Projeção aponta para movimentação de R$ 55,6 bilhões no varejo mineiro

O consumo no varejo em Minas Gerais deve crescer acima da média nacional em 2025. De acordo com um estudo elaborado pelo IPC Maps, o setor movimentará cerca de R$ 55,6 bilhões, o que representa uma alta de 12,2% em relação ao ano passado. O desempenho coloca o Estado na segunda posição no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, e reflete a maior predisposição das famílias mineiras ao consumo, mesmo em um cenário econômico de juros elevados e inflação persistente. “O varejo em Minas terá desempenho superior ao da média nacional, graças ao papel do Estado no contexto econômico do país, puxando o crescimento da maioria das 22 categorias avaliadas. Enquanto o consumo no Brasil deve crescer em termos reais 3,01%, em Minas essa alta será de 3,37%”, aponta o responsável pelo levantamento, Marcos Pazzini. Entre os segmentos de maior destaque, o vestuário confeccionado lidera o consumo, com previsão de movimentar R$ 19,6 bilhões em 2025. Em seguida aparecem os mobiliários e artigos do lar (R$ 12 bilhões), os eletroeletrônicos (R$ 10,4 bilhões) e os calçados (R$ 6,9 bilhões). Categorias como artigos de limpeza devem crescer 11,5% no período, somando R$ 4,2 bilhões, enquanto joias, bijuterias e armarinhos registram expansão de 14,3%, chegando a R$ 1,3 bilhão. Para Pazzini, essa diversificação no consumo reflete o fortalecimento da renda e do emprego formal. “Com a melhoria da quantidade de trabalhadores com carteira assinada, a propensão ao consumo é maior. As famílias voltam a considerar categorias que ficaram em segundo plano nos últimos anos e até produtos de valor mais alto, devido à recuperação do poder aquisitivo”, comenta. O pesquisador também lembra que o consumo está concentrado em alguns polos regionais. “Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Juiz de Fora e Uberaba são os cinco maiores municípios de Minas e, apesar de estarem em regiões distintas, atraem consumidores de cidades menores ao seu redor. Por isso, são estratégicos para redes varejistas e franquias”. Dados nacionais No Brasil, o consumo das famílias deve atingir R$ 8,2 trilhões em 2025, com o varejo alcançando R$ 532,1 bilhões, uma expansão de 11,3% frente ao ano anterior. Entre os setores, o vestuário também lidera, com R$ 182,7 bilhões, seguido por móveis e artigos do lar (R$ 113 bilhões), eletroeletrônicos (R$ 110 bilhões), calçados (R$ 73 bilhões) e artigos de limpeza (R$ 40 bilhões). Desafios Apesar da expansão do consumo, o setor convive com obstáculos importantes. As taxas de juros seguem em patamar elevado e a inflação ainda pressiona o orçamento das famílias. O economista Gelton Pinto Coelho Filho avalia que esse cenário afeta principalmente os pequenos empreendedores. “A manutenção dos juros dificulta o crédito e gera um freio de arrumação na economia. Na categoria MEI, muitas iniciativas surgem sem estudos de mercado, o que aumenta o risco de mortalidade precoce dessas empresas”. Ele ressalta ainda que mesmo com a limitação do crédito, há sinais de recuperação do consumo. “Após um longo período de privação, a retomada de programas sociais e de transferência de renda, como o ‘Minha Casa Minha Vida’, gerou transbordamento de renda. Isso abriu novas possibilidades de negócios e permitiu que as famílias voltassem a consumir, mesmo convivendo com dívidas”. Perspectivas para o ano A expectativa é de que o crescimento do consumo siga sustentado pela melhora no mercado de trabalho e por medidas de incentivo à renda. Para o economista, esse movimento pode ganhar ainda mais força caso medidas como a ampliação da isenção tributária para quem recebe até R$ 5 mil por mês. “Pagando menos impostos, maiores possibilidades de consumo surgem. Isso equivale a um décimo terceiro salário dividido ao longo do ano, ampliando a capacidade de compra da população”.

Salário de 54% dos trabalhadores não dura até o fim do mês

U ma pesquisa conduzida pela SalaryFits, empresa vinculada à Serasa Experian, revelou que neste ano, 54% dos profissionais com carteira assinada ou atuando como Pessoa Jurídica (PJ) não conseguem manter o salário até o fim do mês em sua conta bancária, evidenciando dificuldades na saúde financeira e no bem-estar dos trabalhadores brasileiros. O índice registrado em 2025 é o mais baixo desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2018. No ano anterior, 62% dos trabalhadores afirmavam que o salário não durava até o fim do mês, o que representa uma redução de oito pontos percentuais neste ano. Mesmo com essa melhora, a proporção de brasileiros que não consegue cobrir todas as despesas mensais com a renda ainda continua alta. O levantamento entrevistou 1.029 profissionais atuantes em empresas públicas e privadas, tanto sob o regime CLT quanto PJ, e revelou dados alarmantes. Segundo os resultados, 75% dos participantes não teriam condições financeiras de lidar com um gasto inesperado de R$ 10 mil. Além disso, 66% relataram ter enfrentado dificuldades econômicas nos últimos cinco anos, e 33% chegaram a ter o nome negativado no último ano, sendo que, entre esses, 17% ainda enfrentam pendências financeiras. De acordo com a pesquisa, a maior parte da renda dos brasileiros com o orçamento comprometido é direcionada a necessidades básicas, como alimentação (77%) e contas essenciais, como água e energia elétrica (71%). Em seguida, aparecem compromissos considerados menos urgentes, como financiamentos de imóveis e automóveis (52%), empréstimos pessoais (36%), compras de roupas e itens domésticos (33%) e despesas com educação (20%). A consultora financeira Júlia Almeida, especialista em finanças pessoais, analisa que o dado é reflexo de uma crise que vai muito além da má gestão individual. “Estamos vivendo um momento em que o salário simplesmente perdeu poder de compra. A inflação acumulada nos alimentos, no aluguel, no combustível e até nas contas básicas, como energia e água, está muito acima dos reajustes salariais dos últimos anos”. Ela afirma que muitas famílias estão entrando em um ciclo de dívidas rotativas no cartão de crédito, uso excessivo do cheque especial e empréstimos com juros altos para cobrir despesas básicas. “O trabalhador precisa se endividar para pagar o supermercado. Isso é sintomático, o problema não é só falta de educação financeira, é falta de renda suficiente para sustentar o básico”. Os profissionais que atuam como PJ, cada vez mais comuns em áreas como tecnologia, comunicação e prestação de serviços, também enfrentam dificuldades. O modelo promete flexibilidade e ganhos maiores, mas na prática, muitos desses trabalhadores não têm qualquer proteção trabalhista, como décimo terceiro salário, férias remuneradas ou fundo de garantia. Para o economista Renato Duarte, há uma romantização em torno da “liberdade” de ser PJ. “A verdade é que a pejotização é uma forma de burlar os direitos trabalhistas. O profissional se vê obrigado a aceitar condições instáveis, sem garantias, com pagamentos que muitas vezes atrasam. Isso torna o planejamento financeiro quase impossível”. “O descompasso entre renda e despesas não afeta apenas o bolso, também traz consequências para a saúde mental. Ansiedade, estresse crônico e insônia são cada vez mais comuns entre trabalhadores endividados. As pessoas se culpam por não conseguirem administrar o próprio dinheiro, mas estão fazendo milagres para sobreviver”, destaca. Júlia sugere algumas orientações para quem deseja começar a organizar melhor o orçamento. “O primeiro passo é manter um controle detalhado dos gastos, anotando todas as entradas e saídas da conta, a fim de entender para onde o dinheiro está indo. Em seguida, é importante priorizar o essencial, categorizando os gastos como indispensáveis, importantes ou supérfluos, e concentrando-se no que realmente é necessário até que as finanças estejam equilibradas”. “Criar uma reserva financeira, ainda que modesta, guardando pelo menos 5% da renda, mesmo que seja em um cofre físico, para não depender de crédito em situações emergenciais. Por fim, ficar alerta com os riscos de parcelamentos longos que podem comprometer o orçamento futuro, optando por pagamentos à vista sempre que possível, aproveitando para negociar descontos”, conclui.

Exportações das MPEs devem crescer após o incentivo do governo federal

O lançamento do Programa Acredita Exportação trouxe otimismo para as micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras, que representam 40% do total de exportadores, mas respondem por apenas 0,8% do valor das vendas externas do país. A iniciativa do governo federal prevê a devolução de até 3% da receita obtida com exportações, corrigindo distorções históricas que penalizavam pequenos negócios. Para o especialista em comércio exterior, Sandro Marin, o impacto deve ser expressivo. “O programa federal pode mudar esse cenário e abrir novas oportunidades para ampliar a competitividade e o faturamento das MPEs no país. Essa medida pode gerar um crescimento de cerca de 6% nas exportações brasileiras das micro e pequenas empresas, além de incentivar a oferta internacional de produtos com maior valor agregado e identidade nacional”. Segundo Marin, o ressarcimento dos tributos federais funciona como um alívio imediato no caixa das empresas. “Essa correção de distorções é um benefício importante. Com a devolução dos tributos, as MPEs passam a competir em condições mais justas com as empresas de maior porte. Essa compensação aumenta a capacidade de reinvestimento em inovação, marketing e expansão, reduzindo a desvantagem que essas empresas historicamente tinham no comércio exterior”, explica. Setores com maior potencial De acordo com o especialista, segmentos como móveis, calçados e vestuário devem sentir os efeitos mais imediatos. “São setores com forte vocação exportadora, base produtiva pulverizada e alto potencial criativo. Eles já têm presença consolidada em mercados vizinhos, como Argentina e Chile, e agora poderão ampliar margens com o benefício fiscal”. Ele reforça que o caminho mais vantajoso para as MPEs está em nichos diferenciados, em vez de commodities. “Exportar commodity não é o melhor caminho para as micro e pequenas. O brasileiro é criativo por natureza. Produtos com design, apelo regional ou soluções inovadoras agregam mais valor. É aí que essas empresas podem se destacar e alcançar maior lucratividade, principalmente recebendo numa moeda forte”, pontua. É importante os empresários utilizarem os valores recuperados para modernizar processos e expandir mercados, reforça Marin. “Os recursos podem ser direcionados para modernizar processos produtivos e equipamentos, investir em certificações internacionais, desenvolver coleções exclusivas e fortalecer a presença digital no exterior. O marketing internacional e a participação em feiras estratégicas também são fundamentais para consolidar marcas brasileiras em novos mercados”. Duração do programa O Acredita Exportação tem vigência até 2027, quando passará a valer a nova Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) prevista na reforma tributária. Essa transição deve eliminar a cumulatividade que encarece as exportações brasileiras. Para Marin, é essencial que as empresas já comecem a se preparar. “Elas precisam estruturar sua gestão tributária e financeira para acompanhar a transição. A CBS deve simplificar regras, porém, exigirá mais organização contábil. É recomendável também que as MPEs invistam em capacitação e tecnologia de gestão para de fato se beneficiar do programa”, orienta. Sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no final de julho de 2025, o programa entrou em vigor no dia 1º de agosto. Na ocasião, o governo federal destacou que a iniciativa antecipa os efeitos da reforma tributária e pode democratizar a capacidade exportadora, ampliando a participação das micro e pequenas empresas no comércio internacional. Atualmente, mais de 11,5 mil negócios brasileiros já atuam no mercado externo, somando cerca de US$ 2,6 bilhões em vendas, mas ainda com espaço significativo para crescer. “O Acredita Exportação visa corrigir distorções do sistema tributário atual que penalizam os pequenos exportadores. Com a devolução dos resíduos tributários, essas empresas – que exportam produtos como móveis, calçados e vestuário, ganham fôlego para competir em igualdade de condições no mercado global”, destacou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

CNI aponta que pequenas indústrias enfrentam piora seguida nas finanças

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a situação financeira das pequenas indústrias piorou pelo terceiro trimestre consecutivo. A margem de lucro operacional e a facilidade de acesso ao crédito caiu 0,3 ponto entre o primeiro e o segundo trimestre, de 40,6 para 40,3 pontos. O dado foi inferior ao observado no 2º trimestre de 2024 (41,1 pontos) e de 2023 (41,3 pontos). De acordo com o Panorama da Pequena Indústria (PPI), as taxas de juros elevadas foram apontadas como o principal problema da pequena indústria da construção no segundo trimestre. Ao todo, 37,3% dos empresários assinalaram essa como uma preocupação. Em seguida, aparecem a elevada carga tributária (35,6%) e a falta ou alto custo de mão de obra não qualificada (24,6%). O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que a alta taxa de juros é uma das principais responsáveis pela trajetória negativa das finanças das indústrias de pequeno porte. “Os juros altos dificultam o acesso ao crédito e pioram as finanças, porque encarecem as dívidas das empresas, diminuindo o lucro dos negócios, e afetam a demanda por produtos industriais”. O doutor em economia, Wallace Marcelino Pereira, destaca que, além da taxa de juros, a carga tributária e o custo da mão de obra, a competição com produtos importados também são fatores que explicam a piora consecutiva. “Esses produtos entram no mercado brasileiro em condições desvantajosas para a indústria nacional”. Segundo a pesquisa, no primeiro trimestre, a competição desleal, seja por informalidade, contrabando ou outros fatores, foi o problema que mais ganhou importância, passando de 14,4% para 22%. Na passagem do 1º para o segundo trimestre, a questão da competição com importados foi o que mais cresceu, saltando de 8,3% para 12,3%. Para Pereira, ainda é prematuro esperar melhora no curto prazo. “O cenário internacional é desafiador por causa das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Os efeitos serão totalmente conhecidos nos próximos meses. Isso é um problema que foge ao controle imediato do governo brasileiro, embora outras alternativas estejam sendo pensadas”. Indústria mineira Já a indústria mineira, conforme a pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), demonstrou estabilidade ao longo do primeiro semestre de 2025, apesar da queda no faturamento e dos indicadores relativos ao mercado de trabalho. O faturamento da indústria geral, que engloba os segmentos extrativo e de transformação, recuou 0,5% em relação a maio, registrando o segundo mês consecutivo de queda. As horas trabalhadas na produção cresceram 2,4%, e a utilização da capacidade instalada avançou 2,7 pontos percentuais, passando de 81% em maio para 83,7% em junho. E o emprego registrou a primeira queda em mais de um ano, com recuo de 0,5%. O economista explica que os investimentos nos últimos anos em mineração têm contribuído para promover o crescimento econômico do Estado. “Aplicações voltadas para a produção dos chamados minerais críticos ajudam a aquecer a economia mineira. Investimentos em infraestrutura e na área de energia também auxiliam para manter o nível de atividade econômica. Destaca-se também o ambiente de negócios favoráveis à atração novos de investimentos, tais como a desburocratização, segurança jurídica e a modernização tributária”. Contudo, Pereira afirma que o momento é de incerteza. “O motivo também são as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump que podem impedir um melhor desempenho da indústria mineira. Minas Gerais destina cerca de 11% das suas exportações para os Estados Unidos, com destaque para minério de ferro e produtos siderúrgicos”. “Logo, esses segmentos vão sofrer mais no curto prazo. Além disso, as taxas de juros não devem cair na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A liberação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões pode amenizar o impacto, mas o arcabouço fiscal impede qualquer estímulo fiscal para a indústria”, finaliza.

76,6% das empresas mineiras possuem presença na internet

De acordo com a pesquisa E-commerce 2025, a participação do comércio no ambiente digital tem crescido continuamente ao longo dos anos. Em 2023, 57,1% das empresas já marcavam presença no virtual. Esse número subiu para 64,3% em 2024 e, em julho de 2025, atingiu 76,6%. Das empresas com presença na internet, 59,5% utilizam esse canal para realizar vendas, enquanto 33,8% estão apenas presentes on-line, sem efetivar transações comerciais. A adesão ao comércio eletrônico é explicada, principalmente, por seguir uma tendência de mercado (58,9%) ou por atender à demanda dos consumidores (48,1%). Em relação ao tempo de atuação, a maioria comercializa on-line há entre 3 e 5 anos (43,8%), e uma parcela menor, de 5,9%, está nesse segmento há mais de uma década. A maior parte das empresas faz uso do WhatsApp Business, com 75,1% utilizando a ferramenta tanto para presença digital quanto para realizar vendas. Por outro lado, apenas 2,2% usam o aplicativo apenas como canal de contato, sem efetuar vendas por meio dele. Cerca de 61,5% das empresas utilizam o WhatsApp como canal principal para concluir vendas, embora o pagamento seja realizado por outros meios. Já 34,3% dos estabelecimentos aproveitam o recurso de catálogo do aplicativo para exibir seus produtos e respectivos preços. O Instagram é a rede social mais utilizada pelas empresas com presença digital, estando presente em 99,3% delas, e servindo como canal de vendas para 96,5%. Já o Facebook tem uma participação menor: 36,6% das empresas do comércio estão na plataforma, e 23% efetivam vendas por meio dela. No total, 61,1% dos negócios comercializam seus produtos pelas redes sociais, sendo que 72,8% oferecem a opção de retirada na loja física. Segundo o economista Renato Duarte, o avanço no índice de presença on-line é reflexo de uma transformação estrutural nas formas de consumo. “A pandemia acelerou a digitalização, mas mesmo com o fim dela, o comportamento do consumidor mudou. Hoje, estar na internet não é mais um diferencial, é uma exigência básica de sobrevivência no mercado”. O crescimento da presença on-line do comércio local também está ligado à maior acessibilidade de ferramentas digitais, reforça Duarte. “Hoje é muito mais fácil e barato criar um site, configurar uma loja em marketplace ou anunciar nas redes sociais. Além disso, existem cursos e tutoriais gratuitos que capacitam pequenos empreendedores a se digitalizarem com mais autonomia”. “A internet permite ao empresário entender melhor o comportamento do consumidor, segmentar campanhas e ampliar o alcance da sua marca. Na loja física, o público é limitado à vizinhança. No ambiente digital, uma papelaria de Montes Claros pode vender para um cliente em São Paulo ou até no exterior, dependendo da estratégia”, explica. A especialista em marketing digital Letícia Menezes destaca que “o cliente está cada vez mais multicanal. Ele pesquisa no celular, compara no marketplace, tira dúvidas no WhatsApp e só depois decide onde vai comprar. Se a empresa não estiver nesses canais, perde o cliente para a concorrência”. Entre as empresas que planejam começar a vender pela internet, 60% demonstraram interesse em receber algum tipo de suporte, enquanto os 40% restantes preferem seguir sem auxílio. Já os empreendedores que ainda não ingressaram no comércio eletrônico, mas têm intenção de fazê-lo, apontam como principais obstáculos a ausência de planejamento (62,5%) e a falta de tempo (43,8%). Outros fatores mencionados incluem o porte reduzido da empresa (18,8%), carência de profissionais qualificados (12,5%) e o fato de o negócio ser recente (6,3%). No entanto, apenas estar presente na internet não basta. “É preciso investir em relacionamento com o cliente, construção de marca e, principalmente, em experiência de compra. O consumidor quer ser bem atendido em qualquer canal. Isso exige que o lojista tenha uma linguagem adequada, tempo de resposta rápido, imagens de qualidade e meios de pagamento diversificados”, salienta Letícia. Ela reforça que uma das estratégias mais eficazes é a personalização da comunicação. “Plataformas como Instagram e Facebook permitem segmentar anúncios por idade, localização, interesses e até comportamento de compra. Isso aumenta as chances de conversão e reduz o custo da publicidade”. Outra dica é o uso de ferramentas de automação, como chatbots, e-mail marketing e Customer Relationship Management (CRM), que ajudam a organizar o relacionamento com os clientes e promover campanhas mais assertivas. “Com um bom CRM, você sabe quando o cliente comprou, o que comprou, e pode enviar uma promoção personalizada na hora certa. Isso fideliza e aumenta o ticket médio”, conclui.

Pesquisa aponta impactos do tarifaço sobre o PIB de R$ 12 a R$ 31 bilhões

De acordo com um estudo do Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada (Nemea) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o impacto das ações tarifárias dos Estados Unidos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil estaria no intervalo de R$ 12 a R$ 31 bilhões (0,1% a 0,26%), a depender do efeito da efetivação das tarifas sobre os demais países e a retaliação da China. A medida ainda pode significar perda de 188.707 empregos e 57 mil ocupações. A consequência total das tarifas sobre as exportações brasileiras é negativa, com uma redução de US$ 4,2 bilhões no prazo de dois anos. O efeito seria uma queda de US$ 8,8 bilhões nas exportações, parcialmente compensado por ganhos de US$ 4,6 bilhões em função dos demais choques (especialmente a retaliação da China). No saldo, o Brasil sofre prejuízo nas exportações, apesar de benefícios em alguns setores específicos. Dentre os segmentos mais afetados negativamente destacam-se, sobretudo, os metais ferrosos, produtos químicos, de madeira e minerais, todos apresentando quedas expressivas nas exportações. Outros setores fortemente afetados incluem máquinas e equipamentos, calçados e artefatos de couro, têxteis, vestuário, produtos farmacêuticos e artigos de borracha e plástico. O estudo prevê ainda que os choques tarifários resultariam em uma queda de 0,14% no PIB global. O comércio mundial também seria prejudicado, reduzido em 3%, equivalente a perdas na ordem de US$ 645 bilhões. Nos Estados Unidos, o PIB sofreria uma redução de 0,43%. Por outro lado, a China enfrentaria uma diminuição de 0,14%, demonstrando o efeito adverso das tarifas sobre sua economia. O mestre em economia, Heldo Siqueira, acredita que o impacto no PIB, de 0,1% a 0,26%, não é tão expressivo quanto parece. “Tendo em vista que a economia brasileira tem obtido resultados econômicos satisfatórios. Mas, a diminuição da renda geral deve afetar os setores econômicos de demanda final, pois com menor renda, as pessoas deixam de adquirir ou adiam suas compras mais básicas”. Ele explica que a probabilidade de aumento de preços no mercado interno é baixa. “Pois, haverá excesso de oferta dos produtos que deixarão de ser exportados. O mais provável, caso não haja outros compradores no mercado internacional para as mercadorias que deixarão de ser exportadas, é que esses produtos sejam ofertados no mercado interno havendo uma diminuição de preços em setores específicos”. O economista afirma que a redução de 188 mil empregos é relevante, porém, a economia brasileira tem condições de absorvê-lo sem muitos problemas. “Esse número equivale à criação de vagas em pouco mais de um mês, como junho deste ano, quando foram geradas 166 mil. Ou seja, apesar de todo o alarde, as medidas não terão um impacto econômico tão significativo”. Efeito sobre os estados Segundo a pesquisa, São Paulo apresentaria o resultado mais negativo sobre o PIB, com um efeito total de R$ -2.412 milhões, seguido por Santa Catarina (R$ -1.540 milhões), Minas Gerais (R$ -1.488 milhões), Pará (R$ -1.115 milhões), Rio de Janeiro (R$ -1.091 milhões) e Espírito Santo (R$ -1.087 milhões). Esses valores evidenciam que os estados localizados na região Sudeste sofreram as maiores reduções no indicador avaliado. Siqueira pontua que para as empresas que tiverem problemas com a queda das vendas, a mitigação pode se dar. “A oferta de crédito pelos bancos públicos para companhias que tenham problema de fluxo de caixa; adiamento do recolhimento de eventuais impostos para essas firmas; e medidas de auxílio aos trabalhadores que possam ser demitidos como fruto da queda das exportações”. Contudo, o economista destaca que o Brasil já diversificou bastante os destinos de suas exportações em relação aos Estados Unidos. “Em 2000, o país norte-americano representava 24% das exportações brasileiras. Em 2020, este valor chegou a 10%. As iniciativas dos BRICS, as negociações junto ao Mercosul, G20 e outras entidades multilaterais permitem que o Brasil tenha tornado o comércio com os Estados Unidos bem menos relevante que há 30 anos”, finaliza.

Trabalhadores no segmento de eventos já superam em 74,7% o pré-pandemia

Nos cinco primeiros meses de 2025, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor de eventos culturais e de entretenimento em Minas Gerais chegou a 14.593, um aumento de 74,7% em comparação com o mesmo período de 2019 (8.534), anterior à pandemia de COVID-19. Esse crescimento superou a média nacional, que foi de 74,6%. As informações foram levantadas pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), com base em estatísticas oficiais fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A economista Marcela Andrade atribui esse crescimento a um conjunto de fatores articulados: políticas públicas, dinamismo da economia e o fortalecimento de Minas como destino de turismo de negócios. “A aplicação do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) foi decisiva. O apoio fiscal e os créditos facilitaram não apenas a sobrevivência, mas também a expansão das empresas do setor no Estado. Esse programa federal, aprovado durante a pandemia, teve impacto direto sobre os índices de emprego no segmento”. Na avaliação de Marcela, a demanda reprimida de 2020 a 2022, aliada ao retorno de eventos de grande porte como feiras, congressos, shows e exposições, alimentou a geração de novos postos. “Minas Gerais vem se consolidando como um hub de eventos regionais e nacionais. A infraestrutura, especialmente o Expominas em Belo Horizonte, com capacidade para milhares de pessoas, atrai promotores e garante movimento contínuo para hotéis, restaurantes e serviços auxiliares”. Essa expansão não é apenas uma estatística de mercado, mas ganha reflexos concretos na economia local. A percepção da economista é que “o crescimento da massa salarial circulante impulsiona os serviços e amplia o consumo interno. Isso fortalece cidades como Belo Horizonte, Contagem e Betim, onde grande parte do setor de eventos se concentra, e fomenta pequenas cidades que recebem feiras agropecuárias e festivais regionais”. Para que os números sigam em alta nos meses seguintes, os especialistas apontam caminhos complementares ao Perse. O produtor cultural Rafael Lacerda sugere que “é preciso investir em capacitação técnica: cursos e formações em produção de eventos, marketing digital e logística são essenciais para profissionalizar o setor e reduzir a informalidade”. Ações estratégicas de promoção do Estado como destino de eventos, especialmente voltadas ao turismo de negócios, fazem diferença, reforça Lacerda. “Atrair congressos nacionais e internacionais, feiras especializadas e festivais culturais consolida Minas como destino competitivo, garantindo ocupação full time de espaços como o Expominas e extrema utilidade da rede hoteleira”. Outra estratégia apontada é a ampliação de incentivos municipais para eventos locais nas cidades do interior. “Ao incentivar as prefeituras a promover exposições agropecuárias, festivais culturais e rodadas de negócios, há uma geração de emprego regional nos locais que normalmente ficam fora do grande fluxo turístico”, conclui o produtor. Brasil O estoque de empregos formais no setor de eventos até maio de 2019 no Brasil era de 190.171. Já em 2025, a quantidade de cargos aumentou para 331.987. O Produto Interno Bruto (PIB) do segmento de “Outras Atividades de Serviços”, que engloba o setor de eventos, cresceu 4,6% no acumulado de quatro trimestres até o 1º trimestre de 2025. O índice supera a média nacional (3,5%) e coloca o setor entre os que mais avançam no país. O boletim ainda apresenta dados atualizados sobre o consumo, evidenciando o fortalecimento da cadeia produtiva. Somente em maio, o consumo estimado no setor alcançou R$ 11,618 bilhões. No acumulado de janeiro a maio, o montante chegou a R$ 57,8 bilhões, o maior já registrado para esse intervalo desde o início da série histórica, em 2019, representando um crescimento de 3,3% em comparação ao mesmo período de 2024.

Mercado imobiliário desafia juros altos e segue ritmo de crescimento

Apesar da Selic estacionada em 15% ao ano, a construção civil brasileira mostra resiliência e segue gerando empregos. Em maio deste ano, o setor ultrapassou a marca de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada, número que não era alcançado desde 2014. Só nos primeiros cinco meses de 2025, o saldo é de 159.440 mil novos postos formais, o que representa 14,2% de todas as vagas geradas no país no período, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No entanto, a vitalidade do setor contrasta com uma grave retração no crédito à produção imobiliária, que caiu 62,9% em unidades e 54,1% em valores de janeiro a maio, segundo o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A retração está ligada à fuga de recursos da caderneta de poupança, com captação líquida negativa de R$ 38,4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, comprometendo uma das principais fontes de financiamento da construção civil, tanto para a aquisição quanto para a produção de imóveis. “Quando os juros estão elevados, os investidores migram para aplicações com maior rentabilidade e retiram recursos da poupança. Isso reduz drasticamente o volume disponível para financiar a produção imobiliária e obriga o construtor a buscar crédito mais caro no mercado, elevando o custo das obras”, explica Ieda Vasconcelos, economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Ainda assim, a CBIC manteve a projeção de crescimento em 2,3% para 2025, sustentada por empreendimentos lançados nos últimos dois anos, que ainda estão em fase de execução. Mas, Ieda alerta que o cenário inspira cautela. “Estamos vivendo os efeitos de investimentos passados. Se esse patamar elevado da Selic persistir, novos projetos tendem a ser adiados, o que pode comprometer o desempenho do setor a partir de 2026”. “A palavra-chave para atravessar esse momento é planejamento. O setor cresceu mesmo em períodos difíceis por saber se organizar. É esse plano de longo prazo que garante a continuidade do ciclo de crescimento”, completa. Estratégias contra o crédito caro Empresas do setor têm buscado alternativas para manter o ritmo de vendas. Um dos fatores que tem ajudado é o fato de o programa “Minha Casa Minha Vida” operar com taxas pré-fixadas nas Faixas 1, 3 e 4, amenizando os impactos diretos da Selic para o consumidor final. “O que mais tem afetado é o custo para viabilizar os empreendimentos. Com os recursos livres, as taxas chegam a 18% ao ano, o que exige projetos com maior valor agregado e um volume maior de vendas para equilibrar os custos. Por isso, é fundamental estruturar bem a contratação e ajustar o perfil dos produtos”, explica Anderson Lopes Morais, diretor comercial da BRZ Empreendimentos. O segmento tem apostado na Faixa 4 do “Minha Casa Minha Vida”, voltada para famílias com renda entre R$ 8.600 e R$ 12 mil. Ainda que represente apenas 3,5% do déficit habitacional, esse público tem poder aquisitivo para adquirir imóveis com mais diferenciais como varanda, suíte e áreas de lazer completas. O que tem mantido esse nicho atrativo mesmo em tempos de crédito caro. Morais explica que esses clientes buscam qualidade, localização e bons acabamentos. “Apesar de mais seletivo, é um público estratégico. Mas exige atenção na análise de crédito e no encaixe da renda com o valor do imóvel”. Ele revela que houve mudanças no perfil do comprador. Há maior exigência de comprovação de renda por parte dos bancos, e o recurso à composição de renda tem crescido. “Cada vez mais vemos compradores unindo a renda com cônjuges, familiares ou parceiros para conseguir financiamento. Isso amplia o acesso ao crédito e viabiliza as compras com exigências mais rigorosas”. Riscos A CBIC aponta que a queda no crédito à produção e a instabilidade no cenário macroeconômico, com inflação fora da meta e incertezas fiscais e internacionais, geram preocupação para o médio prazo. “O ciclo da construção é longo. A obra que começa hoje será entregue daqui a dois ou três anos. Se os investimentos forem adiados agora, o setor poderá sofrer uma freada brusca no futuro”, destaca Ieda. Cada R$ 1 milhão investido na construção gera 13 empregos diretos, indiretos e induzidos, além de movimentar mais de 90 segmentos produtivos. “Limitar o crescimento da construção é comprometer o desenvolvimento do país. Precisamos de previsibilidade, ambiente estável e crédito acessível para manter esse motor em funcionamento”, finaliza a economista.

Volume de vendas no Dia dos Pais deve alcançar mais de R$ 7 bilhões

Considerada a quarta data comemorativa mais importante do varejo, as vendas do Dia dos Pais de 2025 devem alcançar R$7,84 bilhões, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A projeção representa um avanço de 3,2% em relação ao ano de 2024. Já um estudo realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG, mostra que 55,2% das empresas que são afetadas pela data (74,4%) esperam vender mais este ano. O otimismo dos empresários (68,5%) é a principal justificativa para a boa expectativa com as vendas, sendo que 47,6% deles esperam um retorno positivo de até 20% no faturamento. Roupas, kits/cestas, calçados e carnes encabeçam a lista dos produtos que devem vender mais na data. O tíquete médio, segundo 49,5% dos empresários, ficará entre R$ 70 e R$ 200. Já a modalidade de pagamento mais utilizada será o cartão de crédito. O Dia dos Pais é muito importante para o calendário varejista, diz a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins. “A data possui um grande apelo emocional. Isso implica que, por mais que o consumidor esteja endividado, há um aumento considerável da busca por determinados produtos. Consequentemente, esta é uma oportunidade para os comerciantes aumentarem suas vendas e traçarem estratégias”. O economista Ricardo Paixão esclarece que a expectativa maior de vendas pode ser atribuída à economia. “Estamos entrando em um cenário de recuperação muito importante, com geração de empregos, renda e inflação sob controle. Isso reflete no consumo maior, impactando positivamente vários setores”. “Também podemos atribuir essa expectativa às ações do governo federal, que promoveu políticas públicas de transferência de renda, além do aumento real do salário mínimo, fazendo com que os consumidores recuperem a confiança. Outro ponto importante é a redução da inadimplência”, pontua. Na avaliação do economista, o consumo nos períodos sazonais não é sustentável. “Pelo lado do consumidor, não entrar em um alto grau de endividamento. Já para os empresários, respeitar determinado limite para que não tenha estoque e acabe gerando custos”. “Tudo tem que ser com cautela, contratando pessoas dentro da efetiva necessidade, mas a tendência é o aumento das vendas se manter ao longo do ano. O panorama internacional é muito importante, saber como essas questões tarifárias podem impactar futuramente, porém, a economia brasileira entrando nesse cenário de contenção, a tendência é que mantenha esse crescimento”, acrescenta. Recorde de temporários Paixão ressalta que o aumento das vendas pode significar contratações temporárias. “Isso tem um alto impacto para economia, porque essas vagas podem se transformar em postos efetivos. É um momento de oportunidade para o trabalhador que busca uma recolocação, ou até mesmo uma melhora na sua condição de trabalho”. A CNC projeta oferta de 11,53 mil vagas temporárias no varejo para atender a demanda sazonal das vendas do Dia dos Pais. Se confirmado, esse será o maior contingente de trabalhadores por tempo determinado contratados dos últimos 12 anos. A taxa de efetivação pode ser de 15%, maior porcentual desde 2021 (16%). Faturamento Conforme a estimativa da CNC, as lojas de vestuário deverão faturar R$ 3,23 bilhões com a data. Seguido pelos produtos de perfumaria e cosméticos (R$ 1,57 bilhão) e de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (R$ 1,26 bilhão). Somados, esses segmentos devem responder por quase 77% das vendas totais no varejo. Segundo a Fecomércio MG, a região do Alto Paranaíba será a mais impactada pela data, com 85,7%, seguido pelo Sul de Minas (77,5%), Central (76,2%), Rio Doce (75%) e Noroeste (72,5%). As regiões com menos impacto serão a Centro-Oeste (70%) e Jequitinhonha (68,3%).

Minas lidera uso do Fampe e soma R$ 5,4 bilhões em crédito liberado

Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), uma das principais ferramentas de acesso ao crédito para pequenos empreendedores no Brasil, celebra 30 anos em 2025. Ao longo dessas três décadas de atuação, o Fampe já viabilizou mais de 655 mil operações de crédito no país, totalizando R$ 36,03 bilhões em financiamentos e R$ 26,46 bilhões em garantias concedidas. De janeiro a maio deste ano, Minas Gerais registrou R$ 409,6 milhões em crédito liberado por meio do fundo, com 6.543 operações, totalizando R$ 296 milhões em garantias. Desde a criação do Fampe, Minas já contabiliza 114.297 contratos, somando R$ 5,45 bilhões em crédito financiado e beneficiando 86.966 empresas, representando 17,4% de todas as operações nacionais. “Minas Gerais teve um papel de destaque em 2025, concentrando 25% de todas as operações com garantia do Fampe realizadas no país. Esse resultado é reflexo da forte atuação do Sebrae Minas junto às instituições financeiras parceiras, em especial as cooperativas de crédito, que têm ampla presença no estado e proximidade com os pequenos negócios”, afirma Rogério Corgosinho, gerente de Desenvolvimento Territorial e Serviços Financeiros do Sebrae Minas. O Fampe atua como avalista junto às instituições financeiras, viabilizando crédito para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas, empresas de pequeno porte e pequenas agroindústrias, sem a exigência de garantias reais. Isso permite a inclusão financeira especialmente em municípios menores, onde a presença bancária tradicional é limitada. Corgosinho explica que o fundo concede o acesso ao crédito para empreendedores que, muitas vezes, não possuem garantias reais ou histórico bancário suficiente para conseguir financiamento. “Ao reduzir o risco para as instituições financeiras, o Fampe democratiza o acesso a recursos e contribui diretamente para a geração de renda nos pequenos negócios, especialmente onde o sistema bancário convencional tem baixa presença”. Mesmo com os bons resultados, o gerente aponta desafios a serem superados. “Muitos empreendedores ainda desconhecem o Fampe e suas vantagens. Além disso, uma gestão financeira pouco estruturada dificulta o uso estratégico do crédito e impacta na análise das instituições financeiras. Para ampliar o alcance do programa seria importante criar ações integradas com prefeituras e instituições locais, especialmente em regiões menos atendidas”, avalia. Fampe Mulheres Uma das novidades recentes é a modalidade Fampe Mulheres, que permite garantir até 100% do valor financiado por empresárias, destaca Corgosinho. Em Minas Gerais, essa linha já movimentou mais de R$ 1,1 milhão. “Ela foi estruturada para atender às necessidades específicas das micro e pequenas empresárias, oferecendo condições diferenciadas e facilitando o acesso ao crédito”. Um exemplo é a empreendedora Jéssica Sousa, da cidade de São Bento Abade, que é uma das beneficiadas. “Consegui o recurso de forma rápida e sem burocracia por meio da cooperativa de crédito. Pouco tempo depois, recebi o contato de um consultor do Sebrae que me ajudou a organizar melhor a gestão da empresa. Com o crédito, reformamos a padaria e ampliamos o atendimento com um espaço de empório”, relata. Outras ações Além do acesso ao crédito, Corgosinho lembra que o Sebrae oferece acompanhamento por meio do programa Crédito Assistido, que fornece orientações técnicas e práticas para garantir o uso eficiente dos recursos. “Na prática, o empreendedor recebe orientações e ferramentas para a gestão dos recursos financeiros, planejamento estratégico e melhoria dos processos. Isso aumenta as chances de sucesso, reduz os riscos e fortalece o crescimento do negócio”. Para potencializar os resultados do programa, o Sebrae Minas também lançou uma jornada de acompanhamento gratuita, que será expandida para todo o Estado a partir de agosto. A iniciativa inclui diagnóstico financeiro, plano de ação personalizado e orientações práticas. Além disso, uma jornada de pré-crédito também está em desenvolvimento. “Essa nova etapa prepara o empreendedor antes da liberação do recurso, fortalecendo sua capacidade de planejamento e gestão. Com isso, promovemos maior segurança na aplicação do crédito, reduzimos riscos e ampliamos o impacto positivo do Fampe”, finaliza Corgosinho.