Pagamento do PIS/Pasep injeta R$ 33,5 bilhões na economia

O pagamento do abono salarial PIS/Pasep em 2026 deve beneficiar cerca de 26,9 milhões de pessoas em todo o país, com a liberação estimada de R$ 33,5 bilhões na economia. Destinado a trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que atuaram formalmente em 2024, o pagamento terá calendário unificado e com mudanças que impactam o alcance do programa nos próximos anos. Segundo dados do governo federal, o valor do abono segue proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base e pode chegar a até um salário mínimo, conforme as regras vigentes. Os pagamentos começam em fevereiro, de acordo com o mês de nascimento do trabalhador. Para o economista Gelton Pinto Coelho Filho, o impacto desses recursos tende a ser imediato e concentrado no consumo essencial. “O público que recebe este benefício tem baixa propensão marginal à poupança. Nesse sentido, os valores, em sua maioria, são destinados ao pagamento de contas e ao consumo direto”. Ele destaca ainda que, considerando o efeito multiplicador típico de programas de transferência de renda, o impacto total pode alcançar quase R$ 60 bilhões ao longo do ano. O economista explica que o perfil dos beneficiários faz com que o dinheiro circule rapidamente. “Setores como o de alimentos recebem maior fluxo desses recursos, assim como farmácias e companhias de energia, água e saneamento. Bancos e financeiras também são beneficiados por aqueles que optam por quitar suas dívidas”. Apesar disso, Filho pondera que o cenário macroeconômico limita efeitos mais duradouros. “A distribuição ocorre essencialmente no primeiro semestre, até o mês de agosto, período em que são realizados os pagamentos. O uso dos recursos é quase imediato após o recebimento. Em um ambiente de juros elevados, o abono ajuda, mas não resolve o aperto financeiro das famílias de menor renda”. Mudanças nas regras Uma das principais alterações está no critério de renda para ter direito ao benefício. A partir do pagamento de 2026, o limite deixa de ser automaticamente vinculado a dois salários mínimos e passa a ser um valor nominal corrigido apenas pela inflação. No ano-base 2024, esse teto ficou em torno de R$ 2.766 de renda média mensal. Filho lembra que a mudança faz parte de um esforço de ajuste fiscal. “A medida visa reduzir gastos públicos no longo prazo. O limite de ganho para ter direito ao abono deixa de ser fixado em dois salários mínimos e passa a ser corrigido exclusivamente pela inflação”. Do ponto de vista jurídico, o advogado Rafael Oliveira explica que a alteração busca maior previsibilidade orçamentária, mas não está isenta de controvérsias. “A mudança tem como objetivo principal conferir previsibilidade orçamentária e sustentabilidade financeira ao programa”. Ele alerta que a desvinculação do salário mínimo tende a restringir o acesso ao benefício ao longo do tempo. “Isso pode resultar na exclusão progressiva de trabalhadores que, embora formalmente acima do teto, permanecem em situação de vulnerabilidade econômica”. Na avaliação dos especialistas, as alterações reforçam a sustentabilidade fiscal do programa, mas exigem atenção aos efeitos sociais. “As mudanças contribuem para o equilíbrio das contas públicas, mas precisam ser acompanhadas de políticas que ampliem renda e emprego, reduzindo a dependência de programas sociais”, conclui Filho. Já Oliveira ressalta que transparência e informação serão decisivas. “A correta prestação de informações, a atuação preventiva das entidades de classe e a transparência na aplicação das regras são fundamentais para preservar a finalidade social do benefício e reduzir litígios futuros”, finaliza. Mês de nascimento Data de pagamento Janeiro 15 de fevereiro Fevereiro 15 de março Março e abril 15 de abril Maio e junho 15 de maio Julho e agosto 15 de junho Setembro e outubro 15 de julho Novembro e dezembro 15 de agosto Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego
62,3% das empresas brasileiras estão com dificuldade em contratar

As empresas brasileiras estão com dificuldade em contratar ou reter colaboradores. Para 62,3% das instituições, essa era uma realidade presente ao final de 2025, 3,6 pontos percentuais acima do resultado de 2024, é o que aponta uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre). No ano passado, o setor com maior dificuldade foi a construção civil, com 69,1% das empresas relatando problemas em contratar. Todos os principais segmentos registraram piora na passagem de 2024 para 2025, exceto a indústria de transformação, que reduziu o percentual de 60,2% para 52,3%. De acordo com o estudo, a principal estratégia que as empresas vêm adotando para superar essa dificuldade é o investimento em capacitação interna (43,4%). Logo depois aparecem oferecer mais benefícios (36,2%) e mudar processos para reduzir a dependência de mão de obra (24,9%). Já os impactos causados por esse problema são o aumento de carga horária (25,5%) e as mudanças de preço de bens/serviços (20,7%). O coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho da Superintendência Adjunta para Ciclos Econômicos (FGV Ibre), Rodolpho Tobler, explica que a construção e o comércio são atividades que em geral registram maior nível de rotatividade de mão de obra. “O que torna a aquisição desse capital humano ainda mais complexa. O resultado da pesquisa sugere que o perfil buscado pelas empresas não necessariamente se refere a uma superqualificação. Muitas vezes, a necessidade do negócio está relacionada a algum tipo de treinamento específico”. O mestre em economia, Ricardo Paixão, afirma que existem vários fatores para explicar esses números. “O Brasil entrou no cenário em que o mercado de trabalho ficou mais enxuto, a taxa de desemprego reduziu bastante, nível mais baixo da série histórica, e isso causa menos oferta de colaboradores”. “Em vários setores existia muita oferta de trabalhadores para as vagas, e com o passar do tempo, até mesmo com a precarização do trabalho, com o surgimento dos aplicativos, as pessoas não querem se submeter a uma qualidade precária de serviço, salário baixo, jornada de trabalho exaustiva, ou a um setor que tenha muita rotatividade. O indivíduo prefere fazer seu próprio horário, ganhando um pouco mais nos aplicativos e sem direitos trabalhistas, criando um cenário totalmente diferente de antigamente”, pontua. Paixão acredita ainda que existe um risco da falta de trabalhadores se tornar um entrave mais sério ao crescimento econômico. “Principalmente, se o índice de desemprego continuar reduzindo, e se a economia entrar nesse ritmo de retomada dos investimentos em setores que necessitam demais de força de trabalho. A tendência é continuar tendo essa falta em 2026 e podendo chegar à anos posteriores. Esse ciclo todo que se forma faz com que projetos atrasem custos, produtividade cai e existe uma pressão salarial localizada que, quando tem escassez de trabalhadores, faz os salários médio aumentarem”. 85 mil postos de trabalho Segundo dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, o país gerou 85.864 postos de trabalho no mês de novembro, resultado de 1.979.902 admissões e 1.894.038 desligamentos. No acumulado dos últimos 12 meses (dezembro de 2024 a novembro de 2025) o saldo é de 1.339.878, menor que o saldo observado no período de 2023 a 2024 (1.781.293). Apenas dois dos cinco grandes grupos de atividades econômicas registraram saldos positivos: Comércio (78.249) e Serviços (75.131). Registraram saldos negativos a Agropecuária (-16.566), a Construção (-23.804); e a Indústria (-27.135). Em novembro, foram registrados saldos positivos em 20 Unidades Federativas, com maiores saldos absolutos em São Paulo (31.104), Rio de Janeiro (19.961) e Pernambuco (8.996). Minas Gerais aparece entre os menores saldos: -8.740 postos (-0,1%). Para Paixão, o mercado de trabalho brasileiro vive um “descasamento” entre oferta e demanda. “Temos sinais que algumas competências e condições desejadas não se encontram com rapidez. O mercado pode gerar vagas líquidas e ao mesmo tempo enfrentar escassez em ocupações específicas, especialmente com desemprego baixo, com mudanças tecnológicas e organizacionais, que elevam a demanda de certas habilidades”.
Quase 80% das famílias brasileiras terminaram o ano endividadas

Em dezembro de 2025, o percentual de consumidores endividados atingiu 78,9%, o patamar mais elevado já registrado para esse mês desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em relação a dezembro de 2024, o indicador avançou 2,3 pontos percentuais. O índice de inadimplência também apresentou crescimento no período, alcançando 29,4% na comparação anual. Já na análise mês a mês, os indicadores apresentaram alívio. Depois de alcançar o recorde histórico de 79,5% em outubro, a proporção de famílias com dívidas caiu para 78,9% em dezembro, o nível mais baixo observado desde julho. A mesma tendência de queda foi verificada na inadimplência: o percentual de contas em atraso ficou em 29,4% no encerramento do ano, resultado inferior ao pico de 30,5% registrado em outubro e o menor desde abril, quando marcou 29,1%. Mas mesmo com a recuperação observada nos últimos meses do ano, o balanço anual indica um aumento das dificuldades financeiras na comparação com o ano anterior. “A alta persistente dos juros e a inflação ainda em patamares elevados corroem a renda disponível dos trabalhadores, forçando a maior utilização de crédito para o consumo cotidiano e para o pagamento de compromissos pré-existentes. Além disso, o encarecimento do crédito tradicional tem levado muitos consumidores a buscar modalidades de empréstimos com condições menos favoráveis, o que amplia o endividamento total”, explica a economista Laura Mendes. “Temos uma conjuntura em que o custo de vida sobe mais rápido que os salários, juros altos reduzem o poder de compra e o crédito, ainda que seletivo, continua sendo a principal alternativa de consumo para muitos”, completa. Laura também afirma que a fraca educação financeira da população pode levar a escolhas menos equilibradas, como o uso excessivo do cartão de crédito sem planejamento, o que só aumenta o comprometimento da renda com juros e parcelas. O uso do cartão de crédito firmou-se como a forma mais recorrente de endividamento, representando 85,1% das famílias com dívidas, o que corresponde a uma elevação de 1,3 ponto percentual em relação a 2024. Esse cenário inspira atenção, já que essa modalidade apresenta algumas das taxas de juros mais elevadas do mercado, próximas de 90,1% ao ano. Em contrapartida, a proporção de famílias que afirmaram não conseguir arcar com seus compromissos financeiros recuou para 12,6%, encerrando o período em nível inferior ao observado em 2024. Já o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,5% em dezembro, abaixo dos 29,8% registrados no mesmo mês do ano anterior. A economista diz que um ponto importante é uma política macroeconômica mais favorável ao crescimento econômico sustentável. “A redução responsável da taxa básica de juros, quando compatível com o controle da inflação, pode diminuir o custo do crédito e tornar mais viável o pagamento das dívidas. Além disso, programas de apoio às pequenas e médias empresas, que são grandes geradoras de emprego, podem fortalecer o mercado de trabalho e aumentar o poder aquisitivo das famílias”. O consultor financeiro Ricardo Faria ressalta que a melhora dos indicadores no final de 2025 é explicada por um planejamento financeiro mais cuidadoso por parte dos consumidores. “Além de fatores sazonais, como as festividades de fim de ano, que impulsionam o comércio e a oferta de crédito, e o pagamento do 13º salário. Ainda assim, persiste um risco relevante no processo de endividamento, sobretudo relacionado ao uso do cartão de crédito, que pode levar à acumulação progressiva das dívidas”. Neste início de ano, Faria recomenda a criação de um orçamento familiar rigoroso. “É essencial mapear gastos e priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos. Renegociar parcelas com credores, buscar crédito com juros baixos e, se possível, destinar parte da renda para um fundo de emergência são passos importantes”.
Pesquisa revela queda de 5,9% nas vendas de material escolar

Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, analisa o período de 2024 a 2026 e aponta retração projetada de 5,9% nas vendas de material escolar neste ano, após uma recuperação parcial em 2025 (+2,7%) e uma forte queda em 2024 (-8,2%). Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os preços do material escolar acumularam alta de 29,5%, mais que o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aproximado no período (14,3%). O descolamento evidencia pressão específica de custos, como papel, logística, insumos importados e câmbio, e reforça o caráter regressivo do gasto educacional. Itens essenciais e de menor valor unitário, como canetas, lápis e papel sulfite, demonstraram maior resiliência, enquanto produtos de maior desembolso, como cadernos, livros didáticos, mochilas, cadeiras e mesas de estudo, registraram quedas expressivas. O movimento indica substituições, reaproveitamento e postergação de compras, principalmente entre famílias de renda média e baixa, indica a pesquisa. O presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, Cláudio Felisoni, destaca que a volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais desafiador do que em 2025. “O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e altas limitações à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento, ao mesmo tempo em que evidencia desafios”. Já o doutor em economia, Weslley Cantelmo, explica que essa retração é um misto de fatores. “Apesar da inflação mais moderada esse ano, temos um quadro de certo aperto no orçamento das famílias, o que é contínuo, e uma prática de reaproveitamento dos materiais do ano anterior. Isso pode revelar um novo padrão de comportamento. Juntando com os preços dos materiais escolares, um pouco acima da inflação, gera retração do setor”. Cantelmo acredita também que o endividamento das famílias não é o fator causador desses números. “Até porque, no ano passado, o endividamento também estava muito elevado e o setor expandiu. Os índices de débitos são muito similares, e inclusive em dezembro terminou com proporções mais altas da série histórica. Mas, é uma elevação contínua nos últimos anos e uma tendência estrutural da economia, que não impactam o segmento”. Orçamento familiar Um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva e QuestionPro revela que os gastos com materiais escolares afetam o orçamento de 88% das famílias brasileiras que têm filhos em idade escolar. Para 52% dos pais e responsáveis, o impacto é considerado grande. O economista afirma que a tendência é que esse efeito permaneça nesse mesmo patamar para os próximos anos. “Essa é uma questão que tem a ver com outros aspectos estruturais da nossa economia. Por exemplo, temos uma taxa de juros elevadíssima, que tem sido mantida durante um bom período nesses patamares, e isso influência na dinâmica do consumo de modo geral”. “A renda das famílias não tem uma estimativa de melhora de curto prazo, podendo haver uma perspectiva de avanço em um prazo mais dilatado. A tendência é que continue no mesmo patamar, sob o ponto de vista de maior comprometimento, dependendo de fatores como a própria cadeia de produção”, acrescenta. Variação de 235% Conforme o estudo realizado pelo site de Pesquisas Mercado Mineiro, entre os dias 8 a 10 de janeiro de 2026 em Belo Horizonte e região, em 11 estabelecimentos, a diferença de preço do material escolar pode variar 235% de uma loja para outra. Essa variação foi encontrada na caneta Bic, que pode custar de R$ 1 até R$ 3,35. O valor médio é de R$ 1,72, com variação de 16%, se comparado com ano passado. O apontador com reservatório pode custar de R$ 2,60 até R$ 5,90, variação de 127%, com preço médio de R$ 3,73. E o caderno brochurão de 60 folhas pautado pode custar de R$ 6,90 até R$ 13,90, uma variação de 101%, com valor médio de R$ 9,53.
Ano eleitoral pode afetar o cenário econômico e trazer incertezas

Com a aproximação das eleições presidenciais, a economia brasileira entra em um período tradicionalmente marcado por incertezas, volatilidade nos mercados e cautela por parte de investidores e consumidores. As projeções mais recentes do Boletim Focus, do Banco Central, indicam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8%, inflação próxima de 4%, taxa Selic em torno de 12,25% ao final do ano e dólar na faixa de R$ 5,50. Esse contexto reforça a percepção de um ano desafiador, com impacto no bolso da população e nas decisões de política econômica. Para o economista Wallace Marcelino Pereira, a expectativa de crescimento mais fraco reflete tanto fatores estruturais quanto conjunturais. “A projeção de avanço reduzido do PIB em 2026 decorre, em parte, da condução da política monetária, com a Selic mantida em patamar elevado, e também das incertezas típicas de um ano eleitoral, quando os investimentos tendem a ser congelados”. Na mesma linha, o economista Noé Santiago avalia que o consumo das famílias deve sustentar parte da atividade, mas sem força suficiente para impulsionar a economia. “O consumo tende a ser o principal vetor, apoiado por um mercado de trabalho ainda resiliente, enquanto o investimento produtivo segue enfraquecido, pressionado por juros altos, incerteza fiscal e baixo horizonte de previsibilidade”. Inflação Apesar da desaceleração inflacionária observada nos últimos anos, a expectativa de IPCA em torno de 4% mantém o Banco Central em posição cautelosa. Segundo Pereira, despesas como impostos, aluguéis, transporte e combustíveis devem continuar pressionando o custo de vida. “A nova alíquota fixa de ICMS sobre combustíveis tende a impactar toda a cadeia de transportes, elevando preços e comprometendo o orçamento das famílias”. “Para mitigar esses efeitos, é fundamental que a taxa Selic volte a apresentar uma trajetória de queda. Um ciclo consistente de cortes aliviaria as despesas financeiras de famílias e empresas. Outra alternativa seria o adiamento do reajuste de preços administrados. A Petrobras poderia adotar políticas que suavizem a volatilidade do petróleo, reduzindo o impacto das flutuações internacionais e minimizando os efeitos para o consumidor final”, complementa. Santiago acrescenta que a inflação mais resistente decorre de fatores estruturais. “A elevada indexação da economia, as pressões fiscais e o câmbio depreciado mantêm a inflação acima do centro da meta, o que exige uma postura firme do Banco Central para ancorar expectativas, especialmente em ano eleitoral”. O ambiente político também influencia a trajetória dos juros. Pereira avalia que o cenário eleitoral pode atrasar a flexibilização monetária. “Anos de eleição elevam a volatilidade e reforçam políticas fiscais expansionistas, o que pode postergar ajustes mais profundos para depois do pleito e afetar as decisões do Banco Central”. O principal risco macroeconômico segue sendo o fiscal, conforme avalia Santiago “Com a dívida em nível elevado, qualquer sinal de perda de credibilidade pode pressionar juros, câmbio e reduzir o crescimento, formando um ciclo negativo para a economia”, alerta. Câmbio Com o dólar projetado em torno de R$ 5,50, alguns segmentos tendem a se beneficiar. “Exportações agrícolas, turismo e setores mais competitivos ganham com o câmbio depreciado, enquanto indústrias dependentes de insumos importados enfrentam aumento de custos”, observa Pereira. Já Santiago ressalta que o cenário reforça estratégias de proteção financeira. “O dólar passa a desempenhar um papel central na proteção patrimonial, o que explica o crescimento da busca por diversificação pela dolarização parcial dos investimentos”, finaliza.
Carnaval de Belo Horizonte deve atrair público de 6,5 milhões de foliões

A proximidade do Carnaval de 2026 já começa a impactar a hotelaria de Belo Horizonte. Logo na primeira semana de janeiro, a taxa média de ocupação dos hotéis da capital gira entre 70% e 75%. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), estabelecimentos localizados nas áreas próximas aos principais circuitos carnavalescos apresentam níveis de reserva perto do limite. De acordo com a entidade, o quadro aponta para uma procura mais antecipada do que a registrada em anos anteriores, em sintonia com a estimativa de aumento do público do evento. Ainda é possível encontrar vagas, sobretudo em hotéis fora do hipercentro e em áreas com melhor conexão viária, o que evidencia o papel da mobilidade urbana na distribuição dos visitantes pela cidade. Conforme levantamento do Observatório do Turismo de Minas Gerais, em 2025, a ocupação média da rede hoteleira de Belo Horizonte durante o Carnaval ultrapassou 87%. Para 2026, a projeção é de novo crescimento, com chance de a taxa se aproximar de 100% em uma parcela expressiva dos meios de hospedagem. Na avaliação da Associação Brasileira de Agências de Viagens em Minas Gerais (Abav-MG), a previsão é de um aumento em torno de 10% no número de foliões em comparação ao ano anterior, com a possibilidade de o Carnaval atrair aproximadamente 6,5 milhões de participantes. “Hoje, o visitante entende que BH deixou de ser uma aposta e se tornou uma certeza no calendário do Carnaval brasileiro. A cidade conseguiu criar um modelo próprio de festa, que mistura espontaneidade, organização e forte apelo cultural. Isso atrai desde jovens em busca de grandes blocos até famílias e turistas interessados em experiências mais tranquilas”, avalia a turismóloga Ana Carolina Costa. Investimentos em mobilidade urbana e na organização dos circuitos têm ajudado a distribuir melhor o fluxo de foliões pela cidade, ampliando o impacto positivo para bairros além do hipercentro, esclarece Ana Carolina. “Quando o turista se hospeda fora da região central e consegue se deslocar com facilidade, consome em mais lugares, movimentando bares, restaurantes, comércio e serviços em diferentes pontos da capital”. Os reflexos econômicos desse movimento já são sentidos antes mesmo do início oficial da folia. Com hotéis cheios, cresce a demanda por mão de obra temporária, serviços de transporte, alimentação, produção cultural e eventos. A cadeia produtiva envolve desde costureiras e músicos até empresas de logística, segurança e limpeza urbana. “Quando milhões de pessoas chegam a Belo Horizonte, elas passam a demandar hospedagem, alimentação, transporte, lazer e serviços em geral. Isso gera um efeito imediato no faturamento de hotéis, restaurantes, bares, aplicativos de mobilidade, táxis, comércio e prestadores de serviço”, destaca o economista Carlos Mendonça. Outro impacto relevante está na geração de empregos temporários. Durante o período que antecede e inclui o Carnaval, há uma alta na contratação de trabalhadores para funções como recepção, limpeza, segurança, atendimento, produção cultural, montagem de estruturas e logística. “Essas vagas são fundamentais para complementar a renda de muitas famílias e reduzir a informalidade em um período concentrado do ano”, afirma. Além disso, muitos profissionais autônomos, como ambulantes, músicos, técnicos de som e artistas, encontram no Carnaval uma das principais oportunidades de ganho do calendário anual. Com o aumento da atividade econômica, cresce a coleta de impostos municipais, como o ISS, além de taxas e tributos ligados a eventos, hospedagem e serviços. Esses recursos, segundo Mendonça, podem ser reinvestidos em áreas essenciais. “Quando bem planejado, o Carnaval gera receita que pode retornar para a população na forma de melhorias urbanas, infraestrutura, mobilidade e políticas culturais”. Há ainda benefícios em médio e longo prazo, como a visibilidade nacional conquistada por Belo Horizonte como destino carnavalesco, que fortalece a imagem da cidade e estimula novas visitas ao longo do ano. “Muitos turistas que conhecem BH no Carnaval retornam em outros períodos, seja para eventos culturais, gastronomia ou negócios. Isso ajuda a reduzir a sazonalidade do turismo e cria um fluxo mais constante de visitantes”, conclui Ana Carolina.
Janeiro é o mês das despesas e testa o bolso do consumidor

Com a virada do ano, muitas famílias enfrentam um velho desafio: a concentração de despesas em janeiro e fevereiro, que inclui tributos e compromissos previsíveis, mas que, sem preparo, transformam o orçamento em fonte de estresse. Em Minas Gerais, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2026 terá início de pagamento em 9 de fevereiro, com possibilidade de antecipação a partir de 2 de janeiro e desconto na cota única. No caso do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de Belo Horizonte, a primeira cota vence em 30 de janeiro, com opção de guia com desconto de 7% até esta data. O contribuinte também pode pagar o imposto em até 11 prestações mensais e consecutivas, com vencimento até o dia 15 de cada mês, seguindo até dezembro. Para o consultor de finanças e carreira, Robson Profeta, o problema não é o gasto em si, mas a ordem das decisões. “Essas contas não aparecem de repente. Elas têm data, valor aproximado e já fazem parte da rotina das famílias. Quando não há planejamento, compromissos como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar se acumulam e geram necessidade de crédito caro como cartão de crédito ou cheque especial”. “Quando as pessoas priorizam consumo e deixam obrigações previsíveis para depois, acabam pagando juros para resolver algo que poderia ter sido planejado com antecedência. Gerenciar bem as finanças pessoais não exige soluções complexas, mas sim previsibilidade e disciplina”, acrescenta. Dicas do especialista Antecipar despesas fixas: usar parte do 13º salário para reservar recursos para IPVA, IPTU e matrículas ainda no final do ano anterior. “A quantia deveria funcionar como um amortecedor financeiro para as despesas que já estavam no horizonte”, pontua. Evitar créditos caros: sempre que possível, evitar o uso de crédito rotativo ou parcelamento de fatura, que têm juros entre os mais altos do mercado, comprometendo o orçamento ao longo dos meses seguintes. Organizar o fluxo de caixa: registrar entradas e saídas e projetar os próximos meses para visualizar compromissos e ajustar metas. Pagamento à vista: quando existe uma reserva financeira, quitar antecipadamente pode trazer alívio e evitar custos adicionais com juros. “Mas se comprometer reservas de emergência ou afetar o equilíbrio financeiro dos meses seguintes, pode ser melhor optar por parcelamentos com taxas menores”. Acompanhamento contínuo Para não repetir o ciclo de apertos no próximo janeiro, o consultor enfatiza a importância do acompanhamento contínuo ao longo do ano. Registrar despesas, revisar metas e construir reservas gradualmente ajuda a lidar com imprevistos e evita escolhas impulsivas. “Quando a pessoa entende o calendário financeiro do próprio ano, deixa de ser refém das contas e passa a ter controle”, finaliza. Chegar organizado a 2027 exigirá olhar para além do primeiro mês do ano. Isso porque a educação financeira deve ser incorporada como hábito, com foco em disciplina e regras claras para uso de recursos extraordinários como o 13º salário, assim como atenção às datas de vencimento de tributos e serviços.
Inadimplência bate recorde e atinge 8,7 milhões de empresas no país

Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, 8,7 milhões de instituições brasileiras estão negativadas, sendo mais de R$ 200 bilhões em dívidas atrasadas. Desse total, 8,2 milhões são micro, pequenas e médias empresas, que juntas, concentraram o volume de 56,8 milhões de dívidas negativadas que somaram R$ 184,6 bilhões em contas em atraso. O setor de serviços ocupa o primeiro lugar em negativações, com 54,9% do total, seguido pelo comércio (33%), indústria (8%) e outros (3,1%). Em números absolutos, os estados do Sudeste concentram o maior volume de CNPJs inadimplentes, total de mais de 4,6 milhões, seguidos pelos da região Sul (mais de 1,4 milhão) e do Nordeste (mais de 1,3 milhão). Em Minas Gerais, são 813.406 empresas inadimplentes. A economista e Coordenadora de Ciências Econômicas e Ciências Atuariais da FMU, Natalie Verndl, explica que o endividamento das micro e pequenas empresas deriva de um conjunto de fatores que são estruturais. “O primeiro deles se refere ao alto custo do crédito, pois os juros cobrados ainda continuam muito caros. Há também a volatilidade da demanda, alguns pequenos negócios têm uma oscilação de vendas e sazonalidades que acaba tendo um reflexo no fluxo de caixa, e que não permite uma certa estabilidade a longo prazo”. “Por fim, ainda estamos vivendo um período prolongado de inflação elevada, bem pressionada, que encarece os insumos para as empresas, e em termos de lucro acaba reduzindo a sua margem. Além disso, tem a questão da complexidade tributária do país e também da baixa educação financeira dos empreendedores”, complementa. Para Natalie, a inadimplência acaba reduzindo o dinamismo econômico. “Porque impede que as empresas consigam acessar o crédito, investir, criar novas tecnologias e, principalmente, ampliar a sua capacidade de operações e produção. O resultado é uma desaceleração do crescimento econômico, ou seja, o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer menos em última instância”. Na geração de empregos, esse fato reduz o ritmo de contratação, afirma a economista. “Em muitos casos, o primeiro corte a ser feito para adequar essas contas, em um cenário de inadimplência, é a demissão de funcionários. Instituições que estão endividadas acabam perdendo essa capacidade de investimento e de expansão, e as micro e pequenas empresas representam basicamente 70% dos empregos formais no Brasil”. A especialista destaca que o governo poderia atuar em três frentes para ajudar essas instituições. “A primeira é fazer uma linha de crédito mais barata e com garantias públicas que possam auxiliar esse público. A segunda é a redução dos juros juntamente com a simplificação tributária. E o último ponto é a digitalização de processos, uma integração de cadastros, e uma facilitação para a abertura, manutenção e regularização dessas empresas, reduzindo a questão da burocracia”. Planejamento O advogado tributarista do escritório Morad Advocacia, Antônio Carlos Morad, esclarece que o planejamento é a chave da recuperação do negócio. “Uma empresa menor deve ser gerida como tal. É de suma importância que os pequenos investidores se preparem para o crescimento da firma. A pesquisa, o aprofundamento no conhecimento técnico do negócio, o reestudo de conceitos, a viabilidade, entre outros pontos, deve ser primordial para que se obtenha sucesso”, acrescenta Morad. Para regularizar uma instituição negativada, o advogado pontua os principais caminhos jurídicos. “Primeiramente repensar o negócio e verificar se existe um anacronismo. Se não for isso, o empresário carece de analisar onde ocorreram os erros e entender os pontos fracos, para que se corrija rapidamente. Um advogado experiente e especializado no direito tributário deve ser contratado para apresentar soluções que possam levar a empresa a restabelecer sua saúde fiscal”.
4,6 milhões de pequenos negócios foram criados no Brasil em 2025

O Brasil registrou um novo recorde na abertura de pequenos negócios em 2025. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontam que, entre janeiro e novembro deste ano, foram criados 4,6 milhões de novos empreendimentos de pequeno porte em todo o país. O número já supera o resultado de todo o ano de 2024, quando foram abertas 4,1 milhões de empresas, e representa um crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, consolidando o melhor desempenho da série histórica. Segundo o levantamento, os pequenos negócios responderam por 97% de todas as empresas abertas no Brasil em 2025, confirmando o papel central desse segmento na dinâmica econômica nacional. Do total de novos registros, 77% correspondem a microempreendedores individuais (MEIs), 19% a microempresas e 4% a empresas de pequeno porte. Em novembro, o país registrou a abertura de 350 mil novos pequenos empreendimentos, 28 mil a mais do que no mesmo mês de 2024. Até novembro, o segmento de serviços concentrou a maior parte das novas empresas formalizadas, representando 64% do total. Dentro desse grupo, o número de microempreendedores individuais apresentou um avanço de 24,5% na comparação com o mesmo intervalo de 2024. Na sequência, o comércio respondeu por 21% das aberturas, enquanto a indústria ficou com 7%. No recorte regional, São Paulo liderou a criação de pequenos negócios em 2025, com 29% dos registros, seguido por Minas Gerais, com 11%, e pelo Rio de Janeiro, com 8%. De acordo com a economista Mariana Torres, o avanço expressivo está ligado a uma combinação de fatores. “Tivemos a recuperação gradual da atividade econômica, aliada à digitalização dos serviços, que reduziu custos e facilitou o acesso ao empreendedorismo. Abrir um negócio hoje é menos burocrático do que há alguns anos, especialmente no caso do MEI”. Outro elemento é a transformação no mercado de trabalho. “Em um cenário de mudanças, com maior informalidade e rotatividade, empreender deixou de ser apenas um sonho e passou a ser uma necessidade para milhões de pessoas. O crescimento do número de MEIs mostra como o brasileiro busca alternativas para garantir renda e estabilidade”, revela Mariana. Além do impacto direto na geração de renda, os pequenos negócios têm papel fundamental na economia brasileira. Eles são responsáveis por uma parcela significativa dos empregos formais, movimentam economias locais e contribuem para a descentralização do desenvolvimento. Apesar do desempenho recorde, o consultor em empreendedorismo Carlos Menezes alerta que abrir empresas é apenas o primeiro passo, a taxa de sobrevivência dos pequenos negócios ainda é um desafio no país. “Dificuldades de acesso ao crédito, carga tributária complexa, falta de capacitação em gestão e oscilações no consumo são obstáculos recorrentes. O crescimento impressiona, mas é preciso olhar para a sustentabilidade desses empreendimentos”. Nesse contexto, o fortalecimento de políticas de apoio torna- -se essencial. Para Menezes, ampliar o acesso ao crédito com juros mais baixos, investir em educação empreendedora e simplificar ainda mais o ambiente regulatório são medidas estratégicas. “Não basta incentivar a abertura de empresas, é fundamental criar condições para que elas cresçam, inovem e permaneçam ativas”. A digitalização também é apontada como um caminho decisivo para a consolidação do setor. Plataformas de vendas on-line, meios de pagamento digitais e o uso de redes sociais como canais de marketing ampliaram o alcance de pequenos empreendedores, inclusive em regiões antes pouco integradas ao mercado nacional. “A tecnologia nivelou o jogo em muitos aspectos. Um pequeno negócio hoje pode alcançar clientes em todo o país, desde que tenha orientação e acesso às ferramentas certas”, finaliza Menezes.
Minas alcança US$ 41,4 bilhões em exportações no acumulado do ano

As exportações de Minas Gerais totalizaram US$ 41,4 bilhões no acumulado de 2025, um aumento de 6,4% frente ao mesmo período de 2024, e as importações somaram US$ 17 bilhões, resultando em um superávit de US$ 24,4 bilhões, segundo a Fundação João Pinheiro (FJP). O Estado respondeu por 13% das vendas internacionais brasileiras e se manteve como o terceiro maior exportador do país. Nos 11 primeiros meses de 2025, as importações representaram um crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2024, sendo o quinto maior importador do Brasil com 6,5% das compras internacionais. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o fluxo comercial mineiro somou US$ 58,4 bilhões, o terceiro maior do país, e superando em 7,2% o montante do ano passado. “Em todo o ano de 2024, as exportações mineiras somaram cerca de US$ 42 bilhões, o que já foi um salto significativo para o Estado. E os números mostram que, novamente, devemos quebrar um recorde na série histórica. Isso reforça que as políticas do Governo de Minas para o comércio exterior estão sendo efetivas e que os produtos mineiros, mais do que nunca, estão alcançando o mundo”, ressalta a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Mila Corrêa da Costa. O economista titular do Conselho Regional de Minas Gerais, Gelton Pinto Coelho Filho, explica que há duas questões importantes e fundamentais para entender o sucesso das exportações mineiras, mesmo com a crise deflagrada pelo governo norte-americano. “O financiamento vultoso da produção, feita pelo governo federal, e anos de trabalho de empresas, como a Embrapa, que junto com o empresariado agroexportador têm avançado muito em tecnologias e utilização adequada da terra. O financiamento e as pesquisas diminuem substancialmente o risco do negócio e permitem melhor alocação dos insumos produtivos”. Filho salienta que os impactos do tarifaço foram diferentes por setor, mas significativamente menores do que havia sido projetado. “Individualmente, enquanto o café teve avanço, o aço, por exemplo, teve muitas perdas. O número final não pode ser vendido como sucesso, se vários setores tiveram prejuízos”. Dados de novembro No mês de novembro, Minas Gerais foi o segundo maior exportador brasileiro, tendo participação de 13,8% no comércio internacional do país, atrás de São Paulo, com 20,2%. Cerca de 60% da pauta mineira de exportações foi representada pelo café e minério de ferro. O café teve participação de 30,4% e aumentou 22% em valor, com queda de 19,1% em volume. O minério de ferro, que representou 28,2%, apresentou acréscimo de 32,6% em valor e de 15,9% em volume. Os principais destinos das exportações foram a China e a Alemanha. A participação da China foi de 25,1% em novembro de 2024, aumentou para 33,3% em novembro deste ano. A participação da Alemanha cresceu de 5,1% para 6,6% no mesmo período. A dos Estados Unidos, por outro lado, recuou de 13,9% para 6,5% em razão da retração em vários produtos. Hoje, o país está em terceiro lugar no ranking dos destinos. Projeções para 2026 “Não poderíamos imaginar um momento melhor, mesmo com crises e instabilidades internacionais graves. A partir de janeiro, grande parte dos cidadãos não pagará imposto de renda e, tendo a propensão baixa à poupança, essa população irá consumir com mais vigor. Do ponto de vista externo, o financiamento das atividades produtivas vai proporcionar segurança para a manutenção do plantio, produção e exportação”, destaca o economista. Porém, Filho afirma que Minas vive um completo desmonte logístico. “Faltam investimentos em ferrovias, estradas e transporte público de massa. Enquanto o Governo do Estado abriu mão de R$ 111 bilhões em renúncias fiscais e isenções tributárias, a dívida pública explodiu, passando dos R$ 200 bilhões, e a população não recebeu o mínimo de atenção em termos de recursos públicos. O funcionalismo, que com seus salários sustentam muitas cidades do interior, acumulam perdas que, em alguns casos, chega a ser superior a 40% dos proventos”, finaliza.