Indefinição no cenário nacional impacta na sucessão mineira
Nem mesmo os experientes parlamentares mineiros querem emitir opinião sobre o caminho a ser percorrido pelos pré-candidatos ao Palácio Tiradentes, pois todos eles ainda estão à espera de projetos relacionados, por exemplo, ao futuro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros signatários nomes que podem impactar nesse projeto político regional. Essa observação faz parte de uma análise política, segundo a qual, diante de uma possível ausência de Bolsonaro na disputa presidencial, o seu substituto pode ser o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). E, caso seja levada a efeito essa possibilidade, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, certamente estaria ao seu lado, forçando a formação de um palanque em Minas a favor dessa aliança. Tudo ficou mais complexo a partir da semana passada, com a formação da Federação Partidária entre União Brasil e o Partido Progressistas, que agora passou a ser denominado de União Progressista, reunindo mais de 100 parlamentares no Brasil e muitos deles aqui de Minas. Esse tabuleiro a ser jogado envolve também o nome do governador do Estado, Romeu Zema (Novo). Por enquanto, ninguém sabe qual o verdadeiro projeto político dele. Ao seu redor, sabe-se da pré-candidatura de vice, Mateus Simões (Novo), ao Palácio Tiradentes. Seu atual secretário de Governo, Marcelo Aro, não esconde a pretensão de ser candidato ao Senado. Tudo isso está dificultado uma tomada de decisão de Zema. A avaliação do momento é que ele também não sabe qual o caminho a seguir nesse certame. Nomes em pauta Semana passada, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia esteve frequentando a alta Corte política da nação. E, mais uma vez, teria ouvido do presidente Lula (PT) a intenção de apostar no nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para governador. Em BH, amigos do político avaliam sua popularidade junto a várias lideranças políticas, inclusive entre deputados federais, Delegado Marcelo de Freitas, Rafael Simões, Rodrigo de Castro e Dimas Fabiano, todos filiados aos partidos integrantes da União Progressista. Mas o próprio senador Pacheco estaria no compasso de espera para saber qual vai ser o seu destino partidário, a partir de janeiro de 2026. Essa realidade força o grupo do governador Zema/Mateus Simões a buscar algum outro tipo de aliança. Resumindo o pleito do próximo ano, pode acontecer a formação de três blocos: um deles com apoio do Palácio do Planalto; o segundo com os apadrinhados do governador do Estado; e uma terceira força, atualmente a mais latente, a ser concebida pelo senador Cleitinho Azevedo, o mesmo que espera herdar a simpatia dos eleitores bolsonaristas.
Estudos apontam riscos à saúde após tragédia em Brumadinho

A saúde e as condições socioambientais das pessoas atingidas pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, foram tema de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O requerimento para o debate foi feito pela deputada Bella Gonçalves (PSOL). Durante a reunião, foram apresentados estudos realizados pela Fundação Oswaldo Cruz Minas (Fiocruz Minas) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que avaliaram a presença de metais pesados e problemas respiratórios em crianças e adultos residentes, principalmente, em Brumadinho. Desde 2021, 70% das crianças de 0 a 6 anos das comunidades Córrego do Feijão, Tejuco, Aranha e Parque da Cachoeira vêm sendo acompanhadas pela Fiocruz. Houve uma redução no percentual de risco de atraso no desenvolvimento neurológico, que caiu de 42,5% em 2021 para 28,3% em 2023, além de um aumento no número de crianças com índice de massa corporal considerado normal. “Mas, quando olhamos a parte respiratória, não houve melhora. Registramos um aumento nos relatos de alterações e detectamos elevação na quantidade de arsênio na urina, principalmente nas regiões próximas às áreas de mineração. Identificamos uma situação de exposição, e não de intoxicação, aos metais pesados”, explicou a coordenadora do projeto Bruminha, Carmen Fróes. Ela destacou a necessidade de uma vigilância ambiental para investigar as possíveis fontes de contaminação. “O nosso organismo não tem capacidade de produzir arsênio, chumbo ou mercúrio. Sempre vêm do ambiente”. Entre os adultos do município, outro estudo realizado pela fundação revelou que, em 2024, 18% da população apresentava diagnóstico médico de depressão, índice superior à média nacional, que é de 10%. “Esse número tem se mantido nos últimos cinco anos”, afirmou o coordenador do projeto Saúde Brumadinho, Sérgio Viana Peixoto. De 2021 a 2023, houve uma queda nos níveis de metais encontrados na urina e no sangue dos adultos, segundo Peixoto. “O manganês praticamente desapareceu da população. Isso ocorreu porque ele estava muito presente na lama. Já o arsênio ainda continua muito presente, cerca de um quinto da população apresenta o metal acima do limite de referência”. A coordenadora-geral de marcadores sociais das diferenças da Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), Cecília Godoi, informou que estudos de impactos socioambientais contratados pela entidade identificaram a presença de mais de quatorze metais nocivos à saúde humana. “A exposição aos contaminantes comprometeu o acesso à água, à segurança alimentar e à vida cotidiana da população atingida, com efeitos agravados para comunidades em situação de vulnerabilidade social”. Com base nos dados apresentados, a deputada destacou que ainda não existem levantamentos que demonstrem o impacto do rompimento da barragem ao longo de toda a bacia do Rio Paraopeba. “A gente compreende que esses resultados evidenciam a urgência de protocolos e medidas reparatórias em saúde que atendam às populações atingidas pela mineração”. Moradores presentes na audiência denunciaram que há pessoas ao longo da bacia do Paraopeba sofrendo com doenças, mas sem diagnóstico, e solicitaram a melhoria no atendimento de saúde, além da implantação de um protocolo de exposição. De acordo com o assessor-chefe de Relações Institucionais da Secretaria de Estado de Saúde, Luiz Fernando Prado de Miranda, a primeira versão desse protocolo estará disponível a partir de maio. Ele também informou que, em novembro deste ano, será apresentado à população um plano estadual de atenção integral à saúde de pessoas afetadas por desastres minerários e residentes em regiões de mineração.
Novo presidente da AMM promete atuar pela união dos 853 municípios

O prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, eleito presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), toma posse durante o 40º Congresso Mineiro de Municípios, que será realizado nos dias 6 e 7 de maio, em Belo Horizonte. O evento reúne, anualmente, prefeituras, órgãos públicos, autoridades políticas, entidades de classe e empresas que apresentam soluções para as cidades e seus administradores. Falcão foi o primeiro prefeito reeleito da história de Patos de Minas, com 85,19% dos votos válidos, e assume a AMM com o compromisso de unificar e ajudar todos os 853 municípios mineiros. “Quem é prefeito e prefeita sabe a dor da sua cidade. Vamos buscar recursos e auxiliar todos os municípios que precisarem da gente. Essa é uma gestão para todos e tenho falado isso desde que decidi me colocar à disposição dos chefes do Executivo de Minas Gerais. Não podemos pensar em uma associação que atenda parte das cidades ou priorize apenas algumas. Temos que mostrar a força que Minas Gerais possui e participar de todas as conversas importantes que vão gerar conquistas e benefícios para os cidadãos mineiros”, explica. Entre os principais compromissos do presidente eleito da AMM está a ação política para as menores cidades, que acabam tendo maior dependência do repasse de recursos do governo federal. “Além da inversão do pacto federativo, que é luta antiga, vamos trabalhar para mudar os critérios de divisão dos recursos, principalmente para os municípios menores, que são quase 500 com o FPM 0.6. Os municípios médios e grandes têm suas próprias ferramentas, têm recursos próprios, equipes mais adequadas. Já os menores dependem de recursos vinculados e têm pouquíssima margem para fazer até o que é básico”, completa o líder municipalista. A posse oficial será no último dia do 40º Congresso Mineiro de Municípios, no dia 7 de maio, às 17h30. Toda a diretoria eleita será empossada e assumirá os trabalhos na associação já no dia seguinte. O trabalho de transição entre as gestões já foi iniciado. “A nossa intenção, com a ativa participação de toda diretoria, é dar continuidade aos processos que funcionam e fazer cada vez mais com que os gestores entendam que aqui nós vamos apoiar, auxiliar, ajudar e conduzir o que for necessário para ver os municípios se desenvolvendo dia a dia. Minas Gerais precisa ser protagonista e tem força para isso”, finaliza Falcão.
Cidades do Vale do Aço cobram segurança em audiência pública

Nos últimos cinco anos, as ocorrências de estelionato triplicaram no Vale do Aço, foram 2.286 episódios somente em Ipatinga. Em 2024, 1.314 casos de agressões contra mulheres, na Região Metropolitana do Vale do Aço, foram registrados. Um crescimento de mais de 20% em relação a 2023, segundo o deputado Celinho Sintrocel (PCdoB). O parlamentar solicitou uma audiência na Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada no dia 22 de abril. O intuito da audiência pública foi debater as condições da segurança pública, a violência, a criminalidade e as ocorrências policiais na área de abrangência do 58º Batalhão de Polícia Militar, no município de Timóteo e no Colar Metropolitano do Vale do Aço. O presidente da Câmara Municipal de Timóteo, Adriano Costa Alvarenga (PRD), explicou que há uma falta de efetivo na Polícia Militar na região. “Vários policiais foram para a reserva e nós não temos profissionais para recompor o quadro. Na Civil também faltam investigadores. Há uma dificuldade de operação de forma mais consolidada, tanto por parte da Polícia Militar quanto por parte da Civil”. “Temos que trazer uma solução para os crimes, melhorar a sensação de segurança para a população e dar condições para que o efetivo Militar e Civil possa ser acrescido na região. Além de trazer uma solução sobre a Delegacia Regional de Coronel Fabriciano que trará um impacto muito positivo, se caso ela se consolidar, pois vai diminuir a perda de efetivo no horário de trabalho, por ter que se deslocar para a cidade de Ipatinga, por contar com apenas uma Regional, e ter um investimento maior nas forças de segurança”, finaliza. Vários representantes da população da região estiveram presentes, como vereadores e prefeito, e algumas reivindicações foram apresentadas na reunião, como a criação de guardas municipais, a implantação de Delegacia Regional, aumento do efetivo das Polícias Militar e Civil e uma Delegacia Especializada da Mulher. O deputado Celinho Sintrocel destacou a importância de maior efetivo policial, tanto nas ruas como na zona rural, para prevenir a criminalidade e diminuir a sensação de insegurança da população. “Precisa que o Estado promova mais concurso público para oferecer mais policiais, pois quando vemos a polícia militar na rua, em maior número, a gente sente a segurança mais forte. Mesmo sabendo que esses profissionais têm feito o possível, só com investimentos do governo do Estado que vamos melhorar”. Já o deputado Sargento Rodrigues (PL), que presidiu a comissão, ressaltou que nos últimos três anos a rubrica de investimento do Estado nas polícias militar e civil tem sofrido queda brusca. “Tendo o Executivo se valido de emendas parlamentares, de transferências da União e de recursos oriundos dos acordos pelos desastres de Mariana e Brumadinho”. Posicionamento das polícias O comandante da 12ª Região da Polícia Militar de Minas Gerais – que abrange 97 cidades, entre as quais Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga – coronel Márcio Roberto de Sousa, disse que, no ano passado, 178 novos policiais militares passaram por formação para que os municípios do Colar Metropolitano recebessem cada um, pelo menos, oito policiais. “E também há um concurso em andamento destinando mais de 300 vagas só para a 12ª Região. A formação dos selecionados deverá começar no segundo semestre, com os formandos já entrando em estágio durante a própria formação”. No âmbito da Polícia Civil, o delegado Gilmaro Alves Ferreira, afirmou que está em estudo a implantação da reivindicada Delegacia Regional de Coronel Fabriciano. “Já sobre a Delegacia Especializada da Mulher, frisou que, até o momento, houve a criação do Núcleo de Atendimento à Mulher, com a designação de delegada atuando em Coronel Fabriciano e Timóteo”. Ele ainda declarou que há um esforço do Estado para aumentar o efetivo. “No último concurso foram destinados a Coronel Fabriciano dois escrivães, estando previstos mais servidores para a região”, afirmou o delegado.
Comissão de Cultura discute criação do Dia e Semana Estadual do Hip Hop

Em audiência pública da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a proposta de criação da Semana e do Dia Estadual do Hip Hop, objeto do Projeto de Lei (PL) 3.124/21 recebeu amplo apoio de atores que militam nesse movimento cultural. A deputada Andreia de Jesus (PT), responsável pela elaboração da proposta e pelo pedido da reunião, enfatizou a relevância de garantir espaço para que a população possa se manifestar e expressar sua opinião sobre o assunto. “Com a futura lei, o hip hop passa a ser um patrimônio extremamente relevante, garantindo um espaço na agenda cultural no Estado”. A parlamentar ressaltou que instituir a Semana do Hip Hop pode viabilizar o direcionamento de verbas estaduais para a realização de eventos durante esse período comemorativo. Ela também destacou que o reconhecimento legal contribui para a diminuição do “estigma de vadiagem erroneamente atrelado ao hip hop”. “O samba já foi muito perseguido pelo mesmo motivo, mas conseguiu superar e agora é a hora do hip hop fazer o mesmo”, frisou. Andreia de Jesus também considerou relevante o debate sobre o projeto de lei, destacando que ele pode contribuir para dar maior visibilidade ao movimento e incentivar as prefeituras a expandirem os espaços dedicados à expressão cultural e à formação. “Que se abra caminho para os MCs, DJs, B-boys, grafiteiros poderem exercer seu trabalho, inclusive nas escolas”. O artista e gestor cultural Frederico Maciel, conhecido como Negro F, agradeceu à deputada por abrir espaço na Assembleia para promover a causa do hip hop, mas destacou que a realização da Semana Estadual do Hip Hop precisa estar acompanhada de investimentos por parte do poder público. “Não pode ser algo privatizado; queremos investimentos do Estado, como forma de reparação”, reforçou. Ele defendeu que espaços e equipamentos públicos, incluindo os das escolas, sejam disponibilizados para a realização de atividades ligadas ao hip hop. Além disso, criticou os obstáculos enfrentados junto à Polícia Militar para obter autorização para eventos do movimento. Compartilhando do mesmo ponto de vista, o mobilizador e produtor cultural Marcos Pereira, conhecido como Salve MC e integrante do Fórum do Hip Hop de Belo Horizonte, demonstrou apoio ao projeto, mas não deixou de apontar a excessiva burocracia como um obstáculo. “A gente ocupar certos espaços parece que incomoda o poder público”. Eliane Parreiras, secretária de Cultura de Belo Horizonte, destacou que o reconhecimento do hip hop é fundamental tanto para ampliar o acesso a financiamentos públicos quanto para fortalecer o valor cultural desse movimento. O diretor de Proteção e Memória do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), Adriano Maximiano da Silva, ressaltou a relevância de incluir artistas e grupos de hip hop no registro de bens culturais. “Esse processo é essencial para o cálculo do ICMS Cultural, mecanismo que garante repasses de recursos do Estado aos municípios”. Já o superintendente de Fomento, Capacitação e Municipalização da Secretaria de Estado de Cultura, Pablo Soares Pires, destacou a necessidade de ampliar o acesso dos artistas do hip hop aos editais do Fundo Estadual de Cultura e da Lei de Incentivo à Cultura, reforçando a importância de mecanismos que promovam maior inclusão no setor. “Essa manifestação cultural é de extrema importância para os moradores da periferia. Entendo o hip hop como uma tecnologia de sobrevivência ao racismo e à perseguição”.
Nome de Walfrido dos Mares Guia é mencionado para o pleito de 2026

Tendo como atração uma apresentação do humorista Fernando Ângelo, aconteceu na semana passada, nos dourados salões do Automóvel Clube, em Belo Horizonte, mais um encontro de ex-deputados estaduais. Esse foi o evento, em forma de almoço, destinado a manter esses políticos em contato permanente, quando se discute sobre os mais diversos assuntos, inclusive em relação à tradicional política de Minas Gerais. O ex-deputado Paulo Pettersen, um dos presentes ao certame, disse que “não se tratou especificamente sobre nenhum nome ou preferência por projetos políticos, mas, ao pé do ouvido, foram sussurrados temas com vistas ao pleito de 2026”. Walfrido dos Mares Guia O almoço/reunião contou com uma lista de 30 ex-deputados mineiros. Porém, coube ao organizador, João Pinto Ribeiro, anunciar a presença de surpresa, para muitos, do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. Com seu estilo de comunicação fácil, o convidado foi logo dizendo que estava ali sem missão específica, apenas para participar da confraternização. Mas a realidade é que o seu nome imediatamente foi lembrado para disputar o Governo de Minas, embora tenha se esquivado do tema. Indagado qual o real objetivo do acontecimento, o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Queiroz, pontuou que compareceu ao evento mais para ouvir do que propriamente emitir opinião. Para ele, foi um lance agradável, se traduzindo em uma reunião amistosa, compartilhada por velhos companheiros. A possibilidade do próprio Mares Guia ser o nome para disputar o Governo do Estado é uma novidade. Até porque, a imprensa de Minas tem conhecimento de uma articulação feita pelo presidente Lula (PT), com a finalidade de incrementar a possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD). Segundo fontes de Brasília, o ex-ministro estaria com a missão de sondar sobre as chances políticas do senador no âmbito dos políticos estaduais. Na outra ponta desse projeto, uma informação descreve, inclusive, a possibilidade da mudança de partido por parte do senador Pacheco, que estaria retornando ao MDB. No entanto, sob condições especiais de ser eleito o presidente da legenda estadual. Esse movimento já prevê até mesmo uma estratégia para acomodar o atual presidente emedebista, o deputado federal Newton Cardoso Júnior. Contra ele, pesa o fato de o MDB ostentar hoje apenas dois representantes na Câmara Federal, ou seja, ele próprio e seu colega Hercílio Diniz. Já no parlamento estadual, as duas cadeiras da sigla estão ocupadas, respectivamente, pelo presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite, e pelo líder do Governo, João Magalhães.
Comissão aprova projeto sobre corredores ecológicos em Minas
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em primeiro turno, uma mudança na Lei nº 20.922, de 16 de outubro de 2013, que dispõe sobre as políticas florestais e de proteção à biodiversidade no Estado. De autoria da deputada Maria Clara Marra (PSDB), o Projeto de Lei (PL) nº 1.106/2023 acrescenta mais um inciso ao artigo 117 da lei, determinando a criação de mecanismo de fomento a mapeamento, reconhecimento e instituição de corredor ecológico. Em seu parecer, o relator do PL e presidente da Comissão, deputado Tito Torres (PSD), destacou que os corredores ambientais configuram um relevante instrumento de gestão e ordenamento territorial. “Os corredores são instituídos com base em dados diversos, como estudos sobre deslocamento de espécies, o espaço necessário para elas e a distribuição de suas populações”. “Em Minas Gerais, além do objetivo de interligar fragmentos florestais, os corredores ecológicos configuram uma forma de planejamento para priorização de áreas para restauração, podendo se articular com o Programa de Regularização Ambiental”, acrescentou. Durante a leitura do seu parecer, o parlamentar lembrou que, em fevereiro do ano passado, foi criado o Corredor Ecológico Serra da Moeda-Arêdes, interligando o Monumento Natural Estadual da Serra da Moeda e a Estação Ecológica Estadual de Arêdes, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). “Seu objetivo é permitir a conexão entre os ambientes campestres e florestais da Unidade de Conservação”. Outros requerimentos também foram aprovados. Dentre eles, o pedido de realização de audiência pública para debater as ameaças à área de proteção ambiental abrangida pelo Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, em razão da atividade minerária existente no entorno da unidade de conservação e da previsão de construção de uma estrada no interior do parque para o escoamento de minério. A comissão também aprovou que os temas “Segurança de barragens de rejeitos e de pilhas de estéril e de rejeitos de mineração” e “Acompanhamento das ações necessárias para mitigar a degradação ambiental da Lagoa da Petrobras” foram escolhidos para serem submetidos a monitoramento no Tema em Foco, edição 2025-2026, no âmbito do Assembleia Fiscaliza.
Lula estará em Minas Gerais mais uma vez no final de abril
O Palácio do Planalto já emitiu um aviso para o senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD), a respeito de uma nova visita do presidente Lula (PT) a Minas Gerais, mais precisamente em Belo Horizonte. Será no dia 30 de abril, com o objetivo de fazer a entrega de 300 máquinas para atuação no recapeamento de estradas, além de atender ao setor rural. Segundo fontes de Brasília, esse maquinário será repassado diretamente às prefeituras municipais. E, como das vezes anteriores, não se sabe se o ato terá ou não a presença do governador Romeu Zema (Novo). Pacheco nas eleições Essa sinalização do presidente de prestigiar o político mineiro Rodrigo Pacheco tem ficado cada vez mais nítida. Por exemplo, no dia 7 de abril, em Montes Claros, coube ao parlamentar fazer a saudação aos participantes de uma solenidade com a presença de Lula, onde foi o orador enfático ao defender a democracia, se postando ao lado de um movimento contra o autoritarismo institucional. Para ele, é um erro histórico dos políticos, inclusive de alguns governadores, estarem ao lado dos defensores, os verdadeiros arautos da ruptura democrática. Caso seja confirmada a vinda do chefe da nação à capital mineira, programada para o final de abril, seria a terceira vez que Lula visita o Estado em um prazo de quatro semanas. Auxiliares do presidente rememoram que ele sempre vem a Minas fazer entregas destinadas a beneficiar a população ou incrementar o setor produtivo em geral. Mas, como já estamos em um ano pré-eleitoral, o burburinho político referente ao pleito ao Governo de Minas é um fato. Neste sentido, aumentam as especulações sobre o possível apoio do presidente Lula ao projeto político do senador Rodrigo Pacheco, na peleja de 2026. Nos bastidores, já se propala uma intensificação de contatos do senador com grupos políticos do Estado. Recentemente, ele contabilizou diálogo com 8 partidos políticos, grandes e médios, que já teriam sinalizado um possível engajamento da corrida sucessória, em caso de ocorrer um sim ao projeto majoritário do próximo ano. Pessoas próximas, em Brasília e em Belo Horizonte, avaliam que, em determinado momento, Pacheco terá a necessidade de tomar uma decisão sobre o projeto. Enquanto isso, estão consolidadas as candidaturas, aliás, já debatidas publicamente nas ruas e eventos fechados, dos nomes do vice- -governador Mateus Simões (Novo), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e também do próprio deputado Nikolas Ferreira (PL). Pela entonação dos discursos até então levados ao conhecimento público, o Partido dos Trabalhadores em Minas já teria jogado a toalha, sem a menor pretensão de se postar na dianteira dessa disputa. Aliás, a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), verbalizou à imprensa que não se envolverá em qualquer projeto eleitoral no próximo ano, deixando clara a sua pretensão em permanecer como chefe do Executivo do terceiro maior colégio eleitoral mineiro. Apenas para registrar, o nome de Marília sempre é mencionado para fazer parte de uma chapa ao governo, na condição de vice ou mesmo disputando o Senado. Essa declaração da prefeita reflete uma decisão de agora, podendo acontecer um novo posicionamento dela em momento oportuno, para garantir a união dos movimentos progressistas no Estado.
Assembleia debate a terceirização do Hospital Maria Amélia Lins
A proposta de terceirização do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), que pertence a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), foi tema da audiência da Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 1º de abril. O debate foi solicitado pela deputada Beatriz Cerqueira (PT). Segundo o edital publicado pela Fhemig, o HMAL será concedido a um consórcio público de saúde ou a uma entidade sem fins lucrativos. A proposta compreende a cessão gratuita do imóvel e a doação dos equipamentos hospitalares, a seleção será finalizada ainda em abril. A intenção da entidade seria ampliar a realização de cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo a fila de espera. Para isso, o HMAL deixará de atuar como retaguarda do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS) para focar exclusivamente na realização de cirurgias eletivas da rede SUS. O bloco cirúrgico do HMAL foi fechado em 2024. Desde então, as cirurgias que eram realizadas no HMAL passaram a ser feitas no HPS. A Fhemig sustenta que o HPS tem condições de atender à demanda, porém, em visita realizada em março deste ano, a Comissão de Direitos Humanos constatou corredores lotados e pacientes esperando há dias por cirurgias ortopédicas. A deputada Beatriz Cerqueira questionou o plano de terceirização do HMAL. “Quando o Estado faz esse desmonte do atendimento à população fica muito caro para o povo. Pois, se entrarmos no Hospital João XXIII, as pessoas ficam dias sem previsão de cirurgia, pacientes que vêm de outras regiões do Estado também ficam dias internadas sem essa previsão”. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig, Carlos Augusto Martins, alertou que a exemplo de outros locais que já foram privatizados, a tendência será de precarização da prestação dos serviços. “Outra tendência é uma redução da oferta do serviço público à população, uma vez que as firmas que assumem as gestões desses hospitais visam lucros e por isso, toda a obrigação e princípio social do serviço público de saúde é perdido”. “Estamos discutindo o destino da saúde pública no Estado, se o governo manter esse processo de privatização dos hospitais públicos, a saúde da população pode estar em risco e ter um retrocesso. Infelizmente, acredito que eles não vão mudar de ideia, mas tenho fé que os deputados não aprovem o Projeto de Lei, que está tramitando na Assembleia, que sacramenta esse processo de privatização”, finaliza. No dia 31 de março, a Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público ingressou com uma ação civil pública contra a Fhemig, solicitando a manutenção do funcionamento da instituição. A ação solicita a concessão de uma liminar para obrigar o Estado a reativar todos os serviços fechados no HMAL, os 41 leitos de enfermaria e o bloco cirúrgico. Posicionamento da Fhemig Através de números, a presidente da Fhemig, Renata Ferreira Leles Dias, destacou que a produção cirúrgica aumentou no Complexo de Urgência e Emergência e que o João XXIII tem condições de absorver a demanda do HMAL. Ela alegou também que os indicadores de qualidade do serviço melhoraram após o fechamento do Maria Amélia Lins. Renata explicou que os atendimentos no HMAL continuarão sendo feitos pelo SUS, os seus servidores permanecerão na Rede Fhemig e o patrimônio do hospital continuará sendo público. “O edital de cessão de uso vai permitir a realização de mais 500 cirurgias eletivas por mês. Isso é muito relevante para o usuário do SUS”. Já o secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, disse que nunca se investiu tanto na Fhemig. “Nós temos que buscar novas alternativas para fazer melhor. O João XXIII tem um orçamento anual de R$ 500 milhões e interna 12 mil pessoas, e na Santa Casa de Belo Horizonte, por exemplo, são R$ 700 milhões e 36 mil pacientes por ano, são três vezes mais, podemos melhorar e muito a eficiência do João XXIII. E não é terceirização, é uma cessão”. E acrescenta que com as transferências dos atendimentos para o hospital principal, os pacientes estão operando mais rápido. “E ficando menos tempo na instituição, girando com mais rapidez os leitos. Estamos sendo mais eficientes e a mortalidade caiu. As pessoas estão contra uma mudança que é necessária”, declarou Baccheretti.
Começa a temporada de diálogo entre Cleitinho e Flávio Roscoe
Uma nova informação circula nos bastidores da Assembleia Legislativa e coloca ainda mais ardência nas discussões políticas da sucessão estadual de 2026. Propala-se sobre a possibilidade de uma aliança entre o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), para disputar o cargo de governador, tendo como companheiro de chapa o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), empresário Flávio Roscoe. Indagado a respeito do tema, o parlamentar não confirmou, mas também não desmentiu outra vertente dessa especulação, segundo a qual Cleitinho havia mantido recentemente uma ligação, via celular, com o presidente da Fiemg. De acordo com as fontes, ambos ficaram de se encontrar em breve, para incrementar um desdobramento atinente ao pleito do próximo ano. Paralelamente à eleição majoritária, acontecem entendimentos e conchavos, com vistas à disputa pela Câmara Federal e também em busca de espaço para cadeiras no Parlamento mineiro. Por exemplo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que pertence ao mesmo grupo ideológico de Cleitinho, já planeja incrementar a candidatura de seu afilhado político, o vereador de Belo Horizonte, Pablo Almeida, para concorrer também como candidato ao parlamento federal. O deputado estadual Bruno Engler, também filiado ao PL, enquanto conversa sobre o tema, aproveita para externar a sua pretensão de se tornar candidato à Câmara Federal. Ele almeja eleger, para o seu lugar na Assembleia Legislativa, o atual vereador e seu afilhado político, Vile Santos (PL). Outros federais Independentemente do projeto visando conquistar o Palácio Tiradentes, grupos políticos se organizam com a finalidade de colocar à disposição do eleitor, nomes com possibilidade de negociar votos, como pré-candidatos ao posto de parlamentar federal. Essa imensa lista é encabeçada por João Rafael Soares, filho do ex-procurador-geral de Justiça do Estado, Jarbas Soares Júnior. No campo das forças progressistas, surge o nome do ex-deputado João Batista dos Mares Guia. Enquanto isso, em Brasília, o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) continua catalisando sondagens, o incentivando a disputar o Governo de Minas. Inclusive, isso já foi verbalizado pelo próprio presidente Lula (PT). Resta saber como convencer o político mineiro a aceitar esse desafio. Relativamente ao vice-governador, Mateus Simões (Novo), seu padrinho, Romeu Zema (Novo), não para de dizer que Simões seria um excelente chefe do Executivo estadual, por ser um homem público de reconhecida cultura geral, “capaz de engrandecer o Governo de Minas”, disse recentemente, em um evento de prefeitos. Só para registrar, é enorme a popularidade do governador entre os mineiros. Nesse processo de discussões políticas, o Partido dos Trabalhadores tem assistido tudo apenas como coadjuvante, pois seus integrantes reconhecem a falta de popularidade para enfrentar uma eleição como cabeça de chapa. “Seria um desastre completo”, ironiza o deputado Nikolas Ferreira.