Construção e imóveis devem alcançar R$ 417 bilhões até o final deste ano

Vivendo uma fase bastante positiva, os segmentos de construção civil e mercado imobiliário devem gerar, em conjunto, uma movimentação próxima de R$ 417 bilhões no Brasil até o fim deste ano, conforme estimativa da pesquisa IPC Maps. De acordo com o estudo, os lares brasileiros devem investir mais de R$ 287 bilhões em itens como materiais de construção e serviços de reforma. Já a compra de imóveis deve representar cerca de R$ 130 bilhões desse total. O Estado de São Paulo lidera o ranking nacional, sendo responsável por quase R$ 118,5 bilhões dos gastos no setor. Na sequência aparecem o Paraná, com R$ 48,2 bilhões, seguido por Minas Gerais, que alcança R$ 42,2 bilhões, e o Rio de Janeiro, ocupando a quarta colocação, com R$ 27,7 bilhões em despesas no segmento. Em contrapartida, o ritmo de abertura de empresas na área tem sido mais contido. Segundo dados da sondagem, entre 2024 e o momento atual, foram criadas 48.561 novas unidades, representando um crescimento de 2,2%. Com isso, o total de estabelecimentos no país chega a 2.244.855. Apesar desse avanço, chama a atenção o fechamento de empresas, especialmente entre os microempreendedores individuais (MEIs), que apresentaram uma queda de 6,5% no comércio varejista e uma retração de 0,8% no setor da construção civil. “A redução dos juros torna o crédito mais acessível à população. Com parcelas menores e condições mais flexíveis, mais pessoas conseguem realizar o sonho da casa própria. Além disso, há uma forte movimentação no setor de reformas e construções particulares, puxada pelo crescimento da renda média em algumas regiões do país”, explica a economista Cláudia Neves. Outro motor importante desse crescimento é a retomada de programas habitacionais, como o “Minha Casa, Minha Vida”, que voltou a ganhar força com subsídios ampliados e parcerias com construtoras de médio e pequeno porte. De acordo com a economista, o impacto disso é duplo. “Por um lado, ajuda famílias de baixa renda a acessar moradias dignas, por outro, gera empregos diretos e indiretos, movimentando uma extensa cadeia produtiva. Quando uma obra começa, não é só a construtora que se beneficia. A economia local se aquece: são vendidas refeições, contratados pedreiros, eletricistas, encanadores, há aumento de consumo de materiais como cimento, aço, tintas, pisos, madeira, entre outros”, ressalta. Um fenômeno observado é a descentralização do crescimento. Enquanto os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte continuam a atrair investimentos, as cidades médias do interior têm apresentado boas taxas de crescimento nos setores de construção e mercado imobiliário. “O custo de vida mais baixo, os incentivos fiscais locais e a qualidade de vida estão atraindo não só moradores, mas também incorporadoras e investidores. Municípios como Franca (SP), Maringá (PR), Campina Grande (PB) e Joinville (SC) estão vendo um boom de empreendimentos, tanto residenciais quanto comerciais”, destaca o especialista em mercado imobiliário, Rafael Macedo. Apesar das projeções otimistas, os especialistas alertam que manter essa curva ascendente exigirá planejamento de longo prazo, estabilidade econômica e estímulo à inovação. A burocracia, o excesso de tributos e a dificuldade de acesso ao crédito ainda são desafios estruturais que impedem o crescimento mais acelerado. Para Cláudia, é fundamental que governos e iniciativa privada caminhem juntos para promover ambientes regulatórios mais previsíveis e seguros. “O investidor precisa de confiança para aplicar seus recursos. Incentivar parcerias público- -privadas, desburocratizar licenças e ampliar o acesso a linhas de financiamento são caminhos essenciais”. A sustentabilidade nas construções é outro ponto importante citado. “Incorporadoras têm investido cada vez mais em projetos sustentáveis, com uso de energia solar, reaproveitamento de água da chuva e materiais de baixo impacto ambiental. Há um público crescente interessado em imóveis com certificações verdes. É uma tendência que agrega valor ao imóvel e ajuda a preservar o meio ambiente”, explica Macedo.
90 milhões de brasileiros não têm coleta e nem tratamento de esgoto

O Brasil não apresentou uma evolução significativa nos indicadores de saneamento básico, conforme indica o estudo Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil de 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil. Aproximadamente, ainda há 34 milhões de pessoas que não acessam sistemas formais de água, e mais de 90 milhões sem coleta e tratamento de esgoto. A pesquisa mostra recuos na oferta de serviços, o que é o caso do atendimento de água, que passou de 83,6% da população, em 2019, para 83,1%, em 2023, uma queda de 0,5 ponto porcentual. No mesmo período, o acesso aos serviços de coleta de esgoto aumentou de 53,2% para 55,2%, um acréscimo de 2 pontos percentuais. Já o tratamento de esgoto passou de 46,3% para 51,8%. Ao todo, o Plano Nacional de Saneamento Básico estima a necessidade de aproximadamente R$ 511 bilhões, a preços de dezembro de 2021, para se alcançar as metas de universalização. De acordo com o Instituto Trata Brasil, descontado o que já foi investido, atualizado o valor para 2023, restam ainda R$ 454,1 bilhões a serem investidos, o que equivale a R$ 45,1 bilhões por ano entre 2024 e 2033 para que todos os brasileiros tenham acesso ao saneamento básico. Para o especialista em direito ambiental e professor do UniArnaldo Centro Universitário, Alexandre Magrineli dos Reis, a falta de capacitação sobre a legislação e seus instrumentos e a lentidão na implementação das regras, são alguns dos motivos do país ter avançado pouco no tema. “Essa estagnação demonstra um descompasso entre as ambições da lei e a realidade operacional e política, que ainda não prioriza o setor de maneira consistente em todas as esferas de governo”. Os maiores entraves são a falta de investimentos adequados, a baixa prioridade política do tema e os desafios de gestão, afirma Reis. “As perdas de água, por exemplo, são um problema significativo, dificultando o avanço e o financiamento de novos projetos”. “Quando pesquisamos sobre a realidade das cidades quanto à implementação do novo Marco Legal, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta dificuldades como modelagens de concessão que, muitas vezes, deixam áreas rurais fora do escopo de atendimento, e uma posição transferindo simplesmente a responsabilidade para os municípios, sem a capacitação técnica ou condição financeira para assumir essa demanda”, acrescenta. Ele ainda pontua que os investimentos previstos e realizados até o momento não têm sido suficientes para alcançar a meta de universalização. “Estudos diferentes apontam que, para atingir as metas até 2033, o Brasil precisaria de valores entre R$ 700 a R$ 890 bilhões em investimentos, um valor muito superior ao que tem sido alocado. Embora o novo Marco Legal tenha atraído valores significativos da ordem de R$ 370 bilhões em projetos já em curso, é necessário acelerar o ritmo de aportes para que os objetivos sejam cumpridos”. Políticas públicas Na avaliação do biomédico sanitarista e professor da Una Jataí, Rogers Yamamoto, a parceria entre os setores público e privado tem se mostrado a estratégia mais promissora. “Uma vez que este modelo dilui os riscos e responsabilidades, bem como permite maior flexibilização na contratação de serviços”. “Municípios que optaram por concessões e parcerias público-privadas (PPPs) alcançaram melhores resultados, como em Maceió (AL) e em cidades do interior de São Paulo. Esses modelos garantem o aporte de capital e a capacidade técnica da iniciativa privada, enquanto o poder público atua na regulação e fiscalização”, destaca. Yamamoto esclarece que o saneamento básico é um setor de infraestrutura que exige investimentos de longo prazo. “Com compensação social, ambiental e econômica. No entanto, o retorno político para os gestores é de curto prazo. Melhorar o saneamento não traz uma recompensa eleitoral rápida como a construção de uma ponte ou um viaduto, por isso, o tema acaba sendo relegado a segundo plano em muitos locais”. O biomédico acredita ainda que será muito difícil atingir a meta de universalização até 2033. “A falta de planejamento, os entraves burocráticos e o baixo investimento com certeza são responsáveis no atraso do progresso e comprometendo a meta estabelecida pelo Marco do Saneamento”, finaliza.
CNI aponta que pequenas indústrias enfrentam piora seguida nas finanças

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a situação financeira das pequenas indústrias piorou pelo terceiro trimestre consecutivo. A margem de lucro operacional e a facilidade de acesso ao crédito caiu 0,3 ponto entre o primeiro e o segundo trimestre, de 40,6 para 40,3 pontos. O dado foi inferior ao observado no 2º trimestre de 2024 (41,1 pontos) e de 2023 (41,3 pontos). De acordo com o Panorama da Pequena Indústria (PPI), as taxas de juros elevadas foram apontadas como o principal problema da pequena indústria da construção no segundo trimestre. Ao todo, 37,3% dos empresários assinalaram essa como uma preocupação. Em seguida, aparecem a elevada carga tributária (35,6%) e a falta ou alto custo de mão de obra não qualificada (24,6%). O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que a alta taxa de juros é uma das principais responsáveis pela trajetória negativa das finanças das indústrias de pequeno porte. “Os juros altos dificultam o acesso ao crédito e pioram as finanças, porque encarecem as dívidas das empresas, diminuindo o lucro dos negócios, e afetam a demanda por produtos industriais”. O doutor em economia, Wallace Marcelino Pereira, destaca que, além da taxa de juros, a carga tributária e o custo da mão de obra, a competição com produtos importados também são fatores que explicam a piora consecutiva. “Esses produtos entram no mercado brasileiro em condições desvantajosas para a indústria nacional”. Segundo a pesquisa, no primeiro trimestre, a competição desleal, seja por informalidade, contrabando ou outros fatores, foi o problema que mais ganhou importância, passando de 14,4% para 22%. Na passagem do 1º para o segundo trimestre, a questão da competição com importados foi o que mais cresceu, saltando de 8,3% para 12,3%. Para Pereira, ainda é prematuro esperar melhora no curto prazo. “O cenário internacional é desafiador por causa das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Os efeitos serão totalmente conhecidos nos próximos meses. Isso é um problema que foge ao controle imediato do governo brasileiro, embora outras alternativas estejam sendo pensadas”. Indústria mineira Já a indústria mineira, conforme a pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), demonstrou estabilidade ao longo do primeiro semestre de 2025, apesar da queda no faturamento e dos indicadores relativos ao mercado de trabalho. O faturamento da indústria geral, que engloba os segmentos extrativo e de transformação, recuou 0,5% em relação a maio, registrando o segundo mês consecutivo de queda. As horas trabalhadas na produção cresceram 2,4%, e a utilização da capacidade instalada avançou 2,7 pontos percentuais, passando de 81% em maio para 83,7% em junho. E o emprego registrou a primeira queda em mais de um ano, com recuo de 0,5%. O economista explica que os investimentos nos últimos anos em mineração têm contribuído para promover o crescimento econômico do Estado. “Aplicações voltadas para a produção dos chamados minerais críticos ajudam a aquecer a economia mineira. Investimentos em infraestrutura e na área de energia também auxiliam para manter o nível de atividade econômica. Destaca-se também o ambiente de negócios favoráveis à atração novos de investimentos, tais como a desburocratização, segurança jurídica e a modernização tributária”. Contudo, Pereira afirma que o momento é de incerteza. “O motivo também são as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump que podem impedir um melhor desempenho da indústria mineira. Minas Gerais destina cerca de 11% das suas exportações para os Estados Unidos, com destaque para minério de ferro e produtos siderúrgicos”. “Logo, esses segmentos vão sofrer mais no curto prazo. Além disso, as taxas de juros não devem cair na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A liberação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões pode amenizar o impacto, mas o arcabouço fiscal impede qualquer estímulo fiscal para a indústria”, finaliza.
Pesquisa aponta impactos do tarifaço sobre o PIB de R$ 12 a R$ 31 bilhões

De acordo com um estudo do Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada (Nemea) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o impacto das ações tarifárias dos Estados Unidos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil estaria no intervalo de R$ 12 a R$ 31 bilhões (0,1% a 0,26%), a depender do efeito da efetivação das tarifas sobre os demais países e a retaliação da China. A medida ainda pode significar perda de 188.707 empregos e 57 mil ocupações. A consequência total das tarifas sobre as exportações brasileiras é negativa, com uma redução de US$ 4,2 bilhões no prazo de dois anos. O efeito seria uma queda de US$ 8,8 bilhões nas exportações, parcialmente compensado por ganhos de US$ 4,6 bilhões em função dos demais choques (especialmente a retaliação da China). No saldo, o Brasil sofre prejuízo nas exportações, apesar de benefícios em alguns setores específicos. Dentre os segmentos mais afetados negativamente destacam-se, sobretudo, os metais ferrosos, produtos químicos, de madeira e minerais, todos apresentando quedas expressivas nas exportações. Outros setores fortemente afetados incluem máquinas e equipamentos, calçados e artefatos de couro, têxteis, vestuário, produtos farmacêuticos e artigos de borracha e plástico. O estudo prevê ainda que os choques tarifários resultariam em uma queda de 0,14% no PIB global. O comércio mundial também seria prejudicado, reduzido em 3%, equivalente a perdas na ordem de US$ 645 bilhões. Nos Estados Unidos, o PIB sofreria uma redução de 0,43%. Por outro lado, a China enfrentaria uma diminuição de 0,14%, demonstrando o efeito adverso das tarifas sobre sua economia. O mestre em economia, Heldo Siqueira, acredita que o impacto no PIB, de 0,1% a 0,26%, não é tão expressivo quanto parece. “Tendo em vista que a economia brasileira tem obtido resultados econômicos satisfatórios. Mas, a diminuição da renda geral deve afetar os setores econômicos de demanda final, pois com menor renda, as pessoas deixam de adquirir ou adiam suas compras mais básicas”. Ele explica que a probabilidade de aumento de preços no mercado interno é baixa. “Pois, haverá excesso de oferta dos produtos que deixarão de ser exportados. O mais provável, caso não haja outros compradores no mercado internacional para as mercadorias que deixarão de ser exportadas, é que esses produtos sejam ofertados no mercado interno havendo uma diminuição de preços em setores específicos”. O economista afirma que a redução de 188 mil empregos é relevante, porém, a economia brasileira tem condições de absorvê-lo sem muitos problemas. “Esse número equivale à criação de vagas em pouco mais de um mês, como junho deste ano, quando foram geradas 166 mil. Ou seja, apesar de todo o alarde, as medidas não terão um impacto econômico tão significativo”. Efeito sobre os estados Segundo a pesquisa, São Paulo apresentaria o resultado mais negativo sobre o PIB, com um efeito total de R$ -2.412 milhões, seguido por Santa Catarina (R$ -1.540 milhões), Minas Gerais (R$ -1.488 milhões), Pará (R$ -1.115 milhões), Rio de Janeiro (R$ -1.091 milhões) e Espírito Santo (R$ -1.087 milhões). Esses valores evidenciam que os estados localizados na região Sudeste sofreram as maiores reduções no indicador avaliado. Siqueira pontua que para as empresas que tiverem problemas com a queda das vendas, a mitigação pode se dar. “A oferta de crédito pelos bancos públicos para companhias que tenham problema de fluxo de caixa; adiamento do recolhimento de eventuais impostos para essas firmas; e medidas de auxílio aos trabalhadores que possam ser demitidos como fruto da queda das exportações”. Contudo, o economista destaca que o Brasil já diversificou bastante os destinos de suas exportações em relação aos Estados Unidos. “Em 2000, o país norte-americano representava 24% das exportações brasileiras. Em 2020, este valor chegou a 10%. As iniciativas dos BRICS, as negociações junto ao Mercosul, G20 e outras entidades multilaterais permitem que o Brasil tenha tornado o comércio com os Estados Unidos bem menos relevante que há 30 anos”, finaliza.
Mercado imobiliário desafia juros altos e segue ritmo de crescimento

Apesar da Selic estacionada em 15% ao ano, a construção civil brasileira mostra resiliência e segue gerando empregos. Em maio deste ano, o setor ultrapassou a marca de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada, número que não era alcançado desde 2014. Só nos primeiros cinco meses de 2025, o saldo é de 159.440 mil novos postos formais, o que representa 14,2% de todas as vagas geradas no país no período, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No entanto, a vitalidade do setor contrasta com uma grave retração no crédito à produção imobiliária, que caiu 62,9% em unidades e 54,1% em valores de janeiro a maio, segundo o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A retração está ligada à fuga de recursos da caderneta de poupança, com captação líquida negativa de R$ 38,4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, comprometendo uma das principais fontes de financiamento da construção civil, tanto para a aquisição quanto para a produção de imóveis. “Quando os juros estão elevados, os investidores migram para aplicações com maior rentabilidade e retiram recursos da poupança. Isso reduz drasticamente o volume disponível para financiar a produção imobiliária e obriga o construtor a buscar crédito mais caro no mercado, elevando o custo das obras”, explica Ieda Vasconcelos, economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Ainda assim, a CBIC manteve a projeção de crescimento em 2,3% para 2025, sustentada por empreendimentos lançados nos últimos dois anos, que ainda estão em fase de execução. Mas, Ieda alerta que o cenário inspira cautela. “Estamos vivendo os efeitos de investimentos passados. Se esse patamar elevado da Selic persistir, novos projetos tendem a ser adiados, o que pode comprometer o desempenho do setor a partir de 2026”. “A palavra-chave para atravessar esse momento é planejamento. O setor cresceu mesmo em períodos difíceis por saber se organizar. É esse plano de longo prazo que garante a continuidade do ciclo de crescimento”, completa. Estratégias contra o crédito caro Empresas do setor têm buscado alternativas para manter o ritmo de vendas. Um dos fatores que tem ajudado é o fato de o programa “Minha Casa Minha Vida” operar com taxas pré-fixadas nas Faixas 1, 3 e 4, amenizando os impactos diretos da Selic para o consumidor final. “O que mais tem afetado é o custo para viabilizar os empreendimentos. Com os recursos livres, as taxas chegam a 18% ao ano, o que exige projetos com maior valor agregado e um volume maior de vendas para equilibrar os custos. Por isso, é fundamental estruturar bem a contratação e ajustar o perfil dos produtos”, explica Anderson Lopes Morais, diretor comercial da BRZ Empreendimentos. O segmento tem apostado na Faixa 4 do “Minha Casa Minha Vida”, voltada para famílias com renda entre R$ 8.600 e R$ 12 mil. Ainda que represente apenas 3,5% do déficit habitacional, esse público tem poder aquisitivo para adquirir imóveis com mais diferenciais como varanda, suíte e áreas de lazer completas. O que tem mantido esse nicho atrativo mesmo em tempos de crédito caro. Morais explica que esses clientes buscam qualidade, localização e bons acabamentos. “Apesar de mais seletivo, é um público estratégico. Mas exige atenção na análise de crédito e no encaixe da renda com o valor do imóvel”. Ele revela que houve mudanças no perfil do comprador. Há maior exigência de comprovação de renda por parte dos bancos, e o recurso à composição de renda tem crescido. “Cada vez mais vemos compradores unindo a renda com cônjuges, familiares ou parceiros para conseguir financiamento. Isso amplia o acesso ao crédito e viabiliza as compras com exigências mais rigorosas”. Riscos A CBIC aponta que a queda no crédito à produção e a instabilidade no cenário macroeconômico, com inflação fora da meta e incertezas fiscais e internacionais, geram preocupação para o médio prazo. “O ciclo da construção é longo. A obra que começa hoje será entregue daqui a dois ou três anos. Se os investimentos forem adiados agora, o setor poderá sofrer uma freada brusca no futuro”, destaca Ieda. Cada R$ 1 milhão investido na construção gera 13 empregos diretos, indiretos e induzidos, além de movimentar mais de 90 segmentos produtivos. “Limitar o crescimento da construção é comprometer o desenvolvimento do país. Precisamos de previsibilidade, ambiente estável e crédito acessível para manter esse motor em funcionamento”, finaliza a economista.
Estudo identifica 20,5 milhões de brasileiros sem acesso à internet

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostram que embora o uso da internet esteja cada vez mais presente no dia a dia, ainda está ausente na rotina de 20,5 milhões de brasileiros, o equivalente a 10,9% da população com 10 anos ou mais em 2024. Entre esse grupo, cerca de 45,6% afirmam que a principal razão para não utilizarem a rede é a falta de conhecimento sobre como acessá-la, o que corresponde a cerca de 9,3 milhões de pessoas. No caso dos idosos, 66,1% declararam não saber utilizar a internet como principal obstáculo. Ainda assim, os dados revelam uma tendência crescente de adesão à rede por parte dessa faixa etária. As razões de cunho econômico (como considerar o acesso ou os dispositivos muito caros) tornaram- -se menos frequentes. Em 2024, representaram 10,9%, contra 16,2% em 2022, ano em que esse dado começou a ser coletado. A pesquisa também apontou que, entre os que nunca acessaram a internet, 73,4% tinham baixa escolaridade, com nenhum ou apenas o ensino fundamental. Além disso, um total de 52,1% pertenciam à faixa etária dos idosos. “Existe uma certa exclusão estrutural. A falta de acesso à internet não é apenas uma questão de tecnologia, mas uma extensão das desigualdades que marcam o país em termos de renda, educação e infraestrutura. Não possuir conexão à web é praticamente viver à margem do mundo. Desde oportunidades de trabalho e estudo até o simples acesso à informação, tudo passa pelo digital”, diz a socióloga Andreia Lima. A pandemia de COVID-19, entre 2020 e 2022, já havia escancarado essa fragilidade quando milhões de estudantes ficaram sem aulas por não conseguirem acompanhar o ensino remoto, lembra Andreia. “A internet deixou de ser uma ferramenta complementar para se tornar parte integrante do processo educacional. Sem acesso digital, os alunos não apenas perdem conteúdos, mas também ficam de fora das interações que moldam o aprendizado. É uma barreira invisível que gera atraso educacional e compromete o desenvolvimento de competências básicas”. Os impactos se estendem ao mercado de trabalho. Em um cenário onde o número de vagas ofertadas e candidaturas acontece majoritariamente por meio de plataformas on-line, a falta de conexão representa estar ausente do mercado. “Profissões ligadas à economia digital, como marketing, TI, vendas digitais e prestação de serviços por aplicativos, tornam-se inacessíveis a quem sequer consegue abrir um navegador”, destaca o tecnólogo Felipe Magalhães. Ele afirma ainda que a inclusão digital pode ser uma alavanca econômica. “Ela capacita o indivíduo, aproxima de oportunidades e fomenta a inovação local. Quando um número tão expressivo de brasileiros está desconectado, o país perde em produtividade, competitividade e diversidade econômica. Podemos estar desperdiçando um enorme potencial por falta de infraestrutura e políticas inclusivas”. As empresas de telecomunicação alegam que os altos custos de operação em áreas de difícil acesso e a baixa rentabilidade desestimulam investimentos em regiões remotas. No entanto, esse modelo de negócio pode contribuir para manter a exclusão. “Há uma lógica de mercado que ignora as populações mais vulneráveis. Por isso, são necessárias políticas públicas de incentivo, como subsídios, parcerias público-privadas e investimentos em infraestrutura de rede em comunidades isoladas”, pontua Andreia. Além das questões econômicas e educacionais, a exclusão digital também compromete o pleno exercício da cidadania. “Com o avanço da digitalização de serviços públicos, como agendamentos médicos, acesso a benefícios sociais, declarações de imposto e emissão de documentos, estar off-line significa também ficar de fora dos direitos básicos”, destaca. Na avaliação de Andreia, a superação da exclusão digital passa pela adoção de um novo paradigma: o da internet como direito fundamental. “O combate à exclusão digital é mais do que uma pauta tecnológica, é uma urgência social, econômica e democrática. Trazer os invisíveis para o centro da transformação digital é, antes de tudo, uma questão de justiça”.
Um em cada dez óleos lubrificantes no país é clandestino ou irregular

Trocar o óleo do motor é uma das manutenções mais básicas para garantir o bom funcionamento de um veículo. No entanto, o uso de lubrificantes fora das especificações técnicas ou adulterados pode gerar danos graves ao motor e exigir reparos caros. Segundo o Instituto Combustível Legal (ICL), aproximadamente 10% dos lubrificantes comercializados no país são clandestinos ou não seguem as normas técnicas recomendadas. O resultado são prejuízos financeiros que superam R$ 1,4 bilhão ao ano e colocam em risco a segurança de motoristas e passageiros. O mais recente Boletim do Programa de Monitoramento de Lubrificantes, divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostrou que 14,1% das 468 amostras coletadas entre agosto e outubro de 2024 apresentaram alguma não conformidade. As irregularidades incluem produtos sem registro, aditivação deficiente, viscosidade fora do padrão e ausência de informações obrigatórias, como número de lote e data de fabricação. Para o diretor-executivo do ICL, Carlo Faccio, mesmo em veículos com baixa quilometragem, os impactos do óleo errado são perceptíveis, como superaquecimento, entupimento de dutos, falhas mecânicas, desgaste acelerado de peças internas e até quebra de componentes como pistões e válvulas. “Óleos errados comprometem o sistema de lubrificação. Até mesmo um pequeno desvio pode causar problemas que se acumulam com o tempo. A escolha do lubrificante não deve ser feita por preço ou conveniência, mas com base nas especificações técnicas do fabricante e do manual do veículo”, explica. De acordo com Faccio, o consumidor precisa estar atento à procedência do produto, especialmente diante do aumento de fraudes no setor. “Essa economia ilusória na hora da compra pode custar muito mais caro depois. Produtos adulterados comprometem peças vitais e colocam em risco a segurança do motorista e dos passageiros”, alerta. Além disso, o uso prolongado de lubrificantes inadequados pode gerar consequências ambientais e financeiras, como o aumento do consumo de combustível, maior emissão de poluentes e a possibilidade de perda da garantia do veículo junto à montadora. Ele lembra que a troca de óleo é essencial. “Saber qual lubrificante está sendo usado é ainda mais importante. A escolha correta protege o motor, garante desempenho, evita falhas e preserva o valor do seu carro”, finaliza. Dicas para evitar prejuízos
Comércio varejista mineiro projeta aumento nas vendas no 2º semestre

Uma pesquisa realizada pela Fecomércio MG apresentou um panorama do setor empresarial mineiro para o segundo semestre de 2025. O estudo aponta para um aumento no otimismo dos empresários. Esse sentimento positivo é motivado, sobretudo, pela expectativa de crescimento nas vendas durante datas comemorativas importantes, como Dia dos Pais, Black Friday e Natal. De acordo com o levantamento, 74,7% dos empresários demonstram confiança em um desempenho superior das vendas no segundo semestre em comparação com os primeiros seis meses do ano. O economista Luiz Gomes explica que essas datas funcionam como âncoras de consumo e movimentam todo o ecossistema comercial. “Essa expectativa de melhora nas vendas é motivada por uma série de fatores que, juntos, formam um cenário bastante favorável ao comércio varejista. Em primeiro lugar, temos a sazonalidade típica do segundo semestre, que reúne as principais datas comemorativas do calendário comercial brasileiro. São períodos em que o consumidor já se programa para gastar, e o comércio se prepara para atender à demanda”. Para 59% dos empresários, o Natal é a principal data para impulsionar os resultados do segundo semestre. Em seguida, aparecem Dia dos Pais (21,1%), Black Friday (17,7%) e Dia das Crianças (16,2%) como momentos estratégicos para o comércio. Além do calendário favorável, o economista aponta outros motivos que explicam o otimismo. “Há um ambiente mais confiante em relação à economia. A inflação tem se mantido relativamente controlada, os juros começam a apresentar sinais de queda, e o mercado de trabalho mostra estabilidade. Tudo isso contribui para uma percepção de recuperação, ainda que gradual, e o comércio sente isso antes de muitos outros setores, porque lida diretamente com o comportamento do consumidor”. Em relação aos meios de pagamento, o destaque fica para o cartão de crédito parcelado, preferido por 48,9% dos respondentes, com o Pix vindo logo depois, citado por 30%. O estudo indica que, em comparação com o mesmo período de 2024, 36,1% das empresas observaram um crescimento nas vendas durante o primeiro semestre de 2025. Já 38,8% relataram que os resultados se mantiveram estáveis em relação ao segundo semestre do ano anterior. Para Gomes, o empresário percebe que não basta esperar o consumidor entrar na loja. “É preciso criar facilidades e promover condições atrativas. Além disso, a confiança tende a subir em períodos mais estáveis, o que influencia diretamente o desempenho do comércio. Fatores como políticas fiscais, variação da taxa de juros e estabilidade do mercado de trabalho ainda são pontos de atenção. Mesmo assim, o comércio mineiro parece disposto a apostar na retomada com planejamento, criatividade e foco no consumidor”. Para atrair os consumidores, 51,4% dos empreendimentos planejam investir em ações de divulgação e publicidade. Já 34,6% pretendem focar em promoções, enquanto 30% consideram o atendimento personalizado como o principal diferencial competitivo. É nesse caminho que pretende seguir a empresária Érica Vieira, proprietária de uma loja de vestuário. Ela menciona que nunca presenciou o mercado tão receptivo a mudanças comportamentais quanto agora. “O consumidor hoje não quer só o produto, mas também a experiência. Nós estamos investindo em treinamento de equipe, criando campanhas e reformulando nossa vitrine para as datas sazonais. Atualmente, o Pix representa muito das nossas transações, mas o destaque ainda é o cartão. Isso dá flexibilidade ao cliente e aumenta o ticket médio”.
Turismo internacional no Brasil tem melhor primeiro semestre da história

Entre janeiro e junho de 2025, o Brasil recebeu 5.332.111 turistas estrangeiros, um crescimento de 48,2% em relação ao mesmo período do ano passado e o melhor resultado da série histórica para o primeiro semestre. Apenas no mês de junho, 444.882 estrangeiros desembarcaram no país, um aumento de 33,8% (112.408 chegadas) na comparação com junho de 2024. Os dados são da Polícia Federal. O número representa 77,3% da meta prevista no Plano Nacional de Turismo 2024-2027 para este ano, que projeta a entrada de 6,9 milhões de visitantes internacionais. Se o ritmo for mantido, o Brasil poderá ultrapassar, já em 2025, a meta de 8,1 milhões de turistas originalmente estabelecida para 2027. Entre os principais países emissores, a Argentina lidera com 2.323.891 visitantes no semestre, seguida por Chile (442.993) e Estados Unidos (410.189). “O turismo no Brasil deixou de ser potencial e virou realidade. Estamos chegando nos patamares de chegada de turistas estrangeiros que o nosso país merece, em um nível de crescimento que é o maior do mundo hoje. Isso tem gerado novos investimentos, milhares de empregos e renda em todo o país”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Marcelo Freixo. Para o mestre em ciências econômicas e professor no Centro Universitário UNA, Mussa Agostinho Vaz Vieira, o Brasil possui uma riqueza de destinos que despertam o interesse de turistas de todo o mundo. “Mas, também o esforço do governo federal para promoção do turismo contribui para o aumento do fluxo de visitantes estrangeiros. A desvalorização do real em relação ao dólar e ao euro, nos últimos anos, tem dado maior poder de compra a esses turistas; shows de artistas internacionais e a modernização do mercado de turismo, são outros fatores que levaram o país a bater esse recorde”. “O turismo é fundamental para a economia brasileira, gerando empregos, movimentando a cadeia produtiva e impulsionando o desenvolvimento de diversas regiões do país. O setor de serviços tem um peso significativo no Produto Interno Bruto (PIB), representando quase 70% do total. E esse aumento da entrada de turistas estrangeiros pode gerar impacto positivo nesse ramo, que é crucial para a economia do país”, complementa. O economista afirma ainda que os resultados para os próximos períodos dependem não só do cenário nacional, mas também do internacional (tensão existente na Europa e no Oriente Médio). “E do grau de satisfação quanto aos serviços hoteleiros, receptividade, segurança e transporte, que por consequente depende dos investimentos para sua melhor oferta no mercado, e investida em ações de promoção e divulgação do Brasil como destino turístico”. Investimentos Vieira destaca que o aumento da entrada de turistas estrangeiros vem sendo visto como um incentivo notável para aumento nos investimentos. “A hotelaria nacional e internacional tem investido bastante no Brasil, com inaugurações e expansões das redes em diversas regiões. Grupos como Accor, Vila Galé, Marriott e outros, estão ampliando sua presença no país, com foco em diferentes segmentos e destinos”. “Recentemente, o Hotel Galé Collection Ouro Preto foi inaugurado no distrito de Cachoeira do Campo, oferecendo 311 quartos. Em 2025, o setor brasileiro prevê um crescimento impulsionado pela retomada do turismo e eventos, com a chegada de novas redes nacionais e internacionais. Espera-se mais 23 mil quartos de hotel, com investimentos superiores a R$ 10 bilhões, segundo a Panrotas”, acrescenta. Minas Gerais Segundo dados mais recentes do Ministério do Turismo, da Embratur e da Polícia Federal, Minas Gerais recebeu 3.732 turistas internacionais em janeiro de 2025. O valor é 6,12% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando 3.517 viajantes, vindos de fora, estiveram visitando o Estado. Já em 2024, Minas registrou mais de 32 milhões de turistas. Desse total, cerca de 42,6 mil visitantes eram estrangeiros, número 10,6% maior em relação ao ano anterior. Entre janeiro e outubro de 2024, o segmento respondeu pela criação de quase 20 mil postos de trabalho.
Consumo pode ter uma alta de 3,01%

Segundo o anuário IPC Maps 2025, as famílias brasileiras deverão gastar cerca de R$ 8,2 trilhões ao longo deste ano. Com base na estimativa atual de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), essa movimentação representará um aumento real de 3,01% em relação a 2024. Mesmo com a elevada taxa de juros e a alta da inflação, o cenário é de otimismo para o consumo, com níveis percentuais bem acima aos da economia. Segundo Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, a “melhoria dos níveis de emprego com carteira assinada proporcionou uma garantia de renda ao trabalhador, refletindo diretamente na escalada dos valores de consumo”. A oferta maior de vagas de emprego formal também influenciou a atual configuração do perfil empresarial do país. Se nos anos anteriores houve um grande aumento na quantidade de empresas abertas, sobretudo de microempreendedores individuais (MEIs), em 2025, o crescimento de 4,2% em relação a 2024 foi puxado principalmente pelas microempresas (MEs) em detrimento das MEIs, cuja quantidade basicamente se manteve. O doutor em economia, Weslley Cantelmo, explica que o país está com um desemprego relativamente baixo, ainda que seja na informalidade, e isso se converte em consumo. “Esse crescimento é sustentável, a médio e longo prazo. Na verdade, é um movimento tendencial que poderia ser até maior e mais qualificado, a depender da democratização da renda, com a ascensão das classes C e D”. Ele destaca ainda que esse aumento no consumo não influencia tanto a inflação. “Óbvio que o consumo interno pode sim levar a um processo inflacionário em alguma medida, principalmente para alguns produtos específicos, como no caso de alimentos. Na atual composição da economia brasileira, há uma inflação sobre os serviços, mas ainda assim está dentro daquilo que vem se encaminhando em termos de incremento de renda”. Hábitos de consumo As preferências dos consumidores na hora de gastar seu dinheiro continuam sendo para a categoria de veículo próprio, cujas despesas devem somar R$ 885,9 bilhões, comprometendo 11,7% do orçamento familiar. Tal comportamento tem se repetido nos últimos cinco anos, chegando a superar, inclusive, segmentos como alimentação e bebidas no domicílio, que representam R$ 780,5 bilhões ou 10,3% do consumo domiciliar. Ainda assim, os itens básicos são prioridade, com grande margem sobre os demais: 25,2% dos desembolsos destinam-se à habitação (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás); 18,7% outras despesas (serviços em geral, reformas, seguros etc.); 6,7% são medicamentos e saúde; e 4,6% alimentação e bebidas fora de casa. Classes D e E Uma pesquisa desenvolvida pela Data-Makers e divulgada com apoio da ONG Gerando Falcões e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) mostra que 59% dos consumidores, com renda até dois salários mínimos, devem aumentar o consumo ainda neste ano, índice superior a todas as outras classes sociais estudadas. De acordo com o levantamento, as classes D e E demonstram maior intenção de aumento de consumo que os demais grupos, chegando a 59%, enquanto a média da população é de 57%. Apenas 6% dos consumidores de baixa renda demonstram intenção em reduzir os gastos neste ano, o que mostra forte tendência de consumo. Cantelmo esclarece que a expectativa de aumento de gasto dessas classes se explica pelo aquecimento do mercado de trabalho. “E junto com os programas sociais importantes permitem que essa faixa de renda mais empobrecida do país consiga permanecer fazendo o consumo dos itens que são básicos para o seu dia a dia”. Porém, o economista alerta sobre o risco de endividamento dessas classes. “Existe um incremento dessa renda a partir do aquecimento do mercado de trabalho, em setores de baixa remuneração, e há também um estímulo no Brasil para o consumo por meio do crédito. O endividamento tem sido uma tônica da economia brasileira nos últimos anos e tem uma tendência de elevação”, finaliza.