Cerca de 30% dos mineiros atrasam o aluguel por conta de apostas on-line

Uma pesquisa inédita feita pela Loft, em parceria com a Offerwise, mostra que quase um terço dos mineiros que pagam aluguel (cerca de 28%) diz ter enfrentado ou conhecido alguém que enfrentou atraso no pagamento devido a apostas ou jogos de azar virtuais. O problema é ainda mais frequente entre as classes C e D, onde o percentual chega a 38%. Entre os entrevistados que jogam, quase um terço (32%) declara investir até R$ 50 por mês em apostas, enquanto 13% desembolsam até R$ 300 mensais. O levantamento indica ainda que o hábito é novo para muitos: mais da metade (52%) começou a apostar há menos de um ano. Nos últimos 12 meses, 32% dos jogadores afirmam ter perdido até R$ 50, e 10% relatam perdas acima de R$ 500. Apenas uma pequena parcela, 13%, conseguiu não ter prejuízo. Mesmo entre quem não possui renda própria, os efeitos são visíveis: 67% perderam até R$ 50, e 33% chegaram a perder até R$ 100. Outros dados são que, em Minas Gerais, 55% dos entrevistados avaliam que as apostas on-line fazem mal à sociedade. Para 78%, elas são responsáveis por agravar o endividamento das famílias. Apesar disso, 30% acreditam que, com equilíbrio, as apostas podem servir como entretenimento, e 28% as veem como uma alternativa para complementar a renda. A maioria dos mineiros pede mais fiscalização: 83% defendem normas mais severas para o setor e 81% dizem que a maior parte dos apostadores perde dinheiro. A economista Renata Tavares destaca que a falta de regulamentação e monitoramento das plataformas é um fator que agrava o cenário. “Hoje, qualquer pessoa com um celular pode se cadastrar em um site de apostas, depositar dinheiro e começar a jogar em minutos. Não há controle efetivo sobre idade, renda ou limites de gasto. Isso cria um ambiente propício para o endividamento e, em casos extremos, para fraudes e lavagem de dinheiro”. Ela ressalta que o setor movimenta bilhões de reais por ano no Brasil, mas boa parte desse dinheiro circula em empresas sediadas no exterior, sem tributação adequada. “A ausência de fiscalização impede que o Estado arrecade impostos e também que o jogador tenha garantias. Em muitos casos, quando há suspeita de fraude ou bloqueio de valores, o consumidor fica completamente desamparado”. Para a profissional, a popularização das apostas está ligada a um contexto de incerteza econômica. “Vivemos um momento em que o custo de vida é alto e o poder de compra diminuiu. As apostas aparecem como uma ilusão de mobilidade financeira rápida, principalmente para quem tem poucas oportunidades. É um fenômeno social que mistura esperança, desespero e entretenimento”. “É uma armadilha que começa com diversão e termina com desespero, visto que o cérebro é programado para buscar recompensas rápidas e as plataformas usam mecanismos semelhantes aos das redes sociais e até de cassinos físicos para manter o jogador engajado. Quanto mais ele perde, mais sente necessidade de apostar novamente para recuperar o prejuízo”, explica. “Dinheiro fácil” Na avaliação do psicólogo Rogério Menezes, o governo precisa encarar o vício em apostas como uma questão de saúde pública. “Hoje, o acesso é irrestrito, qualquer adolescente com um celular pode criar uma conta, usar o cartão dos pais e começar a jogar. Falta uma política de conscientização e, principalmente, mecanismos de proteção, como limites de depósito e bloqueio de contas para jogadores em situação de risco”. Menezes afirma que é essencial que a população seja alertada sobre os perigos do chamado “dinheiro fácil” e defende campanhas educativas semelhantes às realizadas contra o tabagismo, com mensagens claras sobre os riscos do vício. “As pessoas precisam entender que as chances de ganho são mínimas e esses sites não são um investimento, e sim um negócio criado para lucrar com a perda do usuário. O problema não é apenas econômico, quando o jogo passa a ocupar o lugar do trabalho, do estudo ou da convivência familiar, estamos diante de um problema de saúde pública”.

Renda dos trabalhadores informais e autônomos cresce mais que a dos CLT

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a renda média dos trabalhadores informais, no segundo trimestre de 2025, cresceu 6,8%, se comparado com o mesmo período do ano passado. O mesmo aumento foi registrado para os profissionais autônomos, 5,6%. Já o ganho médio de quem tem carteira assinada foi de 2,3%. A renda média dos formais foi de R$ 3.171; dos autônomos, R$ 2.955; e dos informais, R$ 2.213. Segundo a pesquisa, em 2021, os salários dos trabalhadores CLT superavam os dos autônomos em 25%. Hoje, a distância caiu para 7,3%. A professora de economia da Una, Vaníria Ferrari, explica que o aumento da renda dos segmentos informais e autônomos significa maior poder de compra e maior consumo. “Isso impulsiona a economia, no entanto, pode acarretar aumento da inflação (de consumo). Por outro lado, se o crescimento da informalidade vier com menos direitos, menos proteção e menor contribuição, isso deve gerar aumento da vulnerabilidade econômica, ou seja, possibilidade de perdas futuras de renda, devido à imprevisibilidade da remuneração, causando desequilíbrios econômicos”. “Ainda temos que ressaltar a questão previdenciária, menor contribuição, maior risco de sustentabilidade da Previdência Social, consequentemente impactando a aposentadoria. Em 2024, os gastos com Previdência pelo Estado foram de 20,6% do total, só superado pela dívida pública. Dessa forma, se o governo passar a arrecadar menos com a informalidade, o pagamento da aposentadoria corre sérios riscos”, alerta. Impacto no mercado de trabalho Vaníria destaca alguns aspectos importantes que podem impactar o mercado de trabalho. “Muitos trabalhadores, ao terem a opção de um trabalho informal ou autônomo, veem melhores possibilidades de ganho, desestimulando o trabalho formal; e essa ‘migração’ para o trabalho informal, desestimulando o vínculo empregatício, pode pressionar os salários para cima, ou mesmo estimular as contratações via Pessoa Jurídica”. Esse aumento do trabalho informal, com melhores remunerações, gera uma alta da renda agregada, afirma a especialista. “E consequentemente avanço do consumo, o que pode representar crescimento econômico, mas também pode acarretar na alta da inflação; sem falar do impacto na arrecadação de INSS, além da aposentadoria pelo Estado”. A economista pontua também que a remuneração do trabalho informal, mesmo sendo “mensalmente” maior que o trabalho CLT, possui alguns pontos negativos. “Não possui benefícios como férias, 13º salário, plano de saúde, FGTS; e pode ser ‘imprevisível’, ou seja, não é uma remuneração fixa que o trabalhador recebe todo mês e pode programar financiamentos e projetos. Ele precisa ter mais controle financeiro para suprir meses com ganhos menores”. Recorde de carteira assinada Apesar do aumento da distância entre as rendas, o número de empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada renovou seu recorde, chegando aos 39,229 milhões, mostrando estabilidade no trimestre encerrado em setembro. Na comparação anual, esse contingente cresceu 2,7% (mais 1 milhão de pessoas). Já o índice de empregados no setor público (12,8 milhões) ficou estável no trimestre e subiu 2,4% (mais 299 mil pessoas) no ano, segundo dados da Pnad Contínua. “O mercado de trabalho aquecido proporciona uma alteração do perfil das contratações, pois com menor disponibilidade relativa de mão de obra, as contratações somente acontecem com mais benefícios para os trabalhadores, como a carteira assinada”, ressalta o analista da pesquisa, William Kratochwill, por meio de nota. Já o índice de informalidade foi de 37,8% da população ocupada, ou o equivalente a 38,7 milhões de trabalhadores informais, repetindo os 37,8 % do trimestre móvel anterior. No entanto, esta taxa ficou abaixo dos 38,8% (ou 39,2 milhões de trabalhadores informais) do trimestre encerrado em setembro de 2024.

Comércio espera alta de até 40% nas vendas na Black Friday

O comércio mineiro está otimista para a Black Friday deste ano. Segundo a pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), 94,9% das empresas varejistas conhecem a data e 39,2% afirmaram que participarão das ações de vendas, percentual superior ao de 2024 (37,9%). O evento acontece em 28 de novembro. A economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, explica que a data vem se consolidando no calendário do varejo nacional. “Ano após ano, observamos um crescimento tanto no número de empresas que conhecem a data quanto naquelas que participam. Isso mostra que o comércio incorporou a data como parte essencial da estratégia de vendas, criando um verdadeiro ‘super trimestre’ entre o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal”. O estudo revela que 63,3% dos empresários calculam um aumento de até 40% nas vendas, enquanto 10,8% acreditam que a alta pode ultrapassar 50%. Para 15% das empresas, os descontos devem superar 50%. “Mesmo com juros altos e famílias endividadas, os empresários esperam que as promoções atraiam o consumidor que está mais cauteloso. O preço é o principal chamariz, e o período é uma oportunidade para girar estoque e fidelizar novos clientes”. Gabriela ressalta que a Black Friday ajuda o comércio a manter o ritmo de consumo em um contexto econômico ainda sensível. “Os lojistas entenderam que o evento não prejudica o Natal, pelo contrário: 22,9% acreditam que há um efeito positivo, pois aproxima o consumidor da loja e estimula novas compras no fim do ano. O estigma de que a data atrapalha as vendas natalinas tem perdido força”. Ela observa que o equilíbrio entre descontos atrativos e planejamento financeiro é o que garante bons resultados. “Descontos agressivos são bem-vindos, mas é preciso cuidado para que as reduções não comprometam a margem do empresário. Quando bem aplicada, a estratégia é benéfica para todos”. Consumidor atento Para a economista Valquíria Assis, o consumidor brasileiro está cada vez mais atento e seletivo nas compras. “A maioria das famílias ainda enfrenta alto nível de endividamento, principalmente com cartão de crédito, o que limita o consumo. Por isso, o cliente pesquisa antes, compara preços e busca credibilidade. Ele quer desconto, mas também segurança de que o produto será entregue e o valor é real”. A Black Friday passou a fazer parte do planejamento financeiro das famílias, destaca Valquíria. “Muitos consumidores se programam o ano inteiro para aproveitar as promoções, inclusive antecipando as compras de Natal. É um momento de grande expectativa e também de aumento no fluxo das lojas”. O levantamento mostra que 70,6% das empresas que não participarão da Black Friday simplesmente optaram por não aderir. Na avaliação de Gabriela, isso reflete a diversidade do comércio mineiro. “Há negócios que preferem não entrar nesse tipo de campanha, seja pela natureza do produto, seja pela estratégia comercial. Ainda assim, o número de participantes vem crescendo e consolidando a data como uma das mais relevantes do varejo”. Final de ano Valquíria lembra que apesar dos desafios econômicos, há fatores que sustentam o otimismo. “O aumento da renda, a queda gradual do desemprego e a expectativa das compras de fim de ano ajudam a impulsionar o consumo. Além disso, a Black Friday antecede o período mais forte do varejo, que é o Natal, quando entram em cena o 13º salário e as comemorações familiares”. Para Gabriela, o desempenho da data será um termômetro para o comportamento do consumidor até o início de 2026. “Quando o varejo vai bem na Black Friday, a tendência é de um Natal aquecido. É uma oportunidade de fortalecer a confiança, girar estoques e consolidar o relacionamento entre lojistas e clientes”, finaliza.

Setor supermercadista projeta uma expansão de 6,8% no último trimestre

O setor de supermercados em Minas Gerais entra em ritmo de otimismo para o último trimestre de 2025. Dados divulgados recentemente pela Associação Mineira de Supermercados (AMIS) apontam que as vendas desse período devem crescer aproximadamente 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse índice, se confirmado, representa um avanço significativo e indica que o segmento está preparado para ultrapassar as expectativas iniciais. Segundo o levantamento, a estimativa para o ano como um todo era de um crescimento mais modesto, cerca de 3,3% frente a 2024. Entretanto, o bom desempenho acumulado, com alta em torno de 2,98% no período de janeiro a agosto, já sinalizava que o segmento poderia terminar o ano além da projeção inicial. Entre os fatores que sustentam essa previsão de crescimento estão a queda da taxa de desemprego no Estado, a melhora gradual da renda das famílias mineiras e a retomada do consumo. A AMIS aponta que esse conjunto cria um ambiente favorável para o varejo supermercadista em Minas Gerais. Para a economista Cláudia Menezes, o setor supermercadista mineiro chega ao fim de 2025 mais forte e confiante. “O consumidor está voltando às compras com mais segurança, e os supermercados estão preparados para atender a essa demanda com sortimento, preço competitivo e qualidade no atendimento. As vendas de Natal e Ano Novo devem representar o ponto alto desse crescimento, impulsionadas por produtos típicos de fim de ano, como panetones, vinhos e frutas frescas”. As estimativas indicam um aumento na procura por diversos produtos que compõem a tradicional cesta de compras do fim de ano. As frutas frescas, por exemplo, devem registrar crescimento de 8,6% na demanda. O consumo de vinhos tende a subir 7,8%, enquanto os panetones apresentam expectativa de alta de 6,7%, segundo as projeções dos entrevistados. No grupo das bebidas geladas, as cervejas devem ter avanço de 7,9% no consumo. Já os sucos apontam para um crescimento de 6,1%, e os refrigerantes, de 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os destaques, as cervejas sem álcool continuam em expansão, com previsão de aumento de 9,3% nas vendas. Cláudia explica que o otimismo do setor está diretamente ligado à recuperação gradual da economia mineira e ao aumento do poder de compra das famílias. “Minas Gerais vive um momento de estabilidade econômica, com inflação mais controlada e melhora na taxa de ocupação do mercado de trabalho. Isso se reflete no bolso do consumidor, que volta a consumir produtos de maior valor agregado, especialmente em períodos festivos”. Para o pesquisador de mercado Felipe Tavares, a diversificação do consumo também é um dos pilares desse crescimento. “O mineiro tem valorizado mais a qualidade e a conveniência. Há um aumento nas compras de produtos premium, vinhos, itens regionais e alimentos prontos. Essa mudança de comportamento é percebida por toda a cadeia varejista e reforça a importância da adaptação dos supermercados às novas demandas do público”. “Os supermercados têm investido em estratégias de inovação, digitalização e eficiência operacional. A aposta em programas de fidelidade, aplicativos de descontos personalizados e integração entre loja física e e-commerce tem se mostrado essencial para ampliar as vendas e manter a competitividade. Além disso, a personalização da experiência de compra e a oferta de produtos regionais têm se destacado como diferenciais”, explica. De acordo com a pesquisa, aproximadamente 8.200 profissionais deverão ser contratados temporariamente pelo setor. O estudo também aponta que 59,4% das empresas pretendem realizar contratações sazonais, enquanto 40,6% dos supermercadistas afirmaram não adotar esse tipo de contratação. Cerca de 21,5% dos trabalhadores temporários acabam sendo efetivados ao término do contrato. Por outro lado, 39% dos participantes da pesquisa informaram que as contratações ocorrem apenas para suprir a demanda extra do período de fim de ano. “Os últimos meses são um momento de pico no consumo e exige agilidade no atendimento. As contratações temporárias garantem que as lojas mantenham a qualidade no serviço mesmo com o aumento da movimentação. Essas vagas são uma porta de entrada para quem busca recolocação ou o primeiro emprego e a efetivação depende muito do desempenho e da necessidade da loja após o período sazonal”, ressalta Tavares.

Mercado imobiliário deve crescer com crédito e programa habitacional

A criação de uma nova linha de financiamento habitacional pelo governo federal, com teto ampliado de R$ 2,25 milhões, financiamento de até 80% pela Caixa Econômica Federal e uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para entrada ou amortização, deve movimentar o setor da construção civil e aumentar o acesso da classe média ao crédito imobiliário. Essa iniciativa chega em um momento de recuperação gradual da construção civil, que cresceu 3,2% no segundo trimestre, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o Banco Central estima que a nova política possa injetar R$ 111 bilhões no setor somente no primeiro ano. Para o economista Noé Santiago, o efeito deve ser rápido. “Mais crédito significa mais negócios. Com o teto ampliado e condições acessíveis, o mercado volta a gerar oportunidades para quem quer crescer com responsabilidade”. Santiago explica que o crédito é o principal motor do setor. “É o termômetro mais sensível do mercado imobiliário. Quando o financiamento flui, o setor inteiro responde. Do corretor ao engenheiro, do incorporador ao fornecedor”. Além de impulsionar as compras, a nova linha de crédito deve gerar um efeito em cadeia. “Cada imóvel financiado movimenta dezenas de segmentos. Da engenharia à decoração, criando um efeito dominó positivo para a economia. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), cada R$ 1 investido na construção civil gera R$ 1,88 em retorno para a economia, um dos maiores multiplicadores entre todos os setores produtivos”, destaca o economista. Ainda assim, Noé alerta que a transição até 2027 exigirá atenção. “O momento é de planejamento. Com mais instituições competindo, o empresário que se antecipa pode aproveitar taxas melhores e crédito mais saudável. Mas a execução precisa ser coordenada, com regras claras e liberação efetiva de recursos”. “Reforma Casa Brasil” O governo também lançou o “Reforma Casa Brasil”, um programa que destinará R$ 40 bilhões para empréstimos de reformas residenciais, voltado a famílias que desejam melhorar o conforto e a segurança de suas moradias. De acordo com o advogado especialista em Direito do Consumidor, Stefano Ribeiro Ferri, o programa é positivo, mas exige cautela. “Nem todo crédito do governo é automaticamente vantajoso. É preciso olhar com atenção a taxa de juros, o indexador usado, o custo total da operação e as garantias exigidas”. As taxas do programa variam de 1,17% ao mês para famílias com renda até R$ 3.200 e 1,95% ao mês para rendas entre R$ 3.200 e R$ 9.600, com parcelas limitadas a 25% da renda familiar. Ferri recomenda cuidado com o orçamento. “O ideal é calcular com base na renda líquida e considerar outras dívidas já existentes. Se o orçamento estiver muito apertado, qualquer imprevisto pode levar à inadimplência. Reformas costumam ter imprevistos que aumentam o custo final”. O advogado reforça a importância de atenção aos contratos. “O consumidor deve verificar se o contrato contém cláusulas claras sobre juros, correção monetária, garantias e condições de vencimento antecipado. É essencial ler tudo antes da assinatura e exigir cópia integral do documento”, explica. Ele também alerta para os riscos da expansão do crédito imobiliário. “A elevação dos tetos e a flexibilização do uso do FGTS podem estimular o endividamento das famílias, especialmente se as instituições privadas ampliarem crédito sem análise rigorosa. Há também o risco de desigualdade de acesso, já que consumidores com melhor score tendem a ser privilegiados”. Estímulo ao setor Para Santiago, o programa de reformas complementa a nova política habitacional. “Embora o impacto macroeconômico seja menor que o da compra de imóveis, ele gera movimento imediato na base da cadeia, ativando o varejo de materiais, pequenas construtoras e prestadores de serviço. É uma medida com alto potencial social e econômico, desde que venha acompanhada de gestão e fiscalização”. “O crédito precisa ser usado com responsabilidade. Tanto por quem constrói quanto por quem contrata. Se aplicado com planejamento, o resultado é crescimento sustentável e geração de renda”, finaliza.

Café, ouro e ferro-ligas são destaques nas vendas externas de MG

De janeiro a setembro, o café, o ouro e as ferro-ligas lideraram o crescimento das vendas externas. O café teve alta de 48% se comparado com o período anterior, com o montante de US$ 2,5 bilhões nas exportações. O ouro também apresentou progresso de US$ 991,2 milhões (81,1%), já as ferro-ligas aparecem com um incremento de US$ 211,4 milhões (13,1%), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No geral, o Estado alcançou US$ 33 bilhões em exportações no período, com aumento de 3,9%. Minas Gerais foi responsável por 12,8% das vendas internacionais brasileiras, sendo o terceiro principal exportador nacional. Além desse destaque, no acumulado de 2025, o saldo da balança comercial atingiu superávit de US$ 19,3 bilhões. No fluxo comercial, foi registrado US$ 46,7 bilhões. O resultado é 5,7% superior ao observado no mesmo período de 2024. As parcerias comerciais também apresentaram crescimento. Até setembro, Minas exportou para dez países a mais que no mesmo período do ano anterior. Houve aumento no montante exportado para 100 mercados, entre os quais o Canadá liderou, com alta de US$ 515,6 milhões (67,8%). Na sequência estiveram a Argentina (US$ 457,5 milhões ou 41,9%); o Reino Unido (US$ 412,8 milhões ou 93,7%); os Estados Unidos (US$ 255,2 milhões ou 81%); e a Alemanha (US$ 224,6 milhões ou 21,2%). A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destaca que Minas Gerais acumula números cada vez maiores ao longo do ano no comércio exterior. “O crescimento das exportações demonstra que as ações do Governo de Minas vêm ampliando mais mercados e fortalecendo a presença das empresas mineiras no cenário internacional”. O economista Gelton Pinto Coelho afirma que Minas segue uma tendência nacional. “Neste sentido, a busca por novos mercados e a ampliação das compras chinesas, substituindo parte do mercado norte-americano, ajudaram a reduzir os riscos e turbulências externas causadas pelas medidas do presidente americano, Donald Trump”. Coelho ressalta ainda que o Estado tem consolidado, de forma expressiva, a produção de café. “Com a adoção de tarifas pelos Estados Unidos, necessariamente houve crescimento das exportações para Alemanha, Itália e Japão. É fundamental destacar que apesar do ganho imediato, a exportação ainda não agrega o valor que poderia, se adotássemos medidas de industrialização mais adequadas. Se por um lado podemos comemorar as vendas, por outro, esse produto poderia gerar mais emprego e renda. Portanto, é importante construirmos políticas públicas para não continuarmos como meros exportadores”. Sobre a questão do ouro, o economista observa que há situações institucionais e também ganho de produtividade. “Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão que colocou fim à presunção de boa-fé, ou seja, os vendedores precisam identificar a origem legal para comercializá-lo. Isso fortaleceu o controle e, portanto, pode aprimorar a transparência da exportação do ouro mineiro. Por outro lado, é perceptível em Sabará, por exemplo, a ampliação e modernização da mina Cuiabá, garantindo maior volume de ouro processado e exportado”. Setembro No nono mês de 2025, Minas Gerais foi o segundo principal exportador do Brasil, com US$ 3,8 bilhões somados nas exportações, o que representa crescimento de 6,5% frente ao mesmo período do ano anterior. Minas foi o Estado com o maior saldo positivo na balança comercial (US$ 2,1 bilhões). Nova Lima e Varginha foram as cidades que lideraram nas exportações no período, sendo responsáveis por 6,7% das vendas internacionais, seguidas por Araxá (6,4%); Paracatu (5,1%) e Guaxupé (4,5%). Na avaliação do especialista, parece bem encaminhado o processo de negociações com os Estados Unidos. “Porém, ainda não foram superadas as barreiras para alguns setores importantes da economia mineira. Neste sentido, a estratégia de diversificação e ampliação de mercados é fundamental para mantermos a expansão do índice de exportação que temos alcançado. Não há motivos para comemorar exageradamente, mas não podemos ser pessimistas como estávamos a poucos meses”.

Estado registra abertura de cerca de 88 mil novos empreendimentos

Minas Gerais está prestes a alcançar um marco histórico na criação de empresas. De janeiro a setembro deste ano, foram formalizados 87.913 novos empreendimentos no Estado, um crescimento de 17,95% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 74.536 negócios. Apenas em setembro, 9.255 empresas foram abertas, o que equivale a mais de 300 novos registros por dia. As informações fazem parte do relatório mensal de registros mercantis divulgado pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg). As regiões dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri lideraram em termos de crescimento proporcional, com aumento de 28,80% no acumulado do ano. Na sequência, destacam-se as regiões Central (20,02%), Norte de Minas (19,86%), Centro-Oeste (18,28%), Zona da Mata (16,94%), Triângulo (14,26%), Sul de Minas (13,62%), Alto Paranaíba (13,12%) e Noroeste (8,65%). Ao analisar os dados por setor, os serviços lideram o crescimento no acumulado do ano, com 65.377 novos empreendimentos formalizados, uma elevação de 20,64% em relação aos primeiros nove meses de 2024. O comércio vem logo depois, com 18.515 registros e aumento de 10,80%, seguido pela indústria, que contabilizou 4.020 novas empresas, representando uma alta de 10,74%. Em 2025, Belo Horizonte já contabiliza 21.495 empresas formalizadas, o que representa um crescimento de 7,94% em comparação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 19.913 aberturas. Apenas no mês de setembro, foram criados 2.573 novos negócios na capital mineira, um aumento de 15,95% em relação a setembro do ano anterior, que teve 2.219 registros. Para o consultor de mercado Fernando Lage, o cenário atual é resultado direto de uma maior confiança dos empreendedores e da simplificação dos processos burocráticos nos últimos anos. “A abertura de empresas em Minas tem sido cada vez mais rápida e menos custosa. A digitalização dos serviços da Junta Comercial, aliada a políticas municipais e estaduais de estímulo ao empreendedorismo, tem feito uma diferença considerável, hoje, o empresário consegue abrir seu negócio com muito mais agilidade e segurança jurídica”. Outro fator determinante para esse avanço, segundo os especialistas, é o fortalecimento da cultura empreendedora no Estado, especialmente após os impactos provocados pela pandemia. “Muita gente perdeu o emprego ou repensou sua vida profissional nos últimos anos, e viu no empreendedorismo uma forma de retomar o controle da própria renda”, analisa Lage. Ele observa que, embora muitos desses empreendimentos surjam da necessidade, há cada vez mais casos de empresas bem planejadas, estruturadas e com boas chances de prosperar. “A gente nota que o perfil do empreendedor está mudando. As pessoas estão mais preocupadas em entender seu público, usar ferramentas digitais, cuidar do marketing e buscar capacitação. Isso é extremamente positivo”. Desafios Apesar dos números positivos, a economista Camila Ribeiro alerta que o desafio agora é garantir que essas novas empresas sobrevivam e prosperem. O índice de mortalidade de empresas nos primeiros anos de atividade ainda é alto no Brasil, especialmente entre os microempreendedores individuais (MEIs) e os pequenos negócios, que costumam enfrentar dificuldades de gestão, acesso a crédito e capacitação. “O número de aberturas é animador, mas é preciso garantir sustentabilidade a médio e longo prazo. Para isso, o apoio técnico é fundamental. Políticas públicas devem estar voltadas não apenas à abertura, mas também à manutenção dos negócios”, alerta. Camila também destaca que o acesso a linhas de financiamento e crédito com juros acessíveis precisa ser ampliado. “Muitos empreendedores iniciam seus negócios com recursos próprios ou empréstimos informais. Se houver mais linhas de crédito específicas para capital de giro, inovação e expansão, a chance de crescimento dessas empresas será muito maior”. Para que Minas Gerais siga atraindo e desenvolvendo novos negócios, algumas ações são fundamentais, segundo Camila. “A principal delas é manter e ampliar as políticas de desburocratização, garantindo mais agilidade e redução de custos para quem empreende. Também é essencial investir na capacitação técnica dos novos empresários, com apoio de instituições como Sebrae, Senac e universidades”. Outro ponto importante é o incentivo à inovação e à digitalização, sobretudo para quem atua nos setores de tecnologia, e-commerce e serviços digitais.

Franquias registram faturamento de R$ 69,9 bilhões no segundo trimestre

Segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho, realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de franquias atingiu R$ 69,9 bilhões em faturamento no segundo trimestre deste ano, um crescimento de 14,2%. Fatores positivos da economia, tais como a elevada taxa de emprego e o aumento da massa salarial, explicam esse avanço. Os segmentos que mais se destacaram foram: Alimentação – Comercialização e Distribuição (+44,0%), impulsionado pela sazonalidade da Páscoa, com o aumento no consumo de chocolates e maior procura por produtos de alto valor agregado. O fortalecimento dos mercados autônomos, lojas de conveniência, cafeterias também contribuíram para esse resultado; Entretenimento e Lazer (+15,7%) beneficiado pelo aumento da renda real das famílias, pela mudança de comportamento gerada no pós-pandemia, pelo avanço de experiências digitais e imersivas e atividades indoor. Além do segmento de Limpeza e Conservação (+15,4%), impulsionado pelo aumento do serviço de lavanderias de autoatendimento, impactada com a redução no espaço das moradias, queda na mão de obra doméstica, entre outros fatores comportamentais das populações mais jovens. Na sequência, também se destacaram: Alimentação Food Service (14,2%), Saúde, Beleza e Bem-Estar (12,5%), Serviços e Outros Negócios (11,5%), Moda e Serviços Automotivos (11,4%). “O resultado do trimestre mostra mais uma vez o dinamismo e a constante evolução do franchising no Brasil. O setor de franquias tem alta capacidade de transformar ideias em negócios e promover o crescimento coletivo, contribuindo significativamente para o desenvolvimento socioeconômico do país”, afirma Tom Moreira Leite, presidente da ABF. Para o economista Bruno Corano, o crescimento do setor não é sustentável a longo prazo. “Porém, o avanço do franchising vem de forma constante nesses últimos 40 anos e vai seguir crescendo, porque é uma tendência normal, com a diminuição de lojas de negócios familiares. Isso é o que diferencia uma economia provinciana de uma economia mais madura”. Corano afirma que o setor não tem nenhum risco diretamente. “O maior seria a economia. A indústria do franchising é um reflexo de como está o consumo e a economia do país. Em geral, o desempenho do setor cresce mais do que outros segmentos do varejo. Historicamente, avança 30% mais quando comparado a outras referências”. 200 mil operações Ainda segundo o estudo, o setor de franquias brasileiro ultrapassou o número de 200 mil operações em funcionamento, com incremento de 7.449 frente ao mesmo período do ano passado. Comparando as aberturas e fechamentos, o saldo também é positivo, de +2,3%. Já o número de trabalhadores diretos no segmento é da ordem de 1,745 milhão no trimestre. Os multifranqueados (empresários donos de duas ou mais operações mono ou multimarca) continuam em ascensão nas empresas franqueadoras. Conforme a pesquisa, 88% das marcas respondentes contam com multifranqueados em suas redes. Chama atenção, o crescimento da participação de franqueados multimarcas, que saltaram de 51% para 62%. O economista destaca que o franchising traz vários benefícios, tanto para o empreendedor quanto para o consumidor. “Para o consumidor, o benefício principal é a referência. Do momento em que ele conhece uma marca e que tem múltiplas lojas, já sabe o que esperar. E, do lado do empreendedor, ele recebe a inteligência de uma empresa franqueadora que pensa em inúmeras coisas que sozinho teria mais dificuldade, como desenvolvimento de produto, estratégia e posicionamento de marca. Isso faz a indústria crescer”. Uma política pública, dentro dos critérios, que ajudaria o desenvolvimento do setor seria algo do tipo do Small Business Administration (SBA), ressalta Corano. “É uma instituição parecida com o Sebrae, nos Estados Unidos, só que é muito maior e é do governo. Tem recursos e financia o empreendedor que deseja abrir um negócio, não só uma franquia. O SBA financia mais de 90% do investimento com prazos longos e juros ainda mais baixos do que os habituais do Brasil”, finaliza.

Vendas para o Dia das Crianças devem chegar a quase R$ 10 bilhões no país

As expectativas para o Dia das Crianças indicam que o comércio deve movimentar cerca de R$ 9,96 bilhões neste ano. Isso representa um crescimento de 1,1% em comparação ao mesmo período de 2024, quando as vendas alcançaram R$ 9,85 bilhões. Se essa estimativa for alcançada, será o melhor resultado da data nos últimos 12 anos. A projeção foi divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor estimado para este ano só é superado pelo registrado em 2014, quando o volume de vendas chegou a R$ 10,5 bilhões. Os números estão corrigidos pela inflação. O Dia das Crianças ocupa a terceira posição entre as datas mais relevantes para o varejo brasileiro, ficando atrás apenas do Natal, que movimentou R$ 72,8 bilhões em 2024, e do Dia das Mães, com R$ 14,5 bilhões em 2025. Segundo dados da CNC, o setor de roupas e calçados deve concentrar a maior parte das vendas, respondendo por 27% do total estimado. De acordo com o economista Luiz Fernando Ribeiro, o pequeno avanço nas vendas pode ser interpretado como um sinal de estabilidade no comportamento do consumidor. “O brasileiro continua valorizando datas comemorativas, mas ainda enfrenta limitações de renda e alto comprometimento do orçamento familiar. Isso leva à priorização dos gastos e a escolhas mais conscientes na hora de presentear”. Os juros elevados e o crédito mais restrito continuam sendo obstáculos importantes. “Muitas famílias estão endividadas ou com acesso limitado a linhas de crédito. Isso reduz a capacidade de consumo, mesmo diante da intenção de comprar presentes”, explica. Com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), a CNC projeta que a cesta de 11 grupos de bens e serviços típicos do Dia das Crianças terá um aumento médio de 8,5% em comparação com 2024. Esse crescimento nos preços deve ser impulsionado principalmente por alimentos, como chocolates (alta de 24,7%), doces (13,9%) e lanches variados (10,9%). Por outro lado, produtos tradicionalmente mais procurados na data, como brinquedos e roupas, devem apresentar reajustes abaixo da média geral, com uma elevação estimada de 4,6%. Apesar das limitações, o impacto das vendas do Dia das Crianças sobre a economia não deve ser subestimado. A movimentação de quase R$ 10 bilhões ajuda a aquecer a cadeia produtiva, gera empregos temporários e eleva a arrecadação de tributos. “É uma data que mobiliza desde a indústria de brinquedos até os pequenos comércios de bairro. O aumento na circulação de dinheiro impulsiona a economia local e regional”, destaca Fabiana Moura, consultora de mercado. Ela também ressalta que muitas lojas aproveitam o período para lançar promoções e queimas de estoque, o que pode ser uma estratégia eficaz tanto para atrair consumidores quanto para se preparar para o final do ano. “O Dia das Crianças serve como termômetro para o varejo projetar o Natal. Se a resposta do consumidor for positiva, é provável que os lojistas se sintam mais confiantes para investir em estoques maiores no fim do ano”. O cenário ainda inspira cautela. “A recuperação do poder de compra depende diretamente de uma melhora no mercado de trabalho e de políticas mais efetivas de controle do endividamento das famílias. A continuidade dos juros altos também pode frear o ritmo de crescimento do consumo nos próximos meses”, explica Fabiana. Para os especialistas, o momento exige equilíbrio entre otimismo e responsabilidade financeira. “As datas comemorativas são importantes para o comércio e para a economia como um todo, mas os consumidores não podem se deixar levar pelo apelo emocional e comprometer o orçamento familiar”, alerta Ribeiro. Em meio aos desafios, o Dia das Crianças de 2025 promete movimentar o comércio e trazer algum alívio para lojistas e trabalhadores do setor. Ainda que a recuperação seja lenta, o ritmo positivo acende uma luz de esperança para o fim de ano, tradicionalmente, a temporada mais lucrativa para o varejo brasileiro.

Preço da cesta básica recua em BH, mas ainda pesa para o trabalhador

O custo da cesta básica em Belo Horizonte voltou a cair em setembro e chegou a R$ 739,09, segundo levantamento da Fundação Ipead/UFMG. A redução foi de 0,46% em relação a agosto, marcando o sexto mês consecutivo de queda. No acumulado de 2025, a redução é de 1,20%. Mas em 12 meses, a cesta registra uma alta de 7,36%. Atualmente, o custo da cesta representa 48,69% do salário mínimo (R$ 1.518), o que significa que quase metade da renda de um trabalhador é consumida apenas com alimentação. Segundo o gerente de pesquisas do Ipead, Eduardo Antunes, o aumento acumulado no ano é resultado de fatores climáticos e econômicos que afetaram a produção e o custo de insumos. “Essa elevação no longo prazo é explicada principalmente por aumentos significativos em itens específicos, influenciados por condições climáticas adversas, variações cambiais e pressões na cadeia de suprimentos”. “O café moído, por exemplo, registrou uma variação de +44,38% em 12 meses, impulsionado por problemas na safra 2024/2025 e valorização do dólar. Outros produtos, como tomate, chã de dentro e óleo de soja, também contribuíram para essa pressão”, acrescenta. Antunes destaca que os produtos que mais recuaram, tomate (-17,54%) e batata inglesa (-6,12%), são altamente sensíveis à sazonalidade. “Eles são hortaliças dependentes das condições climáticas. Setembro marca uma safra mais abundante, com colheitas favorecidas pelo clima mais estável no Sudeste. Já a manteiga caiu devido à maior produção de leite na primavera, que aumenta a oferta de derivados lácteos”. Apesar disso, alguns itens seguem em alta, como a banana caturra (5,54%), o óleo de soja (5,20%) e o feijão carioca (5,03%). “Essas elevações refletem a combinação de menor oferta e demanda aquecida, além da expectativa de maior uso de soja para produção de biodiesel”. Diferenças entre supermercados Um levantamento realizado pelo site Mercado Mineiro, em parceria com o aplicativo comOferta, revelou fortes variações de preços entre supermercados e atacarejos da Região Metropolitana de BH. O arroz Camil 5 kg foi encontrado entre R$ 18,99 e R$ 25,99, uma diferença de 36,8%, e o arroz Tio João 5 kg, entre R$ 26,90 e R$ 38,99, variação de 45%. Já o feijão carioca Galante 1 kg subiu de R$ 7,97 para R$ 9,62, alta de 20,7%, enquanto o óleo de soja Veleiro (900 ml) passou de R$ 7,09 para R$ 8,42, um aumento de 18,8%. O pente de ovos vermelhos com 20 unidades variou 70% entre os estabelecimentos (de R$ 12,90 a R$ 21,99), e a maionese Liza (450g) apresentou variação de 74%, indo de R$ 6,58 a R$ 11,49. Para o coordenador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, a principal orientação é pesquisar antes de comprar, já que as diferenças entre marcas e locais são grandes. “Nós encontramos variações superiores a 60% para o mesmo produto em supermercados próximos. É importante que o consumidor pesquise, especialmente em tempos de orçamento apertado. Se não for apegado a marcas, é possível economizar até 90% em alguns itens”, afirma. O comportamento recente do mercado mostra movimentos opostos, avalia Antunes. “Enquanto o arroz caiu, produtos como feijão, café e óleo de soja voltaram a subir. O arroz teve reduções médias de 8%, mas o feijão carioca, o óleo e o café dispararam. São produtos de primeira necessidade, que continuam pressionando o bolso do consumidor”, ressalta. Perspectivas para o fim do ano O Ipead prevê que a cesta básica pode manter a tendência de estabilidade até o fim de 2025, mas alerta que o período de festas e possíveis impactos climáticos ainda podem elevar os preços. “A tendência é de continuidade das reduções moderadas, mas há riscos de alta sazonal. Mesmo com a queda recente, o custo da alimentação ainda compromete quase metade do salário mínimo, um patamar que mostra a erosão do poder de compra e o peso dos alimentos no orçamento familiar”, conclui Antunes.