Apoio de prefeitos será essencial na eleição ao governo em 2026
Nas diversas notícias relacionadas aos preparativos para a eleição majoritária do próximo ano, um detalhe chama atenção: a menção ao nome do prefeito de Nova Lima, João Marcelo (Cidadania), como opção para ser candidato a vice, na chapa possivelmente a ser encabeçada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD), ao Governo de Minas. Além dessa informação de bastidores, matemáticos da política mineira avaliam a chance de João Marcelo se postar como “cabeça de chapa”, por sua reconhecida popularidade, inclusive foi reeleito em sua cidade com mais de 85% dos votos. Recentemente, tornou-se presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de BH (Granbel), quando foi escolhido por unanimidade de seus colegas. O debate concernente às futuras eleições majoritárias acontece de maneira discreta e perante a cúpula dos grupos interessados no tema, com exceção do vice-governador Mateus Simões (Novo), já em plena atividade eleitoral. Prefeitos influentes Os cientistas políticos consideram que o maior engajamento dos eleitores, quando se trata de pleito majoritário, fica por conta de quem tiver mais capacidade de manejar com maestria as redes sociais. Quem almeja suceder o governador de Minas terá de buscar apoios diferentes, especialmente da bancada de deputados estaduais, pois os parlamentares têm liderança nos municípios mineiros. Para qualquer candidato ao governo ou ao Senado, é perceptível a importância de obter apoio de nomes como o do prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP). Ele foi eleito ainda no primeiro turno da eleição do ano passado e se tornou uma destacada liderança política no segundo colégio eleitoral de Minas, com mais de 540 mil eleitores. Nesta lista de influentes, com possibilidade de transferir votos, também está o chefe do Executivo de Montes Claros, Guilherme Guimarães (União Brasil), eleito com mais de 71% dos votos válidos. Na Zona da Mata, quem lidera, por mais de cinco anos seguidos, é a prefeita reeleita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT). Ainda relativamente à Região Metropolitana de Belo Horizonte, constata-se a propalada informação de que a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), tem projeto visando marcar presença na peleja de 2026. O nome do ex-presidente do Jornal O Tempo e atual prefeito de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), também surge com destaque. O município tem relevantes investimentos, crescimento e desenvolvimento econômico, inclusive, impulsiona a geração de empregos. Qualquer candidato ao governo, com aptidão para se eleger, também carece cair nas graças políticas do prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes (PL), município líder da região do Vale do Aço. O apoio desse seleto grupo seria fundamental para quem deseja vencer nas urnas. O difícil vai ser reunir, em uma mesma trincheira, conciliando esses prefeitos com pensamentos ideologicamente opostos. Mas, como a política é a arte do diálogo e do convencimento, perfilar todos eles em defesa de uma candidatura unida, já seria meio caminho andado para um resultado positivo em 2026.
Frente Parlamentar de apoio à Defesa Civil é lançada na ALMG
Em audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), foi discutido que com um orçamento ampliado e a criação de um canal contínuo de diálogo e colaboração, a Defesa Civil pode avançar progressivamente para uma abordagem focada na gestão de riscos, ao invés de apenas na resposta a desastres. O debate aconteceu durante o lançamento da Frente Parlamentar em apoio ao Gabinete Militar do Governador (GMG), à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG) e ao Programa Minas Mais Resiliente e Sustentável. A Defesa Civil tem como objetivo prevenir, evitar ou reduzir os impactos de desastres, coordenando ações de diferentes órgãos governamentais e da sociedade. Após a mitigação dos riscos, ela também desempenha um papel importante na recuperação das regiões atingidas. O deputado Antonio Carlos Arantes (PL), criador da frente parlamentar e responsável pelo requerimento da audiência, destacou a importância do trabalho da Defesa Civil, sempre presente e atuando de forma rápida em situações emergenciais, assim como o Corpo de Bombeiros. “Não tenho dúvidas que a Defesa Civil será outra a partir de agora. Terão muito mais equipamentos, instrumentos e apoio político e econômico”. Os deputados Enes Cândido (Republicanos), Mauro Tramonte (Republicanos), Dr. Maurício (Novo), Gil Pereira (PSD), Bruno Engler (PL) e Lincoln Drumond (PL) também ressaltaram a importância de reconhecer o trabalho da Defesa Civil no cotidiano, por meio de um orçamento adequado e melhores condições de trabalho, e não apenas em situações de crise. Desastres No final de dezembro de 2024 e em janeiro deste ano, os municípios de Ipatinga e Coronel Fabriciano, localizados no Vale do Aço, foram severamente afetados por chuvas intensas, que causaram grandes danos. O prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes, afirmou que vê na iniciativa da ALMG e do Governo do Estado, com a criação da frente parlamentar, uma forma de oferecer suporte aos municípios, que frequentemente não têm condições de arcar com os elevados custos de uma “operação de guerra” após uma calamidade. “Ipatinga reconhece e tem muito a agradecer o trabalho da Defesa Civil, que nos auxiliou e orientou a tomar decisões importantes para proteger os moradores e enfrentar os danos causados em imóveis públicos e privados pelo temporal de 12 de janeiro. A multiplicidade de demandas exigiu um esforço contínuo do nosso governo para minimizar os impactos e restabelecer uma conjuntura de normalidade no município com responsabilidade, sempre priorizando a segurança das famílias”, disse. Na madrugada de 12 de janeiro, mais de 100 encostas cederam, resultando na morte de 10 pessoas. Segundo o prefeito, atualmente Ipatinga conta com mais de 30 mil residências situadas em áreas de risco, as consequências não foram piores devido à atuação do órgão. “Em pouco mais de 20 dias, foram mais de 3 mil vistorias em imóveis atingidos. Talvez metade deles foi interditada pela Defesa Civil”, completou Nunes. O prefeito de Coronel Fabriciano, Sadi Lucca, reiterou a importância de um orçamento mais significativo para lidar com desastres. “A administração municipal utilizou cerca de R$ 10 milhões de recursos próprios para o atendimento inicial aos moradores e a limpeza da cidade, enquanto obteve R$ 860 mil do governo federal”. Fabiano Lucas, prefeito de São Gonçalo do Abaeté, no Noroeste, solicitou R$ 1 bilhão da repactuação do acordo de compensação pelo rompimento da barragem em Mariana, na região Central, com o objetivo de fortalecer a estruturação da Defesa Civil. O coronel PM Paulo Rezende, chefe do Gabinete Militar do Governador e Coordenador Estadual de Defesa Civil, afirmou que “a criação inédita de uma frente parlamentar com o objetivo de fortalecer a Defesa Civil permitirá a implementação de políticas públicas mais eficazes”. “A chave é a prevenção. O papel da frente é permitir o debate, a elaboração de políticas, a luta por orçamento e, consequentemente, evitar tragédias”, concluiu o coronel BM Moisés Sousa, chefe do Estado-Maior do Corpo de Bombeiros.
Audiência debate segurança para cafeicultores mineiros

A prevenção de crimes no campo, tendo como vítimas produtores de café, foi tema de audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O temor é que os crimes ocorram com mais frequência devido ao alto preço do produto, que pode chegar a R$ 3 mil por saca de 60 kg. Prefeitos, vereadores, representantes de sindicatos e produtores rurais expressaram preocupação, pois, em muitas cidades, não há efetivo suficiente das forças de segurança. O cafeicultor Alisson Bueno Rossi lembrou que a sensação de insegurança ocorre durante todo o ano. “Nós somos roubados o ano inteiro, já que a atividade requer uma infraestrutura cara”. O autor do requerimento, deputado Professor Cleiton (PV), destacou que a audiência pública serviu para entender melhor a situação das forças de segurança e dos produtores. “Temos uma cultura no Brasil de apagar o incêndio quando ele já se alastrou. O que fizemos foi uma prevenção. É um problema sério, porque temos um efetivo baixo, mas também serviu para cobrarmos do Estado aquilo que pode mitigar e resolver a situação, reduzindo danos. Trata-se do investimento em tecnologia e inteligência, tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil, para monitorar as movimentações do crime organizado”. Ações de prevenção foram apresentadas, entre elas o “Projeto Campo Seguro”, da Polícia Civil. Segundo o órgão, já foram criadas 11 delegacias especializadas em repressão a crimes rurais no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Sul de Minas. Outras quatro unidades devem ser implantadas no Sul do Estado, e está sendo estudada a ampliação do projeto para a Zona da Mata. Já por parte da Polícia Militar, além da Patrulha Rural, será lançado, ainda em março, um novo programa voltado para a segurança no campo. “Um eixo será o fortalecimento do policiamento de presença no meio rural, fundamentado em critérios técnicos, verificando informações como, por exemplo, a safra agrícola, questões populacionais e demandas criminais em todos os municípios mineiros. O segundo eixo envolve operações de combate ao crime organizado e desarticulação de quadrilhas que atuam no meio rural, realizadas pela PM e outros órgãos do sistema de segurança pública de Minas Gerais. E o terceiro é voltado à integração, à manutenção de uma rede entre a corporação e todos aqueles que fazem parte da comunidade rural, sejam produtores, empreendedores ou moradores. Haverá um ciclo de encontros para captar as demandas e discutir soluções”, explicou o diretor de operações da corporação, Coronel Ralfe Veiga de Oliveira. Em entrevista ao Edição do Brasil, o presidente da Comissão, deputado Sargento Rodrigues (PL), lembrou que, para garantir melhorias na segurança pública, é necessário maior investimento por parte do Governo do Estado. “Não há investimentos em segurança pública, equipamentos, tecnologia e na contratação de profissionais. Esses são os pontos principais para que possamos oferecer a quem veio à audiência pública uma melhor capacidade de resposta das forças policiais”. “Se não fossem as emendas da bancada mineira no Senado e da Câmara dos Deputados e dos parlamentares da ALMG, a situação da segurança pública estaria ainda pior. O governo sempre utiliza o discurso de que não tem condições de fazer investimentos porque está comprometido com a folha salarial e, ao mesmo tempo, tem uma dívida enorme com a União. Ainda não entendemos por que o governador não aderiu ao Propag, que daria fôlego financeiro e, consequentemente, condições para que o governo pudesse atuar, realizando concursos públicos e investindo em equipamentos de tecnologia que podem melhorar significativamente a segurança dos nossos cafeicultores e do produtor rural de forma geral”, questionou Professor Cleiton.
Presidente da Assembleia Legislativa já almeja vaga no Tribunal de Contas

Quando se confirmou a presença do senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD) na comitiva do presidente Lula (PT), durante seu roteiro internacional ao Japão e Vietnã, aumentou a percepção do envolvimento do Palácio do Planalto no projeto político para turbinar o nome do parlamentar, visando disputar as eleições ao Governo de Minas no próximo ano. O roteiro não é novo, mas voltou a ser reafirmado por interlocutores de Brasília, apontando para uma possível aliança entre Pacheco e o PT, a quem caberia indicar o cargo de vice, cujo primeiro nome mencionado é o da prefeita de Contagem, Marília Campos. Já a disputa pela vaga ao Senado, segundo avaliação de matemáticos da política estadual, a sugestão recairia sobre o ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PP), hoje uma liderança de respeito em todo o Triângulo Mineiro. Presidente da ALMG No bojo desse projeto entabulado a partir de grupos políticos mineiros e nacionais, com vistas ao pleito ao governo estadual de 2026, havia uma possibilidade da candidatura a um cargo eletivo do atual presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins Leite (MDB). Mas como o seu partido é avaliado como uma sigla pequena, na comparação com os demais semelhantes, essa conversa de aliança de Tadeu/Pacheco parece ter “subido no telhado”. Ao presidente do Legislativo, faltaria espaço para o enfrentamento nas urnas, e pela ótica dos entendidos no assunto, para esse aludido projeto dar certo terá de conceber alianças com grupos definidos e de muita popularidade. A não ser que o próprio Tadeu, por exigência do seu partido a nível nacional, seja instigado a se candidatar ao Senado, hipótese pouco provável no quadro do momento. Enquanto aumentam as especulações relacionadas ao tema, avolumam avaliações nos bastidores da própria Assembleia, sugerindo a pretensão de Tadeu sair de cena em relação à peleja do próximo ano, colocando seu nome como pré-candidato ao cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Atualmente, são duas vagas já existentes, chegando neste meio de ano a três vagas. Pessoas próximas ao parlamentar não confirmam, mas também não negam sobre a existência de uma pauta alusiva à opção dele para o TCE-MG. Aliás, a ordem em torno da presidência é deixar esse assunto de eleição para o Tribunal em segundo plano, certamente para analisar os próximos passos no atual cenário.
ALMG aprova projeto que beneficia mulheres vítimas de violência sexual

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) deu parecer favorável ao Projeto de Lei (PL) 1.243/23, acrescenta inciso ao artigo 4º da Lei 22.256, de 2016, que institui a política de atendimento à mulher vítima de violência no Estado. O objetivo é garantir que quem sofre violência sexual receba atendimento prioritário e articulado entre os serviços públicos, proposto pela deputada Maria Clara Marra (PSDB). A reunião foi realizada no dia 11 de março, e teve como relatora a presidente da Comissão a deputada Ana Paula Siqueira (Rede). Segundo a deputada Maria Clara, a política de atendimento à mulher vítima de violência no Estado prevê uma série de ações que podem ser observadas em sua implementação. “Como a criação de casas abrigo, concessão de auxílio financeiro, centros de acolhimento da vítima, prioridade nos programas de qualificação profissional, entre outros”. “No entanto, nada consta sobre a prioridade de atendimento social, psicológico e médico, o que se faz necessário, diante da situação de abuso que pode desencadear desequilíbrios de ordem psíquica e social, cuja demora na prestação de auxílio se torna um grande inimigo. Além disso, nos casos que envolvem violência sexual, o risco das infecções sexualmente transmissíveis demanda uma ação rápida por parte do sistema de saúde”, afirma a parlamentar. O projeto recebeu parecer pela aprovação na forma do vencido, ou seja, texto aprovado pelo Plenário em 1º turno, com alterações. Agora, segue para votação definitiva no Plenário e depois, para sanção do governador. Mulheres em carreiras científicas A Comissão também analisou o PL 2.705/24 que pretende estabelecer políticas públicas para incentivar a entrada e a permanência feminina nas carreiras científicas. A proposta é da deputada Beatriz Cerqueira (PT). Uma das diretrizes do projeto é promover campanhas e eventos para romper estereótipos de gênero, divulgar e debater trajetórias de pesquisadoras. Fomentar ações afirmativas para conceder bolsas a mães e mulheres vulneráveis e a capacitação para estimular o empreendedorismo feminino, apoio psicossocial às cientistas e combate ao assédio. A proposta ainda prevê o afastamento remunerado para servidoras públicas matriculadas em cursos de pós-graduação e licença-maternidade para gestantes. Por entender que essas seriam competências exclusivas do Executivo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) retirou esses trechos e propôs o substitutivo nº 1. A parlamentar Beatriz explica que o PL tem como intuito a mitigação das iniquidades entre homens e mulheres na carreira acadêmica e científica. “Uma legislação que não reconhece as particularidades da realidade das mulheres no ambiente acadêmico tende a ser reprodutora das desigualdades ao exigir o mesmo padrão de produção acadêmica entre homens e mulheres, independentemente da situação de vida da pesquisadora ou da docente”. “Ao promover a igualdade de gênero na ciência, garantimos um futuro mais justo e inclusivo para as mulheres. E é imprescindível que o Estado tenha uma política pública que ponha fim à desigualdade na ciência e garanta que todas elas tenham a oportunidade de contribuir plenamente para o progresso da humanidade”, finaliza. A relatora da reunião, deputada Ana Paula, destaca que ao instituir uma política estadual de incentivo à participação feminina nessas áreas, no âmbito do Estado, busca-se a promoção da igualdade de gênero na ciência. “Como forma de garantir um futuro mais justo e inclusivo para mulheres e contribuir para o avanço da ciência e da sociedade”. Na tramitação pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, o projeto recebeu parecer pela aprovação na forma do substitutivo nº 2. Com isso, retomou, com outros termos, a ideia de ajuda para mães, propondo a manutenção do pagamento de auxílios pecuniários destinados à permanência de estudantes de educação superior. Também listou a concessão de afastamento remunerado às servidoras públicas como um instrumento possível de ser utilizado para incentivar a participação em cursos de formação relacionados ao cargo. A Comissão da Mulher aprovou parecer favorável ao PL, e agora, segue para apreciação na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária.
Duelo Lula/Zema abalizou início da pré-campanha presidencial de 2026
O duelo verbal entre o presidente Lula (PT) e o governador Romeu Zema (Novo) é o prenúncio do que estar por vir no pleito eleitoral do próximo ano. Especialistas apostam que haverá críticas de ambos os lados de maneira cada vez mais recorrente. “Isso tudo faz parte do jogo político, contudo, espera-se o mínimo de civilidade nesses embates para evitar uma escalada de palavras de desaforo entre as partes, em um quadro que já é de plena hostilidade”, comentou o cientista político Malco Camargos. Para a crônica política nacional, o governador mineiro está mais incisivo em suas elocuções, a partir de uma recente observação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enfatizando que a popularidade de Zema é reconhecida apenas em Minas Gerais. É como se o ex-presidente tivesse o arrolado como um nome de voos curtos, um político de possibilidades paroquianas. A constatação de Bolsonaro acendeu uma espécie de sinal vermelho, e, ao invés de recuar, o chefe do Executivo estadual passou a ser mais determinante em suas incursões públicas. Observações dos jornalistas de Brasília insinuam que Romeu Zema está buscando ampliar o seu espaço no campo ideológico da direita, cujo segmento é de uma fragmentação colossal. Isso por conta dos nomes inseridos nessa pré-disputa à presidência da República em 2026, tendo como prioridade a preferência pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); o governador do Paraná, Ratinho Júnior; e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). A lista cresce diante da pretensão de mais pessoas como o cantor Gusttavo Lima e o empresário Pablo Marçal. Duelo Lula/Zema A cena protagonizada na semana passada, quando as críticas entre os dois dirigentes Lula/Zema vieram à baila, apontou-se a respeito de investimentos de Brasília para atender às demandas dos mineiros. Do ponto de vista prático, não existe grandes feitos do governo de Brasília, a não ser promessa de investimento direto na construção de trecho da BR-381 entre Sabará/Caeté, expectativa em relação a valores para transformar o antigo Aeroporto Carlos Prates em centro de habitação e lazer, expectativa de aporte para melhorar acessos no Anel Rodoviário e verba destinadas às Universidades e algumas instituições de ensino no Estado. Relativamente ao governador Zema, com seu eloquente discurso, cabe externar que sua gestão começou com um milionário aporte de recursos financeiros da Vale, por conta da reparação da empresa pelo desastre em Mariana. À época, ele deixou de pagar a dívida do Estado com o governo federal, fazendo o valor aumentar e chegar a mais de R$ 130 bilhões. A exemplo de Lula, o governador de Minas também não tem muitas realizações perceptíveis perante os olhos da população. As reclamações contra ele se concentram no setor de saúde, pois, apesar de promessa de campanha, não conseguiu concluir as obras do Hospital Regional em Divinópolis, Valadares e Montes Claros.
Foram dados os primeiros passos para aliança entre Mateus Simões e Cleitinho

Antes era apenas uma especulação, mas ficou mais nítido o potencial diálogo político entre o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) com o vice-governador Mateus Simões (Novo). Fontes categorizam que o parlamentar mineiro esteve pessoalmente com Simões, no dia 27 de fevereiro, no gabinete oficial do vice, na Cidade Administrativa. Sem a presença de muitas testemunhas, falaram por cerca de 45 minutos, tratando de temas relacionados ao pré-projeto com vistas à sucessão ao Governo de Minas, em 2026. Essa e outras informações estão embalando a especulação difundida pela imprensa sobre uma possível aliança de Cleitinho com Simões. Como explicado pelo advogado especialista em direito eleitoral, Mauro Bomfim, caso assuma o governo do Estado nos últimos meses do próximo ano, Mateus Simões só poderá ser candidato à reeleição, não havendo, segundo a legislação atual, a chance de pleitear qualquer outra candidatura, inclusive ao Legislativo. Neste sentido, nos meandros da Assembleia Legislativa, propala-se que o grupo do parlamentar indicaria o vice na possível chapa encabeçada por Mateus Simões. Segundo essas avaliações de bastidores, tudo na pretensão da união dos políticos ideologicamente alinhados ao campo da direita, como aconteceu nas últimas duas eleições, onde o governador Zema (Novo) esteve sempre próximo e também surfando na onda de popularidade do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Enquanto perduram essas sondagens no intramuros, o governador Romeu Zema resolveu colocar o pé na estrada. Tem visitado inúmeras cidades por diferentes regiões, levando sempre uma mensagem de otimismo. Esta primeira semana após o Carnaval, segundo a agenda oficial, o chefe do Executivo esteve em 12 municípios do Oeste de Minas. Ele sempre vai a esses eventos apenas na companhia de alguns auxiliares e deputados votados na região, sem a presença de Mateus Simões na maior parte das vezes. Contudo, Zema sempre lembra da competência e lealdade de seu companheiro de administração pública. Ou seja, é um recado direto para tentar movimentar as lideranças municipalistas. Em Brasília, assessores do presidente Lula (PT) esperam uma definição do quadro de saúde do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), para colocar em prática algum esboço de uma aliança. A ideia é unir forças do campo ideologicamente de centro e da ala progressista dos políticos do Estado, com a finalidade de alavancar um nome com chances de disputar o Palácio Tiradentes. No momento, a sugestão em pauta continua sendo o senador Rodrigo Pacheco (PSD), mas tudo pode mudar até o final deste ano. Segundo avaliam no Planalto, quem vai determinar esse roteiro será a popularidade do presidente Lula. Se ele estiver com boa aprovação perante o povão, tudo ficaria mais fácil, caso contrário, teriam de se movimentar para formar uma aliança mais complexa, na tentativa de barrar as chances do senador Cleitinho se tornar o governador do Estado, se o pleito fosse realizado na metade de 2025.
Motorista tentou aplicar golpe milionário em idoso no município de Passa Quatro

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu, no dia 12 de fevereiro, Geraldo Antônio Ferreira, suspeito de cometer crimes financeiros e manter em cárcere privado um general aposentado de 88 anos, na cidade de Passa Quatro, no Sul de Minas. Segundo a polícia, a investigação começou após uma denúncia sobre um contrato de empréstimo duvidoso no valor de R$ 1,5 milhão, assinado em nome do acusado. No decorrer das apurações, descobriu-se que Ferreira era o motorista da vítima e de sua esposa, de 70 anos, e teria explorado a vulnerabilidade do casal para manipular suas finanças. O contrato, assinado em nome do investigado, estabelecia a isenção de juros e a quitação automática da dívida caso os idosos falecessem. Cerca de um mês depois da assinatura do contrato, a esposa da vítima, que enfrentava um câncer terminal, faleceu. Após o ocorrido, o idoso informou que teve dificuldades para acessar suas contas bancárias, enquanto o suspeito continuava a ter acesso irrestrito aos valores. De acordo com a polícia, o suspeito chegou a registrar sua biometria para fazer saques na conta da idosa, retirando grandes quantias que foram usadas na aquisição de bens pessoais, incluindo um carro novo no valor de R$ 159 mil, que foi apreendido pela PCMG. O delegado titular de Passa Quatro, Bruno de Souza Cunha, continua a investigar a extensão da atuação do motorista e do caso do empréstimo tomado ao general. Ao ser procurada pelo Edição do Brasil para mais detalhes, a Polícia Civil informou que não divulga dados ou informações das vítimas para preservar a sua segurança e a de seus familiares. O motorista também era responsável por fazer a contabilidade do Condomínio Ilha dos Amores, local onde as vítimas moravam e que o síndico era seu filho, o biomédico Matheus Macedo Ferreira, de 38 anos, também sócio na empresa Sublime Estética Corporal e Facial. Durante a operação na residência do suspeito e do filho dele, os policiais localizaram aproximadamente R$ 26 mil em espécie. Além disso, foi determinado o bloqueio de mais de R$ 700 mil nas contas bancárias do investigado. Em uma das diligências, foram encontradas munições de arma de fogo de calibre permitido, o que levou à prisão em flagrante de Matheus, filho do suspeito. Entretanto, ele foi solto após pagar fiança e informar que tinha o porte da arma e munição encontradas em seu apartamento e decidiu renunciar ao cargo de síndico no Condomínio Ilha dos Amores. Em 2024, ele solicitou que cada um dos 42 moradores dos apartamentos do local pagasse à vista a quantia de R$ 23,4 mil, além de uma contribuição adicional parcelada superior a R$ 3,3 mil. Os valores arrecadados dos condôminos totalizaram cerca de R$ 1,2 milhão, que, segundo ele, seriam destinados à reforma do telhado e das fachadas dos dois blocos do condomínio em Passa Quatro. No entanto, ele não esclareceu o motivo da escolha da empresa contratada, não apresentou o projeto da obra nem dos orçamentos. A reforma não foi concluída nem totalmente finalizada.
Rodrigo Pacheco está prestes a assumir ministério no governo

O retorno do senador Rodrigo Pacheco (PSD) às suas atividades no Senado está previsto para depois do Carnaval. Após a volta, as discussões sobre a possibilidade do político mineiro ser convidado para um ministério deverá entrar em pauta no âmbito do Palácio do Planalto. O seu aproveitamento na lista dos ministeriáveis parece ser iminente e uma pretensão do próprio presidente Lula (PT), conforme tem sido divulgado exaustivamente pela imprensa. Em Brasília, o nome de Pacheco é mencionado, preferencialmente, para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), uma pasta com ações e, consequentemente, bastante visibilidade por conta da sua presença na indução do setor industrial e comercial em todo o Brasil. As chances do parlamentar ser convidado e aceitar o desafio perpassa por uma série de questões do governo federal, por conta de uma pauta mais ampla, relativamente à reforma ministerial, já iniciada na semana passada, com a saída da ministra da Saúde, Nísia Trindade. Informações de bastidores Não é novidade, mas, novamente, voltou a circular na semana passada, em Brasília, que o político de Minas seria ministro, desde que ele aceitasse a sugestão do presidente Lula, no sentido de que a sucessão ao governo do Estado esteja na pauta do dia. Quando esse tema veio à tona, no mês passado, foi vocalizado que, em caso positivo em relação a esse projeto político estadual, haveria a garantia de adesão das forças progressistas em apoio a uma possível empreitada de Pacheco rumo à peleja de 2026. Efetivamente, não houve qualquer sinalização do senador diante dessa aposta futura. Nem mesmo pessoas próximas são capazes de categorizar qual seria a opção do parlamentar, mesmo porque, antes de qualquer decisão, Pacheco carece de ouvir a orientação do presidente de seu partido, Gilberto Kassab, e o próprio ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, atualmente com chances de também ser uma opção como pré-candidato ao Palácio da Liberdade. Sobre a possibilidade de Minas Gerais ter mais um coestaduano como ministro, isso é um tema em construção, porém, com desfecho à vista. Ressalta-se algumas informações relevantes desse propalado assunto. Por exemplo, ao transferir a presidência do Senado para o seu colega de partido, o senador Davi Alcolumbre, Rodrigo Pacheco não aceitou assumir nenhum cargo de liderança, assim como se negou a participar de comissões internas realizadas na Casa, e também vaticinou a sua vontade de ficar livre, no sentido de não comandar qualquer posto de gerência.
Audiência debate impacto da redução da APA em Araçuaí

Os impactos socioambientais de uma possível redução da Área de Proteção Ambiental (APA) Chapada do Lagoão, em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, foram tema de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 26 de fevereiro. A discussão foi motivada por um Projeto de Lei (PL) apresentado pela Prefeitura de Araçuaí à Câmara dos Vereadores, em 7 de fevereiro, em caráter de urgência, com o objetivo de modificar a área de proteção, alterando a Lei Municipal que criou a APA em 2007. Caso seja aprovado, o projeto reduzirá a área em 5.500 hectares. Por meio do deputado Duarte Bechir (PSD), o prefeito do município, Tadeu Barbosa de Oliveira, informou que não poderia comparecer à Assembleia nem participar remotamente, justificando que havia sido convidado apenas na véspera da audiência pública. A resposta não agradou à autora do requerimento, deputada Beatriz Cerqueira (PT). “O prefeito mentiu para o deputado. Os convites foram enviados a todos os convidados no dia 20 de fevereiro. Desde essa data, a prefeitura já tinha conhecimento da audiência”. Nenhum outro representante do Executivo de Araçuaí esteve presente. O vereador Danilo Borges afirmou que os parlamentares da cidade não concordaram com o regime de urgência da proposta. “Além de não respeitar o processo de consulta às comunidades locais, as argumentações apresentadas pelo prefeito não são verdadeiras. Mas o que mais nos chamou a atenção foram os possíveis conflitos minerários na área que será retirada”. Diversas pessoas de movimentos sociais estiveram presentes ao Auditório José Alencar, dentre eles o integrante do conselho gestor da APA Chapada do Lagoão, Antonio Gomes Santos. Ele relatou que há pessoas no município que dizem que o conselho é contra o desenvolvimento de Araçuaí. “Nós queremos preservar, enquanto eles estão destruindo. Para desenvolvermos a cidade, temos que manter nossas riquezas naturais, sem a necessidade de reduzir a APA”. A professora e pesquisadora do Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Vanessa Juliana da Silva, destacou que a mudança pode trazer diversos impactos para a população local. “A redução apresenta um risco iminente não apenas do ponto de vista da perda de diversidade biológica, fauna, flora e ecossistemas. Também ameaça as 139 nascentes que estão na APA, impactando a segurança hídrica da região e aumentando a possibilidade de eventos climáticos extremos”. O procurador da República, Helder Magno da Silva, enfatizou que a região possui dupla importância, pois, além de ser uma área de preservação ambiental, abriga comunidades quilombolas. Ele demonstrou preocupação com a proposta. “No direito ambiental, existe o princípio do não retrocesso. Você não pode extinguir ou diminuir uma unidade de conservação. O PL deveria ter sido apresentado para consulta prévia da comunidade local”.