IOF mais alto deve trazer riscos à economia e atratividade do Brasil

As recentes propostas de aumento na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com o objetivo de ampliar a arrecadação do governo federal, têm gerado reações intensas no mercado e preocupação no meio jurídico. Como a primeira proposta não agradou ao Congresso Nacional, uma nova alternativa deve ser apresentada na próxima semana. Diante dos reajustes em diversas modalidades, especialistas alertam que o país pode estar comprometendo pilares essenciais da economia, como o tripé macroeconômico, além de afetar a segurança jurídica e a atratividade para investidores estrangeiros. O especialista de mercado, Cesar Queiroz, aponta que a elevação do IOF interfere diretamente na liberdade de movimentação de capitais, encarecendo operações financeiras e impactando negativamente o custo de captação e investimento. “Estamos nos afastando do livre mercado e flertando com um modelo intervencionista”. Queiroz também chama a atenção para a insegurança jurídica que pode ser gerada. “O investidor precisa confiar nas regras do jogo. O que temos visto é um ambiente instável, em que decisões econômicas são tomadas sem diálogo e sem previsibilidade. Esse cenário hostil contribui para a saída de capital estrangeiro, pressionando o câmbio e elevando a inflação”. A advogada tributarista Maria Carolina Bachur concorda que a medida enfraquece a atratividade do país. “O IOF deveria ser um instrumento extrafiscal, utilizado para regular o mercado. A utilização do imposto com finalidade arrecadatória não é novidade, mas seu uso recorrente com esse objetivo pode levantar questionamentos jurídicos”. Ela destaca que a medida pode gerar impactos diretos sobre operações empresariais. “A inclusão de modalidades como o risco sacado no escopo do IOF afeta o fluxo de caixa das empresas, dificultando o planejamento. Estamos diante de uma ação que atinge diretamente setores como a indústria e o varejo, que utilizam essa antecipação de recebíveis para se financiar. A imposição de IOF de 3,5% sobre empréstimos externos de curto prazo torna a captação internacional mais onerosa. Do ponto de vista tributário, ainda é mais barato tomar recursos no exterior do que no Brasil, mas o cenário atual encarece tudo”. As mudanças nas alíquotas dos fundos de investimento podem afastar investidores, especialmente em um momento de transição com a reforma tributária, ressalta Maria Carolina. “As idas e vindas na tributação passam uma mensagem contraditória e podem impactar a entrada de recursos”. Segundo Queiroz, a solução não está no aumento de impostos. “O governo precisa fazer o dever de casa, cortar gastos e promover uma reforma administrativa. A majoração do IOF é um reflexo do desespero fiscal. Antes de buscar mais receita, é preciso cortar desperdícios. Só após um diagnóstico transparente do déficit é que se deve discutir complementos, mas com responsabilidade e diálogo. Do jeito que está, estamos punindo quem gera riqueza para sustentar um modelo ultrapassado e oneroso”. Apesar disso, a elevação do IOF já produz efeitos no mercado. Queiroz prevê volatilidade cambial, fuga de capitais e necessidade de uma política monetária mais rígida. “Estamos brincando com fogo”, alerta. Apostas como compensação? Nos últimos dias, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, sugeriu o aumento da carga tributária sobre as apostas esportivas on-line como forma de evitar a alta do IOF. Para o especialista em direito tributário Alexandre Mazza, a proposta é viável, mas deve ser analisada com cautela. Mazza avalia que o possível aumento na tributação das bets pode ser uma medida acertada. “O setor de apostas tem um movimento financeiro espetacular, que cobriria até com folga uma eventual compensação. Além disso, as apostas não envolvem uma cadeia produtiva nem uma grande quantidade de empregos, como em outros setores”. “Essa tributação das apostas pode ser algo positivo, porque é um setor que vem se esquivando de uma regulamentação mais efetiva. A incidência do novo imposto seletivo seria uma excelente opção. Não vejo grandes dificuldades jurídicas ou práticas para que isso ocorra”, finaliza.

82% dos bares e restaurantes esperam faturar mais no Dia dos Namorados

A chegada do Dia dos Namorados tem gerado grande expectativa entre bares e restaurantes. Segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 82% dos empresários do setor estimam um aumento no faturamento em relação ao ano anterior, com a maioria projetando crescimento de até 20%. A adesão à data é expressiva: 95% dos estabelecimentos planejam funcionar no dia 12 de junho, sendo que 1% abrirá exclusivamente para essa data. Apenas 5% afirmaram que não abrirão ou ainda não definiram se irão operar. O período que antecede o Dia dos Namorados já revela sinais de recuperação no segmento. Dados de abril mostram que 40% dos estabelecimentos obtiveram lucro, outros 40% conseguiram manter o equilíbrio financeiro e 19% ainda operaram no vermelho. Apesar dos desafios relacionados a custos e à instabilidade econômica, o setor demonstra mais resiliência em comparação aos últimos anos. Entre as estratégias adotadas para manter a clientela, destaca-se o controle nos reajustes de preços. Nos últimos 12 meses, 60% dos bares e restaurantes atualizaram seus cardápios com aumentos iguais ou inferiores à inflação, enquanto 34% optaram por não alterar os preços. Apenas 6% aplicaram reajustes acima do índice inflacionário oficial. Um dos principais motivos é a queda da inflação e a leve recuperação do poder de compra da população. Com mais estabilidade econômica, os consumidores tendem a gastar mais em ocasiões especiais, como o Dia dos Namorados. “Há uma percepção clara de que as pessoas voltaram a incluir o lazer e os jantares fora de casa na sua rotina de celebração. Isso impacta diretamente o setor, que é movido por datas comemorativas”, afirma a economista Paula Albuquerque. Ela reforça que o aumento da digitalização do setor também é um fator importante. “As redes sociais têm sido fundamentais para atrair o público com campanhas de marketing direcionadas, sorteios, reservas on-line e promoções especiais. Muitos empresários também apostam em menus reduzidos e serviço otimizado para garantir fluidez na operação, evitando filas e esperas prolongadas, que podem comprometer a experiência dos casais”. Outro fator que alimenta o otimismo é o fato de que, neste ano, o Dia dos Namorados cairá em uma quinta-feira, o que aumenta o leque de possibilidades de comemoração. “Muitos casais devem estender a celebração para o fim de semana posterior, o que pode gerar mais dias de movimento intenso nos estabelecimentos. Para os empresários, isso representa uma chance de faturamento diluído e consistente ao longo de mais dias”, completa. Minas Gerais No Estado, a maioria dos estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar está otimista com as vendas no Dia dos Namorados. De acordo com a Abrasel MG, 77% das empresas esperam um aumento no faturamento para a data. Entre elas, 13% preveem um crescimento superior a 30% em comparação com um dia comum. Há ainda negócios que projetam um desempenho bem mais expressivo, com elevação na receita que pode chegar a 80%, impulsionados pelo forte apelo emocional e comercial da ocasião. 7% estimam aumentar o faturamento entre 21% e 30%, 17% esperam incrementar os negócios entre 11% e 20%, 18% acreditam que vão faturar mais, entre 6% e 10%, e 22% projetam elevar a receita em até 5%. Muitos estabelecimentos estão mais bem preparados este ano para explorar o potencial comercial da data. “Hoje em dia, vender um jantar não é suficiente, pois precisamos vender também uma experiência. A data exige um toque de romantismo, um clima acolhedor, e é isso que estamos buscando oferecer”, afirma o dono de restaurante, Manoel Lima. “Montar menus exclusivos para casais, com entrada, prato principal e sobremesa harmonizados cria um clima de sofisticação. Outra opção é apostar na decoração temática, ambientes iluminados por velas, arranjos de flores e músicas românticas, além de trabalhar com promoções e pacotes fechados. Divulgar com antecedência as opções do Dia dos Namorados nas redes sociais, por meio de fotos bem produzidas e textos criativos, são algumas das estratégias para alcançar o faturamento esperado”, finaliza.

Mercado de café no Brasil pode faturar mais de R$ 22 bilhões

De acordo com um levantamento realizado pelo IPC Maps, devem ser gastos R$ 22,1 bilhões nas despesas relacionadas ao consumo de café em 2025. O número é 11% maior do que no ano passado, quando R$ 19,9 bilhões foram desembolsados. A sondagem considera os valores gastos com a compra do pó de café e cápsulas nas residências e também o que é consumido fora de casa. O responsável pela pesquisa, Marcos Pazzini, explica que apesar da alta nas despesas relacionadas ao café, não significa que o brasileiro esteja consumindo mais o produto na mesma proporção. “Verificamos aumento significativo nos valores do café moído nos últimos meses, além do fato que os cafés em cápsulas ganham cada vez mais espaço na residência dos brasileiros. Portanto, o avanço nos preços e as mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros levaram a esta elevação de 11%”. “Observa-se também, principalmente nos grandes centros urbanos, o crescimento de cafeterias gourmet, onde os preços praticados são superiores aos dos pontos de venda tradicionais”, complementa. Queda nas vendas Segundo um estudo realizado pela Associação Brasileira da Indústria do Café, no acumulado do primeiro quadrimestre de 2025, as vendas caíram -5,13%, passando de 5.010.580 sacas para 4.753.766 sacas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, pontua que a redução é encarada como natural pelo setor. “É um comportamento sazonal, notadamente pelos aumentos acumulados nos últimos meses terem chegado mais fortemente às prateleiras nos meses de março e abril. No primeiro bimestre, houve alta desse consumo em volume comparado a 2024”. Cardoso lembra que em novembro do ano passado teve um incremento nas cotações do café arábica e robusta, fazendo com que supermercados e consumidores fizessem estoques. “Entre janeiro e fevereiro houve promoções dos próprios supermercados, quando recebiam tabelas da indústria fazendo a desova daquele volume adicionalmente comprado no mês anterior para os consumidores, que aproveitaram essas promoções e fizeram naturalmente um estoque adicional ao que é normalmente consumido nos seus lares”. Pazzini salienta que o consumo da população vem puxando o crescimento da economia nos últimos anos. “Aliado ao aumento da população empregada com carteira assinada, a tendência é que nos próximos anos continuemos a observar este avanço no consumo de café no Brasil”. Safra em 2025 A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que em 2025 sejam produzidas 55,7 milhões de sacas. Minas Gerais deve ser responsável por quase a metade da produção, cerca de 26,1 milhões de sacas. Segundo a Conab, o Estado deve ter uma redução de 7,1% em relação a 2024 devido ao ciclo de bienalidade negativa, aliada ao longo período de seca nos meses precedentes à floração. O presidente da Abic destaca que a safra de café deve ser ligeiramente menor em 2025, principalmente por questões climáticas. “As projeções apontam para uma redução na produção do café arábica. O recorte a partir de setembro, quando finalizarmos essa colheita e estivermos pensando na safra de 2026, poderemos observar uma retração nas cotações do café, podendo chegar às prateleiras dos supermercados ainda esse ano com preços mais convidativos aos consumidores”.

102 mil unidades residenciais já foram vendidas este ano

Com os resultados alavancados pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o mercado imobiliário nacional apresentou um crescimento acima dos 15% nas vendas. Foram vendidas 102.485 unidades residenciais em uma amostragem de 221 cidades em todo o país, entre janeiro e março deste ano, o que representa um crescimento de 15,7% em relação ao mesmo período do ano anterior (88.583). Já os lançamentos totalizaram 84.924 unidades, com alta de 15,1% na comparação anual, os dados são da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O volume total lançado nos últimos 12 meses, nas mesmas 221 cidades, chegou a 407.949 unidades, e as vendas acumuladas no período atingiram 418.136 unidades, um aumento de 22,5% em relação ao ano passado. Já a oferta final de imóveis caiu para 287.980 unidades, o que corresponde a uma redução de 4,6%, sinalizando forte absorção pelo mercado. O MCMV respondeu por 53% dos lançamentos e 47% das vendas no período, com crescimento de 40,9% nas vendas e de 31,7% nos lançamentos em relação ao primeiro trimestre de 2024. A maior presença do programa é explicada pelas condições de crédito mais acessíveis, com juros reais a partir de 4%, e pelo aumento da participação de estados e municípios com subsídios adicionais. Além do fortalecimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que também ajuda a explicar o bom momento. Em dois anos, o orçamento do fundo dobrou, passando de R$ 80 bilhões para R$ 160 bilhões, com o reforço da Faixa 4 do programa feito neste ano pelo governo federal. O presidente da CBIC, Renato Correia, destaca que mesmo em um cenário de crédito caro, o brasileiro segue acreditando no investimento em moradia. “A força do MCMV, aliada ao crescimento da renda e à estabilidade no emprego, sustenta esse desempenho positivo. Como nosso déficit habitacional é majoritariamente de habitações econômicas, esse programa traz justiça social. E é fundamental que esse mercado seja valorizado e continue crescendo”. O sócio-fundador da Brain Inteligência Estratégica, Marcos Kahtalian, explica que o primeiro trimestre na economia brasileira está vindo forte. “Tivemos a menor taxa de desemprego para o trimestre, desde 2012, e um crescimento real da renda. Então, conjugamos uma situação de oferta de produto com crédito acessível, sobretudo do MCMV, com um mercado de trabalho e economia forte no período avaliado”. Oferta A oferta final de imóveis caiu para 287.980 unidades, o que corresponde a uma redução de 4,6%, sinalizando forte absorção pelo mercado. A queda na oferta geral, que reduziu 5,5% em relação ao trimestre anterior, reflete uma combinação entre aumento nas vendas e redução no ritmo de lançamentos fora do programa social. “O setor tem mercado para produzir mais do que está ofertando, o que está faltando é funding para o segmento acompanhar o crescimento e a demanda. O ideal era que os números de lançamentos, ofertas e vendas estivessem equilibrados, apesar da diminuição de oferta acarretar uma subida nos preços dos imóveis”, pontua o vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC, Ely Wertheim. “Para os produtores, o ideal é que tivesse financiamento suficiente para que as empresas produzissem o que a demanda exige. E capacidade produtiva nós temos, o que está faltando é dinheiro para produção. Hoje, quem compra imóvel com financiamento, especialmente pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), faz um bom negócio. As taxas reais estão negativas e, se os juros caírem, o mutuário se beneficia”, acrescenta Wertheim. Projeções As expectativas da CBIC é de que o mercado imobiliário se mantenha em patamar elevado ao longo de 2025, especialmente com a consolidação da Faixa 4 do MCMV, que iniciou as contratações no mês de maio, e a continuidade dos financiamentos via FGTS e poupança. O desafio está na capacidade de manter a oferta na mesma velocidade da demanda, especialmente no segmento popular. O economista e conselheiro da CBIC, Celso Petrucci, afirma que a resiliência do mercado imobiliário é evidente. “A despeito da Selic elevada e das incertezas macroeconômicas, o desejo do brasileiro pela casa própria continua movimentando o setor”, finaliza.

Brasil conta com 8 milhões de jovens empreendedores

  De acordo com dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Minas Gerais conta com 4,015 milhões de microempreendedores individuais (MEIs). Dentre eles, 927.840 têm entre 16 e 30 anos, o que representa aproximadamente 23,11% do total de MEIs no Estado. Outro levantamento realizado pelo Sebrae, com base nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, indica que, nos últimos dez anos, houve um crescimento de 23% no número de empreendedores com idades entre 18 e 29 anos. Além disso, conforme dados do Monitor Global de Empreendedorismo, o Brasil conta com aproximadamente 8 milhões de jovens empreendedores na faixa etária de 18 a 24 anos. O especialista em gestão empresarial, Matheus Paiva, destaca que a redução do emprego formal tem impulsionado os jovens a buscar alternativas. “O empreendedorismo entra nesse cenário com a possibilidade de conjugar a formação de capital e a evolução material como indivíduo, com a questão de propósito, de deixar sua marca no mundo”, afirma. “Essa busca por propósito é evidente na geração Z, que valoriza mais a liberdade e o impacto social de seus negócios do que a estabilidade de um emprego tradicional. Eles querem mais autonomia e flexibilidade, preferindo empreender a seguir uma carreira tradicional”. Segundo Paiva, a presença de redes de apoio e programas de mentoria tem sido fundamental para o desenvolvimento dos jovens empreendedores. “O Sebrae, por exemplo, tem atuado como catalisador de iniciativas, oferecendo capacitação, acesso ao crédito e consultorias. A formalização dos negócios também tem avançado, nos últimos anos aumentou o número de jovens empreendedores que possuem CNPJ. Esse avanço é crucial para o acesso a benefícios fiscais, crédito e maior legitimidade no mercado”. Para o economista Fabrício Diniz, os jovens empreendedores têm contribuído significativamente para a criação de empregos, tanto diretos quanto indiretos. “Ao abrir novos negócios, eles geram oportunidades de trabalho para outras pessoas, ajudando a reduzir o desemprego, especialmente entre os mais jovens. Além disso, a criatividade e a disposição para assumir riscos são características marcantes dos jovens empreendedores, o que tem levado ao surgimento de novos produtos, serviços e modelos de negócios, promovendo a inovação e a diversificação da economia brasileira”. “O empreendedorismo jovem tem se mostrado uma ferramenta eficaz para promover a inclusão social. Indivíduos de diferentes origens socioeconômicas estão utilizando essa estratégia como meio de ascensão social, contribuindo para a redução das desigualdades no país, a participação feminina e de quem se autodeclara preto ou pardo vem crescendo nos últimos anos”, ressalta. Diniz explica que ainda há desafios antes de prosperar o próprio negócio. “O acesso ao crédito continua sendo um dos principais obstáculos para os jovens que desejam iniciar ou expandir seus negócios. A complexidade burocrática e a elevada carga tributária também são obstáculos significativos, além da necessidade de lidar com uma infinidade de documentos e processos legais, o que pode desmotivar aqueles que estão começando os seus negócios”. O cenário para o empreendedorismo jovem no Brasil é promissor, esclarece Paiva. “Com o apoio de políticas públicas voltadas à capacitação, redução da burocracia e incentivo ao crédito, é possível criar um ambiente mais favorável para o crescimento dos negócios. Além disso, a crescente digitalização da economia e o surgimento de novas tecnologias oferecem oportunidades para que os jovens inovem e se destaquem no mercado”. Em resumo, o empreendedorismo jovem não é apenas uma tendência passageira, mas uma realidade que está moldando o futuro econômico do país. “Com determinação, criatividade e apoio adequado, os jovens empreendedores têm o potencial de transformar desafios em oportunidades, contribuindo para um Brasil mais dinâmico, inclusivo e próspero”, conclui.

Faturamento da indústria mineira apresenta desempenho negativo

  Segundo a Pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a indústria mineira apresentou um desempenho negativo em março. O faturamento da indústria geral – que inclui os segmentos extrativo e de transformação – recuou 5,8% em relação a fevereiro. De acordo com a instituição, essa queda é justificada pela menor demanda nas empresas do segmento de transformação. Porém, apesar do índice negativo, a indústria mineira apresentou resultados positivos no acumulado dos últimos 12 meses, apresentando uma alta de 4,7%, beneficiada por uma demanda interna ainda aquecida. Essa resiliência da economia tem ocorrido em um ambiente de mercado de trabalho robusto e de estímulos fiscais do governo federal. Para 2025, o estudo indica um crescimento econômico menos vigoroso em comparação a 2024. A Fiemg destaca fatores como o aperto monetário em curso, o impulso fiscal mais contido e a preocupação quanto à sustentabilidade das contas públicas como justificativa. Além do cenário internacional que segue marcado por elevada incerteza, após o pacote tarifário anunciado pelo governo dos Estados Unidos. O doutor em economia e especialista em macroeconomia e economia industrial, Wallace Marcelino Pereira, explica que a indústria mineira está acompanhando o comportamento da indústria nacional que está começando a sentir os efeitos do novo ciclo de elevação da taxa de juros Selic. “Além disso, os consumidores estão mais pessimistas em relação à inflação, emprego e consumo. Ou seja, observa-se um processo de desaquecimento em curso na economia, porque os consumidores estão reduzindo o consumo”. “Como a indústria mineira destaca-se nas atividades ligadas à extração mineral, automotiva, metalúrgica, alimentícia e da moda, parte dessas atividades industriais fornecem insumos para outras indústrias de Minas e do Brasil. Como a demanda está se reduzindo, por causa da inflação e dos juros mais elevados, isso diminui o consumo por produtos do setor, o que provoca um efeito em cascata, caracterizada pela queda de faturamento também em Minas Gerais”, esclarece. Pereira pontua, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a produção industrial das atividades de metalurgia e máquinas e equipamentos tiveram queda de 3% e 10,5%, respectivamente. “A China tem adotado um comportamento mais competitivo, fazendo com que a indústria de metalurgia, por exemplo, perca espaço domesticamente. Por fim, como ambas são atividades importantes na estrutura industrial mineira, a queda do desempenho afeta significativamente a indústria de Minas Gerais como um todo”. Ele ainda acrescenta que o cenário é desafiador e demanda atenção. “É preciso aguardar a próxima reunião do Banco Central para saber qual será a decisão sobre a taxa Selic. Além disso, é preciso monitorar o comportamento da inflação nos próximos meses. De todo modo, o cenário indica tendência de leve declínio do faturamento”.   Dados nacionais Já a pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o faturamento real da indústria subiu 4,7% no primeiro trimestre de 2025. Contudo, o resultado do setor, em março, apresentou queda de 2,4%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, o indicador cresceu 10,8%. Conforme o levantamento, o emprego industrial registrou estabilidade. Nos dois primeiros meses do ano, os postos de trabalho haviam crescido 0,4%. Com isso, o indicador encerrou o primeiro trimestre com alta de 0,8%. Por outro lado, a massa salarial e o rendimento médio dos trabalhadores da indústria fecharam os três primeiros meses do ano em queda. Após cair 2,8% em março, a massa salarial consolidou recuo de 1,9% no primeiro trimestre. “O emprego industrial vinha de uma sequência de 17 meses de crescimento ininterrupto, com variações pequenas, porém consistentes. Nos dois primeiros meses, o ritmo de crescimento do emprego foi significativo e, agora, está estável. No entanto, ainda é cedo para apontar se é o fim desse longo ciclo ou se ele vai se repetir nos próximos meses, mas fica o alerta, sobretudo quando analisadas outras variáveis que, em sua maioria, foram negativas na passagem de fevereiro para março”, avalia o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

Brasil registra alta nas vendas de veículos eletrificados em 2025

  O acumulado do primeiro quadrimestre de 2025 nas vendas de veículos leves eletrificados no Brasil chegou a 54.683 unidades. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o volume representa um crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período de 2024 (51.296). Na comparação com 2023, quando foram vendidas 19.579 unidades, o aumento chega a 180%. Em abril, foram comercializadas 14.759 unidades, alta de 2,6% em relação a março. Em comparação com abril do ano passado, houve recuo de 2,9%. Segundo a ABVE, a retração é explicada pela quantidade maior de feriados prolongados e por mudança na metodologia de contagem nas vendas. Os híbridos plug-in (PHEV) representaram mais da metade do mercado, com 7.913 unidades emplacadas. Em seguida, vieram os modelos 100% elétricos (BEV), com 4.702 unidades, e os híbridos convencionais (HEV e HEV Flex), com 2.144. “A experiência superior proporcionada pelos veículos elétricos e híbridos recarregáveis está redefinindo o mercado automotivo brasileiro. Os modelos plug-in unem sofisticação, desempenho e economia, permitindo rodar no dia a dia por um quinto do custo dos combustíveis, sem necessidade de reabastecimento. Para muitas famílias, o alívio no orçamento é ainda maior quando se aproveita a energia gerada por painéis solares instalados em casa ou no trabalho. Soma-se a isso a qualidade dos materiais e a alta tecnologia embarcada, acima do padrão das montadoras tradicionais, a escolha por um PHEV se torna não apenas racional, mas praticamente incontestável”, explica Clemente Gauer, coordenador do GT de Segurança e membro do Conselho Diretor da ABVE. Ele afirma que a variedade de tecnologias elétricas já faz parte da disputa competitiva no país. “BYD e GWM provaram que há demanda por BEVs acessíveis. Agora, a Stellantis incorpora modelos Leapmotor e a GM trará elétricos da Wuling, como o Spark EUV, acelerando o movimento. Isso indica que até 2026, praticamente todas as grandes marcas exibirão ao menos um modelo que se ‘liga na tomada’. A escala chinesa reduz os custos de pesquisa e desenvolvimento e derruba os preços da prateleira”. “Com mais conteúdo local, blindamos o consumidor contra a variação cambial. Hoje, rodar 100 km custa entre R$ 12 e R$ 15 em eletricidade ou é gratuito com energia solar, contra R$ 35 a R$ 65 com etanol ou gasolina. Quando o cliente pode escolher entre desempenho, design e preço, o combustível deixa de ser o critério. O resultado é que a eletricidade se torna padrão, as famílias economizam e o país avança na descarbonização e na melhoria da saúde pública”, acrescenta. A projeção da ABVE, segundo Gauer, é encerrar 2025 com 240 a 260 mil veículos eletrificados emplacados, quase o dobro de 2024. “O avanço dos PHEV Flex, que combinam etanol com propulsão elétrica, deverá sustentar parte desse volume, enquanto os BEVs voltam a ganhar tração com a chegada de modelos mais acessíveis. Esse mix mais amplo, somado à nacionalização de alguns modelos, deve colocar o preço de entrada abaixo de R$ 110 mil já no segundo semestre. Com isso, esperamos que o custo operacional mais favorável, hoje na casa de R$ 12 por 100 km para os PHEVs e EVs, se torne o principal motor de escolha por um 100% elétrico ou plug-in, reforçando a tendência de crescimento em 2026”.   Mais eficiência e menos impacto ambiental O especialista em economia circular, Edson Grandisoli, destaca que um dos principais argumentos a favor da mobilidade elétrica é a eliminação das emissões de poluentes, o que contribui para melhorar a qualidade do ar e reduzir a pegada de carbono. “Há também benefícios na redução da poluição sonora e no menor custo de manutenção, já que os motores elétricos são mais simples que os a combustão. Além disso, sua eficiência pode chegar a 90%, enquanto motores a combustão operam, em média, com 30%”. Grandisoli avalia que diante da crescente preocupação com as mudanças climáticas, o mercado de veículos elétricos deve continuar se expandindo, impulsionado por avanços tecnológicos, políticas públicas e investimentos em infraestrutura de recarga. “A colaboração entre empresas e governos pode acelerar esse processo, tornando os veículos elétricos mais acessíveis e viáveis para a população”.

Maio impulsiona casamentos e aquece outros setores como eventos e beleza

  Para o mês de maio, a previsão é que o mercado de festas e eventos no Brasil movimente mais de R$ 2,9 bilhões apenas com casamentos, de acordo com dados da plataforma Casar.com em parceria com a Assessoria VIP. O levantamento também aponta um aumento de até 32,6% no número de cerimônias previstas para o período, em relação ao mesmo mês de 2024, indicando um forte aquecimento do setor. Além disso, o período, tradicionalmente chamado de “mês das noivas”, faz com que outro segmento também tenha um crescimento significativo: o de beleza. Em Minas Gerais, por exemplo, a expectativa é de um aumento de até 40% no faturamento de empresas do setor, segundo o Sindicato Patronal da Beleza de Minas Gerais (Sindbeleza-MG). Como muitas cerimônias ocorrem em espaços distantes como sítios e chácaras, os profissionais frequentemente recebem valores adicionais pelo deslocamento até os locais dos eventos. De acordo com a cerimonialista, Juliana Muniz, a escolha de maio como o mês preferido para casamentos no Brasil é uma herança cultural que se mantém viva por vários fatores. “Historicamente, maio é associado à figura da Virgem Maria, no catolicismo, o que consolidou sua fama como mês das noivas. Além disso, o clima ameno em grande parte do país contribui para cerimônias mais confortáveis, especialmente em espaços ao ar livre”, explica. A preferência por maio também tem sido reforçada pelo mercado. “As campanhas publicitárias e os pacotes promocionais oferecidos por fornecedores ajudam a manter a atratividade do mês. Muitos casais aproveitam as condições especiais para fechar contratos”, acrescenta. No setor de beleza, o impacto é sentido com intensidade. “Maquiadores, cabeleireiros e esteticistas ajustam suas agendas para atender à demanda crescente. A agenda lota com meses de antecedência, além das noivas, mães, madrinhas e convidadas também investem em serviços completos de beleza, desde penteados até design de sobrancelhas”. Para Juliana, com a tendência de casamentos realizados em locais mais afastados ou ao ar livre, cresce também o número de pedidos por atendimento em domicílio. “Por ser um evento especial, os clientes costumam optar por pacotes mais completos e sofisticados, o que eleva o valor gasto por atendimento. Serviços como teste de maquiagem e atendimento a domicílio também agregam valor, o que ajuda a aumentar o ticket médio dos serviços”. A economista Paula Albuquerque explica que casamentos exigem uma ampla estrutura de produção, o que movimenta empresas de buffet, decoração, iluminação, sonorização, aluguel de espaços, mobiliário, fotografia, filmagem, cerimonial, entre outros. “Com a alta demanda, muitos profissionais são contratados para atuar em cerimônias e festas, como garçons, seguranças, decoradores, músicos e montadores de estruturas. A concentração de casamentos nesse período favorece a criação de pacotes promocionais e acordos antecipados, dando mais segurança financeira para os empreendedores do setor”. Ela diz que fornecedores de eventos registram aumentos significativos na receita durante maio, o que permite novos investimentos em equipamentos, marketing e ampliação de serviços. “Para se destacar em um mercado competitivo, empresas precisam investir em novas tendências, tecnologia, experiências personalizadas e atendimento de excelência, o que impulsiona a modernização do setor”. Segundo dados da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), as famílias com renda mensal superior a R$ 5 mil seguem liderando o consumo no setor, representando cerca de 16% da população brasileira. Embora muitos casais iniciem o planejamento com a intenção de gastar até R$ 40 mil na cerimônia, o levantamento revela que 74% acabam investindo entre R$ 40 mil e R$ 85 mil para realizar o casamento dos sonhos. Em capitais e grandes centros urbanos, esse valor pode ultrapassar os R$ 100 mil, dependendo do estilo e da estrutura do evento. “Para que os gastos com o casamento não ultrapassem o orçamento e não comprometam a vida financeira do casal, o ideal é começar o planejamento com antecedência, definindo um teto de investimento realista e adequado à renda dos dois. Fazer uma planilha detalhada com todos os custos envolvidos ajuda a visualizar prioridades e evitar excessos”, aconselha Paula.

Faturamento das PMEs recua e confiança dos empresários cai

O faturamento das pequenas e médias empresas (PMEs) no Brasil registrou retração de 1,2% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Frente ao quarto trimestre do ano passado, a queda foi de 1,5%, conforme o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). Esse resultado representa o pior desempenho do indicador desde o final de 2021. Os setores da indústria (-5,8%) e de infraestrutura (-3,3%) lideraram as perdas. Já o segmento de serviços teve recuo mais leve, de 0,2%. “O resultado foi influenciado, principalmente, pelo aumento das incertezas fiscais, que pressionaram as expectativas inflacionárias e impulsionaram a elevação das taxas de juros, comprometendo o poder de compra das famílias. No cenário externo, as dúvidas quanto à política tarifária dos Estados Unidos e as reações de outras economias, como a China, também contribuíram para um ambiente mais adverso”, explica o gerente de Indicadores e Estudos Econômicos da Omie, Felipe Beraldi. O economista Wallace Marcelino Pereira ressalta que a instabilidade fiscal afeta o planejamento de longo prazo, especialmente entre os empreendedores de menor porte. “A incerteza orçamentária impacta negativamente as expectativas sobre a inflação futura, pois o mercado projeta uma expansão dos gastos acima do previsto, o que exige aumento da taxa básica de juros. Com juros mais altos, o financiamento ao consumo e ao investimento produtivo fica inibido, já que captar recursos se torna mais caro. As PMEs operam com fluxo de caixa limitado, portanto, qualquer choque macroeconômico tem efeitos mais intensos sobre elas, inicialmente reduzindo o faturamento e depois, inviabilizando operações”. Apesar das retrações em diversos setores, as PMEs comerciais registraram alta de 7,9% no faturamento médio real no primeiro trimestre de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, atacado e varejo apresentaram comportamentos distintos, conforme o IODE-PMEs. Segundo Beraldi, o crescimento do comércio foi impulsionado principalmente pelo atacado, com destaque para os segmentos de bebidas, resinas e resíduos de papel e papelão. “Já o varejo voltou a apresentar retração (-1,3%) devido à queda no ímpeto de consumo das famílias, impactadas pela perda de confiança dos consumidores e pelo avanço das pressões inflacionárias e das taxas de juros”. Empresários mais cautelosos De acordo com a última edição da Sondagem Omie das Pequenas Empresas, 51% dos empreendedores entrevistados esperam piora na economia, percentual superior aos 39% registrados na pesquisa de setembro de 2024. Beraldi atribui o cenário mais desafiador à queda na confiança dos consumidores (-7,6%) entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, conforme a Sondagem do Consumidor da FGV-IBRE. “Isso afetou diretamente o faturamento das PMEs ao reduzir o consumo das famílias e aumentar a cautela dos empreendedores quanto a investimentos e expansão, contribuindo para o que vimos no primeiro trimestre”. Pereira destaca que, embora medidas como a ampliação de concessões e a revisão de certos gastos públicos estejam sendo adotadas para estimular o consumo, também são necessários investimentos estruturais. “É fundamental implementar políticas voltadas à melhoria da infraestrutura de transportes, telecomunicações e geração de energia”. “Isso torna o sistema produtivo nacional mais competitivo no médio e longo prazos. Ou seja, o governo precisa ter uma estratégia de desenvolvimento econômico bem definida e coerente, que assegure ao setor produtivo a possibilidade de investir com menor custo e maior eficiência”, complementa. A disputa comercial entre Estados Unidos e China pode abrir oportunidades para as PMEs brasileiras, observa Pereira. “A resposta chinesa pode incluir a ampliação da compra de produtos e serviços do Brasil. Representando uma chance de realinhamento das relações comerciais e produtivas em favor das empresas nacionais. Mas é necessário que o país esteja atento e preparado para aproveitar essa janela”. Apesar dos desafios, Beraldi acredita que o cenário econômico brasileiro não indica paralisação completa do crescimento das PMEs. “O setor pode acompanhar a expansão do PIB, projetada em torno de 2%. Nesse contexto, estratégias que aumentem a confiança dos agentes econômicos, reduzam a incerteza fiscal e facilitem o acesso ao crédito em condições mais favoráveis seriam caminhos para mitigar os impactos negativos e estimular o desenvolvimento”, conclui.

BH está entre as dez cidades com preços de imóveis mais altos do país

Em abril, o preço médio dos imóveis residenciais em Belo Horizonte registrou alta de 1,36% em relação ao mês anterior, alcançando R$ 9.968 por metro quadrado. Segundo a edição mais recente do Índice FipeZap de Venda Residencial, BH permanece entre as dez cidades com os preços de imóveis mais elevados do país. O valor do metro quadrado em Belo Horizonte está acima da média nacional, atualmente em R$ 9.233. A capital mineira também registrou crescimento de 4,94% no acumulado de 2025 e de 13,95% nos últimos 12 meses. Segundo dados levantados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a partir de anúncios publicados nos sites Zap Imóveis e Viva Real, quatro bairros da região Centro-Sul de Belo Horizonte se destacaram entre os mais valorizados. A Savassi lidera o ranking com o maior valor médio por metro quadrado, atingindo R$ 17.100. Na sequência estão os bairros Santo Agostinho (R$ 15.537/m²), Lourdes (R$ 14.863/ m²) e Funcionários (R$ 14.295/m²). Dos dez bairros com os preços médios de venda mais altos em Belo Horizonte, nove registraram aumentos superiores a 10% ao longo dos últimos 12 meses. Os destaques em valorização no período foram Santa Lúcia, com 38,7%; Gutierrez, com 23,3%; Santo Antônio, com 16,5%; e Savassi, com 15,9%. O corretor de imóveis Gabriel Maia destaca que a escassez de terrenos disponíveis para construção na região Centro-Sul da cidade é um dos principais motivos. “Os terrenos são escassos nessa localidade e, logo, mais caros. Isso eleva o preço dos imóveis, especialmente em bairros como Savassi, Lourdes e Santo Agostinho. Esses bairros são conhecidos por sua infraestrutura de qualidade, proximidade a centros comerciais e opções de lazer, tornando-os altamente desejados pelos compradores”. “Outro fator relevante é o aumento no custo da construção civil, que impacta diretamente nos preços dos imóveis novos, sendo repassado para os consumidores, elevando o preço final dos imóveis”, ressalta. Em Belo Horizonte, a diferença de preço entre imóveis novos e usados é significativa. Maia, explica que “grande parte dos imóveis da região do Centro de Belo Horizonte são mais antigos, com construções que datam desde a década de 1950, o que explica essa variação. Por outro lado, bairros como Lourdes e Sion, que possuem imóveis mais recentes, apresentam uma diferença menor entre os preços de novos e usados, indicando uma valorização mais equilibrada”. “O mercado imobiliário de Belo Horizonte continua aquecido, impulsionado pela demanda por imóveis em bairros valorizados e pela escassez de terrenos disponíveis para construção. Acredito que essa tendência de valorização pode continuar nos próximos meses, especialmente se a economia local continuar a apresentar sinais de crescimento e estabilidade”, esclarece a economista Marcela Andrade. Ela afirma que há uma mudança nas preferências dos consumidores, com maior interesse por imóveis maiores, como apartamentos com mais de dois quartos e casas. “Essa demanda crescente por imóveis mais espaçosos têm pressionado os preços para cima, especialmente em bairros bem localizados e com boa infraestrutura”. A especialista diz que, para os compradores, é importante estar atento às variações nos preços e considerar fatores como localização, infraestrutura e potencial de valorização ao escolher um imóvel. “Investir em bairros com infraestrutura de qualidade e proximidade a centros comerciais pode ser uma estratégia inteligente para quem busca valorização do patrimônio a longo prazo”. Bairros com imóveis residenciais mais caros de Belo Horizonte: Savassi – R$ 17.100/m² Santo Agostinho – R$ 15.537/m² Lourdes – R$ 14.863/m² Funcionários – R$ 14.295/m² Santa Lúcia – R$ 11.810/m² Gutierrez – R$ 11.192/m² Sion – R$ 11.182/m² Serra – R$ 10.512/m² Santo Antônio – R$ 9.804/m² Buritis – R$ 8.835/m²