Mateus Simões busca apoio de Cleitinho Azevedo e Nikolas

A recente filiação do deputado estadual Gustavo Valadares no PSD movimentou os bastidores da política mineira, apontando também para a possível filiação à sigla do vice-governador Mateus Simões (Novo). Isso de acordo com entendimentos realizados de maneira super reservada entre interlocutores de Simões e o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Nos corredores da Assembleia Legislativa, propala-se uma informação indicando a possível atuação do vice-governador na filiação de mais 20 prefeitos ao PSD. Assim, estaria ficando clara a sua pretensão de deixar o Partido Novo para se apoiar em quem tem mais capilaridade pelo interior do Estado. De acordo com dados, o PSD foi o que mais cresceu em número e em qualidade nos últimos anos em Minas. Mateus, governador? Em diálogo com o deputado Antônio Carlos Arantes (PL), Mateus Simões rememora: “a partir de abril vou me tornar governador. Então, podem acreditar que serei candidato à reeleição, pois vou estar no comando do Executivo estadual pelo período de nove meses”. Mesmo sem definir eleitoralmente, por conta de injunções partidárias, Arantes complementa o diálogo com outro comentário: “ele acha que o atual governo mineiro tem tudo para externar a sua competência administrativa, especialmente pelo fato de pagar os funcionários públicos rigorosamente em dia, ao contrário do governo do PT, quando os valores eram parcelados em até três vezes ao mês”. Ainda com relação ao projeto do vice-governador para a peleja de 2026, Simões tem conversado com as principais lideranças de Minas. Neste enorme arco de entendimentos, vê com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) sobre a oportunidade de receber o seu apoio. “O parlamentar precisa fazer parte do meu projeto eleitoral, pois, como serei candidato à reeleição, só tenho condições de ficar no Palácio Tiradentes por quatro anos. Se outro nome for escolhido, como Rodrigo Pacheco (PSD), com certeza serão implementadas condições para tentar ostentar o cargo de chefe do Executivo por oito anos”, observa. Com relação ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), e de acordo com informações de jornalistas, já estão sendo entabulados contatos oferecendo ao político a chance de indicar o vice na disputa encabeçada por Mateus Simões. Tadeu, o preferido Outrossim, quando o assunto se refere à candidatura do senador Rodrigo Pacheco, a atenção fica por conta do seu companheiro de chapa, quando sempre se especula o nome do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB). Ele tem bom trânsito com vários grupos políticos e parlamentares do Estado, além de contar com uma boa aproximação com o Palácio do Planalto. Com isso, pode até vingar a tese de a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), aceitar o desafio para disputar o Senado, mesmo sem uma aliança formal com o grupo. A essas alturas dos acontecimentos, o dilema do senador Rodrigo Pacheco seria em relação ao seu partido, o aludido PSD, cobiçado por outras forças políticas mineiras no caminho da sucessão estadual.
ACM Neto articula nome de Aécio para disputar o Planalto em 2026

Em Brasília e em Belo Horizonte, comentários indicam um novo projeto político para o deputado federal e ex-governador Aécio Neves (PSDB). Trata-se de um entendimento com o objetivo de incentivar a candidatura do mineiro à Presidência da República. Isso começou a reverberar depois que o governador Romeu Zema (Novo) se lançou ao pleito majoritário, em São Paulo. Fontes garantem que o tema vem sendo tratado entre Aécio Neves e seu maior incentivador, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. O político baiano é pré-candidato a governador do seu estado e vice-presidente do União Brasil, um partido de enorme visibilidade, principalmente após a formação de uma federação com o PP, a denominada União Progressista, com mais de cem parlamentares. Toda essa estrutura, se colocada à disposição de uma eventual empreitada a favor de Neves, poderia fazer toda a diferença, tanto do ponto de vista de capilaridade quanto em relação a recursos financeiros. Essa aposta no nome do ex-governador de Minas Gerais para uma empreitada nacional não é de agora. Há o registro de algumas sinalizações, como a escolha do amigo de Aécio Neves, o ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, para presidir o PSDB, sigla que também tem coligação a partir da formatação de uma federação com o Cidadania. Eduardo Leite Nos bastidores da Câmara dos Deputados circulam informações que merecem análise dos matemáticos da política brasileira. Um exemplo é a saída do PSDB do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, quando ainda falta mais de um ano e meio para as eleições. À época, quando se filiou ao PSD a convite do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, todos entenderam que se tratava de uma opção por um partido de maior visibilidade, visto que Leite tem projeto de se candidatar a presidente. Ao decidir deixar o ninho dos tucanos, muito possivelmente o governador do Rio Grande do Sul já tinha conhecimento das primeiras manifestações em prol de Aécio Neves rumo ao Palácio do Planalto. Eduardo Leite não quis correr o risco de ficar isolado dentro de seu próprio partido político. Essa possibilidade do pleito de 2026 contar com Aécio Neves como candidato à Presidência da República pode ser apenas uma ideia. No entanto, outro forte nome nos bastidores do União Brasil, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, esteve em Belo Horizonte na semana passada. Ele participou de um evento do segmento empresarial, circulou pelos meandros políticos e visitou a Associação Mineira de Municípios (AMM). Na sede da entidade, esteve com prefeitos e membros da diretoria da Associação, quando propalou a respeito da sua pré-candidatura sem dar muitos detalhes. “É hora da união dos políticos de centro para extirpar de vez o poder do PT e da esquerda brasileira”, comentou.
Audiência na ALMG debate legislação que limita trabalho de taxistas

A dificuldade enfrentada por taxistas de Belo Horizonte para buscar passageiros no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, voltou ao centro do debate público. Em audiência realizada pela Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), profissionais da categoria, representantes do poder público e entidades jurídicas apontaram a urgência de rever a legislação que impede que motoristas da capital realizem corridas de retorno a partir do terminal. A regra é determinada pela Lei nº 15.775/2005, que regula o transporte individual metropolitano por táxi e delega ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) a gestão do serviço. Apesar de ter sido criada em outro contexto, antes da expansão dos aplicativos e do aumento da mobilidade entre cidades vizinhas, a norma continua limitando a atuação dos motoristas de Belo Horizonte. Segundo os representantes da categoria, essa restrição já não dialoga com a realidade atual. Leandro de Faria, da Start Táxis, criticou a defasagem normativa. “Temos hoje um serviço remodelado, tecnológico, pronto para atender empresas e clientes que exigem confiança. Mas a lei nos prende a um modelo criado há 20 anos. Isso inviabiliza o crescimento e até prejudica relações de trabalho já consolidadas”. Na mesma linha, Robson Eduardo Lins, da B2B Táxi Premium, reforçou que a regra compromete a imagem de Minas Gerais e afeta diretamente a vida de trabalhadores. “A legislação ultrapassada coloca o taxista de BH em situação de irregularidade ao atender clientes que confiam em seu serviço. Não se trata de competir com colegas de Confins, mas de garantir o direito de buscar quem já contratou o nosso trabalho”. A crítica também foi reforçada por entidades jurídicas. Alice Araújo Oliveira Pedrosa, presidente da Comissão de Trânsito e Enfrentamento à Violência no Trânsito da OAB-MG, declarou que a lei estadual é um entrave. “Ela não atende mais ao interesse público e nem garante equilíbrio entre as categorias. É preciso revê-la para assegurar segurança jurídica e igualdade”. Representando a Superintendência de Mobilidade do Município de Belo Horizonte, Gabriela Pereira Lopes, diretora de Planejamento e Controle de Mobilidade, manifestou disposição em articular uma solução conjunta. “Existe interesse em firmar um convênio entre Belo Horizonte, Lagoa Santa e Confins para que todos os profissionais atuem em condições de igualdade no aeroporto”. Já o deputado Leleco Pimentel (PT) destacou que a questão precisa ser incorporada ao Plano Metropolitano de Mobilidade, sob responsabilidade do Estado. “Não se pode tratar a mobilidade de forma fragmentada. O aeroporto é uma infraestrutura metropolitana e exige integração. O Plano Diretor deve ser o instrumento para superar esses conflitos e garantir o direito de ir e vir de todos”. Autor do requerimento que originou a audiência, o deputado Professor Wendel Mesquita (Solidariedade), em entrevista ao Edição do Brasil, avaliou o encontro como um avanço no diálogo. “Saímos daqui com a construção de uma mesa de negociação. O objetivo é quebrar o impasse, viabilizar convênios e assegurar que os taxistas da capital e da região metropolitana tenham as mesmas condições de trabalho”. Próximos passos Como encaminhamentos, foram definidos a criação de uma mesa de negociação entre ALMG, DER-MG, prefeituras de BH, Confins e Lagoa Santa, um pedido a Comissão de um estudo técnico-jurídico para revisão da Lei nº 15.775/2005 e a formação de grupo de trabalho para avaliar modelos de convênio que assegurem equilíbrio entre taxistas da capital e da região.
Tudo arrumado para a eleição de Ulysses Gomes ao Tribunal

Já é de domínio público as informações de bastidores, no âmbito da Assembleia Legislativa, pormenorizando um possível acordo visando a definição do próximo nome a ocupar uma vaga como Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Segundo fontes desta editoria, a preferência recairia sobre o parlamentar Ulysses Gomes (PT), considerado entre os petistas como o mais antigo e com o maior número de mandatos no Parlamento estadual. O grupo de deputados em favor de Ulysses Gomes já teria selado os entendimentos, quando da eleição do deputado Alencar da Silveira Júnior (PDT), cujo resultado foi positivo com mais de 60 votos a favor do nome dele. Tadeu na coordenação A imprensa mineira alardeou que o projeto para a escolha de Alencar da Silveira Júnior foi coordenado pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Tadeu Leite (MDB), que atuou nos bastidores ao longo dos meses até conseguir unir todas as correntes. Mas, pelo que se percebe, a eleição do próximo Conselheiro no Plenário da Casa Legislativa ainda vai carecer de maturação. Até porque, o tema tem tudo para provocar uma espécie de rebelião entre os próprios deputados. O cargo é tão cobiçado que já tem pretendente, como é o caso do deputado Thiago Cota (PDT), com apoio, mediante assinatura de documento com mais de 40 firmas. Para os especialistas no assunto, isso não garante sucesso na empreitada, pois vai terminar prevalecendo mesmo a união de forças, através do denominado compromisso assumido. Quem pode sair dessa aludida coalizão a favor de Ulysses Gomes deve ser o deputado Sargento Rodrigues (PL), também um veterano ostentador de mandatos e com larga experiência na vida pública. Ao lado dele, essa lista vai só aumentando, acrescentando-se os parlamentares Ione Pinheiro (União Brasil), Dalmo Ribeiro (PSDB) e Tito Torres (PSD), que é filho do atual Conselheiro Mauri Torres. Irritado, Tito tem evitado conversar com jornalistas sobre o assunto, mas isso seria importante, até mesmo para explicar se procede uma informação indicando ter havido uma discussão acalorada entre ele e Tadeu Leite. Para jornalistas da crônica política mineira, esse tema atinente à indicação de membros para o Tribunal tem tudo para dominar o noticiário até o final do ano. Inclusive, minimizando o espaço a respeito da eleição ao Governo de Minas, isso passível de acontecer tão somente no âmbito da Assembleia Legislativa.
Audiência pública debate a utilização de agrotóxico no Estado

O Brasil se destaca, desde 2008, como o maior consumidor mundial de agrotóxicos, respondendo por 19% do mercado. Essa foi a justificativa do requerimento para realização de uma audiência pública promovida pela Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a pedido dos 20 parlamentares integrantes do Bloco Democracia e Luta, no dia 26 de agosto. Embora ações de controle do uso de agrotóxicos estejam sendo implementadas no Estado, deputados, agricultores e representantes de órgãos públicos defendem a urgência de reforçar o incentivo à agroecologia. A demanda principal é a retomada do Grupo Executivo Permanente (GEP), que é uma estrutura de gestão criada para implementar, coordenar e fiscalizar políticas e projetos específicos. Um dos seus principais objetivos é reduzir, de forma gradual e contínua, a disponibilidade, o acesso e o uso de agrotóxicos no Estado, bem como fomentar a prática da agroecologia e da produção orgânica. Para o deputado e presidente da Comissão, Ricardo Campos (PT), é fundamental articular esforços municipais, estaduais e federais para implementar ações efetivas a fim de promover o acesso a alimentos saudáveis. “Como parlamentares, defensores da agricultura familiar, nos sentimos no dever de trazer esse debate e a partir dele propor as diretrizes para fazer com que as falas se tornem realidade”. O diretor da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Samuel de Melo Goulart, admitiu a inatividade do GEP, porém, mencionou ações implementadas pelo Executivo. Como o combate às pragas e à aquisição de merenda escolar das produções agroecológicas. “Embora o grupo esteja, de fato, parado, o Estado não parou”. Existem outras formas de produzir e nenhuma delas deve ser imposta à sociedade. “A pauta da redução de agrotóxicos é muito válida, porém, deve-se ter muita cautela quanto ao termo que se usa. A redução gradual é importante, contudo, a eliminação imediata não é algo interessante, pois os agrotóxicos, muitas das vezes, são a última opção que nós temos para uma produção sustentável em todos os sentidos”, acrescentou. O uso do agrotóxico pode ser reduzido, segundo avalia Goulart. “Hoje, temos alternativas onde a utilização é minimizada ou mesmo dispensada, mas é importante estabelecer também que a eliminação imediata pode trazer mais problemas do que benefícios. É necessário saber que nós precisamos de todas as alternativas”. Consequências do uso De acordo com o biólogo e coordenador do Fórum Mineiro de Combate aos Agrotóxicos e Promoção da Agroecologia (FMCA), Gilson Luiz Reis, 1 milhão de pessoas são intoxicadas no mundo a cada ano. “No Brasil, entre 2010 e 2019, esse número pode chegar a quase 3 milhões. A intoxicação causa mortes, doenças, como o câncer, e afastamentos do trabalho. Estamos contaminando de forma violenta o nosso ecossistema e matando a fauna e a flora”. A dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Paula Ribeiro Guimarães, afirmou que é necessário fomentar a mecanização e a produção de bioinsumos. “É isso que garante nossa soberania alimentar. Lamento a discrepância entre os recursos públicos repassados ao agronegócio e à agricultura familiar, o uso de agrotóxicos proibidos em outros países e a pulverização aérea, que contamina vizinhanças e causa, entre outros danos, a morte de abelhas”. Como resultado, os participantes reconheceram que é necessário avançar nas ações citadas na reunião. Entre os pedidos de providência que serão encaminhados por requerimento, o deputado Ricardo Campos anunciou a cobrança pela recomposição do GEP e a realização de seminário legislativo para avaliar o Plano de Ação da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica em Minas Gerais (Planera).
Minas Gerais revisa cortes e destina verba para abastecer viaturas

Após receber críticas pelo corte no fornecimento de combustível para as viaturas policiais, o Governo de Minas Gerais resolveu revisar as medidas de contenção de despesas na Polícia Militar. Como resultado, foi anunciada a liberação de um adicional de R$ 5 milhões para garantir o abastecimento dos veículos da corporação. A informação foi divulgada pelo secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A Comissão de Segurança Pública promoveu a reunião por iniciativa de seu presidente, o deputado Sargento Rodrigues (PL), que expressou críticas ao fato de a revisão dos cortes orçamentários ainda não contemplar a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais (CBMMG). Segundo Gomes, estão em curso negociações com a Polícia Civil para analisar a possibilidade de reavaliar os cortes realizados. “Estamos em tratativas com a Polícia Civil para avaliar a real necessidade. A situação financeira do Estado não é fácil e não é à toa que fizemos esse contingenciamento de R$ 1 bilhão”. Túlio Gonzaga, superintendente central de Planejamento e Orçamento da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), afirmou que, até o momento, não foi realizada nenhuma avaliação específica em relação ao Corpo de Bombeiros. “O CBMMG ainda não entrou em contato com a gente, mas se for necessário a gente vai avaliar”. “Será que não tem consciência do que isso está causando lá na ponta da linha, o estrago?”, questionou o deputado Sargento Rodrigues, destacando que a escassez de combustível compromete o desempenho das atividades investigativas da Polícia Civil. Ele acrescentou que é inaceitável que o Corpo de Bombeiros seja impedido de atender ocorrências de incêndios ou outras emergências devido à ausência de combustível. “Não dá para aceitar passivamente que o cidadão que paga imposto não tem uma viatura para atendê-lo. Isso tem influenciado o avanço das organizações criminosas em nosso Estado”. Rodrigues observou que facções criminosas vindas do Rio de Janeiro, como o Comando Vermelho, antes ausentes em Minas Gerais, atualmente exercem forte influência em várias comunidades de Belo Horizonte, entre elas Cabana do Pai Tomás, Serra e Morro das Pedras. Em 2025, o governador determinou a todas as áreas da administração estadual a adoção de um corte geral de despesas, por meio de um decreto de contingenciamento. A medida seguiu recomendação do Comitê de Orçamento e Finanças (Cofin), que atua como órgão de apoio na formulação e execução das políticas orçamentárias, financeiras, de gestão e de recursos humanos do governo. No entanto, o secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, esclareceu que a decisão do Cofin se limitou à determinação do corte geral de despesas, cabendo a cada gestor de órgão definir como os ajustes seriam aplicados internamente. “Não temos capacidade de tratar neste nível de detalhamento”. Sargento Rodrigues afirmou que o governo deve dialogar com os responsáveis pelos órgãos de segurança para reconhecer que houve uma falha na definição das prioridades para os cortes orçamentários. “Ou o governo não conversou com eles, ou eles estão tomando uma decisão que vai colocar o governo na fogueira”. O deputado contestou o secretário da Fazenda, ressaltando que os benefícios fiscais concedidos pelo governo às grandes empresas em 2025 somam R$ 25,2 bilhões. Ele questionou Luiz Cláudio Gomes sobre a possibilidade de revisar essas isenções, ao invés de impor cortes em programas públicos fundamentais. Gomes defendeu a manutenção dos benefícios fiscais. “É uma política pública de geração de emprego e investimento no Estado, e estruturante que não deve ser modificada por falta de dinheiro. A gente não pode demonizar o benefício fiscal”. Ele ressaltou ainda que a guerra fiscal entre os estados e os benefícios associados a ela devem ser eliminados até 2032, devido à reforma tributária, destacando a importância de atrair empresas durante os próximos sete anos. “É o momento de atrair as empresas aqui para Minas Gerais, pois nós achamos que, depois que elas se estabelecem, elas ficam”.
Pontos de vista são divergentes sobre pré-campanha de Zema

Analistas políticos mineiros avaliam que o pré-lançamento da candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República, ocorrido em São Paulo, deveria ter sido realizado em Belo Horizonte. Isso porque daria a conotação de outrora, onde Minas era celeiro dos grandes políticos brasileiros, sendo a última figura o ilustre ex-presidente Tancredo Neves. Alguns jornalistas ouvidos por nossa reportagem observam que o titular da Cidade Administrativa é desconhecido fora do Estado, sem tempo de rádio e TV e sob críticas dos bolsonaristas. Em suas movimentações iniciais, Zema tenta ganhar projeção com opiniões controversas. Em Brasília, caso não tenha apoio total da direita, já se cogita que Zema poderia abrir mão do projeto eleitoral na peleja de 2026. O chefe do Executivo mineiro foi o primeiro a se inserir na disputa nacional, visando conquistar o Palácio do Planalto. Sobre o projeto do governador, o deputado estadual Arlen Santiago (Avante) opina que o evento de pré-lançamento obteve o êxito esperado. “Ele tem todos os predicados para ser vitorioso nesse projeto. A seu favor tem a percepção de administrar um Estado no qual a palavra corrupção foi banida. Zema não é um político radical e, outrossim, sempre defende e valoriza quem produz, porque isso turbina a economia, gerando emprego e renda para a população”. Na avaliação do empresário e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, o governador mineiro possui uma trajetória construída na iniciativa privada e é reputado por sua gestão correta e eficiente no Governo do Estado, com destaque para atração de investimentos e melhorias na infraestrutura. “Reúne todas as qualidades para se tornar um bom presidente do Brasil”, vaticinou Souza e Silva. Análise de especialistas Ao ser instado a avaliar a respeito do projeto eleitoral de Romeu Zema, o cientista político Malco Camargos afirma que a candidatura do chefe do Executivo tem alguns desafios a serem superados para se tornar minimamente viável. “O primeiro deles é a falta de um partido político de representação nacional, o que traz dificuldades em relação à formação de alianças e também na captação de recursos necessários para elaboração da campanha”. “A segunda questão tem a ver com a sucessão em Minas. Seria importante que o governador estivesse liderando as pesquisas de intenção de voto no Estado onde ele é mais conhecido e isso não aconteceu. O terceiro fator é a presença de um candidato mais ligado ao bolsonarismo do que o próprio Zema, que ora se aproxima, ora se afasta, mas não consegue identidade com o grupo que apoia Jair Bolsonaro”, acrescenta. Relativamente ao assunto, o advogado especializado em direito eleitoral, Mauro Bomfim, sentencia que Romeu Zema, segundo a legislação eleitoral vigente, pode fazer pré-campanha desde que não use os bens e serviços públicos. “Ele tenta se colocar com uma das opções de nome da direita, mas também estão na fila os governadores Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior”. O advogado lembra que o governador realizou o lançamento de sua pré-candidatura em São Paulo. “Ao contrário de Juscelino Kubitschek, que começava por Diamantina, e Itamar Franco, por Juiz de Fora. Vale lembrar que o Partido Novo, com pouca capilaridade, terá que enfrentar poderosas federações como a recém-criada União Progressista”.
ALMG debate o tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública para discutir o acesso a tratamentos de alta complexidade e elevado custo, com destaque para o Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque). Trata-se da primeira terapia gênica aprovada para a distrofia muscular de Duchenne (DMD), doença genética rara, progressiva e incapacitante que afeta, principalmente, meninos. O medicamento foi autorizado pela Food and Drug Administration (FDA), em junho de 2023, e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em dezembro de 2024. Sua aplicação precoce, entre 4 anos e 7 anos, 11 meses e 29 dias, é crucial para impedir a progressão irreversível da doença. O debate reuniu parlamentares, representantes do governo estadual, especialistas em saúde, associações de pacientes, familiares e entidades da sociedade civil. Durante a abertura, o deputado Lucas Lasmar (Rede) ressaltou que, embora o custo do Elevidys, estimado entre R$ 17 milhões e R$ 20 milhões, seja elevado, “a vida não tem preço” e o tempo é um fator determinante. A DMD leva à perda progressiva da força muscular, tornando a maioria das crianças cadeirantes por volta dos 8 anos, com complicações cardíacas e respiratórias que reduzem drasticamente a expectativa de vida. “Temos que buscar caminhos para ajudar essas crianças e seus familiares no período correto, aonde já temos uma esperança”, afirmou o deputado. Parentes de pacientes relataram a luta contra o tempo e a burocracia. João Robson, pai do pequeno Davi, disse que o filho recebeu o diagnóstico quando tinha pouco mais de um ano e que a família só conheceu o Elevidys graças à mobilização de outros pais. “Essa medicação é imprescindível e que seja dada o quanto antes possível, porque o tempo é crucial. Enquanto a família luta na Justiça, a criança perde habilidades em casa”. Fabrícia Geraldo do Amaral, mãe de Tiago, contou que o filho completará 8 anos em outubro e ainda aguarda decisão judicial. “A idade dele vai passando e as dificuldades aumentando. Ele sobe as escadas engatinhando e tem dificuldade até para correr. Nossa luta é contra o tempo”. Representantes do Conselho Estadual de Saúde, como Hilke Novato, defenderam a incorporação do tratamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Recursos para isso existem. O que falta é política pública para garantir acesso. Se o medicamento tem eficácia e segurança, o SUS deve oferecer”, afirmou. Mariane Rodrigues reforçou que o Elevidys é hoje o único tratamento para a doença, e a burocracia não pode atrasar seu acesso. Carolina Andrade Oliveira Dibai, diretora de Políticas de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Estado de Saúde, ressaltou que a pasta acompanha o tema e reconhece a importância do diagnóstico precoce. “As doenças raras representam um desafio para qualquer sistema de saúde. Precisamos de estratégias que unam protocolos bem definidos, parcerias institucionais e avaliação criteriosa das tecnologias para garantir que o tratamento chegue a quem realmente precisa no momento certo”, afirmou. O presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, Éder Luciano, reforçou que o acesso deve ir além do medicamento, abrangendo fisioterapia e acompanhamento especializado. “Essas crianças não têm tempo. A medicação precisa ser para ontem, acompanhada de terapias de qualidade”. Projeto de Lei O Projeto de Lei 4.145/2025, apresentado na ALMG, prevê a isenção do ICMS sobre o Elevidys, que poderia reduzir o preço em cerca de R$ 3,4 milhões por dose. A proposta também inclui a realização do exame de creatina quinase (CPK) no teste do pezinho para diagnóstico precoce e a criação de protocolos estaduais de tratamento. A Comissão de Saúde se comprometeu a encaminhar requerimentos à Anvisa, à Secretaria de Estado de Saúde e ao governo federal, solicitando providências para garantir o fornecimento do Elevidys no prazo adequado.
Começa o vale tudo na busca por uma vaga no Senado em 2026

No âmbito do governo mineiro, de acordo com informações de bastidores, tem acontecido o seguinte: o vice-governador Mateus Simões (Novo) procura conter o gasto excessivo do Executivo por causa do caixa financeiro baixo. Na outra ponta, ao contrário de Simões, o influente secretário de Governo, Marcelo Aro (Podemos), abre os cofres e atende a pedidos políticos, enquanto desenha o seu próprio futuro. Aro estaria pavimentando o seu caminho em direção ao Senado. Na avaliação de pessoas que frequentam a Cidade Administrativa, é como se ele tivesse sequestrado os poderes do governo mineiro, pois todas as decisões políticas de maior relevância sempre carecem do seu aval. Neste embalo do vale tudo para conquistar uma vaga na Câmara Alta, já se propala pelos rincões de Minas a possível candidatura do pastor Edésio de Oliveira (PL), que é pai do atual deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Seu nome foi lembrado na recente pesquisa da Rádio Itatiaia/Instituto Ver, com a preferência de 10% dos eleitores entrevistados. Edésio é um ilustre desconhecido do povão mineiro, certamente, a citação tem a ver com a popularidade de seu filho prodígio. Esse controvertido início de disputa ao Senado, por Minas Gerais, faz chegar ao conhecimento de todos, por exemplo, a vontade do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) indicar o seu irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), para concorrer a uma vaga. Só para registrar, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, também é irmão de Cleitinho. É uma família toda engajada na política, embora o senador diga não possuir conexões com as tradições mineiras. Nas salas do Palácio do Planalto, assim como no âmbito do Senado, o tema atinente à política estadual mineira sempre tem prioridade nas discussões cotidianas. Por lá, analisam muito a possível formatação de alianças com o objetivo de implementar um grupo, unindo forças do centro-esquerda para tentar vencer o candidato de situação, ao Palácio Tiradentes. Na imaginada super aliança, são trazidos personagens significativos para listar candidaturas ao Senado, por considerá-los com elevado potencial de votos no pleito de 2026. Na ótica desses protagonistas, a cronologia é imensa, perpassando por Marília Campos (PT), de Contagem; Odelmo Leão (PP), de Uberlândia; Margarida Salomão (PT), de Juiz de Fora; e Mário Heringer, presidente estadual do PDT de Minas. Mas, com o fim do recesso parlamentar, os diálogos a respeito do conteúdo político mineiro passaram a ser mais amiúde. Então, voltou a ser cogitado o nome do jornalista, radialista a apresentador de TV, Eduardo Costa. Ele é considerado por muitos uma figura de fácil aceitação entre a população mais humilde das maiores cidades do Estado, especialmente nos municípios entorno de cem quilômetros de Belo Horizonte.
Alguns prefeitos são mencionados para as eleições do próximo ano

Entre os seletos homens públicos com destaque pelo Brasil afora, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), ouviu algo que chamou a atenção. Um interlocutor fez uma análise da política nacional, tendo em vista o pleito de 2026, e teceu o seguinte comentário: “Damião, certamente, não topa deixar o cargo para disputar um posto majoritário. Então, veja a possibilidade de incentivar uma possível candidatura do prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães (União Brasil), ao Senado. Ele é avaliado positivamente por mais de 90% da população local e tem um bom relacionamento com as lideranças de seu município. Também possui excelente convivência com o grupo de parlamentares, especialmente os estaduais”. Outras lideranças Na lista de personalidades mineiras em evidência, acrescenta-se o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP). Com apoio do grupo político local, sagrou-se titular do cargo na primeira etapa do pleito e é um nome respeitado por autoridades de Minas e do Brasil. Ninguém sabe se Paulo Sérgio teria interesse em deixar o comando do município para tentar uma eventual disputa no próximo ano. Marília, uma incógnita O nome da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), estava constantemente na imprensa por conta de seus supostos projetos rumo a uma incursão mais alta. Citada para disputar o Governo do Estado, depois lembrada para preencher a vaga de senadora ou até mesmo vice-governadora, em uma eventual chapa a ser encabeçada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD). No entanto, o segundo semestre começa mais lento em relação ao posicionamento de Marília para as demandas eleitorais. Ela não antecipa o seu projeto, mas amigos próximos avaliam que se dependesse somente da vontade dela, permaneceria na função de prefeita. Por outro lado, também há os anseios da cúpula nacional do PT. Interlocutores do Edição do Brasil garantem ter havido uma reunião, no mês passado, entre o senador Rodrigo Pacheco e a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT). Em uma conversa franca, o resultado seria: foi reeleita para cumprir o mandato até o fim.