Crescimento do setor de turismo é impactado pela alta dos preços
O turismo apresentou desempenho negativo por causa do aumento expressivo dos custos no setor, é o que revela a análise da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sobre os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de janeiro. O segmento foi o mais afetado no período, apresentando um recuo expressivo de 6,4%. Segundo a CNC, nos três meses encerrados em janeiro, o setor turístico teve um reajuste acumulado de 12%, impactando diretamente a demanda. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro mostrou aumento de 10,4% nas passagens aéreas, enquanto a alimentação fora do domicílio subiu 0,67% no mês e 1,19% em dezembro. Na avaliação do economista da CNC, João Vitor Gonçalves, os próximos meses serão decisivos para entender se a queda registrada em janeiro é um ajuste pontual da demanda, após os aumentos de preços, ou se reflete uma reversão de tendência no setor. Gonçalves salienta que o turismo vinha em uma curva ascendente desde a retomada pós-pandemia. “Mas o cenário macroeconômico adverso, com juros elevados e inflação pressionando o orçamento das famílias, pode levar a um período de menor crescimento”. O mestre em economia, Heldo Siqueira, explica que as passagens aéreas são bastante influenciadas pelo preço do dólar. “A cotação da moeda americana no início de maio do ano passado era de R$ 5,12, chegando a R$ 6,19 em dezembro de 2024. Além disso, houve um crescimento de preços generalizado dos alimentos, não somente na alimentação fora do lar. Ou seja, estamos falando de um aumento bastante expressivo”. Porém, Siqueira ressalta que após dois anos de expansão do setor acima do esperado, 2,9% em 2023, quando a expectativa era de 0,5% e 3,4% em 2024, quando a expectativa era de 2,3%, é normal que haja uma desaceleração. “Esta hipótese é confirmada pelas últimas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), no sentido de aumentar os juros para conter a atividade econômica. É preciso lembrar que o turismo é um serviço supérfluo e um dos primeiros itens a serem cortados pelas famílias em caso de aperto, ou seja, além dos preços, a desaceleração da atividade econômica pode explicar a queda no setor”. Para ele, é impossível acreditar que vai haver uma expansão do turismo muito descolada do restante da economia. “Os sinais de desaceleração econômica não indicam que possa haver uma retomada tão cedo. Além disso, os aumentos de juros, por parte do Banco Central, corroboram essa trajetória. Mesmo assim, o governo está sinalizando estímulos econômicos para os próximos meses, como revisão de impostos e outras medidas. No curto prazo, acredito que não vai haver uma reversão do cenário, poderemos perceber uma melhora a partir do segundo semestre de 2025 ou primeiro semestre de 2026”, acrescenta. Serviços O setor de serviços registrou leve queda de 0,2% no volume de vendas em relação a dezembro, consolidando a tendência de desaceleração da economia brasileira. Após encerrar 2024, com crescimento acumulado de 3,18%, o segmento segue demonstrando sinais de desaquecimento, já antecipados pelo Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre do ano passado, afirma a entidade. A CNC destaca ainda que os serviços, como um todo, devem continuar perdendo fôlego, acompanhando essa nova dinâmica econômica. Entretanto, a entidade reforça que segmentos como Tecnologia da Informação e Comunicação, que cresceu 2,3% em janeiro, continuam apresentando resiliência e puxando a média do setor. Já para o turismo, a Confederação tem expectativa de crescimento de 0,89% em fevereiro. Siqueira pontua que a época de fim de ano é naturalmente de atividade econômica mais elevada. “Assim, a comparação mais adequada é com janeiro de 2024 e não com dezembro. Sob esta comparação, houve expansão de 1,6%. Neste sentido, não é possível confirmar que haja um declínio expressivo ou que vai se manter, pois existem diversos sinais contraditórios na economia. É provável que haja uma desaceleração na expansão econômica, mas não acredito que possa haver uma ampliação do declínio”, finaliza.
Chocolates e peixes estão mais caros para a Páscoa deste ano
Os preços na Páscoa de 2025 estão mais caros e os chocolates em barra e bombons acumulam uma elevação de 16,53% em doze meses, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em Belo Horizonte, conforme o site Mercado Mineiro, os ovos de Páscoa registraram aumento de até 53% no valor. Já as barras de chocolate estão pelo menos 40% mais caras, e as caixas de bombons subiram 20% em comparação ao ano passado. “Temos aumentos bem superiores à inflação. Por exemplo, uma barra de chocolate de 80 gramas, que custava R$ 5,19, subiu para R$ 7,27. Os motivos para esses aumentos são a redução mundial na safra de cacau, principal ingrediente do chocolate. Somado a isso, tivemos um custo mais alto do açúcar no ano passado e também no transporte”, explica o diretor do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu. Ele esclarece que outro fenômeno que vem acontecendo com os ovos de Páscoa é a reduflação, em que a pessoa paga mais caro por um produto em menor quantidade. “De certa forma, o consumidor acaba comprando gato por lebre, achando que vai fazer a mesma fartura que em anos anteriores, mas, na verdade, está comprando é embalagem”. Menos ovos em 2025 A expectativa da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) é que sejam produzidos 45 milhões de ovos para a Páscoa 2025, uma redução de 22% em relação ao ano passado, quando foram fabricadas 58 milhões de unidades. Por meio de nota enviada ao Edição do Brasil, fatores como a redução na produção de cacau na Costa do Marfim e em Gana, dois dos maiores produtores mundiais, foram provocados pelo El Niño. “Isso elevou o preço da tonelada de US$ 2,5 mil para US$ 8 mil e gerou um déficit de 700 mil toneladas no mercado”. Ainda de acordo com a Abicab, “a indústria absorveu o maior impacto dessa alta de preços e lançou, para a Páscoa de 2025, 803 itens, 192 a mais do que em 2024. Além de novas gramaturas, composições com castanhas, pistache, amendoim e frutas, tamanhos diversos acompanham as preferências dos brasileiros, que sempre buscam novidades”. Segundo a Associação, foram feitas 10 mil contratações temporárias para esta Páscoa, contra 7 mil no ano passado. “Empacotadores, promotores de vendas, motoristas para transporte dos produtos em caminhão refrigerado. Desse total de trabalhadores, pelo menos 20% se tornam efetivos, com carteira de trabalho assinada. É a oportunidade para ingressar em uma carreira que prevê ascensão social”. Peixes Ainda de acordo com o Mercado Mineiro, em Belo Horizonte, o consumidor deve pagar mais caro por alguns peixes. O preço médio do bacalhau Saithe, que era de R$ 73,50 em 2024, passou para R$ 85,05 o quilo, uma alta de 15,72%. O bacalhau Cod apresentou um acréscimo de 8%. Em relação à variação de preços entre estabelecimentos, os preços de todos os tipos de bacalhau estão acima dos 100%. Segundo Abreu, um dos motivos para a grande diferença é a menor concorrência do setor em BH. “Também, por ser importado, o bacalhau sofreu muito com o aumento do dólar”. O preço médio do quilo da corvina e da tainha subiram 4% cada. Por outro lado, filé de surubim (-13,75%), sardinha (-14%), surubim em posta (-7,57%) e cascudo (-3%) apresentaram queda. Já o camarão sete-barbas grande, que custava, em média, R$ 63,79, subiu para R$ 89,81, um aumento de 40,79%. O camarão rosa limpo e o camarão sete-barbas pequeno subiram 13,74% e 13,37%, respectivamente. Para economizar nos peixes, a orientação do diretor do Mercado Mineiro é comprá-los um final de semana antes da Sexta-feira da Paixão, para conseguir um produto de boa qualidade e com um melhor preço. “Porque os preços já estarão formados. Por exemplo, o ovo de Páscoa chega ao estabelecimento com um preço. Devido à concorrência e à quantidade no estoque, os preços acabam sendo alterados. A principal estratégia do consumidor para economizar nessa época do ano, sem perder as tradições, é pesquisar”, finaliza.
Setores registram um faturamento recorde durante Carnaval de 2025

O Carnaval de Belo Horizonte em 2025 superou as expectativas e marcou um crescimento recorde para o setor de serviços da cidade, impulsionando o comércio local, o setor hoteleiro e o turismo de forma nunca vista antes. Segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), o faturamento dos estabelecimentos da capital mineira teve um crescimento de 25% em relação ao Carnaval de 2024. Segundo a economista Paula Albuquerque, a recuperação econômica do país, aliada à estabilização de indicadores macroeconômicos como a inflação, ajudou a aumentar o poder de compra dos consumidores. “As pessoas estão mais dispostas a gastar e a vivenciar experiências, especialmente em eventos como o Carnaval. Além disso, o retorno da confiança no consumo e a retomada de empregos formais impulsionaram a disposição dos brasileiros em gastar com lazer e gastronomia”. Outro fator relevante para o desempenho positivo do setor foi o aumento do turismo nas grandes cidades. “A alta do turismo em BH durante o período festivo contribuiu para um aumento no fluxo de clientes nos bares e restaurantes, o que, por sua vez, refletiu diretamente no aumento do faturamento. A oferta de eventos exclusivos e promoções nos estabelecimentos também foi um atrativo, agregando valor à experiência do consumidor e gerando mais vendas”, completa. O setor hoteleiro também apresentou resultados expressivos. A taxa de ocupação na cidade alcançou 76,73%, superando os 71,36% registrados no ano passado. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) anunciou um recorde no desempenho, com a região Central destacando-se, atingindo 82,10%. Esse índice é superior à média de 80,89% registrada em 2024, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIHMG). Para o agente de viagens, Vicente Brandão, a cidade tornou-se um dos destinos mais procurados para os foliões que buscam uma alternativa ao Carnaval tradicional. “O crescimento do turismo é um reflexo da consolidação de Belo Horizonte como um destino carnavalesco, algo que começou a se desenhar nos últimos anos, com a cidade atraindo cada vez mais visitantes de diferentes estados e até do exterior. É um grande evento turístico e as pessoas vêm para a festa, mas acabam conhecendo a cidade e sua cultura, o que impacta positivamente toda a cadeia do turismo”. De acordo com informações divulgadas pela PBH, Belo Horizonte recebeu aproximadamente 270,5 mil turistas durante o Carnaval de 2025, muitos dos quais chegaram à cidade graças à ampliação das operações no Terminal Rodoviário de Belo Horizonte. O terminal registrou um aumento de 7,1% nos desembarques em comparação com o mesmo período do ano anterior. A concessionária responsável pela gestão do terminal informou que, entre 27 de fevereiro e 6 de março, a rodoviária recebeu quase 97 mil passageiros. No Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (BH Airport), situado em Confins, na Região Metropolitana, o aumento foi ainda mais significativo. Entre 27 de fevereiro e 6 de março, o aeroporto registrou o fluxo de 257 mil passageiros, o que representa um crescimento de quase 26% em comparação com o Carnaval do ano anterior. Brandão afirma que o crescimento observado nesse Carnaval reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura e na promoção de eventos de grande porte. “Belo Horizonte está se consolidando como um centro de atrações culturais e isso tem reflexos importantes na economia. O Carnaval de 2025 serve como um modelo para futuras edições e pode inspirar novas ações no campo do turismo e do comércio”. Folia lucrativa De acordo com a PBH, o Carnaval de Belo Horizonte 2025 movimentou R$ 1,2 bilhão durante 23 dias de festa. Além disso, também gerou mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, demonstrando a sua importância para a economia local.
Tarifa sobre o aço pode fazer o Brasil perder US$ 1,5 bilhão em exportação

Segundo um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estima-se que tarifa de 25% sobre importação de aço e alumínio para os Estados Unidos pode fazer o Brasil perder US$ 1,5 bilhão em exportação e uma queda de produção de quase 700 mil toneladas em 2025. O que equivale a um declínio de 2,19% da produção, contração de 11,27% das exportações do metal e redução de 1,09% das importações. O coordenador de Relações Econômicas Internacionais do Ipea e autor do estudo, Fernando Ribeiro, destaca que isso se deve ao fato de que os Estados Unidos são um mercado muito importante para o aço brasileiro. “Em 2024, último dado de ano fechado que nós temos, eles foram destino de mais da metade das exportações. Portanto, é um mercado crucial de aço para o Brasil e daí a importância de se lidar com essa questão”. Apesar da repercussão significativa para o setor, em termos macroeconômicos, o impacto é baixo. A pesquisa prevê queda de apenas 0,01% do Produto Interno Bruto (PIB) e de 0,03% das exportações totais, com ganho de saldo na balança comercial de US$ 390 milhões, já que a redução da atividade econômica também levará à redução nas importações (0,26%). Para a especialista em comércio exterior e partner da Saygo Comex, Stefânia Ladeira, é muito importante entender que não necessariamente todas as exportações de aço do Brasil para os Estados Unidos vão ser impactadas. “Isso porque o Donald Trump está taxando a todos, como Canadá, México, Austrália, China, União Europeia e o Brasil. Não necessariamente essa taxação vai fazer com que todo o volume que é exportado para o país pare”. “Porém, se isso acontecer, dentro do Brasil vai acarretar o efeito em cascata. Se não tiver produtos de aço e alumínio sendo exportados, as indústrias vão parar, as usinas podem dar férias coletivas, e isso impacta toda a parte. Inclusive, esse relatório do Ipea leva em consideração que, possivelmente, a gente vai ter um impacto também dentro da produção nacional”, acrescenta. Ela observa ainda que a questão de afetar os preços dentro do Brasil pode ter duas possibilidades. “Uma queda na demanda interna, pois as indústrias podem reduzir as suas produções e faltar produto ou ficar mais escasso no mercado brasileiro. Como também pode ter um aumento desse custo do produto, exatamente porque foi produzido para exportação, e quando se exporta, o produto tem algumas reduções de impostos, contudo, quando vende para dentro do país, existe uma cadeia de impostos e isso pode afetar no valor final oferecido dentro do mercado nacional”, pontua. Como lidar com a situação Stefânia ressalta que o Brasil tem que lidar com essa situação exatamente como está sendo feito nas últimas semanas. “Ficou muito claro e evidente que Trump está com os seus planos e não pretende recuar. O Brasil continua fazendo suas negociações diretamente com os Estados Unidos, evitando colocar uma taxação dos produtos americanos e devemos continuar assim. Pois, como muitas operações nossas, para esses produtos, estão no mercado estadunidense, ter uma taxação acima do restante, ou ter cotas, ou outros instrumentos que possam impedir os nossos produtos de entrar no território americano, vai piorar a situação”. A especialista explica ainda que, ao longo prazo, o que os Estados Unidos querem é fazer uma mudança para que essas produções aconteçam dentro do mercado americano. “Se as indústrias começarem a migrar para os Estados Unidos ou para países que estão com parceiros comerciais mais fortes, sem a tarifação, o Brasil pode ser impactado. Mas hoje, no curto prazo, esse impacto vai ser um pouco menor exatamente porque estamos num cenário bem competitivo, pois todos os parceiros comerciais, nesse momento, que exportam bastante aço para eles, estão tendo a tarifação”. Setor em 2024 De janeiro a novembro do ano passado, o volume da produção de aço bruto no país foi de 31,1 milhões de toneladas. O resultado supera em 5,6% o registrado entre janeiro e novembro de 2023. Na comparação dos dois períodos, as importações, o consumo aparente e as vendas internas cresceram 24,4%, 9,6% e 8,7%, respectivamente, conforme aponta o Instituto Aço Brasil.
Consumo no setor de eventos pode chegar a R$ 141 bilhões este ano

A Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) estima que o setor de eventos atinja um consumo de R$ 141,1 bilhões em 2025, representando um crescimento de 7% em comparação a 2024, já ajustado pela inflação. No ano passado, o valor efetivo do consumo foi de R$ 131,8 bilhões. Esses dados demonstram a recuperação e o desenvolvimento contínuo do setor, que tem se fortalecido após a pandemia de COVID-19. O setor de eventos também tem apresentado indicadores positivos no mercado de trabalho. A Abrape projeta que o core business da indústria atinja 186,8 mil empregos formais em 2025, o que representa um aumento de 4,28% em relação aos 179,1 mil trabalhadores registrados em 2024. Esse crescimento resultará na criação de cerca de 7,6 mil novas vagas diretas. Ao considerar o hub setorial, a associação prevê um total de 4,305 milhões de postos de trabalho em 2025, o que corresponde a um crescimento de 1,1% em relação aos 4,26 milhões de empregos atualmente registrados. Isso implica na criação de mais 45,2 mil novas vagas diretas em todo o setor. Segundo a entidade, o core business abrange atividades como organização de eventos (exceto culturais e esportivos), atividades artísticas e culturais, espetáculos, recreação e lazer, e a produção e promoção de eventos esportivos. Já o hub setorial engloba 52 atividades econômicas diretamente impactadas, como operadores turísticos, bares e restaurantes, serviços gerais, segurança privada, hospedagem, entre outras. A Abrape também projeta que o setor de eventos terá 103,1 mil empresas em 2025, o que representa um crescimento de 3,1% em relação às 100 mil empresas estimadas para 2024. Dentro da cadeia produtiva, a previsão é que o número de empresas chegue a 836.789 em 2025, um crescimento de 1,9% em comparação com as 821.306 empresas estimadas para 2024. “Após um período de retração, o setor de eventos está se reconfigurando com um olhar mais atento para as novas tendências do mercado. O aumento do consumo em 2025, pode ser explicado pela combinação de vários fatores, incluindo a digitalização dos eventos, o desejo crescente de vivenciar experiências presenciais e as melhorias no cenário econômico do país”, comenta a economista Marcela Andrade. O impacto econômico do setor de eventos vai além do volume de consumo e impacta também empregos, movimentando setores como turismo, serviços e comércio local. “Além do aumento do consumo direto, o setor de eventos tem um papel estratégico na criação de empregos em diversas áreas. Como o Brasil é um destino turístico global, grandes eventos internacionais, como feiras, congressos e festivais, atraem turistas, que consomem em hotéis, restaurantes, transporte e comércio local. Esse movimento contribui para a circulação de riquezas nas economias locais e fortalece o turismo. No entanto, é importante que o setor continue a se adaptar às novas necessidades e desafios, como sustentabilidade e custos operacionais crescentes, para garantir seu crescimento sustentável no futuro”, afirma. O produtor cultural Rafael Lacerda diz que o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) ofereceu uma série de benefícios para ajudar as empresas do setor a enfrentar a crise e retomar suas atividades. “Permitiu a suspensão de impostos como o PIS, Cofins, IPI e a contribuição ao INSS, o que ajudou as empresas a reduzirem seus custos durante o período de inatividade forçada, possibilitou o parcelamento de débitos tributários das empresas do setor em até 120 meses, com condições mais favoráveis e ofereceu linhas de crédito específicas para as empresas do setor, com condições mais acessíveis”. “O apoio financeiro oferecido pelo programa foi fundamental para permitir que empresas mantivessem seus negócios e equipes, além de ajudarem a preservar empregos. Esse suporte possibilitou a continuidade das atividades até que fosse possível retomar os eventos presenciais de forma segura e também contribuiu para criar um ambiente mais favorável à retomada dos eventos”, conclui.
Juros altos dificultam acesso ao crédito para pequenos negócios

Os microempresários vêm enfrentando dificuldades para obter crédito para seus empreendimentos. De acordo com o DataSebrae, em 2024, a taxa média de juros para crédito a microempreendedores individuais (MEIs) foi de 44,04% ao ano, enquanto, para microempresas, chegou a 42,49%. Outra alternativa dos empreendedores, o cheque especial, também registrou taxas elevadas: 128,46% ao ano para MEIs e 302,84% ao ano para microempresas. Esse cenário tem impulsionado a busca por crédito. Conforme o Indicador de Demanda por Crédito da Serasa Experian, houve um aumento de 13,1% nas solicitações de financiamento no ano passado. A analista de desenvolvimento territorial e serviços financeiros do Sebrae Minas, Débora de Souza, destaca que, quanto mais fácil é o acesso ao crédito, mais caro ele se torna no final, como no caso do cheque especial e da antecipação de recebíveis. “Para reduzir a necessidade de obter crédito é essencial manter uma gestão financeira eficiente, equilibrando prazos de pagamento com recebimentos e garantindo uma precificação adequada. Conhecer as próprias finanças é crucial para evitar custos ocultos, como taxas de antecipação de recebíveis”. Segundo Débora, na hora de conceder crédito, as instituições financeiras analisam o histórico do empresário e sua capacidade financeira para arcar com o pagamento do empréstimo. Quanto maior o risco, mais altas serão as taxas de juros. Ela também ressalta que os bancos devem ser vistos como parceiros e que a busca por crédito não pode ser considerada um vilão, mas deve ser utilizada de forma planejada. “Se um empresário recorre frequentemente a empréstimos para cobrir despesas fixas, como folha de pagamento e aluguel, isso pode indicar problemas na gestão financeira. Muitas vezes, a solução não está apenas no aumento das vendas, mas em uma administração mais eficiente do fluxo de caixa. Conhecer bem o próprio negócio permite decisões mais assertivas, como estratégias de precificação e promoções para gerar capital de giro sem recorrer a crédito caro”. Dados De acordo com o Mapa das Empresas, elaborado pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, no ano passado foram abertas 3.957.869 microempresas e 173.653 empresas de pequeno porte (EPPs), enquanto 2.323.591 microempresas e 57.451 EPPs foram encerradas. Já em 2025, 547.986 microempresas e 16.534 empresas de pequeno porte foram criadas no Brasil. O economista Gelton Pinto Coelho Filho destaca que, primeiramente, é necessário observar o saldo. “Temos mais empresas abrindo do que fechando. O importante é que políticas sejam criadas de forma adequada e mais próximas da realidade de quem empreende”. Ele lembra que iniciativas como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) têm sido fundamentais para esses negócios, mas ressalta que a política econômica conduzida pelo Banco Central, em descompasso com os programas governamentais, também acaba prejudicando os pequenos empresários. “A taxa de juros não resolve o tipo de inflação que nos afeta e provoca um custo demasiado alto em termos de dívida pública, além de sufocar quem precisa de crédito para empreender. As taxas para MEIs e pequenas empresas são incompatíveis com o estímulo necessário, provocando endividamento e o fechamento de alguns negócios”. Para a sobrevivência das empresas, a analista do Sebrae recomenda que os empresários conheçam os números de seus empreendimentos. “Uma boa gestão financeira não precisa ser complexa, mas exige disciplina. Controle básico de entradas e saídas, fluxo de caixa e análise de precificação já permitem ao empresário entender a saúde do negócio. O posicionamento de mercado, que envolve estratégias de marketing, presença digital e precificação alinhada à concorrência, também é fundamental”. Débora também orienta a separação das contas e despesas pessoais das empresariais. “Além da desorganização financeira, essa prática pode resultar em uma maior incidência de impostos. Estabelecer um pró-labore e manter um controle rigoroso das retiradas evita a confusão entre despesas pessoais e empresariais”, finaliza.
Venda de veículos usados cresce e projeção é otimista para 2025

Depois de encerrar 2024 com um recorde de vendas, quando 15.777.594 veículos usados foram comercializados no Brasil, o setor projeta mais um ano de crescimento. Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), a expectativa é de um aumento de pelo menos 5% em 2025. No acumulado dos dois primeiros meses deste ano, foram negociadas 2.507.719 unidades, um avanço de 7% em relação ao início de 2024. Somente em fevereiro, as vendas totalizaram 1.281.757 veículos, um acréscimo de 4,6% frente a janeiro. Na comparação com fevereiro do ano passado, o crescimento foi de 12,1%. De acordo com o presidente da Fenauto, Enilson Sales, o fato de o Carnaval ter sido realizado em março permitiu que as lojas permanecessem abertas por mais dias em fevereiro, o que contribuiu para o desempenho positivo. “Ainda estamos surfando na onda de 2024, impulsionada pelo crédito. Apesar do aumento das taxas de juros, a oferta segue elevada, o que ajuda a movimentar o mercado de usados”. “Também observamos uma reação na venda de veículos pesados, que cresceram mais do que os demais segmentos. Esse movimento ocorre devido à renovação de frota por grandes frotistas, o que acaba beneficiando pequenos empresários que adquirem os veículos seminovos”, acrescenta. Sales ressalta que um dos desafios para manter o crescimento do setor é a instabilidade fiscal. “O descontrole das contas públicas pode gerar uma série de reflexos na economia, desde a insegurança do consumidor até impactos na indústria e no comércio. Outro fator a ser monitorado é a chegada dos veículos chineses ao mercado de seminovos. Precisamos avaliar como eles serão aceitos e de que forma isso afetará o setor. Já no cenário internacional, vemos os Estados Unidos elevando tarifas sobre produtos estrangeiros. Precisamos aguardar para entender se esse movimento afetará a economia brasileira, especialmente se nossos produtos forem taxados”. Aumento nas transferências Ainda segundo os dados da Fenauto, em fevereiro, a média de transferências por dia útil foi 15% superior à registrada em janeiro. O presidente da entidade destaca que a manutenção da liquidez no mercado valoriza os veículos seminovos e usados. “Torcemos para que as montadoras consigam atender à demanda, as concessionárias aumentem suas vendas e o mercado de veículos novos cresça. Isso impulsiona o nosso setor”, conclui.
Indústria mineira começa o ano com redução na produção e no emprego

De acordo com a Sondagem Industrial de janeiro de 2025, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o setor industrial registrou retração na atividade fabril. O índice de evolução da produção marcou 46,6 pontos, mantendo-se abaixo da linha dos 50 pontos pelo terceiro mês consecutivo. Apesar da melhora em relação a dezembro (40,9 pontos), o desempenho foi inferior ao registrado no mesmo período de 2024 (47,3 pontos). O emprego na indústria mineira também apresentou recuo. O índice que mede a evolução do número de empregados ficou em 48,3 pontos, caracterizando a segunda queda seguida. O indicador caiu 0,9 ponto frente a dezembro e 2,3 pontos em comparação a janeiro do ano anterior, reforçando o cenário de desaquecimento. Segundo a instituição, mesmo diante de um começo de ano difícil, o setor industrial mantém perspectivas de melhora, aguardando sinais mais concretos de recuperação econômica e aquecimento da demanda ao longo de 2025. “Apesar dos desafios, as expectativas para os próximos seis meses são positivas. Os industriais preveem crescimento da demanda, aumento da compra de matérias-primas e recuperação do emprego”. O economista e especialista em finanças públicas, Gustavo Aguiar, explica que o principal fator que gerou o desaquecimento da economia das indústrias mineiras foi o crescimento da taxa básica de juros. “A Selic saiu de 10,5% para 13,25%, impactando diretamente no consumo das famílias, ou seja, gerando menos demanda e consequentemente, menos produção nas indústrias. E também reduziu o crédito disponível e gerou incerteza dos investidores que acabaram segurando os investimentos”. “A situação econômica, tanto nacional quanto internacional, gera efeitos na indústria de várias formas. A principal é a política monetária que o Banco Central teve que adotar, a partir do segundo trimestre de 2024, devido a uma inflação resistente. Isso provocou a elevação de uma taxa de juros, que já é muito alta no país. Além disso, temos também a desvalorização do real perante ao dólar, que está atrelada a esse cenário inflacionário, que impacta a indústria mineira”, acrescenta. O economista afirma que embora a política monetária do governo esteja agindo para reduzir a demanda e a produção, o setor ainda mantém o otimismo. “Mas, tem que ser feita uma nova avaliação para ver se a política monetária, que provavelmente terá um novo aumento de juros, irá afetar ainda mais esse setor da economia”. Para Aguiar, mesmo com alta taxa de juros impactando toda a indústria brasileira, a queda da produção e do emprego não atingiu todos os setores. “Foram alguns segmentos específicos, porque nós tivemos, por exemplo, a produção de aço bruto que avançou 9,3% em janeiro em Minas Gerais. Também tivemos crescimento de empregos na indústria da construção civil. O automobilístico bateu recorde de vendas em janeiro e os índices de consumo apresentaram uma alta demanda para a aquisição de veículos no ano de 2025”. Nacional Já os dados nacionais, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice ficou em 48,9 pontos, também abaixo da linha de 50 pontos. O levantamento mostra que a produção diminuiu nas pequenas e médias empresas, mas cresceu entre as grandes. No recorte por região, o indicador revelou queda da produção nas indústrias do Centro-Oeste, Norte e Sudeste. No Nordeste e no Sul, a produção cresceu. “Normalmente, a produção acelera no fim do terceiro trimestre para atender as festas de fim de ano. Após isso, é normal que a produção caia, mas é importante perceber que, em 2025, ela foi mais branda que em outros períodos semelhantes”, compara Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. O emprego industrial ficou praticamente estável no primeiro mês de 2025. Em janeiro, o índice de evolução do número de empregados ficou em 49,6 pontos. Assim como a produção, o emprego avançou nas grandes indústrias, mas recuou nas pequenas e médias. A quantidade de trabalhadores nas indústrias do Centro-Oeste e do Sul aumentou, mas caiu no Nordeste, no Norte e no Sudeste.
Exportação de calçados gerou uma receita de US$ 88 milhões em janeiro

Em janeiro, foram embarcados 11,46 milhões de pares de calçados ao exterior, o que gerou uma receita de US$ 88,3 milhões, conforme revela a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Os números são maiores em volume (+11,4%) e menores em receita (-2,7%) em relação ao primeiro mês do ano passado. O valor médio do produto embarcado foi de US$ 7,71, 12,6% menor do que no mesmo mês de 2024 (US$ 8,82). Segundo a entidade, o dado aponta para uma pequena recuperação sobre uma base fraca do ano passado, explicada pelo crescimento do chinelo na pauta exportadora e pela desvalorização do real perante o dólar, o que permite preços mais competitivos para a exportação. O quadro no cenário internacional permanece igual ao registrado no final do ano passado, destaca o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. “Com muitas incertezas econômicas, agora somadas à possibilidade de uma guerra comercial travada entre os Estados Unidos e a China. O cenário, ao longo de 2025, é uma incógnita. Apesar do crescimento em volume, em janeiro, os níveis de exportação se mantiveram abaixo da média anual dos últimos cinco anos (12,23 milhões de pares), o que aponta para a manutenção do quadro de uma demanda internacional desaquecida”. Para o economista e docente do UniBH, Fernando Sette Jr, a relação de ter maiores números em vendas e menores de receita, pode estar atrelada com um crescimento da demanda internacional. “Porém, esse aumento não é por produtos de mais qualidade, com valor agregado maior ou com algum tipo de estampagem de marca ou com um produto de produção melhor, mas sim, com produtos inferiores, o que faz com que o preço do calçado seja menor”. “Já em relação ao aumento do volume exportado com a baixa receita, está mais atrelado com o fato de que o Real está muito desvalorizado, portanto, isso fica atrativo para o mercado internacional, aumentando essa demanda, mas o faturamento acaba diminuindo de alguma forma. Por outro lado, existe uma concorrência internacional de forma geral, principalmente em países asiáticos, que faz com que tenhamos também uma oferta maior, fazendo com que tenha uma grande concorrência, abaixando o preço. Teremos um valor mais baixo, contudo com uma quantidade demandada maior, o que faz o faturamento cair”, explica. Fernando Sette revela que para 2025 há uma tendência de estabilização do segmento. “Com uma possível variação positiva/ negativa muito pequena, mas com o mercado interno continuando sendo o principal motor desse setor. É uma menor dependência do mercado externo”. Importações Assim como em 2024, quando as importações cresceram mais de 26% em volume, a entrada de calçados estrangeiros no Brasil seguiu em alta em janeiro. No primeiro mês do ano, foram importados 3,32 milhões de pares por US$ 47,96 milhões, incrementos tanto em volume (+18,1%) quanto em receita (+29%) em relação ao mesmo período de 2024. As principais origens seguiram sendo os países asiáticos, que responderam por 90% dos calçados que entraram no Brasil. A principal origem foi o Vietnã, de onde foram importados 1,24 milhão de pares por US$ 22,47 milhões, incrementos de 55% e 31%, respectivamente, ante o primeiro mês de 2024. Na sequência, apareceram a Indonésia (742,5 mil pares e US$ 12 milhões, incrementos de 113,5% e 111,6%, respectivamente, ante o ano passado) e China (719,8 mil pares e US$ 5 milhões, queda de 34,7% em volume e incremento de 16,6% em receita). Nova Serrana Conforme o Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), o ano de 2024 foi positivo para as vendas do polo calçadista do município do Centro-Oeste mineiro. A estimativa é que o Arranjo Produtivo Local (APL) encerre o exercício com crescimento de 3%. Já para 2025, as expectativas são mais otimistas e o desempenho deve ser ainda melhor, com incremento de 5% nas comercializações. O economista afirma que a situação do setor no Estado é positiva. “Há esperança de um crescimento maior e muito pautado para o próprio mercado interno. É um segmento que movimenta a economia mineira, e o setor atacadista de Nova Serrana. O município e a região têm a possibilidade de crescimento, ou seja, há uma previsão de expansão, com a capacidade de atender outros mercados e aumentar essa oferta”, finaliza.
Indústria de alimentos atinge quase 11% do PIB em 2024

A indústria de alimentos brasileira teve um desempenho excepcional em 2024, alcançando um crescimento de 9,98% no faturamento, comparado ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). O setor faturou R$ 1,277 trilhão, representando 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e consolidando sua importância no cenário econômico nacional. Desse total, 72%, ou R$ 918 bilhões, são provenientes do mercado interno e 28% do comércio exterior (US$ 66,3 bilhões). As vendas reais registraram um crescimento de 6,1%, enquanto a produção física teve um aumento de 3,2%, totalizando 283 milhões de toneladas de alimentos. De uma forma geral, os segmentos que mais cresceram foram o food service (+10,4%) e o varejo alimentar (+8,8%). Em 2024, o setor alimentício aplicou quase R$ 40 bilhões. Desses recursos, R$ 24,9 bilhões foram destinados a inovações, enquanto R$ 13,80 bilhões foram usados em fusões e aquisições. A ABIA reforça o compromisso da indústria em investir R$ 120 bilhões entre 2023 e 2026. Apenas em 2023 e 2024, o setor já aplicou R$ 74,7 bilhões, o que corresponde a mais de 62% da meta estabelecida para esse período. Para o analista de mercado, Pedro Vieira, os resultados são animadores e demonstram a resiliência da indústria alimentícia. “O aumento significativo no faturamento da indústria de alimentos é um reflexo direto da recuperação econômica do Brasil. Esse crescimento mostra que o setor não só se adapta às mudanças de mercado, mas também impulsiona o crescimento de outras áreas da economia, gerando emprego e estimulando o consumo”. Vieira explica que o setor está cada vez mais preparado para atender às novas exigências do consumidor. “A indústria alimentícia está se transformando. Além de investir em novas tecnologias e práticas mais sustentáveis, o setor também está atento à demanda por produtos mais saudáveis, como alimentos orgânicos, sem conservantes e com menos sódio. Isso contribui para a permanência da indústria como um pilar importante da economia nacional. A exportação também foi um ponto positivo, com o Brasil ampliando sua presença em mercados internacionais exigentes, o que fortaleceu a competitividade global do setor”. Desde 2022, o Brasil é o maior exportador mundial de alimentos industrializados em termos de volume. No ano passado, o país exportou 80,3 milhões de toneladas, um aumento de 10,4% em comparação com 2023. Em 2024, as receitas geradas por essas exportações atingiram um valor recorde de US$ 66,3 bilhões, o que representa um crescimento de 6,6% em relação aos US$ 62,2 bilhões registrados no ano anterior. No período de 2020 a 2024, houve um aumento de 72,7% no valor e de 29,2% no volume exportado. Os produtos brasileiros foram exportados para mais de 190 países e seus territórios, destacando-se os seguintes mercados: Ásia, com 38,7% das exportações, sendo a China o principal destino, com uma participação de 14,9%; seguida pela Liga Árabe, com 18,9%, e pela União Europeia, com 12,6%. Empregos Em 2024, um em cada dez trabalhadores no Brasil estava empregado diretamente na indústria alimentícia ou em atividades relacionadas, como agricultura, pecuária, embalagens, máquinas e equipamentos, e serviços de transporte. Foram gerados 72 mil novos empregos formais diretos, o que corresponde a 25% das vagas criadas na indústria de transformação do país. Considerando também os 288 mil postos indiretos, o total de novas vagas alcançou 360 mil. Outra informação relevante é a participação da agricultura familiar: a indústria de alimentos processou 68% do que foi produzido pelo segmento. A economista Paula Albuquerque diz que a criação de empregos no setor tem um efeito multiplicador na economia brasileira. “Quando o setor alimentício cria novos postos de trabalho, ele não só melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também fomenta o consumo e impulsiona a economia local. A indústria de alimentos é responsável por uma grande quantidade de empregos em áreas estratégicas, como produção, logística e distribuição, que acabam gerando benefícios para outros segmentos da economia”. “Com mais pessoas empregadas, há um aumento no poder de compra da população. Isso gera uma maior demanda por bens e serviços, estimulando a economia em um ciclo positivo. O consumo interno é um motor importante para o crescimento econômico, especialmente em setores como o comércio, serviços e, claro, o próprio setor alimentício”, conclui.