Estado registrou 58,3 mil novas empresas no primeiro semestre

Minas Gerais registrou, pelo menos, 10 mil novas empresas a mais do que no mesmo período do ano passado. Segundo a Junta Comercial do Estado (Jucemg), no primeiro semestre deste ano, já foram registrados 58.399 novos empreendimentos, superando em 21,3% o resultado em 2024. Em junho, foram 8.613 novas firmas, 5,6% a mais que no ano passado. Todas as regiões apresentaram saldo positivo, com destaque para os Vales do Jequitinhonha e Mucuri, que cresceram 33,68%. Na sequência, Norte de Minas (29,35%), Central (23,85%) e Centro-Oeste (20,47%). O setor de serviços liderou a abertura de empresas, com 43.336 novos registros e alta de 24,39%. O comércio cresceu 13,28%, com 12.383 empresas abertas, enquanto a indústria avançou 12,28%, com 2.679 registros. Em junho, os serviços se destacaram novamente, com alta de 8,53%, seguidos pela indústria (+9,12%). Já o comércio teve leve queda de 4,29%. A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, afirma que o crescimento na abertura de empresas reforça a melhoria no ambiente de negócios nos municípios mineiros. “Essa ação estratégica do Governo de Minas tem apresentado resultados surpreendentes em regiões que precisavam de mais desenvolvimento. Novas empresas significam novos empregos”. Conforme o economista e especialista em finanças públicas, Gustavo Aguiar, houve um crescimento na abertura de empresas nos últimos anos, não só em Minas Gerais, mas em todo o país. “Minas tem se destacado porque apostou na desburocratização e na facilidade para a abertura de empresas, com maior digitalização e menor tempo de espera. O Estado também tem investido em políticas públicas para incentivar o empreendedorismo”. “Porém, tem vários outros fatores associados, como o avanço da economia que foi consistente nos últimos anos, em 2023 e 2024, crescendo acima de 3%, tanto no país quanto em Minas, o que gera confiança na população. E também tem um sentimento dos brasileiros de maior busca no empreendedorismo e menos no trabalho formal”, observa o profissional. Aguiar destaca ainda que os dados mostram que a maior concentração das aberturas das empresas em Minas tem sido no setor de comércio e serviço. “E isso está relacionado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, que tem sido alavancado fortemente por esses ramos”. “Além do crescimento sustentável da economia nos últimos anos, alguns indicadores econômicos favorecem esse cenário de estabilidade para que mais pessoas busquem o caminho do empreendedorismo, como o aumento da renda dos brasileiros e a queda do desemprego. Isso tudo favorece para que as pessoas criem condições de abrir seu próprio negócio”, acrescenta. Ainda de acordo com a pesquisa, o primeiro semestre somou 46.164 extinções empresariais, uma variação de 50,60% em relação ao mesmo período do ano anterior. Deste total, 6.617 empresas fecharam as portas em junho. Cidades Belo Horizonte segue como o município com o maior número de empresas abertas no primeiro semestre de 2025. Foram 15.954 formalizações, alta de 23,36% em relação ao mesmo período do ano passado (12.933). Em junho, a capital mineira registrou 2.430 novos negócios, alta de 9,61% em relação a 2024 (2.217). Seguindo o ranking dos demais municípios, nos mesmos intervalos comparados, aparecem: Uberlândia (3.359 no ano e 506 em junho), Contagem (1.940 e 307), Juiz de Fora (1.574 e 226) e Montes Claros (1.297 e 192). Além de Betim (1.134 e 161), Uberaba (1.086 e 139), Divinópolis (815 e 108), Governador Valadares (717 e 121) e Patos de Minas (705 e 86). O economista finaliza dizendo que acredita que a tendência é seguir avançando o índice de criação de empresas. “Ao que tudo indica, a taxa básica de juros não deve aumentar mais neste ano. E a perspectiva é que a economia tenha um crescimento expressivo de 2,5%. Com a expectativa do índice do desemprego caindo e a renda dos brasileiros em patamar elevado, a economia continuará aquecida, fazendo que as gerações das empresas continuem em ritmo acelerado”.

Exportações do agro mineiro somam R$ 54,5 bilhões

Dados do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), mostraram que as exportações do agronegócio mineiro totalizaram US$ 9,8 bilhões (aproximadamente R$ 54,5 bilhões) no primeiro semestre deste ano, representando um aumento de 18% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Por outro lado, o volume embarcado foi de 8,5 milhões de toneladas, o que indica uma queda de 9% na comparação anual. Segundo informações da Seapa, Minas Gerais exportou mais de 560 tipos distintos de produtos agropecuários para 169 países. Os principais destinos foram China (25,4%), Estados Unidos (12%), Alemanha (8,1%), Itália (5,5%) e Japão (4,6%). O café, principal produto das exportações do agronegócio mineiro, foi responsável por mais de 56% da receita do setor. As vendas externas da commodity somaram US$ 5,5 bilhões (aproximadamente R$ 30,6 bilhões), registrando um aumento de 61% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar disso, o total embarcado foi de 13,7 milhões de sacas, o que representa uma queda de 8,8%. Esse resultado indica que o aumento da receita se deveu, principalmente, aos preços historicamente elevados, impulsionados pela oferta global reduzida e pela demanda aquecida em mercados estratégicos como Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão e Bélgica. O segmento de carnes, incluindo as variedades bovina, suína e de frango, também se destacou, com exportações que somaram US$ 831,6 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) nos seis primeiros meses de 2025, um avanço de 16,8%. O volume exportado chegou a 238,6 mil toneladas, representando um crescimento de 4,5%. Para o economista Pedro Ribeiro, “o salto de 18% em receita, mesmo diante de recuo em volume, demonstra o forte impacto da valorização internacional das commodities, especialmente do café e das proteínas animais. A política de cotas e barreiras sanitárias em outros países pressionou preços, e Minas soube aproveitar a oportunidade com oferta qualificada”. A crise logística global segue influenciando custos, mas Minas amadureceu sua infraestrutura, salienta Ribeiro. “Centros de armazenamento, certificações e rotas interiorporto mais eficientes reduziram prazos e perdas, agregando valor aos produtos mineiros”. O engenheiro agrônomo João Figueiredo explica que o governo mineiro atuou com políticas estratégicas. “Incentivo à irrigação, regularização fundiária e assistência técnica robusta. Isso dinamizou a produção, especialmente do café, gerando maior qualidade e volume exportável”. Ele destaca a competitividade global e avanço tecnológico e sustentabilidade como um dos principais benefícios para a economia. “O crescimento reforça o papel de Minas como terceiro maior exportador de produtos agropecuários do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo, além disso, a busca por certificações e padrões FIT promove práticas ambientais mais responsáveis, melhor gestão hídrica e valorização das propriedades”. Ribeiro ressalta a geração de empregos e a renda em moeda estrangeira. “O agronegócio continuou sendo o principal motor de desenvolvimento nas áreas rurais, com efeito dominó nos serviços, transporte, armazenagem e segurança alimentar. E a entrada de dólares fortalece as contas externas do país, reduz a pressão sobre o câmbio e garante margem para investimento em infraestrutura”. De acordo com Figueiredo, a expectativa para os próximos meses é grande, mas alguns desafios exigem atenção. “As condições climáticas, tanto em Minas quanto em regiões produtoras da América Latina, podem influenciar o volume disponível para exportação e os estoques globais, especialmente de café, o que favorece preços, mas aumenta a volatilidade”. “Além disso, o cenário cambial e barreiras comerciais, com eventuais tarifas ou reforço de padrões sanitários, podem afetar a dinâmica dos negócios, porém, a demanda global, especialmente por parte da China e Estados Unidos, tende a se manter estável ou crescer, beneficiando o agronegócio brasileiro”, conclui.

Indústria brasileira ainda sofre com entraves estruturais e fiscais

Mesmo com iniciativas para alavancar a produtividade do segmento, a indústria brasileira ainda enfrenta gargalos antigos que comprometem sua competitividade no mercado internacional. Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que a complexidade do sistema tributário, o chamado “Custo Brasil” e a falta de mão de obra qualificada estão entre os principais entraves para o desempenho do setor no cenário global. Segundo o levantamento, realizado com mil empresas industriais de todo o país, 45% dos empresários apontam a bitributação e a complexidade tributária como os maiores desafios, seguidos por 35% que citam o Custo Brasil, um conjunto de ineficiências estruturais, burocráticas e econômicas que consome cerca de R$ 1,7 trilhão por ano, o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. “O Custo Brasil é esse conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que prejudica o ambiente de negócios do país, pois encarece os custos das empresas, atrapalha investimentos e compromete a competitividade”, pontua o presidente da CNI, Ricardo Alban. Além disso, 31% dos entrevistados destacam a falta de mão de obra qualificada, enquanto 25% citam a burocracia e o ambiente regulatório como obstáculos. A insegurança jurídica também aparece como fator relevante, mencionada por 22% dos empresários. Esses elementos reforçam a percepção de que o Brasil ainda apresenta um ambiente pouco favorável à produção industrial e à inovação. Para o economista Wallace Marcelino Pereira, o desenvolvimento da indústria está diretamente ligado ao investimento em infraestrutura e à melhoria da educação. “O crescimento econômico sustentável passa obrigatoriamente por investimentos em infraestrutura, educação e ciência e tecnologia. No caso da educação, o ensino médio atrelado à formação técnica e a educação superior são primordiais. Escolas que possuem índices positivos na capacidade de formação dos alunos devem ser premiadas anualmente”. Em 2023, foi aprovada a reforma tributária, que tem entre seus objetivos simplificar o sistema, eliminar a bitributação e reduzir a cumulatividade de impostos. Pereira, no entanto, pondera os efeitos esperados da medida. “Embora seja importante simplificar o sistema tributário, o efeito positivo será visto somente no médio e longo prazo. Sem resolver problemas de infraestrutura de transporte e educacional, os ganhos de competitividade serão muito pequenos”. Na avaliação do economista, a expansão das relações comerciais com outros países pode ser uma oportunidade para reduzir o Custo Brasil. “Parcerias com a China, por exemplo, podem ajudar a viabilizar não somente a produção, mas também o investimento em transportes dos produtos brasileiros. Acordos comerciais atrelados a Parcerias Público-Privadas (PPPs) ou concessões voltadas para investimento em transportes como portos, ferrovias e transporte rodoviário, podem representar a maior oportunidade das próximas décadas para mitigar os problemas do Custo Brasil”. Incentivo à inovação A pesquisa da CNI também indica que 14% dos empresários veem inovação e tecnologia como entraves à competitividade. “Uma estrutura industrial robusta e competitiva depende de investimentos em inovação, especialmente desenvolvida dentro do país, para evitar a dependência de soluções externas. Acredito que existem dois obstáculos: a governança e o fator cultural. No que tange à governança, ainda falta uma instância nacional que centralize e organize ações integradas entre universidades e empresas. É preciso intensificar essa interação, para que as empresas conheçam com profundidade o que as universidades produzem e as universidades compreendam as demandas do setor privado”, afirma Pereira. Ele complementa que nas universidades públicas existem centros de excelência em engenharia, biomedicina, química e física, por exemplo. “É uma fonte de conhecimento disponível para a indústria brasileira, mas é preciso que haja uma política pública mais clara de aproximação entre universidades e empresas, o que é positivo para ambos os lados”. Pereira também destaca que o incentivo à industrialização é essencial para o crescimento sustentado do Brasil. “A indústria é o motor do crescimento econômico porque demanda mão de obra qualificada, é capaz de criar e disseminar inovações, bem como promove o aumento da produtividade geral da economia”, finaliza.

Comércio varejista mineiro projeta aumento nas vendas no 2º semestre

Uma pesquisa realizada pela Fecomércio MG apresentou um panorama do setor empresarial mineiro para o segundo semestre de 2025. O estudo aponta para um aumento no otimismo dos empresários. Esse sentimento positivo é motivado, sobretudo, pela expectativa de crescimento nas vendas durante datas comemorativas importantes, como Dia dos Pais, Black Friday e Natal. De acordo com o levantamento, 74,7% dos empresários demonstram confiança em um desempenho superior das vendas no segundo semestre em comparação com os primeiros seis meses do ano. O economista Luiz Gomes explica que essas datas funcionam como âncoras de consumo e movimentam todo o ecossistema comercial. “Essa expectativa de melhora nas vendas é motivada por uma série de fatores que, juntos, formam um cenário bastante favorável ao comércio varejista. Em primeiro lugar, temos a sazonalidade típica do segundo semestre, que reúne as principais datas comemorativas do calendário comercial brasileiro. São períodos em que o consumidor já se programa para gastar, e o comércio se prepara para atender à demanda”. Para 59% dos empresários, o Natal é a principal data para impulsionar os resultados do segundo semestre. Em seguida, aparecem Dia dos Pais (21,1%), Black Friday (17,7%) e Dia das Crianças (16,2%) como momentos estratégicos para o comércio. Além do calendário favorável, o economista aponta outros motivos que explicam o otimismo. “Há um ambiente mais confiante em relação à economia. A inflação tem se mantido relativamente controlada, os juros começam a apresentar sinais de queda, e o mercado de trabalho mostra estabilidade. Tudo isso contribui para uma percepção de recuperação, ainda que gradual, e o comércio sente isso antes de muitos outros setores, porque lida diretamente com o comportamento do consumidor”. Em relação aos meios de pagamento, o destaque fica para o cartão de crédito parcelado, preferido por 48,9% dos respondentes, com o Pix vindo logo depois, citado por 30%. O estudo indica que, em comparação com o mesmo período de 2024, 36,1% das empresas observaram um crescimento nas vendas durante o primeiro semestre de 2025. Já 38,8% relataram que os resultados se mantiveram estáveis em relação ao segundo semestre do ano anterior. Para Gomes, o empresário percebe que não basta esperar o consumidor entrar na loja. “É preciso criar facilidades e promover condições atrativas. Além disso, a confiança tende a subir em períodos mais estáveis, o que influencia diretamente o desempenho do comércio. Fatores como políticas fiscais, variação da taxa de juros e estabilidade do mercado de trabalho ainda são pontos de atenção. Mesmo assim, o comércio mineiro parece disposto a apostar na retomada com planejamento, criatividade e foco no consumidor”. Para atrair os consumidores, 51,4% dos empreendimentos planejam investir em ações de divulgação e publicidade. Já 34,6% pretendem focar em promoções, enquanto 30% consideram o atendimento personalizado como o principal diferencial competitivo. É nesse caminho que pretende seguir a empresária Érica Vieira, proprietária de uma loja de vestuário. Ela menciona que nunca presenciou o mercado tão receptivo a mudanças comportamentais quanto agora. “O consumidor hoje não quer só o produto, mas também a experiência. Nós estamos investindo em treinamento de equipe, criando campanhas e reformulando nossa vitrine para as datas sazonais. Atualmente, o Pix representa muito das nossas transações, mas o destaque ainda é o cartão. Isso dá flexibilidade ao cliente e aumenta o ticket médio”.

Região Sudeste concentra a maior parte das pizzarias em atividade

O setor de pizzarias no país está em ritmo de crescimento. Em 2024, foram abertas 3.867 novas unidades em todo o país, um aumento de 9,52% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte da 4ª edição do estudo “Mercado de Pizzarias no Brasil”, divulgado pela Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra). De acordo com a associação, o país contabiliza atualmente 36.568 pizzarias ativas nos portes ME, EPP e LTDA, número que representa cerca de 75% do mercado, já que os microempreendedores individuais (MEIs) não são considerados no estudo. A expansão revela não apenas o fortalecimento da cadeia da pizza, mas também um movimento de descentralização geográfica, com destaque para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que lideraram os índices percentuais de crescimento. O Estado do Tocantins encabeça o ranking nacional com uma expansão de 32,2% no número de pizzarias ativas, seguido por Pará (23,46%), Amapá (20,31%) e Maranhão (20,11%). A região Sudeste ainda concentra a maior parte das pizzarias ativas do país, com cerca de 51% do total, mas o ritmo de crescimento é mais modesto em estados como São Paulo, que teve alta de apenas 2,8%. Minas Gerais, no entanto, foge à regra e se destacou com um aumento de 10,95% nas unidades em operação, subindo de 2.859 estabelecimentos em 2023 para 3.172 em 2024. Isso coloca o Estado como o segundo maior mercado da região e o terceiro do país, com 8,67% das pizzarias brasileiras. Para o presidente da Apubra, Leandro Goulart, um melhor desempenho do Estado acima da média nacional é um sinal de que os empreendedores mineiros estão cada vez mais antenados às transformações do mercado, às mudanças no perfil do consumidor e à adoção de tecnologias que otimizam a gestão. “Isso contribui diretamente para a sustentabilidade dos negócios. Esse salto demonstra que Minas vive um momento de franca expansão e atratividade para novos negócios. Cidades como Belo Horizonte, Uberlândia, Juiz de Fora e Pouso Alegre têm se consolidado como polos regionais no setor”. A abertura expressiva de novas pizzarias reflete a atratividade do mercado, mesmo diante de desafios econômicos como alta de juros e instabilidade política, afirma Goulart. “Em um cenário que muitos setores estão estagnados, as pizzarias seguem mostrando energia e resiliência. Isso revela que ainda há espaço para crescer, principalmente em cidades de médio porte e no interior, onde o consumo está cada vez mais alinhado com tendências nacionais”, completa. O estudo também aponta que 12.196 pizzarias estão localizadas nas capitais brasileiras, sendo São Paulo a líder, com 37,4% do total estadual. Belo Horizonte responde por 4,58% do total nacional. Fechamentos em queda Paralelamente à abertura de novas pizzarias, o setor registrou o menor número de encerramentos dos últimos sete anos. Em 2024, foram fechadas 5.282 unidades, número 48% inferior ao de 2023. A redução expressiva reforça a ideia de amadurecimento e profissionalização dos negócios. “O mercado vem passando por transformações significativas desde a pandemia, como maior uso de tecnologia, atenção à gestão e mudança no perfil do consumidor. Isso faz com que os empreendedores estejam mais preparados para manter o negócio sustentável e competitivo por mais tempo”, analisa Goulart. Ele reforça que os fatores que explicam esse comportamento positivo vão desde o fortalecimento do delivery até a busca por diferenciação, passando por um maior cuidado com a experiência do cliente e o uso de dados para tomada de decisão. Expectativas A Apubra projeta a continuidade do crescimento para 2025, com atenção especial às mudanças fiscais previstas e à evolução do consumo fora do lar. “É um mercado dinâmico. Os empresários que estiverem atentos às transformações, com boa gestão e foco no cliente, continuarão colhendo bons resultados”, conclui o presidente.

Turismo internacional no Brasil tem melhor primeiro semestre da história

Entre janeiro e junho de 2025, o Brasil recebeu 5.332.111 turistas estrangeiros, um crescimento de 48,2% em relação ao mesmo período do ano passado e o melhor resultado da série histórica para o primeiro semestre. Apenas no mês de junho, 444.882 estrangeiros desembarcaram no país, um aumento de 33,8% (112.408 chegadas) na comparação com junho de 2024. Os dados são da Polícia Federal. O número representa 77,3% da meta prevista no Plano Nacional de Turismo 2024-2027 para este ano, que projeta a entrada de 6,9 milhões de visitantes internacionais. Se o ritmo for mantido, o Brasil poderá ultrapassar, já em 2025, a meta de 8,1 milhões de turistas originalmente estabelecida para 2027. Entre os principais países emissores, a Argentina lidera com 2.323.891 visitantes no semestre, seguida por Chile (442.993) e Estados Unidos (410.189). “O turismo no Brasil deixou de ser potencial e virou realidade. Estamos chegando nos patamares de chegada de turistas estrangeiros que o nosso país merece, em um nível de crescimento que é o maior do mundo hoje. Isso tem gerado novos investimentos, milhares de empregos e renda em todo o país”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Marcelo Freixo. Para o mestre em ciências econômicas e professor no Centro Universitário UNA, Mussa Agostinho Vaz Vieira, o Brasil possui uma riqueza de destinos que despertam o interesse de turistas de todo o mundo. “Mas, também o esforço do governo federal para promoção do turismo contribui para o aumento do fluxo de visitantes estrangeiros. A desvalorização do real em relação ao dólar e ao euro, nos últimos anos, tem dado maior poder de compra a esses turistas; shows de artistas internacionais e a modernização do mercado de turismo, são outros fatores que levaram o país a bater esse recorde”. “O turismo é fundamental para a economia brasileira, gerando empregos, movimentando a cadeia produtiva e impulsionando o desenvolvimento de diversas regiões do país. O setor de serviços tem um peso significativo no Produto Interno Bruto (PIB), representando quase 70% do total. E esse aumento da entrada de turistas estrangeiros pode gerar impacto positivo nesse ramo, que é crucial para a economia do país”, complementa. O economista afirma ainda que os resultados para os próximos períodos dependem não só do cenário nacional, mas também do internacional (tensão existente na Europa e no Oriente Médio). “E do grau de satisfação quanto aos serviços hoteleiros, receptividade, segurança e transporte, que por consequente depende dos investimentos para sua melhor oferta no mercado, e investida em ações de promoção e divulgação do Brasil como destino turístico”. Investimentos Vieira destaca que o aumento da entrada de turistas estrangeiros vem sendo visto como um incentivo notável para aumento nos investimentos. “A hotelaria nacional e internacional tem investido bastante no Brasil, com inaugurações e expansões das redes em diversas regiões. Grupos como Accor, Vila Galé, Marriott e outros, estão ampliando sua presença no país, com foco em diferentes segmentos e destinos”. “Recentemente, o Hotel Galé Collection Ouro Preto foi inaugurado no distrito de Cachoeira do Campo, oferecendo 311 quartos. Em 2025, o setor brasileiro prevê um crescimento impulsionado pela retomada do turismo e eventos, com a chegada de novas redes nacionais e internacionais. Espera-se mais 23 mil quartos de hotel, com investimentos superiores a R$ 10 bilhões, segundo a Panrotas”, acrescenta. Minas Gerais Segundo dados mais recentes do Ministério do Turismo, da Embratur e da Polícia Federal, Minas Gerais recebeu 3.732 turistas internacionais em janeiro de 2025. O valor é 6,12% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando 3.517 viajantes, vindos de fora, estiveram visitando o Estado. Já em 2024, Minas registrou mais de 32 milhões de turistas. Desse total, cerca de 42,6 mil visitantes eram estrangeiros, número 10,6% maior em relação ao ano anterior. Entre janeiro e outubro de 2024, o segmento respondeu pela criação de quase 20 mil postos de trabalho.

Energia sobe acima da inflação e mercado livre ganha espaço

Aconta de luz tem pesado cada vez mais no bolso dos brasileiros. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), entre 2010 e 2024, a tarifa média no mercado regulado saltou de R$ 112/MWh para R$ 310/MWh, aumento de 177%, contra uma inflação acumulada de 122% no mesmo período. Isso significa que a energia ficou 45% mais cara do que o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em contraste, o mercado livre de energia registrou alta de 44% no mesmo intervalo. De acordo com a Abraceel, o aumento no mercado regulado se deve a uma combinação de fatores estruturais, como a contratação compulsória de usinas térmicas, a indexação de contratos por até 30 anos à inflação, a existência de reservas de mercado para fontes mais caras, além de decisões políticas e alocação indevida de riscos ao consumidor. “A contratação de energia elétrica indexada à inflação por 30 anos tornou-se um peso para o consumidor regulado. A energia das hidrelétricas do Rio Madeira, contratada a preços baixos, hoje custa mais que a energia do mercado livre por causa dessa atualização inflacionária”, afirma Rodrigo Ferreira, presidente-executivo da Abraceel. Outro exemplo citado por Ferreira é a usina hidrelétrica de Itaipu, cujos investimentos já foram amortizados, mas cujas tarifas continuam altas. “Se houvesse apenas o mercado livre, Itaipu teria que oferecer preços mais competitivos. No entanto, como sua energia será comprada compulsoriamente no ambiente regulado, os consumidores continuam pagando encargos socioambientais e governamentais incorporados à tarifa”. Tarifa menor Dados recentes da Abraceel mostram que a tendência de maior competitividade se mantém. No acumulado de 12 meses até abril, a tarifa média para clientes do mercado livre subiu 5%, enquanto no ambiente regulado a alta foi de 10,4%. Segundo a entidade, essa vantagem decorre da própria dinâmica de funcionamento do mercado livre, no qual mais da metade dos contratos têm prazos de até quatro anos. Isso aumenta a frequência com que a energia volta ao mercado e é renegociada sob novas condições, o que estimula a competição entre fornecedores e gera preços mais baixos para o consumidor. “No mercado regulado, o risco hidrológico, por exemplo, foi retirado dos geradores e repassado ao consumidor, como ocorreu com a Medida Provisória 579. Mas o consumidor não tem meios para gerir esse tipo de risco, o que acaba onerando ainda mais a tarifa”, explicou a associação por meio de nota ao Edição do Brasil. “Cliente no centro” Para o CEO da TYR Energia, Eduardo Miranda, o diferencial do Ambiente de Contratação Livre (ACL) vai além da economia imediata. “No mercado livre, o cliente pode aproveitar momentos em que os reservatórios estão cheios e a energia está mais barata. A contratação é personalizada e leva em conta o perfil, a sazonalidade e a flexibilidade de consumo de cada cliente”, diz. Miranda reforça que o modelo empodera o consumidor ao permitir o monitoramento em tempo real do consumo e a adoção de metas e alertas automáticos. “O cliente deixa de ser um passageiro das revisões tarifárias e passa a ter controle. Isso é possível graças ao uso de medidores digitais, softwares de gestão e produtos como o boleto único, que simplifica o pagamento de todas as componentes da conta de luz em uma única fatura”. Ele também aponta o impacto da digitalização e da inteligência artificial como potencializadores da eficiência energética. “A energia mais barata é aquela que não é desperdiçada. O futuro está em operar a flexibilidade do consumidor, e isso só é viável em um mercado verdadeiramente livre”. Além de benefícios econômicos, Miranda defende que a expansão do ACL é estratégica para o país. “Estamos diante de uma oportunidade única. A abertura do mercado não é só sobre energia, mas sobre inovação, ciência, tecnologia e educação. O Brasil precisa aproveitar esse momento para transformar seu modelo energético e se projetar globalmente”, finaliza.

BH completa 30 meses com altas consecutivas no preço do aluguel

Desde novembro de 2022, os moradores da capital mineira não observaram queda nos valores cobrados na cidade. Dados do Índice de Aluguel QuintoAndar Imovelweb mostram que o mercado de aluguéis residenciais de Belo Horizonte completou, em maio, o 30º mês consecutivo de alta nos preços. O preço médio do metro quadrado atingiu um novo recorde, R$ 41,67, uma alta de 0,37% em relação a abril. Somente neste ano, o valor médio já acumula alta de 8,63%. Na questão nacional, São Paulo aparece com o valor mais alto (R$ 68,91), seguido por Brasília (R$ 53,42), Rio de Janeiro (R$ 45,50), Curitiba (R$ 44,92) e Porto Alegre (R$ 38,25). Segundo o estudo, entre os fatores que explicam essa valorização prolongada estão questões econômicas e o estoque reduzido de imóveis disponíveis, que desequilibram a relação entre oferta e demanda, pressionando os preços para cima. “Esse movimento contínuo de alta expressiva decorre do cenário macroeconômico e também da escassez de imóveis para alugar em Belo Horizonte. Outros indicadores do setor também apontam para uma valorização significativa, tanto nos preços quanto na rentabilidade dos imóveis”, afirma Pedro Capetti, especialista em dados do QuintoAndar. Em sua avaliação, ainda é cedo para traçar uma tendência para o restante do ano. “No entanto, o crescimento observado até maio de 2025 já supera o registrado no mesmo período de 2024. Fatores como renda, desemprego, taxa de juros e variáveis locais podem influenciar a dinâmica dos preços nos próximos meses”. Para o especialista em finanças e economia, Rodrigo de Felippe Rabello, uma combinação de alta demanda, juros altos que dificultam a compra e oferta limitada, justificam a alta de preços. “O retorno ao trabalho presencial e o desejo por localizações mais centrais também pressionam os valores para cima. Esse cenário de valorização deve se manter no curto e médio prazo, só tende a desacelerar quando houver mais oferta, queda nos juros ou ajustes na renda da população”. Ele acredita que os riscos de bolha no setor de locação ainda são baixos. “Se os aluguéis subirem além da capacidade das famílias, o mercado se ajusta por meio do aumento da vacância e da queda nos preços. Porém, temos bolhas imobiliárias recentes em várias cidades pelo mundo. Por isso, deve ser um tópico de atenção constante”. Rabello acrescenta que Belo Horizonte carece de políticas habitacionais robustas e planejamento urbano que incentive mais oferta de moradias bem localizadas. “O problema é que as políticas públicas na capital mineira visam, de modo geral, o curto prazo e se esquecem de problemas de longa duração”. Bairros mais valorizados Nos últimos 12 meses, todos os 35 bairros monitorados da capital registraram aumento nos preços. Os cinco locais mais valorizados no último ano são: Luxemburgo (60%), Ipiranga (47,3%), Barro Preto (46,2%), Santa Efigênia (45,2%) e Heliópolis (35%). No período, nenhuma região apresentou desvalorização. A pesquisa também apresentou os bairros mais caros da cidade no mês com base no preço médio do metro quadrado. Savassi aparece em primeiro lugar (R$ 69,7), seguido por Lourdes (R$ 68,4), Barro Preto (R$ 66,3), Luxemburgo (63,8) e Santo Agostinho (61,8). Impacto no setor O especialista nas áreas administrativa, financeira e econômica, Sérgio Rausses, esclarece que quando os índices Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Geral de Preços – Mercado (IGP-M) sobem, indicam aumento dos preços e afetam o mercado imobiliário de várias maneiras. “Construir imóveis fica mais caro, o que pode reduzir a oferta de novos empreendimentos ou elevar os preços dos existentes. Uma alta nesses índices faz com que os valores de aluguéis aumentem, impactando os inquilinos e o mercado de locação. Por último, a inflação alta pode levar a uma valorização geral dos imóveis, já que os ativos imobiliários tendem a acompanhar a inflação, o que pode atrair investidores”, pontua. Rausses ressalta ainda que as consequências da alta desses índices na economia podem elevar os custos e os preços no mercado imobiliário. “Influenciando tanto os valores de venda quanto os de aluguel, além de afetar a oferta e a demanda”.

69,8% dos empresários de Minas esperam vender mais no inverno

Segundo uma pesquisa da Fecomércio MG, 69,8% dos empresários do setor varejista mineiro, incluindo lojas de tecidos, cama, mesa e banho, calçados e artigos de viagem, acreditam que terão um desempenho superior ao do inverno anterior. Outros 19,5% projetam estabilidade nas vendas, enquanto 8,4% esperam uma retração. Além disso, 55,8% dos entrevistados estimam que o valor médio gasto por cliente deve variar entre R$ 100 e R$ 300. Do total de empresas consultadas, 78,0% relataram que o período de frio traz efeitos positivos para os negócios, enquanto apenas 5,1% mencionaram impactos negativos. As regiões Sul e da Zona da Mata se destacam como as mais favorecidas pela estação, com 90,5% e 88,1% dos empresários, respectivamente, apontando aumento nas vendas. O otimismo é impulsionado, principalmente, pela expectativa de temperaturas mais baixas já no início da estação (apontada por 66,3% dos participantes) e por um inverno mais intenso (conforme 34,2%). Entre os que preveem crescimento, 70,1% estimam que o efeito positivo deve variar entre 10,1% e 40%. Já entre os que esperam queda, 37,9% calculam uma redução de até 10%. “O clima frio chegou mais cedo em 2025, com baixas temperaturas já sendo registradas em maio em várias regiões de Minas Gerais. Além disso, há um apelo emocional no inverno: sensação de aconchego, valorização do lar e da estética confortável, o que motiva a compra de mantas, cobertores e roupas mais elegantes ou acolhedoras, impulsionando as vendas nesses setores”, explica o economista Luiz Gomes. Muitos consumidores aproveitam para comprar presentes ou renovar peças para festas, o que impacta positivamente os setores de vestuário, calçados e artigos para casa, avalia Gomes. “Agora temos as festas juninas acontecendo e o Dia dos Pais em agosto, um calendário de comemorações que proporciona aquecimento nas vendas. A movimentação de turistas em cidades serranas e históricas de Minas Gerais no inverno também ajuda o comércio local. A expectativa de aumento nas viagens internas durante os meses frios também favorece a venda de artigos relacionados ao turismo de inverno”. Em relação às formas de pagamento, o cartão de crédito parcelado lidera a preferência dos consumidores durante a estação fria, com 64,0% das indicações. O Pix aparece em segundo lugar, sendo escolhido por 14,0% das empresas, seguido pelo crediário ou carnê, com 10,5%. A pesquisa também evidencia uma ampla adesão ao comércio eletrônico: 84,5% dos empresários informaram vender por meios digitais. O WhatsApp se destaca como o canal preferido de vendas online, utilizado por 77,9% dos entrevistados. Em seguida vêm o Instagram, com 57,5%, e o Facebook, com 7,1%. Além das redes sociais, 7,1% dos lojistas indicaram utilizar o próprio site para realizar vendas. No que diz respeito à divulgação, 93,6% dos estabelecimentos afirmaram que pretendem investir em ações promocionais durante o inverno. O Instagram continua sendo a principal plataforma de divulgação, com uso declarado por 80,5% das empresas. O WhatsApp segue com 62,2% de adesão, enquanto o Facebook é utilizado por 26,5%. Outras formas de comunicação, como rádio (4,4%), marketing boca a boca (3,8%) e parcerias com influenciadores (2,9%), também são utilizadas. Entre as estratégias adotadas para impulsionar as vendas nesta temporada, as promoções e liquidações são as mais mencionadas, com 34,7%. Já 25,8% planejam investir em publicidade e divulgação. Um atendimento mais personalizado será o diferencial para 10,6% das empresas, enquanto o uso de vitrines chamativas está nos planos de 7,7%. Além disso, 7,2% pretendem apostar no lançamento de novos produtos como forma de atrair clientes. O consultor de vendas Rubens Costas diz que oferecer descontos progressivos, kits promocionais e brindes em compras acima de determinado valor são boas opções. “Estimular o consumo com parcelamentos sem juros ou com entrada para o mês seguinte e criar ações do tipo ‘compre e ganhe’, como brindes térmicos, luvas ou sacolas ecológicas personalizadas”. “Garantir a disponibilidade de itens essenciais para o inverno, oferecer variedade de preços para atingir diferentes perfis de consumidores e investir em treinamento da equipe para que saibam sugerir produtos complementares. Apostar em conteúdo visual, parcerias com influenciadores, utilizar as redes sociais para divulgação e canais de venda direta, criar um sistema de entrega rápida ou retirada em loja, bem como oferecer catálogos digitais por WhatsApp com fotos, preços e disponibilidade de produtos”, conclui.

Consumo pode ter uma alta de 3,01%

Segundo o anuário IPC Maps 2025, as famílias brasileiras deverão gastar cerca de R$ 8,2 trilhões ao longo deste ano. Com base na estimativa atual de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), essa movimentação representará um aumento real de 3,01% em relação a 2024. Mesmo com a elevada taxa de juros e a alta da inflação, o cenário é de otimismo para o consumo, com níveis percentuais bem acima aos da economia. Segundo Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, a “melhoria dos níveis de emprego com carteira assinada proporcionou uma garantia de renda ao trabalhador, refletindo diretamente na escalada dos valores de consumo”. A oferta maior de vagas de emprego formal também influenciou a atual configuração do perfil empresarial do país. Se nos anos anteriores houve um grande aumento na quantidade de empresas abertas, sobretudo de microempreendedores individuais (MEIs), em 2025, o crescimento de 4,2% em relação a 2024 foi puxado principalmente pelas microempresas (MEs) em detrimento das MEIs, cuja quantidade basicamente se manteve. O doutor em economia, Weslley Cantelmo, explica que o país está com um desemprego relativamente baixo, ainda que seja na informalidade, e isso se converte em consumo. “Esse crescimento é sustentável, a médio e longo prazo. Na verdade, é um movimento tendencial que poderia ser até maior e mais qualificado, a depender da democratização da renda, com a ascensão das classes C e D”. Ele destaca ainda que esse aumento no consumo não influencia tanto a inflação. “Óbvio que o consumo interno pode sim levar a um processo inflacionário em alguma medida, principalmente para alguns produtos específicos, como no caso de alimentos. Na atual composição da economia brasileira, há uma inflação sobre os serviços, mas ainda assim está dentro daquilo que vem se encaminhando em termos de incremento de renda”. Hábitos de consumo As preferências dos consumidores na hora de gastar seu dinheiro continuam sendo para a categoria de veículo próprio, cujas despesas devem somar R$ 885,9 bilhões, comprometendo 11,7% do orçamento familiar. Tal comportamento tem se repetido nos últimos cinco anos, chegando a superar, inclusive, segmentos como alimentação e bebidas no domicílio, que representam R$ 780,5 bilhões ou 10,3% do consumo domiciliar. Ainda assim, os itens básicos são prioridade, com grande margem sobre os demais: 25,2% dos desembolsos destinam-se à habitação (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás); 18,7% outras despesas (serviços em geral, reformas, seguros etc.); 6,7% são medicamentos e saúde; e 4,6% alimentação e bebidas fora de casa. Classes D e E Uma pesquisa desenvolvida pela Data-Makers e divulgada com apoio da ONG Gerando Falcões e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) mostra que 59% dos consumidores, com renda até dois salários mínimos, devem aumentar o consumo ainda neste ano, índice superior a todas as outras classes sociais estudadas. De acordo com o levantamento, as classes D e E demonstram maior intenção de aumento de consumo que os demais grupos, chegando a 59%, enquanto a média da população é de 57%. Apenas 6% dos consumidores de baixa renda demonstram intenção em reduzir os gastos neste ano, o que mostra forte tendência de consumo. Cantelmo esclarece que a expectativa de aumento de gasto dessas classes se explica pelo aquecimento do mercado de trabalho. “E junto com os programas sociais importantes permitem que essa faixa de renda mais empobrecida do país consiga permanecer fazendo o consumo dos itens que são básicos para o seu dia a dia”. Porém, o economista alerta sobre o risco de endividamento dessas classes. “Existe um incremento dessa renda a partir do aquecimento do mercado de trabalho, em setores de baixa remuneração, e há também um estímulo no Brasil para o consumo por meio do crédito. O endividamento tem sido uma tônica da economia brasileira nos últimos anos e tem uma tendência de elevação”, finaliza.