Mensalidades de berçários e maternais para 2026 na capital variam até 426%

O aumento previsto para 2026 nas mensalidades de berçários e maternais particulares de Belo Horizonte acende um alerta para as famílias. Uma pesquisa do site Mercado Mineiro aponta que os preços devem subir significativamente no próximo ano, reforçando uma tendência que já vem sendo observada: o encarecimento contínuo do ensino privado para a primeira infância. Segundo o estudo, os valores praticados pelos berçários no período integral vão de R$ 920 a R$ 4.841, uma diferença de 426,20% entre a mensalidade mais baixa e a mais alta. Para meio período, os preços vão de R$ 650 a R$ 2.710, variação de 316,92%. Já nos maternais, a pesquisa indica que os turnos da manhã ou tarde custam entre R$ 650 e R$ 3.024,50 (oscilação de 365%), enquanto o período integral deve ficar entre R$ 920 e R$ 4.191,70, diferença de 356%. As cobranças extras também apresentam variações significativas. No caso do maternal, a taxa de material varia entre R$ 160 e R$ 1.200, uma oscilação de cerca de 650%. O valor do lanche também muda bastante, custando de R$ 55 a R$ 418, o que representa uma variação próxima de 660%. O levantamento também identificou aumentos ao comparar as médias cobradas em 2025 e 2026. No maternal, o turno da manhã registrou elevação de R$ 1.568,59 para R$ 1.658, o que representa um acréscimo de 5,70%. Já no período da tarde, o valor médio passou de R$ 1.563,49 para R$ 1.675,03, um avanço de 7,13%. Para o horário integral, a média foi de R$ 2.386,97 para R$ 2.584,34, correspondendo a uma alta de 8,27%. No caso do berçário, o meio período apresentou o reajuste mais expressivo: a mensalidade média aumentou de R$ 1.390,30 para R$ 1.604,18, uma variação de 15,38%. No integral, os valores passaram de R$ 2.260,11 para R$ 2.426,33, crescimento de 7,35%. Para o economista Marcelo Rangel, a elevação reflete a soma de múltiplos fatores. “O ensino infantil é um dos segmentos mais caros para manter porque exige alta proporção de profissionais por criança, estrutura adequada, alimentação balanceada, materiais pedagógicos específicos e cumprimento rigoroso de normas de segurança. Com a inflação de serviços pressionando todos esses custos, as escolas não conseguem segurar os reajustes”. Ele destaca ainda que Belo Horizonte tem um mercado muito heterogêneo, com escolas de pequeno, médio e grande porte convivendo na mesma região, o que explica parte das variações expressivas. “Uma escola de bairro, com equipe reduzida, cobra valores completamente diferentes de uma instituição bilíngue que oferece alimentação completa, monitoramento por câmeras e atividades extras. Isso cria uma disparidade que assusta, mas que faz parte da estrutura de oferta atual”. O impacto desse aumento é significativo para muitos pais, sobretudo aqueles que dependem do período integral para conciliar a rotina de trabalho. “Eles precisam agir com meses de antecedência. Visitar escolas, comparar preços, analisar o que está incluso e, principalmente, verificar taxas extras. Às vezes, o valor da mensalidade é apenas parte do custo anual, que pode incluir matrícula alta, material escolar, refeições e atividades extras”. Rangel sugere que as famílias considerem alternativas que não envolvem necessariamente os estabelecimentos mais caros. “Escolas menores oferecem excelente qualidade e preços acessíveis. Além disso, vale verificar instituições cooperativas ou centros educacionais comunitários credenciados, que têm custos mais baixos, mas boa estrutura”. Outro ponto citado pelos especialistas é a possibilidade de negociar condições. O consultor financeiro Guilherme Ferraz explica que algumas instituições estão abertas a conversar, especialmente para contratos anuais ou pagamento antecipado. “Algumas escolas dão abatimentos progressivos, descontos para irmãos ou isentam taxas para fidelização. Transparência e diálogo ajudam os pais a não serem pegos de surpresa”. A expectativa é de que o cenário siga pressionado ao longo de 2026, especialmente em bairros onde a oferta é reduzida ou em regiões no qual o perfil socioeconômico é mais alto. Na visão de Ferraz, o desafio será equilibrar o orçamento familiar sem abrir mão da qualidade. “Educação infantil não é gasto, mas sim investimento. Para evitar o endividamento, as famílias devem buscar opções compatíveis com sua renda e lembrar que qualidade não é sinônimo de luxo”.
Comércio de BH prevê movimentação de R$ 2,55 bilhões durante dezembro

O mês de dezembro deve confirmar o melhor momento do varejo em Belo Horizonte em 2025. Segundo o Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH), a expectativa é que o comércio do capital mineira movimente R$ 2,55 bilhões durante o período natalino, alto estimado de cerco de 1% em relação do ano passado, quando o mercado registrou R$ 2,53 bilhões no mesmo período. A pesquisa realizado pela entidade apontou que 49% dos consumidores pretendem fazer compras de Natal, e 82% afirmam que irão às lojas físicas, o que reforço o poder do comércio presencial na capital. Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o cenário reflete o comportamento tradicional do público mineiro, que pesquisa on-line, mas finaliza a compro presencialmente. “O consumidor de Belo Horizonte valoriza a experiência completa, atendimento, qualidade e confiança. Isso mostra a força do comércio local e abre oportunidades para quem investe em vitrines, equipes preparados e conveniência”. Perfil de compra O levantamento com consumidores do capital revela que o ticket médio deve chegar a R$ 467. As roupas lideram o ranking das intenções, com 57,1%. Seguido por brinquedos (26,5%), calçados (20,4%) e cosméticos (17,3%). Roupas devem ser os itens mais adquiridos E a maioria das compras (75,5%) será realizado entre 15 dias antes do Natal e a véspera, o que exige reforço de estoque, estrutura e atendimento no comércio. “Vemos um salto no valor a ser gosto com presentes no comparação com o ano passado, que foi de R$ 270. É um sinal de que BH está com o empregabilidade em alta, uma média salarial maior que a do brasileiro e um custo de vida menor. Por isso, temos essa possibilidade de gasto maior com presentes”, comenta o presidente da COL/BH. Quanto a forma de pagamento, 63,3% pretendem comprar à vista; quem parcelar deve dividir em até quatro vezes. Para Souza e Silva, o pagamento à visto é um sinal de que o consumidor está se planejando financeiramente, além de dar mais segurança e reduzir a inadimplência, Para o lojista, ou-mento o giro de caixa e a margem de negociação”. Por outro lado, a pesquisa revela que 45,5% dos entrevistados não pretendem comprar presentes neste ano, e o principal motivo é a alta dos preços, apontado por 82,4% desse grupo. Sobre o resultado, Souza e Silva aponta a necessidade de políticas económicos estáveis e maior previsibilidade para as famílias. “O consumidor está sensível aos aumentos de preços. Mesmo assim, o comércio de Belo Horizonte segue forte, mostrando capacidade de adaptação e com alterativas para diferentes perfis de compro. Confiança do lojista Entre os comerciantes entrevistados, 62,5% acreditam que vão vender mais do que no ano passado, e quase metade planeja ampliar estoque para atender o demando. As estratégias mais citadas para aumentar o desempenho em dezembro são variedade de produtos (71,7%), promoções e divulgação (59,5%), facilidade de pagamento (50%), aperfeiçoo-mento do atendimento (30,9%) e decoração temático (23%). Os lojistas também dever intensificar anúncios nos redes sociais. WhatsApp (88,4%) e Instagram (84,5%) serão os principais meios de comunicação com clientes.
Segmento de eventos podem atingir US$ 2,5 trilhões até 2035

Segundo a Allied Market Research, empresa global de inteligência de mercado, consultoria e análise de dados, o mercado global de eventos deve movimentar US$ 2,5 trilhões até 2035, com crescimento médio anual de 6,8%. No Brasil, dados da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC Brasil) e do Observatório do Turismo de São Paulo indicam que o setor já responde por cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) de serviços, reunindo mais de 330 mil empresas ativas. De acordo com o mais recente Radar Econômico, boletim elaborado pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), o consumo no segmento atingiu R$ 68 bilhões entre janeiro e junho, o maior valor da série histórica, iniciada em janeiro de 2019. Comparado ao mesmo período de 2024, o crescimento acumulado no primeiro semestre é de 3,4%. A categoria de turismo de negócios e eventos representa 23% da ocupação hoteleira nacional e responde por uma fatia crescente das viagens internacionais, é o que revela o Ministério do Turismo. Dados da Fecomércio SP mostram que de janeiro a setembro de 2025, o setor movimentou R$ 106,5 bilhões, um recorde para o período. Além disso, o segmento fomenta indústrias associadas como transporte aéreo, alimentação, audiovisual e publicidade, consolidando um ecossistema que soma mais de R$ 300 bilhões anuais, conforme o levantamento da Associação de Marketing Promocional (Ampro). “O consumo no setor de eventos já ultrapassa marcas históricas, o que mostra que não estamos apenas recuperando o que foi perdido na pandemia, mas alcançando um novo patamar. É uma demonstração clara do potencial do entretenimento como motor econômico e social”, afirma Doreni Caramori Júnior, empresário e presidente da Abrape. O especialista em gestão financeira para empresas e fundador da Arvoh, Arides César Gonçalves da Silva, explica que os dados apontam que o segmento não é só entretenimento, mas uma cadeia produtiva global. “Para o Brasil, isso significa: atração de investimentos e turismo internacional, quanto mais o mundo investe em eventos, mais disputado fica o calendário global; efeito multiplicador na cadeia de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), eventos irrigam pequenos negócios; e geração de emprego e renda, o setor costuma ter um impacto forte em emprego formal e informal”. Para Silva, o segmento saiu da “sobrevivência” e entrou em uma fase de expansão mais estruturada. “Alguns fatores que explicam o aumento do consumo no Brasil são: a normalização pós-pandemia, as pessoas consolidaram o hábito de voltar a eventos presenciais, com maior frequência e tíquete médio mais alto; calendário de grandes eventos e festivais, que atraem público nacional e internacional; renda direcionada para experiências, pesquisas recentes indicam que boa parte dos brasileiros passou a reservar parte do orçamento para experiências presenciais; e políticas de apoio e retomada do setor”. O especialista acredita que o potencial de crescimento é sustentável, mas não automático. “A expansão do segmento pode ser sustentável, mas exige gestão profissional, tecnologia e ambiente regulatório minimamente previsível. Por exemplo, a continuidade ou transição previsível de projetos como Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), infraestrutura de cidades para receber eventos e capacidade das empresas do segmento de se digitalizarem e se capitalizarem”. “Eventos não são só entretenimento, são infraestrutura de relacionamento da economia. Se o Brasil combinar ambiente de negócios saudável, políticas estáveis e inteligência financeira na ponta, o setor de eventos ainda tem muito espaço para crescer com qualidade”, finaliza. Empregos em alta Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), compilados no boletim da Abrape, mostram que o estoque de empregos (total de vagas disponíveis em um mercado de trabalho) no core business do setor está 76,3% acima dos níveis de 2019, comparado a 21,9% de crescimento da média nacional no mesmo período. A função classificada como “Atividades de organização de eventos”, por exemplo, apresentou um salto expressivo no número de trabalhadores formais que passou de 47.262 em 2019 para 109.025 em 2025, o que representa um aumento de 130,7%.
Itens da ceia têm valores distintos e exigem atenção do consumidor

Os preços dos produtos natalinos em Belo Horizonte chegaram às prateleiras com comportamento dividido em 2025. Enquanto parte dos itens tradicionais ficou mais em conta em relação ao ano passado, outros, justamente os mais procurados para a ceia, apresentaram altas expressivas e prometem pesar no bolso do consumidor. No levantamento realizado pelos sites Mercado Mineiro e comOferta foram identificadas variações que ultrapassam 200% entre estabelecimentos da capital. Por exemplo, o bacalhau Saithe pode ser encontrado de R$ 49,80 a R$ 149,80. Panetones industrializados também registram diferenças que chegam a 43%, dependendo da marca e do local de compra. No caso do peru, outro item tradicional da ceia, a pesquisa encontrou diferenças que atingem até 37,03% entre as marcas analisadas. Segundo o diretor do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, oscilações tão amplas não são novidade, mas reforçam a necessidade de atenção por parte do consumidor. “As variações são grandes, porque são produtos típicos e a gente tende a ter diferenças superiores a 100%. No caso do bacalhau Saithe a diferença chega a 200%, muito em função da espessura da carne”. A pesquisa também mostra que castanhas, amêndoas, nozes e frutas cristalizadas permanecem entre os produtos mais caros da mesa festiva. “Este Natal, se for de produtos bem tradicionais, vai ser caro. Mas, se o consumidor optar por uma ceia mais tropical, com frutas, é possível organizar algo mais acessível”, aponta Abreu. Queda em 14 itens Outro estudo, desta vez realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/ UFMG), confirma que 14 dos 26 produtos monitorados tiveram redução de preço em relação a 2024, com destaque para azeite de oliva (-21,16%), lombo suíno (-11,16%), gelatina (-7,3%) e panetone de frutas (-4,6%). No entanto, os itens que aumentaram de preço registraram altas muito mais intensas. De acordo com o gerente de pesquisas do instituto, Eduardo Antunes, o contraste ocorre porque a intensidade das altas foi muito maior que a das quedas. “Os produtos que subiram tiveram média de +13,32%, enquanto os que caíram recuaram apenas –5,59%. Ou seja, o volume de itens em queda até é maior, mas o peso das altas é muito mais significativo”. Além disso, nove produtos subiram acima do IPCA de Belo Horizonte, acumulado em 4,74% no período de 12 meses. Entre os que mais encareceram estão azeitona verde (+25%), uva passa escura (+24,4%), doce de pêssego (+22,8%) e balas mastigáveis (+23,9%). Sobre a expressiva redução no preço do azeite, Antunes esclarece que houve recomposição de oferta internacional. “Não é uma promoção pontual. Houve um ajuste de oferta global somado a condições locais favoráveis. A tendência é de preços mais baixos até meados de 2026, salvo novos choques climáticos”. Como economizar Embora o período pré-Natal costume pressionar o custo dos alimentos, Abreu avalia que alguns itens podem sofrer reduções próximas ao feriado. “A chegada da data gera desespero no varejo. O comerciante não quer ficar estocado de nozes, panetone e peru em fevereiro. Então é comum que ocorram promoções na segunda quinzena de dezembro, mas não na última hora”. Para Antunes, planejamento é a chave para uma ceia equilibrada. “Substituir produtos caros, aproveitar quedas fortes, reduzir o consumo de peru e espumante, comprar com antecedência e fazer lista ponderada são caminhos”. “A recomendação é pesquisar muito. Não deixar para a última hora para evitar produtos de qualidade ruim ou preços altos. E, principalmente, não se endividar para comemorar, porque o cenário econômico não permite”, conclui Abreu.
52% dos lojistas de MG estimam um aumento de vendas no Natal

Os comerciantes mineiros estão otimistas para o Natal de 2025. É o que revela um levantamento da Fecomércio MG, indicando que 52% dos empresários do varejo esperam vender mais do que no ano passado, enquanto 19,2% projetam manter o mesmo nível de vendas de 2024 e 17,7% esperam piora nas vendas. Os dados mostram um clima de confiança no setor, impulsionado por fatores econômicos favoráveis, pela melhora da renda das famílias e pela antecipação de estratégias comerciais voltadas à retomada do consumo. Dentre os comerciantes que anseiam vender mais neste Natal, 52,3% apontam como principal motivo a confiança no período, seguida pelo valor afetivo da data (22,7%) e pelo aquecimento do comércio (19,4%). Outros fatores incluem o décimo terceiro salário (9,3%), a melhora na economia (6,9%), ações promocionais (4,6%) e iniciativas da própria loja (3,7%), enquanto 1,9% veem a redução do desemprego como incentivo ao consumo. Para os que esperam queda nas vendas, 43,8% atribuem a perspectiva ao comércio fraco e à baixa nas vendas, enquanto 27,4% citam o endividamento do consumidor e outros 27,4% apontam a situação econômica do país. Outros fatores incluem o consumidor mais cauteloso (8,2%), o preço elevado dos produtos (8,2%) e a concorrência desleal (4,1%), que também podem impactar negativamente as vendas neste Natal. Segundo a economista Cláudia Menezes, o consumidor mineiro está mais confiante, e isso faz toda a diferença nessa época do ano. “A melhora do mercado de trabalho cria condições para que as famílias se planejem e antecipem compras. O Natal captura esse movimento de maneira muito intensa”. Ela diz que linhas mais acessíveis, como crediário próprio e parcelamento sem juros, ajudam a destravar compras que haviam sido adiadas. “As lojas voltaram a negociar prazos melhores. Isso devolve ao consumidor a sensação de que é possível comprar sem comprometer o orçamento. Para o varejista, representa uma chance concreta de aumentar o tíquete médio e recuperar margens”. O pesquisador de mercado, Felipe Tavares, conta que estratégias para atrair o público são importantes. “Investimentos em kits promocionais, ampliação dos canais de venda online e treinamentos em equipe para oferecer atendimento personalizado. A ideia é facilitar a vida do cliente e transformar a compra em uma experiência agradável”. A sondagem da Fecomércio MG também revelou quais medidas os comerciantes planejam adotar para impulsionar as vendas durante o período de festas. Entre as estratégias mais citadas, 29,5% pretendem investir em promoções e liquidações, enquanto 29% apostam em um atendimento diferenciado para atrair clientes. Outras iniciativas incluem brindes, sorteios e premiações (8,1%), descontos (5,5%) e a ampliação da diversidade no mix de produtos (5,2%). Por outro lado, 7,8% dos entrevistados afirmaram que não realizarão ações específicas, enquanto 6,3% não souberam ou não responderam à questão. Os consumidores estão mais atentos a promoções, mas também valorizam qualidade, atendimento e conveniência. O lojista que consegue combinar esses elementos tende a se destacar. Tavares explica que “a competição está mais acirrada, especialmente com o fortalecimento do comércio eletrônico. As lojas que investiram em omnichannel, retirada rápida e comunicação digital eficiente estão percebendo resultados mais sólidos”. Tavares destaca que, para muitos estabelecimentos, esse é o primeiro ano em que ações estruturadas de marketing digital começaram a madurar. “Tem lojista que só agora entendeu como usar as redes sociais para gerar fluxo na loja física. Outros ampliaram catálogos e investiram em logística. Tudo isso aumenta o alcance e cria novas oportunidades de venda”, afirma. A soma de preparação, condições econômicas favoráveis e mudança no perfil de consumo cria um cenário de Natal mais promissor do que nos últimos anos. “O varejo mineiro chega ao fim de 2025 mais profissionalizado e atento às tendências, fazendo com que o otimismo não seja apenas intuitivo, mas sustentado por dados e planejamento”, conclui.
Mercado imobiliário tem trajetória de expansão no terceiro trimestre

Entre julho e setembro, o mercado imobiliário brasileiro registrou 108,8 mil unidades lançadas, elevando o total do ano para 307,4 mil, aumento de 8,4% em relação aos primeiros nove meses de 2024, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O levantamento foi realizado em parceria com a Brain Inteligência Estratégica em 221 cidades. Já as vendas somaram 101.345 mil unidades no trimestre e 312,2 mil no acumulado do ano, avanço de 5% na mesma comparação. No acumulado de 12 meses, o país atingiu 433 mil unidades lançadas, recorde histórico. E o “Minha Casa, Minha Vida” segue como principal motor do setor, 47% dos lançamentos e 44% das vendas do trimestre foram do programa. Entre as regiões, o Centro-Oeste teve a maior expansão percentual de lançamentos no terceiro trimestre de 2025, alta de 53,5%, com 7.313 novas unidades. Em números absolutos, o Sudeste lidera, com 59,8 mil lançamentos, 4,3% acima do trimestre anterior. A região Norte foi a única com retração, queda de 34,4%, para 2.757 unidades. O estudo indica ainda um aumento na intenção de compra, 48% dos entrevistados afirmaram planejar adquirir um imóvel nos próximos 24 meses, ante 46% no mesmo período de 2024. A geração Z (21 a 28 anos) lidera esse movimento, com 61% de intenção de compra. Entre os baby boomers (61 a 79 anos), o índice é de 25%. O diretor-sócio da Brain, Fábio Tadeu Araújo, ressalta que a intenção de compra, de maneira geral, está nos melhores patamares da história. “O que significa que a despeito da taxa de juros, a forte empregabilidade e o forte aumento de renda das famílias estão levando as pessoas a se preocuparem mais com o que está acontecendo a si mesma, do que com o conjunto macroeconômico do país”. Já o economista-chefe do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis (Secovi), Celso Petrucci, explica que é um crescimento constante do mercado, uma resiliência muito forte, mesmo com a taxa de juros alta. “Para nosso setor, o financiamento para pessoa jurídica é fundamental. Há uma necessidade constante de se aumentar os limites de renda, de descontos e preço final, pois estamos trabalhando com o mesmo preço desde julho de 2023. Para a classe média, a tendência não está boa, mas a expectativa para o ano que vem é melhor”. “Uma preocupação que temos para 2026, apesar do crescimento, até setembro, é que vamos perder três meses debatendo futebol e eleição, além dos feriados. Por isso, acredito que será um ano complicado, um período de estabilidade com tendência de um pequeno crescimento”, finaliza o economista. Geração de emprego De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o setor da construção criou 218,2 mil novos postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e setembro de 2025. Em setembro, foram 23.855 novas vagas, resultado de 223.799 admissões e 199.944 desligamentos. O resultado do nono mês do ano foi o melhor desde abril (31.407 vagas) e ficou acima do registrado no mesmo período de 2024 (17.065). Entre os segmentos, a Construção de Edifícios gerou 10.540 empregos, as Obras de Infraestrutura 6.236, e os Serviços Especializados 7.079. Os estados que mais geraram empregos foram São Paulo (50.883), Minas Gerais (20.979) e Bahia (14.609). Materiais de construção Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), em outubro, o faturamento do setor apresentou estabilidade em relação ao mês anterior, apresentando queda de 2%. A projeção de fechamento de 2025, apesar de ainda ser positiva, foi revisada para baixo, passando para 0,5%, reflexo do fraco desempenho observado ao longo do ano. Entre os segmentos, estima-se que o faturamento deflacionado dos materiais básicos tenha diminuído 1,5% em relação ao mesmo mês de 2024, enquanto os materiais de acabamento registraram contração de 2,9%. Na comparação com setembro, com ajuste sazonal, as estimativas apontam alta de 0,4% para os básicos e queda de 0,5% para os de acabamento. O presidente da Abramat, Paulo Engler, afirma que o setor ainda enfrenta desafios importantes. “Contudo, os sinais de estabilização indicam que podemos encerrar o ano com um leve crescimento e um cenário mais positivo para 2026”.
Pagamento do 13º salário deve injetar R$ 34 bilhões na economia de Minas

O 13º salário deve movimentar cerca de R$ 34 bilhões na economia mineira até o fim do ano. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), esse montante representa perto de 3% do PIB de Minas Gerais, calculado em R$ 1,128 trilhão. O valor previsto para Minas representa 18,6% da quantia destinada ao Sudeste, estimada em R$ 183,2 bilhões, e corresponde a 9,2% do total calculado para todo o país, que chega a R$ 369,4 bilhões. No Estado, cerca de 10,2 milhões de pessoas devem receber o 13º salário em 2025, um valor médio de R$ 2.970 por beneficiário. De acordo com o levantamento, os trabalhadores do setor formal, sejam celetistas ou estatutários, correspondem a 58,2% dos beneficiários em Minas Gerais, totalizando 5,937 milhões de pessoas. Os aposentados e pensionistas do INSS representam 39,7% do total, cerca de 4,048 milhões, enquanto os empregados domésticos com registro em carteira somam 2,2%, ou 222 mil pessoas. Os trabalhadores formais também concentram a maior parcela dos valores a serem pagos no Estado, totalizando R$ 22,706 bilhões, equivalentes a 66,7% do montante. Já os beneficiários do INSS receberão R$ 7,243 bilhões, ou 21,3% do total. Os aposentados e pensionistas do Regime Próprio estadual somam R$ 2,522 bilhões, correspondendo a 7,4%, enquanto os do Regime Próprio municipal receberão R$ 1,202 bilhão, representando 3,5% do valor total. Para a economista Fernanda Ribeiro, esses números evidenciam não apenas a dimensão financeira, mas também o impacto social. “O 13º salário é uma ferramenta importante de injeção de liquidez na economia. Ele movimenta o comércio, estimula serviços e permite que famílias possam planejar melhor suas finanças no fim do ano”. Ela ressalta que boa parte dos recursos é direcionada a despesas essenciais, como quitação de dívidas, compras de Natal, educação e alimentação, mas também há uma parcela significativa destinada ao lazer e turismo, o que ajuda a fortalecer setores que tradicionalmente crescem nessa época. Nesse final de ano, a gratificação é crucial para a estabilidade econômica das famílias, afirma Fernanda. “Muitos trabalhadores utilizam o 13º para pagar contas que acumulam ao longo do ano ou quitar parcelas de empréstimos e financiamentos. Isso evita que dívidas se tornem impagáveis e oferece um alívio financeiro muito importante”. A profissional recomenda que parte do valor seja reservada para emergências ou investimentos de curto prazo, de forma a prolongar os benefícios da injeção de dinheiro no orçamento pessoal. A dinâmica de gastos também tem efeito direto no comércio e na economia local. Dados de anos anteriores mostram que boa parte do 13º salário é gasta em compras de bens duráveis, presentes de Natal e vestuário, além de alimentação e turismo. Na avaliação de Fernanda, essa movimentação ajuda a sustentar empregos temporários e estimula setores de serviços, que geralmente registram alta demanda nesse período. “O impacto vai muito além do consumidor final. Lojas, restaurantes, hotéis e empresas de transporte se beneficiam do aumento do consumo, o que cria um efeito multiplicador positivo na economia estadual”. Outro aspecto destacado pelos especialistas é a importância do 13º salário para a população mais vulnerável, que depende desse recurso para complementar a renda. “Para muitas famílias, o benefício é a principal oportunidade de quitar dívidas e reorganizar o orçamento. Ele traz alívio e permite um fechamento de ano mais tranquilo”, afirma o educador financeiro Ricardo Valente. A orientação do especialista é que os beneficiários planejem o uso do 13º, priorizando quitação de dívidas, poupança e investimentos que possam gerar retorno, garantindo que o efeito do benefício vá além de alguns meses e se transforme em vantagem para todo o ano seguinte. A primeira parcela do 13º salário precisa ser creditada na conta do trabalhador até 28 de novembro. Conforme a legislação trabalhista, o pagamento pode ser feito em até duas parcelas ou de forma integral, sendo que, neste último caso, o valor total também deve ser depositado até o final do mês. Se o empregador optar pelo pagamento em duas parcelas, a segunda deve ser realizada até 20 de dezembro.
Setor de veículos usados deve bater recorde e ampliar avanço em 2026

O mercado automotivo brasileiro entra na reta final de 2025 impulsionado pela crescente preferência do consumidor pelos veículos seminovos e usados. O segmento deve encerrar o ano com seu maior volume de vendas já registrado, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). A marca histórica de 15,7 milhões de unidades, alcançada em 2024, deve ser novamente superada já em novembro, consolidando o melhor desempenho da série desde o início da apuração dos resultados. A entidade projeta que cerca de 18 milhões de veículos sejam negociados até dezembro. “A procura ao longo do tempo pelo seminovo foi gradualmente se intensificando devido aos preços elevados dos modelos zero quilômetro. A distância entre o valor cobrado e o poder de compra da população aumentou, e o consumidor médio passou a recorrer muito mais ao usado para atender seus desejos, sonhos e necessidades”, afirma o presidente da Fenauto, Enilson Sales. Ele ressalta ainda que novos nichos de negócio, como a compra e desmobilização de veículos por parte das locadoras, contribuem para sustentar o desempenho do setor. “Esse é um mercado que cresceu e amadureceu. Além disso, os carros utilizados por motoristas de aplicativo, os veículos por assinatura e o avanço do delivery, que levou muitas pessoas a ingressarem em atividades de entrega usando seu carro ou sua moto particular, reforçam esse movimento”. Em outubro, foram comercializados 1.765.539 veículos, alta de 4% em relação a setembro (1.697.167). A média diária chegou a 76.763 unidades. Entre os modelos mais procurados, o Volkswagen Gol liderou com 76.597 unidades, seguido pelo Chevrolet Onix (43.288) e pelo Hyundai HB20 (41.038). No segmento de comerciais leves, Fiat Strada, VW Saveiro e Toyota Hilux seguem na preferência do público. Entre os pesados, destacam-se os caminhões Volvo FH, Ford Cargo e Ford F4000. No mercado de motocicletas, os modelos Honda CG 150, Biz e CG 125 continuam no topo das vendas. Sobre o comportamento do consumidor, o presidente da Fenauto avalia que a escolha pelo usado não é apenas uma alternativa econômica, mas uma condição estrutural. “A diferença entre o preço do zero quilômetro e o do seminovo se ampliou muito. As montadoras passaram a oferecer modelos com mais tecnologia e margens elevadas, afastando o consumidor. Com renda média estagnada e valores sempre crescentes, a preferência se volta naturalmente para o seminovo”. Inflação dos usados O IBV Auto, índice que acompanha a variação dos preços de automóveis leves usados no país, apresentou inflação de 0,35% em outubro, ante 0,30% em setembro, indicando leve aceleração no ritmo de alta. No acumulado de 12 meses, o indicador registra avanço de 5,70%. De acordo com o diretor de Negócios de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, os preços dos usados se mantêm relativamente estáveis, embora levemente acima do IPCA. “Mas esse cenário pode mudar caso surjam novos fatores econômicos”, pondera. Para 2026, Ganan avalia um quadro ainda incerto. “Mesmo com a perspectiva de queda dos juros, o crescimento mais moderado da renda gera dúvidas. Esses dois vetores atuam em direções opostas, o que torna difícil antecipar o efeito líquido sobre o mercado ao longo do próximo ano”. Sobre as expectativas de preços, ele reforça a cautela. “Ainda não é possível determinar com precisão a variação no fechamento de 2025. Os indicadores sugerem estabilidade, mas o setor é sensível à renda, ao crédito e à oferta. Em 2026, tudo dependerá da combinação desses elementos. Se o ambiente melhorar, pode haver algum alívio. Caso contrário, a dinâmica tende a permanecer semelhante”. Perspectivas favoráveis O presidente da Fenauto também prevê um cenário favorável para o próximo ano, apesar de obstáculos como juros elevados e maior rigor no crédito. “Olhando para 2026, temos fatores que nos desafiam, como a Selic em nível alto e bancos mais criteriosos no score. Isso pode reduzir o ritmo de expansão, mas não deve interromper o crescimento”. “A expectativa é que o desempenho fique acima de 2025. Estimamos algo próximo a 5% de aumento, equilibrando fatores positivos e negativos que devem impactar o mercado”, finaliza.
Selic elevada adia o crescimento e deixa o crédito mais caro no Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. O parecer reflete a postura do Banco Central (BC) de cautela diante de um cenário ainda marcado por inflação resistente, incertezas fiscais e volatilidade internacional. A medida, embora preserve o controle de preços, tem provocado efeitos profundos sobre o crédito, o consumo e o investimento produtivo no país. De acordo com ata do Copom, a autoridade monetária considera que “a manutenção do nível corrente da taxa de juros por um período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”. “A extensão do nível atual de 15% por um período maior deveria produzir uma desaceleração econômica maior, uma convergência mais rápida da inflação e, possivelmente, uma valorização adicional do câmbio”, avalia o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano. “O Banco Central precisa de maior confiança no processo de arrefecimento do mercado de trabalho para começar a cortar a taxa Selic”, acrescenta. Serrano observa que o cenário fiscal é outro entrave. O aumento de gastos do governo e a dívida pública próxima de 80% do PIB reduzem o espaço para cortes de juros, pois aumentam a percepção de risco entre investidores. “A política fiscal é fundamental para garantir juros mais baixos. Uma percepção mais negativa do endividamento do país gera taxas de juros reais mais elevadas ao longo do tempo, o que limita o potencial da queda da taxa Selic”. Para o economista, o início do ciclo de alívio monetário deve ocorrer apenas no primeiro trimestre de 2026, projetando uma queda entre 12% e 12,5% ao ano. “Parece difícil o BC reduzir a taxa básica de juros ainda em 2025. Acreditamos que o Copom precisa de maior confiança no processo de desaceleração da inflação e do mercado de trabalho para começar a cortar”. Impactos ao crédito Enquanto isso, os efeitos dos juros altos continuam sendo sentidos na economia real. O CVO da Inteligência Comercial, Luciano Bravo, aponta que o crédito mais caro e restrito tem dificultado o crescimento das empresas, especialmente das médias e pequenas. “Com a Selic em 15%, praticamente todo o capital disponível migra para a renda fixa. Isso gera escassez de crédito para investimento produtivo, já que os ganhos são muito mais atrativos no Tesouro Direto e outros títulos”. Ele explica que diante dessa migração de recursos, o custo do crédito quando o empresário consegue é extremamente alto, entre 18% e 30% ao ano. “Quando a margem média de lucro líquido é de 10%, o empreendedor acaba vendo o seu lucro corroído pelos juros”. Bravo também ressalta o efeito sistêmico da atual política do BC. “A Selic alta causa escassez de investimento, desacelera o crescimento e aumenta a inadimplência e as recuperações judiciais. Há mais de 14 anos, o país perde, em média, mil fábricas por ano. O único culpado por isso é a alta taxa de juros e a escassez de crédito”. No cenário internacional, a Selic em 15% tem dupla consequência. Por um lado, atrai o capital estrangeiro, tornando o Brasil um destino para investidores que buscam retornos elevados. Por outro, essa entrada de recursos é voltada, em grande parte, à dívida pública, e não à produção. “O investimento estrangeiro vem para financiar a dívida do Brasil, não para gerar riqueza produtiva. É um dinheiro que entra, mas não fortalece nossa cadeia produtiva”, afirma Bravo. O especialista defende que, diante da dificuldade de acesso a crédito doméstico, as empresas brasileiras precisam explorar alternativas de financiamento externo. Ele cita a Lei nº 14.286, que regula o investimento direto estrangeiro e pode ser uma porta de saída para empresas que buscam crédito mais barato. “A taxa de juros alta aqui dentro deveria incentivar as empresas a captar lá fora, onde o custo gira em torno de 7% a 8% ao ano. Hoje, apenas 1% das firmas brasileiras têm acesso a crédito internacional, e esse grupo responde por 33% do PIB nacional. É preciso aumentar esse percentual e reduzir a dependência do crédito interno. Enquanto a Selic permanecer alta, o Brasil continuará perdendo indústrias e oportunidades de geração de riqueza”, finaliza.
País bate recorde e registra mais de 7 milhões de turistas internacionais

Os visitantes estrangeiros movimentaram R$ 32,5 bilhões (US$ 6,044 bilhões) no Brasil, em despesas como hospedagem, alimentação, transporte, lazer e compras, de janeiro a setembro, conforme dados do Banco Central. O valor é o maior já registrado na série histórica para o período e representa uma alta de 11,7% em relação ao mesmo período de 2024, que detinha a marca de US$ 5,4 bilhões. No período, o país alcançou exatos 7.099.237 turistas internacionais, volume 45% superior ao do mesmo intervalo do ano passado. Em apenas nove meses, foi ultrapassado o recorde anual anterior, de 2024, quando 6.773.619 visitantes estrangeiros vieram ao Brasil. O desempenho até aqui também supera a meta anual estabelecida pelo Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024-2027, que previa a chegada de 6,9 milhões de estrangeiros para este ano. “Não há dúvidas de que o turismo é uma potente atividade econômica. Estamos falando de centenas de milhões de dólares injetados por turistas internacionais em nossa economia a cada mês. O resultado disso é geração de empregos, de renda para o povo brasileiro e de desenvolvimento social para comunidades que têm no turismo sua principal atividade. Colocando o Brasil cada vez com mais espaço nas prateleiras do mercado global e nessa tendência de recordes históricos”, destaca o presidente da Embratur, Marcelo Freixo. O mestre em economia, Heldo Siqueira, explica que essa movimentação financeira é fruto do aumento do número de turistas. “O maior índice de visitantes foi da Argentina. Suponho que este fato decorre do câmbio argentino ter permanecido relativamente valorizado ao longo do ano, o que torna as viagens ao Brasil mais baratas”. “São 1,96 milhão de turistas argentinos visitando o país, seguido pelos Estados Unidos, que aparecem com apenas 728 mil. Ou seja, a continuidade da ampliação do turismo depende da expansão da economia argentina, mesmo que a economia americana não apresente resultados positivos ao longo de 2025. Neste sentido, acredito que haja uma relativa saturação que pode fazer os índices de crescimento do setor estabilizarem-se para os próximos anos”, acrescenta. O aumento de 11,7% é bem expressivo, quando se compara com o crescimento da economia como um todo que deve ficar em 2,4%, afirma o economista. “Em uma situação assim, o normal é que haja uma desaceleração. Isso não significa que o avanço não seja sustentável, mas deve retornar ao patamar de expansão do restante da economia brasileira ou dos países que tem no Brasil seu destino turístico”. Forte Avanço Setembro também registrou forte avanço. O mês fechou com receita de US$ 595,6 milhões, salto de 12,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando a entrada de divisas do turismo ficou em US$ 530,3 milhões. Também foi registrado o maior número de chegadas de turistas internacionais da série histórica: 570.934 de visitantes, um aumento de 28,2%. Empregos no setor Siqueira ressalta que o turismo representa algo em torno de 8% do Produto Interno Bruto (PIB), figurando como uma atividade importante para o país. “A maior parte dos trabalhadores têm até o ensino médio, 94,2%, sendo que 14,4%, até o ensino fundamental. O setor é relevante, principalmente para a população que tem menos oportunidades de colocação. Nos 12 meses anteriores a julho de 2025, o país tinha criado 207 mil empregos de carteira assinada. Trata-se de um número bastante expressivo, considerando-se que se trata de uma parte da população de mais baixa renda”, finaliza. Segundo uma pesquisa do World Travel & Tourism Council (WTTC), o setor de turismo deve gerar 8,3 milhões de empregos até o final de 2025, responsável por quase 8% do total de postos de trabalho do país. A contribuição econômica deve atingir US$ 167,6 bilhões, o equivalente a 7,7% do PIB nacional. Para 2035, o WTTC projeta que o segmento chegará a 9,7 milhões de empregos e quase US$ 199 bilhões de participação no PIB.