Campanha Junho Vermelho reforça a urgência da doação de sangue

Com a chegada do inverno e o aumento dos casos de doenças respiratórias, a Fundação Hemominas faz um alerta: os estoques de sangue dos hemocentros de Minas Gerais estão em situação crítica. Os tipos A positivo, A negativo e O positivo são os mais afetados. A instituição reforça a importância das doações contínuas para garantir o atendimento a pacientes em todo o estado. De acordo com a Fundação, os tipos O negativo, B negativo e AB negativo estão em nível de alerta. Já o tipo AB positivo se encontra em situação estável. “A situação é de alerta, com moderada queda em relação ao mesmo período do ano passado e também ao mês anterior. Os tipos sanguíneos A positivo, A negativo e O positivo estão em níveis críticos”, afirma Nivaldo Junior, assessor de Captação e Cadastro da Hemominas. Ele afirma que, além das doenças típicas do inverno, que impedem temporariamente muitos voluntários de doar, o excesso de feriados prolongados entre abril e maio também prejudicou a frequência dos doadores. “Viemos de um período de muitos feriados que impactaram o comparecimento nas semanas anteriores. Ao longo de maio, também não observamos um retorno satisfatório nas nossas unidades, o que resultou nessa queda nos estoques”. Para reverter o quadro, a fundação tem reforçado sua estratégia de captação. Junior destaca que ações como ligações telefônicas, coletas externas e parcerias com empresas e instituições têm sido intensificadas. A mais recente novidade é o uso de inteligência artificial para facilitar o contato com os doadores cadastrados. “Criamos um robô que faz contato com nossos doadores via WhatsApp, ajudando no agendamento, cancelamento ou consulta de doações. É uma ferramenta que está facilitando o acesso”. Junho Vermelho O mês ganhou cor e significado com a campanha Junho Vermelho, uma mobilização nacional em torno da causa da doação de sangue, em alusão ao Dia Mundial do Doador, celebrado no dia 14 de junho. A Hemominas aproveita o momento para reforçar a visibilidade da causa. “É uma campanha que mobiliza principalmente os doadores fidelizados, mas também uma oportunidade de atrair novos doadores, esclarecer dúvidas e mostrar a importância desse gesto”, diz Junior. Exemplo de solidariedade A recepcionista Ana Clara Souza começou a doar sangue após um amigo sofrer um acidente e precisar de transfusões urgentes. Desde então, tornou-se uma defensora da causa. “Aquela situação me mostrou como uma bolsa de sangue pode fazer diferença entre a vida e a morte. Hoje, é um compromisso meu. Já usei o novo assistente virtual da Hemominas e incentivo todos ao meu redor a doar”, conta. “As doações são uma necessidade contínua. Todos os dias temos pacientes precisando de transfusões. Por isso, a solidariedade precisa ser diária, não apenas nas campanhas ou datas comemorativas”, reforça o assessor. Como doarPara doar sangue é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos (menores de idade com autorização dos responsáveis), pesar acima de 50 kg, ter dormido bem e estar alimentado e apresentar documento original com foto. O agendamento pode ser feito pelo site www.hemominas.mg.gov.br no aplicativo MGapp Cidadão, WhatsApp: (31) 4042-7157 ou pelo e-mail: doesangue@hemominas.mg.gov.br
Um terço dos idosos que tem mais de 65 anos sofre quedas

Anualmente, um terço das pessoas com mais de 65 anos sofre quedas, proporção que sobe para 40% entre os idosos a partir de 80 anos, e o local onde ocorrem mais quedas é dentro da própria casa. É o que estima o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Já a última edição do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), financiado pelo Ministério da Saúde, revelou que a prevalência de quedas dessa população, residente em áreas urbanas, foi de 25%. A ELSI-Brasil, realizada entre 2019 e 2021, também mostrou que os fatores associados à ocorrência de quedas são multidimensionais, destacando: sexo feminino (que apresenta maior prevalência), faixa etária igual ou superior a 75 anos, medo de cair devido às más condições das vias públicas, medo de atravessar a rua, artrite ou reumatismo, diabetes e depressão. O mestre, doutor e coordenador da Ortopedia do Hospital Unimed BH, José Carlos Vilela, ressalta que esses dados são muito preocupantes. “A questão da queda e fratura em idosos é de relevância para a saúde pública, em virtude da morbidade e custo dos envolvidos. Com o envelhecimento da população, essa quantidade de casos deve aumentar e muito”. Ele pontua que os fatores de risco podem ser divididos em dois grupos. “O paciente idoso, em geral, tem menos força, menos equilíbrio, tem diminuição da acuidade visual e auditiva. E 70% deles têm duas ou mais comorbidades, tomam medicamentos que diminuem a pressão, que se relacionam com o ritmo cardíaco e que, eventualmente, se relacionam com o nível de consciência, o que também favorece as quedas”. “O paciente idoso também costuma apresentar sarcopenia, que é a diminuição da massa muscular e, principalmente nas mulheres, tem a redução da densidade óssea, também conhecida como osteoporose. O primeiro favorece as quedas e o segundo as fraturas. E o risco de morte decorrente da fratura não pode ser ignorado, sendo estimado em torno de 15% a 30%”, acrescenta. Alerta O doutor elucida ainda quais sinais de alerta os familiares devem se atentar para evitar futuras quedas. “Observar os pacientes que apresentam deterioração da marcha e da autonomia, como tomar banho sozinho; e idosos que o estado de consciência tem se deteriorado, como aqueles que apresentam demência, além dos pacientes com perda auditiva e visual. É muito importante lembrar de evitar tapetes, degraus e colocar corrimão em escadas e banheiro. Evitar também que tenham pisos escorregadios e/ou deixar o espaço molhado fora da área do chuveiro”. Vilela explica que é preciso cuidado para manipular o paciente após a queda. “O ideal é que seja chamado um serviço de urgência para mobilização adequada. Pois, muitas vezes, uma queda pode apresentar outras lesões, não só a fratura do fêmur, e a manipulação incorreta pode piorar o quadro clínico, além de causar dor”. “Esse cuidado é mais relevante ainda, quando não foi percebida por ninguém, porque a causa da queda pode ser mais importante que o quadro ortopédico. Já que motivos frequentes que causam esses tombos em idosos são o acidente vascular cerebral (AVC) e arritmia cardíaca”, observa. Cuidados O especialista e professor de fisioterapia da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh), José Roberto Carvalho Barbosa, destaca que para reduzir o risco de quedas é importante que os idosos adotem um estilo de vida mais ativo. “Atividade física regular e uma rotina de exercícios que incluem fortalecimento muscular, equilíbrio e flexibilidade. É essencial que essas pessoas sejam incentivadas a realizar atividades diárias que promovam a mobilidade e a independência”. Barbosa afirma ainda que os exercícios funcionais são fundamentais para manter e melhorar a capacidade física. “Permitindo que eles realizem atividades cotidianas de forma independente e segura. Estes exercícios integram vários sistemas corporais, facilitando as tarefas de vida diária”. Já a atividade física orientada pode ajudar na prevenção de quedas, avalia o especialista. “Os benefícios são melhora do equilíbrio e coordenação, da flexibilidade e mobilidade, e fortalecimento muscular. Algumas opções são: pilates, caminhada, dança, tai chi, musculação, hidroginástica, entre outros”, finaliza.
Número de crianças obesas deve chegar a 75 milhões em 2025

Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, a obesidade mórbida infantil não apenas compromete a saúde física das crianças, mas também impacta seu bem-estar emocional e social. A Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que em 2025 o número de crianças obesas no planeta chegue a 75 milhões. O 3 de junho é o Dia Mundial da Conscientização sobre a Obesidade Mórbida Infantil, uma data importante para alertar sobre os riscos da doença e a necessidade de promover hábitos saudáveis. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que uma em cada três crianças com idade entre cinco e nove anos está mais pesada do que o ideal. O governo federal determinou uma diminuição no percentual de alimentos processados oferecidos nas escolas públicas. A meta é limitar esse tipo de alimento a 15% em 2025 e reduzir ainda mais para 10% em 2026. A iniciativa tem como objetivo promover uma alimentação mais saudável entre os estudantes e enfrentar o crescente problema da obesidade infantil. A obesidade mórbida infantil resulta de uma combinação complexa de fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Segundo o endocrinologista pediátrico Gilberto Assunção, “a alimentação inadequada, caracterizada pelo consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras, é uma das principais causas do problema. Além disso, o sedentarismo, impulsionado pelo aumento do tempo em frente às telas e pela diminuição das atividades físicas, contribui significativamente para o ganho de peso excessivo”. Fatores genéticos também desempenham um papel importante. Crianças com pais obesos têm maior predisposição a desenvolver a condição, embora o estilo de vida e os hábitos alimentares desempenhem um papel crucial na manifestação da obesidade. S egundo Assunção, os sintomas da obesidade mórbida infantil vão além do aumento de peso visível. “Crianças afetadas podem apresentar dificuldades respiratórias, como apneia do sono, dores articulares devido ao sobrepeso, hipertensão arterial, resistência à insulina e alterações nos níveis de colesterol. Psicologicamente, podem sofrer com baixa autoestima, depressão e ansiedade, frequentemente exacerbadas pelo estigma social associado ao peso excessivo”. “A longo prazo, a obesidade mórbida infantil aumenta o risco de desenvolvimento de problemas crônicos na vida adulta, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Portanto, é essencial tratar a obesidade na infância para prevenir complicações futuras”, explica. Para a nutricionista Cristina Souza, o tratamento da doença deve ser individualizado, levando em consideração a idade da criança, o grau de obesidade e a presença de comorbidades. “A abordagem envolve mudanças na alimentação, com a adoção de uma dieta balanceada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, com redução do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras saturadas. Também o incentivo à prática regular de atividades físicas, visando aumentar o gasto energético e melhorar a saúde cardiovascular”. Cristina ressalta que a prevenção deve começar desde os primeiros anos de vida. “A amamentação exclusiva até os seis meses de idade e a introdução gradual de alimentos saudáveis são práticas recomendadas. Além disso, é importante oferecer uma dieta equilibrada, reduzir o tempo de uso de dispositivos eletrônicos, como televisão, computadores e celulares, especialmente durante as refeições e ter consultas pediátricas regulares para acompanhar o crescimento da criança e identificar precocemente sinais de sobrepeso ou obesidade”.
Diagnóstico tardio dificulta a cura do câncer de esôfago

Recentemente, o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, faleceu em decorrência de um câncer de esôfago. A doença é uma das mais letais justamente por ser identificada, na maioria das vezes, em estágios avançados. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para 2025 é que 8.200 homens e 2.790 mulheres recebam o diagnóstico da enfermidade. A cirurgiã oncológica e vice-diretora de Ensino da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Ana Luiza Cardona, explica que a gravidade está relacionada à localização do esôfago, que atravessa três regiões anatômicas distintas entre pescoço, tórax e abdômen e próximo a estruturas nobres. Facilita a disseminação do tumor para outros órgãos, tornando o tratamento mais complexo e, em muitos casos, inviável. “O principal sinal de alerta é a dificuldade para engolir. É um sintoma específico que tende a se agravar com o tempo. O paciente começa engasgando com carne, depois só tolera alimentos pastosos, até conseguir ingerir apenas líquidos. Muitos já chegam em estado de desnutrição severa quando procuram atendimento”, relata. Além da evolução silenciosa, Ana Luiza destaca que o câncer de esôfago tem como obstáculos a desinformação e o difícil acesso à endoscopia, exame fundamental para o diagnóstico precoce. “Menos de 15% da população brasileira segue uma alimentação considerada saudável. Aliado ao tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade, agrava ainda mais o cenário. Mesmo diante de sintomas evidentes, muitos pacientes não buscam ajuda médica por desconhecimento ou falta de recursos”. Segundo a médica, em casos específicos, como o esôfago de Barrett, uma alteração celular provocada pelo refluxo gastroesofágico crônico, é possível realizar o diagnóstico precoce e até a prevenção. “Ele deve ser controlado com mudanças na dieta, perda de peso e acompanhamento médico regular. Nestes casos, o monitoramento periódico por meio de endoscopia é fundamental, pois o câncer pode estar se desenvolvendo de forma silenciosa”. Outro fator agravante é a disseminação de conteúdos enganosos sobre saúde nas redes sociais. “Infelizmente, há muitos profissionais, inclusive médicos, divulgando informações sem respaldo científico. É essencial que o paciente busque fontes confiáveis, com embasamento técnico, para tomar decisões seguras sobre sua saúde”. Cuidados paliativos Nos últimos dias de vida, Mujica esteve sob cuidados paliativos. Quando a doença não é mais passível de cura, essa abordagem se torna essencial para garantir dignidade e qualidade de vida ao paciente. Para Patrícia Freire, integrante da Comissão de Cuidados Paliativos da SBCO, esse tipo de cuidado deveria estar presente desde o diagnóstico de doenças graves, e não apenas em fases terminais, não representando uma desistência do tratamento. “Trata-se de um redirecionamento do foco, que passa a ser o bem-estar do paciente. Atuamos no controle de sintomas como dor, fadiga e falta de ar, mas também cuidamos de aspectos emocionais, sociais e espirituais”, explica. Ela ressalta que a implementação precoce dessas medidas pode, inclusive, prolongar a vida. “Estudos comprovam que, em determinados casos, os cuidados paliativos iniciados logo após o diagnóstico aumentam a sobrevida e melhoram significativamente a experiência do paciente durante toda a jornada da doença”. Patrícia destaca ainda a importância do suporte aos familiares e cuidadores, que muitas vezes enfrentam grande sobrecarga física e emocional. “É fundamental oferecer orientação, escuta ativa e estratégias de revezamento. A existência de uma rede de apoio é crucial para garantir um cuidado verdadeiramente centrado na pessoa”. Como prevenir Para Ana Luiza, a principal forma de prevenção é adotar hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de atividade física, e abandonar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. “O diagnóstico precoce e o tratamento em centros especializados fazem toda a diferença. A sobrevida é significativamente maior quando o paciente é acompanhado por uma equipe multidisciplinar experiente. Precisamos ampliar o acesso a exames como a endoscopia, capacitar os profissionais da atenção primária e conscientizar a população sobre os sinais de alerta”, conclui.
1% dos brasileiros tem doença celíaca

A doença celíaca afeta cerca de 1% dos brasileiros, o equivalente a pouco mais de 2 milhões de pessoas, segundo estimativas da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra). Trata-se de uma enfermidade autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio, que provoca uma reação inflamatória no intestino delgado, podendo comprometer a absorção de nutrientes e desencadear uma série de complicações de saúde. Os sintomas da doença celíaca variam amplamente de pessoa para pessoa, o que dificulta o diagnóstico precoce. De acordo com a gastroenterologista Isabela Moreira, os sinais incluem diarreia crônica, perda de peso, distensão abdominal, anemia e fadiga. “Porém, muitos pacientes apresentam manifestações atípicas ou até mesmo silenciosas, como dores articulares, infertilidade, osteoporose precoce e alterações neurológicas”. “Em crianças, o quadro pode se manifestar de forma mais aguda, sendo comum observar atraso no crescimento, irritabilidade e vômitos. Além disso, a doença pode ser confundida com outras condições, como síndrome do intestino irritável ou intolerância à lactose”, explica. A suspeita clínica deve ser seguida por exames laboratoriais específicos, como a dosagem de anticorpos antitransglutaminase tecidual e anti-endomísio. “Se os resultados forem positivos, realiza-se uma endoscopia com biópsia do intestino delgado para confirmação. Importante destacar que o diagnóstico só é preciso se o paciente estiver consumindo glúten regularmente no momento dos testes. Muitas pessoas o eliminam por conta própria antes de procurar ajuda médica, o que pode mascarar os exames e dificultar o diagnóstico”, alerta Isabela. Atualmente, o único tratamento eficaz para a doença celíaca é a exclusão total do glúten da dieta. “Mesmo traços da proteína, como os encontrados em utensílios contaminados, podem desencadear reações e causar danos intestinais. Não se trata de uma dieta da moda, mas de uma prescrição médica rigorosa”, enfatiza a nutricionista clínica Cristina Souza. Ela explica que a adesão estrita é fundamental para evitar complicações como osteoporose, infertilidade, problemas neurológicos e até linfoma intestinal, um tipo raro de câncer. “A adaptação pode ser desafiadora no início, mas hoje o mercado oferece uma variedade crescente de produtos sem glúten. O rótulo precisa ser analisado com atenção. O ideal é procurar alimentos certificados e, sempre que possível, optar por produtos naturalmente livres de glúten, como arroz, milho, batata, frutas e legumes”, aconselha. Segundo Cristina, por ser uma condição genética, a doença celíaca não pode ser prevenida. No entanto, pessoas com parentes de primeiro grau diagnosticados com a doença têm maior risco de desenvolvê-la e devem ser acompanhadas de perto. “Nestes casos, é recomendado realizar exames preventivos mesmo na ausência de sintomas”. A gastroenterologista diz que além dos desafios físicos, o aspecto emocional também merece atenção. “Muitos pacientes relatam dificuldade de socialização e ansiedade em eventos sociais. O acompanhamento psicológico pode ser um grande aliado para ajudar o paciente a lidar com a nova rotina alimentar”. “Associações de apoio a celíacos têm desempenhado um papel importante nesse processo. Grupos em redes sociais e eventos de conscientização ajudam a trocar experiências, divulgar informações corretas e pressionar por mais opções seguras nos cardápios de restaurantes e escolas”, conclui a médica.
Cerca de 20 milhões de brasileiros são asmáticos

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias e acomete aproximadamente 150 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, há cerca de 20 milhões de brasileiros asmáticos, entre crianças e adultos, e, anualmente, ocorrem 350 mil internações devido a casos mais extremos, sendo a terceira maior causa de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda com informações da pasta, entre os anos de 2019 e 2023, foram registradas 12.195 mortes por asma no país. Já no primeiro semestre de 2024, o número de óbitos chegou a 883. “Caracterizada por episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax, a asma pode afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais comum na infância. O que caracteriza a asma é a inflamação crônica dos brônquios, que são os canais por onde o ar passa até os pulmões. Essa inflamação torna as vias respiratórias mais sensíveis a diversos estímulos, como poeira, ácaros, poluição, fumaça de cigarro e mudanças climáticas”, explica o clínico geral Lucas Almeida. Ele afirma ainda que as causas da asma ainda não são totalmente compreendidas, mas há um componente genético importante. “Pessoas com histórico familiar de asma, rinite ou outras doenças alérgicas têm maior predisposição. Fatores ambientais também desempenham papel fundamental: exposição precoce a alérgenos, infecções respiratórias na infância e até mesmo o uso excessivo de antibióticos nos primeiros anos de vida podem contribuir para o desenvolvimento da doença”. O diagnóstico da asma é essencialmente clínico, baseado nos sintomas e no histórico do paciente. No entanto, exames como a espirometria, que avalia a função pulmonar, são fundamentais para confirmar o diagnóstico e acompanhar a evolução da doença. “A espirometria é simples, indolor e bastante eficaz. Ela mede a quantidade e a velocidade do ar que a pessoa consegue expelir dos pulmões. Isso nos ajuda a entender se há obstrução das vias aéreas e se essa obstrução melhora com o uso de medicamentos”, afirma a pneumologista Sônia Andrade. A médica diz que embora não tenha cura, a asma pode ser controlada com o tratamento adequado, permitindo ao paciente levar uma vida normal. O tratamento inclui medicamentos de alívio rápido e de controle contínuo. “Os broncodilatadores são usados para aliviar os sintomas em crises, enquanto os corticosteroides inalatórios ajudam a reduzir a inflamação das vias respiratórias. O maior erro que vemos é o uso somente dos broncodilatadores quando há crise. Isso é perigoso, pois mascara o agravamento da inflamação. O tratamento contínuo com anti- -inflamatórios é o que garante o controle da doença a longo prazo”. Além da medicação, mudanças no estilo de vida também são importantes. Evitar o contato com alérgenos, manter o ambiente limpo e ventilado, não fumar, praticar atividade física regular e seguir as orientações médicas são medidas essenciais para o controle da asma. A prevenção da asma envolve, principalmente, a redução dos fatores de risco. Programas de saúde pública, como o fornecimento gratuito de medicamentos pelo SUS, têm ajudado a reduzir hospitalizações e mortes por asma no Brasil. A educação do paciente também é crucial. “É fundamental que o paciente aprenda a reconhecer os sinais de alerta e saiba como agir diante de uma crise. Ter um plano de ação por escrito, elaborado com seu médico, pode salvar vidas”, conclui Sônia.
Combate a diabetes e excesso de peso ganha um novo aliado

Disponível nas farmácias brasileiras a partir da primeira quinzena de maio, o Mounjaro chega como mais uma alternativa no combate ao diabetes tipo 2 e à obesidade. O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O médico especialista em emagrecimento e saúde integrativa, Lucas Penchel, explica que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, é uma molécula inovadora que imita a ação de dois hormônios intestinais, o GLP-1 e o GIP, atuando diretamente na regulação da saciedade, do apetite e da glicemia. “A medicação ajuda a reprogramar o metabolismo da pessoa, atuando na melhora da glicose e de alterações metabólicas, como a gordura no fígado. Além disso, promove a desinflamação do organismo e contribui para a melhora geral do metabolismo. Por todas essas características peculiares, proporciona uma perda de peso superior à de qualquer outro remédio, sendo a primeira droga comparada à cirurgia bariátrica por possibilitar uma redução maior que 20% do peso corporal”. Penchel ressalta que fatores como sedentarismo, sono de má qualidade, alterações hormonais, ansiedade, uso de medicamentos, metabolismo lento e compulsão alimentar contribuem para o ganho de peso. “A maioria das medicações atua apenas no emagrecimento. No entanto, as causas subjacentes não são tratadas. Ou seja, a pessoa emagrece, mas continua dormindo mal ou apresentando disfunções metabólicas, o que faz com que readquira o peso na maioria das vezes”. “Além do uso de medicamentos, é fundamental um acompanhamento multidisciplinar para tratar fatores que levam ao excesso de peso, como a melhoria do sono, a prática regular de atividade física, a identificação e correção de desequilíbrios hormonais, a hidratação adequada e a criação de uma rotina saudável. Também é essencial abordar questões emocionais, como a ansiedade, que pode levar à compulsão alimentar e comprometer os resultados a longo prazo”, acrescenta. Antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento, é imprescindível realizar um acompanhamento adequado, orienta Penchel. “Sabemos que o efeito sanfona é extremamente prevalente e, muitas vezes, ocorre após a interrupção do uso de medicamentos, especialmente em pessoas que não têm frequência no consultório. O efeito sanfona é muito mais prejudicial para a saúde do que a própria obesidade”. Efeitos colaterais A endocrinologista Alessandra Rascovski alerta que o uso da tirzepatida sem acompanhamento especializado pode acarretar riscos significativos para o paciente. “Perda de peso temporária e efeitos colaterais como náuseas, gastrite, risco nutricional por baixa ingestão de proteínas, pancreatite, alterações renais por desidratação e distúrbios neuropsiquiátricos. O acompanhamento médico é fundamental para identificar e tratar rapidamente possíveis complicações”. Venda apenas com receita Em abril, a Anvisa determinou que a venda do Mounjaro e de outras canetas emagrecedoras só poderá ser realizada mediante retenção da receita médica. Alessandra avalia que a decisão é pertinente. “Um uso racional, orientado por profissional de saúde, permite um melhor controle sobre a utilização da medicação, além de garantir o acesso para quem realmente precisa. O monitoramento da evolução do tratamento também se torna mais provável com a exigência da receita”. Ela ressalta que, apesar do grande potencial desses medicamentos para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, surgem novos desafios relacionados ao uso indiscriminado. “São medicamentos revolucionários. Para os pacientes que realmente necessitam, especialmente com a classe dos agonistas duplos, como a tirzepatida, os resultados têm sido muito positivos e com menos efeitos adversos. No entanto, a prescrição responsável e a educação do paciente, reforçando que essas drogas são auxiliares e não substituem mudanças no estilo de vida, representam um grande desafio para os médicos”.
Estudo aponta aumento de 80% na incidência de câncer entre jovens

Com mais de 1,8 milhão de casos, cada vez mais jovens são diagnosticados com câncer em todo o mundo. O aumento foi de 80% em novas ocorrências entre pessoas com menos de 50 anos nas últimas três décadas (1990-2019), segundo um estudo publicado na revista britânica BMJ Oncology. O tumor de mama foi o mais incidente, embora os tipos de traqueia e da próstata tenham aumentado mais rapidamente desde 1990, revela a análise. Os cânceres que causaram o maior número de mortes e que mais comprometeram a saúde entre os adultos mais jovens foram os de mama, traqueia, pulmão, intestino e estômago. Mais de 1 milhão de pessoas dessa faixa etária morreram em decorrência de tumores em 2019, um aumento de pouco menos de 28% em relação aos números de 1990. Com base nas tendências observadas nas últimas três décadas, os investigadores estimam que o índice global de novos casos de início precoce e de mortes aumentará mais de 31% e 21%, respectivamente, em 2030. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados 704 mil novos diagnósticos a cada ano do triênio de 2023 a 2025, uma soma que resultará em mais de 2 milhões de novos casos da doença ao longo desses 36 meses. Entre os tipos de tumor mais comuns no Brasil, o câncer de pele do tipo não melanoma continua na liderança. Para o presidente do Instituto Oncoclínicas, Carlos Gil Ferreira, as medidas-chave para conter o avanço desses índices estão nas políticas de conscientização sobre a importância do acompanhamento médico periódico e realização de exames de rotina para detecção precoce do câncer. “Elas são a solução para diminuição dos impactos gerados pela doença em aspectos que extrapolam o debate epidemiológico, devendo ser considerado ainda o impacto dessa realidade nos custos, tanto do ponto de vista financeiro quanto humano”. Já para a cirurgiã oncológica, docente na Faseh e mestre em Ciências Aplicadas à Oncologia, Fernanda Parreiras, esse crescimento expressivo reflete, em parte, justamente os avanços na detecção precoce. “Exames mais sensíveis e maior conscientização da população fazem com que hoje encontremos tumores que antes só seriam diagnosticados em estágios avançados. Porém, não podemos atribuir tudo ao diagnóstico, há, de fato, uma verdadeira elevação na ocorrência de alguns tipos de câncer em adultos jovens, que em alguns casos estão relacionados a fatores genéticos e também, ou exclusivamente, aos fatores ambientais, como hábitos de vida associados ao aumento da obesidade, uso e abuso de substâncias químicas, exposição à agentes agressores e outros”. “O sedentarismo, por exemplo, contribui para o acúmulo de gordura corporal e inflamação crônica de baixo grau, ambos ligados a maior risco de câncer de cólon, mama e endométrio. Dietas ricas em ultraprocessados, gorduras saturadas e açúcares refinados promovem obesidade e resistência à insulina, condições prótumorais. Além disso, o estresse crônico altera o equilíbrio hormonal e reduz a eficiência do sistema imunológico em reconhecer e eliminar células anormais. Assim, um estilo de vida desequilibrado cria um ambiente interno que facilita o surgimento e a progressão de tumores”, explica. Prevenção Fernanda destaca que a vacinação contra HPV e hepatite B, reduz significativamente os cânceres de colo de útero, orofaringe e fígado; mudança de hábitos; proteção solar; e aconselhamento genético, em famílias com histórico de câncer precoce, permite rastreamento e intervenções personalizadas, são alguns dos cuidados que as pessoas podem ter para se prevenir. Ela cita ainda alguns sinais de alerta que esse grupo não pode ignorar. “Nódulos ou caroços persistentes em qualquer região do corpo; feridas que não cicatrizam em boca, pele ou genitais; sangramentos anormais nas fezes, na urina, no corrimento vaginal ou no vômito; perda de peso inexplicada superior a 5% do peso corporal em seis meses; dor persistente sem causa aparente; e mudanças na pele, como pintas que alteram de cor, tamanho e bordas irregulares”, finaliza.
Síndrome de Tourette afeta cerca de 80 milhões de pessoas no mundo

A síndrome de Tourette é um transtorno neuropsiquiátrico que se manifesta principalmente durante a infância e adolescência, caracterizado por múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal, presentes por mais de um ano. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome acomete cerca de 1% da população mundial, aproximadamente 80 milhões de pessoas. Segundo a neurologista Camila Borges, “os tiques são movimentos ou vocalizações súbitas, rápidas e recorrentes. Eles podem ser simples, como piscar os olhos, ou complexos, como saltar ou repetir palavras. A coprolalia, que envolve o uso involuntário de palavrões ou expressões inapropriadas, é um sintoma presente em uma minoria dos casos, mas frequentemente associada ao estigma social. É importante compreendê-la como um sintoma neurológico involuntário. Os xingamentos não refletem a personalidade ou os valores da pessoa, mas sim uma condição que está fora de seu controle”. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e na exclusão de outras condições e os tiques variam em intensidade e frequência e tendem a piorar em situações de estresse ou ansiedade. Camila diz que a Tourette raramente aparece sozinha. “É muito comum que venha acompanhada de outros transtornos, como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ansiedade e dificuldades de aprendizagem”. O psiquiatra Rafael Monteiro explica que é essencial que os sintomas estejam presentes por pelo menos um ano e comecem antes dos 18 anos. “Às vezes, os pais demoram a procurar ajuda, achando que os tiques são apenas manias ou nervosismo. Mas quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor é a qualidade de vida da criança”. A síndrome não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas e o impacto na vida do paciente. Em casos leves, muitas vezes, a simples observação e apoio psicológico são suficientes. Nos casos moderados a graves, podem ser indicados medicamentos como antipsicóticos, relaxantes musculares e antidepressivos. “A Terapia de Intervenção Comportamental para Tiques (CBIT) ajuda o paciente a reconhecer o impulso do tique e desenvolver respostas concorrentes para impedir sua manifestação, antipsicóticos são utilizados para reduzir a intensidade dos tiques. Além disso, existem diversos medicamentos que podem ser eficazes, especialmente em crianças”, esclarece. A educação da família e da escola também é fundamental. A empatia e o acolhimento ajudam a reduzir o estigma social e melhoram o desempenho acadêmico e social dos jovens com Tourette”. Monteiro ressalta que apesar de retratada muitas vezes de forma caricata na mídia, a condição é uma condição real que pode ser desafiadora. O desconhecimento sobre a síndrome ainda gera preconceito, isolamento e até bullying. “Informar-se é o primeiro passo para combater o estigma. Pessoas com Tourette são inteligentes, criativas e capazes. Com apoio e tratamento adequado, podem levar uma vida plena”. A cantora Billie Eilish falou abertamente sobre os desafios de conviver com a síndrome de Tourette, descrevendo a experiência como “extremamente exaustiva”. Durante uma participação em um programa em 2022, ela foi registrada tendo um tique enquanto conversava com o entrevistador. A artista afirmou que sente grande satisfação em compartilhar sua vivência com a condição, pois acredita na importância de falar sobre o assunto. No entanto, ela também destacou que nem todos reagem bem quando presenciam um de seus tiques.
Sintomas de Parkinson vão além dos tremores

Doença que atinge cerca de 200 mil brasileiros, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Parkinson acontece devido à degeneração das células situadas em uma região do cérebro chamada substância negra. Elas produzem a dopamina, que conduz as correntes nervosas (neurotransmissores) ao corpo. A falta ou diminuição dela afeta os movimentos do paciente, causando os sintomas. A doença pode afetar qualquer indivíduo, mas tende a atingir os mais idosos. A grande maioria das pessoas, geralmente, apresenta os primeiros sintomas a partir dos 50 anos. Porém, também pode surgir em idades mais jovens, embora os casos sejam mais raros. O neurologista Augusto Coelho explica que cerca de 80% dos pacientes com Parkinson têm tremores, mas esclarece que esse não é um sintoma definidor para o diagnóstico da doença. “O mais importante é a lentidão, pois, sem ela, não tem como fazer o diagnóstico. Outro sintoma que é muito marcante também é uma rigidez nos braços e pernas, que causa dores aos pacientes em muitos casos”. “Hoje nós sabemos que existe uma série de outros sintomas não motores que podem acontecer até muito mais precocemente do que o tremor e a lentidão. Por exemplo, destaco o intestino preso, alguns distúrbios do sono e dificuldade em sentir os cheiros, que podem acontecer até dez anos antes do tremor e da lentidão”, acrescenta. A aposentada Cleide Lovato recebeu o diagnóstico de Parkinson aos 45 anos. “Comecei a perceber um pequeno tremor no meu dedo, o polegar da mão esquerda, e depois percebi que a minha perna esquerda estava arrastando quando eu caminhava. Fui em busca de um neurologista para saber o que estava acontecendo. Hoje em dia, consigo fazer serviços domésticos, além de manter uma rotina de cuidados contando com terapias coadjuvantes da doença. Não esconda a doença, mantenha sua rotina de atividades o mais próximo possível do que você fazia antes”. Diagnóstico Coelho destaca que o diagnóstico para o Parkinson acontece a partir de uma avaliação clínica. “Buscamos verificar se o paciente está com um histórico condizente com a evolução clínica da doença e, especialmente, com exame neurológico e exame físico, procurando tremor, lentidão e rigidez. Exames de imagem podem ser usados, mas para descartar outras possibilidades”. Conscientização é importante Ele avalia que quanto mais a população compreender a doença, mais fácil será dar um suporte aos pacientes. “Uma das formas é a sociedade se organizar para conseguir que eles tenham esse acompanhamento multidisciplinar. No dia a dia, respeitar as limitações que esses pacientes podem ter ao longo da vida é algo essencial”. Os pacientes e também familiares devem ficar atentos à oferta de tratamentos milagrosos para a cura da doença nas redes sociais, lembra o neurologista. “Qualquer tipo de tratamento que esteja fora do que foi estudado pela comunidade científica deve ser verificado em fontes confiáveis”, finaliza. Mês da tulipa vermelha O quarto mês do ano é dedicado à conscientização da doença. Desde 1998, no dia 11 de abril é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson.