Chocolates e peixes estão mais caros para a Páscoa deste ano
Os preços na Páscoa de 2025 estão mais caros e os chocolates em barra e bombons acumulam uma elevação de 16,53% em doze meses, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em Belo Horizonte, conforme o site Mercado Mineiro, os ovos de Páscoa registraram aumento de até 53% no valor. Já as barras de chocolate estão pelo menos 40% mais caras, e as caixas de bombons subiram 20% em comparação ao ano passado. “Temos aumentos bem superiores à inflação. Por exemplo, uma barra de chocolate de 80 gramas, que custava R$ 5,19, subiu para R$ 7,27. Os motivos para esses aumentos são a redução mundial na safra de cacau, principal ingrediente do chocolate. Somado a isso, tivemos um custo mais alto do açúcar no ano passado e também no transporte”, explica o diretor do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu. Ele esclarece que outro fenômeno que vem acontecendo com os ovos de Páscoa é a reduflação, em que a pessoa paga mais caro por um produto em menor quantidade. “De certa forma, o consumidor acaba comprando gato por lebre, achando que vai fazer a mesma fartura que em anos anteriores, mas, na verdade, está comprando é embalagem”. Menos ovos em 2025 A expectativa da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) é que sejam produzidos 45 milhões de ovos para a Páscoa 2025, uma redução de 22% em relação ao ano passado, quando foram fabricadas 58 milhões de unidades. Por meio de nota enviada ao Edição do Brasil, fatores como a redução na produção de cacau na Costa do Marfim e em Gana, dois dos maiores produtores mundiais, foram provocados pelo El Niño. “Isso elevou o preço da tonelada de US$ 2,5 mil para US$ 8 mil e gerou um déficit de 700 mil toneladas no mercado”. Ainda de acordo com a Abicab, “a indústria absorveu o maior impacto dessa alta de preços e lançou, para a Páscoa de 2025, 803 itens, 192 a mais do que em 2024. Além de novas gramaturas, composições com castanhas, pistache, amendoim e frutas, tamanhos diversos acompanham as preferências dos brasileiros, que sempre buscam novidades”. Segundo a Associação, foram feitas 10 mil contratações temporárias para esta Páscoa, contra 7 mil no ano passado. “Empacotadores, promotores de vendas, motoristas para transporte dos produtos em caminhão refrigerado. Desse total de trabalhadores, pelo menos 20% se tornam efetivos, com carteira de trabalho assinada. É a oportunidade para ingressar em uma carreira que prevê ascensão social”. Peixes Ainda de acordo com o Mercado Mineiro, em Belo Horizonte, o consumidor deve pagar mais caro por alguns peixes. O preço médio do bacalhau Saithe, que era de R$ 73,50 em 2024, passou para R$ 85,05 o quilo, uma alta de 15,72%. O bacalhau Cod apresentou um acréscimo de 8%. Em relação à variação de preços entre estabelecimentos, os preços de todos os tipos de bacalhau estão acima dos 100%. Segundo Abreu, um dos motivos para a grande diferença é a menor concorrência do setor em BH. “Também, por ser importado, o bacalhau sofreu muito com o aumento do dólar”. O preço médio do quilo da corvina e da tainha subiram 4% cada. Por outro lado, filé de surubim (-13,75%), sardinha (-14%), surubim em posta (-7,57%) e cascudo (-3%) apresentaram queda. Já o camarão sete-barbas grande, que custava, em média, R$ 63,79, subiu para R$ 89,81, um aumento de 40,79%. O camarão rosa limpo e o camarão sete-barbas pequeno subiram 13,74% e 13,37%, respectivamente. Para economizar nos peixes, a orientação do diretor do Mercado Mineiro é comprá-los um final de semana antes da Sexta-feira da Paixão, para conseguir um produto de boa qualidade e com um melhor preço. “Porque os preços já estarão formados. Por exemplo, o ovo de Páscoa chega ao estabelecimento com um preço. Devido à concorrência e à quantidade no estoque, os preços acabam sendo alterados. A principal estratégia do consumidor para economizar nessa época do ano, sem perder as tradições, é pesquisar”, finaliza.
Tarifa sobre o aço pode fazer o Brasil perder US$ 1,5 bilhão em exportação

Segundo um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estima-se que tarifa de 25% sobre importação de aço e alumínio para os Estados Unidos pode fazer o Brasil perder US$ 1,5 bilhão em exportação e uma queda de produção de quase 700 mil toneladas em 2025. O que equivale a um declínio de 2,19% da produção, contração de 11,27% das exportações do metal e redução de 1,09% das importações. O coordenador de Relações Econômicas Internacionais do Ipea e autor do estudo, Fernando Ribeiro, destaca que isso se deve ao fato de que os Estados Unidos são um mercado muito importante para o aço brasileiro. “Em 2024, último dado de ano fechado que nós temos, eles foram destino de mais da metade das exportações. Portanto, é um mercado crucial de aço para o Brasil e daí a importância de se lidar com essa questão”. Apesar da repercussão significativa para o setor, em termos macroeconômicos, o impacto é baixo. A pesquisa prevê queda de apenas 0,01% do Produto Interno Bruto (PIB) e de 0,03% das exportações totais, com ganho de saldo na balança comercial de US$ 390 milhões, já que a redução da atividade econômica também levará à redução nas importações (0,26%). Para a especialista em comércio exterior e partner da Saygo Comex, Stefânia Ladeira, é muito importante entender que não necessariamente todas as exportações de aço do Brasil para os Estados Unidos vão ser impactadas. “Isso porque o Donald Trump está taxando a todos, como Canadá, México, Austrália, China, União Europeia e o Brasil. Não necessariamente essa taxação vai fazer com que todo o volume que é exportado para o país pare”. “Porém, se isso acontecer, dentro do Brasil vai acarretar o efeito em cascata. Se não tiver produtos de aço e alumínio sendo exportados, as indústrias vão parar, as usinas podem dar férias coletivas, e isso impacta toda a parte. Inclusive, esse relatório do Ipea leva em consideração que, possivelmente, a gente vai ter um impacto também dentro da produção nacional”, acrescenta. Ela observa ainda que a questão de afetar os preços dentro do Brasil pode ter duas possibilidades. “Uma queda na demanda interna, pois as indústrias podem reduzir as suas produções e faltar produto ou ficar mais escasso no mercado brasileiro. Como também pode ter um aumento desse custo do produto, exatamente porque foi produzido para exportação, e quando se exporta, o produto tem algumas reduções de impostos, contudo, quando vende para dentro do país, existe uma cadeia de impostos e isso pode afetar no valor final oferecido dentro do mercado nacional”, pontua. Como lidar com a situação Stefânia ressalta que o Brasil tem que lidar com essa situação exatamente como está sendo feito nas últimas semanas. “Ficou muito claro e evidente que Trump está com os seus planos e não pretende recuar. O Brasil continua fazendo suas negociações diretamente com os Estados Unidos, evitando colocar uma taxação dos produtos americanos e devemos continuar assim. Pois, como muitas operações nossas, para esses produtos, estão no mercado estadunidense, ter uma taxação acima do restante, ou ter cotas, ou outros instrumentos que possam impedir os nossos produtos de entrar no território americano, vai piorar a situação”. A especialista explica ainda que, ao longo prazo, o que os Estados Unidos querem é fazer uma mudança para que essas produções aconteçam dentro do mercado americano. “Se as indústrias começarem a migrar para os Estados Unidos ou para países que estão com parceiros comerciais mais fortes, sem a tarifação, o Brasil pode ser impactado. Mas hoje, no curto prazo, esse impacto vai ser um pouco menor exatamente porque estamos num cenário bem competitivo, pois todos os parceiros comerciais, nesse momento, que exportam bastante aço para eles, estão tendo a tarifação”. Setor em 2024 De janeiro a novembro do ano passado, o volume da produção de aço bruto no país foi de 31,1 milhões de toneladas. O resultado supera em 5,6% o registrado entre janeiro e novembro de 2023. Na comparação dos dois períodos, as importações, o consumo aparente e as vendas internas cresceram 24,4%, 9,6% e 8,7%, respectivamente, conforme aponta o Instituto Aço Brasil.
Consumo no setor de eventos pode chegar a R$ 141 bilhões este ano

A Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) estima que o setor de eventos atinja um consumo de R$ 141,1 bilhões em 2025, representando um crescimento de 7% em comparação a 2024, já ajustado pela inflação. No ano passado, o valor efetivo do consumo foi de R$ 131,8 bilhões. Esses dados demonstram a recuperação e o desenvolvimento contínuo do setor, que tem se fortalecido após a pandemia de COVID-19. O setor de eventos também tem apresentado indicadores positivos no mercado de trabalho. A Abrape projeta que o core business da indústria atinja 186,8 mil empregos formais em 2025, o que representa um aumento de 4,28% em relação aos 179,1 mil trabalhadores registrados em 2024. Esse crescimento resultará na criação de cerca de 7,6 mil novas vagas diretas. Ao considerar o hub setorial, a associação prevê um total de 4,305 milhões de postos de trabalho em 2025, o que corresponde a um crescimento de 1,1% em relação aos 4,26 milhões de empregos atualmente registrados. Isso implica na criação de mais 45,2 mil novas vagas diretas em todo o setor. Segundo a entidade, o core business abrange atividades como organização de eventos (exceto culturais e esportivos), atividades artísticas e culturais, espetáculos, recreação e lazer, e a produção e promoção de eventos esportivos. Já o hub setorial engloba 52 atividades econômicas diretamente impactadas, como operadores turísticos, bares e restaurantes, serviços gerais, segurança privada, hospedagem, entre outras. A Abrape também projeta que o setor de eventos terá 103,1 mil empresas em 2025, o que representa um crescimento de 3,1% em relação às 100 mil empresas estimadas para 2024. Dentro da cadeia produtiva, a previsão é que o número de empresas chegue a 836.789 em 2025, um crescimento de 1,9% em comparação com as 821.306 empresas estimadas para 2024. “Após um período de retração, o setor de eventos está se reconfigurando com um olhar mais atento para as novas tendências do mercado. O aumento do consumo em 2025, pode ser explicado pela combinação de vários fatores, incluindo a digitalização dos eventos, o desejo crescente de vivenciar experiências presenciais e as melhorias no cenário econômico do país”, comenta a economista Marcela Andrade. O impacto econômico do setor de eventos vai além do volume de consumo e impacta também empregos, movimentando setores como turismo, serviços e comércio local. “Além do aumento do consumo direto, o setor de eventos tem um papel estratégico na criação de empregos em diversas áreas. Como o Brasil é um destino turístico global, grandes eventos internacionais, como feiras, congressos e festivais, atraem turistas, que consomem em hotéis, restaurantes, transporte e comércio local. Esse movimento contribui para a circulação de riquezas nas economias locais e fortalece o turismo. No entanto, é importante que o setor continue a se adaptar às novas necessidades e desafios, como sustentabilidade e custos operacionais crescentes, para garantir seu crescimento sustentável no futuro”, afirma. O produtor cultural Rafael Lacerda diz que o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) ofereceu uma série de benefícios para ajudar as empresas do setor a enfrentar a crise e retomar suas atividades. “Permitiu a suspensão de impostos como o PIS, Cofins, IPI e a contribuição ao INSS, o que ajudou as empresas a reduzirem seus custos durante o período de inatividade forçada, possibilitou o parcelamento de débitos tributários das empresas do setor em até 120 meses, com condições mais favoráveis e ofereceu linhas de crédito específicas para as empresas do setor, com condições mais acessíveis”. “O apoio financeiro oferecido pelo programa foi fundamental para permitir que empresas mantivessem seus negócios e equipes, além de ajudarem a preservar empregos. Esse suporte possibilitou a continuidade das atividades até que fosse possível retomar os eventos presenciais de forma segura e também contribuiu para criar um ambiente mais favorável à retomada dos eventos”, conclui.
Indústria mineira começa o ano com redução na produção e no emprego

De acordo com a Sondagem Industrial de janeiro de 2025, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o setor industrial registrou retração na atividade fabril. O índice de evolução da produção marcou 46,6 pontos, mantendo-se abaixo da linha dos 50 pontos pelo terceiro mês consecutivo. Apesar da melhora em relação a dezembro (40,9 pontos), o desempenho foi inferior ao registrado no mesmo período de 2024 (47,3 pontos). O emprego na indústria mineira também apresentou recuo. O índice que mede a evolução do número de empregados ficou em 48,3 pontos, caracterizando a segunda queda seguida. O indicador caiu 0,9 ponto frente a dezembro e 2,3 pontos em comparação a janeiro do ano anterior, reforçando o cenário de desaquecimento. Segundo a instituição, mesmo diante de um começo de ano difícil, o setor industrial mantém perspectivas de melhora, aguardando sinais mais concretos de recuperação econômica e aquecimento da demanda ao longo de 2025. “Apesar dos desafios, as expectativas para os próximos seis meses são positivas. Os industriais preveem crescimento da demanda, aumento da compra de matérias-primas e recuperação do emprego”. O economista e especialista em finanças públicas, Gustavo Aguiar, explica que o principal fator que gerou o desaquecimento da economia das indústrias mineiras foi o crescimento da taxa básica de juros. “A Selic saiu de 10,5% para 13,25%, impactando diretamente no consumo das famílias, ou seja, gerando menos demanda e consequentemente, menos produção nas indústrias. E também reduziu o crédito disponível e gerou incerteza dos investidores que acabaram segurando os investimentos”. “A situação econômica, tanto nacional quanto internacional, gera efeitos na indústria de várias formas. A principal é a política monetária que o Banco Central teve que adotar, a partir do segundo trimestre de 2024, devido a uma inflação resistente. Isso provocou a elevação de uma taxa de juros, que já é muito alta no país. Além disso, temos também a desvalorização do real perante ao dólar, que está atrelada a esse cenário inflacionário, que impacta a indústria mineira”, acrescenta. O economista afirma que embora a política monetária do governo esteja agindo para reduzir a demanda e a produção, o setor ainda mantém o otimismo. “Mas, tem que ser feita uma nova avaliação para ver se a política monetária, que provavelmente terá um novo aumento de juros, irá afetar ainda mais esse setor da economia”. Para Aguiar, mesmo com alta taxa de juros impactando toda a indústria brasileira, a queda da produção e do emprego não atingiu todos os setores. “Foram alguns segmentos específicos, porque nós tivemos, por exemplo, a produção de aço bruto que avançou 9,3% em janeiro em Minas Gerais. Também tivemos crescimento de empregos na indústria da construção civil. O automobilístico bateu recorde de vendas em janeiro e os índices de consumo apresentaram uma alta demanda para a aquisição de veículos no ano de 2025”. Nacional Já os dados nacionais, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice ficou em 48,9 pontos, também abaixo da linha de 50 pontos. O levantamento mostra que a produção diminuiu nas pequenas e médias empresas, mas cresceu entre as grandes. No recorte por região, o indicador revelou queda da produção nas indústrias do Centro-Oeste, Norte e Sudeste. No Nordeste e no Sul, a produção cresceu. “Normalmente, a produção acelera no fim do terceiro trimestre para atender as festas de fim de ano. Após isso, é normal que a produção caia, mas é importante perceber que, em 2025, ela foi mais branda que em outros períodos semelhantes”, compara Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. O emprego industrial ficou praticamente estável no primeiro mês de 2025. Em janeiro, o índice de evolução do número de empregados ficou em 49,6 pontos. Assim como a produção, o emprego avançou nas grandes indústrias, mas recuou nas pequenas e médias. A quantidade de trabalhadores nas indústrias do Centro-Oeste e do Sul aumentou, mas caiu no Nordeste, no Norte e no Sudeste.
Indústria de alimentos atinge quase 11% do PIB em 2024

A indústria de alimentos brasileira teve um desempenho excepcional em 2024, alcançando um crescimento de 9,98% no faturamento, comparado ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). O setor faturou R$ 1,277 trilhão, representando 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e consolidando sua importância no cenário econômico nacional. Desse total, 72%, ou R$ 918 bilhões, são provenientes do mercado interno e 28% do comércio exterior (US$ 66,3 bilhões). As vendas reais registraram um crescimento de 6,1%, enquanto a produção física teve um aumento de 3,2%, totalizando 283 milhões de toneladas de alimentos. De uma forma geral, os segmentos que mais cresceram foram o food service (+10,4%) e o varejo alimentar (+8,8%). Em 2024, o setor alimentício aplicou quase R$ 40 bilhões. Desses recursos, R$ 24,9 bilhões foram destinados a inovações, enquanto R$ 13,80 bilhões foram usados em fusões e aquisições. A ABIA reforça o compromisso da indústria em investir R$ 120 bilhões entre 2023 e 2026. Apenas em 2023 e 2024, o setor já aplicou R$ 74,7 bilhões, o que corresponde a mais de 62% da meta estabelecida para esse período. Para o analista de mercado, Pedro Vieira, os resultados são animadores e demonstram a resiliência da indústria alimentícia. “O aumento significativo no faturamento da indústria de alimentos é um reflexo direto da recuperação econômica do Brasil. Esse crescimento mostra que o setor não só se adapta às mudanças de mercado, mas também impulsiona o crescimento de outras áreas da economia, gerando emprego e estimulando o consumo”. Vieira explica que o setor está cada vez mais preparado para atender às novas exigências do consumidor. “A indústria alimentícia está se transformando. Além de investir em novas tecnologias e práticas mais sustentáveis, o setor também está atento à demanda por produtos mais saudáveis, como alimentos orgânicos, sem conservantes e com menos sódio. Isso contribui para a permanência da indústria como um pilar importante da economia nacional. A exportação também foi um ponto positivo, com o Brasil ampliando sua presença em mercados internacionais exigentes, o que fortaleceu a competitividade global do setor”. Desde 2022, o Brasil é o maior exportador mundial de alimentos industrializados em termos de volume. No ano passado, o país exportou 80,3 milhões de toneladas, um aumento de 10,4% em comparação com 2023. Em 2024, as receitas geradas por essas exportações atingiram um valor recorde de US$ 66,3 bilhões, o que representa um crescimento de 6,6% em relação aos US$ 62,2 bilhões registrados no ano anterior. No período de 2020 a 2024, houve um aumento de 72,7% no valor e de 29,2% no volume exportado. Os produtos brasileiros foram exportados para mais de 190 países e seus territórios, destacando-se os seguintes mercados: Ásia, com 38,7% das exportações, sendo a China o principal destino, com uma participação de 14,9%; seguida pela Liga Árabe, com 18,9%, e pela União Europeia, com 12,6%. Empregos Em 2024, um em cada dez trabalhadores no Brasil estava empregado diretamente na indústria alimentícia ou em atividades relacionadas, como agricultura, pecuária, embalagens, máquinas e equipamentos, e serviços de transporte. Foram gerados 72 mil novos empregos formais diretos, o que corresponde a 25% das vagas criadas na indústria de transformação do país. Considerando também os 288 mil postos indiretos, o total de novas vagas alcançou 360 mil. Outra informação relevante é a participação da agricultura familiar: a indústria de alimentos processou 68% do que foi produzido pelo segmento. A economista Paula Albuquerque diz que a criação de empregos no setor tem um efeito multiplicador na economia brasileira. “Quando o setor alimentício cria novos postos de trabalho, ele não só melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também fomenta o consumo e impulsiona a economia local. A indústria de alimentos é responsável por uma grande quantidade de empregos em áreas estratégicas, como produção, logística e distribuição, que acabam gerando benefícios para outros segmentos da economia”. “Com mais pessoas empregadas, há um aumento no poder de compra da população. Isso gera uma maior demanda por bens e serviços, estimulando a economia em um ciclo positivo. O consumo interno é um motor importante para o crescimento econômico, especialmente em setores como o comércio, serviços e, claro, o próprio setor alimentício”, conclui.
Safra de grãos em Minas Gerais deve crescer 8,1% comparada à anterior

A estimativa de produção de grãos para a safra 2024/2025 em Minas Gerais é promissora. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Estado deve colher 17,3 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 8,1% em comparação à safra anterior. O crescimento na produção de grãos é uma excelente notícia para a economia mineira, que depende em grande parte do agronegócio para sua movimentação financeira. De acordo com informações da Conab, a área destinada ao cultivo de grãos na safra 2024/2025 será de 4,2 milhões de hectares, o que representa um aumento de apenas 0,1% em relação à safra 2023/2024. Por outro lado, espera-se um crescimento de 7,9% na produtividade, que atingirá 4 toneladas por hectare. Para o economista Pedro Ribeiro, o aumento de 8,1% na safra tem impactos diretos e positivos para a economia do Estado. “As condições climáticas favoráveis aliada ao uso de tecnologias inovadoras têm se mostrado eficazes na ampliação da produtividade. Com a alta na produção, Minas Gerais tende a se beneficiar tanto em termos de geração de empregos quanto no aumento de arrecadação tributária”. O especialista destaca que o Estado tem um papel de destaque no mercado nacional, sendo um dos maiores produtores de grãos do Brasil. “Minas Gerais é essencial para o abastecimento interno e para a exportação de produtos agrícolas, como soja, milho e café. A safra 2024/2025 reforça essa posição estratégica, com reflexos não apenas nas áreas rurais, mas também na indústria, no transporte e na logística”. Soja Entre os grãos cultivados em Minas Gerais, a soja será a principal produção. De acordo com a previsão da Conab, a safra deve alcançar 8,82 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 13,3% em comparação com a safra de grãos de 2023/2024. Em relação à soja, que possui maior liquidez e preços mais vantajosos, observou-se um aumento de 3,2% na área cultivada, totalizando 2,3 milhões de hectares. Esse crescimento ocorreu principalmente sobre áreas anteriormente destinadas a outras culturas, como milho e feijão. O clima favorável contribuiu para uma maior produtividade, que atingiu 3,79 toneladas por hectare, um incremento de 9,8% em comparação com a safra anterior. Segundo o engenheiro agrônomo João Figueiredo, “a soja é a grande estrela da safra mineira. A adaptação a novos tipos de sementes, mais resistentes a pragas e doenças, além de boas práticas agrícolas, têm impulsionado ainda mais a produtividade”. Milho No Estado, o milho ocupa o segundo maior volume de grãos produzidos, mas, ao contrário da soja, não deverá registrar crescimento na safra 2024/2025. A previsão para a produção de milho na primeira safra é de 3,8 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 1,9%. A área plantada, de 614 mil hectares, diminuiu 10,1%. Por outro lado, espera-se um aumento de 9,2% na produtividade, com uma colheita de 6,2 toneladas por hectare. A colheita já foi iniciada. Para a segunda safra, a expectativa é de uma produção de 2,4 milhões de toneladas, um crescimento de 8,4%. A área cultivada deve recuar 2,6%, mas a produtividade tende a se recuperar, com um aumento projetado de 11,3%. Com a alta demanda tanto para consumo interno quanto para exportação, especialmente para a produção de ração animal e etanol, a cultura deve alcançar bons resultados. Figueiredo destaca o papel crescente do milho. “Minas tem mostrado grande potencial para aumentar sua produção de milho, o que é fundamental para o abastecimento tanto do mercado interno quanto das indústrias de ração e etanol”. Algodão A produção de algodão continua apresentando tendência de crescimento. De acordo com os dados, a produção do grão deve aumentar em 19,6%, totalizando 112,2 mil toneladas de algodão em caroço. Durante o ciclo produtivo, a área cultivada cresceu 34,9%, enquanto a produtividade deve apresentar uma queda de 11,3%. A produção de pluma pode alcançar 78 mil toneladas, um incremento de 19,8% em relação à safra passada.
Empresários apostam no Carnaval para aumentar vendas e faturamento

“Os comerciantes da região Central e de outros centros comerciais de Belo Horizonte estão cada vez mais interessados nessa movimentação e buscando maneiras de tirar proveito e aumentar a renda de seus negócios durante o Carnaval”, comentou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, em reunião que contou com representantes de bares, restaurantes e do poder público municipal e estadual para discutir a organização da cidade no período de folia. O maior interesse em um desempenho melhor no Carnaval é confirmado por uma pesquisa realizada pela CDL/BH. Segundo o levantamento, 59,2% dos empresários da capital acreditam que a festa terá um impacto muito positivo nas vendas, um aumento de 19% em relação a 2024. “O Carnaval está atraindo cerca de 6 milhões de pessoas para Belo Horizonte. Isso é fundamental para impulsionar a principal atividade econômica da cidade, que é o comércio e os serviços”, destacou o presidente da CDL/BH. Os lojistas ouvidos na pesquisa esperam que os foliões gastem, em média, R$ 89,60 por produto. A expectativa é que cada pessoa compre até dois itens, o que pode elevar o valor médio para aproximadamente R$ 180, um crescimento de 42% em relação ao ano passado. Para 29,3% dos comerciantes, as vendas de vestuário devem ser as mais expressivas durante a folia, seguidas por bebidas não alcoólicas (26,5%), bebidas alcoólicas (24,9%), adereços (19,9%), lanches (19,3%) e fantasias (9,9%). Hotéis e restaurantes A pesquisa da CDL/BH também ouviu empresários do setor hoteleiro de Belo Horizonte. Para 40% deles, as expectativas de ocupação para este ano estão acima ou muito acima da média. Já 50% acreditam que a demanda será semelhante à do ano anterior, enquanto 10% preveem uma taxa de ocupação inferior. De acordo com a presiDados foram divulgados em reunião na CDL/BH CDL/BH dente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Flávia Araújo, espera- -se um aumento mínimo de 30% no valor médio das diárias. “Na região Centro-Sul, já estamos com praticamente 90% de ocupação e temos certeza de que chegaremos a 100%. Na Pampulha e em áreas mais afastadas, a taxa está em torno de 60%, com expectativa de crescimento”. “Cerca de 67% dos donos de bares e restaurantes esperam um aumento no faturamento, sendo que 58% deles projetam um crescimento de pelo menos 20%, enquanto 9% aguardam um resultado ainda maior”, destacou a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Karla Rocha. Poder público No encontro realizado na sede da CDL/BH, representantes do Corpo de Bombeiros e das Polícias Militar e Civil informaram que todo o efetivo estará mobilizado para garantir a segurança dos foliões. A subsecretária estadual de Política dos Direitos das Mulheres, Joana Coelho, afirmou que serão realizadas ações de combate ao assédio durante o Carnaval. “Estamos trabalhando de forma integrada para acolher as mulheres e garantir que elas possam aproveitar a festa com liberdade”. “Todos os anos convidamos o poder público estadual e municipal para discutirmos a organização do Carnaval. Essa reunião é para transmitir informações importantes aos foliões e ao setor de comércio e serviços, garantindo mais tranquilidade para quem visita Belo Horizonte”, concluiu Marcelo de Souza e Silva.
Mais de 430 mil pequenos negócios foram abertos no Estado em 2024

De acordo com dados do Sebrae Minas, com informações da Receita Federal, em 2024, Minas Gerais ocupou a segunda posição no Brasil em termos de abertura de pequenos negócios, ficando atrás apenas de São Paulo. O Estado registrou 436.794 novas pequenas empresas, o que representa um crescimento de 8,41% em comparação com o ano anterior. Os pequenos negócios, que incluem os microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), corresponderam a 96,55% das novas empresas fundadas em Minas. A maior parte dos novos negócios foi registrada como MEI, representando 76,59%, seguida pelas ME (20,34%) e EPP (3,07%). O setor de serviços foi o mais expressivo, com 245.553 empresas abertas em Minas Gerais. O comércio ficou com 99.366 novas empresas, enquanto a indústria somou 86.096 registros. Já a agropecuária registrou 5.779 novos CNPJs. Em 2024, a atividade econômica que registrou o maior número de aberturas foi a de “promoção de vendas”, com 21.445 novos negócios. Em seguida, destacaram-se o “comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios” (17.183), “cabeleireiros, manicure e pedicure” (15.380), “obras de alvenaria” (15.088) e “preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo não especificados” (14.458). Belo Horizonte liderou os municípios de Minas Gerais com o maior número de novos pequenos negócios, totalizando 80.635. De acordo com a economista Marcela Andrade, o crescimento no número de pequenas empresas reflete a confiança renovada dos empreendedores no ambiente econômico do Estado. “Minas Gerais tem mostrado uma recuperação econômica sólida, com avanços em diversas áreas, o que tem impulsionado os negócios de pequeno porte, além de uma economia diversificada, com destaque para os setores de serviços, comércio e indústria. A flexibilidade para atender diferentes nichos de mercado, combinada com a demanda crescente por novos produtos e serviços, ajudou a fomentar o empreendedorismo”. Para Marcela, a ascensão dos pequenos negócios também está diretamente ligada à busca por alternativas de emprego e à necessidade de adaptação a novos modelos de consumo, especialmente com o crescimento das plataformas digitais. “O perfil do empreendedor mineiro tem se adequado a essas mudanças, e há uma aceleração na busca por soluções que atendam às necessidades do mercado, principalmente no setor de serviços. A transformação digital fez com que muitas pequenas empresas se adaptassem a novos modelos de negócio, como vendas on-line e prestação de serviços digitais. Isso facilitou a abertura de negócios mais ágeis e com custos mais baixos de operação”. De janeiro a dezembro de 2024, o saldo líquido entre a abertura e o fechamento de pequenos negócios em Minas Gerais foi de 170.276, representando um aumento de 5,50% em comparação com 2023. Esse resultado é calculado com base em 436.794 novas empresas abertas e 266.518 fechadas. Dados nacionais Em todo o país, foram abertos 4.141.455 pequenos negócios, sendo 73% de microempreendedores individuais. O saldo foi de 1.754.785. O setor de Serviços também teve destaque nacional, registrando 2.343.297 de novos CNPJs, e saldo de 1.121.409. Cenário para 2025 O consultor financeiro Guilherme Ferraz explica que o acesso a financiamentos ainda pode ser um desafio, especialmente para MEIs e pequenas empresas. “Muitos empreendedores podem se deparar com dificuldades em obter empréstimos com condições favoráveis, principalmente em um cenário de juros altos ou exigências rígidas para a concessão de crédito”. “Além de questões como inflação e mudanças na política fiscal, podem afetar o ambiente de negócios. Esse contexto de instabilidade pode gerar receios entre os empreendedores, tornando o planejamento e a gestão financeira mais desafiadores. Os empresários podem enfrentar despesas elevadas com aluguel, matérias-primas e mão de obra”, ressalta.
58,4% dos empresários projetam vender mais no primeiro semestre

O comércio em Minas Gerais está otimista quanto à possibilidade de os resultados se manterem ou até superarem as expectativas em 2025. Dados do Núcleo de Inteligência e Pesquisa da Fecomércio MG mostram que para 58,4% dos empreendedores, o primeiro semestre deste ano deve ser ainda melhor, embalado pelo aquecimento do setor e por ações realizadas nas lojas. Além disso, segundo a pesquisa, 55,1% dos empreendedores alcançaram as expectativas de vendas no segundo semestre de 2024, enquanto 42,8% não conquistaram os objetivos. Para o economista Fabrício Diniz, com a esperança de uma recuperação econômica, os empresários estão confiantes de que a estabilidade política e a melhoria nos indicadores macroeconômicos, como inflação e taxa de juros, ajudarão a fomentar o consumo. “A previsão de um cenário mais equilibrado e previsível tende a aumentar a confiança dos consumidores e dos empreendedores, o que reflete em um otimismo maior”. A pesquisa também aponta uma expectativa de estabilidade no comércio e uma melhoria nas vendas para 43,2% das 421 empresas participantes do levantamento em Minas Gerais nos próximos meses. Para os empresários que não compartilham desse otimismo, as explicações estão relacionadas ao cenário político e econômico atual, além do endividamento dos consumidores. Diniz explica que a instabilidade política e a incerteza econômica ainda são desafios significativos. “Mudanças nas políticas fiscais, tributárias ou outros fatores imprevistos podem gerar um ambiente de incerteza, o que acaba afetando o comportamento do consumidor e dificultando a confiança no momento de realizar compras. A falta de previsibilidade pode levar a um consumo mais cauteloso e ao adiamento de compras”. “Embora o endividamento do consumidor também ainda seja uma preocupação, há uma expectativa de que o poder de compra melhore, com uma possível redução das taxas de juros e uma recuperação da renda, permitindo que mais pessoas consumam produtos e serviços”, completa. Datas comemorativas do primeiro semestre seguem como os principais eventos que estimulam o comércio. Para 2025, dentre as datas comemorativas de maior impacto positivo, o Dia das Mães aparece como a principal do período para 64,3% das empresas, seguido por Carnaval (36,1%) e Dia dos Namorados (25,6%). As medidas adotadas pelas empresas para impulsionar as vendas nesse período serão divulgação e propaganda (43,9%), promoções (39,7%) e atendimento diferenciado (25,7%). “Muitos comerciantes acreditam que as ações de marketing, promoções e melhorias nas estratégias de atendimento ao cliente, além de um aumento no consumo, poderão impulsionar as vendas”, ressalta o economista. Em relação às formas de pagamento, 47,3% dos entrevistados indicam que o cartão de crédito parcelado será a principal opção, seguido pelo Pix (19,2%) e pelo cartão de crédito à vista ou crédito com parcela única (14,3%). Quando comparado ao primeiro semestre de 2023, observa-se um aumento significativo na previsão de pagamentos por Pix, que na época era esperado por apenas 10,3% dos empresários. Érica Vieira é dona de uma loja de vestuário e também está otimista em relação às vendas do primeiro semestre de 2025. “Acredito que, com a retomada da confiança do consumidor, temos grandes chances de crescer. Estou focando em algumas estratégias importantes, como promoções sazonais e no lançamento de novas coleções, além de aprimorar o atendimento personalizado aos clientes”. “Também ampliei minha presença nas redes sociais, criando campanhas direcionadas e oferecendo descontos exclusivos para quem compra on-line. Outra aposta é a flexibilização do pagamento, com parcelamento facilitado, para atrair mais clientes. Estou confiante de que essas ações vão nos ajudar a atingir nossas metas e até superá-las, principalmente nas datas comemorativas que costumam render bem”, conclui a empresária.
Produção de veículos atinge a marca de 2,5 milhões em 2024

A produção de veículos no Brasil apresentou alta de 9,7%, se comparado com 2023. Foram 2.550 milhões de produção total, segundo o levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Isso fez com que o país retomasse da Espanha o posto de oitavo maior produtor de veículos em 2024. O fato mais representativo foi que a soma de vendas de novos e usados chegou à marca de 14,2 milhões de veículos leves vendidos, maior resultado na história do país. Nos emplacamentos, o fechamento foi de 2.635 milhões de unidades, volume 14,1% mais alto que o do ano anterior, e bem superior à média global, que foi de +2%. Foi o maior aumento no ritmo de vendas internas desde 2007. De acordo com o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, há uma demanda reprimida por transporte individual que vem sendo atendida de forma crescente, graças às melhores condições de crédito. “Se essas condições melhorarem e se houver uma política de renovação de frota, mais pessoas poderão optar por veículos zero quilômetro”, ressalta. Já para o economista Paulo Roberto Paixão Bretas, a economia brasileira vem crescendo pelo lado da demanda. “O desemprego atingiu níveis bem baixos e o governo tem irrigado o consumo com o fortalecimento do salário mínimo e os programas sociais. A classe C voltou a crescer e com ela vem um maior consumo de bens duráveis”. “Também tivemos, até 2024, uma ampliação dos investimentos por parte da indústria. Só que as coisas vão mudando muito rapidamente e a partir do quarto trimestre já se pode perceber a perda de dinamismo da economia. A compra de bens duráveis é muito dependente de crédito, juros e do número de parcelas, e a facilitação desses fatores contribui para aumentar as vendas”, acrescenta. Porém, ele destaca que a tendência atual é de desaceleração. “O governo se vê pressionado a equacionar sua situação de endividamento e existe uma desconfiança crescente em relação ao arcabouço fiscal. Não adianta forçar a economia a crescer via consumo, quando ela não consegue responder com produção interna ou mais importações”. Exportações e importações Conforme a Anfavea, as exportações de dezembro confirmaram o forte viés de alta do segundo semestre, que compensaram o fraco desempenho do primeiro e praticamente igualaram o resultado de 2023, indicando um 2025 de recuperação nos embarques. Ao todo, 398,5 mil autoveículos foram enviados para outros países. Argentina e Uruguai foram os destaques em termos de crescimento, a ponto de compensar as quedas de envios para todos os outros países da América Latina. Já as importações tiveram o melhor período entre os últimos 10 anos, com 466,5 mil emplacamentos, alta de 33% impulsionada pela entrada maciça de eletrificados, em especial da China. Bretas ressalta que o Brasil se tornou uma das plataformas mundiais para montagem e exportação de veículos. “Faz parte da estratégia de muitas dessas multinacionais seguir produzindo e exportando. Temos mão de obra qualificada e o dólar pode favorecer um aumento de vendas. Mas, é bom lembrar que quando essas empresas importam componentes para a montagem de veículos, em especial os microeletrônicos e peças mais sofisticadas, também estará pagando um dólar mais caro”. Projeção para 2025 A Associação estima o emplacamento de 2.802 unidades para 2025, um aumento de 6,3%; a exportação de 428 mil autoveículos, crescimento de 7,4%; e a produção total de 2.749 novas unidades, um avanço de 7,8%, em relação a 2024. O economista aponta que o aumento da concorrência é um dos principais desafios do setor em 2025. “Além das taxas de juros mais elevadas, uma possível queda no poder de compra da população e a descontinuidade de algumas cadeias produtivas ocasionais”. “O governo federal precisa lidar com condições macroeconômicas difíceis em decorrência da falta de credibilidade disseminada, que decorre de uma dívida pública elevada, consequência de déficits primário e nominal. Estamos pagando muito para fazer a rolagem da dívida. O mercado desconfiado e criando desconfiança”, finaliza.