Carnaval deve movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão em Belo Horizonte

O Carnaval de Belo Horizonte chega a 2026 consolidado não apenas como um dos maiores do país em número de foliões, mas também como um dos principais motores da economia local. A expectativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) é de crescimento entre 10% e 15% na movimentação econômica durante o período, impulsionado pelo aumento do consumo, do turismo e da ocupação hoteleira. De acordo com o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o Carnaval deixou de ser apenas um evento cultural para se tornar um vetor estratégico de desenvolvimento. “Ele movimenta o comércio, gera renda, cria oportunidades para pequenos empreendedores e fortalece a imagem da cidade como destino turístico”. Para Souza e Silva, o impacto é percebido principalmente no comércio de rua, nos serviços e na cadeia do turismo. “É um período em que o dinheiro circula mais rápido e atinge diferentes camadas da economia”. Um levantamento da CDL/BH aponta que 58,1% dos foliões pretendem aproveitar os blocos de rua e 48,8% devem participar de pré-carnavais gratuitos ou ensaios de blocos. Esse perfil favorece bares, restaurantes, ambulantes, supermercados, lojas de fantasias e serviços de transporte. “O Carnaval democrático, gratuito e de rua permite que mais pessoas participem e consumam. Isso amplia o alcance econômico da festa”, destaca. Outro ponto ressaltado pelo presidente da CDL/BH é a profissionalização dos ambulantes ao longo dos últimos anos. “A organização e a capacitação dos vendedores ambulantes têm sido fundamentais. Eles conseguem gerar renda extra com qualidade, enquanto o folião tem acesso a produtos e serviços mais confiáveis”. Segundo a pesquisa, 67,4% dos consumidores pretendem comprar diretamente com ambulantes. Em Minas Gerais, a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, projeta que o Carnaval deve injetar cerca de R$ 6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão apenas em BH. “A Folia movimenta a economia e diversas estruturas, tanto na esfera municipal quanto estadual. Esse trabalho em rede é o que tem consolidado Belo Horizonte como um destino estratégico do Carnaval”. Quanto o folião deve gastar Os gastos individuais ajudam a explicar o otimismo do setor produtivo. De acordo com a CDL/BH, os foliões devem investir entre R$ 100 e R$ 150 em fantasias e adereços, além de cerca de R$ 70 por dia com bebidas. O pagamento à vista será predominante, com destaque para Pix, cartão de débito e crédito à vista, enquanto o transporte por aplicativo aparece como o principal meio de locomoção. Esse comportamento mostra cautela do consumidor, sem perder o desejo de aproveitar a festa, avalia Souza e Silva. “O folião quer curtir o Carnaval, mas sem comprometer o orçamento. Ele busca opções acessíveis, o que favorece os pequenos negócios”. Nos bares e restaurantes, a expectativa também é positiva. A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Karla Rocha, afirma que a maioria dos empresários espera crescimento no faturamento durante a Folia. “O Carnaval já está incorporado ao calendário econômico da cidade. Os estabelecimentos estão mais preparados para atender o público e transformar esse fluxo em resultados”, destaca. A hotelaria acompanha o mesmo ritmo. Segundo o diretor de Comunicação da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Diego Pires Gomes, a ocupação média em Belo Horizonte deve alcançar 85%, com 60% dos hotéis já operando com 100% de ocupação, especialmente na região Centro-Sul. “O Carnaval de BH é a maior vitrine da hotelaria. Muitos turistas prolongam a estadia, o que aumenta o ticket médio e beneficia toda a cidade”, afirma.

62,3% das empresas brasileiras estão com dificuldade em contratar

As empresas brasileiras estão com dificuldade em contratar ou reter colaboradores. Para 62,3% das instituições, essa era uma realidade presente ao final de 2025, 3,6 pontos percentuais acima do resultado de 2024, é o que aponta uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre). No ano passado, o setor com maior dificuldade foi a construção civil, com 69,1% das empresas relatando problemas em contratar. Todos os principais segmentos registraram piora na passagem de 2024 para 2025, exceto a indústria de transformação, que reduziu o percentual de 60,2% para 52,3%. De acordo com o estudo, a principal estratégia que as empresas vêm adotando para superar essa dificuldade é o investimento em capacitação interna (43,4%). Logo depois aparecem oferecer mais benefícios (36,2%) e mudar processos para reduzir a dependência de mão de obra (24,9%). Já os impactos causados por esse problema são o aumento de carga horária (25,5%) e as mudanças de preço de bens/serviços (20,7%). O coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho da Superintendência Adjunta para Ciclos Econômicos (FGV Ibre), Rodolpho Tobler, explica que a construção e o comércio são atividades que em geral registram maior nível de rotatividade de mão de obra. “O que torna a aquisição desse capital humano ainda mais complexa. O resultado da pesquisa sugere que o perfil buscado pelas empresas não necessariamente se refere a uma superqualificação. Muitas vezes, a necessidade do negócio está relacionada a algum tipo de treinamento específico”. O mestre em economia, Ricardo Paixão, afirma que existem vários fatores para explicar esses números. “O Brasil entrou no cenário em que o mercado de trabalho ficou mais enxuto, a taxa de desemprego reduziu bastante, nível mais baixo da série histórica, e isso causa menos oferta de colaboradores”. “Em vários setores existia muita oferta de trabalhadores para as vagas, e com o passar do tempo, até mesmo com a precarização do trabalho, com o surgimento dos aplicativos, as pessoas não querem se submeter a uma qualidade precária de serviço, salário baixo, jornada de trabalho exaustiva, ou a um setor que tenha muita rotatividade. O indivíduo prefere fazer seu próprio horário, ganhando um pouco mais nos aplicativos e sem direitos trabalhistas, criando um cenário totalmente diferente de antigamente”, pontua. Paixão acredita ainda que existe um risco da falta de trabalhadores se tornar um entrave mais sério ao crescimento econômico. “Principalmente, se o índice de desemprego continuar reduzindo, e se a economia entrar nesse ritmo de retomada dos investimentos em setores que necessitam demais de força de trabalho. A tendência é continuar tendo essa falta em 2026 e podendo chegar à anos posteriores. Esse ciclo todo que se forma faz com que projetos atrasem custos, produtividade cai e existe uma pressão salarial localizada que, quando tem escassez de trabalhadores, faz os salários médio aumentarem”. 85 mil postos de trabalho Segundo dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, o país gerou 85.864 postos de trabalho no mês de novembro, resultado de 1.979.902 admissões e 1.894.038 desligamentos. No acumulado dos últimos 12 meses (dezembro de 2024 a novembro de 2025) o saldo é de 1.339.878, menor que o saldo observado no período de 2023 a 2024 (1.781.293). Apenas dois dos cinco grandes grupos de atividades econômicas registraram saldos positivos: Comércio (78.249) e Serviços (75.131). Registraram saldos negativos a Agropecuária (-16.566), a Construção (-23.804); e a Indústria (-27.135). Em novembro, foram registrados saldos positivos em 20 Unidades Federativas, com maiores saldos absolutos em São Paulo (31.104), Rio de Janeiro (19.961) e Pernambuco (8.996). Minas Gerais aparece entre os menores saldos: -8.740 postos (-0,1%). Para Paixão, o mercado de trabalho brasileiro vive um “descasamento” entre oferta e demanda. “Temos sinais que algumas competências e condições desejadas não se encontram com rapidez. O mercado pode gerar vagas líquidas e ao mesmo tempo enfrentar escassez em ocupações específicas, especialmente com desemprego baixo, com mudanças tecnológicas e organizacionais, que elevam a demanda de certas habilidades”.

Quase 80% das famílias brasileiras terminaram o ano endividadas

Em dezembro de 2025, o percentual de consumidores endividados atingiu 78,9%, o patamar mais elevado já registrado para esse mês desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em relação a dezembro de 2024, o indicador avançou 2,3 pontos percentuais. O índice de inadimplência também apresentou crescimento no período, alcançando 29,4% na comparação anual. Já na análise mês a mês, os indicadores apresentaram alívio. Depois de alcançar o recorde histórico de 79,5% em outubro, a proporção de famílias com dívidas caiu para 78,9% em dezembro, o nível mais baixo observado desde julho. A mesma tendência de queda foi verificada na inadimplência: o percentual de contas em atraso ficou em 29,4% no encerramento do ano, resultado inferior ao pico de 30,5% registrado em outubro e o menor desde abril, quando marcou 29,1%. Mas mesmo com a recuperação observada nos últimos meses do ano, o balanço anual indica um aumento das dificuldades financeiras na comparação com o ano anterior. “A alta persistente dos juros e a inflação ainda em patamares elevados corroem a renda disponível dos trabalhadores, forçando a maior utilização de crédito para o consumo cotidiano e para o pagamento de compromissos pré-existentes. Além disso, o encarecimento do crédito tradicional tem levado muitos consumidores a buscar modalidades de empréstimos com condições menos favoráveis, o que amplia o endividamento total”, explica a economista Laura Mendes. “Temos uma conjuntura em que o custo de vida sobe mais rápido que os salários, juros altos reduzem o poder de compra e o crédito, ainda que seletivo, continua sendo a principal alternativa de consumo para muitos”, completa. Laura também afirma que a fraca educação financeira da população pode levar a escolhas menos equilibradas, como o uso excessivo do cartão de crédito sem planejamento, o que só aumenta o comprometimento da renda com juros e parcelas. O uso do cartão de crédito firmou-se como a forma mais recorrente de endividamento, representando 85,1% das famílias com dívidas, o que corresponde a uma elevação de 1,3 ponto percentual em relação a 2024. Esse cenário inspira atenção, já que essa modalidade apresenta algumas das taxas de juros mais elevadas do mercado, próximas de 90,1% ao ano. Em contrapartida, a proporção de famílias que afirmaram não conseguir arcar com seus compromissos financeiros recuou para 12,6%, encerrando o período em nível inferior ao observado em 2024. Já o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,5% em dezembro, abaixo dos 29,8% registrados no mesmo mês do ano anterior. A economista diz que um ponto importante é uma política macroeconômica mais favorável ao crescimento econômico sustentável. “A redução responsável da taxa básica de juros, quando compatível com o controle da inflação, pode diminuir o custo do crédito e tornar mais viável o pagamento das dívidas. Além disso, programas de apoio às pequenas e médias empresas, que são grandes geradoras de emprego, podem fortalecer o mercado de trabalho e aumentar o poder aquisitivo das famílias”. O consultor financeiro Ricardo Faria ressalta que a melhora dos indicadores no final de 2025 é explicada por um planejamento financeiro mais cuidadoso por parte dos consumidores. “Além de fatores sazonais, como as festividades de fim de ano, que impulsionam o comércio e a oferta de crédito, e o pagamento do 13º salário. Ainda assim, persiste um risco relevante no processo de endividamento, sobretudo relacionado ao uso do cartão de crédito, que pode levar à acumulação progressiva das dívidas”. Neste início de ano, Faria recomenda a criação de um orçamento familiar rigoroso. “É essencial mapear gastos e priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos. Renegociar parcelas com credores, buscar crédito com juros baixos e, se possível, destinar parte da renda para um fundo de emergência são passos importantes”.

Carnaval de Belo Horizonte deve atrair público de 6,5 milhões de foliões

A proximidade do Carnaval de 2026 já começa a impactar a hotelaria de Belo Horizonte. Logo na primeira semana de janeiro, a taxa média de ocupação dos hotéis da capital gira entre 70% e 75%. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), estabelecimentos localizados nas áreas próximas aos principais circuitos carnavalescos apresentam níveis de reserva perto do limite. De acordo com a entidade, o quadro aponta para uma procura mais antecipada do que a registrada em anos anteriores, em sintonia com a estimativa de aumento do público do evento. Ainda é possível encontrar vagas, sobretudo em hotéis fora do hipercentro e em áreas com melhor conexão viária, o que evidencia o papel da mobilidade urbana na distribuição dos visitantes pela cidade. Conforme levantamento do Observatório do Turismo de Minas Gerais, em 2025, a ocupação média da rede hoteleira de Belo Horizonte durante o Carnaval ultrapassou 87%. Para 2026, a projeção é de novo crescimento, com chance de a taxa se aproximar de 100% em uma parcela expressiva dos meios de hospedagem. Na avaliação da Associação Brasileira de Agências de Viagens em Minas Gerais (Abav-MG), a previsão é de um aumento em torno de 10% no número de foliões em comparação ao ano anterior, com a possibilidade de o Carnaval atrair aproximadamente 6,5 milhões de participantes. “Hoje, o visitante entende que BH deixou de ser uma aposta e se tornou uma certeza no calendário do Carnaval brasileiro. A cidade conseguiu criar um modelo próprio de festa, que mistura espontaneidade, organização e forte apelo cultural. Isso atrai desde jovens em busca de grandes blocos até famílias e turistas interessados em experiências mais tranquilas”, avalia a turismóloga Ana Carolina Costa. Investimentos em mobilidade urbana e na organização dos circuitos têm ajudado a distribuir melhor o fluxo de foliões pela cidade, ampliando o impacto positivo para bairros além do hipercentro, esclarece Ana Carolina. “Quando o turista se hospeda fora da região central e consegue se deslocar com facilidade, consome em mais lugares, movimentando bares, restaurantes, comércio e serviços em diferentes pontos da capital”. Os reflexos econômicos desse movimento já são sentidos antes mesmo do início oficial da folia. Com hotéis cheios, cresce a demanda por mão de obra temporária, serviços de transporte, alimentação, produção cultural e eventos. A cadeia produtiva envolve desde costureiras e músicos até empresas de logística, segurança e limpeza urbana. “Quando milhões de pessoas chegam a Belo Horizonte, elas passam a demandar hospedagem, alimentação, transporte, lazer e serviços em geral. Isso gera um efeito imediato no faturamento de hotéis, restaurantes, bares, aplicativos de mobilidade, táxis, comércio e prestadores de serviço”, destaca o economista Carlos Mendonça. Outro impacto relevante está na geração de empregos temporários. Durante o período que antecede e inclui o Carnaval, há uma alta na contratação de trabalhadores para funções como recepção, limpeza, segurança, atendimento, produção cultural, montagem de estruturas e logística. “Essas vagas são fundamentais para complementar a renda de muitas famílias e reduzir a informalidade em um período concentrado do ano”, afirma. Além disso, muitos profissionais autônomos, como ambulantes, músicos, técnicos de som e artistas, encontram no Carnaval uma das principais oportunidades de ganho do calendário anual. Com o aumento da atividade econômica, cresce a coleta de impostos municipais, como o ISS, além de taxas e tributos ligados a eventos, hospedagem e serviços. Esses recursos, segundo Mendonça, podem ser reinvestidos em áreas essenciais. “Quando bem planejado, o Carnaval gera receita que pode retornar para a população na forma de melhorias urbanas, infraestrutura, mobilidade e políticas culturais”. Há ainda benefícios em médio e longo prazo, como a visibilidade nacional conquistada por Belo Horizonte como destino carnavalesco, que fortalece a imagem da cidade e estimula novas visitas ao longo do ano. “Muitos turistas que conhecem BH no Carnaval retornam em outros períodos, seja para eventos culturais, gastronomia ou negócios. Isso ajuda a reduzir a sazonalidade do turismo e cria um fluxo mais constante de visitantes”, conclui Ana Carolina.

Inadimplência bate recorde e atinge 8,7 milhões de empresas no país

Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, 8,7 milhões de instituições brasileiras estão negativadas, sendo mais de R$ 200 bilhões em dívidas atrasadas. Desse total, 8,2 milhões são micro, pequenas e médias empresas, que juntas, concentraram o volume de 56,8 milhões de dívidas negativadas que somaram R$ 184,6 bilhões em contas em atraso. O setor de serviços ocupa o primeiro lugar em negativações, com 54,9% do total, seguido pelo comércio (33%), indústria (8%) e outros (3,1%). Em números absolutos, os estados do Sudeste concentram o maior volume de CNPJs inadimplentes, total de mais de 4,6 milhões, seguidos pelos da região Sul (mais de 1,4 milhão) e do Nordeste (mais de 1,3 milhão). Em Minas Gerais, são 813.406 empresas inadimplentes. A economista e Coordenadora de Ciências Econômicas e Ciências Atuariais da FMU, Natalie Verndl, explica que o endividamento das micro e pequenas empresas deriva de um conjunto de fatores que são estruturais. “O primeiro deles se refere ao alto custo do crédito, pois os juros cobrados ainda continuam muito caros. Há também a volatilidade da demanda, alguns pequenos negócios têm uma oscilação de vendas e sazonalidades que acaba tendo um reflexo no fluxo de caixa, e que não permite uma certa estabilidade a longo prazo”. “Por fim, ainda estamos vivendo um período prolongado de inflação elevada, bem pressionada, que encarece os insumos para as empresas, e em termos de lucro acaba reduzindo a sua margem. Além disso, tem a questão da complexidade tributária do país e também da baixa educação financeira dos empreendedores”, complementa. Para Natalie, a inadimplência acaba reduzindo o dinamismo econômico. “Porque impede que as empresas consigam acessar o crédito, investir, criar novas tecnologias e, principalmente, ampliar a sua capacidade de operações e produção. O resultado é uma desaceleração do crescimento econômico, ou seja, o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer menos em última instância”. Na geração de empregos, esse fato reduz o ritmo de contratação, afirma a economista. “Em muitos casos, o primeiro corte a ser feito para adequar essas contas, em um cenário de inadimplência, é a demissão de funcionários. Instituições que estão endividadas acabam perdendo essa capacidade de investimento e de expansão, e as micro e pequenas empresas representam basicamente 70% dos empregos formais no Brasil”. A especialista destaca que o governo poderia atuar em três frentes para ajudar essas instituições. “A primeira é fazer uma linha de crédito mais barata e com garantias públicas que possam auxiliar esse público. A segunda é a redução dos juros juntamente com a simplificação tributária. E o último ponto é a digitalização de processos, uma integração de cadastros, e uma facilitação para a abertura, manutenção e regularização dessas empresas, reduzindo a questão da burocracia”. Planejamento O advogado tributarista do escritório Morad Advocacia, Antônio Carlos Morad, esclarece que o planejamento é a chave da recuperação do negócio. “Uma empresa menor deve ser gerida como tal. É de suma importância que os pequenos investidores se preparem para o crescimento da firma. A pesquisa, o aprofundamento no conhecimento técnico do negócio, o reestudo de conceitos, a viabilidade, entre outros pontos, deve ser primordial para que se obtenha sucesso”, acrescenta Morad. Para regularizar uma instituição negativada, o advogado pontua os principais caminhos jurídicos. “Primeiramente repensar o negócio e verificar se existe um anacronismo. Se não for isso, o empresário carece de analisar onde ocorreram os erros e entender os pontos fracos, para que se corrija rapidamente. Um advogado experiente e especializado no direito tributário deve ser contratado para apresentar soluções que possam levar a empresa a restabelecer sua saúde fiscal”.

Minas alcança US$ 41,4 bilhões em exportações no acumulado do ano

As exportações de Minas Gerais totalizaram US$ 41,4 bilhões no acumulado de 2025, um aumento de 6,4% frente ao mesmo período de 2024, e as importações somaram US$ 17 bilhões, resultando em um superávit de US$ 24,4 bilhões, segundo a Fundação João Pinheiro (FJP). O Estado respondeu por 13% das vendas internacionais brasileiras e se manteve como o terceiro maior exportador do país. Nos 11 primeiros meses de 2025, as importações representaram um crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2024, sendo o quinto maior importador do Brasil com 6,5% das compras internacionais. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o fluxo comercial mineiro somou US$ 58,4 bilhões, o terceiro maior do país, e superando em 7,2% o montante do ano passado. “Em todo o ano de 2024, as exportações mineiras somaram cerca de US$ 42 bilhões, o que já foi um salto significativo para o Estado. E os números mostram que, novamente, devemos quebrar um recorde na série histórica. Isso reforça que as políticas do Governo de Minas para o comércio exterior estão sendo efetivas e que os produtos mineiros, mais do que nunca, estão alcançando o mundo”, ressalta a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Mila Corrêa da Costa. O economista titular do Conselho Regional de Minas Gerais, Gelton Pinto Coelho Filho, explica que há duas questões importantes e fundamentais para entender o sucesso das exportações mineiras, mesmo com a crise deflagrada pelo governo norte-americano. “O financiamento vultoso da produção, feita pelo governo federal, e anos de trabalho de empresas, como a Embrapa, que junto com o empresariado agroexportador têm avançado muito em tecnologias e utilização adequada da terra. O financiamento e as pesquisas diminuem substancialmente o risco do negócio e permitem melhor alocação dos insumos produtivos”. Filho salienta que os impactos do tarifaço foram diferentes por setor, mas significativamente menores do que havia sido projetado. “Individualmente, enquanto o café teve avanço, o aço, por exemplo, teve muitas perdas. O número final não pode ser vendido como sucesso, se vários setores tiveram prejuízos”. Dados de novembro No mês de novembro, Minas Gerais foi o segundo maior exportador brasileiro, tendo participação de 13,8% no comércio internacional do país, atrás de São Paulo, com 20,2%. Cerca de 60% da pauta mineira de exportações foi representada pelo café e minério de ferro. O café teve participação de 30,4% e aumentou 22% em valor, com queda de 19,1% em volume. O minério de ferro, que representou 28,2%, apresentou acréscimo de 32,6% em valor e de 15,9% em volume. Os principais destinos das exportações foram a China e a Alemanha. A participação da China foi de 25,1% em novembro de 2024, aumentou para 33,3% em novembro deste ano. A participação da Alemanha cresceu de 5,1% para 6,6% no mesmo período. A dos Estados Unidos, por outro lado, recuou de 13,9% para 6,5% em razão da retração em vários produtos. Hoje, o país está em terceiro lugar no ranking dos destinos. Projeções para 2026 “Não poderíamos imaginar um momento melhor, mesmo com crises e instabilidades internacionais graves. A partir de janeiro, grande parte dos cidadãos não pagará imposto de renda e, tendo a propensão baixa à poupança, essa população irá consumir com mais vigor. Do ponto de vista externo, o financiamento das atividades produtivas vai proporcionar segurança para a manutenção do plantio, produção e exportação”, destaca o economista. Porém, Filho afirma que Minas vive um completo desmonte logístico. “Faltam investimentos em ferrovias, estradas e transporte público de massa. Enquanto o Governo do Estado abriu mão de R$ 111 bilhões em renúncias fiscais e isenções tributárias, a dívida pública explodiu, passando dos R$ 200 bilhões, e a população não recebeu o mínimo de atenção em termos de recursos públicos. O funcionalismo, que com seus salários sustentam muitas cidades do interior, acumulam perdas que, em alguns casos, chega a ser superior a 40% dos proventos”, finaliza.

Comércio de BH prevê movimentação de R$ 2,55 bilhões durante dezembro

O mês de dezembro deve confirmar o melhor momento do varejo em Belo Horizonte em 2025. Segundo o Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH), a expectativa é que o comércio do capital mineira movimente R$ 2,55 bilhões durante o período natalino, alto estimado de cerco de 1% em relação do ano passado, quando o mercado registrou R$ 2,53 bilhões no mesmo período. A pesquisa realizado pela entidade apontou que 49% dos consumidores pretendem fazer compras de Natal, e 82% afirmam que irão às lojas físicas, o que reforço o poder do comércio presencial na capital. Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o cenário reflete o comportamento tradicional do público mineiro, que pesquisa on-line, mas finaliza a compro presencialmente. “O consumidor de Belo Horizonte valoriza a experiência completa, atendimento, qualidade e confiança. Isso mostra a força do comércio local e abre oportunidades para quem investe em vitrines, equipes preparados e conveniência”. Perfil de compra O levantamento com consumidores do capital revela que o ticket médio deve chegar a R$ 467. As roupas lideram o ranking das intenções, com 57,1%. Seguido por brinquedos (26,5%), calçados (20,4%) e cosméticos (17,3%). Roupas devem ser os itens mais adquiridos E a maioria das compras (75,5%) será realizado entre 15 dias antes do Natal e a véspera, o que exige reforço de estoque, estrutura e atendimento no comércio. “Vemos um salto no valor a ser gosto com presentes no comparação com o ano passado, que foi de R$ 270. É um sinal de que BH está com o empregabilidade em alta, uma média salarial maior que a do brasileiro e um custo de vida menor. Por isso, temos essa possibilidade de gasto maior com presentes”, comenta o presidente da COL/BH. Quanto a forma de pagamento, 63,3% pretendem comprar à vista; quem parcelar deve dividir em até quatro vezes. Para Souza e Silva, o pagamento à visto é um sinal de que o consumidor está se planejando financeiramente, além de dar mais segurança e reduzir a inadimplência, Para o lojista, ou-mento o giro de caixa e a margem de negociação”. Por outro lado, a pesquisa revela que 45,5% dos entrevistados não pretendem comprar presentes neste ano, e o principal motivo é a alta dos preços, apontado por 82,4% desse grupo. Sobre o resultado, Souza e Silva aponta a necessidade de políticas económicos estáveis e maior previsibilidade para as famílias. “O consumidor está sensível aos aumentos de preços. Mesmo assim, o comércio de Belo Horizonte segue forte, mostrando capacidade de adaptação e com alterativas para diferentes perfis de compro. Confiança do lojista Entre os comerciantes entrevistados, 62,5% acreditam que vão vender mais do que no ano passado, e quase metade planeja ampliar estoque para atender o demando. As estratégias mais citadas para aumentar o desempenho em dezembro são variedade de produtos (71,7%), promoções e divulgação (59,5%), facilidade de pagamento (50%), aperfeiçoo-mento do atendimento (30,9%) e decoração temático (23%). Os lojistas também dever intensificar anúncios nos redes sociais. WhatsApp (88,4%) e Instagram (84,5%) serão os principais meios de comunicação com clientes.

Itens da ceia têm valores distintos e exigem atenção do consumidor

Os preços dos produtos natalinos em Belo Horizonte chegaram às prateleiras com comportamento dividido em 2025. Enquanto parte dos itens tradicionais ficou mais em conta em relação ao ano passado, outros, justamente os mais procurados para a ceia, apresentaram altas expressivas e prometem pesar no bolso do consumidor. No levantamento realizado pelos sites Mercado Mineiro e comOferta foram identificadas variações que ultrapassam 200% entre estabelecimentos da capital. Por exemplo, o bacalhau Saithe pode ser encontrado de R$ 49,80 a R$ 149,80. Panetones industrializados também registram diferenças que chegam a 43%, dependendo da marca e do local de compra. No caso do peru, outro item tradicional da ceia, a pesquisa encontrou diferenças que atingem até 37,03% entre as marcas analisadas. Segundo o diretor do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, oscilações tão amplas não são novidade, mas reforçam a necessidade de atenção por parte do consumidor. “As variações são grandes, porque são produtos típicos e a gente tende a ter diferenças superiores a 100%. No caso do bacalhau Saithe a diferença chega a 200%, muito em função da espessura da carne”. A pesquisa também mostra que castanhas, amêndoas, nozes e frutas cristalizadas permanecem entre os produtos mais caros da mesa festiva. “Este Natal, se for de produtos bem tradicionais, vai ser caro. Mas, se o consumidor optar por uma ceia mais tropical, com frutas, é possível organizar algo mais acessível”, aponta Abreu. Queda em 14 itens Outro estudo, desta vez realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/ UFMG), confirma que 14 dos 26 produtos monitorados tiveram redução de preço em relação a 2024, com destaque para azeite de oliva (-21,16%), lombo suíno (-11,16%), gelatina (-7,3%) e panetone de frutas (-4,6%). No entanto, os itens que aumentaram de preço registraram altas muito mais intensas. De acordo com o gerente de pesquisas do instituto, Eduardo Antunes, o contraste ocorre porque a intensidade das altas foi muito maior que a das quedas. “Os produtos que subiram tiveram média de +13,32%, enquanto os que caíram recuaram apenas –5,59%. Ou seja, o volume de itens em queda até é maior, mas o peso das altas é muito mais significativo”. Além disso, nove produtos subiram acima do IPCA de Belo Horizonte, acumulado em 4,74% no período de 12 meses. Entre os que mais encareceram estão azeitona verde (+25%), uva passa escura (+24,4%), doce de pêssego (+22,8%) e balas mastigáveis (+23,9%). Sobre a expressiva redução no preço do azeite, Antunes esclarece que houve recomposição de oferta internacional. “Não é uma promoção pontual. Houve um ajuste de oferta global somado a condições locais favoráveis. A tendência é de preços mais baixos até meados de 2026, salvo novos choques climáticos”. Como economizar Embora o período pré-Natal costume pressionar o custo dos alimentos, Abreu avalia que alguns itens podem sofrer reduções próximas ao feriado. “A chegada da data gera desespero no varejo. O comerciante não quer ficar estocado de nozes, panetone e peru em fevereiro. Então é comum que ocorram promoções na segunda quinzena de dezembro, mas não na última hora”. Para Antunes, planejamento é a chave para uma ceia equilibrada. “Substituir produtos caros, aproveitar quedas fortes, reduzir o consumo de peru e espumante, comprar com antecedência e fazer lista ponderada são caminhos”. “A recomendação é pesquisar muito. Não deixar para a última hora para evitar produtos de qualidade ruim ou preços altos. E, principalmente, não se endividar para comemorar, porque o cenário econômico não permite”, conclui Abreu.

Mercado imobiliário tem trajetória de expansão no terceiro trimestre

Entre julho e setembro, o mercado imobiliário brasileiro registrou 108,8 mil unidades lançadas, elevando o total do ano para 307,4 mil, aumento de 8,4% em relação aos primeiros nove meses de 2024, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O levantamento foi realizado em parceria com a Brain Inteligência Estratégica em 221 cidades. Já as vendas somaram 101.345 mil unidades no trimestre e 312,2 mil no acumulado do ano, avanço de 5% na mesma comparação. No acumulado de 12 meses, o país atingiu 433 mil unidades lançadas, recorde histórico. E o “Minha Casa, Minha Vida” segue como principal motor do setor, 47% dos lançamentos e 44% das vendas do trimestre foram do programa. Entre as regiões, o Centro-Oeste teve a maior expansão percentual de lançamentos no terceiro trimestre de 2025, alta de 53,5%, com 7.313 novas unidades. Em números absolutos, o Sudeste lidera, com 59,8 mil lançamentos, 4,3% acima do trimestre anterior. A região Norte foi a única com retração, queda de 34,4%, para 2.757 unidades. O estudo indica ainda um aumento na intenção de compra, 48% dos entrevistados afirmaram planejar adquirir um imóvel nos próximos 24 meses, ante 46% no mesmo período de 2024. A geração Z (21 a 28 anos) lidera esse movimento, com 61% de intenção de compra. Entre os baby boomers (61 a 79 anos), o índice é de 25%. O diretor-sócio da Brain, Fábio Tadeu Araújo, ressalta que a intenção de compra, de maneira geral, está nos melhores patamares da história. “O que significa que a despeito da taxa de juros, a forte empregabilidade e o forte aumento de renda das famílias estão levando as pessoas a se preocuparem mais com o que está acontecendo a si mesma, do que com o conjunto macroeconômico do país”. Já o economista-chefe do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis (Secovi), Celso Petrucci, explica que é um crescimento constante do mercado, uma resiliência muito forte, mesmo com a taxa de juros alta. “Para nosso setor, o financiamento para pessoa jurídica é fundamental. Há uma necessidade constante de se aumentar os limites de renda, de descontos e preço final, pois estamos trabalhando com o mesmo preço desde julho de 2023. Para a classe média, a tendência não está boa, mas a expectativa para o ano que vem é melhor”. “Uma preocupação que temos para 2026, apesar do crescimento, até setembro, é que vamos perder três meses debatendo futebol e eleição, além dos feriados. Por isso, acredito que será um ano complicado, um período de estabilidade com tendência de um pequeno crescimento”, finaliza o economista. Geração de emprego De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o setor da construção criou 218,2 mil novos postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e setembro de 2025. Em setembro, foram 23.855 novas vagas, resultado de 223.799 admissões e 199.944 desligamentos. O resultado do nono mês do ano foi o melhor desde abril (31.407 vagas) e ficou acima do registrado no mesmo período de 2024 (17.065). Entre os segmentos, a Construção de Edifícios gerou 10.540 empregos, as Obras de Infraestrutura 6.236, e os Serviços Especializados 7.079. Os estados que mais geraram empregos foram São Paulo (50.883), Minas Gerais (20.979) e Bahia (14.609). Materiais de construção Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), em outubro, o faturamento do setor apresentou estabilidade em relação ao mês anterior, apresentando queda de 2%. A projeção de fechamento de 2025, apesar de ainda ser positiva, foi revisada para baixo, passando para 0,5%, reflexo do fraco desempenho observado ao longo do ano. Entre os segmentos, estima-se que o faturamento deflacionado dos materiais básicos tenha diminuído 1,5% em relação ao mesmo mês de 2024, enquanto os materiais de acabamento registraram contração de 2,9%. Na comparação com setembro, com ajuste sazonal, as estimativas apontam alta de 0,4% para os básicos e queda de 0,5% para os de acabamento. O presidente da Abramat, Paulo Engler, afirma que o setor ainda enfrenta desafios importantes. “Contudo, os sinais de estabilização indicam que podemos encerrar o ano com um leve crescimento e um cenário mais positivo para 2026”.

Pagamento do 13º salário deve injetar R$ 34 bilhões na economia de Minas

O 13º salário deve movimentar cerca de R$ 34 bilhões na economia mineira até o fim do ano. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), esse montante representa perto de 3% do PIB de Minas Gerais, calculado em R$ 1,128 trilhão. O valor previsto para Minas representa 18,6% da quantia destinada ao Sudeste, estimada em R$ 183,2 bilhões, e corresponde a 9,2% do total calculado para todo o país, que chega a R$ 369,4 bilhões. No Estado, cerca de 10,2 milhões de pessoas devem receber o 13º salário em 2025, um valor médio de R$ 2.970 por beneficiário. De acordo com o levantamento, os trabalhadores do setor formal, sejam celetistas ou estatutários, correspondem a 58,2% dos beneficiários em Minas Gerais, totalizando 5,937 milhões de pessoas. Os aposentados e pensionistas do INSS representam 39,7% do total, cerca de 4,048 milhões, enquanto os empregados domésticos com registro em carteira somam 2,2%, ou 222 mil pessoas. Os trabalhadores formais também concentram a maior parcela dos valores a serem pagos no Estado, totalizando R$ 22,706 bilhões, equivalentes a 66,7% do montante. Já os beneficiários do INSS receberão R$ 7,243 bilhões, ou 21,3% do total. Os aposentados e pensionistas do Regime Próprio estadual somam R$ 2,522 bilhões, correspondendo a 7,4%, enquanto os do Regime Próprio municipal receberão R$ 1,202 bilhão, representando 3,5% do valor total. Para a economista Fernanda Ribeiro, esses números evidenciam não apenas a dimensão financeira, mas também o impacto social. “O 13º salário é uma ferramenta importante de injeção de liquidez na economia. Ele movimenta o comércio, estimula serviços e permite que famílias possam planejar melhor suas finanças no fim do ano”. Ela ressalta que boa parte dos recursos é direcionada a despesas essenciais, como quitação de dívidas, compras de Natal, educação e alimentação, mas também há uma parcela significativa destinada ao lazer e turismo, o que ajuda a fortalecer setores que tradicionalmente crescem nessa época. Nesse final de ano, a gratificação é crucial para a estabilidade econômica das famílias, afirma Fernanda. “Muitos trabalhadores utilizam o 13º para pagar contas que acumulam ao longo do ano ou quitar parcelas de empréstimos e financiamentos. Isso evita que dívidas se tornem impagáveis e oferece um alívio financeiro muito importante”. A profissional recomenda que parte do valor seja reservada para emergências ou investimentos de curto prazo, de forma a prolongar os benefícios da injeção de dinheiro no orçamento pessoal. A dinâmica de gastos também tem efeito direto no comércio e na economia local. Dados de anos anteriores mostram que boa parte do 13º salário é gasta em compras de bens duráveis, presentes de Natal e vestuário, além de alimentação e turismo. Na avaliação de Fernanda, essa movimentação ajuda a sustentar empregos temporários e estimula setores de serviços, que geralmente registram alta demanda nesse período. “O impacto vai muito além do consumidor final. Lojas, restaurantes, hotéis e empresas de transporte se beneficiam do aumento do consumo, o que cria um efeito multiplicador positivo na economia estadual”. Outro aspecto destacado pelos especialistas é a importância do 13º salário para a população mais vulnerável, que depende desse recurso para complementar a renda. “Para muitas famílias, o benefício é a principal oportunidade de quitar dívidas e reorganizar o orçamento. Ele traz alívio e permite um fechamento de ano mais tranquilo”, afirma o educador financeiro Ricardo Valente. A orientação do especialista é que os beneficiários planejem o uso do 13º, priorizando quitação de dívidas, poupança e investimentos que possam gerar retorno, garantindo que o efeito do benefício vá além de alguns meses e se transforme em vantagem para todo o ano seguinte. A primeira parcela do 13º salário precisa ser creditada na conta do trabalhador até 28 de novembro. Conforme a legislação trabalhista, o pagamento pode ser feito em até duas parcelas ou de forma integral, sendo que, neste último caso, o valor total também deve ser depositado até o final do mês. Se o empregador optar pelo pagamento em duas parcelas, a segunda deve ser realizada até 20 de dezembro.