Preço do café provoca mudanças nos hábitos de consumo da bebida no país

O café, presente no cotidiano de 98% da população brasileira, atravessa uma transformação nos padrões de consumo. É o que aponta a pesquisa “Café – Hábitos e Preferências do Consumidor (2019-2025)”, encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) ao Instituto Axxus, em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e o Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (NEIT) da Unicamp. Os dados mostram que a alta expressiva dos preços, superiores a 70% nos últimos dois anos, segundo IBGE e ABIC, impactou diretamente o comportamento dos consumidores. Em 2025, 24% reduziram o consumo, a maior taxa da série histórica. Em contrapartida, apenas 2% aumentaram a ingestão, contra 16% em 2023. “Os resultados mostram uma transformação nos hábitos de consumo. Porém, o brasileiro continua amando e comprando café, e o fato de 87% dos entrevistados reconhecerem o selo da ABIC como um guia de qualidade nos enche de orgulho”, afirma a gerente de Marketing da ABIC, Mônica Pinto. A pesquisa também mostrou que o brasileiro vem tomando menos xícaras de café. Em 2019, 29% tomavam mais de seis por dia. Esse índice caiu para 26% em 2025. Já o grupo que consome até duas xícaras cresceu de 8% em 2019 para 14% neste ano. O consumo matinal segue quase universal: 96% dos entrevistados disseram tomar café ao acordar. Por outro lado, 2% das pessoas aumentaram a ingestão em 2025, contra 16% em 2023. Preço redefine escolhas Quase quatro em cada dez consumidores (39%) afirmaram optar pela opção mais barata, número que mais que dobrou em relação a 2023 (16%). O hábito de escolher marcas favoritas cede espaço à busca pelo menor valor. A mudança também se reflete fora de casa. A frequência em cafeterias caiu de 51% em 2023 para 39% em 2025. Entre os principais motivos estão preços elevados, mau atendimento e qualidade inconsistente. Muitos consumidores têm preferido preparar o café em casa, motivados tanto pelo custo quanto pela conveniência. O pesquisador do IAC e coautor do estudo, Sérgio Parreiras Pereira, avalia que mesmo em um cenário de alta expressiva nos preços, o café segue presente no cotidiano dos brasileiros, mas de forma mais moderada e seletiva. “A pesquisa revela que o consumidor não abre mão da bebida, mas está adaptando seus hábitos ao novo contexto econômico”. Onde e como comprar mudou O levantamento revela também mudanças nos canais de compra. Os atacarejos aumentaram sua participação de 24,6% em 2023 para 28,2% em 2025. Já os pequenos varejistas perderam espaço, caindo de 6,4% para 2,2%. O ambiente digital também ganhou força. O YouTube se consolidou como principal fonte de informação sobre café para 13,2% dos consumidores, contra 8,6% em 2023, superando até redes sociais e sites especializados. Tradição em transformação Apesar da pressão econômica, o café segue como um dos símbolos culturais mais fortes do Brasil. O consumo diário se mantém estável em casa, no trabalho e entre amigos, e 87% dos entrevistados reconhecem o selo de qualidade da ABIC como referência de segurança e confiança. A pesquisa ouviu 4.200 pessoas durante o mês de setembro em todas as regiões do país. A amostra foi estratificada por gênero, faixa etária, renda e localidade, com nível de confiança de 99% e margem de erro de 2%. “O cuidado com a estratificação da amostra garante que o estudo reflita a realidade de diferentes perfis de consumidores em todo o Brasil. Trabalhamos com alto nível de confiança e margem de erro reduzida, o que nos permite comparar os resultados ao longo dos anos com segurança científica e identificar tendências consistentes”, destaca o coordenador do estudo, professor Rodnei Domingues.
Reincidência na inadimplência tem alta e atinge o patamar de 83,95%

O Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) revelou que 71,78 milhões de brasileiros estão com o nome negativado, em agosto. Sendo que do total de negativações, 83,95% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. As informações mostram que a maior parte dos reincidentes, 62,63%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 21,32% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 16,05% dos negativados não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. O tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências foi de 75,6 dias. Nos últimos 12 meses, houve um crescimento de 5,18% no número de devedores reincidentes. A faixa etária mais representativa continua sendo de 30 a 39 anos, com 25,81% do total. Quanto à participação por sexo: 53,60% são mulheres e 46,40% são homens. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o alto número de devedores reflete não apenas a dificuldade individual de milhões de famílias em honrar seus compromissos, mas também impacta o consumo, o crédito e o crescimento econômico do país como um todo. “Essa crescente ‘bola de neve’ de dívidas se torna um ciclo vicioso difícil de ser quebrado, deixando o brasileiro em uma situação de vulnerabilidade e fragilizando ainda mais a economia nacional”. A economista e Coordenadora de Ciências Atuariais Econômicas do Centro Universitário FMU, Natalie Verndl, explica que o aumento da inadimplência decorre principalmente de uma combinação de alguns fatores. “Existe uma dificuldade de ter crédito barato, que está muito caro por conta da Selic, a própria renda está estagnada, tem a qualidade dos empregos e os entraves de renegociar essas dívidas, seja por órgãos terceirizados ou pelo próprio banco”. “Embora haja, nesse curto período, deflação, em setembro, tivemos a notícia da conta de luz mais cara, questões da própria inflação retomando novos patamares, o que já levou a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) a decisão de postergar a redução dos juros para 2026. Lembrando que vamos entrar em um ano de eleição, e acaba sendo um período conturbado que eleva esse cenário da inadimplência, uma vez que a renda real e esse peso dessas parcelas atrasadas impedem que as famílias retomem o rumo de uma boa gestão orçamentária”, esclarece. Belo Horizonte Segundo a pesquisa da Fecomércio MG e Confederação Nacional do Comércio (CNC), o índice de inadimplência sobe desde maio e teve mais uma elevação de 2,2 pontos entre julho e agosto, com 59,9% de consumidores com dívidas em atraso na capital. Já o número de consumidores que não terão condições de quitar suas dívidas teve redução, somando 19,8%; eram 20,2% em julho. As famílias superendividadas, que comprometem mais de 50% do orçamento com dívidas, somaram 20,3%. As dívidas no cartão de crédito atingem 96,7% dos consumidores, sendo que as famílias com renda maior ou igual a 10 salários mínimos chegaram a 98,8% de endividamento no cartão. A inadimplência é 12,8% maior entre as famílias que ganham até 10 salários mínimos (61,8%) em comparação com as famílias de renda acima dessa faixa de renda (49,0%). Entre os endividados, 68% ainda não conseguiram honrar seus compromissos e estão com dívidas em atraso. No curto prazo, a expectativa é que se tenha uma estabilidade com viés de alta, ressalta Natalie. “Porque os juros vão permanecer elevados, provavelmente, isso vai ceder apenas no próximo ano por conta de ser uma medida mais eleitoreira. Temos uma renda que vai continuar pressionada, uma inflação que ainda não vai ceder nesse curto prazo, e só será observada a queda consistente na inadimplência quando ocorrer cortes na Selic”. “O próprio Banco Central projeta que esse risco de crédito deve aumentar ainda nesse curto prazo antes que possa, de fato, melhorar. O que podemos dizer é que vai ser uma recuperação ainda muito gradual e lenta. E novamente, há esse componente da eleição que vai acabar pesando nessa condução, nessa retomada da adimplência dos consumidores”, conclui a economista.
Concorrência do setor de calçados com a China deve afetar indústria nacional

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), as importações de calçados chineses estão em elevação no país, no mês de agosto, entraram no Brasil 492 mil pares chineses, pelos quais foram pagos US$ 3,7 milhões, incrementos tanto em volume (+41,5%) quanto em receita (+67,2%) frente ao mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, as importações chinesas somaram 8,45 milhões de pares e US$ 31,18 milhões, aumentos em pares (+9%) e em valores (+14,1%) em relação ao mesmo período do ano passado. No total, as importações de agosto somaram 3,55 milhões de pares e US$ 49,27 milhões, incrementos de 23% em pares e de 18,4% em receita no comparativo com o mesmo mês de 2024. “Com a tarifa aplicada pelos Estados Unidos contra os produtos chineses, os produtores daquele país vêm escoando seus excedentes em outros mercados, inclusive no brasileiro, com preços muito baixos”, explica o presidente- -executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. O economista Ricardo Paixão ressalta que essa concorrência com os produtos chineses vai pressionar os preços e as margens. “É uma concorrência via custo, que vai deslocar a participação do mercado nas faixas populares e encurtar prazo de produção doméstica, podendo realmente sacrificar a indústria nacional”. “A importação não pode ser totalmente liberada. Por exemplo, precisa verificar se a concorrência é leal e não utiliza de meios ilegais para poder operacionalizar com aquele custo de produção tão baixo. Uma das coisas que o governo poderia adotar é a defesa comercial, como manter e atualizar as questões antidumping. Utilizar de uso criterioso dos instrumentos, sem violar o compromisso com a Organização Mundial do Comércio (OMC), além de uma política industrial mais eficaz”, complementa. Exportações De acordo com a Abicalçados, as exportações seguem em ritmo de queda, agora impactadas pelo tarifaço de 50% a produtos brasileiros nos Estados Unidos. Os índices do setor somaram 7,64 milhões de pares, que geraram US$ 77 milhões, quedas de 0,5% em volume e de 9,1% em receita na relação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, foram embarcados 67,52 milhões de pares por US$ 651,1 milhões, incremento de 5,7% em volume e queda de 0,6% em receita no comparativo com intervalo correspondente de 2025. As exportações para os Estados Unidos registraram 803,7 mil pares e US$ 21,4 milhões, quedas tanto em volume (-17,6%) quanto em receita (-1,4%) em relação ao mesmo mês de 2024. Já no acumulado do ano, as exportações para o país somaram 7,7 milhões de pares e US$ 156,3 milhões, incrementos de 10,7% em pares e de 5,8% em receita no comparativo com o mesmo período de 2024. O segundo destino do calçado brasileiro é a Argentina, que em agosto importou 1,63 milhão de pares brasileiros por US$ 18,44 milhões, incrementos de 68% e 11,6%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado, foram exportados 9,35 milhões de pares, que geraram US$ 135,68 milhões, crescimento tanto em volume (+37,4%) quanto em receita (+5,3%) em relação ao mesmo período de 2024. Paixão afirma que o Brasil está sofrendo com a concorrência asiática. “Principalmente porque um dos grandes consumidores, os Estados Unidos, está abrindo espaço para os asiáticos na compra de produtos. Outro ponto é a Argentina que tem passado por muita dificuldade em termos governamentais e isso afeta a exportação dos calçados brasileiros”. “Acredito que a taxa de câmbio e as questões logísticas também acabam prejudicando as exportações. Às vezes, o câmbio não está tão propício a exportar e acaba encarecendo mais o produto, e não conseguimos uma logística mais adequada, onde possa ter uma redução de custo. Além, da grande disputa por preço”, observa o economista. Ele pontua que, no curto prazo, o viés é de pressão importadora nas faixas de preços mais baixos e as exportações vão ficar lateralizadas. “Essa trajetória pode ser revertida com a defesa comercial efetiva, câmbio neutro, promoção de marcas e ganhos de produtividade. O cenário nacional é preocupante, porém, acredito que esse conjunto de fatores vai ajudar a melhorar essa situação”, finaliza.
Consumo de alimentos e bebidas pode bater R$ 1,1 trilhão até o final do ano

Neste ano, as famílias brasileiras devem desembolsar aproximadamente R$ 1,1 trilhão com gastos em alimentação e bebidas, tanto dentro quanto fora de casa, um aumento de 11,3% em comparação ao ano anterior. Os dados são da pesquisa IPC Maps, que há mais de três décadas analisa o potencial de consumo no país com base em informações oficiais. De acordo com o levantamento, os gastos com alimentos e bebidas consumidos em casa devem ultrapassar R$ 780 bilhões. Já as despesas com refeições feitas fora do lar estão estimadas em R$ 350,4 bilhões. Os cálculos consideram tanto os gastos com alimentos e bebidas consumidos em casa, como produtos in natura, industrializados, preparados e itens adquiridos em feiras e varejões, além de bebidas como sucos artificiais, cafés (moído e solúvel), chás, refrigerantes, cervejas, vinhos, destilados e outras bebidas alcoólicas, quanto os consumidos fora do lar, incluindo refeições, lanches, cafés da manhã, caldos, refrigerantes, cafés expressos, cervejas, chopes e similares. Entre os estados com maior volume de consumo, São Paulo lidera com R$ 284,3 bilhões destinados à alimentação. Em seguida, aparecem Minas Gerais, com R$ 123,8 bilhões; o Rio de Janeiro, com R$ 95,5 bilhões; e o Rio Grande do Sul, que ocupa a quarta posição, com R$ 71,8 bilhões em gastos das famílias nesse setor. Segundo o economista Rafael Gomes, o aumento reflete uma normalização dos hábitos de convivência e lazer. “Com a redução do desemprego e o avanço da renda média, muitos brasileiros voltaram a frequentar bares, restaurantes e lanchonetes. Isso gera uma pressão natural por mais gastos fora de casa, especialmente nos grandes centros urbanos”. O setor de alimentação e bebidas é um dos mais relevantes para a economia brasileira. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e é responsável por mais de 2 milhões de empregos formais diretos. Para Gomes, o crescimento nos gastos com alimentação deve ser interpretado como uma boa notícia para a economia, desde que acompanhado por políticas públicas que assegurem o acesso à alimentação de qualidade para todos. “O aumento nos gastos mostra que o consumo está ativo e que há movimento na cadeia produtiva, desde o campo até os pontos de venda. O desafio está em equilibrar isso com o combate à insegurança alimentar, que ainda atinge milhões de brasileiros”. O consultor de varejo e especialista em consumo, Eduardo Naves, aponta que há uma busca crescente por alimentos mais saudáveis, o que também pesa no orçamento. “Muitas famílias estão trocando alimentos ultraprocessados por itens mais naturais e orgânicos. Embora seja um movimento positivo do ponto de vista nutricional, essa escolha costuma ter um custo mais elevado”. Além disso, Naves destaca que fatores climáticos, como as recentes quebras de safra em algumas regiões do país, impactam diretamente o preço de produtos como arroz, feijão, hortaliças e frutas, pressionando o orçamento doméstico. “Outro fator relevante é a expansão do acesso a canais digitais de compra, como aplicativos de entrega, supermercados on-line e marketplaces especializados em alimentação. Com a digitalização do varejo alimentar, mais consumidores têm optado por soluções rápidas e convenientes para abastecer suas casas ou realizar refeições, o que também tem contribuído para o crescimento do setor como um todo”. A expectativa é de que o setor continue crescendo nos próximos anos, ainda que em ritmo mais moderado. O comportamento do consumidor deve seguir em transformação, com mais ênfase na qualidade, na origem dos produtos e na conveniência, especialmente nas grandes cidades. “Veremos cada vez mais o consumidor disposto a pagar mais por praticidade, sabor e saúde. O mercado de alimentação fora do lar está se adaptando rapidamente a essas novas exigências”, conclui Naves.
Brasileiros vão gastar mais de R$ 100 bilhões em viagens este ano

Desde o fim da pandemia de COVID-19, o turismo dentro do Brasil tem registrado crescimento significativo. Neste ano, a expectativa é que o setor movimente cerca de R$ 100,3 bilhões, o que representa um aumento de 12,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da pesquisa IPC Maps. Os cálculos consideram diversos tipos de gastos relacionados às viagens, como alimentação, hospedagem, passagens aéreas e rodoviárias, combustível e pacotes turísticos. São Paulo lidera a lista dos estados com maior movimentação financeira no setor, concentrando R$ 31,2 bilhões em despesas. Na sequência aparecem Minas Gerais (R$ 13,8 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 7,8 bilhões) e Paraná (R$ 6,7 bilhões). “O turismo nacional vive um momento de consolidação e redescoberta, além do desejo por viagens, há uma valorização maior dos destinos nacionais, impulsionada por questões econômicas, como o custo elevado das viagens internacionais, e também pela melhoria na infraestrutura de transporte em algumas regiões do país”, analisa o agente de viagens Vicente Brandão. Esse ramo tem um papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Brasil, afirma Brandão. “Segundo o Ministério do Turismo, o setor responde por cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, direta e indiretamente, e emprega milhões de pessoas em cadeias que vão desde o transporte até o artesanato local”. “A beleza do turismo é justamente sua capacidade de gerar renda de forma descentralizada. Um hotel em uma cidade pequena contrata funcionários, compra alimentos de produtores locais, movimenta guias turísticos, atrai investimentos em infraestrutura. O impacto é profundo e diversificado”, destaca. Para Brandão, o crescimento da movimentação turística é puxado especialmente pelas capitais e pelos grandes centros urbanos, mas também há avanço em destinos do interior, principalmente aqueles com atrativos naturais ou culturais. “Os números mostram que o brasileiro está mais disposto a investir em experiências, em lazer e em conhecer o próprio país. Mas para que essa curva continue ascendente, é fundamental haver políticas públicas coordenadas, incentivos à formalização e investimentos em qualificação profissional”. Por outro lado, o ritmo de crescimento na abertura de empresas do setor tem sido mais moderado. Conforme dados do IPC Maps, desde 2024 foram criadas 3.072 novas unidades no país, o que representa uma elevação de 3,9%, somando atualmente 81.503 estabelecimentos ativos. Esse avanço é impulsionado, em grande parte, pelas Empresas de Pequeno Porte (EPP), que responderam por 1.051 novos registros no período, um aumento de 17,3% dentro do panorama empresarial nacional. O crescimento mais moderado reflete tanto a cautela dos empresários frente à instabilidade econômica quanto os desafios estruturais enfrentados por empreendedores do setor. “O turismo é uma área altamente sensível a flutuações econômicas e a fatores externos, como câmbio, segurança pública e logística, mesmo com a demanda aquecida, muitos empreendedores ainda enfrentam dificuldade para acessar crédito, regularizar suas atividades ou obter mão de obra qualificada”, ressalta a economista Lúcia Bernardes. Ela avalia que o papel do Estado é fundamental para estimular a expansão sustentável do setor. “Programas de microcrédito, capacitação, desburocratização e estímulo à formalização podem fazer toda a diferença, principalmente para pequenos negócios em regiões menos favorecidas. É essencial investir na promoção dos destinos nacionais”. Lúcia explica que para que o turismo continue em expansão, é necessário investimentos em infraestrutura, com melhorias em estradas, aeroportos e conectividade, especialmente em regiões de difícil acesso. “Também é fundamental qualificar os profissionais do setor, fortalecer a promoção dos destinos nacionais, adotar práticas sustentáveis e garantir segurança e regulamentação adequada para proteger viajantes e prestadores de serviço”.
Exportação de veículo tem melhor resultado desde junho de 2018

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a exportação de veículos apresentou o seu melhor resultado desde junho de 2018. Foram 57,1 mil unidades exportadas em agosto, representando uma alta de 19,3% sobre julho e de 49,3% sobre o mesmo mês do ano passado. A Argentina foi a maior responsável por esse índice, já que responde por 59% dos embarques no ano, de acordo com a Anfavea. O acumulado geral dos oito primeiros meses soma 313,3 mil unidades, 12,1% acima das exportações do mesmo período de 2024. Em agosto, as fábricas brasileiras produziram 247 mil veículos, sem grandes variações em relação ao mês anterior (+3%) e agosto do ano passado (-4,8%). No ano, são 1,743 milhão de unidades produzidas, alta de 6%. O economista e professor do Centro Universitário Una, Giovane Castro, explica que além da expansão do mercado automotivo argentino, que é o principal destino dos veículos brasileiros, e que registrou um grande aumento nas compras no primeiro semestre de 2025. “O crescimento da produção automotiva no Brasil, que a tornou mais competitiva, e a moeda desvalorizada, que barateou os produtos brasileiros no mercado internacional, também contribuíram para este resultado positivo”. Para Castro, o cenário é promissor, mas exige adaptação rápida. “O Brasil tem tradição na fabricação de carros e uma localização estratégica para atender a América Latina. Nossa indústria só precisa acelerar os investimentos em tecnologia e eletrificação dos veículos. Pois, apesar do crescimento, a concorrência externa vem expandindo substancialmente, principalmente pelos carros chineses devido aos seus investimentos em tecnologia, veículos elétricos e preços extremamente competitivos”. Ele destaca ainda que a tendência é de expectativa. “Nosso principal importador de veículos, a Argentina, está enfrentando problemas como a alta de juros recentes e dificuldades de natureza política, o que pode impactar em futuras reduções, graças a estes fatores que provocam instabilidade”. Vendas internas O mercado interno mantém comportamento de estabilidade, mas com elevação da venda de importados e dos canais de vendas diretas, em detrimento do varejo de modelos nacionais. Em agosto, o total de emplacamentos foi de 225,4 mil veículos. O acumulado deste ano é de 1,668 milhão, e as vendas de importados atingiram alta de 12,1%. As vendas de modelos nacionais no varejo caíram 9,3% no ano, ante um crescimento de 17,3% dos importados. Mesmo nas vendas diretas, os nacionais cresceram 12,4%, um pouco abaixo dos 13,8% de alta dos estrangeiros. Entre todos os segmentos de veículos, o que mais sofre os efeitos dos juros elevados, da alta inadimplência e da desaceleração da atividade econômica é o de caminhões. Em agosto, pela primeira vez houve queda na produção acumulada em relação a 2024. O recuo é de 1%, porém, indica uma inversão da curva de crescimento que se mantinha ao longo dos primeiros sete meses do ano. O mercado interno de caminhões já vinha em retração desde abril. As exportações vêm equilibrando o setor automobilístico, afirma o economista. “Contudo, a alta competitividade chinesa através de tecnologias mais avançadas e preços competitivos, juntamente com problemas econômicos crescentes de nosso principal mercado externo, podem impactar no volume vendido em um futuro breve”. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressalta que a média diária de vendas foi de 10,7 mil unidades. “O segundo mês no ano com média inferior ao mesmo mês de 2024, o que acende um alerta para o último quadrimestre de 2025, que precisa subir bastante para acompanhar o ritmo acelerado do ano passado. No caso dos caminhões, nem a alta das exportações está sendo suficiente para sustentar os níveis de produção, o que já começa a se refletir em perdas de postos de trabalho nas fábricas de pesados”, finaliza.
Setor de mercadinhos tem abertura de 29 mil novos negócios

Pequenos comércios alimentares, como minimercados, mercearias, armazéns e mercadinhos, estão em rápida expansão no Brasil. Apenas nos primeiros seis meses deste ano, mais de 29 mil novos CNPJs foram abertos nesse segmento, conforme dados da Receita Federal analisados pelo Sebrae. Isso representa, em média, 162 novas empresas por dia, quase sete a cada hora. Na comparação com o primeiro semestre de 2024, que teve a abertura de 27,1 mil negócios, houve um aumento de 8,5%. O levantamento também aponta que cerca de 70% dessas novas empresas foram formalizadas na categoria de microempreendedor individual (MEI). Esse crescimento expressivo no número de aberturas de mercadinhos está diretamente ligado a um conjunto de fatores econômicos, sociais e comportamentais que têm moldado o ambiente de negócios no país. Para especialistas, a combinação de busca por autonomia financeira e valorização do consumo local contribui significativamente para esse movimento. “Nos momentos de instabilidade econômica, como a que o Brasil enfrentou nos últimos anos, muitas pessoas optam por abrir o próprio negócio como alternativa ao desemprego ou à informalidade. O setor de mercadinhos, por ter uma barreira de entrada mais baixa e por atender uma demanda essencial, a alimentação, torna-se uma opção viável para empreender com menor risco”, explica a economista Paula Tavares. Esse crescimento também é alimentado pelo comportamento dos consumidores, que passaram a valorizar ainda mais os comércios de proximidade, salienta Paula. “Durante e após a pandemia, as pessoas redescobriram o comércio local. A ideia de comprar no mercadinho do bairro, que conhece os clientes pelo nome, passou a representar não só conveniência, mas também confiança e solidariedade. Isso criou um ambiente fértil para o surgimento de novos empreendimentos”. A alta no número de mercadinhos traz impactos diretos para a economia nacional, sobretudo na geração de empregos e na movimentação do comércio local. Cada novo ponto de venda cria oportunidades para fornecedores, transportadores, pequenos produtores e profissionais de diversos setores, como contabilidade, marketing e tecnologia. “O varejo alimentar é um dos setores mais capilarizados do Brasil. A abertura de um mercadinho movimenta toda uma cadeia produtiva, que vai desde o agricultor familiar até o entregador de aplicativo, segundo o Sebrae, micro e pequenas empresas respondem por mais de 60% das contratações no país. Estamos falando de um modelo de negócio que não só absorve a mão de obra local, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades”, explica Daniel Cardoso, analista de mercado. Ele destaca ainda que esses pequenos negócios têm se adaptado rapidamente às mudanças no comportamento de consumo, incorporando ferramentas digitais como maquininhas de pagamento, delivery via WhatsApp e vendas por aplicativos, mesmo em regiões mais afastadas dos grandes centros. “A digitalização desses negócios potencializa o faturamento e amplia o alcance, o que pode garantir a sobrevivência em um ambiente altamente competitivo”, afirma. Além do impacto direto nos empregos e na circulação de renda, os mercadinhos desempenham um papel social relevante, especialmente em comunidades onde o acesso a grandes redes varejistas é limitado. Em muitos casos, são os únicos pontos de venda de alimentos e produtos essenciais em determinadas regiões. Paula acredita que o desafio, a partir de agora, será garantir a longevidade desses novos empreendimentos. “Mais importante que abrir, é manter o negócio em funcionamento. Isso exige capacitação, gestão financeira eficiente, escuta ativa dos clientes e capacidade de adaptação. O Sebrae, inclusive, oferece programas específicos de apoio ao pequeno comerciante para enfrentar essas etapas”.
Contratos de trabalho intermitente totalizam mais de 400 mil vínculos

Sendo uma alternativa viável para ampliar as admissões, com uma jornada flexível e a contratação de profissionais formais por hora, os contratos de trabalho intermitente cresceram quase 60 vezes entre 2017 e 2023, passando de 7,3 mil para 416 mil vínculos, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Na Alimentação Fora do Lar (AFL), o crescimento também foi expressivo: de apenas 315 contratos para 15,8 mil no mesmo intervalo de tempo. A taxa média anual no setor foi de 92,1%, consolidando o AFL como um dos principais usuários da modalidade. Dentre os diferentes tipos de estabelecimentos, os bares, em especial, quadruplicaram sua participação, passando de 2,5% para 24,2% dos vínculos intermitentes. O economista e docente no Centro Universitário Una, Fernando Sette Júnior, destaca que esse crescimento se deve, principalmente, à mudança na lei trabalhista de 2017, que abriu espaço para esse tipo de contrato. “Esse avanço reduz um pouco a taxa de desemprego, porque mais pessoas passam a ser registradas, mas aumenta a estatística de subocupação, já que muitos trabalham menos horas do que gostariam”. Para Júnior, essa ampliação faz com que a massa salarial cresça de forma mais lenta. “Eles aumentam o número de pessoas com carteira assinada, mas como a maioria trabalha menos horas, o valor final recebido todo mês tende a ser menor. Como o consumo das famílias é um dos motores do Produto Interno Bruto (PIB), o efeito desses contratos sobre a economia pode ser positivo, porém, limitado. No caso de bares e restaurantes, por exemplo, o impacto existe, contudo, não é tão forte quanto o de setores que pagam salários mais altos”. Ele acrescenta ainda que pode aumentar a desigualdade de renda. “De um lado, esses contratos dão chance para trabalhadores que antes estavam totalmente na informalidade. Mas, de outro, a renda instável e mais baixa pode reforçar desigualdades, especialmente se essas vagas se concentrarem em pessoas com menor escolaridade ou em regiões com menos oportunidades. Sem políticas que incentivem qualificação e proteção social, o risco é aumentar a distância entre os que têm empregos fixos e bem pagos e os que dependem só de contratos temporários”. Vagas temporárias Segundo um levantamento da Robert Half, 24% das empresas brasileiras apontam o crescimento nas demandas temporárias. As principais razões que impulsionam essa tendência, entre os recrutadores, a oportunidade de projetos pontuais extras (32%) é o motivo mais citado para a expansão da modalidade, seguida pela imprevisibilidade do cenário político-econômico (29%) e pela demanda urgente por profissionais com características técnicas específicas (25%). Já entre os profissionais, a adesão ao modelo também é crescente. Quase 40% dos trabalhadores ouvidos esperam participar de mais projetos temporários ainda em 2025, e 22% percebem que há mais facilidade na contratação por essa modalidade do que na ampliação de quadros fixos nas empresas. O diretor regional da Robert Half, Lucas Nogueira, afirma que a contratação por projetos se consolidou como uma alternativa estratégica. “Ela oferece às empresas agilidade, especialização e flexibilidade para responder rapidamente a desafios específicos. Isso é especialmente importante em momentos de transição ou mudanças regulatórias, como o atual contexto da reforma tributária, que exige adaptações rápidas e conhecimento técnico apurado”. Apesar do crescimento dessas modalidades de contratos, o economista não acredita que esses modelos se tornem predominantes no país. “Pelo menos não em curto prazo. Eles são importantes e estão crescendo, mas servem mais como complemento. A maior parte dos trabalhos no Brasil ainda precisa de gente presente todos os dias, em horários regulares, para garantir continuidade e estabilidade. O intermitente e o temporário funcionam melhor em setores que precisam de reforço em períodos específicos”. Ele finaliza dizendo que essas formas de contratação são sustentáveis em longo prazo. “Desde que sejam usadas de maneira equilibrada. Se o trabalho temporário ou intermitente for usado para completar o quadro em momentos de pico, pode ajudar bastante. Mas se virar regra em áreas que precisam de estabilidade, o risco é de criar empregos frágeis, com pouca segurança e menos perspectiva de crescimento profissional”.
Construção e imóveis devem alcançar R$ 417 bilhões até o final deste ano

Vivendo uma fase bastante positiva, os segmentos de construção civil e mercado imobiliário devem gerar, em conjunto, uma movimentação próxima de R$ 417 bilhões no Brasil até o fim deste ano, conforme estimativa da pesquisa IPC Maps. De acordo com o estudo, os lares brasileiros devem investir mais de R$ 287 bilhões em itens como materiais de construção e serviços de reforma. Já a compra de imóveis deve representar cerca de R$ 130 bilhões desse total. O Estado de São Paulo lidera o ranking nacional, sendo responsável por quase R$ 118,5 bilhões dos gastos no setor. Na sequência aparecem o Paraná, com R$ 48,2 bilhões, seguido por Minas Gerais, que alcança R$ 42,2 bilhões, e o Rio de Janeiro, ocupando a quarta colocação, com R$ 27,7 bilhões em despesas no segmento. Em contrapartida, o ritmo de abertura de empresas na área tem sido mais contido. Segundo dados da sondagem, entre 2024 e o momento atual, foram criadas 48.561 novas unidades, representando um crescimento de 2,2%. Com isso, o total de estabelecimentos no país chega a 2.244.855. Apesar desse avanço, chama a atenção o fechamento de empresas, especialmente entre os microempreendedores individuais (MEIs), que apresentaram uma queda de 6,5% no comércio varejista e uma retração de 0,8% no setor da construção civil. “A redução dos juros torna o crédito mais acessível à população. Com parcelas menores e condições mais flexíveis, mais pessoas conseguem realizar o sonho da casa própria. Além disso, há uma forte movimentação no setor de reformas e construções particulares, puxada pelo crescimento da renda média em algumas regiões do país”, explica a economista Cláudia Neves. Outro motor importante desse crescimento é a retomada de programas habitacionais, como o “Minha Casa, Minha Vida”, que voltou a ganhar força com subsídios ampliados e parcerias com construtoras de médio e pequeno porte. De acordo com a economista, o impacto disso é duplo. “Por um lado, ajuda famílias de baixa renda a acessar moradias dignas, por outro, gera empregos diretos e indiretos, movimentando uma extensa cadeia produtiva. Quando uma obra começa, não é só a construtora que se beneficia. A economia local se aquece: são vendidas refeições, contratados pedreiros, eletricistas, encanadores, há aumento de consumo de materiais como cimento, aço, tintas, pisos, madeira, entre outros”, ressalta. Um fenômeno observado é a descentralização do crescimento. Enquanto os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte continuam a atrair investimentos, as cidades médias do interior têm apresentado boas taxas de crescimento nos setores de construção e mercado imobiliário. “O custo de vida mais baixo, os incentivos fiscais locais e a qualidade de vida estão atraindo não só moradores, mas também incorporadoras e investidores. Municípios como Franca (SP), Maringá (PR), Campina Grande (PB) e Joinville (SC) estão vendo um boom de empreendimentos, tanto residenciais quanto comerciais”, destaca o especialista em mercado imobiliário, Rafael Macedo. Apesar das projeções otimistas, os especialistas alertam que manter essa curva ascendente exigirá planejamento de longo prazo, estabilidade econômica e estímulo à inovação. A burocracia, o excesso de tributos e a dificuldade de acesso ao crédito ainda são desafios estruturais que impedem o crescimento mais acelerado. Para Cláudia, é fundamental que governos e iniciativa privada caminhem juntos para promover ambientes regulatórios mais previsíveis e seguros. “O investidor precisa de confiança para aplicar seus recursos. Incentivar parcerias público- -privadas, desburocratizar licenças e ampliar o acesso a linhas de financiamento são caminhos essenciais”. A sustentabilidade nas construções é outro ponto importante citado. “Incorporadoras têm investido cada vez mais em projetos sustentáveis, com uso de energia solar, reaproveitamento de água da chuva e materiais de baixo impacto ambiental. Há um público crescente interessado em imóveis com certificações verdes. É uma tendência que agrega valor ao imóvel e ajuda a preservar o meio ambiente”, explica Macedo.
1% mais rico tem renda 30 vezes maior que os 50% mais pobres

Segundo o relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, a desigualdade de renda sofreu uma queda. Em 2024, o 1% mais rico do país tinha um rendimento médio 30,5 vezes superior aos 50% mais pobres, um pouco menor que em 2023 (32,9 vezes). A maior disparidade foi registrada na região Nordeste (32 vezes), enquanto a menor ocorreu no Sul (23,3 vezes). Houve também uma redução da proporção de pobres em 23,4%, em 2024, conforme critérios do programa Bolsa Família, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Embora a proporção tenha reduzido em todas as regiões, o Nordeste ainda desponta como a de maior prevalência de pobreza (6,6%), enquanto a de menor prevalência é no Sul do país, com 1,5%. Outro destaque do documento é o rendimento médio que cresceu 2,9% em 2024: alcançou R$ 3.066, o que representa um crescimento real de 2,9%. E a taxa de desocupação atingiu 6,6%, uma redução de 1,2 ponto percentual, em relação a 2023. A queda foi mais expressiva entre as mulheres (de 9,5% para 8,1%) e entre a população negra (de 9,1% para 7,6%). De acordo com o doutor em economia, Weslley Cantelmo, essa queda na desigualdade é explicada pela retomada das políticas sociais ainda em 2022. “O Bolsa Família contribui bastante para essa redução, pois ele atua na base da pirâmide social. Não só essa política, mas também outras, como a aquisição de alimentos para as escolas, isenção na tarifa de energia, barateamento do valor do gás de cozinha, entre outros”. “Em termos de fatores econômicos, a própria retomada dessas políticas públicas ajudou para o aquecimento da economia. Com a taxa de desocupação baixa, apesar de serem funções menos qualificadas e de menores salários, quando temos a maior parte da população vinculada a algum tipo dessas atividades econômicas, isso reflete um efeito multiplicador e, por consequência, no emprego, e assim tem um círculo virtuoso”, acrescenta. Na avaliação de Cantelmo, não se trata de uma tendência sustentável de redução da desigualdade. “Ela pode voltar a aumentar com os processos de desaquecimento da economia, como a taxa de juros elevada”. O economista aponta como um grande desafio colocar em prática um projeto nacional de desenvolvimento. “Que altere o perfil produtivo da economia brasileira. As nações do mundo que conseguiram alcançar patamares de redução da desigualdade e de desenvolvimento foram por meio de políticas que se voltaram à transformação da paisagem produtiva do país. Saíram da base de economias de exportação primárias, como a exportação de soja e minério de ferro, e passaram a competir no cenário internacional na ponta das cadeias de valor, com agregação em produção e tecnológica”. Imposto de renda A necessidade de justiça tributária defendida pelo governo federal, com aumento da tributação dos mais ricos e isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, aparece justificada no Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025. Os dados demonstram que a progressão do imposto de renda ocorre até a faixa de renda de 15 a 20 salários mínimos. Para as pessoas que ganham acima desse valor, a tributação é regressiva, ou seja, a população com maiores rendimentos paga menos imposto. Em evidência no estudo, os contribuintes com mais de 320 salários mínimos tiveram redução na alíquota média do imposto de renda, de 5,43% para 4,87%. Para o profissional, a estrutura tributária brasileira é altamente regressiva. “Faz o pobre pagar muito mais do que o rico. Precisa inverter essa lógica, tornar nossa estrutura mais progressiva, o que significa que, proporcionalmente, aquele que tem maior capacidade de contribuição tributária, passa a pagar mais e aquele com menor renda, passa a pagar menos”, finaliza.