Projeto de turismo seguro de mulheres recebe parecer favorável na Assembleia

Com intuito de promover a segurança e a autonomia das mulheres que viajam sozinhas ou em grupo e daquelas que trabalham no setor turístico, o Projeto de Lei (PL) 4.060/2025, que institui a Política Estadual de Estímulo ao Turismo Feminino Seguro no Estado, foi analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 28 de outubro. A Política Estadual tem como diretrizes: a promoção da criação e divulgação de roteiros e produtos turísticos voltados para o público feminino; o incentivo à implementação de medidas de segurança e assistência específicas para mulheres em estabelecimentos de hospedagem, transporte, alimentação e lazer; e articulação com órgãos e entidades de segurança pública para o desenvolvimento de protocolos de atendimento e proteção. Além do desenvolvimento de ações de sensibilização e capacitação para os prestadores de serviços turísticos sobre as necessidades e os direitos das mulheres viajantes e trabalhadoras do setor; a criação e divulgação de canais de informação; o fomento à pesquisa e à coleta de dados sobre o perfil; apoio a iniciativas de empreendedorismo feminino; e promoção de campanhas de conscientização sobre o respeito e a segurança das mulheres no turismo. Para a implementação, o Estado poderá adotar, entre outras medidas, a criação de selo ou certificação para estabelecimentos e serviços turísticos que adotem boas práticas em relação à segurança, ao atendimento e à valorização desse público e a destinação de verbas específicas para o apoio a iniciativas de turismo feminino seguro e ao fortalecimento das mulheres que atuam no setor. De acordo com a Organização das Nações Unidas Turismo (ONU Turismo), as mulheres são a maioria da força de trabalho no Brasil e no mundo: 54% do segmento gira em torno do trabalho feminino. No Brasil, o Ministério do Turismo já conta com 55% de sua força de trabalho formada por mulheres, muitas delas em cargos de gestão. Setores como Alojamento (58,9%) e Agências de Viagens (54,6%) também têm predominância feminina, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego. A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Ana Paula Siqueira (Rede), é a autora do projeto e afirma que o turismo feminino representa um segmento com grande potencial de crescimento. “E a criação de um ambiente seguro e acolhedor é fundamental para atrair e fidelizar esse público”. A presente proposta visa ir além da segurança básica, promovendo a autonomia desse público, incentivando o empreendedorismo feminino no setor e oferecendo experiências turísticas mais enriquecedoras e adaptadas às suas necessidades, destaca a autora. “Acreditamos que esta iniciativa contribuirá para o fortalecimento do turismo em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que promove a igualdade de gênero e o respeito aos direitos das mulheres”. Proposta A relatora, deputada Maria Clara Marra (PSDB), defendeu que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, e ao turismo para todos os cidadãos. “Essa competência comum autoriza a atuação estadual em ações de fomento e incentivo e promoção do turismo, especialmente relacionadas à inclusão social, a equidade de gênero e a proteção de grupos vulneráveis”. A deputada sugeriu, com o substitutivo nº 1, a supressão de um artigo, no seu entender, inconstitucional. O dispositivo determina que o Poder Executivo deverá regulamentar a futura lei em até 120 dias, a contar da data de sua publicação, estabelecendo as diretrizes, os critérios e os mecanismos para a implementação da política estadual. O princípio da separação entre os Poderes não permite interferência na estrutura organizacional da administração pública do Executivo nem que se atribuam competências a órgãos e entidades estatais. O PL segue agora para a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Financiamento e defasagem salarial ameaçam o funcionamento do Samu

Em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), organizada pela Comissão de Administração Pública, atendendo a requerimento da deputada Beatriz Cerqueira (PT), trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) demonstraram desesperança, indignação e o grave subfinanciamento desse serviço no Estado e no país. “Eles colocam na nossa mão uma ambulância de R$ 700 mil e querem pagar R$ 1,5 mil para a gente conduzir”, disse o condutor socorrista Marcos Vinícius Ramos. Entre outras demandas, Beatriz solicitou ao governo um comprometimento para garantir a aprovação do Projeto de Lei (PL) 441/23, de autoria do deputado Arlen Santiago (Avante), que propõe a regulamentação da função de condutor socorrista, inserindo-a na área da saúde. A proposta está em análise na Comissão de Constituição e Justiça desde abril de 2023, aguardando parecer. “Não se faz serviço público de qualidade sem a valorização dos servidores”. Em Minas Gerais, o Samu é gerido por consórcios intermunicipais, com financiamento previsto entre União (50%), Estado (25%) e municípios (25%). No entanto, conforme Ormesinda Salgado, secretária executiva da Rede de Urgência Centro Sul (Cisru), os repasses federais ficaram congelados entre 2012 e 2022, sobrecarregando os entes estaduais e municipais. Segundo Ormesinda, em 2025, a União custeou 25,9% do Samu, enquanto o Estado arcou com 47,68% e os municípios com 26,42%. Em 2023, o déficit federal chegou a 72%. A então ministra Nísia Trindade alegou restrições orçamentárias, mas autorizou um aumento de 30% no repasse. Como reação, o Estado reduziu sua contribuição na mesma proporção, alegando excesso de encargos. A falta de valorização, especialmente em relação aos condutores socorristas, foi destacada por Denys Carvalho, secretário executivo do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Macro Sudeste (Cisdeste), sediado em Juiz de Fora. Ele citou como exemplo um concurso recente, no qual foram registradas 330 inscrições para o cargo de técnico de enfermagem, enquanto apenas 12 pessoas se candidataram à vaga de condutor socorrista. “São três anos sem nenhum tipo de recomposição a não ser por parte dos municípios. Isso é inviável. Nosso déficit é de cerca de R$ 20 milhões, fora outros consórcios”. “Não é possível imaginar um condutor socorrista, com sua jornada exaustiva, receber R$ 1,5 mil ou R$ 1,6 mil. Eles não são motoristas de ambulância, eles recebem um treinamento muito específico”, protestou a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sindsaúde), Núbia Dias. Ela disse que o condutor socorrista não é reconhecido como trabalhador da Saúde. “Queremos que os trabalhadores do Samu façam parte da carreira única do Ministério da Saúde”. As reivindicações não se limitam aos condutores socorristas. Técnicos de enfermagem também denunciaram o não cumprimento do piso salarial da categoria. Representantes dos profissionais solicitaram uma estrutura de financiamento mais adequada para os consórcios intermunicipais, a fim de viabilizar o pagamento de remunerações compatíveis com as exigências da função. Renan Guimarães de Oliveira, subsecretário de Acesso a Serviços de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, afirmou que a expansão do Samu tem sido uma prioridade desde 2019. De acordo com ele, atualmente o serviço já cobre 795 dos 853 municípios de Minas Gerais, com a meta de alcançar a totalidade até o início de 2026. “O aporte financeiro do Estado é significativo e não queremos abrir mão dele. A gente quer discutir um financiamento justo. Hoje, 40% do valor, em média, é financiado pelo Estado”. Fernando Figueira, diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, ressaltou que a recomposição do financiamento federal destinado ao Samu foi retomada durante a gestão do presidente Lula. Ele também mencionou que um projeto de lei federal, que reconhece oficialmente o condutor socorrista como profissional da área da saúde, aguarda sanção presidencial. O representante do governo federal explicou que a expansão dos investimentos por parte da União enfrenta obstáculos devido à redução do controle orçamentário do Poder Executivo, que tem sido transferido progressivamente ao Congresso Nacional. “Eu vou trazer a dureza da realidade. Estamos lutando contra um destrinchamento do orçamento onde a capacidade de investimento do Poder Executivo tem sido tensionada por forças que puxam para o Legislativo. Mas isso não significa que a gente vai se amedrontar”.

Rodrigo Pacheco definirá futuro após volta de Lula ao Brasil

O senador Rodrigo Pacheco (PSD) vai definir seu futuro logo após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Brasil, marcado para o dia 28 de outubro. O chefe da nação está na Ásia, onde participará da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Hoje, Pacheco tem seu nome envolvido em duas frentes importantes: ser o substituto do ministro aposentado Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) ou se lançar à disputa ao Governo de Minas. As articulações vêm sendo travadas, mas ninguém com bom senso se arrisca a cravar o destino do senador. Nem os aliados mais próximos. Afinal, as duas empreitadas dependem de Lula. O entorno do presidente dá sinais que o advogado-geral da União, Jorge Messias, é o favorito à vaga no Supremo. Porém, Pacheco tem cabos eleitorais importantes na defesa de seu nome para o Supremo. Entre eles, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), ministros de peso no Supremo, como o decano Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além de grande parte do judiciário mineiro, um dos mais representativos do país. Por isso, ninguém duvida que uma reviravolta em favor do senador pode ocorrer. Por outro lado, Lula não esconde sua preferência em ter Pacheco na disputa pelo Governo de Minas. Em várias oportunidades, o presidente afirmou que o senador seria a única alternativa para fazer frente à extrema-direita e enfrentar o candidato à sucessão do governador Romeu Zema (Novo), em 2026. Em função desse desejo, Lula adiou o anúncio de sua indicação ao Supremo para o retorno ao Brasil. Quer ter uma conversa profunda e definitiva com Pacheco antes de tomar qualquer decisão. Na conversa, vai expor sua preocupação com o futuro do Brasil, que passa necessariamente por Minas, e apontar alternativas a Pacheco, principalmente no que se refere a alianças. O PSD, partido do senador, vai filiar no dia 27 de outubro, o vice-governador de Minas, Mateus Simões, e também já avisou que não estará com Lula no ano que vem. Com isso, o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, dá uma forte sinalização de que se alinhará ao campo político que defendeu as medidas antidemocráticas patrocinadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Restará a Pacheco, que tem como marca a defesa intransigente da democracia, mudar de legenda caso queira disputar o governo. Na lista das siglas examinadas estão União Brasil, MDB e PSB. União Brasil e MDB ainda não se decidiram se vão ficar na frente ampla pela reeleição de Lula. Aliados de Pacheco garantem que sem o apoio dessas duas legendas do centro a disputa em Minas ficaria inviável. O PDT filiou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que também estará no pleito mineiro. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é outro que se coloca como postulante. Já o Partido dos Trabalhadores, por sua vez, ainda não tem um candidato que seja competitivo em Minas. A portas fechadas, o senador avalia que, se Lula quer mesmo que ele concorra ao Governo de Minas, precisa construir uma aliança forte que sustente sua candidatura. Hoje isso não existe: sem uma frente de apoio, ele não conta nem mesmo com tempo de TV para fazer campanha. Pacheco quer ter o apoio de Lula, mas sem abrir mão dos partidos que estão no centro democrático.

ALMG debate reposição salarial na área da Segurança Pública

A política remuneratória dos militares e servidores civis da Segurança Pública de Minas Gerais foi tema de uma audiência pública realizada pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa (ALMG). O debate, requerido e presidido pelo deputado Sargento Rodrigues (PL), discutiu o cumprimento da Lei 19.973/2011, que prevê a concessão do reajuste geral anual aos servidores, conforme o artigo 24 da Constituição Estadual, cuja implementação deveria acontecer em 1º de outubro. De acordo com dados apresentados por Rodrigues, com base em levantamento da Gerência de Finanças e Orçamento da Assembleia, a inflação acumulada de 2015 a 2024, medida pelo IPCA, foi de 74,89%, enquanto os servidores da segurança pública receberam 30,1% no mesmo período, representando uma defasagem de 44,79%. “O governo não cumpre a lei. A Constituição garante a revisão geral anual, mas o Estado insiste em negar o direito dos servidores. O próprio vice-governador reconheceu que Minas está com a folha abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Se há espaço, por que não reajustar os salários?”, questionou o parlamentar. Rodrigues também criticou a ausência de reposições em gestões anteriores. “A perda inflacionária dos últimos dez anos compromete o sustento das famílias e o funcionamento das forças de segurança”. Representando o Executivo, o secretário de Estado da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, destacou os avanços na recuperação financeira do Estado e disse que Minas mantém “marginalmente abaixo” o limite da folha de pagamento previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. “Hoje estamos em torno de 48% do comprometimento da receita com pessoal, o que demonstra equilíbrio. No entanto, não há espaço fiscal neste momento para novos reajustes salariais sem comprometer a sustentabilidade financeira do Estado”. A subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Planejamento e Gestão, Helga Beatriz Gonçalves de Almeida, reforçou o discurso de cautela. “O governo tem atuado com responsabilidade, garantindo o pagamento em dia, o décimo terceiro e benefícios. As decisões sobre recomposição devem respeitar os limites fiscais para que sejam sustentáveis no longo prazo”. Sindicatos reagiram As entidades representativas dos policiais civis, penais e bombeiros manifestaram frustração com a falta de proposta concreta. O vice-presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de Minas Gerais (Sindepominas), Márcio Simões Naback, afirmou que a defasagem salarial e a sobrecarga de trabalho têm levado ao adoecimento dos servidores. “Estamos perdendo profissionais qualificados. O efetivo está reduzido e o governo só faz propaganda. A realidade é que faltam recursos, valorização e diálogo”. A presidente da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol-MG), Elaine Matosinhos, também fez um apelo ao Executivo. “Temos investigadores ganhando pouco mais de R$ 5 mil e delegados recebendo cerca de R$ 10 mil líquidos. É impossível manter o padrão de vida e garantir segurança à população com esse quadro. O Estado precisa olhar para quem arrisca a própria vida todos os dias”. O presidente do Sindicato dos Policiais Penais, Jean Carlos Otoni Rocha, endossou as críticas. “O governo alega falta de recursos, mas concedeu aumento de 298% para o governador e secretários e bilhões em isenções fiscais. Falta vontade política para valorizar as forças de segurança”. Ao encerrar a reunião, o deputado Sargento Rodrigues afirmou que a comissão continuará acompanhando o tema e poderá adotar medidas judiciais para garantir o cumprimento da lei. “O servidor da segurança pública tem o direito de ter sua perda inflacionária recomposta. Não é favor, é justiça”, finalizou.

Oposição tem a difícil missão de tentar barrar a venda da Copasa

No âmbito da Assembleia Legislativa, um grupo informal foi criado para incrementar os debates sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), encaminhada pelo governo mineiro, para retirar a obrigatoriedade de realizar um referendo popular, o que poderá facilitar a venda da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Curiosidade e desinformação envolvem esse tema. Por exemplo, tão logo a PEC foi pautada e adentrou em sua reta de discussão nas comissões alusivas ao assunto, o Palácio Tiradentes começou a liberar emendas parlamentares de maneira acelerada. Nos últimos 20 dias, muitos deputados ficam pouco tempo em seus gabinetes, pois preferem transitar nas secretarias e órgãos do Estado, onde são processados os encaminhamentos dos valores. Situação X Oposição A oposição tem implementado uma atuação sistemática, mostrando a incoerência e o devaneio do governo estadual ao tentar vender a estatal mineira, sem ouvir a população, o que é exigido pela Constituição do Estado de Minas Gerais. Em verdade, são três os principais deputados a propugnarem narrativas sobre o projeto. Por exemplo, a parlamentar Beatriz Cerqueira (PT) enfatiza. “Com sua tese de privatizar tudo, o governador Romeu Zema (Novo) está incluindo a Copasa na lista como um ativo necessário para diminuir o impacto da dívida de Minas com o governo federal. No entanto, Zema cria apenas uma cortina de fumaça, querendo transferir a Companhia para a iniciativa privada”, afirma. A deputada Bella Gonçalves (PSOL) também tem criticado a aprovação da matéria em pauta. Ela chegou a denunciar uma espécie de conluio do Poder Executivo estadual com setores financeiros nacionais, mencionando nomes de bancos que já estariam previamente acertados para assumir o controle acionário da Copasa. Porém, a parlamentar não mostrou provas de sua fala, nem o governo mineiro comprovou ser apenas uma falácia. Completando esse trio contrário aos interesses palacianos, surge a atuação do parlamentar Professor Cleiton (PV). Por exemplo, foi dele o pedido para verificar o que está acontecendo nos bastidores dessa celeuma, inclusive em relação aos reais valores da Codemig, prestes a ser federalizada, para permitir o Estado aderir ao Propag, do governo federal. Assim como outros representantes da oposição na Assembleia Legislativa, Professor Cleiton quer saber os motivos que levaram o governador a decretar sigilo para evitar o acesso ao documento da avaliação feita para indicar quanto vale essa empresa de Minas Gerais. Defensores do governo Na linha de defesa dos interesses do projeto governista, muitos debates, em sua maioria acalorados, têm acontecido nas salas de comissões especiais no Parlamento estadual. O líder do governo, deputado João Magalhães (MDB), sempre aparece na imprensa concedendo entrevistas e defendendo a aprovação do conteúdo. Mas, segundo comentários dos bastidores da Casa, quem tem efetiva atuação, mesmo à base do anonimato, é o ex-secretário de Governo, deputado Gustavo Valadares. Faz parte desse meandro, com destacada relevância, o presidente do PSD mineiro, deputado Cassio Soares. “Ele está cada vez mais próximo do projeto político do grupo palaciano e também nutre uma singular presença entre os seus pares”, garantem as fontes de nossa reportagem.

Reunião debate o fim da produção de vacinas de meningite pela Funed

Com o objetivo de debater os impactos devido ao encerramento da transferência de tecnologia da vacina contra a meningite pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) e o atraso na produção de soros antipeçonhentos, foi realizada uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). De acordo com o requerimento da audiência, a Funed tem papel histórico e estratégico no Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), sendo responsável pela produção de imunobiológicos fundamentais para o Sistema Único de Saúde (SUS). A transferência de tecnologia das vacinas contra as meningites C e ACWY tinha por objetivo abastecer o Ministério da Saúde e a rede nacional do SUS. Em 2022, a instituição assinou um convênio, que se encerraria somente em fevereiro de 2026, para esse fim. Segundo o deputado que propôs o requerimento, Lucas Lasmar (Rede), cerca de 70% da arrecadação atual da Funed viriam justamente dessa parceria. “Agora, a sobrevivência da entidade, fundada em 1907 e que já foi referência nacional na produção de vacinas, soros e medicamentos, estaria mais uma vez ameaçada”. A justificativa do governo estadual para a paralisação do contrato é em função da necessidade de uma alta contrapartida, como a construção de fábrica ao custo em torno de R$ 2 bilhões. Porém, Lucas Lasmar rebateu dizendo que os repasses feitos ao longo dos últimos anos já garantiriam parte desse valor. Para o restante, segundo o parlamentar, já teria havido sinalização positiva do próprio Ministério da Saúde sem a necessidade de rompimento do acordo. “O encerramento unilateral da transferência de tecnologia e o atraso na produção de soros antipeçonhentos, após a reinauguração oficial das instalações em março, seriam dois sinais de que o objetivo do Poder Executivo é mesmo promover um desmonte da instituição. Com isso, seria aberto o caminho para a cessão de suas funções à iniciativa privada”, destaca Lasmar. O deputado defende a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os desmandos na Funed. E também foi aprovado um requerimento com a convocação do presidente da instituição, Felipe José Fonseca Attiê, para prestar esclarecimentos em nova reunião, já que ele não compareceu à audiência. Diálogo O diretor-executivo do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais, Érico de Moraes Colen, pontua que tem dificuldade de entrar na Fundação. “Só é permitida a entrada a partir das 18h para fazer assembleia, sendo que a maioria dos servidores trabalham até às 17h. Tem pelo menos um ano e meio que não consigo ter um diálogo com o presidente, pois ele não aparece nas reuniões. Essa abordagem mais profunda tem que ter a presença do Felipe”. “A instituição já produziu 1 bilhão de medicamentos e fornecia a maior parte desse material para a atenção primária para abastecer os municípios de Minas Gerais. Do nada, nós não temos mais demanda, porque os governos estaduais e municipais simplesmente não querem comprar da Fundação. Se a Funed quebrar, como eles querem, o maior afetado não será essa gestão. Nós servidores e a população que mais precisa de nossos serviços é que vamos sofrer as consequências”, acrescenta. A deputada e também autora do requerimento, Bella Gonçalves (PSOL), diz que a Funed é presidida atualmente por uma pessoa que não entende nada do SUS. “A convocação é um instrumento legítimo de fiscalização pelo Parlamento mineiro para que os gestores prestem contas à população quando as tentativas de diálogo já se esgotaram”. O presidente da Funed enviou quatro representantes à audiência pública. Todos elogiaram os servidores da entidade e reforçaram que a atual gestão estaria no caminho certo. Porém, diante da convocação de Felipe Attiê, preferiram que o presidente da instituição detalhasse futuramente seus planos para a entidade. O diretor de Planejamento, Gestão e Finanças, Dimitri Assis de Souza, afirma que o objetivo das decisões tomadas é dar sustentabilidade à instituição com foco no futuro. “Não há tentativa de abandono de projeto estratégico, queremos voltar a ser referência para os brasileiros. Essa gestão trabalha para melhorar a infraestrutura e dar mais condições de trabalho aos servidores”.

Sisema pode integrar o sistema de segurança do Estado de Minas

Durante uma audiência pública realizada pela Comissão de Administração Pública, a secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Marília Carvalho de Melo, declarou o apoio do Executivo à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 43/24. A medida busca incluir os órgãos e entidades que compõem o Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) no rol das instituições de segurança pública previsto no artigo 136 da Constituição Estadual. “Conversei com o governador e o vice-governador sobre isso e vim aqui hoje declarar publicamente o apoio integral do Governo de Minas a essa PEC. Essa decisão veio a partir da sensibilidade deles quanto à importância da nossa carreira”, afirmou Marília. A declaração foi antecedida por uma explanação sobre a complexidade das funções exercidas pelos órgãos que compõem o Sisema, o que, segundo ela, justificaria a elevação do status dessas instituições. Ela também reconheceu a defasagem nos quadros do Sisema, ressaltando que, desde 1992, apenas três concursos públicos foram realizados, o mais recente em 2013, ano em que ela mesma foi nomeada. “Estamos há 12 anos sem recomposição dos nossos quadros. Temos atualmente 1.817 servidores efetivos, de recrutamento amplo e contratados, insuficiente para nossas competências, que são muito amplas. Temos 461 cargos em aberto”. Embora não seja classificado formalmente como um órgão de segurança pública, o Sisema desempenha diversas funções com caráter fiscalizador, coercitivo e voltado à proteção do interesse coletivo. O sistema é formado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), pela Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). Em meio a uma paralisação por reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho, diversos servidores dos órgãos integrantes do Sisema compareceram em peso ao evento, acompanhando o debate e celebrando as declarações da secretária. A audiência foi realizada a partir de uma solicitação da deputada Beatriz Cerqueira (PT), que defende que a inclusão do Sisema entre as instituições de segurança pública pode abrir caminho para avanços como a elaboração de um plano de carreira e a realização de novos concursos para a área ambiental. A PEC 43/24, de autoria principal do líder do Governo, deputado João Magalhães (MDB), propõe inicialmente a inclusão do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) entre os órgãos de segurança pública. Caso o texto seja aprovado com as alterações discutidas durante a audiência pública, tanto o DER quanto as instituições que compõem o Sisema passarão a integrar oficialmente o conjunto de órgãos de segurança pública do Estado, ao lado das polícias Civil, Militar e Penal, além do Corpo de Bombeiros Militar. Emocionado, Wallace Alves de Oliveira Silva, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente de Minas Gerais (Sindsema/MG), descreveu a possível inclusão do Sisema no rol das instituições de segurança pública como um marco histórico. “Essa conquista anunciada aqui é como uma carta de amor com o nosso legado para o futuro do Sisema. O que nós conseguimos vai muito além dos benefícios para os servidores. Nossa luta vai entregar muito mais para o futuro da sociedade mineira ao reforçar a defesa do meio ambiente”. “Exatamente hoje completamos 30 dias de greve geral. A gente vence uma batalha a cada 100 lutas, mas quando se ganha é essa emoção que estamos vendo nessa audiência. Isso vai mudar o Sisema daqui pra frente porque vai possibilitar a incorporação de uma nova geração de servidores”, definiu. No entanto, de acordo com o sindicalista, a paralisação deve permanecer enquanto a medida não for oficialmente implementada e não houver avanços concretos na valorização dos servidores. “Estamos de prontidão aqui na Assembleia desde março e vamos continuar acompanhando até essa PEC ser aprovada”. Responsável pelo requerimento que viabilizou a realização da audiência, a deputada Beatriz Cerqueira celebrou o posicionamento favorável do Executivo à PEC 43/24. Contudo, ressaltou que essa manifestação representa apenas o primeiro passo para reparar uma dívida histórica com os profissionais da área ambiental. “Não existe serviço público fortalecido sem servidores valorizados. Nos momentos de tragédia, de crimes oriundos da ganância de empreendimentos minerários, foi o servidor público que nos resgatou”.

Quem vai ser vice de quem no pleito eleitoral do próximo ano?

À medida em que o ano caminha para o fim, especula-se os nomes para uma eventual disputa ao Governo do Estado no pleito de 2026. No momento, há a formação de grupos e parcerias para fortalecer os aludidos postulantes ao Palácio Tiradentes. O evento irá movimentar a classe política mineira, inclusive com repercussão nacional, porque Minas é o segundo colégio eleitoral do país. Semana passada, o nome do deputado Aécio Neves (PSDB) voltou a ser destacado, especialmente nas redes sociais, como um dos pretendentes à peleja do próximo ano. Ao lado dele, permanecem outros integrantes das discussões desse projeto, como o vice-governador Mateus Simões (Novo), o senador Rodrigo Pacheco (PSD), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Nomes para vice Desde o início deste ano, quando se menciona a sucessão ao Governo de Minas, surge a figura do atual presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), avaliado como um parlamentar das práticas da boa diplomacia na política. Os jornalistas da crônica mineira avaliam que Tadeu pode ser candidato ao Governo ou ao Senado, mas se encaixaria bem como vice, pois a expectativa é que ao seu lado estaria uma quantidade imensa de colegas de parlamento, fieis parceiros dele em suas duas eleições para a presidência da Casa Legislativa. Quem também está de volta à vida pública é o ex-senador Clésio Andrade. Seu nome circula junto às lideranças pelo interior do Estado, por enquanto, sem uma definição quanto ao posto a ser disputado, embora muitos o vejam em três dimensões neste espaço: Pleitear o Palácio Tiradentes, tentar uma vaga no Senado, ou aceitar compor chapa com alguém na qualidade de vice. Com perfil procedente do segmento empresarial, consta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, cidadão preferido da imprensa da capital mineira. O dirigente tem experiência pública e já ocupou o cargo de secretário da Prefeitura na gestão do então prefeito Marcio Lacerda. Ele preside uma entidade que é referência nacional, além de comandar o Sebrae Minas. Se instado a participar de um projeto político, teria o perfil para vice- -governador, até porque, carrega em sua bagagem profissional a participação em eventos públicos e privados em vários continentes. Uma das grandes incógnitas se refere à prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). O seu perfil de chefe do Executivo por vários mandatos e de ex- -deputada estadual, a credencia a voos mais altos, inclusive a vaga de vice, em uma possível composição com o senador Rodrigo Pacheco. Contudo, pessoas próximas a Marília apontam para uma completa indisposição dela em participar da disputa em 2026. Na faixa dos políticos tradicionais, são citados como opções ao cargo de vice-governador o deputado federal Patrus Ananias (PT) e o ex-prefeito de BH, Alexandre Kalil, o mesmo que venha ser enfatizado como interessado em ser cabeça de chapa na empreitada eleitoral que se aproxima. Matematicamente, quem almejar sucesso no pleito estadual em 2026 não pode excluir Uberlândia. O segundo colégio eleitoral mineiro, se a eleição fosse agora, poderia contribuir com dois nomes para composição de chapa: o ex-prefeito Odelmo Leão (PP) e o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL). Este último é considerado como um dos baluartes nas redes sociais.

Audiência da ALMG alerta para golpes e saúde de idosos

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública voltada ao Setembro Amarelo, com ênfase nos efeitos psicológicos, sociais e econômicos sofridos por idosos vítimas de fraudes e desinformação. O encontro buscou também propor políticas públicas e ações educativas voltadas à prevenção de golpes e à promoção da saúde mental dessa população. Dados apresentados na audiência reforçam a urgência do tema: a taxa de suicídio entre pessoas com mais de 60 anos é de 7,8 por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 6. Entre os homens idosos, o índice chega a 14,8 por 100 mil, enquanto entre mulheres da mesma faixa etária é de 2,6. Especialistas apontam fatores como isolamento social, luto, perda de autonomia e, cada vez mais, os impactos emocionais de fraudes financeiras. A presidente da Comissão de Saúde Mental da OAB-MG, Luciana Garcia, alertou que a maior parte dos crimes contra idosos não chega às autoridades. “Cerca de 60% das vítimas de tentativas de golpe em instituições financeiras são idosos, mas os casos são subnotificados, porque muitos sentem vergonha de contar até mesmo para a família”. “A fraude não é apenas financeira. Ela atinge a autoestima, gera impotência e fragilidade. É fundamental criar canais de acolhimento e capacitar os profissionais para escuta humanizada”, acrescentou. A delegada Danúbia Quadros, chefe do Departamento Estadual de Investigação, Orientação e Proteção à Família da Polícia Civil, ressaltou a sofisticação das quadrilhas. “Os criminosos desenvolveram uma engenharia social cada vez mais apurada. Entre os golpes mais comuns estão os de empréstimos consignados e os de falsos namorados, em que mulheres idosas são seduzidas e enganadas”. Idealizador da audiência, o deputado Charles Santos (Republicanos) defendeu a criação de políticas públicas para proteção e apoio aos mais velhos. “Recebemos inúmeras denúncias de fraudes contra idosos. Mais do que novas leis, é preciso garantir que as já existentes sejam aplicadas. O silêncio é conivência. Precisamos denunciar e construir uma rede de cuidado que envolva família, Estado e comunidade”. A audiência destacou ainda a necessidade de fortalecer os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) para atendimento especializado de idosos, campanhas de alfabetização digital para prevenir golpes virtuais e a capacitação de bancários, policiais e profissionais de saúde no acolhimento de vítimas. O encontro foi marcado pela convergência de especialistas em saúde, representantes da sociedade civil e autoridades de segurança pública. A mensagem final reforçada pelos participantes foi de que escuta, empatia e conscientização podem salvar vidas. “Se o silêncio adoece, é no diálogo que transformamos dor em esperança”, resumiu a presidente da Comissão de Saúde Mental da OAB-MG, ao defender que a pauta seja tratada como prioridade de Estado.

Prefeito de Nova Lima é lembrado para disputar as eleições em 2026

Avaliados como homens públicos forjados nas redes sociais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o deputado Nikolas Ferreira (PL), já ocupam espaço no âmbito da política mineira e nacional, com atuação baseada em postagens em seus perfis que possuem milhares de seguidores. Isso é um fato relacionado com o fenômeno da comunicação digital. No entanto, o uso dessas ferramentas não é o único caminho para conquistar notoriedade e popularidade. Neste sentido, vale mencionar o caso do prefeito de Nova Lima e presidente da Associação dos Municípios da Grande Belo Horizonte (Granbel), João Marcelo (Cidadania). Com seus 33 anos, o chefe do Executivo foi reconduzido para um segundo mandato por 85,64% dos eleitores. Ele é destaque por comandar uma cidade considerada uma das mais bem administradas do Estado, com um índice de desenvolvimento humano de primeira qualidade. Por conta disso, o prefeito tem sido mencionado para disputar cargos majoritários no pleito de 2026. Outras lideranças Atualmente, não apenas as redes sociais são capazes de proporcionar visibilidade aos políticos. Um bom trabalho, mediante probidade e tirocínio administrativo, também os credenciam nas conquistas mais relevantes e de protagonismo perante as comunidades públicas em geral. Ao lado de João Marcelo, avaliado pela imprensa como um político de expressão da nova geração, também surge outro nome de destaque, o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão. Ele comanda a Prefeitura de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, pelo segundo mandato e foi citado como uma das opções para ser vice na chapa do pré-candidato ao Governo do Estado, senador Cleitinho Azevedo. Falcão lidera a AMM que tem mais de 800 municípios filiados, para cujo cargo foi eleito com mais de 60% dos votos. Tendo assumido a Prefeitura de Belo Horizonte, diante do falecimento do titular Fuad Noman, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) tem feito uma administração ao estilo bem participativo, marcando presença em diversos atos e encontros cotidianamente. Isso o eleva a uma situação de popularidade com margem positiva, segundo sondagem e comentários dos jornalistas da crônica política da capital mineira.