MG tem 4,5 mil novos MEIs na categoria comércio ambulante de alimentos

Apenas em 2025, mais de 56 mil brasileiros passaram a atuar como microempreendedores individuais (MEIs) no ramo de serviços ambulantes de alimentação, o que representa um avanço de 45% em relação a dois anos atrás. Em 2023, o total de registros foi de 38,8 mil, subindo para 42,8 mil em 2024. As informações são da base da plataforma DataSebrae. Minas Gerais concentra quase 10% desse total de novos microempreendedores individuais. No Estado, foram contabilizadas 4.508 formalizações de MEIs na categoria de comércio ambulante de alimentos em 2025. Os meses com maior número de registros foram janeiro, fevereiro e novembro. O aumento nas formalizações coincide com períodos festivos, tanto no cenário nacional quanto em Minas Gerais, como o Carnaval. A movimentação superior a R$ 1,4 bilhão na economia de BH no período contou com contribuição significativa dos vendedores ambulantes. A consultora de pequenos negócios, Mariana Tavares, avalia que a formalização por meio do MEI representa uma mudança estrutural para milhares de trabalhadores que antes atuavam na informalidade. Ela explica que o registro como microempreendedor garante acesso a diversos benefícios. “Ao se formalizar, o ambulante passa a ter CNPJ, pode emitir nota fiscal, acessar linhas de crédito com juros mais baixos e contribuir para a Previdência Social. Isso significa mais segurança para o negócio e para a família”. Além da proteção social, que inclui aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade, o enquadramento como MEI também facilita a participação em eventos organizados pelo poder público. “Em cidades como Belo Horizonte, a regularização é frequentemente exigida para o credenciamento de vendedores em grandes festas. O Carnaval da capital mineira, que nos últimos anos consolidou-se como um dos maiores do país, exemplifica esse movimento. Milhares de foliões ocupam as ruas a cada edição, ampliando o consumo de alimentos e bebidas e gerando oportunidades para quem trabalha de forma itinerante”, destaca. Com a simplicidade para ingressar ou se desligar do regime formal por meio do MEI no Brasil, é frequente a ocorrência de muitas aberturas e encerramentos de registros, conforme aponta o Sebrae. Ainda assim, Minas Gerais apresentou estabilidade no número de microempreendedores individuais ativos após o término do último ano. Entre os 4.508 CNPJs registrados no período, 2.711 foram encerrados, o que resultou em um saldo positivo de 1.797 novas empresas. O economista Rafael Campos ressalta que os 4,5 mil novos registros em Minas Gerais têm impacto que vai além do número absoluto. “Estamos falando de milhares de famílias inseridas de maneira mais estruturada na economia. Cada ambulante compra insumos, contrata ajudantes temporários e movimenta fornecedores locais. É um ciclo que começa na rua, mas se espalha por toda a cadeia produtiva”. Esse efeito multiplicador é percebido sobretudo em períodos festivos, o resultado é um fortalecimento da economia circular, conceito que descreve a manutenção dos recursos em uso pelo maior tempo possível dentro de uma mesma região. Segundo Campos, a formalização contribui para organizar esse fluxo econômico. “Quando o ambulante se torna MEI, passa a registrar suas compras e vendas, cria histórico financeiro e pode planejar melhor o negócio. Isso traz previsibilidade e estimula reinvestimentos. Parte do lucro obtido no Carnaval, por exemplo, costuma ser aplicada na melhoria de equipamentos ou na ampliação do cardápio”. Os dados de 2025 reforçam uma tendência observada nos últimos anos: a busca por autonomia profissional aliada à segurança jurídica. Muitos trabalhadores veem no empreendedorismo uma alternativa diante das oscilações do mercado formal de trabalho. Para Mariana, o desafio agora é garantir capacitação contínua. “Formalizar é o primeiro passo. Depois, é preciso investir em gestão, controle de estoque, precificação e atendimento ao cliente”.
Construção civil projeta um desempenho mais robusto em 2026

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta um desempenho mais robusto para o setor em 2026. A estimativa é de crescimento de 2%, o que marcará o terceiro ano consecutivo de expansão. Em 2025, o avanço foi de 1,3%. Segundo a entidade, a expectativa é sustentada pela combinação de um conjunto de fatores: o início do ciclo de redução da taxa de juros, o orçamento recorde para habitação financiada pelo FGTS, novas contratações do programa “Minha Casa, Minha Vida”, a implementação do novo modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança e os investimentos em infraestrutura. Entre as iniciativas que reforçam o cenário favorável está o Reforma Casa Brasil, que prevê investimentos de R$ 40 bilhões. E as mudanças no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que ampliou o valor dos imóveis passíveis de financiamento e deve aumentar a oferta de crédito. A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, ressalta a preocupação do setor para 2026. “A taxa de juros ainda elevada, a escassez e o alto custo da mão de obra, menor ritmo de crescimento da economia nacional e a situação fiscal do país. Como pontos positivos, para as nossas expectativas, temos o início da queda da taxa de juros, apesar de ser uma redução pequena, é uma expectativa de ciclo de diminuição, que é importante”. “O país está em um período de obras de infraestrutura, e isso deve continuar em 2026, impactando diretamente o setor. Tem o Reforma Casa Brasil, que é um programa importante e que pode incentivar as pequenas obras e reformas. Um orçamento recorde do FGTS para habitação e novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida”, complementa. Mercado em alta De acordo com os dados que compõem a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, houve um crescimento de 18,6% do mercado no quarto trimestre de 2025, em comparação ao trimestre anterior, com o lançamento de 133.811 unidades. No acumulado de 12 meses, o aumento foi de 10,6%, registrando 453.005 unidades. Em 2025, o mercado imobiliário brasileiro registrou um Valor Geral de Lançamento (VGL) de R$ 292,3 bilhões, montante 10,6% superior a 2024. Tanto o dado trimestral quanto o anual representam recordes, assim como o VGL teve o maior valor histórico. Além do crescimento do número de lançamentos, houve aumento de 5,4% no volume de vendas e de 6,2% na oferta final de unidades, considerando os dados fechados de 2024 e 2025. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, houve um aumento de 8% da oferta, encerrando o ano passado com 347.013 unidades. “O mercado imobiliário mostrou robustez. A demanda se sustentou no ano mesmo diante de um cenário de juros elevados, revelando que o déficit habitacional persiste, e o brasileiro está em busca pela realização do sonho da casa própria”, destaca o presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho. Empregos A construção civil encerrou 2025 com 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, alta de 3,08% em relação ao final de 2024. O segmento de construção de edifícios concentrou o maior contingente de empregados e registrou o maior incremento no número de trabalhadores formais. Entre 2020 e 2025, o setor foi responsável pela criação de 886.709 empregos com carteira assinada. O segmento de infraestrutura também contribuiu para o resultado. Em 2025, conforme estimativas realizadas pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), os investimentos podem ter alcançado R$ 280 bilhões, cerca de 3% acima do registrado em 2024, com predominância do capital privado, responsável por 84% do total. Ieda explica que São Paulo, Pernambuco e Bahia registraram o maior índice de geração de vagas, e Minas Gerais se destacou com um número de demissões superior ao de admissões. “O que gerou um saldo de vagas negativo (- 6.198). Até o terceiro trimestre, Minas era o segundo Estado que mais gerava empregos na construção”. “Esse resultado aconteceu em função das vagas perdidas, no quarto trimestre, por causa das obras de infraestrutura. O Estado fechou 8.517 empregos no segmento, sendo que isso aconteceu mais no último trimestre do ano e foi o principal responsável pelo saldo negativo”, aponta a economista.
Liquidações extrajudiciais de bancos testam o Fundo Garantidor de Créditos

A sequência de liquidações extrajudiciais promovidas pelo Banco Central, envolvendo o Banco Master, o Will Bank e o Banco Pleno, colocou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no centro do debate sobre estabilidade e risco sistêmico no Brasil. Com pagamentos estimados em mais de R$ 40 bilhões apenas no caso Master e bilhões adicionais nas demais instituições, o fundo enfrenta o maior teste desde sua criação, em 1995. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, para produtos como CDB, LCI, LCA, poupança e conta corrente. O mecanismo é privado, financiado pelas próprias instituições associadas, e tem como missão preservar a confiança no sistema bancário. Para o advogado e doutor em Direito Civil, Vanderlei Garcia Júnior, o papel do fundo vai além do ressarcimento. “É um mecanismo privado de proteção ao sistema financeiro que tem como função principal garantir depósitos e determinados investimentos até os limites estabelecidos. Isso significa que, se um banco quebrar, o cidadão não perde automaticamente o dinheiro aplicado. Mas o papel do FGC vai muito além, atuando também como instrumento de estabilidade sistêmica, reduzindo o risco de corrida bancária e preservando a confiança no sistema financeiro como um todo”. A confiança é elemento central da engrenagem econômica, avalia Júnior. “Sem previsibilidade, o crédito encarece, a liquidez das instituições diminui drasticamente e a economia desacelera. O FGC funciona como amortecedor de crises e contribui para a segurança do ambiente financeiro brasileiro”. Limites do modelo atual O episódio recente também reacendeu o debate sobre governança e incentivos de risco. Para o CEO da Queiroz Investimentos e Participações, Cesar Queiroz, o caso evidencia a necessidade de aperfeiçoamentos. “O maior pagamento de garantias da história do sistema financeiro brasileiro não é apenas um episódio pontual”. “Ele reacende um debate essencial sobre risco sistêmico, governança e responsabilidade no uso dos mecanismos de proteção ao investidor. Quando o instrumento passa a ser utilizado como argumento mercadológico de proteção total, pode haver distorções que incentivem estratégias incompatíveis com o porte e a estrutura de determinadas instituições”, complementa. Queiroz defende que o fortalecimento do FGC passa por critérios proporcionais ao risco. “Experiências internacionais mostram que instituições com maior perfil de risco contribuem mais para fundos garantidores. Esse é um debate relevante para evitar concentração de risco sistêmico”. Já o especialista do mercado financeiro, Pedro Persichetti, destaca que parte do problema está na falta de compreensão das regras por investidores. “O erro mais comum é acreditar que qualquer investimento bancário está garantido. O FGC cobre produtos específicos e o limite é por CPF ou CNPJ, por instituição e por conglomerado financeiro. Diversificar apenas entre marcas diferentes não garante maior proteção se elas pertencem ao mesmo grupo econômico”. Persichetti reforça que o FGC deve ser visto como rede de segurança, não como estratégia de investimento. “A proteção do fundo é importante, mas não substitui análise de risco e diversificação adequada. O investidor precisa entender limites e exposições para não concentrar patrimônio acima do teto garantido”. Em meio às discussões sobre ajustes regulatórios, o consenso é que o FGC permanece peça-chave da estabilidade financeira e sua relevância ultrapassa o aspecto operacional. “O Fundo Garantidor de Créditos é um ativo institucional que sustenta o sistema bancário brasileiro. Ele não representa apenas uma garantia financeira, mas um instrumento de preservação da confiança coletiva. Sem esse mecanismo, o risco de instabilidade seria significativamente maior”, conclui Júnior.
Mercado amplia desigualdade salarial entre diferentes setores

O mercado de trabalho no Brasil apresentou avanço em 2025, porém, a disparidade salarial entre diferentes setores continuou expressiva. Segundo levantamento do Infojobs, as áreas técnicas registraram remunerações médias que chegaram a ser até duas vezes superiores às oferecidas em funções operacionais. Os segmentos que concentraram o maior número de vagas, como atendimento ao cliente, comércio e vendas, logística, serviços gerais, alimentação e telemarketing, foram responsáveis por uma fatia significativa das admissões em 2025, representando aproximadamente 58% do total ao longo dos últimos 12 meses. Tratam-se de atividades indispensáveis para a dinâmica econômica e que mantêm procura constante por trabalhadores. Apesar do grande volume de oportunidades, essas áreas figuram entre as que oferecem menores remunerações quando comparadas a setores considerados estratégicos. Em funções relacionadas a atendimento, higienização, telemarketing e atividades operacionais, a média salarial permaneceu, na maioria dos casos, abaixo da quantia de R$ 2,5 mil por mês. Por outro lado, segmentos como tecnologia da informação (TI), contabilidade e finanças, recursos humanos e saúde registraram as maiores faixas salariais ao longo do ano. Na área de TI, por exemplo, os vencimentos médios iniciais ultrapassaram R$ 3,6 mil, enquanto em finanças e contabilidade os valores ficaram acima de R$ 3,3 mil mensais. A distância entre esses campos e os setores operacionais chega a quase dobrar o rendimento, o que reforça a segmentação do mercado de trabalho, onde o nível de qualificação e o ramo de atuação influenciam diretamente o acesso a melhores salários. Assim, mesmo com a expansão do total de admissões, a estrutura de remuneração no país continuou marcada por desequilíbrios. O aumento das vagas em funções operacionais ampliou as chances de entrada no mercado, mas não foi suficiente para encurtar a diferença em relação aos ganhos oferecidos por áreas mais especializadas. Para a economista do trabalho Helena Duarte, a discrepância salarial reflete a lógica de oferta e demanda aliada à exigência de formação específica. “Áreas técnicas requerem qualificação formal, domínio de ferramentas e, muitas vezes, atualização constante. Como há menos profissionais com esse perfil disponível, as empresas pagam mais para atrair e reter talentos. Já as funções operacionais costumam exigir menor tempo de formação e têm maior oferta de candidatos, o que pressiona os salários para baixo”. Ela avalia que a concentração de vagas operacionais também está ligada ao perfil produtivo do país. “A economia brasileira ainda é fortemente baseada em serviços e atividades de menor intensidade tecnológica. Isso gera grande volume de postos operacionais, mas limita a expansão de empregos altamente qualificados”. O sociólogo André Nascimento destaca que a dificuldade de acesso às áreas técnicas não se resume à falta de interesse dos trabalhadores. “Há barreiras estruturais importantes, como desigualdade educacional, necessidade de ingresso precoce no mercado de trabalho e baixa renda familiar. Muitas pessoas precisam trabalhar desde cedo e não conseguem investir tempo e recursos em cursos técnicos ou ensino superior”. A limitação no acesso a cursos de qualidade e a falta de informação sobre trajetórias profissionais também contribuem para perpetuar o ciclo. Helena acrescenta que a transformação digital acelerada nos últimos anos ampliou a demanda por profissionais qualificados, mas o sistema educacional não acompanhou a mesma velocidade. “Existe um descompasso entre o que o mercado exige e o que grande parte da população consegue acessar em termos de formação. Sem políticas consistentes de qualificação, a tendência é a segmentação se aprofundar”. Para mudar esse cenário, os especialistas defendem ações articuladas entre governo, empresas e instituições de ensino. Entre as propostas estão a ampliação de programas de formação técnica gratuita, parcerias entre empresas e escolas para capacitação prática e incentivo à educação continuada. “É fundamental criar trilhas de qualificação acessíveis, com cursos modulares e flexíveis, que permitam ao trabalhador estudar e trabalhar ao mesmo tempo”, sugere Nascimento. Outra medida apontada é o fortalecimento de políticas de inclusão digital e bolsas de estudo voltadas a áreas estratégicas. “Quando ampliamos o acesso à formação técnica, aumentamos as chances de mobilidade social e reduzimos a desigualdade salarial”, finaliza a economista.
Renda fixa deve seguir forte em 2026 como estratégia de investidores

A renda fixa voltou ao centro das decisões do investidor brasileiro em 2025. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostraram que os fundos dessa categoria lideraram a captação da indústria, com entradas líquidas de R$ 84,3 bilhões. No consolidado, o setor fechou o ano com captação positiva de R$ 88,4 bilhões e patrimônio líquido de R$ 10,7 trilhões, alta de 15% em relação a 2024. O desempenho ocorreu em um ambiente de Certificado de Depósito Interbancário (CDI) acumulado de 14,3%. Fundos de renda fixa do tipo duração média grau de investimento entregaram 14,5% de retorno, superando o índice. “Mais uma vez, os fundos de renda fixa foram a locomotiva da indústria, com os investidores buscando retornos adicionais ao CDI nos fundos de crédito privado. Esse cenário tende a se manter em 2026, considerando o nível ainda elevado dos juros e uma postura mais prudente dos investidores em um ano eleitoral”, afirma o diretor da Anbima, Pedro Rudge. Para o economista e especialista em renda fixa da Me Poupe!, Gean Duarte, o movimento combina fatores conjunturais e estruturais. “É um reflexo das duas coisas. A Selic elevada tornou a renda fixa extremamente atrativa. Estamos falando de retornos acima de 1% ao mês em produtos conservadores. Naturalmente, isso desloca capital de ativos mais voláteis para alternativas previsíveis”. Ainda segundo Duarte, houve também amadurecimento do investidor. “Há uma mudança estrutural clara. O acesso à informação fez muita gente sair da poupança e migrar para Tesouro Selic e CDBs. Quando o investidor percebe que pode obter boa rentabilidade sem grande risco, ele prioriza segurança”. Em 2026, ano eleitoral, a cautela tende a aumentar. “Em períodos de incerteza econômica, prever o cenário é impossível. Por isso, a proteção vem da diversificação. O investidor não deve depender apenas do CDI. Uma carteira equilibrada combina pós-fixados, prefixados e títulos indexados à inflação”, analisa Duarte. Cautela aos iniciantes Apesar da forte captação em fundos de crédito privado, o economista recomenda prudência ao iniciante. “Para quem está começando, geralmente é mais seguro investir diretamente em títulos simples e transparentes. No Tesouro Selic há garantia do Tesouro Nacional. Nos CDBs, há cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Já fundos podem conter ativos que o investidor não compreende. Previsibilidade não significa ganhar pouco e sim ganhar de forma consistente acima da inflação”. Ele também alerta para o uso consciente da garantia do FGC. “É uma proteção, mas não substitui a análise do emissor. O rating é a qualidade do avião; o FGC é o paraquedas. O objetivo é não precisar usá-lo”. Na avaliação do economista, há uma lógica clara de progressão. “Primeiro, reserva de emergência, cerca de seis meses do custo de vida em Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária. Depois, definição de objetivos e diversificação por indexadores”. “Para metas longas, como aposentadoria, títulos atrelados ao IPCA ganham importância. Primeira proteção, depois objetivo, e só então otimização da rentabilidade”, conclui.
Brasil bate recorde no turismo e recebe 9,3 milhões de visitantes estrangeiros

Segundo dados do Banco Central, o Brasil atingiu um novo patamar histórico no gasto de visitantes internacionais. Em 2025, os turistas estrangeiros, que estiveram no país, deixaram o montante de US$ 7,865 bilhões, o equivalente a R$ 41,7 bilhões. É um aumento de 7,1% em relação a 2024. Foram 9,3 milhões de turistas internacionais desembarcando no território brasileiro, um total de 37,1% a mais que o previsto para o ano. Entre os mercados emissores, a Argentina manteve a liderança absoluta, com 3.386.823 turistas. Na sequência, vieram os chilenos, com 801.921 visitantes, e os norte- -americanos (759.637). Já viajantes vindos de países da Europa, como França, Portugal, Alemanha, Itália, Reino Unido e Espanha, somaram juntos 1.274.567 visitantes. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, enfatiza que o turismo representa um pilar estratégico e crescente na economia brasileira. “É mais um resultado histórico que reafirma o poder do setor como uma matriz econômica de geração de emprego e renda para o nosso país. Esse recorde se traduz em crescimento para os pequenos negócios e reforça o papel do segmento como modelo de desenvolvimento econômico compatível com as exigências do século 21”. O especialista em investimentos, finanças e negócios internacionais, Beny Fard, explica que esse volume relevante de gastos impacta no Produto Interno Bruto (PIB) direta e indiretamente. “Considerando que o gasto do turista estrangeiro entra como exportação de serviços na conta de transações correntes, isso ajuda a equilibrar o balanço externo e a reduzir nossa dependência de commodities”. Na prática, a cada dólar gasto em turismo há um desdobramento em consumo interno, arrecadação tributária e geração de renda local, afirma o especialista. “Estudos do setor indicam que o efeito multiplicador do segmento pode variar entre 1,6 e 2 vezes, especialmente em economias emergentes como a brasileira, ou seja, esses US$ 7,9 bilhões não ficam restritos a hotéis e passagens, eles irrigam outros importantes ramos como comércio, transportes, alimentação, cultura e serviços, com reflexo direto no crescimento econômico”. Fard ressalta o câmbio como um dos principais fatores que explica o aumento do número de turistas no país. “Com o real desvalorizado, o Brasil se torna um destino mais competitivo em termos de custo-benefício. Outro ponto é a retomada e fortalecimento da conectividade aérea internacional no pós-pandemia. Ainda podemos acrescentar um esforço maior de promoção internacional do país, a simplificação do processo de vistos para mercados estratégicos, bem como uma mudança de percepção do Brasil como destino de natureza, cultura e experiências únicas”. Ele aponta que ainda há limitações em aeroportos regionais, o que dificulta a interiorização do turismo. “Também há desafios em mobilidade urbana, saneamento, sinalização turística e conectividade digital em destinos emergentes. Outro ponto sensível é a qualificação profissional, principalmente em idiomas e atendimento ao turista internacional”. A tendência de crescimento é positiva, mas com ressalvas, avalia Fard. “O cenário global ainda é de incertezas geopolíticas e econômicas, o que pode afetar os fluxos turísticos. Ainda assim, o Brasil está bem posicionado. Se mantiver o câmbio competitivo, ampliar a conectividade aérea e garantir segurança jurídica e institucional, é possível sim avançar em número de visitantes e receita”. Empregos O setor de turismo fechou 2025 com cerca de 1,9 milhão de admissões com carteira assinada no país, totalizando um saldo positivo de mais de 80 mil empregos formais, conforme dados do Novo Caged analisados pelo Ministério do Turismo. Na análise por segmentos, o setor de alimentação foi o que mais firmou contratos no ano, respondendo por 1.331.818 admissões. Em seguida, destacam-se os setores de alojamentos (268.346) e transporte terrestre (120.183). “O turismo possui peso estratégico na criação e manutenção de empregos, porque é intensivo em mão de obra e absorve profissionais de diferentes níveis de qualificação, gerando empregos diretos, como em hotéis, bares, restaurantes e agências, e indiretos, em logística, eventos, cultura e economia criativa”, conclui Fard.
Consórcio de imóveis apresenta crescimento significativo em Minas

De acordo com a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o consórcio de imóveis apresentou um crescimento significativo nos últimos anos. Entre 2020 e 2025, as vendas de cotas tiveram alta próxima de 300%. Nos últimos 20 anos, desde 2005, aproximadamente 1,55 milhão de participantes foram contemplados, permitindo a compra de imóveis para moradia, negócios ou investimentos. Esse cenário é especialmente visível em Minas Gerais, onde o consórcio de imóveis tem grande relevância, representando cerca de 10% do total de cotas vendidas no país. O desempenho do Estado acompanha a tendência nacional, ao mesmo tempo em que destaca o aumento do interesse local pelo produto, principalmente para a compra de imóveis em um mercado que continua crescendo ano após ano. A Ademicon, principal administradora independente de consórcios do Brasil em créditos ativos, acompanha essa tendência e registra crescimento na procura por consórcios de imóveis em Minas Gerais. Em 2025, o faturamento da empresa no segmento no Estado atingiu R$ 2,8 bilhões, registrando um aumento de 131% em comparação ao ano anterior. Consumidores atentos Segundo o consultor de mercado imobiliário João Almeida, o avanço do consórcio no Estado está ligado a fatores econômicos e sociais que têm levado os consumidores a repensarem a forma de adquirir imóveis. “O aumento das taxas de juros e a instabilidade econômica tornaram o financiamento bancário menos atrativo para muitos brasileiros. O consórcio, por sua vez, oferece planejamento financeiro, parcelas previsíveis e sem cobrança de juros, o que permite ao comprador organizar seu orçamento com segurança”. A modalidade permite que o participante se prepare para a compra do imóvel sem se comprometer com dívidas onerosas. “O consórcio não é apenas uma alternativa mais barata, mas também uma forma de construir patrimônio de maneira gradual e estratégica. O cliente sabe exatamente quanto vai pagar e pode planejar a contemplação de acordo com seus objetivos pessoais e financeiros”, complementa. Segurança financeira A preferência pelo consórcio também reflete mudanças no comportamento do consumidor mineiro. De acordo com o Sindicato dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Sindimóveis), o mercado imobiliário do Estado fechou 2025 com crescimento de cerca de 20% nas vendas, superando as expectativas do setor mesmo diante de taxas de juros ainda altas. Mesmo diante de juros elevados, os mineiros têm buscado alternativas que priorizem a segurança financeira e reduzam o risco de endividamento. “O consórcio passou a ocupar um papel central na estratégia de compra, especialmente para jovens casais e famílias que buscam conquistar o primeiro imóvel de forma planejada”, avalia a economista Camila Nogueira. Ela ressalta que entre os benefícios do consórcio, além da ausência de juros e da previsibilidade das parcelas, estão a possibilidade de contemplação por sorteio ou lance, e a flexibilidade para utilizar o crédito conforme a necessidade do comprador. “Ele oferece liberdade para escolher o imóvel, seja para moradia, investimento ou negócio. É uma alternativa que combina disciplina financeira e oportunidade de realização do sonho da casa própria sem sobrecarregar o orçamento familiar”. Para além do aspecto financeiro, Camila destaca o impacto positivo na organização das finanças pessoais e no planejamento de longo prazo. “Participar de um consórcio exige compromisso, mas também ensina o participante a planejar cada passo, desde a escolha da cota até o momento de usar o crédito. Essa disciplina ajuda a evitar decisões impulsivas e reduz o risco de endividamento, algo que não ocorre com a facilidade de crédito instantâneo oferecida pelos financiamentos tradicionais”. Ainda na avaliação da economista, a modalidade também tem sido bem recebida por investidores e famílias que buscam imóveis comerciais ou de lazer. “Alguns clientes usam o consórcio para adquirir imóveis de investimento ou unidades que valorizem ao longo do tempo. É uma forma de aplicar recursos de forma segura, sem pagar juros abusivos, e ainda garantir um ativo que tende a se valorizar no futuro”. “O consórcio não resolve todos os problemas do mercado, mas é uma solução inteligente para quem quer conquistar um imóvel sem comprometer o orçamento e sem depender exclusivamente dos bancos. É uma tendência que veio para ficar”, conclui Almeida.
Acordo comercial entre Mercosul-UE pode injetar R$ 37 bilhões no PIB

Após mais de 25 anos sendo negociado, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que foi assinado em janeiro, pode injetar até R$ 37 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil até 2044, segundo previsões do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O tratado prevê a eliminação ou redução gradual de tarifas, o Mercosul vai zerar a cobrança sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos e a UE vai eliminá-la sobre 95% dos produtos do bloco sul-americano em até 12 anos. De acordo com uma estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil será o maior beneficiado pelo acordo e prevê um crescimento de 1,49% nos investimentos no país. Já a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que o tratado pode gerar um aumento de cerca de US$ 7 bilhões nas exportações. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um levantamento apontando que, quando entrar em vigor, vai aumentar de 8% para 36% o acesso brasileiro ao mercado de importações mundiais de bens. O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressalta que a formalização da parceria ocorre em um momento estratégico para o país. “O acordo é a decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas. Ele garante acesso imediato ao mercado europeu, assegura tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o Brasil em um contexto de diversificação de parceiros, criando também um incentivo para avançar na agenda de competitividade estrutural”. Para o mestre em economia, Heldo Siqueira, há um benefício marginal de eliminar as tarifas de produtos que o Brasil exporta, como itens vinculados à alimentação e outras mercadorias do agronegócio. “A UE já é o segundo parceiro comercial do país. Ou seja, os produtos brasileiros deste segmento já têm mercado na Europa, de maneira que o ganho tende a ser marginal naquelas nações que mantém tarifas elevadas”. “As estimativas do MDIC são modestas, ao considerar efeitos de 0,34% do PIB, com impacto de 2,65% nas exportações e 2,46% nas importações até 2044. Neste sentido, parece ser um ganho mais diplomático que econômico, uma vez que se trata de um esforço grande de integração para pouco impacto na renda, ao longo prazo”, observa. Os produtos industriais europeus são bastante competitivos, destaca Siqueira. “Assim, sem a proteção das tarifas, os produtos europeus podem entrar no país, competindo com os da indústria nacional, sobretudo a automobilística. Os produtores brasileiros de automóveis incluem várias marcas europeias, neste sentido, pode ser que valha a pena trazer o veículo diretamente da Europa do que produzi-lo no Brasil”. O economista acredita que acordos comerciais podem ser vantajosos. “Mas, nenhum tratado substituirá o investimento em tecnologia e a melhoria da infraestrutura. Essa é a verdadeira fonte de competitividade, e são essas as políticas que fortalecerão a economia brasileira, com ou sem alianças com qualquer que seja o parceiro comercial”. Setores beneficiados Os principais setores beneficiados com o tratado são o agronegócio e exportadores tradicionais, destacadamente, carnes, grãos e derivados, incluindo os itens processados. “Além da indústria de transformação, como máquinas, equipamentos e bens de capital. Também há previsão para melhorar a condição de exportação de micro, pequenas e médias empresas”, pontua o especialista. Porém, Siqueira acrescenta que os empregos serão gerados na medida em que haja o aumento das exportações, naquelas atividades em que este fato ocorra. “Outros postos de trabalho podem ser gerados na adequação da produção brasileira às regras europeias, mas acredito que este seja um volume bastante reduzido”. “A diminuição de tarifas em um novo mercado sempre abre a possibilidade da constituição de empresas para concorrer e diversificar a pauta exportadora. Entretanto, as instituições que concorrem em mercados de produtos de maior valor agregado são muito competitivas. Neste sentido, apesar de a possibilidade existir, vai ser difícil que novas organizações brasileiras possam concorrer com as europeias que já dominam o mercado”, finaliza.
Carnaval deve movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão em Belo Horizonte

O Carnaval de Belo Horizonte chega a 2026 consolidado não apenas como um dos maiores do país em número de foliões, mas também como um dos principais motores da economia local. A expectativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) é de crescimento entre 10% e 15% na movimentação econômica durante o período, impulsionado pelo aumento do consumo, do turismo e da ocupação hoteleira. De acordo com o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o Carnaval deixou de ser apenas um evento cultural para se tornar um vetor estratégico de desenvolvimento. “Ele movimenta o comércio, gera renda, cria oportunidades para pequenos empreendedores e fortalece a imagem da cidade como destino turístico”. Para Souza e Silva, o impacto é percebido principalmente no comércio de rua, nos serviços e na cadeia do turismo. “É um período em que o dinheiro circula mais rápido e atinge diferentes camadas da economia”. Um levantamento da CDL/BH aponta que 58,1% dos foliões pretendem aproveitar os blocos de rua e 48,8% devem participar de pré-carnavais gratuitos ou ensaios de blocos. Esse perfil favorece bares, restaurantes, ambulantes, supermercados, lojas de fantasias e serviços de transporte. “O Carnaval democrático, gratuito e de rua permite que mais pessoas participem e consumam. Isso amplia o alcance econômico da festa”, destaca. Outro ponto ressaltado pelo presidente da CDL/BH é a profissionalização dos ambulantes ao longo dos últimos anos. “A organização e a capacitação dos vendedores ambulantes têm sido fundamentais. Eles conseguem gerar renda extra com qualidade, enquanto o folião tem acesso a produtos e serviços mais confiáveis”. Segundo a pesquisa, 67,4% dos consumidores pretendem comprar diretamente com ambulantes. Em Minas Gerais, a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, projeta que o Carnaval deve injetar cerca de R$ 6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão apenas em BH. “A Folia movimenta a economia e diversas estruturas, tanto na esfera municipal quanto estadual. Esse trabalho em rede é o que tem consolidado Belo Horizonte como um destino estratégico do Carnaval”. Quanto o folião deve gastar Os gastos individuais ajudam a explicar o otimismo do setor produtivo. De acordo com a CDL/BH, os foliões devem investir entre R$ 100 e R$ 150 em fantasias e adereços, além de cerca de R$ 70 por dia com bebidas. O pagamento à vista será predominante, com destaque para Pix, cartão de débito e crédito à vista, enquanto o transporte por aplicativo aparece como o principal meio de locomoção. Esse comportamento mostra cautela do consumidor, sem perder o desejo de aproveitar a festa, avalia Souza e Silva. “O folião quer curtir o Carnaval, mas sem comprometer o orçamento. Ele busca opções acessíveis, o que favorece os pequenos negócios”. Nos bares e restaurantes, a expectativa também é positiva. A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Karla Rocha, afirma que a maioria dos empresários espera crescimento no faturamento durante a Folia. “O Carnaval já está incorporado ao calendário econômico da cidade. Os estabelecimentos estão mais preparados para atender o público e transformar esse fluxo em resultados”, destaca. A hotelaria acompanha o mesmo ritmo. Segundo o diretor de Comunicação da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Diego Pires Gomes, a ocupação média em Belo Horizonte deve alcançar 85%, com 60% dos hotéis já operando com 100% de ocupação, especialmente na região Centro-Sul. “O Carnaval de BH é a maior vitrine da hotelaria. Muitos turistas prolongam a estadia, o que aumenta o ticket médio e beneficia toda a cidade”, afirma.
Inteligência artificial transforma a economia criativa

Um levantamento realizado pela Deck revela que 93,5% dos trabalhadores da área cultural e da economia criativa acreditam ser provável que a Inteligência Artificial (IA) transforme a maneira como suas atividades profissionais serão executadas nos próximos cinco anos. A pesquisa ouviu 1.555 profissionais, atuantes em 16 segmentos do setor, entre junho e setembro de 2025. O estudo também indica que 35,5% dos participantes consideram plausível que seus postos de trabalho venham a ser substituídos por soluções baseadas em IA nesse intervalo. O temor é mais acentuado entre profissionais de cinema, rádio e televisão, onde o índice chega a 44,9%, e no setor musical, com 44,3%. Mesmo com a expansão das ferramentas, a sondagem aponta uma diferença significativa entre a utilização da IA e o entendimento sobre ela: 62% dos entrevistados dizem não conseguir reconhecer quais produtos ou serviços fazem uso de inteligência artificial. Essa dificuldade é ainda maior entre profissionais com mais de 45 anos. Para o consultor em inovação criativa Eduardo Salgado, esse descompasso revela um problema central. “A IA já está embutida em softwares de edição, plataformas de streaming, ferramentas de design, recomendação de conteúdo e análise de audiência. Muitos profissionais usam essas soluções diariamente sem perceber que estão lidando com inteligência artificial. Isso limita o potencial de uso estratégico da tecnologia”. Ele pondera que o risco não está na tecnologia em si, mas na forma como a ferramenta é incorporada. “Ela tende a substituir tarefas repetitivas e operacionais, não a criatividade humana em sua essência. O perigo real é o profissional que ignora essas ferramentas e perde competitividade. Quem aprende a usá-las como apoio, e não como ameaça, amplia seu repertório e seu valor no mercado”. Ainda assim, prevalece uma visão positiva. Para 66,2% dos participantes, a inteligência artificial pode contribuir para o aprimoramento do mercado de trabalho criativo no médio prazo, índice semelhante ao observado em pesquisas realizadas com a população em geral. Esse dado sugere que, mesmo diante das incertezas, há uma percepção clara de que a tecnologia pode gerar novas oportunidades, ampliar a produtividade e abrir caminhos para modelos de negócio inovadores. Entre os benefícios apontados estão a otimização do tempo, a ampliação do acesso a ferramentas antes restritas a grandes estruturas e a possibilidade de experimentação criativa. “Um designer independente, por exemplo, consegue hoje testar conceitos visuais, variações de layout e paletas de cores em minutos, algo que antes demandava horas. Isso não elimina o olhar humano, mas libera tempo para decisões mais estratégicas”, destaca o especialista em tecnologia Lucas Mendonça. Para que esses ganhos se concretizem, o conhecimento sobre IA se torna um ativo fundamental. Segundo Mendonça, compreender como os algoritmos funcionam, quais são seus limites e como direcionar seu uso é uma habilidade cada vez mais valorizada. “Não é necessário que todo profissional se torne programador, mas é essencial saber dialogar com a tecnologia, fazer boas perguntas, interpretar resultados e manter senso crítico”. “As empresas precisam abandonar a lógica de substituir pessoas por sistemas e adotar uma visão de complementaridade. A IA pode assumir etapas operacionais, como análise de dados, organização de acervos e automação de fluxos, enquanto os profissionais ficam responsáveis por curadoria, criação conceitual e tomada de decisões. Quando essa divisão é bem estruturada, o ganho é coletivo, tanto em produtividade quanto em qualidade criativa”, destaca. A pesquisa evidencia também uma busca cada vez maior por qualificação, especialmente em cursos voltados para automação de processos, gestão de projetos culturais apoiados por inteligência artificial e utilização prática da tecnologia em diferentes segmentos da economia criativa.