas por, no máximo, duas horas diárias. “Os pais também devem dar o exemplo. Não adianta impor limites se eles próprios estão sempre no celular. É importante reservar um tempo para interagir com os filhos. Estratégias como restringir o uso, principalmente à noite, próximo à hora de dormir, e oferecer alternativas como jogos de tabuleiro e quebra-cabeças para reduzir o tempo de tela”. “Os pais também precisam incentivar atividades ao ar livre e investir em momentos de qualidade com os filhos, promovendo passeios e estimulando um equilíbrio maior entre a conectividade e a vida real”, acrescenta. Sobre a proibição dos celulares nas escolas, Catiele avalia que a medida é um primeiro passo. “As escolas têm exigido muito a utilização das tecnologias. É necessário um trabalho de conscientização sobre o uso responsável dos dispositivos e a importância do retorno à socialização”, conclui.
Estudos apontam conexão entre diabetes mellitus e a demência

Pesquisas científicas identificaram a existência de uma conexão entre o diabetes mellitus e a demência. O estudo revelou que pessoas com baixo controle do diabetes têm de 22% a 78% mais risco de evoluir a demência, e que outras pessoas portadoras de Alzheimer e sem diabetes mostraram uma velocidade menor de desenvolver um declínio cognitivo importante. O índice elevado de açúcar no sangue pode ser um fator significativo para a incidência de Alzheimer, bem como uma causa secundária de demência. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o diabetes mellitus e a doença de Alzheimer são condições relacionadas com a idade e ambas são caracterizadas por aumento de incidência e de prevalência ao longo do envelhecimento. O diabetes tem sido fortemente associado ao declínio cognitivo e ao risco aumentado de desenvolver todos os tipos de demência, incluindo o Alzheimer. Segundo a entidade, em uma pesquisa recente, foram reunidos dados de vários estudos de coorte do diabetes e de Alzheimer e uma metanálise contendo 1.746.777 indivíduos para investigar as evidências que relacionam o diabetes como um fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. “Os resultados da pesquisa mostraram que o risco de desenvolver a patologia é maior entre as pessoas com diabetes do que na sociedade em geral, especialmente nas populações orientais”. A médica geriatra da Saúde no Lar, Simone de Paula Pessoa Lima, explica que a diabetes mellitus, especialmente o tipo 2, pode causar ou contribuir para o desenvolvimento de demência. “Isso ocorre devido aos efeitos deletérios que a hiperglicemia crônica, a resistência à insulina e as complicações vasculares associadas à diabetes exercem no cérebro, comprometendo a saúde dos neurônios e da circulação cerebral”. “A diabetes está associada a alterações metabólicas e vasculares que afetam diretamente o cérebro. A hiperglicemia crônica promove o estresse oxidativo e a inflamação, que causam danos neuronais e vasculares. A resistência à insulina interfere no metabolismo energético cerebral e favorece o acúmulo de proteínas tóxicas, como a beta- -amiloide, associada ao Alzheimer. Além do mais, o diabetes contribui para doenças nos vasos sanguíneos cerebrais, como aterosclerose e microangiopatia, que podem levar a infartos cerebrais silenciosos ou acidente vascular cerebral (AVC), típicos da demência vascular. Esses processos, somados, aumentam significativamente o risco de déficits cognitivos”, acrescenta. Sintomas e tratamento Os sintomas, em pessoas com diabetes, variam dependendo do tipo de demência, revela Simone. “Mas, os mais comuns incluem perda progressiva de memória, dificuldade em planejar ou realizar atividades cotidianas e alterações na linguagem, com muitas repetições e dificuldade em reconhecer lugares ou pessoas. Além disso, mudanças de humor, desorientação e perda de habilidades sociais, também podem ocorrer. Em casos de demência vascular, os indícios podem surgir de forma mais abrupta e incluir déficits neurológicos, como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade de equilíbrio ou marcha instável”. “O tratamento da demência vascular, especialmente quando associada à diabetes, é focado na prevenção da progressão da doença, no controle dos sintomas e na promoção da qualidade de vida. Embora não exista uma cura, a estabilização do quadro pode ser alcançada por meio de uma abordagem multidisciplinar. O principal objetivo é o controle rigoroso dos fatores de risco vascular, como hipertensão arterial, diabetes e dislipidemia”, afirma a profissional. Ela termina destacando as principais formas de prevenção. “Mudanças no estilo de vida têm papel fundamental. Adotar uma dieta saudável; prática regular de exercícios físicos aeróbicos, como caminhadas, também melhora o fluxo sanguíneo cerebral e auxilia no controle glicêmico e da pressão arterial; e estimulação cognitiva por meio de atividades que desafiem o cérebro, como leitura, jogos e aprendizado de novas habilidades, pode ajudar a preservar as funções mentais. Além disso, um sono de qualidade deve ser incentivado, pois distúrbios como apneia obstrutiva estão associados ao declínio cognitivo; entre outros”.
Otite externa: inflamação no ouvido é bem comum no verão

No verão, a maioria das pessoas aproveitam o clima quente para se refrescar em piscinas e praias. No entanto, essa temporada de lazer também pode trazer consigo um problema de saúde, a otite. A infecção no ouvido, muitas vezes associada à exposição excessiva à água, é comum para quem frequenta ambientes aquáticos. A otorrinolaringologista, Laura Dias, esclarece que o tipo mais comum durante o verão é a otite externa, popularmente conhecida como ouvido de nadador. Ela ocorre quando a água entra no canal auditivo, criando um ambiente propício para o crescimento de bactérias ou fungos”. “Os sintomas são dor no ouvido, que pode ser intensa e aumentar com a movimentação da mandíbula; coceira ou sensação de pressão no ouvido; secreção ou secreção purulenta (em casos mais graves); sensação de ouvido tampado ou comprometimento da audição”, completa. Ela reforça que o diagnóstico da otite é feito por meio de exame clínico. “O médico otorrinolaringologista utiliza um otoscópio para observar o canal auditivo e verificar sinais de inflamação ou infecção. Em alguns casos, podem ser realizados exames laboratoriais ou culturas da secreção para identificar o agente causador da infecção (bactéria ou fungo)”. Laura explica que o tratamento da otite depende do tipo e da gravidade da infecção. “Nos casos de otite externa, o médico pode prescrever gotas otológicas com antibióticos ou antifúngicos, além de analgésicos para aliviar a dor. Se a infecção for mais grave, pode ser necessário o uso de antibióticos orais”. Embora a otite seja uma condição comum durante o verão, a adoção de hábitos de prevenção e cuidados com a higiene dos ouvidos pode minimizar o risco de infecção. Laura recomenda secar bem os ouvidos após nadar ou tomar banho de mar. “Opte por locais que ofereçam boa qualidade da água. Piscinas maltratadas ou com cloro em excesso também podem causar irritação nos ouvidos; use protetores auriculares como alternativa para evitar o contato direto da água com o canal auditivo. Em caso de histórico de otites frequentes, a consulta periódica com um otorrinolaringologista pode ajudar na detecção precoce de problemas”. A publicitária Fernanda Fagundes fez uma viagem para curtir a praia e aproveitou bastante o passeio. Depois de alguns dias, começou a sentir dor no ouvido. “Parecia que estava ‘entupido’ e a sensibilidade aumentava toda vez que tentava falar ou mastigar. Quando voltei para casa, fui ao médico e descobri que era otite externa, provavelmente por causa da água do mar. O otorrinolaringologista receitou gotas antibióticas para combater a infecção e analgésicos para aliviar a dor. Seguindo as orientações corretamente, o problema melhorou em poucos dias”, ressalta. “Ao notar sintomas de dor ou desconforto, é importante procurar orientação médica rapidamente, garantindo o diagnóstico e tratamento adequados para evitar complicações. Com esses cuidados simples, é possível aproveitar a estação mais quente do ano sem preocupações com a saúde auditiva”, conclui Laura.
Tempo de tela em excesso causa impactos na saúde física e mental

Considerada a palavra do último ano pela Universidade de Oxford, brain rot, ou podridão cerebral na tradução literal, é um termo que tem ganhado destaque. Apesar de ainda não ser uma condição clinicamente reconhecida, os sintomas associados são alarmantes e incluem dificuldade de concentração, redução da produtividade, aumento da agitação e quadros de ansiedade e depressão. O psiquiatra Ricardo Assmé destaca que, antes de compreender o que é o brain rot, é essencial entender o funcionamento do cérebro. “Ele foi projetado com o objetivo de manutenção da espécie humana, possuindo como funções secundárias as cognitivas superiores. O cérebro consegue preservar a espécie humana gerando prazer, por meio da liberação de dopamina. Atualmente, algumas situações também fornecem essa descarga, como jogos eletrônicos, jogos de azar e consumo de vídeos curtos”. “O brain rot pode impactar nossas vidas a partir de mudanças comportamentais. A capacidade de uma pessoa agir, analisar as coisas e socializar se degrada, pois, com a inércia desse comportamento, alguns hábitos e aprendizados antigos são perdidos. A habilidade de compreensão social muitas vezes é prejudicada em quem tem contato excessivo com a internet e pouca socialização. Mudanças comportamentais se tornam mais difíceis se a pessoa não acostuma o cérebro com atividades que demandam esforço e proporcionam prazer”, acrescenta. A condição também pode trazer impactos significativos aos motoristas. “Costuma ocorrer uma deterioração cognitiva, afetando o raciocínio crítico. O cérebro, condicionado a funcionar em modo automático devido ao uso excessivo de telas, perde a capacidade de atenção plena e decisões rápidas. No trânsito, a situação pode ser fatal, pois exige concentração e respostas imediatas. Nessas circunstâncias, o brain rot mina essas capacidades, transformando os motoristas em potenciais agentes de risco e aumentando as chances de acidentes”, explica a psicóloga e diretora da Associação de Clínicas de Trânsito do Estado de Minas Gerais (Actrans-MG), Giovanna Varoni. Ela ressalta que cerca de 90% dos acidentes no trânsito são provocados por fatores humanos, e as principais vítimas têm entre 18 e 35 anos. “O declínio da saúde mental gera impactos desastrosos. Motoristas distraídos tendem a provocar mais acidentes, exceder os limites de velocidade e até mesmo desrespeitar a sinalização de trânsito. Por outro lado, irritação e estresse geram comportamentos agressivos e imprudentes, aumentando as chances de acidentes graves. As pessoas subestimam o efeito da saúde mental na capacidade de dirigir com segurança”. O adoecimento mental também pode acarretar outras consequências, como a privação do sono, segundo a presidente da Actrans-MG, Adalgisa Lopes. “Ao assistir vídeos no celular à noite, o cérebro não está relaxando, mas sendo estimulado o tempo inteiro. A pessoa demora a dormir e, consequentemente, tem menos horas de sono. Isso compromete a atenção e memória. No trânsito, o tempo de reação será reduzido, o que é extremamente perigoso”. Como prevenir Uma das maneiras de reverter o brain rot é limitar o tempo de uso de telas, segundo Ricardo Assmé. “Fuja de conteúdos rápidos e superficiais. Evite atividades que demandam muito tempo, como jogos eletrônicos em excesso, e engaje-se em práticas prazerosas, como socializar, conversar olhando nos olhos e abraçar as pessoas”. Adalgisa complementa que as telas devem ser desligadas entre 30 a 40 minutos antes de dormir. Além disso, ela defende a necessidade de campanhas consistentes para mostrar como o uso excessivo pode ser prejudicial ao ser humano.
Estado teve 1,8 milhão de casos prováveis de arboviroses em 2024

As características do verão brasileiro, com altas temperaturas, associadas à grande incidência de chuvas, criam um ambiente ideal para o surgimento das arboviroses, um grupo de doenças virais transmitidas principalmente por mosquitos. Entre elas, destacam-se a dengue, a zika e a chikungunya. De acordo com o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Minas Gerais registrou, em 2024, 1.861.150 casos prováveis de arboviroses. Sendo 1.695.098 de dengue, 165.859 da febre chikungunya e 193 registros do vírus zika. Os óbitos confirmados por dengue somaram 1.124. O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Adelino de Melo Freire Júnior, ressalta que os dados de 2024 são alarmantes. “O número de casos de arboviroses foi muito superior ao nosso recorde histórico. São índices, que há uma década, não podíamos sequer imaginar e agora estão com tendência de crescimento. Esses dados mostram como as nossas medidas não têm sido suficientes para conter o avanço das arboviroses no ambiente urbano”. “No momento em que acontece o pico da incidência desses casos, o resultado é uma crise no sistema de saúde. Há uma sobrecarga enorme na rede, tanto privada quanto pública, com pessoas esperando para serem atendidas, com quadros potencialmente graves, que não conseguem suporte adequado e, com isso, tem complicações. Não é à toa que tivemos também o recorde do número de óbitos em 2024”, esclarece o presidente. Pico de registros O infectologista da Unimed-BH, Frederico Figueiredo Amâncio, explica que o pico de registros das arboviroses é comum nesta época, que vai de dezembro a março. “Em períodos de chuvas e calor, há maior proliferação do vetor e, consequentemente, dessas doenças. No caso da dengue, por exemplo, já há alguns estudos em andamento que mostram que as mudanças climáticas, acúmulo de água parada e dificuldade de controle do vetor são condições que aumentam o risco de epidemias”. Geralmente, existem grupos com maior propensão a formas graves da enfermidade. “Além das gestantes, pessoas com mais de 65 anos, crianças e pacientes com comorbidades como hipertensão, diabetes, doença renal crônica e com anemia falciforme são grupos de risco. Embora demandem acompanhamento médico, não existe tratamento específico para as arboviroses, a hidratação é o ponto chave para evitar complicações graves”, afirma Amâncio. Freire destaca que a dengue pode trazer complicações neurológicas. “Algumas sequelas não são tão comuns, mas acontecem. Para a zika, o alerta é para as gestantes, pois sabemos do impacto severo nos bebês, com a malformação da criança, a microcefalia. E a chikungunya talvez seja a que tem maior potencial de trazer doença crônica. Enfermidades articulares persistentes que podem levar à dor, à perda da qualidade de vida de forma permanente, necessitando de suporte de saúde, assistência com fisioterapia, médicos e uso de medicação”. Vacina contra dengue O infectologista pontua que existem duas vacinas disponíveis no Brasil. “Mas nem todos podem receber a dose, pois são imunizantes de vírus vivo atenuado. Desta forma, estão contraindicadas para gestantes e lactantes, como também para pessoas com imunossupressão. É importante destacar que existem faixas etárias específicas para uso e outras particularidades. Uma das vacinas, por exemplo, pode ser administrada apenas para pacientes que já tiveram dengue comprovada anteriormente”. “A vacinação é uma ferramenta muito importante para reduzir o número de casos e internações por dengue. Desde o início da campanha, o Ministério da Saúde estipulou que o público-alvo no Brasil, para receber a imunização gratuita, será crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre elas. A pasta divulgou recentemente que adquiriu 9 milhões de doses para 2025, mas ainda não disponibilizou o cronograma”, acrescentou. Entretanto, ele observa que as medidas de combate ao vetor devem ser mantidas. “Principalmente porque a vacina contra a dengue não chega a 100% de cobertura e não tem proteção contra outras arboviroses. O controle requer esforços coordenados, incluindo medidas de prevenção, como a eliminação de criadouros de mosquitos e a implementação de estratégias de controle vetorial”, conclui.