Minas Gerais revisa cortes e destina verba para abastecer viaturas

Após receber críticas pelo corte no fornecimento de combustível para as viaturas policiais, o Governo de Minas Gerais resolveu revisar as medidas de contenção de despesas na Polícia Militar. Como resultado, foi anunciada a liberação de um adicional de R$ 5 milhões para garantir o abastecimento dos veículos da corporação. A informação foi divulgada pelo secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A Comissão de Segurança Pública promoveu a reunião por iniciativa de seu presidente, o deputado Sargento Rodrigues (PL), que expressou críticas ao fato de a revisão dos cortes orçamentários ainda não contemplar a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais (CBMMG). Segundo Gomes, estão em curso negociações com a Polícia Civil para analisar a possibilidade de reavaliar os cortes realizados. “Estamos em tratativas com a Polícia Civil para avaliar a real necessidade. A situação financeira do Estado não é fácil e não é à toa que fizemos esse contingenciamento de R$ 1 bilhão”. Túlio Gonzaga, superintendente central de Planejamento e Orçamento da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), afirmou que, até o momento, não foi realizada nenhuma avaliação específica em relação ao Corpo de Bombeiros. “O CBMMG ainda não entrou em contato com a gente, mas se for necessário a gente vai avaliar”. “Será que não tem consciência do que isso está causando lá na ponta da linha, o estrago?”, questionou o deputado Sargento Rodrigues, destacando que a escassez de combustível compromete o desempenho das atividades investigativas da Polícia Civil. Ele acrescentou que é inaceitável que o Corpo de Bombeiros seja impedido de atender ocorrências de incêndios ou outras emergências devido à ausência de combustível. “Não dá para aceitar passivamente que o cidadão que paga imposto não tem uma viatura para atendê-lo. Isso tem influenciado o avanço das organizações criminosas em nosso Estado”. Rodrigues observou que facções criminosas vindas do Rio de Janeiro, como o Comando Vermelho, antes ausentes em Minas Gerais, atualmente exercem forte influência em várias comunidades de Belo Horizonte, entre elas Cabana do Pai Tomás, Serra e Morro das Pedras. Em 2025, o governador determinou a todas as áreas da administração estadual a adoção de um corte geral de despesas, por meio de um decreto de contingenciamento. A medida seguiu recomendação do Comitê de Orçamento e Finanças (Cofin), que atua como órgão de apoio na formulação e execução das políticas orçamentárias, financeiras, de gestão e de recursos humanos do governo. No entanto, o secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, esclareceu que a decisão do Cofin se limitou à determinação do corte geral de despesas, cabendo a cada gestor de órgão definir como os ajustes seriam aplicados internamente. “Não temos capacidade de tratar neste nível de detalhamento”. Sargento Rodrigues afirmou que o governo deve dialogar com os responsáveis pelos órgãos de segurança para reconhecer que houve uma falha na definição das prioridades para os cortes orçamentários. “Ou o governo não conversou com eles, ou eles estão tomando uma decisão que vai colocar o governo na fogueira”. O deputado contestou o secretário da Fazenda, ressaltando que os benefícios fiscais concedidos pelo governo às grandes empresas em 2025 somam R$ 25,2 bilhões. Ele questionou Luiz Cláudio Gomes sobre a possibilidade de revisar essas isenções, ao invés de impor cortes em programas públicos fundamentais. Gomes defendeu a manutenção dos benefícios fiscais. “É uma política pública de geração de emprego e investimento no Estado, e estruturante que não deve ser modificada por falta de dinheiro. A gente não pode demonizar o benefício fiscal”. Ele ressaltou ainda que a guerra fiscal entre os estados e os benefícios associados a ela devem ser eliminados até 2032, devido à reforma tributária, destacando a importância de atrair empresas durante os próximos sete anos. “É o momento de atrair as empresas aqui para Minas Gerais, pois nós achamos que, depois que elas se estabelecem, elas ficam”.

Pontos de vista são divergentes sobre pré-campanha de Zema

Analistas políticos mineiros avaliam que o pré-lançamento da candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República, ocorrido em São Paulo, deveria ter sido realizado em Belo Horizonte. Isso porque daria a conotação de outrora, onde Minas era celeiro dos grandes políticos brasileiros, sendo a última figura o ilustre ex-presidente Tancredo Neves. Alguns jornalistas ouvidos por nossa reportagem observam que o titular da Cidade Administrativa é desconhecido fora do Estado, sem tempo de rádio e TV e sob críticas dos bolsonaristas. Em suas movimentações iniciais, Zema tenta ganhar projeção com opiniões controversas. Em Brasília, caso não tenha apoio total da direita, já se cogita que Zema poderia abrir mão do projeto eleitoral na peleja de 2026. O chefe do Executivo mineiro foi o primeiro a se inserir na disputa nacional, visando conquistar o Palácio do Planalto. Sobre o projeto do governador, o deputado estadual Arlen Santiago (Avante) opina que o evento de pré-lançamento obteve o êxito esperado. “Ele tem todos os predicados para ser vitorioso nesse projeto. A seu favor tem a percepção de administrar um Estado no qual a palavra corrupção foi banida. Zema não é um político radical e, outrossim, sempre defende e valoriza quem produz, porque isso turbina a economia, gerando emprego e renda para a população”. Na avaliação do empresário e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, o governador mineiro possui uma trajetória construída na iniciativa privada e é reputado por sua gestão correta e eficiente no Governo do Estado, com destaque para atração de investimentos e melhorias na infraestrutura. “Reúne todas as qualidades para se tornar um bom presidente do Brasil”, vaticinou Souza e Silva. Análise de especialistas Ao ser instado a avaliar a respeito do projeto eleitoral de Romeu Zema, o cientista político Malco Camargos afirma que a candidatura do chefe do Executivo tem alguns desafios a serem superados para se tornar minimamente viável. “O primeiro deles é a falta de um partido político de representação nacional, o que traz dificuldades em relação à formação de alianças e também na captação de recursos necessários para elaboração da campanha”. “A segunda questão tem a ver com a sucessão em Minas. Seria importante que o governador estivesse liderando as pesquisas de intenção de voto no Estado onde ele é mais conhecido e isso não aconteceu. O terceiro fator é a presença de um candidato mais ligado ao bolsonarismo do que o próprio Zema, que ora se aproxima, ora se afasta, mas não consegue identidade com o grupo que apoia Jair Bolsonaro”, acrescenta. Relativamente ao assunto, o advogado especializado em direito eleitoral, Mauro Bomfim, sentencia que Romeu Zema, segundo a legislação eleitoral vigente, pode fazer pré-campanha desde que não use os bens e serviços públicos. “Ele tenta se colocar com uma das opções de nome da direita, mas também estão na fila os governadores Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior”. O advogado lembra que o governador realizou o lançamento de sua pré-candidatura em São Paulo. “Ao contrário de Juscelino Kubitschek, que começava por Diamantina, e Itamar Franco, por Juiz de Fora. Vale lembrar que o Partido Novo, com pouca capilaridade, terá que enfrentar poderosas federações como a recém-criada União Progressista”.

ALMG debate o tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública para discutir o acesso a tratamentos de alta complexidade e elevado custo, com destaque para o Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque). Trata-se da primeira terapia gênica aprovada para a distrofia muscular de Duchenne (DMD), doença genética rara, progressiva e incapacitante que afeta, principalmente, meninos. O medicamento foi autorizado pela Food and Drug Administration (FDA), em junho de 2023, e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em dezembro de 2024. Sua aplicação precoce, entre 4 anos e 7 anos, 11 meses e 29 dias, é crucial para impedir a progressão irreversível da doença. O debate reuniu parlamentares, representantes do governo estadual, especialistas em saúde, associações de pacientes, familiares e entidades da sociedade civil. Durante a abertura, o deputado Lucas Lasmar (Rede) ressaltou que, embora o custo do Elevidys, estimado entre R$ 17 milhões e R$ 20 milhões, seja elevado, “a vida não tem preço” e o tempo é um fator determinante. A DMD leva à perda progressiva da força muscular, tornando a maioria das crianças cadeirantes por volta dos 8 anos, com complicações cardíacas e respiratórias que reduzem drasticamente a expectativa de vida. “Temos que buscar caminhos para ajudar essas crianças e seus familiares no período correto, aonde já temos uma esperança”, afirmou o deputado. Parentes de pacientes relataram a luta contra o tempo e a burocracia. João Robson, pai do pequeno Davi, disse que o filho recebeu o diagnóstico quando tinha pouco mais de um ano e que a família só conheceu o Elevidys graças à mobilização de outros pais. “Essa medicação é imprescindível e que seja dada o quanto antes possível, porque o tempo é crucial. Enquanto a família luta na Justiça, a criança perde habilidades em casa”. Fabrícia Geraldo do Amaral, mãe de Tiago, contou que o filho completará 8 anos em outubro e ainda aguarda decisão judicial. “A idade dele vai passando e as dificuldades aumentando. Ele sobe as escadas engatinhando e tem dificuldade até para correr. Nossa luta é contra o tempo”. Representantes do Conselho Estadual de Saúde, como Hilke Novato, defenderam a incorporação do tratamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Recursos para isso existem. O que falta é política pública para garantir acesso. Se o medicamento tem eficácia e segurança, o SUS deve oferecer”, afirmou. Mariane Rodrigues reforçou que o Elevidys é hoje o único tratamento para a doença, e a burocracia não pode atrasar seu acesso. Carolina Andrade Oliveira Dibai, diretora de Políticas de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Estado de Saúde, ressaltou que a pasta acompanha o tema e reconhece a importância do diagnóstico precoce. “As doenças raras representam um desafio para qualquer sistema de saúde. Precisamos de estratégias que unam protocolos bem definidos, parcerias institucionais e avaliação criteriosa das tecnologias para garantir que o tratamento chegue a quem realmente precisa no momento certo”, afirmou. O presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, Éder Luciano, reforçou que o acesso deve ir além do medicamento, abrangendo fisioterapia e acompanhamento especializado. “Essas crianças não têm tempo. A medicação precisa ser para ontem, acompanhada de terapias de qualidade”. Projeto de Lei O Projeto de Lei 4.145/2025, apresentado na ALMG, prevê a isenção do ICMS sobre o Elevidys, que poderia reduzir o preço em cerca de R$ 3,4 milhões por dose. A proposta também inclui a realização do exame de creatina quinase (CPK) no teste do pezinho para diagnóstico precoce e a criação de protocolos estaduais de tratamento. A Comissão de Saúde se comprometeu a encaminhar requerimentos à Anvisa, à Secretaria de Estado de Saúde e ao governo federal, solicitando providências para garantir o fornecimento do Elevidys no prazo adequado.

Começa o vale tudo na busca por uma vaga no Senado em 2026

No âmbito do governo mineiro, de acordo com informações de bastidores, tem acontecido o seguinte: o vice-governador Mateus Simões (Novo) procura conter o gasto excessivo do Executivo por causa do caixa financeiro baixo. Na outra ponta, ao contrário de Simões, o influente secretário de Governo, Marcelo Aro (Podemos), abre os cofres e atende a pedidos políticos, enquanto desenha o seu próprio futuro. Aro estaria pavimentando o seu caminho em direção ao Senado. Na avaliação de pessoas que frequentam a Cidade Administrativa, é como se ele tivesse sequestrado os poderes do governo mineiro, pois todas as decisões políticas de maior relevância sempre carecem do seu aval. Neste embalo do vale tudo para conquistar uma vaga na Câmara Alta, já se propala pelos rincões de Minas a possível candidatura do pastor Edésio de Oliveira (PL), que é pai do atual deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Seu nome foi lembrado na recente pesquisa da Rádio Itatiaia/Instituto Ver, com a preferência de 10% dos eleitores entrevistados. Edésio é um ilustre desconhecido do povão mineiro, certamente, a citação tem a ver com a popularidade de seu filho prodígio. Esse controvertido início de disputa ao Senado, por Minas Gerais, faz chegar ao conhecimento de todos, por exemplo, a vontade do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) indicar o seu irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), para concorrer a uma vaga. Só para registrar, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, também é irmão de Cleitinho. É uma família toda engajada na política, embora o senador diga não possuir conexões com as tradições mineiras. Nas salas do Palácio do Planalto, assim como no âmbito do Senado, o tema atinente à política estadual mineira sempre tem prioridade nas discussões cotidianas. Por lá, analisam muito a possível formatação de alianças com o objetivo de implementar um grupo, unindo forças do centro-esquerda para tentar vencer o candidato de situação, ao Palácio Tiradentes. Na imaginada super aliança, são trazidos personagens significativos para listar candidaturas ao Senado, por considerá-los com elevado potencial de votos no pleito de 2026. Na ótica desses protagonistas, a cronologia é imensa, perpassando por Marília Campos (PT), de Contagem; Odelmo Leão (PP), de Uberlândia; Margarida Salomão (PT), de Juiz de Fora; e Mário Heringer, presidente estadual do PDT de Minas. Mas, com o fim do recesso parlamentar, os diálogos a respeito do conteúdo político mineiro passaram a ser mais amiúde. Então, voltou a ser cogitado o nome do jornalista, radialista a apresentador de TV, Eduardo Costa. Ele é considerado por muitos uma figura de fácil aceitação entre a população mais humilde das maiores cidades do Estado, especialmente nos municípios entorno de cem quilômetros de Belo Horizonte.

Alguns prefeitos são mencionados para as eleições do próximo ano

Entre os seletos homens públicos com destaque pelo Brasil afora, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), ouviu algo que chamou a atenção. Um interlocutor fez uma análise da política nacional, tendo em vista o pleito de 2026, e teceu o seguinte comentário: “Damião, certamente, não topa deixar o cargo para disputar um posto majoritário. Então, veja a possibilidade de incentivar uma possível candidatura do prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães (União Brasil), ao Senado. Ele é avaliado positivamente por mais de 90% da população local e tem um bom relacionamento com as lideranças de seu município. Também possui excelente convivência com o grupo de parlamentares, especialmente os estaduais”. Outras lideranças Na lista de personalidades mineiras em evidência, acrescenta-se o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP). Com apoio do grupo político local, sagrou-se titular do cargo na primeira etapa do pleito e é um nome respeitado por autoridades de Minas e do Brasil. Ninguém sabe se Paulo Sérgio teria interesse em deixar o comando do município para tentar uma eventual disputa no próximo ano. Marília, uma incógnita O nome da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), estava constantemente na imprensa por conta de seus supostos projetos rumo a uma incursão mais alta. Citada para disputar o Governo do Estado, depois lembrada para preencher a vaga de senadora ou até mesmo vice-governadora, em uma eventual chapa a ser encabeçada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD). No entanto, o segundo semestre começa mais lento em relação ao posicionamento de Marília para as demandas eleitorais. Ela não antecipa o seu projeto, mas amigos próximos avaliam que se dependesse somente da vontade dela, permaneceria na função de prefeita. Por outro lado, também há os anseios da cúpula nacional do PT. Interlocutores do Edição do Brasil garantem ter havido uma reunião, no mês passado, entre o senador Rodrigo Pacheco e a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT). Em uma conversa franca, o resultado seria: foi reeleita para cumprir o mandato até o fim.

Situação do Presídio de Conselheiro Lafaiete foi discutida na Assembleia

Abrigando 280 detentos, em um prédio antigo e improvisado a partir de uma antiga cadeia pública da Polícia Civil, o Presídio de Conselheiro Lafaiete foi tema de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 15 de julho. O deputado Lucas Lasmar (Rede) solicitou a audiência, após diversas denúncias quanto à violação de direitos e às condições físicas degradadas da unidade prisional, e também ter constatado a situação crítica do presídio em visita realizada no dia 5 de junho. Além de celas com goteiras, cheiro de fumaça e paredes queimadas, a área de visitação de familiares estaria em más condições, com prejuízos para presos, familiares e servidores. E também a unidade conta com 63 policiais penais, sendo alvo de denúncias antigas de violação de direitos e condições físicas degradadas nas instalações, o que nos últimos anos gerou motins e protestos. O vereador de Conselheiro Lafaiete, Pastor Angelino (PRD), que pediu a vistoria do Estado para verificar de perto a situação. “O presídio se localiza no Centro da cidade e, durante a visita, nos deparamos com uma estrutura muito precária. Porém, não só a estrutura, mas também ficamos solidários aos policiais penais, que precisam ter pelo menos o básico para que eles possam atuar mais firmemente e fazer o trabalho com mais coerência”. “Quando o Estado não consegue fornecer para os policiais penais o básico, para que eles possam fazer o seu trabalho, estamos colocando esses profissionais em risco. É preciso que os olhares se voltem para essa questão do presídio da nossa cidade, para que possamos ter alguma solução”, pontuou. Para o deputado, as condições do prédio são indignas e insalubres para o trabalho das forças de segurança. “Que os presos paguem suas penas, mas nesse cenário é impossível haver uma ressocialização. Passaram-se três anos da última rebelião e tudo continua da mesma forma”. “Muitas das obras necessárias no local poderiam ser feitas pelos próprios apenados. Como a reforma do refeitório; novo telhado no setor administrativo; iluminação nas celas, escadas e galerias; reforma das celas, principalmente com pintura das paredes queimadas; e novo sistema de câmeras”, acrescentou. Posicionamento do Estado O diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas Gerais, Leonardo Badaró, disse que a unidade de Conselheiro Lafaiete está inserida em um quadro complexo. “As 168 unidades prisionais de Minas abrigam hoje mais de 66 mil presos, 10% a mais do que no final de 2024. Nenhum planejamento daria conta de um aumento desse porte em apenas seis meses”. Já o subsecretário de Gestão Administrativa, Logística e Tecnologia da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), André Ranieri, afirmou que os problemas relatados são conhecidos e que o local foi vistoriado em março e abril deste ano. “Vamos nos esforçar para garantir à unidade o que falta para resolver esse problema do telhado antes do período da chuva”. Segundo o subsecretário, para fazer frente a melhorias necessárias nas unidades, o investimento do Estado no sistema vem crescendo, e chegará a R$ 90 milhões no biênio 2024-2025 até o final deste ano. “Mas, acaba que nunca é o bastante. Viemos de um ciclo de superlotação e precariedade, e demandas como as de Conselheiro Lafaiete chegam das unidades em geral. Há uma fila de intervenções maiores ou menores”. Ele ainda ressaltou que há no Estado um contrato de locação de viaturas. “E que será feito um esforço para aumentar o limite legal e financeiro na tentativa de viabilizar o incremento de veículos locados. Hoje são duas viaturas rodando no presídio, e uma em manutenção, o recurso vindo, com toda certeza vamos proceder a aquisição. Não conseguimos cravar que a unidade vai receber, porém, a grande preocupação que temos é fazer esse reforço de viaturas em todo o sistema prisional”.

ALMG promove debate público sobre financiamento e habitação

Durante a segunda mesa do Debate Público “Habitação, Reforma Urbana e Participação Social”, realizado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a arquiteta, urbanista e doutora em Geografia, Luciana Barbosa, citou que de um total de 5.240 municípios brasileiros, 1.570 não são capazes de sustentar suas estruturas administrativas, e grande parte deles não conseguem investir mais que 5% de seu orçamento em infraestrutura urbana. Luciana destacou alternativas de financiamento para políticas habitacionais, como a Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC) e a contribuição de melhoria. A OODC consiste em um pagamento feito pelo proprietário que deseja edificar além dos limites estabelecidos pelo plano urbano. A contribuição de melhoria é um tributo cobrado quando uma obra pública resulta na valorização de imóveis privados. Ela destacou a contribuição de melhoria como uma alternativa para aumentar a captação de recursos, inclusive em projetos habitacionais, especialmente quando esses valores podem ser administrados pela própria comunidade. Entre os benefícios apontados, a medida pode inibir a atuação de oportunistas que compram imóveis apenas para lucrar com a valorização da área. Outra temática discutida, além das fontes de financiamento, foi a importância de fortalecer o planejamento urbano, especialmente nas cidades de menor porte. “Cidades pequenas não têm essa visão, a urbanização vai acontecendo”, declarou a doutora em Geografia e coordenadora do grupo de trabalho Cidades Inteligentes na ALMG, Grazielle Carvalho. Municípios com população inferior a 30 mil habitantes representam 70% do território de Minas Gerais, pontuou Grazielle. Para estimular a criação de planos diretores nessas localidades, ressaltou a relevância da Lei 24.839, de 2024, que estabelece a política estadual de incentivo às cidades inteligentes, conhecida como Minas Inteligente. Também foram discutidos os desafios ambientais enfrentados pelos municípios, especialmente diante do aumento recorrente de eventos climáticos extremos. Como alternativa para lidar com essas questões nas cidades brasileiras, o engenheiro agrônomo Célio Pedro da Silva defendeu a necessidade de regulamentar a Lei Federal 14.935/2024, que trata da agricultura urbana e periurbana. Atuando como mediadora do debate, a engenheira civil e sanitarista Flávia Mourão do Amaral, destacou que a crise habitacional nas cidades brasileiras possui uma natureza multidimensional. “Não se consegue diminuir o déficit habitacional porque ele está sempre se reproduzindo, em decorrência da pobreza”. O vereador paulistano Nabil Bonduki, doutor em Estruturas Ambientais Urbanas, ressaltou a importância de integrar a defesa do direito à moradia com as ações voltadas ao enfrentamento da crise climática. “Em São Paulo, por exemplo, são utilizados terrenos mais baratos para a construção de projetos habitacionais. Mas os terrenos mais baratos não são os mais adequados para enfrentar as mudanças climáticas”. Para o especialista Jean Mattos, uma cidade inteligente deve funcionar como um ecossistema que integra tecnologia, inovação e governança eficaz, com o objetivo de promover qualidade de vida, sustentabilidade e eficiência nos serviços públicos. Ele também alertou para os diversos obstáculos que dificultam a concretização desse conceito, como as desigualdades sociais e econômicas, a precariedade da infraestrutura, os problemas de segurança e o crescimento urbano desordenado. “Não existe cidade inteligente sem que as pessoas possam participar dela”, afirmou. Na avaliação da deputada Carol Caram (Avante), as cidades ainda precisam avançar muito. “Quando olhamos para os locais onde a população mais vulnerável vive, constatamos que esses lugares, muitas vezes, não contam nem com saneamento básico. Não podemos falar em cidades inteligentes quando ainda não temos o mínimo”.

Eleição ao governo mineiro precisa de ter apoio dos principais prefeitos

As assessorias dos pré-candidatos ao Governo de Minas no pleito de 2026 estão de olho nos pormenores dos bastidores da política estadual. Uma observação convém ser avaliada neste primeiro momento: três prefeitos de grandes cidades, como Belo Horizonte, Montes Claros e Betim, são filiados ao partido União Brasil. Portanto, o apoio da sigla a qualquer que seja o candidato ao Palácio Tiradentes pode fazer uma diferença preponderante. Nomes de prestígio Filiado ao Partido Progressista, o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio, pode ser um eleitor qualificado na corrida majoritária de 2026. Seu município, depois de Belo Horizonte, tem o maior colégio eleitoral do Estado, com aproximadamente 530 mil eleitores. E, sabidamente, o prefeito tem um comando local muito forte, com possibilidade de influenciar no pleito estadual. Basta ver que a sua eleição aconteceu ainda no 1º turno, comprovando a liderança perante os uberlandenses. No entorno da capital mineira, quem tem a chance de dar as cartas é a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). Chefe do Executivo pela quarta vez, a petista é avaliada como uma forte e possível presença na composição da chapa a ser montada na disputa ao Governo do Estado e também ao Senado. O terceiro colégio eleitoral do Estado, Juiz de Fora, tem outra petista no comando, a professora Margarida Salomão. Ela não tem comentado a respeito do pleito do próximo ano, mas por ser uma política alinhada ao partido, não se negará a apoiar quem for o candidato do PT ao governo. De Montes Claros, cujo prefeito Guilherme Guimarães é filiado ao União Brasil, se trata de um político de prestígio. No município, a eleição acontece em dois turnos, mas ele foi alçado ao cargo ainda na primeira etapa, com mais de 70% dos votos válidos. Também filiado ao União Brasil, cabe ressaltar a importância do prefeito de Betim, Heron Guimarães, na região metropolitana. Com o apoio do ex-prefeito Vittorio Medioli, sagrou-se titular no 1º turno da peleja. A sua presença no palanque ao pleito estadual do próximo ano, sem dúvidas, fará muita diferença. Quando se trata especialmente de Belo Horizonte, com seus dois milhões de votos, vale rememorar que o prefeito Álvaro Damião é representante do União Brasil. Como ele assumiu o cargo por conta da morte do ex-titular, Fuad Noman, não é possível determinar a sua efetiva possibilidade de transferir votos para qualquer postulante ao pleito majoritário de 2026.

Secretários apresentam ações e defendem o Propag na ALMG

Os titulares das secretarias de Planejamento e Gestão (Seplag), Silvia Listgarten, e da Fazenda, Luiz Claudio Gomes, compareceram à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para apresentar aos deputados as ações realizadas pelas duas pastas ao longo dos quatro primeiros meses de 2025. A audiência pública integrou o 1º ciclo de prestação de contas no âmbito do Assembleia Fiscaliza neste ano. Silvia Listgarten traçou um panorama abrangente da atuação da Seplag, com ênfase no fortalecimento do planejamento orçamentário, na modernização da gestão pública e na digitalização dos serviços estaduais. Ela destacou a atualização do sistema de compras governamentais, a transição da frota oficial para o uso de etanol e a coordenação dos acordos de reparação de Brumadinho e do Rio Doce. “São mais de 160 projetos em andamento, e só em Brumadinho já repassamos quase R$ 800 milhões desde 2023”, pontuou. A secretária também ressaltou o empenho da pasta na organização da carteira de imóveis que poderá ser utilizada na adesão de Minas ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). “Estamos lapidando uma base com mais de 300 imóveis, em diálogo com a Assembleia, para cumprir o prazo de entrega à União até o fim de outubro. É um desafio técnico e institucional imenso”. Durante sua exposição, Luiz Claudio Gomes informou que a expectativa de arrecadação tributária do Estado para 2025 é de R$ 105,8 bilhões. Em relação ao Propag, classificou o programa como uma “ponte segura” para a sustentabilidade fiscal de Minas. “O Regime de Recuperação Fiscal (RRF) nos deu um alívio emergencial, mas é o Propag que permitirá uma reorganização estrutural das finanças mineiras”. Ele afirmou que a meta é alcançar ao menos 10% de amortização da dívida, percentual mínimo exigido para redução dos encargos financeiros. “Mas trabalhamos para atingir 20%, o que nos daria a condição ideal: IPCA mais juros reais de 0%”. Gomes ainda alertou para os prazos curtos e a complexidade das etapas necessárias. “É o maior esforço técnico da história recente do Estado. Precisamos da colaboração de todos os Poderes para que Minas não perca essa janela de oportunidade”, completou. “O encontro foi muito produtivo. A presença da secretária Silvia também evidenciou os avanços em modernização da Seplag e a atuação na implantação das Empresas Credenciadas de Vistoria (ECVs), tema no qual a Assembleia teve participação ativa ao ajudar a solucionar o problema do fechamento em massa dessas empresas. Hoje, já há presença em mais de 400 municípios, e pesquisas mostram que a população aprovou o serviço”, avaliou o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, deputado Leonídio Bouças (PSDB), em entrevista ao Edição do Brasil. Sobre a participação do secretário da Fazenda, o parlamentar afirmou que foi essencial para esclarecer a proposta de adesão ao Propag. “Ficou claro que, se conseguirmos pagar 20% da dívida com bens do Estado à vista, poderemos nos beneficiar da isenção de 4% dos juros, pagando apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Só essa diferença representa uma redução de mais de R$ 6 bilhões por ano no que Minas teria que desembolsar. Se esse valor fosse direcionado para educação, saúde, segurança pública e infraestrutura, o Estado poderia atingir um novo patamar”, concluiu.

STJ envia ação contra Wellington Magalhães para Justiça Eleitoral

O ex-vereador e presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Wellington Magalhães, além de outras pessoas denunciadas, tiveram o processo encerrado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e encaminhado à Justiça Eleitoral de Minas Gerais, no fim de março. A investigação apontava suposta fraude em licitação e outros crimes. Com base em recurso interposto por um dos denunciados, o STJ, por unanimidade, sinalizou que parte das condutas foram realizadas com fins eleitorais, reconhecendo a incompetência da Justiça Estadual e determinando o encaminhamento dos autos para a Justiça Eleitoral de Minas Gerais, para apreciar a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF). Desde o início dos processos, foi indicada a existência de fatos que seriam de competência da Justiça Eleitoral. Contudo, as ações tramitaram perante a 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte e a defesa, para corrigir a ilegalidade, pediu que os autos fossem enviados à Justiça Eleitoral. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou o pedido, sustentando que a denúncia não atribuía formalmente crimes eleitorais. Porém, o STJ reverteu a decisão, afirmando que, diante de elementos nos autos que sugerem a prática de conduta de interesse da Justiça Eleitoral, reconheceu que este seria o foro competente para processar e julgar o feito. Assim, a Justiça Eleitoral deve analisar tanto a possível infração eleitoral quanto aquelas conexas.