Entre 5% a 17% da população mundial é acometida pela dislexia

Outubro é mundialmente reconhecido como o mês de conscientização da dislexia, um período dedicado a informar, educar e combater o estigma em torno desse transtorno de aprendizagem que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 5% a 17% da população possa ter dislexia, de acordo com dados da Associação Brasileira de Dislexia (ABD). Embora comum, o transtorno ainda é cercado por desinformação, o que compromete o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e, principalmente, a inclusão dos disléxicos na sociedade. A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizado por dificuldades no reconhecimento preciso e/ou fluente de palavras, na habilidade de decodificação e na soletração. Essas dificuldades costumam resultar de um déficit no componente fonológico da linguagem. Segundo a neuropsicóloga Clara Nogueira, a condição não está relacionada à inteligência, mas sim à forma como o cérebro processa as informações linguísticas. “O cérebro de uma pessoa com dislexia funciona de maneira diferente quando ela precisa ler ou escrever. Não se trata de preguiça ou desatenção, como muitos ainda pensam, mas de uma diferença neurológica real. É fundamental que pais, professores e a sociedade em geral entendam isso para evitar julgamentos errôneos e promover um ambiente de aprendizagem mais acolhedor”. Embora os primeiros sinais da dislexia possam ser observados já na educação infantil, muitas crianças chegam ao ensino fundamental sem diagnóstico. A identificação precoce é crucial, pois permite intervenções mais eficazes e evita impactos negativos na autoestima e no desenvolvimento emocional da criança. “Muitas vezes, o aluno disléxico é visto como alguém preguiçoso ou desinteressado, quando na verdade ele está se esforçando o dobro dos outros para acompanhar a aula, se os sinais forem reconhecidos logo nos primeiros anos, o suporte pode ser dado de forma personalizada, respeitando o tempo e as necessidades do aluno”, explica. Entre os sintomas mais comuns da dislexia estão a troca de letras com sons parecidos (como “p” e “b”, “f” e “v”), dificuldade para reconhecer rimas ou segmentar palavras em sílabas, escrita espelhada, lentidão na leitura e dificuldade para compreender o que foi lido. No entanto, cada caso é único, e a intensidade dos sintomas pode variar. O diagnóstico é feito por uma equipe multidisciplinar, geralmente composta por psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo e, em alguns casos, neurologista. Não existe um exame laboratorial para a dislexia, o processo envolve uma análise minuciosa do histórico do indivíduo, testes cognitivos, avaliações de linguagem e observação comportamental. Apesar da doença não ter cura, ela pode ser gerenciada com sucesso por meio de intervenções profissionais, além de adaptações no ambiente escolar. O apoio da família também é crucial para garantir que a criança ou o adolescente se sinta valorizado e compreendido. “Não estamos falando de um déficit de capacidade, e sim de uma diferença na forma de aprender. Com estratégias adequadas, uso de tecnologias assistivas e reforço positivo, o disléxico pode desenvolver seu potencial ao máximo”, ressalta a fonoaudióloga Beatriz Almeida. Ela diz que entre as estratégias mais eficazes estão a utilização de métodos multissensoriais, que combinam visão, audição e tato, softwares de leitura em voz alta, audiobooks, além de atividades específicas para fortalecer a consciência fonológica. A adoção de provas orais ou com tempo ampliado também é uma prática cada vez mais comum nas escolas inclusivas. Mesmo com os avanços, ainda há muito a ser feito em termos de aceitação e compreensão. Muitas pessoas com dislexia convivem com o estigma e enfrentam dificuldades para se adaptar a sistemas educacionais e ambientes de trabalho que priorizam a leitura e a escrita de forma rígida, sem considerar as diferentes formas de aprender. “Precisamos quebrar a ideia de que há apenas uma maneira ‘correta’ de aprender e expressar conhecimento, um aluno que não lê bem pode ser brilhante em artes, matemática, música ou pensamento crítico. A escola deve ser um espaço onde essa pluralidade seja valorizada, e não punida”, conclui.
Mudança na diretriz reforça prevenção contra a hipertensão

O tradicional “12 por 8” (120/80 mmHg), antes considerado normal, passou a ser classificado como pré-hipertensão, servindo como alerta precoce para cuidados de saúde. A mudança foi apresentada na nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, divulgada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), que altera a forma como a pressão arterial deve ser interpretada e acompanhada no país. O cardiologista Juan Ferreira explica que a mudança não significa que todos serão rotulados como doentes. “A mudança amplia a faixa de atenção para detectarmos mais cedo quem tende a subir a pressão nos próximos anos. O termo pré-hipertensão não é sinônimo de hipertensão; é um sinal para agir antes, com o objetivo de não atingirmos o corte de 140/90 mmHg. A finalidade é prevenção e personalização do cuidado, não medicalizar todo mundo”. Com a nova diretriz, pacientes na faixa de pré-hipertensão devem priorizar hábitos saudáveis para evitar a progressão do quadro. Mas nem sempre é fácil, segundo Ferreira. “As principais barreiras são a rotina exaustiva, custo e acesso restrito a alimentos in natura, falta de locais seguros para praticar atividade física, baixa informação em saúde e comorbidades, como ansiedade e obesidade. Estratégias simples funcionam: metas semanais pequenas, informações claras e acompanhamento por equipe multiprofissional”. Outro ponto que recebeu destaque na nova diretriz foi a aferição da pressão arterial em casa. Segundo o cardiologista, alguns erros são comuns ao fazer o procedimento por conta própria. “Manguito inadequado para o braço, braço sem apoio na altura do coração, falar ou se mexer durante a medida, medir logo após café ou exercício, bexiga cheia e fazer só uma leitura isolada. Esses erros podem criar a falsa ideia de hipertensão do avental branco ou mascarada, levando a diagnósticos equivocados”, alerta o cardiologista. Também mudou o início antecipado da medicação para pacientes de hipertensão estágio 1 e baixo risco. De acordo com Ferreira, essa alteração deve trazer alguns benefícios, como a queda adicional da pressão e a prevenção de eventos a longo prazo. “Muitos pacientes resistem às mudanças no estilo de vida e acabam ficando anos sem tratamento adequado. A nova diretriz busca corrigir essa leniência”. “A meta agora é manter a pressão abaixo de 130/80 mmHg para todos os hipertensos. Na prática, vamos intensificar o tratamento com alvo único e claro, usar mais combinações em dose fixa para facilitar a adesão e checar a tolerância, principalmente em idosos frágeis”, acrescenta. Impactos no Brasil O país tem cerca de 28% de adultos hipertensos, e apenas um terço mantém a pressão controlada. Na avaliação de Ferreira, a nova diretriz pode ajudar a reduzir complicações cardiovasculares graves. “As mudanças trazem três alavancas: diagnóstico mais cedo, alvos claros e estratificação de risco com terapias simplificadas. Isso melhora a adesão, reduz o subtratamento e aumenta a chance de desfechos melhores”. Mitos e verdades A cardiologista Fernanda Weiler esclarece equívocos comuns em relação à pressão arterial. Mito: 12 por 8 significa tranquilidade total. “Esse valor já indica maior risco do que números abaixo de 120/80 mmHg. É um sinal de alerta, não de normalidade”. Mito: pré-hipertensão leva automaticamente ao uso de remédios. “Em geral, o primeiro passo é mudar o estilo de vida. Medicamentos só são considerados em casos de alto risco cardiovascular ou se após meses de ajustes, os valores seguirem elevados”. Mito: só pessoas mais velhas precisam se preocupar. “A hipertensão pode aparecer em adultos jovens. Prevenir cedo reduz complicações como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)”. Verdade: prevenir cedo traz benefícios duradouros. “A atualização nos dá uma janela de ação importante: intervir quando o quadro ainda é reversível pode salvar vidas”.
Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais

De acordo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais. Distúrbios de saúde mental, como ansiedade e depressão, estão entre os mais comuns em diferentes regiões do mundo, atingindo indivíduos de todas as idades e classes sociais. Essas condições são hoje a segunda principal causa de incapacidade prolongada, impactando negativamente a qualidade de vida. Além disso, elevam os gastos com cuidados de saúde para pacientes e familiares, e geram prejuízos econômicos significativos em nível global. O suicídio permanece como uma das consequências mais trágicas dos transtornos mentais, sendo responsável por cerca de 727 mil mortes apenas em 2021. Trata-se de uma das principais causas de óbito entre jovens, independentemente do país ou da condição socioeconômica. Embora existam iniciativas globais para enfrentar o problema, os avanços ainda são insuficientes para alcançar a meta estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que prevê a redução em um terço das taxas de suicídio até 2030. No ritmo atual, estima-se que a diminuição chegue a apenas 12% até o fim da década. Além disso, os investimentos na área seguem estagnados. Segundo o relatório Mental Health Atlas 2024, os governos continuam destinando, em média, apenas 2% dos orçamentos nacionais à saúde mental, um percentual que permanece inalterado desde 2017. Além disso, estima-se que apenas 9% das pessoas com depressão no mundo recebam um tratamento minimamente adequado. Para muitos especialistas, o principal obstáculo para o avanço da saúde mental no mundo é a persistência do estigma. “Ainda é cercada de preconceitos, o que impede tanto a população quanto os governos de tratarem o tema com a seriedade exigida. Durante décadas, a sociedade associou transtornos mentais à fraqueza de caráter ou à loucura, criando uma barreira para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado”, afirma a psicóloga Lara Fagundes. “Isso faz com que muitas pessoas demorem a procurar ajuda, ou sequer reconheçam que estão enfrentando um problema de saúde mental. Além disso, a falta de informação e a baixa priorização da saúde mental nas políticas públicas impedem avanços significativos na área”, completa. Ela reforça que é preciso romper com a ideia de que a saúde mental é uma questão individual. “Transtornos mentais não escolhem classe social, idade ou país. Eles impactam a produtividade, aumentam os custos com saúde, afetam o desempenho escolar e contribuem para o agravamento de outras doenças crônicas. Quando uma pessoa não tem acesso ao tratamento, o prejuízo não é só dela, mas de toda a sociedade”. O psiquiatra Marcelo Tavares defende que o primeiro passo para transformar esse cenário é integrar a saúde mental ao sistema de saúde como um todo, em vez de tratá-la como algo isolado. “Não basta ter um hospital psiquiátrico na capital. É preciso garantir que unidades básicas de saúde tenham profissionais capacitados para identificar e tratar transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão. A saúde mental precisa estar na atenção primária”. Os especialistas concordam que é possível reverter o atual cenário de negligência, mas isso exige ações coordenadas em diversas frentes. Entre as medidas apontadas como prioritárias estão o aumento dos investimentos públicos na área, a formação e valorização de profissionais especializados, campanhas permanentes de conscientização e combate ao estigma, e a ampliação da rede de atendimento psicossocial. “A mudança passa pela vontade política, hoje, com a tecnologia e os conhecimentos que temos, já é possível oferecer cuidados eficazes com baixo custo, especialmente para os casos mais comuns. Mas é necessário que os gestores públicos entendam que a saúde mental deve ser tratada como prioridade, não como um luxo”, explica Tavares. A psicóloga também destaca a importância da escola e do ambiente de trabalho como espaços de cuidado e prevenção. “A saúde mental deve ser promovida desde cedo, com programas que abordem habilidades socioemocionais, convivência, autoestima e manejo do estresse. Isso reduz a incidência de transtornos e melhora a qualidade de vida”.
Índice de vacinação infantil no país enfrenta crise prolongada

O Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) com parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), revela uma queda contínua e generalizada nas coberturas vacinais infantis a partir de 2015, intensificada em alguns casos após 2020. Apesar da recuperação iniciada em 2022 e acelerada em 2023, o relatório mostra que nenhuma das vacinas infantis do calendário nacional atingiu as metas de cobertura estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em todos os estados em 2023. A pesquisa destaca o abandono vacinal como um problema crônico: vacinas que exigem múltiplas doses, como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), apresentam altas taxas de evasão entre a primeira e a segunda dose. Em alguns estados, esse indicador ultrapassa os 50%, comprometendo a efetividade da imunização e aumentando o risco de reintrodução de doenças controladas. Em termos populacionais, o relatório aponta que, apesar da recuperação observada, em 2023, 80% ou mais da população brasileira ainda vivia em municípios que não atingiram as metas de cobertura vacinal estabelecidas pelo PNI para a maioria das vacinas analisadas individualmente. Na avaliação da presidente do IQC, Natália Pasternak, esse cenário evidencia a importância da transparência e da sistematização do acompanhamento dos indicadores relativos à vacinação. “Precisamos de dados, estratégia e compromisso institucional com a ciência e a prevenção”. Para o infectologista da Unimed-BH, Adelino de Melo Freire Júnior, a queda se dá por uma série de fatores. “Sendo os principais a desinformação sobre vacinas e a hesitação dos pais, que se acentuaram após a pandemia de COVID-19. Tivemos também problemas em relação às políticas públicas e com a cadeia de distribuição de vacinas nesses últimos anos. Apesar dos avanços, muitas regiões ainda não atingiram as metas de cobertura. Isso mostra que o impacto desses fatores leva bastante tempo para ser revertido, sobretudo quando falamos de credibilidade quanto à segurança e eficácia dos imunizantes”. “Há risco concreto de retorno de doenças como sarampo e poliomielite, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal, o que pode gerar surtos graves. A vacinação infantil é essencial do ponto de vista individual e coletivo. Individualmente, as vacinas protegem contra enfermidades graves, evitam sequelas e mortes, além de reduzir consultas e internações. Do ponto de vista coletivo, restringe a circulação de doenças mais comuns, assim como contribui para a imunidade coletiva, beneficiando toda a população”, ressalta. Metas não atingidas Segundo o Anuário, nenhuma vacina infantil do calendário nacional atingiu a meta de cobertura em todos os estados, com destaque negativo para poliomielite, meningococo C, Hib e varicela, para as quais nenhum estado alcançou a meta naquele ano. A situação da vacina meningocócica C é considerada crítica, pois nenhum estado cumpriu a meta entre 2021 e 2023. O pediatra da Unimed-BH, Bruno Morais Damião, esclarece que só a educação contínua e bem fundamentada é que pode reverter essa confiança que foi abalada a respeito das vacinas. “Temos que ter uma política de saúde pública que garanta o acesso às vacinas, porque não adianta a gente insistir com os pais para vacinar os bebês se as vacinas não estiverem disponíveis”. “E tem que haver uma política global da sociedade a respeito de que a vacina confere a proteção individual, mas também tem um papel social, já que a imunização de uma pessoa leva a proteção das outras ao seu redor. E se todos ao seu redor estiverem imunizados, a chance da entrada de alguma doença infecciosa do exterior se propagar dentro do Brasil diminui. Só a educação e o convencimento podem gerar um índice maior de vacinação”, acrescenta. Freire destaca que é essencial investir em campanhas educativas, combater fake news, envolver líderes comunitários e influenciadores digitais que se comuniquem bem com os pais. “Além de garantir transparência nas informações sobre vacinação na rede pública e privada. Há sinais positivos que os índices vão se manter em ascensão. Mas, o crescimento depende da continuidade das políticas públicas, do combate à desinformação e do engajamento da sociedade”, finaliza.
Mulheres sofrem mais com a síndrome das pernas inquietas

A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é uma condição neurológica que atinge entre 5% e 8% da população mundial. Caracterizada pela necessidade irresistível de movimentar as pernas, principalmente durante o repouso ou à noite, a enfermidade pode trazer impactos significativos para a qualidade de vida dos pacientes. Embora possa afetar qualquer pessoa, estudos indicam que a síndrome é mais frequente em mulheres, sobretudo naquelas que passaram por múltiplas gestações e em pessoas com mais de 40 anos. O desconforto costuma se intensificar à noite, prejudicando o sono e resultando em consequências como fadiga diurna, alterações de humor e dificuldades cognitivas. “É uma doença que pode ser primária, ligada a fatores genéticos e transmissão familiar, ou secundária, associada a patologias como deficiência de ferro e diabetes. Ela prejudica extremamente a qualidade do sono dessas pacientes, diminuindo a capacidade intelectual e aumentando a fadiga durante o dia”, explica o reumatologista Marcelo Cruz Rezende, membro da Comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Entre as causas associadas à síndrome das pernas inquietas estão condições como artrite reumatoide, insuficiência renal, diabetes e algumas doenças neurológicas. A relação com distúrbios do sono é um dos pontos mais preocupantes, já que a privação do descanso adequado pode comprometer atividades cotidianas, produtividade no trabalho e até a saúde mental. De acordo com Rezende, os principais fatores de risco são a deficiência de ferro e a gravidez. “Cerca de 20% a 25% das mulheres apresentam sintomas durante a gestação, principalmente no terceiro trimestre. A menstruação reduz a concentração de ferro no organismo, tornando as mulheres mais vulneráveis à síndrome”. O diagnóstico ainda é um desafio, pois muitos confundem os sintomas com cãibras, má circulação ou simples nervosismo. Segundo Rezende, identificar os sinais de alerta é essencial para evitar a progressão e buscar tratamento adequado com um especialista. “Não existe um sinal de alerta específico. O que deve ser levado em conta é que, se o paciente não relatar a sensação de pernas inquietas, dificilmente o médico perguntará. Muitas vezes, o profissional trata o distúrbio do sono, mas não investiga a causa real”. O tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Nos casos mais leves, recomenda-se investir em estratégias não farmacológicas, como massagens, alongamentos, exercícios aeróbicos e higiene do sono. Já para situações moderadas a graves, podem ser prescritos medicamentos de uso contínuo ou em períodos específicos. “Os principais tratamentos hoje incluem a pregabalina, medicamentos antiparkinsonianos e a reposição de ferro. Em casos muito refratários, até opioides podem ser usados para tentar melhorar a qualidade do sono. Além disso, terapias também podem auxiliar”, detalha o reumatologista. Apesar de a ciência avançar, o especialista afirma que ainda não existem grandes novidades no campo da síndrome das pernas inquietas. O diagnóstico continua sendo clínico, dependendo do relato do paciente, e o tratamento apresenta bons resultados em cerca de dois terços dos casos. “A importância de procurar um especialista é fundamental. Reumatologistas e neurologistas clínicos são os profissionais mais indicados para diagnosticar e tratar a síndrome, ajudando os pacientes a recuperar qualidade de vida”, finaliza.
Mortalidade por câncer colorretal pode subir 36% em 15 anos

Segundo a projeção do 9º volume do Boletim Info.oncollect, da Fundação do Câncer, a mortalidade por câncer colorretal deve aumentar 36,3% nos próximos 15 anos no Brasil. O crescimento dos óbitos entre os homens será de 35% até 2040 e, entre as mulheres, de 37,63%. Ainda conforme a pesquisa, a região Sudeste deverá ter um aumento de 34% nos óbitos e também irá concentrar o maior número absoluto de mortes. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os cânceres de cólon e reto são os terceiros mais frequentes do Brasil, com cerca de 45 mil novos registros por ano, estimativa para o triênio de 2023 a 2025. A gravidade do câncer colorretal está diretamente relacionada ao estágio em que é diagnosticado, segundo o estudo. Apesar de avanços em prevenção e diagnóstico precoce, a letalidade permanece elevada, sobretudo em países de baixa e média renda, onde o acesso ao rastreamento e ao tratamento é limitado. No Brasil, o índice estimado para essa neoplasia variou entre 40% e 60% entre homens e mulheres, o que reflete, em parte, o alto número de casos diagnosticados em estágios avançados. O coordenador da pesquisa, Alfredo Scaff, afirma que muitas vezes a doença se desenvolve de forma lenta, a partir de pequenos pontos que ao longo de anos podem se transformar em câncer. “Em nosso levantamento, 78% das pessoas que vieram a óbito foram diagnosticadas já nos estágios três ou quatro, o que reduz drasticamente as chances de cura”. Segundo o estudo internacional Concord-3 (2010-2014), em países com programas estruturados de rastreamento, a sobrevida em cinco anos pode ultrapassar 65%. Já no Brasil, os índices são inferiores: 48,3% para câncer de cólon e 42,4% para câncer de reto, revelando deficiências no acesso a diagnóstico precoce e tratamento oportuno. A coloproctologista da Unimed-BH, Hilma Nogueira, destaca que os casos de câncer de intestino têm aumentado muito em pacientes jovens. “E na maioria das vezes, acredito que não é só o fator familiar que influencia, mas também a dieta. Ela é pobre em fibras e riquíssima em substâncias químicas, conservantes e acidulantes”. Os principais fatores de risco são justamente a história familiar de câncer e uma dieta inadequada, ressalta a coloproctologista. “Os sintomas são muito discretos, às vezes um pequeno sangramento, uma cólica com gases, o intestino que estava preso fica solto, ou que é solto fica preso. São pequenas alterações que passam despercebidas e dificultam o diagnóstico precoce”. “E o Sistema Único de Saúde (SUS) não consegue dar conta de atender a todos. Existem pessoas esperando para fazer colonoscopia há uns seis ou oito meses, porque a demanda é muito grande. Precisamos de um estudo, de uma análise e de boa vontade para poder melhorar essas condições”, pontua. Orientações Entre as recomendações dos especialistas, além do rastreamento, é que homens e mulheres a partir dos 50 anos façam exames, como os testes de sangue oculto nas fezes e, se necessário, a colonoscopia. Pessoas com histórico familiar e outras condições de risco devem iniciar esse acompanhamento mais cedo, conforme a orientação médica. Hilma esclarece que o tratamento do câncer de intestino é individualizado. “Para cada caso tem um tipo de procedimento. E também depende da posição do tumor no intestino. Os tumores do cólon são tratados com quimioterapia e com cirurgia. Já os do reto com radioterapia e cirurgia”. Ela finaliza destacando que esse tipo de câncer é curável. “Quando tratado na fase inicial, sem metástase, o tumor pode ser retirado e o paciente curado. Os casos circulando na mídia são de pessoas que não fizeram a prevenção e descobriram o problema de forma tardia”.
Casos de hepatite A aumentam em várias regiões brasileiras

O Brasil tem registrado uma preocupante alta nos casos de hepatite A. Dados recentes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostraram que, em 2024, o número de infecções saltou 54,5% em relação ao ano anterior, passando de cerca de 1,1 para 1,7 caso por 100 mil habitantes. Em algumas regiões, como Centro-Oeste, o aumento chegou a 350%, enquanto no Sudeste foi de mais de 57%, e no Sul cerca de 50%. Apesar disso, Norte e Nordeste continuam concentrando a maioria dos casos acumulados desde 2000. Esse cenário gera preocupação entre autoridades sanitárias, principalmente porque esse aumento ocorre em um contexto em que a doença havia sido amplamente controlada na infância. Desde 2014, a vacina contra hepatite A faz parte do calendário nacional infantil, o que causou queda nos casos entre crianças, uma redução de mais de 97% entre menores de 5 anos, e de mais de 99% entre aqueles com até 9 anos. “A hepatite A é transmitida pela via fecal-oral, ou seja, ingestão de água ou alimentos contaminados e contato com ambientes ou pessoas infectadas. A falta de saneamento básico e higiene ainda é um problema sério em muitas regiões, especialmente nas periferias das grandes cidades. Além disso, em populações adultas, práticas sexuais sem proteção vêm sendo identificadas como fatores importantes de transmissão”, explica o epidemiologista Eduardo Salgado. Ele salienta que a doença costuma começar com sintomas inespecíficos, como fadiga, mal-estar, febre e dores musculares. “Podem surgir náuseas, vômito, dor abdominal, diarreia ou constipação. A urina escura costuma anteceder a icterícia (pele e olhos amarelados), o período de incubação varia entre 15 e 50 dias, e os sintomas geralmente duram menos de dois meses”. Segundo a infectologista Beatriz Menezes, o diagnóstico se dá por exame de sangue, que detecta anticorpos anti-HAV IgM, indicando infecção recente. A presença de IgG, por sua vez, sinaliza imunidade prévia (por infecção passada ou vacinação). “Não existe um tratamento específico. O foco é aliviar sintomas, manter hidratação, nutrição adequada e repouso. Hospitalização só é necessária em casos de insuficiência hepática grave, o que é raro, e é importante evitar a automedicação, especialmente com substâncias tóxicas ao fígado”. A médica destaca que a vacinação é a principal estratégia. “No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é em dose única podendo ser aplicada nas crianças de 12 meses e menos de 5 anos. Adultos em grupos de risco (portadores de HIV, hepatopatias, imunossuprimidos, entre outros) podem receber duas doses nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) com intervalo mínimo de 6 meses”. “Além disso, o uso de preservativos, a higienização das mãos, genitália e região anal antes e depois das relações sexuais, são muito importantes para evitar contágio por via oral-anal. A higiene pessoal também é importante, lavar bem as mãos após usar o banheiro e antes de preparar alimentos; higienizar frutas, verduras e utensílios; utilizar água tratada; evitar locais com esgoto exposto ou água contaminada; e cozinhar bem mariscos, peixes e carne suína”, conclui Beatriz. Com o aumento de 54,5% nos casos em 2024, sobretudo entre adultos jovens, especialmente homens de 25 a 29 anos, e com maiores incidências no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, as autoridades reconhecem que o comportamento humano, mudanças nos padrões de exposição e a falta de imunização em adultos são fatores-chave. Enquanto isso, idosos enfrentam risco elevado de evolução para formas graves, entre os 27 óbitos registrados em 2024, a maioria ocorreu em pessoas com 60 anos ou mais. Para combater esse aumento, as campanhas de saúde pública enfatizam a importância da vacina infantil (com baixa cobertura em algumas regiões), da ampliação da oferta vacinal nos CRIE para adultos, e da promoção de higiene básica e saneamento. “Não podemos esperar que o surto volte a ser um pesadelo infantil, precisamos ampliar a imunização adulta e urgente”, afirma Salgado.
Estudo revela uma exigência por médicos atualizados no Brasil

Uma pesquisa realizada pela Associação Médica Brasileira (AMB) apontou que 87% dos brasileiros consideram fundamental que os médicos mantenham seus conhecimentos atualizados. O estudo também apontou que 76% defendem que a atualização do certificado de médico especialista seja obrigatória. Segundo o secretário-geral da AMB, Dr. Florisval Meinão, o resultado confirma uma percepção crescente da sociedade, o avanço constante da medicina exige que os profissionais acompanhem as mudanças. “A medicina muda por completo em poucos anos, com novos procedimentos, exames, técnicas cirúrgicas e avanços científicos. Um médico que não acompanha essa evolução pode oferecer um atendimento defasado. Hoje, o título de especialista pode ter sido obtido há décadas, mas o paciente não sabe se aquele profissional continuou se atualizando”. A pesquisa comparou a importância da atualização médica com outras cinco profissões. Pilotos de avião aparecem em segundo lugar (82%), seguidos por jornalistas (75%), engenheiros (74%), advogados (71%) e arquitetos (68%). O destaque da medicina no ranking está ligado à natureza do trabalho, afirma Meinão. “O médico lida diretamente com vidas humanas. Seus atos podem significar a sobrevivência ou não de um paciente, ou até evitar sequelas graves. A população entende que, se a medicina avança, o médico precisa avançar junto”. A sondagem mostrou ainda que 64% dos brasileiros procurariam informações sobre a qualificação do médico antes de marcar uma consulta, caso esses dados estivessem disponíveis. Para o secretário-geral da AMB, essa é uma evidência de que a sociedade está mais vigilante quanto à qualidade do atendimento. “O paciente ter confiança de que o médico está atualizado fortalece a relação médico-paciente e impacta diretamente na segurança do atendimento”. Mudanças em certificação Meinão defende que o Brasil siga o exemplo de países desenvolvidos, que já adotam sistemas de recertificação periódica, exigindo que médicos comprovem atualização a cada cinco ou dez anos. Ele destaca que, embora haja obstáculos jurídicos para aplicar a regra a profissionais já formados, o país poderia adotar a exigência para novos especialistas. “Se quisermos atender à necessidade da população, teremos de criar instrumentos que obriguem os médicos a se atualizar. É algo que já é rotina em nações de primeiro mundo”. Outro ponto levantado pelo secretário-geral é a expansão acelerada das escolas de medicina no país, muitas vezes sem a estrutura necessária para formar profissionais aptos. “Estamos graduando muitos médicos, mas nem sempre com a qualidade adequada. Faltam professores preparados e hospitais-escola com condições para o ensino prático. Em alguns casos, recém- -formados não dominam conhecimentos básicos da profissão. Por isso, defendemos um exame de proficiência, como o da OAB, para garantir que só ingressem no mercado aqueles realmente preparados”. Para o presidente da AMB, Dr. César Eduardo Fernandes, os resultados reforçam a necessidade de uma estratégia nacional para assegurar a qualidade da assistência médica. “Entendemos que o problema do Brasil não é a falta de médicos, mas sim a qualidade. É preciso ter uma política de provisionamento de médicos que assegure a presença de profissionais qualificados, especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde a resolutividade dos casos depende da capacitação”, conclui.
6 milhões de brasileiros admitem usar o ChatGPT para fazer “terapia”

Cresce o número de pessoas que estão usando o ChatGPT como terapeuta para desabafar seus problemas. Uma estimativa da agência de comportamento Talk Inc afirma que mais de 12 milhões de brasileiros utilizam ferramentas de inteligência artificial para fazer terapia, dos quais cerca de 6 milhões recorrem ao ChatGPT como forma de apoio emocional. De acordo com a pesquisa, 62% dos entrevistados alegam dificuldade financeira para pagar um psicólogo humano e 54% disseram gostar do atendimento 24 horas. Nos Estados Unidos, um estudo do Sentio AI Research mostrou que 18% já usaram o chatbot para falar de saúde mental. O psicólogo e professor da Faseh, Welder Rodrigo Vicente, explica que a popularização do ChatGPT, como espaço de desabafo, está associada a múltiplos fatores. “Destaca-se a acessibilidade imediata, a ausência de julgamento e o anonimato, que reduzem barreiras emocionais e sociais. Muitas pessoas encontram dificuldade em se abrir com amigos, familiares ou até mesmo profissionais, seja por medo, vergonha ou falta de acesso”. “A inteligência artificial oferece respostas rápidas, disponíveis 24 horas por dia, promovendo um ambiente que simula acolhimento e escuta. Além disso, a interface conversacional cria uma sensação de interlocução empática, mesmo que tecnicamente não exista subjetividade na ferramenta”, complementa o profissional. Porém, Vicente salienta que o uso pode trazer riscos. “Entre os principais está a ilusão de estar sendo cuidado ou compreendido por um agente que não possui sensibilidade humana. Isso pode atrasar a busca por ajuda profissional adequada em casos de sofrimento psíquico intenso”. “Há também o risco da dependência emocional, do isolamento social, da validação acrítica de pensamentos distorcidos ou autodepreciativos e da limitação do aprofundamento necessário para o enfrentamento de questões complexas. A inteligência artificial pode confortar momentaneamente, mas não promove intervenções terapêuticas, escuta clínica ou diagnósticos”, acrescenta. Fenômeno crescente A comunidade de saúde mental observa esse fenômeno com interesse e cautela, afirma Vicente. “Por um lado, reconhecemos que o ChatGPT pode ser uma porta de entrada para pessoas que nunca buscaram ajuda antes. Por outro, há preocupação com a banalização do processo terapêutico, com a substituição indevida do profissional e com os impactos do uso massivo de tecnologias não supervisionadas para lidar com sofrimento psíquico. Muitos profissionais têm estudado essas interações e apontado para a necessidade de regulamentações e orientações públicas”. Ele pontua que o ChatGPT pode funcionar como um “espaço-tampão, permitindo que a pessoa organize seus pensamentos, acalme-se ou se sinta menos sozinha em um momento crítico. Pode também ajudar na elaboração inicial de sentimentos, facilitando o processo de verbalização que será retomado em um espaço terapêutico posterior. Além disso, pode oferecer informações úteis sobre saúde mental, autocuidado ou mesmo motivar alguém a procurar ajuda profissional”. “É importante que o uso do ChatGPT, como espaço de desabafo, seja visto com senso crítico e responsabilidade. A tecnologia, por mais avançada que seja, deve ser uma ferramenta de apoio e não uma substituta das relações humanas. Precisamos incentivar a escuta entre pares, fortalecer os vínculos comunitários e democratizar o acesso à saúde mental, para que ninguém precise contar apenas com uma tela quando estiver em sofrimento”, alerta o profissional. Tecnologia O doutor em Engenharia Elétrica, especialista em Inteligência Artificial e professor da Una, Flávio Souza, destaca que a premissa do ChatGPT não é essa. “Apesar de ser criado para ter um tipo de interação, buscar respostas educadas, a ferramenta é baseada em metodologia de análises. Não é feito para ter o efeito psicológico, do tratamento do profissional sobre o seu paciente”. “E ainda há motivos para se atentar à questão de proteção de dados e privacidade. A pessoa que está nesse tipo de situação pode ser que forneça dados e se exponha mais do que deveria ao acessar o recurso da inteligência artificial. É importante utilizar a ferramenta como forma analítica ou como um apoio ao profissional de saúde”, finaliza.
Prevenção à leishmaniose ganha destaque no mês de agosto

A leishmaniose é uma doença infecciosa grave, provocada por parasitas do gênero Leishmania, que tem causado preocupação entre autoridades de saúde pública, médicos veterinários e especialistas em zoonoses no Brasil. Por isso, a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose, criada pela Lei nº 12.604/2012, promove a conscientização da população por meio de ações educativas, divulgando informações sobre a doença, suas formas de transmissão e maneiras de preveni-la. Ela é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das enfermidades negligenciadas mais relevantes globalmente. Essa condição afeta, com maior incidência, comunidades em situação de vulnerabilidade social, especialmente entre crianças. Segundo dados da OMS, o Brasil concentra a maior parte dos casos registrados em escala mundial. “Ainda é uma doença negligenciada, tanto pelo poder público quanto pela sociedade em geral. Isso ocorre porque ela atinge, em sua maioria, populações vulneráveis e animais em áreas menos favorecidas. Porém, o número crescente de casos urbanos entre humanos e cães tem mostrado que precisamos tratar essa questão como prioridade sanitária”, explica a infectologista Fernanda Diniz. O contágio ocorre por meio da picada do mosquito-palha, que se infecta ao sugar o sangue de um animal ou pessoa doente e, posteriormente, transmite o parasita a um novo hospedeiro. “Em humanos, a manifestação pode variar da forma cutânea, com lesões na pele, geralmente indolores, mas que causam deformações se não forem tratadas. A visceral se apresenta com febre prolongada, perda de peso, aumento do fígado e baço, anemia e fraqueza generalizada, podendo levar à morte se não for tratada”. “Exames laboratoriais como o PCR e a punção de medula óssea são essenciais para confirmar a infecção. O tratamento da leishmaniose humana é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e inclui o uso de medicamentos”, completa. De acordo com a veterinária Patrícia Lemos, “nos cães, a infecção pode permanecer assintomática por longos períodos, o que contribui para a disseminação silenciosa da doença. Já os sintomas incluem emagrecimento progressivo, crescimento exagerado das unhas, feridas na pele de difícil cicatrização, queda de pelos, lesões oculares e apatia. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Utilizamos exames sorológicos que identificam a presença de anticorpos”. Patrícia ressalta que o cenário é mais complexo nos bichos. “Por muitos anos, o tratamento canino era desestimulado pela legislação brasileira, sob a alegação de que os animais continuariam como fontes de infecção. No entanto, com o surgimento de medicamentos específicos e protocolos mais seguros, o tratamento passou a ser permitido, desde que autorizado por órgãos de vigilância e que os tutores se comprometam a realizar o controle do vetor”. As estratégias de prevenção envolvem uma combinação de ações educativas, controle do vetor, diagnóstico precoce e manejo adequado dos animais. “O uso de coleiras repelentes impregnadas com inseticidas tem se mostrado eficaz na proteção dos cães, assim como vacinas licenciadas no Brasil, que ajudam a reduzir a carga parasitária e a probabilidade de infecção”. Eliminar criadouros do mosquito-palha, como matéria orgânica acumulada em quintais, folhas em decomposição e restos de alimento, é uma medida simples e eficaz. “O papel dos tutores de animais também é decisivo. Fazer um acompanhamento veterinário regular é essencial para conter o avanço da doença. Cães doentes e abandonados acabam se tornando fontes de infecção em áreas públicas e contribuem para o agravamento do problema”, conclui Patrícia.