Estudo mostra que 92% dos brasileiros apoiam aumento da licença-paternidade

Uma pesquisa realizada pela Coalizão Licença Paternidade (CoPai) revela que 92% dos brasileiros apoiam o Projeto de Lei (PL) que aumenta o tempo de licença-paternidade custeado pelo governo. Outro dado do levantamento aponta que 63% dos entrevistados aprovam o aumento da licença para 30 dias. O estudo mostra também que 35% das pessoas alegam ter pouco ou nenhum conhecimento sobre o tema, em comparação com os 26% sobre a licença-maternidade. A atual regra estabelecida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é que todo trabalhador tem direito a cinco dias corridos de licença-paternidade. Por ora, o programa Empresa Cidadã permite que a licença seja estendida em até 20 dias para as instituições participantes. No entanto, segundo a Andi Comunicação e Direitos, apenas 16%, dos empreendimentos aptos a participarem, aderem ao programa. Em 2024, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou o projeto que aumenta a duração da licença-paternidade e cria o salário-paternidade. O PL 3.773/2023 determina que o prazo da licença pode ser ampliado gradualmente, chegando a até 60 dias. Atualmente, o texto está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas existem outros projetos sobre o assunto no Congresso. A presidente adjunta da CoPai, Caroline Burle, pontua que a mudança na legislação é de suma importância e multifacetada. “Impactando diretamente o desenvolvimento infantil, a saúde familiar e a economia do país. Atualmente, a licença de apenas cinco dias é comprovadamente insuficiente para promover o vínculo paterno e apoiar a família nos primeiros e cruciais momentos da vida de um bebê”. “O Congresso Nacional tem um prazo, que vence no final de junho, para regulamentar a licença-paternidade, que foi definida em 1988 de forma transitória, e desde então segue sem a regulamentação devida. Precisamos aproveitar este momento para aprovar uma licença de pelo menos 30 dias, condizente com os desafios dos dias atuais”, acrescenta. Ela esclarece também que estudos e experiências internacionais demonstram que a licença-paternidade ampliada gera impactos econômicos positivos para a sociedade. “A ampliação é vantajosa para as empresas, ao contrário do que muitos pensam, os dados mostram que essa medida gera ganhos em engajamento, reputação e produtividade, sem custos adicionais para o empregador”. “Portanto, é uma política de ‘ganha-ganha’, beneficiando tanto os colaboradores quanto às empresas, ao promover um ambiente de trabalho mais motivador, produtivo e com maior retenção de talentos, sem onerar diretamente o caixa corporativo”, observa Caroline. Na avaliação da advogada especialista em direito da família, Adriana Galon, o Brasil ainda se encontra em posição bastante tímida no cenário internacional. “Nações como Suécia, Noruega, Alemanha e Espanha adotam modelos amplos e igualitários de licença parental, permitindo que pais e mães compartilhem de forma equilibrada o tempo de cuidado com os filhos, com remuneração garantida pelo Estado”. Adriana ressalta que, dessa forma, o modelo brasileiro revela-se ainda conservador e restritivo. “Sem previsão de licença compartilhada, sem política universalizada e com alcance limitado. Para alcançar os padrões internacionais de equidade de gênero e proteção à infância, seria necessário adotar reformas legislativas que ampliem e tornem efetivo o direito à paternidade ativa desde os primeiros dias de vida da criança”. Impacto A advogada destaca como argumentos jurídicos favoráveis ao aumento da licença-paternidade a igualdade de gênero e corresponsabilidade parental. “Além da proteção integral da criança e do adolescente, dignidade da pessoa humana, normas internacionais de direitos humanos, igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, precedentes legislativos e políticas públicas e efetividade dos direitos sociais fundamentais”. “Ampliar a licença-paternidade por meio de lei é muito mais do que estender um benefício trabalhista, trata-se de uma medida estruturante, com forte impacto na construção de famílias mais saudáveis, na promoção da igualdade de gênero e no desenvolvimento integral das crianças. É uma transformação que repercute diretamente na qualidade das relações familiares e no avanço da sociedade como um todo”, finaliza.

Mercado de café no Brasil pode faturar mais de R$ 22 bilhões

De acordo com um levantamento realizado pelo IPC Maps, devem ser gastos R$ 22,1 bilhões nas despesas relacionadas ao consumo de café em 2025. O número é 11% maior do que no ano passado, quando R$ 19,9 bilhões foram desembolsados. A sondagem considera os valores gastos com a compra do pó de café e cápsulas nas residências e também o que é consumido fora de casa. O responsável pela pesquisa, Marcos Pazzini, explica que apesar da alta nas despesas relacionadas ao café, não significa que o brasileiro esteja consumindo mais o produto na mesma proporção. “Verificamos aumento significativo nos valores do café moído nos últimos meses, além do fato que os cafés em cápsulas ganham cada vez mais espaço na residência dos brasileiros. Portanto, o avanço nos preços e as mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros levaram a esta elevação de 11%”. “Observa-se também, principalmente nos grandes centros urbanos, o crescimento de cafeterias gourmet, onde os preços praticados são superiores aos dos pontos de venda tradicionais”, complementa. Queda nas vendas Segundo um estudo realizado pela Associação Brasileira da Indústria do Café, no acumulado do primeiro quadrimestre de 2025, as vendas caíram -5,13%, passando de 5.010.580 sacas para 4.753.766 sacas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, pontua que a redução é encarada como natural pelo setor. “É um comportamento sazonal, notadamente pelos aumentos acumulados nos últimos meses terem chegado mais fortemente às prateleiras nos meses de março e abril. No primeiro bimestre, houve alta desse consumo em volume comparado a 2024”. Cardoso lembra que em novembro do ano passado teve um incremento nas cotações do café arábica e robusta, fazendo com que supermercados e consumidores fizessem estoques. “Entre janeiro e fevereiro houve promoções dos próprios supermercados, quando recebiam tabelas da indústria fazendo a desova daquele volume adicionalmente comprado no mês anterior para os consumidores, que aproveitaram essas promoções e fizeram naturalmente um estoque adicional ao que é normalmente consumido nos seus lares”. Pazzini salienta que o consumo da população vem puxando o crescimento da economia nos últimos anos. “Aliado ao aumento da população empregada com carteira assinada, a tendência é que nos próximos anos continuemos a observar este avanço no consumo de café no Brasil”. Safra em 2025 A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que em 2025 sejam produzidas 55,7 milhões de sacas. Minas Gerais deve ser responsável por quase a metade da produção, cerca de 26,1 milhões de sacas. Segundo a Conab, o Estado deve ter uma redução de 7,1% em relação a 2024 devido ao ciclo de bienalidade negativa, aliada ao longo período de seca nos meses precedentes à floração. O presidente da Abic destaca que a safra de café deve ser ligeiramente menor em 2025, principalmente por questões climáticas. “As projeções apontam para uma redução na produção do café arábica. O recorte a partir de setembro, quando finalizarmos essa colheita e estivermos pensando na safra de 2026, poderemos observar uma retração nas cotações do café, podendo chegar às prateleiras dos supermercados ainda esse ano com preços mais convidativos aos consumidores”.

Brasil conta com 8 milhões de jovens empreendedores

  De acordo com dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Minas Gerais conta com 4,015 milhões de microempreendedores individuais (MEIs). Dentre eles, 927.840 têm entre 16 e 30 anos, o que representa aproximadamente 23,11% do total de MEIs no Estado. Outro levantamento realizado pelo Sebrae, com base nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, indica que, nos últimos dez anos, houve um crescimento de 23% no número de empreendedores com idades entre 18 e 29 anos. Além disso, conforme dados do Monitor Global de Empreendedorismo, o Brasil conta com aproximadamente 8 milhões de jovens empreendedores na faixa etária de 18 a 24 anos. O especialista em gestão empresarial, Matheus Paiva, destaca que a redução do emprego formal tem impulsionado os jovens a buscar alternativas. “O empreendedorismo entra nesse cenário com a possibilidade de conjugar a formação de capital e a evolução material como indivíduo, com a questão de propósito, de deixar sua marca no mundo”, afirma. “Essa busca por propósito é evidente na geração Z, que valoriza mais a liberdade e o impacto social de seus negócios do que a estabilidade de um emprego tradicional. Eles querem mais autonomia e flexibilidade, preferindo empreender a seguir uma carreira tradicional”. Segundo Paiva, a presença de redes de apoio e programas de mentoria tem sido fundamental para o desenvolvimento dos jovens empreendedores. “O Sebrae, por exemplo, tem atuado como catalisador de iniciativas, oferecendo capacitação, acesso ao crédito e consultorias. A formalização dos negócios também tem avançado, nos últimos anos aumentou o número de jovens empreendedores que possuem CNPJ. Esse avanço é crucial para o acesso a benefícios fiscais, crédito e maior legitimidade no mercado”. Para o economista Fabrício Diniz, os jovens empreendedores têm contribuído significativamente para a criação de empregos, tanto diretos quanto indiretos. “Ao abrir novos negócios, eles geram oportunidades de trabalho para outras pessoas, ajudando a reduzir o desemprego, especialmente entre os mais jovens. Além disso, a criatividade e a disposição para assumir riscos são características marcantes dos jovens empreendedores, o que tem levado ao surgimento de novos produtos, serviços e modelos de negócios, promovendo a inovação e a diversificação da economia brasileira”. “O empreendedorismo jovem tem se mostrado uma ferramenta eficaz para promover a inclusão social. Indivíduos de diferentes origens socioeconômicas estão utilizando essa estratégia como meio de ascensão social, contribuindo para a redução das desigualdades no país, a participação feminina e de quem se autodeclara preto ou pardo vem crescendo nos últimos anos”, ressalta. Diniz explica que ainda há desafios antes de prosperar o próprio negócio. “O acesso ao crédito continua sendo um dos principais obstáculos para os jovens que desejam iniciar ou expandir seus negócios. A complexidade burocrática e a elevada carga tributária também são obstáculos significativos, além da necessidade de lidar com uma infinidade de documentos e processos legais, o que pode desmotivar aqueles que estão começando os seus negócios”. O cenário para o empreendedorismo jovem no Brasil é promissor, esclarece Paiva. “Com o apoio de políticas públicas voltadas à capacitação, redução da burocracia e incentivo ao crédito, é possível criar um ambiente mais favorável para o crescimento dos negócios. Além disso, a crescente digitalização da economia e o surgimento de novas tecnologias oferecem oportunidades para que os jovens inovem e se destaquem no mercado”. Em resumo, o empreendedorismo jovem não é apenas uma tendência passageira, mas uma realidade que está moldando o futuro econômico do país. “Com determinação, criatividade e apoio adequado, os jovens empreendedores têm o potencial de transformar desafios em oportunidades, contribuindo para um Brasil mais dinâmico, inclusivo e próspero”, conclui.

Reforma do Código Civil propõe divórcio unilateral em cartório

  A proposta de reforma do Código Civil brasileiro deve ser analisada ainda esse ano pelo Senado. De autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD), pode alterar 1.122 dos 2.046 artigos da lei. Um dos temas que devem ser mudados é a atualização da legislação para permitir o divórcio unilateral, ou seja, apresentado por apenas uma das pessoas da relação. Possibilita também que a solicitação seja feita diretamente no cartório e sem a necessidade de ação judicial. Sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com a advogada especialista em direito de família, Leticia Ateniense.   O que mudou na legislação brasileira sobre o divórcio desde a promulgação da Emenda Constitucional 66/2010 e qual foi o impacto disso na vida dos casais? Houve mudanças importantes ao eliminar a exigência de separação prévia e os prazos mínimos antes do divórcio, tornando o processo mais simples e rápido. A nova regra desestimulou conflitos e dispensou a discussão sobre culpa, permitindo que qualquer cônjuge solicite o divórcio sem o consentimento do outro. O Código de Processo Civil de 2015 e o Provimento nº 100 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2020, contribuíram para agilizar o procedimento, inclusive de forma virtual. Com isso, casais que não desejam mais permanecer juntos conseguem se divorciar de maneira mais respeitosa e menos burocrática.   Como funciona atualmente o processo de pedido de divórcio no Brasil, tanto na via judicial quanto na extrajudicial, e quais os critérios que determinam cada caminho? O divórcio pode ocorrer pela via extrajudicial ou judicial, dependendo das circunstâncias do casal. Desde a Resolução CNJ nº 571/2024, é permitido o divórcio extrajudicial mesmo com filhos menores ou incapazes, desde que já exista decisão judicial sobre guarda, visita e pensão, e que não haja gravidez ou suspeita dela. Nesse caso, os cônjuges podem comparecer a um cartório de notas ou realizar o procedimento por videoconferência, com a presença de um advogado ou da defensoria pública. Já o divórcio judicial é necessário quando há conflitos ou quando as questões familiares ainda não foram resolvidas, podendo ser consensual ou litigioso. Há a possibilidade de o divórcio consensual ser feito no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) de forma gratuita e menos burocrático, inclusive com resolução de temas como guarda, pensão e partilha, desde que haja acordo entre as partes.   Como a proposta de permitir o divórcio unilateral diretamente em cartório reflete a evolução do conceito de autonomia individual nas relações conjugais no Brasil? A proposta do Projeto de Lei nº 04/2025 representa um avanço na valorização da autonomia individual nas relações afetivas, ao permitir que uma pessoa possa encerrar o casamento por vontade própria, sem necessidade de consentimento do outro cônjuge ou decisão judicial. Isso reforça o entendimento de que ninguém deve ser obrigado a permanecer em um vínculo conjugal contra a própria vontade. O divórcio unilateral em cartório tornaria o processo mais rápido, simples e menos traumático, além de contribuir para a redução da sobrecarga do Judiciário. A medida reforça que o casamento deve ser uma escolha, e não uma imposição, colocando a dignidade da pessoa humana acima de formalidades excessivas.   Quais são os principais benefícios esperados com a adoção do divórcio unilateral extrajudicial, especialmente em termos de desburocratização e agilidade processual? O divórcio unilateral extrajudicial traria como principal benefício a desburocratização do processo, permitindo que uma pessoa encerre o casamento de forma rápida, simples e menos desgastante, mesmo sem o consentimento do outro cônjuge. Isso reduziria custos, agilizaria a reorganização da vida pessoal e patrimonial, e ajudaria a aliviar a carga do Judiciário, que poderia se concentrar em casos mais complexos.   Quais desafios podem surgir na implementação do divórcio unilateral em cartório, especialmente em regiões com acesso limitado a serviços jurídicos e cartorários? Um dos principais desafios está em garantir que todas as pessoas, inclusive as que vivem em regiões afastadas ou vulneráveis, tenham acesso efetivo ao divórcio unilateral extrajudicial. Isso envolve assegurar presença de cartórios, advogados ou defensoria pública, além de implementar políticas públicas que informem os direitos das partes e ofereçam isenção ou redução de custos para populações de baixa renda.

BH está entre as dez cidades com preços de imóveis mais altos do país

Em abril, o preço médio dos imóveis residenciais em Belo Horizonte registrou alta de 1,36% em relação ao mês anterior, alcançando R$ 9.968 por metro quadrado. Segundo a edição mais recente do Índice FipeZap de Venda Residencial, BH permanece entre as dez cidades com os preços de imóveis mais elevados do país. O valor do metro quadrado em Belo Horizonte está acima da média nacional, atualmente em R$ 9.233. A capital mineira também registrou crescimento de 4,94% no acumulado de 2025 e de 13,95% nos últimos 12 meses. Segundo dados levantados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a partir de anúncios publicados nos sites Zap Imóveis e Viva Real, quatro bairros da região Centro-Sul de Belo Horizonte se destacaram entre os mais valorizados. A Savassi lidera o ranking com o maior valor médio por metro quadrado, atingindo R$ 17.100. Na sequência estão os bairros Santo Agostinho (R$ 15.537/m²), Lourdes (R$ 14.863/ m²) e Funcionários (R$ 14.295/m²). Dos dez bairros com os preços médios de venda mais altos em Belo Horizonte, nove registraram aumentos superiores a 10% ao longo dos últimos 12 meses. Os destaques em valorização no período foram Santa Lúcia, com 38,7%; Gutierrez, com 23,3%; Santo Antônio, com 16,5%; e Savassi, com 15,9%. O corretor de imóveis Gabriel Maia destaca que a escassez de terrenos disponíveis para construção na região Centro-Sul da cidade é um dos principais motivos. “Os terrenos são escassos nessa localidade e, logo, mais caros. Isso eleva o preço dos imóveis, especialmente em bairros como Savassi, Lourdes e Santo Agostinho. Esses bairros são conhecidos por sua infraestrutura de qualidade, proximidade a centros comerciais e opções de lazer, tornando-os altamente desejados pelos compradores”. “Outro fator relevante é o aumento no custo da construção civil, que impacta diretamente nos preços dos imóveis novos, sendo repassado para os consumidores, elevando o preço final dos imóveis”, ressalta. Em Belo Horizonte, a diferença de preço entre imóveis novos e usados é significativa. Maia, explica que “grande parte dos imóveis da região do Centro de Belo Horizonte são mais antigos, com construções que datam desde a década de 1950, o que explica essa variação. Por outro lado, bairros como Lourdes e Sion, que possuem imóveis mais recentes, apresentam uma diferença menor entre os preços de novos e usados, indicando uma valorização mais equilibrada”. “O mercado imobiliário de Belo Horizonte continua aquecido, impulsionado pela demanda por imóveis em bairros valorizados e pela escassez de terrenos disponíveis para construção. Acredito que essa tendência de valorização pode continuar nos próximos meses, especialmente se a economia local continuar a apresentar sinais de crescimento e estabilidade”, esclarece a economista Marcela Andrade. Ela afirma que há uma mudança nas preferências dos consumidores, com maior interesse por imóveis maiores, como apartamentos com mais de dois quartos e casas. “Essa demanda crescente por imóveis mais espaçosos têm pressionado os preços para cima, especialmente em bairros bem localizados e com boa infraestrutura”. A especialista diz que, para os compradores, é importante estar atento às variações nos preços e considerar fatores como localização, infraestrutura e potencial de valorização ao escolher um imóvel. “Investir em bairros com infraestrutura de qualidade e proximidade a centros comerciais pode ser uma estratégia inteligente para quem busca valorização do patrimônio a longo prazo”. Bairros com imóveis residenciais mais caros de Belo Horizonte: Savassi – R$ 17.100/m² Santo Agostinho – R$ 15.537/m² Lourdes – R$ 14.863/m² Funcionários – R$ 14.295/m² Santa Lúcia – R$ 11.810/m² Gutierrez – R$ 11.192/m² Sion – R$ 11.182/m² Serra – R$ 10.512/m² Santo Antônio – R$ 9.804/m² Buritis – R$ 8.835/m²

70 milhões de pessoas poderão ir às compras no Dia das Mães

Segundo projeções divulgadas pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), para os Dias das Mães, o índice de vendas do setor do comércio deve indicar um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior. A estimativa é que o segmento movimente cerca de R$ 14,2 bilhões. Em 2024, as vendas no varejo, durante a semana da data festiva, ultrapassaram R$ 13 bilhões. Estima-se que mais de 70 milhões de consumidores realizem algum tipo de compra nesse período, com mais de 100 milhões de transações comerciais previstas entre os dias 1º e 12 de maio. O ticket médio também tende a crescer, saindo de R$ 205, em 2024, para uma média entre R$ 220 e R$ 250, em 2025. O comércio eletrônico deve representar 35% do volume total de vendas. As categorias mais buscadas incluem moda e acessórios, perfumaria e cosméticos, eletrônicos de pequeno porte, flores, chocolates e experiências personalizadas, como jantares, viagens curtas e dias de spa. A mestre em finanças e professora de economia da UNA, Vaníria Ferrari, explica que o Dia das Mães é uma data com forte apelo emocional. “As pessoas tendem a comprar qualquer produto, desde flores a vestuário, perfumaria e eletrodomésticos. A simbologia incentiva o aumento das vendas. Outro aspecto interessante é que o consumidor tem se mostrado mais consciente. Com a elevação da inflação e a perda do poder aquisitivo, as pessoas têm planejado suas compras. Dessa forma, espera-se que alguns dias antes da data, as vendas comecem a elevar”. “O crescimento do consumo, nessa data específica, terá um impacto positivo na economia do país. Pelo lado da empresa, poderão criar estratégias para alavancar as vendas e compensar a elevação de custos. Pelo lado do consumidor, há preocupação de um aumento do endividamento, principalmente no cartão de crédito, mas, economicamente falando, maior consumo pode representar uma maior produção em alguns setores, movimentando a economia”, acrescenta. Porém, Vaníria pontua que esse aumento é sazonal e não reflete a realidade econômica do momento. “Com preços cada vez mais altos, a população tem sentido no bolso a perda do poder de compra. Dessa forma, somente em datas específicas ou em necessidades, o consumidor tem realizado compras”. Expectativa do varejo Já uma pesquisa realizada pela Rcell, uma das maiores distribuidoras de tecnologia do Brasil, com o apoio da ASUS, indica que 85,7% dos comerciantes projetam o faturamento acima de R$ 1 milhão para a data. E 79,2% dos lojistas acreditam que o ticket médio será acima de R$ 450. Sobre as tendências de consumo, os produtos domésticos, como máquinas de lavar, liquidificadores e air fryers, lideram a lista, sendo apontados por 50% dos entrevistados. Os presentes práticos, como panelas elétricas, cafeteiras e aspiradores portáteis, representam 25% da demanda. Os de luxo, como perfumes importados, joias e smartphones de última geração, também possuem um público significativo, correspondendo a 20,8% das escolhas. Já os personalizados, como canecas decorativas, álbuns de fotos e kits de cuidados pessoais customizados, aparecem com 4,2% da preferência. O diretor de marketing da Rcell, Alexandre Della Volpe, afirma que o Dia das Mães é uma das datas mais estratégicas para o varejo brasileiro, e a expectativa de crescimento reflete uma combinação de fatores essenciais. “A retomada da confiança do consumidor, o avanço do e-commerce e a maior personalização das ações promocionais, têm impulsionado o otimismo do setor”, finaliza. Minas Gerais De acordo com a pesquisa Expectativa de Vendas Dia das Mães 2025, realizada pelo Núcleo Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG, 46,4% dos empresários do comércio de Minas Gerais esperam vender mais do que no ano passado. O estudo verificou que 6,9% dos comerciantes farão contratações temporárias para reforçar o atendimento aos clientes. Em 2024, 8,1% das empresas fizeram contratações. Cerca de 48% dos comerciantes acreditam que o gasto médio na data comemorativa deverá ficar entre R$ 70 e R$ 200. O estudo apontou ainda que a região do Estado em que o Dia das Mães mais afeta o comércio é a Jequitinhonha/Mucuri (95%), seguida da região Central (90,48%).

Falta de planejamento e compras por impulso alimentam a inadimplência

Segundo um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), fatores como imprevistos relacionados à saúde, falecimentos, manutenção da residência ou do veículo (19%) e a ausência de controle financeiro (17%) foram apontados como causas da inadimplência. Já 15% dos entrevistados relataram redução na renda, enquanto 14% atribuíram o problema ao aumento excessivo dos preços. O consumo por impulso e a falta de planejamento estão entre os principais motivos que levam ao endividamento. Entre aqueles que ficaram com contas em atraso por má gestão do orçamento, 43% admitiram que aproveitaram uma promoção sem verificar se havia espaço nas finanças. Outros 23% disseram ter realizado a compra movidos pelo desejo de adquirir determinado produto ou serviço, acreditando que, se esperassem, levariam muito tempo para consegui-lo. Já 19% revelaram que estavam emocionalmente fragilizados e gastaram como forma de compensação. “Esse padrão de consumo impulsivo e emocional se intensifica com o uso das redes sociais, pois o consumidor passa a ter acesso constante às lojas e à possibilidade de comprar a qualquer momento. Além disso, é constantemente exposto a anúncios personalizados, o que dificulta a resistência”, explica a especialista em finanças da CNDL, Merula Borges. Quanto à ordem de prioridade no pagamento de contas, os entrevistados apontaram como compromissos essenciais: internet (73%), água e energia elétrica (68%), telefone (65%), TV por assinatura (59%) e plano de saúde (48%). Por outro lado, 77% dos inadimplentes afirmaram que quitar dívidas comprometerá o pagamento dessas despesas básicas. Para Merula, esse dado reflete a desorganização financeira enfrentada por boa parte da população. “Se o pagamento de uma dívida compromete as necessidades básicas, é sinal de que a pessoa provavelmente não conseguirá cumprir o acordo. E isso dificulta ainda mais sair da inadimplência. Às vezes o consumidor fica aflito para resolver a situação, mas pode ser mais vantajoso esperar um pouco, juntar mais recursos e buscar uma negociação melhor, evitando ter novamente o nome negativado”. Inadimplência cresce Dados do Indicador de Inadimplência da CNDL/SPC Brasil indicam que, em março, 69,66 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado, alta de 1,54% em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2024, a alta foi de 3,89%. Em média, cada inadimplente devia R$ 4.604,54. Os bancos lideram a lista de credores, respondendo por 66,74% do total. Em seguida, aparecem as contas de água e luz (9,87%), o comércio (9,73%) e outras dívidas (8,02%). Segundo Merula Borges, a inflação é um dos principais responsáveis pela elevação da inadimplência, mesmo em um cenário de desemprego reduzido e aumento da renda. “No caso dos alimentos, por exemplo, o impacto no orçamento das famílias de menor renda é ainda maior, reduzindo a margem disponível para quitar dívidas. Além disso, a taxa de juros elevada dificulta não só o acesso ao crédito, mas também o pagamento de empréstimos antigos, contraídos em períodos com a Selic mais baixa”. De acordo com Merula, a inflação e os juros altos também têm dificultado a efetividade de programas como o Desenrola Brasil, lançado em julho de 2023. Um mês após sua implementação, o país ainda somava 66,8 milhões de inadimplentes. Ela defende que a solução passa por um conjunto de medidas. “É necessário promover um ajuste fiscal para controlar a inflação e reduzir a Selic e investir em educação financeira. Os consumidores precisam estar atentos, ter renda e conseguir administrar melhor seus recursos”. Como reorganizar as finanças A consultora financeira Loren Mendes destaca que sair do endividamento depende de três fundamentos essenciais: organização, controle e disciplina. “O primeiro passo é levantar todas as receitas e gastos, categorizando os custos com moradia, saúde, alimentação, lazer, entre outros. Esse diagnóstico é indispensável para verificar se os rendimentos cobrem as despesas. Caso contrário, será necessário ajustar os valores, cortando excessos, aumentando a renda ou realizando ambas as ações”, orienta. Loren reforça que é fundamental registrar os gastos e manter-se dentro de um limite previamente estabelecido. Para evitar decisões impulsivas, ela recomenda adiar a compra por pelo menos um dia, refletir sobre a real necessidade do item desejado e ponderar se é melhor esperar e adquirir com segurança. “Planejar valores para lazer e imprevistos dentro do orçamento mensal ajuda a manter o equilíbrio”, conclui.

Mudança do “Minha Casa, Minha Vida” deve movimentar o mercado imobiliário

A Faixa 4 do programa “Minha Casa, Minha Vida”, que será lançada em maio, atenderá ao público com renda familiar mensal entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. A expectativa do Ministério das Cidades é de beneficiar 120 mil famílias apenas nessa faixa em 2025. Com essa mudança, a projeção da pasta é que até três milhões de novas unidades habitacionais sejam contratadas até o fim do ano que vem. Nessa nova faixa, o limite de valor do imóvel a ser financiado é de até R$ 500 mil, independentemente de suas características ou se ainda estiver na planta. Esses imóveis podem ser contemplados com uma taxa de juros de 10,5% ao ano, que será subsidiada. O número de parcelas pode chegar a até 420 meses. Cerca de R$ 30 bilhões devem ser reservados para esses contratos. “A gente diminui a taxa de juros e aumenta o número de parcelas para ficar mais suave e as pessoas poderem realizar o sonho da casa própria”, declarou o ministro das Cidades, Jader Filho, em entrevista ao programa Voz do Brasil. O diretor comercial da BRZ Empreendimentos, Anderson Lopes Morais, avalia como positiva a mudança no “Minha Casa, Minha Vida”. “Essas famílias, que antes eram forçadas a recorrer a financiamentos com condições comerciais desfavoráveis, agora terão acesso a juros mais baixos e maior prazo para pagamento. Elas terão cinco anos a mais do que antigamente era financiado para essa faixa de renda dentro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que é de 360 meses”. “Outro ponto importante é que, dentro do programa, o comprometimento de renda impacta em 30%, enquanto no SBPE era de 25%. Com certeza, essa Faixa 4 é muito atrativa e amplia significativamente as oportunidades para o setor imobiliário brasileiro”, acrescenta. Sobre o modelo proposto pelo governo, Morais acredita que será melhor para o consumidor. “Hoje, percebe-se que no SBPE somente o cliente A está tendo aprovação. Trazendo esse cliente dessa faixa para dentro do programa, o índice de aprovação vai aumentar muito. Além de ter esses diferenciais de prazo de financiamento, bem como o comprometimento de renda, que pode ser maior no ‘Minha Casa, Minha Vida’, há ainda a destinação do funding, que é importante para que essas pessoas possam realizar sua contratação habitacional no decorrer do ano. Acho que poderíamos ter uma diferença maior na taxa de juros. No SBPE, a Faixa 4 tem uma variação em torno de 0,26%, que é significativa, mas poderia ter sido melhor, reduzindo um pouco mais”. “A criação da Faixa 4, aliada ao fortalecimento institucional e à modernização do programa, aponta para um novo ciclo de crescimento no setor popular e de médio padrão. O ‘Minha Casa, Minha Vida’, em 2025, tem tudo para ser uma alavanca econômica relevante, com impactos sociais profundos na redução do déficit habitacional, crescimento inclusivo e desenvolvimento urbano”, afirma Morais. Impactos na economia A criação da nova faixa no “Minha Casa, Minha Vida” tem potencial para dinamizar o mercado imobiliário nas regiões metropolitanas, acredita Morais. “O limite de R$ 500 mil e as condições financeiras mais atrativas viabilizam o acesso da classe média a imóveis em áreas mais valorizadas, onde anteriormente havia dificuldade de compra e as condições de construção também eram difíceis dentro dos limites do programa. Isso é um grande atrativo”. De acordo com o ministro das Cidades, a opção pelo financiamento total de imóveis na planta visa impulsionar a economia. “Com isso, a gente também está de olho em fazer com que mais oportunidades de emprego estejam disponíveis. O ‘Minha Casa, Minha Vida’ também quer ajudar a economia, gerar emprego e renda. E tem dado resultado. No ano passado, mais da metade de tudo que foi lançado no Brasil, em termos do mercado imobiliário no setor da construção civil, foi pelo ‘Minha Casa, Minha Vida’. Isso fez com que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil crescesse 5,1%, acima do que cresceu o PIB do Brasil (3,4%)”.

Brasil registrou 3.853 violações de intolerância religiosa no ano passado

  Em 2024, o Brasil teve 3.853 incidentes relacionados à intolerância religiosa, representando um crescimento superior a 80% em comparação aos 2.128 casos registrados em 2023, conforme informações do Disque 100, canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A umbanda foi a religião que mais sofreu violações, seguida pelo candomblé, ambas de origem africana. O número de incidentes contra essas religiões mais que dobrou de 2023 para 2024, com o candomblé registrando 214 casos no último ano, em comparação aos 58 de 2023. Já a umbanda passou de 84 para 234 violações no mesmo período. Em 2025, foram reportadas 178 violações, sendo 60 delas no Estado de São Paulo. O Rio de Janeiro vem em segundo lugar, com 21 registros, seguido pela Bahia, com 19 ocorrências. Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com o diretor de Relações Internacionais da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga.   Como você interpreta esse aumento de 80% nas violações motivadas por intolerância religiosa no ano passado frente a 2023? Isso está relacionado a um contexto global de ascensão do fascismo, do conservadorismo e do avanço da extrema-direita em vários países. Portanto, ter governos autoritários eleitos pelo voto popular ajuda a proliferar os discursos de ódio, seja nas redes sociais ou nos programas eleitorais. No Brasil, há também um narcopentecostalismo, que tomou conta de vários territórios já fragilizados pela falta de saneamento básico, estrutura cultural e com altas faixas de desemprego. Ele é embrião do surgimento de milícias que passaram a comandar tais territórios aliados aos movimentos evangélicos que estavam em crescimento, como exemplo, no Rio de Janeiro com o Complexo de Israel e o Complexo do Arão.   Quais fatores contribuíram para esse avanço significativo de violações? No contexto do Brasil, os narcotraficantes estão “livres” para agir, pois o aparato estatal não tem disposição e nem têm como prioridade o enfrentamento de fato a esses grupos armados. E, muitas vezes, diversos parlamentares eleitos são ligados a esses grupos ou têm permissão para fazer campanha eleitoral nas regiões dominadas pelo tráfico e benzidas pelas mãos de pastores e líderes religiosos que não têm como meta acabar ou eliminar a situação nos territórios, mas apenas tolerar a prática criminosa para que os negócios religiosos evangélicos continuem sem ser interrompidos.   Por que as religiões de matriz africana são os maiores alvos de preconceito? Porque são doutrinas que não acolhem o modo operativo dos grupos milicianos e também não é a ideologia seguida e pregada pelos “donos” dos territórios e por seus principais mandantes. Ou seja, essa perseguição acaba por refletir a dinâmica de busca pelo poder daqueles que viam os católicos e os macumbeiros como inimigos que poderiam inviabilizar a tomada do poder nas favelas e rincões. E o tráfico viu na subida e na adesão evangélica um possível aliado para dominar os territórios que estavam sendo conquistados pelas doutrinas pentecostais.   Há necessidade de que esse tipo de violência deixe de ser encarado como um conflito de valores, crenças e costumes e seja inserido no debate nacional como um problema público? Sim. Sem aparato estatal não é possível combater tais grupos compostos pelos narcotraficantes, de um lado, e por milicrentes, de outro. Isso significa, então, enfrentamento armado, políticas de inclusão cultural, educacional, de desenvolvimento econômico e uma agenda de substituição da economia da criminalidade pela economia produtiva de base popular, inclusiva e circular nos próprios territórios dominados pelo poder narco. Além disso, os grupos cristãos têm privilégios sobre os demais grupos afros, como a entrada nos presídios para pregar a doutrina evangélica e dar assistência religiosa, coisa que os de matriz africana não possuem.   Quais são os próximos passos para combater a intolerância religiosa no Brasil, tanto do ponto de vista jurídico quanto educacional e social? Ações de redução dos crimes contra o patrimônio que não explore ou que suspenda as práticas de extorsão aos moradores, como a cobrança de taxas, pode ser um poderoso recurso de legitimação que produz e fortalece a confiança e a credibilidade na ação do Estado, além de ações visando gerar emprego e bem-estar social. No geral, os moradores precisam ser consultados no processo de retomada da vida nessas comunidades, a descrença no Estado atrapalha nesse sentido e o medo e o silêncio ajudam na manutenção do problema.

Índice de confiança do consumidor de BH tem nova queda em março

O Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead), fechou o mês de março com 39,24 pontos. Em relação a fevereiro, a redução foi de 4,15%. É a menor pontuação desde agosto de 2024. Já no acumulado de 2025, a queda é de 10,02%. De acordo com o economista do Ipead, Diogo Santos, o resultado de março ocorreu devido a fatores macroeconômicos. “Os juros elevados inibem as possibilidades de consumo das famílias de bens de maior valor, e a inflação prejudica o poder de compra”. Segundo a Fundação, a variação negativa do ICC-BH ocorreu devido à queda na percepção da população em cinco dos seis componentes do índice em relação a fevereiro. A pesquisa captou uma piora na percepção da população em relação à situação econômica do país (-14,13%), pretensão de compra (-9,34%), situação financeira da família em relação ao passado (-3,53%), emprego (-2,45%) e à situação financeira da família atual (-1,30%). Santos explica que a piora na percepção da situação econômica do Brasil gera um desconforto à população. “Isso está certamente relacionado às consequências das taxas de juros elevadas e do aumento dos preços. Empréstimos e financiamentos ficam mais caros ou mesmo impeditivos, as empresas arrefecem a contratação de mão de obra, e o equilíbrio das contas familiares fica mais difícil”. “No curto prazo, os consumidores cortam produtos considerados não essenciais ou adiam a compra de um novo bem, como um celular, eletrodoméstico ou a troca de automóvel”, complementa. Por outro lado, somente a percepção quanto à inflação apresentou melhora de 0,84% em março. Segundo o economista, o resultado possivelmente está relacionado ao fato de ter ocorrido uma estabilização dos preços de alimentos ao longo do mês anterior. “Mas, nas últimas semanas, percebemos novas elevações nesses itens. Nos próximos meses, o comportamento do consumidor dependerá da trajetória dos preços, que tende a ser mais controlada por conta da valorização cambial que está ocorrendo agora, e também da trajetória da geração de emprego, que já apresenta sinais de estar arrefecendo, o que é o resultado buscado pela política monetária”, afirma Santos. Redução em outros índices Ainda segundo o Ipead, o Índice de Expectativa Econômica do País (IEE) caiu 5,49% em março. A piora na percepção da população em relação à situação econômica do país e ao emprego foi o fator responsável por essa queda. Já o Índice de Expectativa Financeira da Família (IEF) também registrou queda de 3,12% em relação a fevereiro de 2025. O resultado foi puxado pelas diminuições da pretensão de compra (-9,34%), situação financeira da família em relação ao passado (-3,53%) e situação financeira da família atual (-1,30%).