Zema X Simões

O governador Romeu Zema (Novo) tem ensaiado a possibilidade de transferir a sua administração para Mateus Simões (PSD), com a finalidade de facilitar o encaminhamento do projeto eleitoral de seu vice, declaradamente pré-candidato ao Governo de Minas. As informações nesse sentido circulam nos meios políticos desde o ano passado. Se o assunto procede, seria oportuno levá-lo a efeito com brevidade, porque parece haver uma gestão dupla, onde determinados temas são tratados com orientações antagônicas. A decisão sobre a transferência estaria sendo postergada em função da necessidade de um ajuste do projeto de Zema. Ele pretende transferir o mando administrativo, desde que um lugar na agenda política nacional esteja reservado para o governador dos mineiros. Essa discussão provoca incertezas e atrapalha os investimentos em setores estratégicos de Minas, especialmente na infraestrutura, saúde e educação. São projetos que estão saindo da gaveta neste ano de eleição, mas enfim, terá a assinatura de qual dos dois mandatários? Atrelar os acontecimentos da política estadual ao interesse de Romeu Zema em se tornar um nome palatável para disputar à Presidência da República, transcende aos preceitos básicos de quem no momento sequer sabe o que irá acontecer em outubro deste ano, quiçá atender às duas demandas ao mesmo tempo: uma possível vitória de Simões ao Governo de Minas e também a sua atuação rumo ao Palácio do Planalto. De acordo com as últimas pesquisas, Zema não tem sido uma opção preferida e aparece sempre na rabeira entre nomes como Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Júnior (PSD). Embora digam o contrário, os funcionários públicos de Minas estão de olhares enviesados para Zema, especialmente os da segurança pública, incluindo policiais civis e agentes penitenciários. Tendo como referência as constantes falas do deputado estadual Sargento Rodrigues (PL), quando chegar a hora certa a “tropa” vai demonstrar ao governo o seu elevado grau de insatisfação. O parlamentar sempre foi eleito com apoio dos representantes desse setor de nosso Estado. Em consequência dessa realidade, quem almeja ter apoio e voto desses barnabés de farda, carece antes rezar a cartilha deles para não haver decepção eleitoral após o pleito ao Governo de Minas neste ano.

Nikolas no lugar de Flávio Bolsonaro

No limiar de 2026, o caldeirão político mineiro tende a registrar uma efervescência acima da média, por conta de especulações de bastidores envolvendo personalidades públicas capazes de influenciar no resultado da campanha, tanto ao Governo de Minas quanto à sucessão presidencial. Dois nomes são cotados para enfrentar o pleito rumo ao Planalto no próximo ano. Até recentemente, entre os políticos locais, houve a propagação do deputado federal e dirigente nacional do PSDB, Aécio Neves, avaliado como uma das opções para a peleja que se avizinha. Ele já teria assumido o compromisso de se postar como candidato à presidência, tendo no bojo dessa sua decisão a pretensão de melhorar o perfil do partido. A ideia seria incrementar a eleição de mais deputados e senadores nos diferentes estados, para tentar voltar o prestígio dos tucanos da década passada. Por intermédio das redes sociais e da imprensa, informações sugerem o nome do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) como opção, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) não conquiste a popularidade necessária para se manter competitivo no enfrentamento ao candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ainda relativamente à empreitada na esfera nacional, matemáticos da política estadual preveem um possível fraco desempenho do governador Romeu Zema (Novo). Quanto à sucessão mineira, permanece a incógnita sobre a incursão do presidente Lula, se propondo a convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a aceitar o desafio de colocar o seu nome para apreciação dos eleitores, com o objetivo de tentar conquistar o Palácio Tiradentes. Nesse cenário regional, a novidade é o crescimento do nome do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão. Se a eleição fosse em dezembro, o dirigente teria o apoio de dezenas de colegas prefeitos e de muitas lideranças municipais para disputar um cargo majoritário, perpassando pelo Governo do Estado, mas também apontado como alternativa ao Senado ou compor chapa na qualidade de vice-governador. Segundo a crônica política de Minas, existe um enorme vácuo na corrida rumo à Cidade Administrativa. É de se esperar outras possibilidades, inclusive incrementar nomes como o do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB). Ele possui trânsito livre junto a diferentes grupos, se posicionando bem tanto na esquerda quanto no centro. No entanto, a dificuldade dos interlocutores tem sido convencer o parlamentar a aceitar essa preposição.

Sucessão mineira em foco

A informação indicando a intenção do deputado federal Aécio Neves (PSDB) em não mais se envolver na disputa ao Governo de Minas, preferindo disputar a Presidência da República, deixa o eleitor mineiro atordoado quanto à sucessão do governador Romeu Zema (Novo), no próximo ano. No início de 2025, também houve um elevado grau de especulação apostando firme na propalada candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao posto. Se a oportunidade não fosse dada ao político, o bastão seria passado ao deputado federal mais votado de Minas e do Brasil, Nikolas Ferreira (PL). No decorrer do período, a preferência por ambos foi trilhando caminhos obscuros. Atualmente, as lideranças políticas do Estado sequer os elegem à discussão para implementar a candidatura ao Palácio Tiradentes. Comentários de Brasília apontam que Nikolas precisa continuar no Parlamento para ser um puxador de votos, com o objetivo de aumentar a bancada do PL na Câmara Federal. Quanto ao esvaziamento do nome de Cleitinho, não há explicação pertinente até hoje. Essas questões sem resposta têm proporcionado um vácuo no projeto relativo à sucessão estadual, daqui a menos de um ano. O vice-governador Mateus Simões (PSD) tenta consolidar sua pré-candidatura baseado na popularidade do governador Zema. Mas, na hora de mostrar as realizações do Executivo mineiro, são poucos os projetos para atender à população nas diferentes regiões. A não ser ações pontuais na área da saúde e da segurança. Quando se trata de estruturação de sua jornada, Simões está centrado muito no apoio de deputados, especialmente junto ao curral eleitoral dos apoiadores do governo na Assembleia Legislativa. Esse foi o mesmo estilo implementado por Antonio Anastasia para ser eleito governador, mas não é possível mensurar se o sucesso de outrora pode se repetir na peleja de 2026. Por seu turno, uma indefinição evidente no campo da esquerda está paralisando o debate. Ainda esperam um crescimento de popularidade das candidaturas de Gabriel Azevedo (MDB) e do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT). As duas são avaliadas como “nanicas” até o momento. Para os matemáticos da política, tudo não passa de uma especulação, e logo após a virada do ano, esse cenário de agora será completamente incrementado. Com quais atores? Ninguém sabe.

O Natal e o comércio

Então, é Natal! Felizes são as pessoas que estão com saúde e paz no coração para comemorar o nascimento do menino Jesus. No Brasil, muitos cristãos celebram a data com extravagância, indesejados excessos de bebidas e comidas, quando na realidade, conforme os preceitos devotos, o ato simboliza a esperança e proporciona a mensagem de paz e união. Não é distante o pensamento, segundo o qual representa a confirmação da vida e o amor divino, manifestado através da chegada de Cristo, alentando o coração daqueles que nutrem a fé sobre o capítulo. Os pedidos são sempre pela salvação da humanidade, embora nos últimos tempos passou a servir também para outros objetivos, além da valorização da religiosidade e da reflexão. Se a gula é um pecado mortal, também deveria haver castigo celestial para espertalhões que exploram comercialmente os cidadãos. Atualmente, as grandes lojas e o comércio em geral utilizam um marketing agressivo, disseminando e concebendo o mês de dezembro como uma oportunidade de aumentar as vendas, sem qualquer menção ao espírito real da data festiva. A não ser algumas musiquinhas tocadas nas portas das lojas de rua para atrair mais um freguês. Na memória relativamente à era cristã, existe apenas a referência à fraternidade entre os povos. Esse viés consumista que a cultura ocidental implementou ao longo dos séculos, hoje mais espelha um duelo para saber quem disponibiliza mais ofertas, mais produtos e serviços. Não há qualquer alusão aos Três Reis Magos, um efetivo símbolo do nascimento do menino Jesus, em Belém. Em síntese, Natal proporciona um estado de espírito, onde a confraternização se transformou em uma data focada em compras e o período mais importante do ano para o comércio. A questão da religiosidade ficou apenas na intenção, sem a devida valorização.

PT mineiro fragilizado

O protagonismo das redes sociais teve extensão colossal e impactou projetos de poder. Nas duas últimas eleições majoritárias, proporcionais e municipais, o costume tradicional de convencer o eleitor no contato direto na disseminação de propostas, simplesmente foi minimizado, abrindo espaço para pessoas mais jovens se inserirem no contexto político. Em consequência dessa realidade, um paradigma aponta que estamos vivendo uma nova era nos bastidores das campanhas eleitorais. A era máxima da internet e sua velocidade descomunal chegou para ficar. Assim como empresas e pessoas são aduzidas a galgarem essa nova realidade mundial, os partidos políticos também carecem de captar a mensagem atinente ao novo marco a ser estabelecido. Essa verdadeira tempestade vem alterando princípios e costumes dos meios tradicionais de pedir votos. Faz sentido elencar alguns pormenores importantes, porém, não levados tão a sério. Nesse contexto, cabe registrar a realidade enfrentada por grandes partidos tradicionais. O Partido dos Trabalhadores nasceu para ser contraponto ao então regime militar vigente no país, sagrando-se como uma onda de prioridade na arregimentação de trabalhadores, sindicalistas, jovens e intelectuais. Ao longo de décadas, com a plena democracia e o exorbitante número de novas siglas, o então poderoso começou a definhar. Hoje, vive em constante conflito e discussões internas, com grupos e alas que nutrem diferentes pensamentos ideológicos, escalando o grau de dificuldade de continuar na cena, quando aglutinavam a plena adesão dos eleitores no passado. No momento, onde tudo é mais dinâmico, ágil e veloz, encontram obstáculos de capitanear um nome competitivo para disputar o Governo de Minas, mesmo tendo como carro-chefe o puxador de votos, o enaltecido e relacionado presidente Lula. Contudo, em Minas, as dificuldades do partido não são de agora. Por exemplo, há muito tempo deixou de comandar a Prefeitura de Belo Horizonte, capital com seus dois milhões de eleitores. Está à espera de composição política/partidária para evitar o vexame de implementar uma caminhada individual e desenhar, por antecipação, uma possível derrota no pleito ao Governo de Minas, em 2026.

BH sem turistas estrangeiros

Autoridades do segmento de turismo, empresários e profissionais do ramo estão otimistas com os resultados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Apenas nos nove primeiros meses de 2025, o país recebeu mais de 7 milhões de turistas internacionais, volume 45% superior ao do mesmo intervalo do ano passado, movimentando R$ 32,5 bilhões em despesas como hospedagem, alimentação, transporte, lazer e compras. O maior número de visitantes veio da Argentina, seguido pelos Estados Unidos. Ao analisar os dados, é uma pena que a política de incentivo ao turismo em Belo Horizonte não seja suficiente para conseguir atrair uma parcela significativa desses excursionistas estrangeiros. O ideal seria que eles enxergassem a capital mineira como um dos destinos a fazer parte dos seus roteiros. Enquanto nada de concreto ocorre, BH serve como cidade dormitório. Por mais competentes que sejam os nossos agentes de viagens, são poucas as opções a serem mostradas. A Praça do Papa está interditada e sem previsão para conclusão do projeto de revitalização. A Lagoa da Pampulha, com suas águas esverdeadas, deixou de ser uma opção para esportes náuticos. De resto, tem de positivo o Museu da Praça da Liberdade, Museu da Vale, fechado há mais de um ano; Palácio Dantas, que está em ruínas e aguardando verba do Ministério Público para fazer reformas necessárias. Diante da realidade, resta esperar um planejamento de expansão da infraestrutura, especialmente com o objetivo de atender as demandas internacionais, proporcionando espaço para realização de eventos culturais em bairros como o Santa Tereza, Floresta, Santo Antônio e mais. Não vale o comentário que somos a cidade dos botecos, porque certamente estes espaços também existem em outros países. Também fica a sugestão no sentido de implementar eventos de envergadura e participação popular, como o Carnaval. Para isso acontecer, carece contar com o poder público como indutor, caso contrário, os passageiros vão continuar desembarcando em Confins e procurando tradicionais destinos como Ouro Preto, Tiradentes, Mariana, Circuito das Águas, montanhas e cachoeiras localizadas nas serras mineiras.

Fundo Eleitoral

Para além de acordos e formação de grupos com vistas ao pleito eleitoral de 2026, a partir de agora, quem quiser ser candidato a qualquer cargo, precisa manter um bom entendimento com os partidos. Pela legislação atual, as siglas concentram prestígio e pelo crivo delas passa a generosa verba do Fundo Eleitoral e também o Fundo Partidário. A soma das duas resulta em uma quantia expressiva a ser gasta para financiar campanhas em todos os níveis: deputado estadual e federal, senador e governador. Esse bolo de dinheiro público também atende as campanhas presidenciais. O Fundo Eleitoral foi criado para evitar a supremacia de candidatos com posses financeiras, em detrimento de outros sem o mesmo potencial. A ideia era evitar o envolvimento de empresários e empresas nas tradicionais “ajudas” em época de campanhas, onde o dinheiro servia para turbinar representantes de setores com interesse na política. Após mais de uma década, os poderosos continuam driblando as leis, promovendo eventos eleitorais antecipados e desafiando as autoridades. Os mais ricos sempre estão à frente dos demais concorrentes a cargos públicos. Essa distorção é uma constante desde os primórdios da concepção do Brasil República, há 135 anos. Os presidentes regionais dos partidos políticos são eminências à parte nesse processo. A partir de dezembro até o período das Convenções Partidárias, amplia-se substancialmente o poder desses dirigentes, pois por eles perpassam decisões significativas, como a escolha dos candidatos e a homologação das candidaturas. Quem tem a caneta em mãos são o presidente nacional do Avante, deputado federal Luiz Tibé; deputada estadual Leninha (PT); comandante regional do PL, deputado federal Domingos Sávio; deputado federal Pinheirinho (PP); deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos); deputado federal Newton Cardoso Júnior (MDB); deputado federal Delegado Marcelo Freitas (União Brasil); deputado estadual Cássio Soares (PSD); e o prefeito de Conceição do Mato Dentro e presidente do PSB mineiro, Otacílio Costa Neto. Também a nível nacional, existem figuras antológicas como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o dirigente do PDT, Carlos Lupi. Ambos preferem comandar os seus feudos, sequer almejam ser candidatos ao Senado ou a deputado federal. Por certo, a mordomia compensa.

Sobre o crime organizado

A recente incursão policial no Rio de Janeiro para combater o crime organizado, com dezenas de mortos do denominado Comando Vermelho (CV), conquistou um grande espaço da mídia mundial. Por conta do seu modus operandi, não se sabe se a operação contribuirá para trazer a paz nos aglomerados da ex-Cidade Maravilhosa. Muitos acreditam que o resultado foi positivo, enquanto prospera a especulação de que o ato serviu para aumentar a popularidade do governador Cláudio Castro (PL), pré-candidato ao Senado em 2026. Seria uma espécie de candidatura banhada a sangue. O poder é algo tão fascinante que o ceifamento de mais de 100 vidas naquele ato é apenas um detalhe, e faz parte do jogo de interesse pessoal e eleitoreiro do titular do Palácio Guanabara. Esse pacote de maldades comandado pela liderança carioca já é uma realidade em todo o Brasil, com o recrutamento de “soldados”, para espalhar o terror em várias grandes cidades. Em Minas, a presença do crime organizado é forte em regiões como a Zona da Mata, Leste do Estado, especialmente em Belo Horizonte, onde os marginais do Comando Vermelho dividem espaço com membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). Cotidianamente, o noticiário policial menciona execuções, atos de vandalismo e outros crimes na periferia de BH, e cidades como Santa Luzia, Ribeirão das Neves, Vespasiano, Contagem e Betim. É hora das autoridades mineiras tomarem alguma iniciativa baseada na inteligência policial, combinada com os entes federados, para tentar barrar o crescimento desses grupos enquanto ainda há tempo. Sem medidas efetivas, as cenas dantescas ocorridas no Rio de Janeiro também podem acontecer em nosso Estado. Se o crime é organizado, as ações carecem de uma junção de forças. O governador Romeu Zema (Novo) precisa deixar de lado o viés ideológico que o separa de Brasília, e buscar uma solução para conter os criminosos em Minas. Para conquistar resultados práticos, vale a pena calçar as sandálias da humildade, em nome de preservar vidas e evitar confrontos como os de agora. O importante é haver um planejamento por parte das forças de segurança do Estado, propiciando um rumo diferente do que vem acontecendo, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Valadares X Uberlândia

Neste final de ano, reserva-se espaço para definições dos projetos nos diferentes campos políticos de Minas Gerais. No momento, propala-se sobre a implementação de três grupos, cada um com seu planejamento estratégico visando conquistar o Palácio Tiradentes no pleito de 2026. Muitas informações ainda carecem de confirmação, como o comentário apontando que o empresário de Governador Valadares, Alex Coelho Diniz, estaria acertando para ser o candidato a vice-governador na possível chapa a ser encabeçada por Mateus Simões (PSD). Figura enigmática, Alex Coelho é o atual suplente do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Nos entendimentos preliminares, o denominado grupo do Leste, composto pelo alusivo suplente, o seu irmão, o deputado federal Hercílio Diniz (MDB), e o parlamentar federal Euclydes Pettersen (Republicanos), querem jogar o jogo unidos, demonstrando nova força política. Não há certeza de como essas conversações se desenvolverão, mas alguns interlocutores já antecipam com relação à chance de Cleitinho abdicar de sua pretensão de ser candidato ao Governo do Estado, agregando-se em uma chapa nacional, possivelmente na condição de vice de Ratinho Júnior (PSD), do Paraná. Tudo isso pode não passar de especulação, mesmo porque, se quiser ter chance de disputar o pleito com intenção de vencer, Mateus Simões careceria de se aliar com alguém sabidamente de popularidade na Região Metropolitana, com seus quatro milhões de eleitores. Em Brasília, o Palácio do Planalto observa esse movimento no tabuleiro político mineiro para entrar em cena. Interlocutores palacianos apontam para uma mega aliança com partidos e lideranças de prestígio em Minas, para implementar uma chapa competitiva da denominada centro-esquerda, unindo a classe média e os trabalhadores. Recentemente, o conservador deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), esteve com Jair Bolsonaro, em Brasília, e teria ouvido dele a promessa de apoiá-lo para uma disputa ao posto de senador. Só para rememorar, Uberlândia, terra do deputado estadual, é o segundo colégio eleitoral de Minas. Mesmo diante dos fatos acontecidos com o ex-presidente da República, em toda a região o movimento do denominado bolsonarismo encontra uma preponderante caixa de ressonância. Se existe o movimento do Leste, pode existir o movimento da Grande Belo Horizonte e também um grupo incrementado por lideranças do Triângulo Mineiro, tido como o “Triângulo da Prosperidade”.

Adeus, Partido Novo

O que antes era apenas uma hipótese, agora ganhou contorno oficial, diante da confirmação do próprio presidente do PSD nacional, Gilberto Kassab, a respeito da filiação do vice-governador Mateus Simões à sigla pessedista.Portanto, abre-se as cortinas para um horizonte límpido rumo à sucessão ao Governo do Estado, em 2026. Essa decisão de ambos faz com que o já minúsculo Partido Novo, ao qual Simões sempre foi filiado, se torne efetivamente “nanico”, para desespero de alguns nomes que ainda permanecerão ligados a ele, inclusive o governador Romeu Zema. Esse grupo político que comanda o Palácio Tiradentes pode ser traduzido como uma situação anômala. Ao aceitar colocar o seu nome para pleitear a eleição, em 2018, Zema dizia que não almejava um resultado positivo em sua empreitada. À época, o seu projeto era ajudar a sigla, incrementando a votação de deputados estaduais e federais, para dar visibilidade ao Partido Novo, tido como um autêntico ninho de políticos com viés ideológico da direita. É sempre bom rememorar que Zema obteve êxito graças à popularidade de Jair Bolsonaro. Uma vez no poder, mudou de posição e disse que se sentia confortável no cargo, difundindo que era hora de um empresário de sucesso comandar os destinos do Estado. Em sua reeleição, galgou uma posição frágil, cujo concorrente principal era o ex-prefeito Alexandre Kalil. Ao longo desses anos no comando do Executivo mineiro, o governador sempre atuou em consonância com os poderosos. Em todas as ocasiões, fazia questão de deixar claro a sua proximidade com o setor produtivo, mas pouco se dedicou a implementar grandes projetos sociais, especialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O pleito de 2026 ocorrerá daqui a um ano e a hegemonia zemista será colocada em xeque. Não precisa ser experiente para saber que a saída de Simões do Novo é uma prova cabal da falta de expectativa de um resultado prático no embate eleitoral. O governador vai precisar amainar a sua narrativa de empreendedor de sucesso para fazer política com “P maiúsculo”. Zema terá de se embrenhar em temas do interesse social da população, e não apenas ficar se gabando de ser um exímio “lavador de louças” e comer banana com casca. A sua imagem de cidadão do interior sequer serviu para alavancar a suas chances de se tornar presidente da República. Se quiser contribuir para o êxito do projeto de seu afilhado Mateus Simões, terá de abdicar de sua pretensão política nacional. Caso contrário, pode levar o vice-governador rumo à incerteza