Preconceito impede o diagnóstico antecipado do câncer de próstata

O “Novembro Azul” se tornou a principal campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de próstata, o tumor mais frequente entre os homens brasileiros, excluindo o câncer de pele não melanoma. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 71.730 novos diagnósticos devem ser registrados por ano no Brasil. A cada oito minutos, um novo caso é confirmado. E a cada 40 minutos, um homem morre em decorrência da doença. Mesmo diante desses números alarmantes, parte significativa da população masculina ainda evita a prevenção. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostra que dois terços dos homens não fazem o toque retal e metade nunca realizou o exame de PSA (antígeno prostático específico). “A ausência acontece principalmente devido ao preconceito. Esses dois testes são os que vão mostrar se é necessário fazer uma biópsia de próstata”, alerta o urologista Rodrigo Trivilato. Ele reforça que o tumor evolui de forma silenciosa e costuma não apresentar sintomas. “Quando ocorre dificuldade para urinar, diminuição do jato urinário, vontade frequente de urinar, dor óssea e presença de sangue na urina ou no sêmen, provavelmente, o tumor já está em estágio mais avançado”. A próstata é uma glândula que sofre naturalmente alterações com a idade. Trivilato orienta que homens negros ou com histórico familiar devem começar o acompanhamento aos 45 anos e para os demais, aos 50. “Essas faixas etárias precisam fazer o PSA e o toque prostático. Quanto mais cedo diagnosticado, maior a chance de cura, chegando a 90%”. Além do acompanhamento médico, é importante que os homens adotem hábitos saudáveis. “Uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e controle do peso, tem impacto direto na prevenção, inclusive no tratamento e na recuperação dos pacientes”, complementa. O urologista também destaca a importância de campanhas de conscientização, como o “Novembro Azul”. “O mais importante é levar informação correta para o paciente e desmistificar o preconceito ou medo em relação ao exame de toque”. Cirurgia robótica O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Rodrigo Nascimento Pinheiro, também alerta que a grande barreira ainda é o diagnóstico tardio. “O diagnóstico precoce possibilita o tratamento curativo, muitas vezes com técnicas minimamente invasivas e melhores resultados funcionais, como a cirurgia robótica incorporada em outubro pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”. “Estamos falando de uma tecnologia que oferece resultados mais efetivos aos pacientes e que agora estará disponível a todos. Este cenário reforça a importância de políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico precoce e à ampliação do acesso a tratamentos de ponta”, acrescenta Pinheiro. Tratamento Pinheiro lembra que o tratamento do câncer de próstata é definido conforme o estágio e a agressividade da doença, bem como o perfil do paciente. Nos casos iniciais, pode-se adotar a vigilância ativa, que consiste em monitorar o tumor sem intervenção imediata, sendo indicada principalmente para neoplasias de baixo risco. Nos tumores localizados, o tratamento curativo envolve cirurgia e/ou radioterapia, enquanto nos casos localmente avançados recomenda-se a combinação de cirurgia ou radioterapia com bloqueio hormonal. Já nas situações de metástase, o tratamento mais indicado é a terapia hormonal, podendo ser associada à quimioterapia ou novos agentes antiandrogênicos. “O cirurgião oncológico, junto à equipe multidisciplinar, deve individualizar o plano terapêutico, considerando as características do tumor, o estágio da doença e as condições clínicas do paciente”, conclui.
Número de fumantes no Brasil cresce após quase duas décadas

A proporção de adultos fumantes nas capitais brasileiras saltou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024. Um crescimento de 25% em apenas um ano, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde. É a primeira vez, em quase duas décadas, que o número de fumantes no Brasil aumentou, quebrando uma tendência histórica de queda. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta ainda que um em cada nove adolescentes afirma que usa cigarro eletrônico. A quantidade de usuários jovens já é cinco vezes o total daqueles que fumam o cigarro tradicional. Segundo o governo, o impacto total do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS) é de R$ 153 bilhões por ano, sendo que apenas 5% desse valor é arrecadado em impostos com a venda de cigarros. No país, mais de 174 mil pessoas morrem a cada ano por doenças causadas pelo tabaco, sendo 55 mil por câncer. Já no mundo, são oito milhões de óbitos anuais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O pneumologista da Unimed-BH e presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SMPCT), Daniel Bretas, esclarece que esse aumento tem relação muito expressiva com as estratégias de mercado das indústrias tabagistas. “Seguindo toda essa tendência mundial de fazer dispositivos mais modernos; atrativos visualmente; com odores mais agradáveis; com fumaças mais bonitas, entre aspas; e a utilização de influencers na divulgação. São estratégias parecidas que eram feitas no passado, associadas a glamurização”. “Por fim, e talvez o mais importante, houve uma mudança do sal de nicotina. O cigarro convencional tem um sal de nicotina que leva uma irritação de via aérea superior, que foi modernizado no cigarro eletrônico, propiciando concentrações muito maiores e uma tendência do organismo de adaptação dessas quantidades tão grandes. Isso eleva o grau de vício que os cigarros eletrônicos têm em relação ao convencional”, complementa. Para Bretas, a elevação dos índices tem total relação com a entrada do cigarro eletrônico no mercado, não só no Brasil, mas no mundo todo. “A intensidade maior de crescimento de uso é entre as mulheres e estudos mostram que os pacientes que utilizam cigarro eletrônico têm um risco maior de utilizar o cigarro convencional e outras drogas. Podendo ainda funcionar como um degrau para outras formas de fumar até o cigarro convencional”. Danos à saúde O especialista ressalta que os principais riscos à saúde associados ao cigarro, de uma forma geral, é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que seria a bronquite crônica e o enfisema pulmonar. “Além de câncer de pulmão e em outras localidades; acidente vascular cerebral; infarto agudo do miocárdio; e insuficiência vascular periférica, sabemos que as principais causas de amputações não traumáticas têm relação com tabagismo”. Sobre a exposição do tabagismo em crianças e adolescentes, a preocupação é muito grande, afirma o presidente. “Estamos inserindo essa parcela da população a grandes quantidades de nicotina. A nicotina, além de ter um poder de vício enorme, está associada a danos cardiovasculares. E isso traz um risco cada vez maior de ter mais precocemente infarto do coração, e acidente vascular cerebral, que são os derrames”. Velhos hábitos O administrador e consultor empresarial, Túlio Diniz, conta que o cigarro acaba virando um hábito diante de algumas situações do dia a dia. “Por exemplo, após almoço. E a principal dificuldade foi quebrar esses velhos hábitos já enraizados. Troquei o cigarro por bala nesses momentos. Superar um vício de mais de 25 anos não foi fácil e até hoje sinto vontade de fumar. A atividade física foi fundamental para essa conquista, pois junto, veio a alimentação saudável, melhora no sono, aumento de performance nos treinos e no trabalho, gerando resultados e satisfação”. Relacionado ao tema, a SMPCT está organizando uma corrida chamada “O2 Run: Abandone o Tabagismo Correndo”. Será realizada na Lagoa Seca, no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, no dia 14 de dezembro. Link de inscrição: tbhesportes.com.br/ o2run/#1727983868380- -2e7f1314-126e.
País registrou 1.148 casos de coqueluche entre janeiro e agosto

O número de casos de coqueluche entre crianças teve um crescimento alarmante de mais de 1.200% no Brasil, de acordo com dados do Observatório de Saúde na Infância. Só em 2024, foram contabilizados pelo menos 2.152 casos da infecção em crianças com menos de 5 anos, grupo considerado o mais suscetível a complicações graves. Esse total supera a soma dos casos registrados nos cinco anos anteriores. Entre as crianças afetadas, 665 precisaram de hospitalização e 14 vieram a óbito, número superior às dez mortes registradas entre 2019 e 2023. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 90% dos bebês e 86% das gestantes foram vacinados contra a coqueluche no ano passado, superando os índices registrados em 2013. No entanto, o Observatório alerta que a meta ideal de 95% de cobertura vacinal ainda não foi alcançada. Além disso, pessoas não imunizadas, como crianças mais velhas e adultos, também podem contrair e transmitir a doença, que, embora possa afetar todas as faixas etárias, costuma ser mais grave entre os menores. Até agosto deste ano, os dados apontam uma leve redução nos números, embora os índices continuem elevados: foram contabilizados 1.148 casos, dos quais 577 resultaram em internações. A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis. Altamente contagiosa, ela provoca uma inflamação grave das vias aéreas e pode ser especialmente perigosa para bebês e crianças com menos de um ano de idade, que ainda não completaram o esquema vacinal. “A doença já esteve sob controle por meio da vacinação. Esse aumento vertiginoso de casos reflete um acúmulo de fatores, mas a principal explicação está na queda nas coberturas vacinais nos últimos anos”, afirma a infectologista pediátrica Carla Menezes. Segundo a especialista, a coqueluche pode começar com sintomas semelhantes a um resfriado comum, febre baixa, coriza e tosse leve, mas evolui para acessos de tosse severa e prolongada, que podem levar a vômitos, dificuldade para respirar, exaustão e até convulsões. “ N o s l a c te n te s, o quadro pode ser silencioso, sem a tosse clássica, o que torna o diagnóstico mais difícil. Muitas vezes, o primeiro sinal é uma parada respiratória súbita, o que é extremamente perigoso”, completa. “A coqueluche é uma doença prevenível por vacina. Quando temos uma cobertura vacinal adequada, acima de 90%, o risco de surtos é muito baixo. Mas quando há uma queda contínua, como estamos vendo desde 2016, o risco de reemergência é alto. Infelizmente, é o que está acontecendo agora”, salienta o epidemiologista Ronaldo Vieira. Ele ressalta ainda que a proteção não é apenas individual, mas coletiva. “A vacina protege quem toma, mas também impede a circulação da bactéria na comunidade. Quando a taxa de vacinação cai, mesmo crianças vacinadas parcialmente, como bebês que ainda não completaram o esquema, ficam vulneráveis à infecção”. O diagnóstico pode ser clínico, baseado nos sintomas, mas geralmente é realizado com exames laboratoriais, como a cultura da secreção nasofaríngea ou testes de PCR. No entanto, o tempo para confirmação pode atrasar o início do tratamento, o que agrava o risco de complicações. “O ideal é iniciar o tratamento com antibióticos ainda nos primeiros dias de sintomas, quando há forte suspeita clínica. Nos casos graves, principalmente entre bebês, é necessário internamento para suporte respiratório, hidratação e monitoramento contínuo”, explica Carla. Além disso, a infectologista pediátrica reforça que o tratamento tem pouco efeito sobre os acessos de tosse uma vez que eles já se instalaram, o que reforça a importância da prevenção. “Mesmo com antibiótico, o quadro de tosse pode durar semanas. Por isso, a vacinação continua sendo nossa principal arma”. “É fundamental que a imunização na gestação seja intensificada. A vacina contra coqueluche é recomendada a partir da 20ª semana de gestação, e isso reduz drasticamente o risco de formas graves da doença no recém-nascido. A desinformação, o medo de efeitos colaterais e a negligência com o calendário vacinal estão custando vidas”, conclui Vieira.
Outubro Rosa chama a atenção para reconstrução mamária

O Outubro Rosa busca conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 73.610 novos casos por ano entre 2023 e 2025, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação, ao atendimento médico e aos direitos de tratamento e reabilitação das pacientes. Mais do que alertar para os exames de rotina, a campanha também chama atenção para a autoestima e a reconstrução mamária, que é um direito garantido por lei e uma parte essencial da recuperação emocional das mulheres que passam pela mastectomia. “A reconstrução mamária é um direito garantido por lei desde 1999 no Sistema Único de Saúde (SUS) e desde 2001 na rede privada, para as mulheres vitimadas pelo câncer de mama. Ela representa muito mais que um procedimento cirúrgico, é um ato de resgate da autoestima e da identidade feminina”, destaca a cirurgiã plástica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Dra. Ângela Fausto. Embora o direito esteja assegurado em lei, o acesso ao procedimento ainda é desigual no Brasil. Segundo a cirurgiã, faltam materiais, leitos hospitalares e profissionais especializados em várias regiões do país. “Na prática, as pacientes enfrentam longas filas e muitas vezes, esperam anos para conseguir a reconstrução. A falta de infraestrutura e de planejamento impacta diretamente a dignidade e o bem-estar dessas mulheres”. Ela lembra que a reconstrução mamária faz parte do tratamento integral do câncer de mama e deve ser vista como uma etapa de reabilitação. “A mama é um símbolo de identidade feminina, e sua perda ou deformidade afeta profundamente a autoimagem. A cirurgia devolve qualidade de vida, confiança e dignidade”. Ângela explica que, atualmente, as técnicas são variadas e seguras com opções que utilizam tecido local, enxertos de outras regiões do corpo ou próteses de silicone. “As técnicas reconstrutivas são cada vez mais personalizadas, escolhidas conforme a idade, o tipo de doença, as condições clínicas e o estilo de vida da paciente. O objetivo é sempre garantir resultados estéticos e funcionais, respeitando o tratamento oncológico em curso”. Prevenção e diagnóstico Para o ginecologista e mastologista Rodrigo Pereira de Freitas, o diagnóstico precoce é o fator que mais impacta as chances de cura, podendo ultrapassar 90% quando o tumor é identificado nas fases iniciais. “Ele é o fator que mais impacta as chances de cura do câncer de mama. As principais orientações incluem conhecer o próprio corpo, fazer o exame clínico das mamas anualmente e realizar mamografia a partir dos 40 anos”. Freitas pontua que apesar da ampla divulgação da campanha, muitas mulheres ainda deixam de realizar os exames de rotina. “Essa resistência é multifatorial. Envolve medo do diagnóstico, desinformação e até dificuldades de acesso. A educação em saúde é o caminho mais eficaz para mudar esse cenário, tornando o cuidado um ato de amor próprio”. Ele também alerta para a importância de olhar para a saúde feminina de forma integral. “A mulher é um ser completo. Corpo, mente e hormônios estão interligados. O estresse, o sono irregular e o desequilíbrio hormonal podem influenciar até na resposta ao tratamento oncológico. Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar da física”, reforça. Segundo o especialista, o Outubro Rosa deve ser entendido como um ponto de partida para o autocuidado contínuo. “Outubro é um lembrete, mas o cuidado precisa durar o ano inteiro. Cuidar da saúde é um ato de amor próprio. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores são as chances de cura e de uma vida longa e saudável”. “A informação é a base de tudo. Quando a mulher entende seus direitos e conhece seu corpo, ela se fortalece para enfrentar o tratamento e retomar sua história com confiança e esperança”, finaliza Ângela Fausto.
Aneurisma cerebral é três vezes mais comum nas mulheres

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aneurisma cerebral atinge entre 10 e 15 pessoas à cada 100 mil habitantes. E esse tipo de aneurisma é três vezes mais frequente entre as mulheres. A doença é considerada a mais letal e causa a morte de aproximadamente 50% das vítimas. O cirurgião vascular e endovascular e membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Josualdo Euzébio Silva, afirma que os aneurismas são decorrentes da dilatação anormal de uma das artérias. “Além de caráter cerebral, considerada a mais comum, os vasos do pescoço, abdômen, braços e atrás dos joelhos também são frequentemente atingidos. A causa da condição apresenta uma série de fatores, como a genética, devido a hábitos inadequados adquiridos ao longo da vida e, até mesmo, a idade, sendo mais comum entre os 35 e 60 anos”. O motivo da patologia ser mais comum entre as mulheres, está diretamente ligado à faixa etária, destaca o cirurgião. “Com o início da menopausa, por volta dos 50 anos, o grupo sofre com a queda nos níveis de estrogênio, influenciando, diretamente, na estrutura das paredes das artérias, deixando-as mais enfraquecidas e menos elásticas”. Silva alerta que o grande perigo do aneurisma está na fatalidade. “Sobretudo, porque é conhecido por ser uma doença, muitas vezes assintomática, que apenas apresenta os primeiros sinais quando está prestes a romper, causando dor considerada intensa e repentina, além de outros sinais conforme local atingido”. “O diagnóstico de aneurisma é através de uma avaliação clínica e alguns exames complementares podem ser utilizados. À medida que o aneurisma cresce de diâmetro, vai aumentando o risco de ruptura. Por isso, a importância de fazer o controle, além de uma pesquisa na família, pois pode ter outras pessoas com a doença”, acrescenta. Cuidados Para evitar a fatalidade, o especialista explica que é importante atenção com a saúde vascular e manter consultas periódicas com um cirurgião da área. “Pelo menos, anualmente, sobretudo, quando o indivíduo está dentro dos fatores de risco como idade, doenças secundárias ou histórico familiar”. “O tratamento do aneurisma pode ser clínico, dependendo do diâmetro que ele estiver. Quanto mais cedo o problema é identificado, melhores são as alternativas de procedimentos e, consequentemente, qualidade de vida, elevando as chances de sobrevivência e menos riscos de viver com sequelas”, pontua. Ele ressalta ainda que, muitas vezes, esse processo requer o uso de medicamentos e mudanças nos hábitos de vida. “Seja através da alimentação, abandono do fumo e álcool e exercícios físicos que devem ser feitos conforme recomendação médica, já que nem todas as atividades são recomendadas. Além do controle de pressão e clínico”. Bomba-relógio A neurocientista Ângela Mathylde Soares descobriu o aneurisma através de exames de rotina. “A família toda tem predominância da doença e não apresentei nenhum sintoma. Às vezes, aparecia uma dor na nuca ou na cabeça, mas pensei que fosse a pressão alta. Fiz ressonância no tratamento, e continuo tomando três remédios de pressão durante o dia. Vou ao médico uma vez ao ano, e ao cardiologista e ao neurologista todo mês. A enfermidade me impactou muito no início como uma bomba- -relógio. Fiquei muito preocupada, baixou meu rendimento, mas depois comecei a entrar de novo no cotidiano”, conta.
Entre 5% a 17% da população mundial é acometida pela dislexia

Outubro é mundialmente reconhecido como o mês de conscientização da dislexia, um período dedicado a informar, educar e combater o estigma em torno desse transtorno de aprendizagem que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 5% a 17% da população possa ter dislexia, de acordo com dados da Associação Brasileira de Dislexia (ABD). Embora comum, o transtorno ainda é cercado por desinformação, o que compromete o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e, principalmente, a inclusão dos disléxicos na sociedade. A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizado por dificuldades no reconhecimento preciso e/ou fluente de palavras, na habilidade de decodificação e na soletração. Essas dificuldades costumam resultar de um déficit no componente fonológico da linguagem. Segundo a neuropsicóloga Clara Nogueira, a condição não está relacionada à inteligência, mas sim à forma como o cérebro processa as informações linguísticas. “O cérebro de uma pessoa com dislexia funciona de maneira diferente quando ela precisa ler ou escrever. Não se trata de preguiça ou desatenção, como muitos ainda pensam, mas de uma diferença neurológica real. É fundamental que pais, professores e a sociedade em geral entendam isso para evitar julgamentos errôneos e promover um ambiente de aprendizagem mais acolhedor”. Embora os primeiros sinais da dislexia possam ser observados já na educação infantil, muitas crianças chegam ao ensino fundamental sem diagnóstico. A identificação precoce é crucial, pois permite intervenções mais eficazes e evita impactos negativos na autoestima e no desenvolvimento emocional da criança. “Muitas vezes, o aluno disléxico é visto como alguém preguiçoso ou desinteressado, quando na verdade ele está se esforçando o dobro dos outros para acompanhar a aula, se os sinais forem reconhecidos logo nos primeiros anos, o suporte pode ser dado de forma personalizada, respeitando o tempo e as necessidades do aluno”, explica. Entre os sintomas mais comuns da dislexia estão a troca de letras com sons parecidos (como “p” e “b”, “f” e “v”), dificuldade para reconhecer rimas ou segmentar palavras em sílabas, escrita espelhada, lentidão na leitura e dificuldade para compreender o que foi lido. No entanto, cada caso é único, e a intensidade dos sintomas pode variar. O diagnóstico é feito por uma equipe multidisciplinar, geralmente composta por psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo e, em alguns casos, neurologista. Não existe um exame laboratorial para a dislexia, o processo envolve uma análise minuciosa do histórico do indivíduo, testes cognitivos, avaliações de linguagem e observação comportamental. Apesar da doença não ter cura, ela pode ser gerenciada com sucesso por meio de intervenções profissionais, além de adaptações no ambiente escolar. O apoio da família também é crucial para garantir que a criança ou o adolescente se sinta valorizado e compreendido. “Não estamos falando de um déficit de capacidade, e sim de uma diferença na forma de aprender. Com estratégias adequadas, uso de tecnologias assistivas e reforço positivo, o disléxico pode desenvolver seu potencial ao máximo”, ressalta a fonoaudióloga Beatriz Almeida. Ela diz que entre as estratégias mais eficazes estão a utilização de métodos multissensoriais, que combinam visão, audição e tato, softwares de leitura em voz alta, audiobooks, além de atividades específicas para fortalecer a consciência fonológica. A adoção de provas orais ou com tempo ampliado também é uma prática cada vez mais comum nas escolas inclusivas. Mesmo com os avanços, ainda há muito a ser feito em termos de aceitação e compreensão. Muitas pessoas com dislexia convivem com o estigma e enfrentam dificuldades para se adaptar a sistemas educacionais e ambientes de trabalho que priorizam a leitura e a escrita de forma rígida, sem considerar as diferentes formas de aprender. “Precisamos quebrar a ideia de que há apenas uma maneira ‘correta’ de aprender e expressar conhecimento, um aluno que não lê bem pode ser brilhante em artes, matemática, música ou pensamento crítico. A escola deve ser um espaço onde essa pluralidade seja valorizada, e não punida”, conclui.
Mudança na diretriz reforça prevenção contra a hipertensão

O tradicional “12 por 8” (120/80 mmHg), antes considerado normal, passou a ser classificado como pré-hipertensão, servindo como alerta precoce para cuidados de saúde. A mudança foi apresentada na nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, divulgada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), que altera a forma como a pressão arterial deve ser interpretada e acompanhada no país. O cardiologista Juan Ferreira explica que a mudança não significa que todos serão rotulados como doentes. “A mudança amplia a faixa de atenção para detectarmos mais cedo quem tende a subir a pressão nos próximos anos. O termo pré-hipertensão não é sinônimo de hipertensão; é um sinal para agir antes, com o objetivo de não atingirmos o corte de 140/90 mmHg. A finalidade é prevenção e personalização do cuidado, não medicalizar todo mundo”. Com a nova diretriz, pacientes na faixa de pré-hipertensão devem priorizar hábitos saudáveis para evitar a progressão do quadro. Mas nem sempre é fácil, segundo Ferreira. “As principais barreiras são a rotina exaustiva, custo e acesso restrito a alimentos in natura, falta de locais seguros para praticar atividade física, baixa informação em saúde e comorbidades, como ansiedade e obesidade. Estratégias simples funcionam: metas semanais pequenas, informações claras e acompanhamento por equipe multiprofissional”. Outro ponto que recebeu destaque na nova diretriz foi a aferição da pressão arterial em casa. Segundo o cardiologista, alguns erros são comuns ao fazer o procedimento por conta própria. “Manguito inadequado para o braço, braço sem apoio na altura do coração, falar ou se mexer durante a medida, medir logo após café ou exercício, bexiga cheia e fazer só uma leitura isolada. Esses erros podem criar a falsa ideia de hipertensão do avental branco ou mascarada, levando a diagnósticos equivocados”, alerta o cardiologista. Também mudou o início antecipado da medicação para pacientes de hipertensão estágio 1 e baixo risco. De acordo com Ferreira, essa alteração deve trazer alguns benefícios, como a queda adicional da pressão e a prevenção de eventos a longo prazo. “Muitos pacientes resistem às mudanças no estilo de vida e acabam ficando anos sem tratamento adequado. A nova diretriz busca corrigir essa leniência”. “A meta agora é manter a pressão abaixo de 130/80 mmHg para todos os hipertensos. Na prática, vamos intensificar o tratamento com alvo único e claro, usar mais combinações em dose fixa para facilitar a adesão e checar a tolerância, principalmente em idosos frágeis”, acrescenta. Impactos no Brasil O país tem cerca de 28% de adultos hipertensos, e apenas um terço mantém a pressão controlada. Na avaliação de Ferreira, a nova diretriz pode ajudar a reduzir complicações cardiovasculares graves. “As mudanças trazem três alavancas: diagnóstico mais cedo, alvos claros e estratificação de risco com terapias simplificadas. Isso melhora a adesão, reduz o subtratamento e aumenta a chance de desfechos melhores”. Mitos e verdades A cardiologista Fernanda Weiler esclarece equívocos comuns em relação à pressão arterial. Mito: 12 por 8 significa tranquilidade total. “Esse valor já indica maior risco do que números abaixo de 120/80 mmHg. É um sinal de alerta, não de normalidade”. Mito: pré-hipertensão leva automaticamente ao uso de remédios. “Em geral, o primeiro passo é mudar o estilo de vida. Medicamentos só são considerados em casos de alto risco cardiovascular ou se após meses de ajustes, os valores seguirem elevados”. Mito: só pessoas mais velhas precisam se preocupar. “A hipertensão pode aparecer em adultos jovens. Prevenir cedo reduz complicações como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)”. Verdade: prevenir cedo traz benefícios duradouros. “A atualização nos dá uma janela de ação importante: intervir quando o quadro ainda é reversível pode salvar vidas”.
Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais

De acordo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais. Distúrbios de saúde mental, como ansiedade e depressão, estão entre os mais comuns em diferentes regiões do mundo, atingindo indivíduos de todas as idades e classes sociais. Essas condições são hoje a segunda principal causa de incapacidade prolongada, impactando negativamente a qualidade de vida. Além disso, elevam os gastos com cuidados de saúde para pacientes e familiares, e geram prejuízos econômicos significativos em nível global. O suicídio permanece como uma das consequências mais trágicas dos transtornos mentais, sendo responsável por cerca de 727 mil mortes apenas em 2021. Trata-se de uma das principais causas de óbito entre jovens, independentemente do país ou da condição socioeconômica. Embora existam iniciativas globais para enfrentar o problema, os avanços ainda são insuficientes para alcançar a meta estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que prevê a redução em um terço das taxas de suicídio até 2030. No ritmo atual, estima-se que a diminuição chegue a apenas 12% até o fim da década. Além disso, os investimentos na área seguem estagnados. Segundo o relatório Mental Health Atlas 2024, os governos continuam destinando, em média, apenas 2% dos orçamentos nacionais à saúde mental, um percentual que permanece inalterado desde 2017. Além disso, estima-se que apenas 9% das pessoas com depressão no mundo recebam um tratamento minimamente adequado. Para muitos especialistas, o principal obstáculo para o avanço da saúde mental no mundo é a persistência do estigma. “Ainda é cercada de preconceitos, o que impede tanto a população quanto os governos de tratarem o tema com a seriedade exigida. Durante décadas, a sociedade associou transtornos mentais à fraqueza de caráter ou à loucura, criando uma barreira para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado”, afirma a psicóloga Lara Fagundes. “Isso faz com que muitas pessoas demorem a procurar ajuda, ou sequer reconheçam que estão enfrentando um problema de saúde mental. Além disso, a falta de informação e a baixa priorização da saúde mental nas políticas públicas impedem avanços significativos na área”, completa. Ela reforça que é preciso romper com a ideia de que a saúde mental é uma questão individual. “Transtornos mentais não escolhem classe social, idade ou país. Eles impactam a produtividade, aumentam os custos com saúde, afetam o desempenho escolar e contribuem para o agravamento de outras doenças crônicas. Quando uma pessoa não tem acesso ao tratamento, o prejuízo não é só dela, mas de toda a sociedade”. O psiquiatra Marcelo Tavares defende que o primeiro passo para transformar esse cenário é integrar a saúde mental ao sistema de saúde como um todo, em vez de tratá-la como algo isolado. “Não basta ter um hospital psiquiátrico na capital. É preciso garantir que unidades básicas de saúde tenham profissionais capacitados para identificar e tratar transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão. A saúde mental precisa estar na atenção primária”. Os especialistas concordam que é possível reverter o atual cenário de negligência, mas isso exige ações coordenadas em diversas frentes. Entre as medidas apontadas como prioritárias estão o aumento dos investimentos públicos na área, a formação e valorização de profissionais especializados, campanhas permanentes de conscientização e combate ao estigma, e a ampliação da rede de atendimento psicossocial. “A mudança passa pela vontade política, hoje, com a tecnologia e os conhecimentos que temos, já é possível oferecer cuidados eficazes com baixo custo, especialmente para os casos mais comuns. Mas é necessário que os gestores públicos entendam que a saúde mental deve ser tratada como prioridade, não como um luxo”, explica Tavares. A psicóloga também destaca a importância da escola e do ambiente de trabalho como espaços de cuidado e prevenção. “A saúde mental deve ser promovida desde cedo, com programas que abordem habilidades socioemocionais, convivência, autoestima e manejo do estresse. Isso reduz a incidência de transtornos e melhora a qualidade de vida”.
Índice de vacinação infantil no país enfrenta crise prolongada

O Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) com parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), revela uma queda contínua e generalizada nas coberturas vacinais infantis a partir de 2015, intensificada em alguns casos após 2020. Apesar da recuperação iniciada em 2022 e acelerada em 2023, o relatório mostra que nenhuma das vacinas infantis do calendário nacional atingiu as metas de cobertura estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em todos os estados em 2023. A pesquisa destaca o abandono vacinal como um problema crônico: vacinas que exigem múltiplas doses, como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), apresentam altas taxas de evasão entre a primeira e a segunda dose. Em alguns estados, esse indicador ultrapassa os 50%, comprometendo a efetividade da imunização e aumentando o risco de reintrodução de doenças controladas. Em termos populacionais, o relatório aponta que, apesar da recuperação observada, em 2023, 80% ou mais da população brasileira ainda vivia em municípios que não atingiram as metas de cobertura vacinal estabelecidas pelo PNI para a maioria das vacinas analisadas individualmente. Na avaliação da presidente do IQC, Natália Pasternak, esse cenário evidencia a importância da transparência e da sistematização do acompanhamento dos indicadores relativos à vacinação. “Precisamos de dados, estratégia e compromisso institucional com a ciência e a prevenção”. Para o infectologista da Unimed-BH, Adelino de Melo Freire Júnior, a queda se dá por uma série de fatores. “Sendo os principais a desinformação sobre vacinas e a hesitação dos pais, que se acentuaram após a pandemia de COVID-19. Tivemos também problemas em relação às políticas públicas e com a cadeia de distribuição de vacinas nesses últimos anos. Apesar dos avanços, muitas regiões ainda não atingiram as metas de cobertura. Isso mostra que o impacto desses fatores leva bastante tempo para ser revertido, sobretudo quando falamos de credibilidade quanto à segurança e eficácia dos imunizantes”. “Há risco concreto de retorno de doenças como sarampo e poliomielite, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal, o que pode gerar surtos graves. A vacinação infantil é essencial do ponto de vista individual e coletivo. Individualmente, as vacinas protegem contra enfermidades graves, evitam sequelas e mortes, além de reduzir consultas e internações. Do ponto de vista coletivo, restringe a circulação de doenças mais comuns, assim como contribui para a imunidade coletiva, beneficiando toda a população”, ressalta. Metas não atingidas Segundo o Anuário, nenhuma vacina infantil do calendário nacional atingiu a meta de cobertura em todos os estados, com destaque negativo para poliomielite, meningococo C, Hib e varicela, para as quais nenhum estado alcançou a meta naquele ano. A situação da vacina meningocócica C é considerada crítica, pois nenhum estado cumpriu a meta entre 2021 e 2023. O pediatra da Unimed-BH, Bruno Morais Damião, esclarece que só a educação contínua e bem fundamentada é que pode reverter essa confiança que foi abalada a respeito das vacinas. “Temos que ter uma política de saúde pública que garanta o acesso às vacinas, porque não adianta a gente insistir com os pais para vacinar os bebês se as vacinas não estiverem disponíveis”. “E tem que haver uma política global da sociedade a respeito de que a vacina confere a proteção individual, mas também tem um papel social, já que a imunização de uma pessoa leva a proteção das outras ao seu redor. E se todos ao seu redor estiverem imunizados, a chance da entrada de alguma doença infecciosa do exterior se propagar dentro do Brasil diminui. Só a educação e o convencimento podem gerar um índice maior de vacinação”, acrescenta. Freire destaca que é essencial investir em campanhas educativas, combater fake news, envolver líderes comunitários e influenciadores digitais que se comuniquem bem com os pais. “Além de garantir transparência nas informações sobre vacinação na rede pública e privada. Há sinais positivos que os índices vão se manter em ascensão. Mas, o crescimento depende da continuidade das políticas públicas, do combate à desinformação e do engajamento da sociedade”, finaliza.
Mulheres sofrem mais com a síndrome das pernas inquietas

A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é uma condição neurológica que atinge entre 5% e 8% da população mundial. Caracterizada pela necessidade irresistível de movimentar as pernas, principalmente durante o repouso ou à noite, a enfermidade pode trazer impactos significativos para a qualidade de vida dos pacientes. Embora possa afetar qualquer pessoa, estudos indicam que a síndrome é mais frequente em mulheres, sobretudo naquelas que passaram por múltiplas gestações e em pessoas com mais de 40 anos. O desconforto costuma se intensificar à noite, prejudicando o sono e resultando em consequências como fadiga diurna, alterações de humor e dificuldades cognitivas. “É uma doença que pode ser primária, ligada a fatores genéticos e transmissão familiar, ou secundária, associada a patologias como deficiência de ferro e diabetes. Ela prejudica extremamente a qualidade do sono dessas pacientes, diminuindo a capacidade intelectual e aumentando a fadiga durante o dia”, explica o reumatologista Marcelo Cruz Rezende, membro da Comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Entre as causas associadas à síndrome das pernas inquietas estão condições como artrite reumatoide, insuficiência renal, diabetes e algumas doenças neurológicas. A relação com distúrbios do sono é um dos pontos mais preocupantes, já que a privação do descanso adequado pode comprometer atividades cotidianas, produtividade no trabalho e até a saúde mental. De acordo com Rezende, os principais fatores de risco são a deficiência de ferro e a gravidez. “Cerca de 20% a 25% das mulheres apresentam sintomas durante a gestação, principalmente no terceiro trimestre. A menstruação reduz a concentração de ferro no organismo, tornando as mulheres mais vulneráveis à síndrome”. O diagnóstico ainda é um desafio, pois muitos confundem os sintomas com cãibras, má circulação ou simples nervosismo. Segundo Rezende, identificar os sinais de alerta é essencial para evitar a progressão e buscar tratamento adequado com um especialista. “Não existe um sinal de alerta específico. O que deve ser levado em conta é que, se o paciente não relatar a sensação de pernas inquietas, dificilmente o médico perguntará. Muitas vezes, o profissional trata o distúrbio do sono, mas não investiga a causa real”. O tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Nos casos mais leves, recomenda-se investir em estratégias não farmacológicas, como massagens, alongamentos, exercícios aeróbicos e higiene do sono. Já para situações moderadas a graves, podem ser prescritos medicamentos de uso contínuo ou em períodos específicos. “Os principais tratamentos hoje incluem a pregabalina, medicamentos antiparkinsonianos e a reposição de ferro. Em casos muito refratários, até opioides podem ser usados para tentar melhorar a qualidade do sono. Além disso, terapias também podem auxiliar”, detalha o reumatologista. Apesar de a ciência avançar, o especialista afirma que ainda não existem grandes novidades no campo da síndrome das pernas inquietas. O diagnóstico continua sendo clínico, dependendo do relato do paciente, e o tratamento apresenta bons resultados em cerca de dois terços dos casos. “A importância de procurar um especialista é fundamental. Reumatologistas e neurologistas clínicos são os profissionais mais indicados para diagnosticar e tratar a síndrome, ajudando os pacientes a recuperar qualidade de vida”, finaliza.