Pagamento do PIS/Pasep injeta R$ 33,5 bilhões na economia

O pagamento do abono salarial PIS/Pasep em 2026 deve beneficiar cerca de 26,9 milhões de pessoas em todo o país, com a liberação estimada de R$ 33,5 bilhões na economia. Destinado a trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que atuaram formalmente em 2024, o pagamento terá calendário unificado e com mudanças que impactam o alcance do programa nos próximos anos. Segundo dados do governo federal, o valor do abono segue proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base e pode chegar a até um salário mínimo, conforme as regras vigentes. Os pagamentos começam em fevereiro, de acordo com o mês de nascimento do trabalhador. Para o economista Gelton Pinto Coelho Filho, o impacto desses recursos tende a ser imediato e concentrado no consumo essencial. “O público que recebe este benefício tem baixa propensão marginal à poupança. Nesse sentido, os valores, em sua maioria, são destinados ao pagamento de contas e ao consumo direto”. Ele destaca ainda que, considerando o efeito multiplicador típico de programas de transferência de renda, o impacto total pode alcançar quase R$ 60 bilhões ao longo do ano. O economista explica que o perfil dos beneficiários faz com que o dinheiro circule rapidamente. “Setores como o de alimentos recebem maior fluxo desses recursos, assim como farmácias e companhias de energia, água e saneamento. Bancos e financeiras também são beneficiados por aqueles que optam por quitar suas dívidas”. Apesar disso, Filho pondera que o cenário macroeconômico limita efeitos mais duradouros. “A distribuição ocorre essencialmente no primeiro semestre, até o mês de agosto, período em que são realizados os pagamentos. O uso dos recursos é quase imediato após o recebimento. Em um ambiente de juros elevados, o abono ajuda, mas não resolve o aperto financeiro das famílias de menor renda”. Mudanças nas regras Uma das principais alterações está no critério de renda para ter direito ao benefício. A partir do pagamento de 2026, o limite deixa de ser automaticamente vinculado a dois salários mínimos e passa a ser um valor nominal corrigido apenas pela inflação. No ano-base 2024, esse teto ficou em torno de R$ 2.766 de renda média mensal. Filho lembra que a mudança faz parte de um esforço de ajuste fiscal. “A medida visa reduzir gastos públicos no longo prazo. O limite de ganho para ter direito ao abono deixa de ser fixado em dois salários mínimos e passa a ser corrigido exclusivamente pela inflação”. Do ponto de vista jurídico, o advogado Rafael Oliveira explica que a alteração busca maior previsibilidade orçamentária, mas não está isenta de controvérsias. “A mudança tem como objetivo principal conferir previsibilidade orçamentária e sustentabilidade financeira ao programa”. Ele alerta que a desvinculação do salário mínimo tende a restringir o acesso ao benefício ao longo do tempo. “Isso pode resultar na exclusão progressiva de trabalhadores que, embora formalmente acima do teto, permanecem em situação de vulnerabilidade econômica”. Na avaliação dos especialistas, as alterações reforçam a sustentabilidade fiscal do programa, mas exigem atenção aos efeitos sociais. “As mudanças contribuem para o equilíbrio das contas públicas, mas precisam ser acompanhadas de políticas que ampliem renda e emprego, reduzindo a dependência de programas sociais”, conclui Filho. Já Oliveira ressalta que transparência e informação serão decisivas. “A correta prestação de informações, a atuação preventiva das entidades de classe e a transparência na aplicação das regras são fundamentais para preservar a finalidade social do benefício e reduzir litígios futuros”, finaliza. Mês de nascimento Data de pagamento Janeiro 15 de fevereiro Fevereiro 15 de março Março e abril 15 de abril Maio e junho 15 de maio Julho e agosto 15 de junho Setembro e outubro 15 de julho Novembro e dezembro 15 de agosto Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

Legislação antecipa fim das carroças em Belo Horizonte para 2026

No dia 22 de janeiro entrou em vigor a Lei Municipal nº 11.611/2023, que antecipa em cinco anos a proibição da circulação de veículos de tração animal, popularmente conhecidos como carroças, na capital mineira. A norma, que modifica dispositivos de uma lei anterior, reduz o prazo originalmente previsto para a extinção dessa prática urbana, de 2031 para 2026, e passa a valer oficialmente no município neste início de ano. De autoria do vereador Wanderley Porto (PRD), a lei foi sancionada em novembro de 2023 e assinada pelo prefeito de Belo Horizonte na ocasião. A proposta resultou da junção de iniciativas parlamentares que ganharam apoio na Câmara Municipal e visam a proteção do bem-estar animal e a modernização das práticas urbanas. Entretanto, a implementação prática da lei não ocorre sem desafios. A Associação dos Carroceiros e Carroceiras Unidos de Belo Horizonte e Região Metropolitana relatou falta de planejamento e apoio efetivo por parte da Prefeitura de BH, o que poderia impactar na renda de famílias que dependem dessa atividade. Porto afirma que essa é uma preocupação legítima e foi considerada desde o início, pois sabem que muitas famílias sofrem com a precarização do trabalho. “A lei não tem como objetivo penalizá- -las, mas romper com um modelo ultrapassado, inseguro e cruel, tanto para os animais quanto para as próprias pessoas que dependiam dessa atividade. O que defendemos é uma transição justa, que substitua a tração animal por alternativas de trabalho mais seguras, dignas e sustentáveis”. Ele esclarece que houve escuta de diferentes setores ao longo dos anos, incluindo audiências públicas com trabalhadores, veterinários, organizações de proteção animal e poder público. “A lei é resultado de um processo amadurecido, baseado em dados locais e experiências de outras cidades”. O político explica que a legislação prevê que o poder público atue para construir políticas de transição, como programas de capacitação, inclusão em outras atividades produtivas e apoio social, conforme a realidade de cada família. “Os carroceiros precisam procurar a Prefeitura para serem orientados e encaminhados. O objetivo é que o fim das carroças caminhe junto com políticas públicas que ofereçam novas oportunidades de renda. Essa é uma diretriz que seguimos cobrando e acompanhando de perto”. A Prefeitura deve realizar a fiscalização por meio de ações de campo, atendimento a denúncias e monitoramento. No entanto, antes da lei entrar em vigor, em 22 de janeiro, uma decisão liminar da Justiça suspendeu a aplicação das multas previstas, por isso ainda há carroças circulando pela cidade. Enquanto isso, foi lançado um canal de denúncias pelo WhatsApp, o BH sem Carroça: (31) 98282- 6850. A população pode enviar fotos e vídeos, sempre sem expor ou confrontar o condutor, informando data, horário e local da ocorrência. As denúncias estão sendo encaminhadas diretamente aos órgãos fiscalizadores. Segundo o vereador, a lei prevê sanções administrativas, como multas, que serão aplicadas conforme a regulamentação e o devido processo legal. Além disso, está tramitando na Câmara um projeto de lei de sua autoria que prevê a troca da carroça por um veículo alternativo, provavelmente um triciclo, a ser oferecido pela Prefeitura. “Também estamos debatendo a possibilidade de apreensão da carroça e o aumento das taxas para reaver cavalos recolhidos. O objetivo não é punir, mas garantir que a lei seja respeitada e que os animais não continuem sendo submetidos a sofrimento”. Na opinião de Porto, a médio e longo prazo, o impacto será extremamente positivo. “A cidade avança em segurança no trânsito, em proteção animal, em modernização urbana e em justiça social. Ao substituir uma atividade precária por alternativas mais dignas, Belo Horizonte se alinha a uma tendência nacional e internacional de cidades mais humanas, seguras e responsáveis”.

BH cria política para prevenir e tratar vício em jogos e apostas

Belo Horizonte passou a contar com uma política pública destinada ao apoio de pessoas que apresentam transtornos relacionados à dependência de jogos de azar. A norma divulgada no Diário Oficial define orientações para ações de acolhimento, tratamento e reintegração social de indivíduos impactados por apostas, com atenção especial aos jogos digitais e às plataformas on-line. Aprovada pelo prefeito em exercício, Juliano Lopes (Podemos), a legislação permite que a Prefeitura de Belo Horizonte estabeleça convênios e parcerias com instituições públicas e privadas, tanto nacionais quanto internacionais, que tenham experiência no combate e tratamento da dependência de jogos de azar. O texto ainda prevê a promoção de campanhas de conscientização para informar a população sobre os impactos psicológicos, sociais e financeiros das apostas. A lei estabelece que profissionais dos setores de saúde, educação e assistência social recebam treinamento especializado para reconhecer e atuar em situações relacionadas à ludopatia. Os custos dessas iniciativas serão cobertos por recursos orçamentários destinados à finalidade. Além disso, o Executivo poderá tornar públicos indicadores de desempenho das ações, observando as normas de confidencialidade previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo a psicóloga Lara Fagundes, o avanço das apostas on-line e dos jogos eletrônicos com mecanismos de recompensa rápida tem ampliado os casos de dependência, especialmente entre jovens e adultos em situação de vulnerabilidade. “Essas plataformas são desenhadas para estimular o uso contínuo, com promessas de ganho fácil, rankings, bônus e recompensas imediatas. Para muitas pessoas, isso se transforma em uma fuga de problemas emocionais, financeiros ou sociais, criando um ciclo difícil de romper sem apoio”. Ela destaca que o acolhimento é um dos pilares mais importantes da política adotada por BH. “Quando o poder público reconhece o problema e oferece um espaço de escuta sem julgamento, a pessoa se sente mais segura para buscar ajuda. A dependência não é uma falha de caráter, mas uma condição que precisa de tratamento, assim como outras questões de saúde mental e a abordagem humanizada aumenta significativamente as chances de adesão ao tratamento e de recuperação”. De acordo com o assistente social Paulo Nogueira, a dimensão econômica do problema é central. “Muitos dependentes chegam aos serviços públicos com a vida financeira completamente desorganizada, enfrentando endividamento, conflitos familiares e até risco de perda de moradia. Oferecer orientação prática é fundamental para que essas pessoas consigam reconstruir sua autonomia”. Para Nogueira, a proposta de reinserção social é outro eixo central da iniciativa. As parcerias com instituições de ensino, organizações da sociedade civil e o setor privado para facilitar o retorno aos estudos, a qualificação profissional e o acesso ao mercado de trabalho são uma etapa decisiva para evitar recaídas. “Quando a pessoa volta a se sentir útil, produtiva e integrada à comunidade, encontra novos sentidos para a vida que não passam pelo jogo ou pela aposta, o que fortalece o processo de recuperação e gera benefícios duradouros”. “Problemas relacionados ao vício em apostas estão associados ao aumento da demanda por serviços de saúde, assistência social e até segurança pública. Investir em prevenção e tratamento é mais eficiente e menos oneroso do que lidar apenas com as consequências. A iniciativa demonstra uma visão estratégica de gestão pública, ao antecipar um problema que tende a crescer com a digitalização da economia”, acrescenta. Lara ressalta ainda que a política fortalece o tecido social da cidade. “Quando o município cuida das pessoas em situação de vulnerabilidade, promove inclusão e reduz desigualdades. Isso se reflete em uma cidade mais saudável, com cidadãos mais participativos e capazes de contribuir para o desenvolvimento local”.

Ganho de peso é mais rápido após as canetas emagrecedoras

A popularização de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Wegovy e Mounjaro, trouxe resultados expressivos no tratamento da obesidade. No entanto, uma análise publicada no British Medical Journal acendeu um alerta importante: a interrupção dessas terapias pode levar à recuperação acelerada do peso. A revisão analisou 37 estudos com cerca de 9,3 mil adultos e mostrou que, após a suspensão dos análogos de GLP-1, o reganho médio foi de 0,8 kg por mês, ritmo até quatro vezes mais rápido do que o observado em pessoas que emagreceram apenas com dieta e atividade física. Em muitos casos, o retorno ao peso anterior ocorreu em um ano e meio. Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, o fenômeno não deve ser interpretado como falha individual. “Do ponto de vista endocrinológico, o reganho não é surpresa. Ele confirma o que já sabemos sobre a obesidade como uma doença crônica recidivante. Quando uma pessoa perde muitos quilos, o corpo reage com dois movimentos previsíveis: diminui a queima calórica, por adaptação metabólica, e altera o controle de fome e saciedade, aumentando os sinais que estimulam o apetite”. Segundo a especialista, os análogos de GLP-1 atuam justamente nesses mecanismos enquanto estão em uso. “Quando a medicação é retirada, esses sistemas voltam a operar com força, e o peso tende a subir. Isso foi demonstrado de forma clara nos estudos de extensão do STEP-1, com semaglutida, e do SURMOUNT-4, com tirzepatida”. Alessandra explica que o ritmo de reganho pode variar entre os pacientes. “Quanto maior a perda inicial, maior tende a ser a pressão biológica para recuperar peso. Esse ritmo depende de quanto peso foi perdido, por quanto tempo foi mantido, da preservação da massa muscular, além da genética, sono, estresse e padrão alimentar”. A endocrinologista reforça que associar o reganho à falta de disciplina é um equívoco. “Não é falta de força de vontade. Após emagrecer, aumentam os hormônios que estimulam a fome, reduzem-se os sinais de saciedade e o corpo passa a gastar menos energia. O paciente fica fisiologicamente pronto para reganhar peso”. Outras perdas Além do peso, parte dos benefícios metabólicos também pode ser perdida após a suspensão do tratamento. “Os estudos mostram que, ao retirar a medicação, não só o peso retorna, como também parte das melhoras na pressão arterial, glicemia, colesterol e esteatose hepática regride em cerca de 1,4 ano”, destaca a médica. Entre os principais erros ao interromper o tratamento, a endocrinologista cita a retirada abrupta e a falta de acompanhamento clínico. “Parar sem planejamento, não proteger a massa muscular, tratar o medicamento como algo pontual e não acompanhar o paciente no pós-medicação são falhas comuns. Quando o peso começa a subir um ou dois quilos, ainda dá para intervir; mas, quando sobe seis ou oito, o controle se torna muito mais difícil”. Diante do alto custo das canetas no Brasil, muitos pacientes consideram interromper o uso após o emagrecimento inicial. Para Alessandra, é possível reduzir riscos, mas não eliminá-los. “Não existe garantia de zero reganho. A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante. A lógica do tratamento é semelhante à da hipertensão ou do diabetes: muitas vezes exige uso contínuo ou estratégias de manutenção”. “O reganho de peso não é falha do paciente, não é falta de força de vontade. É a biologia da obesidade. O desafio agora é desenhar o ‘pós-caneta’: como manter saúde metabólica, força muscular e qualidade de vida de forma individualizada e sustentável”, conclui.

Pesquisa revela queda de 5,9% nas vendas de material escolar

Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, analisa o período de 2024 a 2026 e aponta retração projetada de 5,9% nas vendas de material escolar neste ano, após uma recuperação parcial em 2025 (+2,7%) e uma forte queda em 2024 (-8,2%). Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os preços do material escolar acumularam alta de 29,5%, mais que o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aproximado no período (14,3%). O descolamento evidencia pressão específica de custos, como papel, logística, insumos importados e câmbio, e reforça o caráter regressivo do gasto educacional. Itens essenciais e de menor valor unitário, como canetas, lápis e papel sulfite, demonstraram maior resiliência, enquanto produtos de maior desembolso, como cadernos, livros didáticos, mochilas, cadeiras e mesas de estudo, registraram quedas expressivas. O movimento indica substituições, reaproveitamento e postergação de compras, principalmente entre famílias de renda média e baixa, indica a pesquisa. O presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, Cláudio Felisoni, destaca que a volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais desafiador do que em 2025. “O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e altas limitações à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento, ao mesmo tempo em que evidencia desafios”. Já o doutor em economia, Weslley Cantelmo, explica que essa retração é um misto de fatores. “Apesar da inflação mais moderada esse ano, temos um quadro de certo aperto no orçamento das famílias, o que é contínuo, e uma prática de reaproveitamento dos materiais do ano anterior. Isso pode revelar um novo padrão de comportamento. Juntando com os preços dos materiais escolares, um pouco acima da inflação, gera retração do setor”. Cantelmo acredita também que o endividamento das famílias não é o fator causador desses números. “Até porque, no ano passado, o endividamento também estava muito elevado e o setor expandiu. Os índices de débitos são muito similares, e inclusive em dezembro terminou com proporções mais altas da série histórica. Mas, é uma elevação contínua nos últimos anos e uma tendência estrutural da economia, que não impactam o segmento”. Orçamento familiar Um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva e QuestionPro revela que os gastos com materiais escolares afetam o orçamento de 88% das famílias brasileiras que têm filhos em idade escolar. Para 52% dos pais e responsáveis, o impacto é considerado grande. O economista afirma que a tendência é que esse efeito permaneça nesse mesmo patamar para os próximos anos. “Essa é uma questão que tem a ver com outros aspectos estruturais da nossa economia. Por exemplo, temos uma taxa de juros elevadíssima, que tem sido mantida durante um bom período nesses patamares, e isso influência na dinâmica do consumo de modo geral”. “A renda das famílias não tem uma estimativa de melhora de curto prazo, podendo haver uma perspectiva de avanço em um prazo mais dilatado. A tendência é que continue no mesmo patamar, sob o ponto de vista de maior comprometimento, dependendo de fatores como a própria cadeia de produção”, acrescenta. Variação de 235% Conforme o estudo realizado pelo site de Pesquisas Mercado Mineiro, entre os dias 8 a 10 de janeiro de 2026 em Belo Horizonte e região, em 11 estabelecimentos, a diferença de preço do material escolar pode variar 235% de uma loja para outra. Essa variação foi encontrada na caneta Bic, que pode custar de R$ 1 até R$ 3,35. O valor médio é de R$ 1,72, com variação de 16%, se comparado com ano passado. O apontador com reservatório pode custar de R$ 2,60 até R$ 5,90, variação de 127%, com preço médio de R$ 3,73. E o caderno brochurão de 60 folhas pautado pode custar de R$ 6,90 até R$ 13,90, uma variação de 101%, com valor médio de R$ 9,53.

Bilionários acumulam riqueza, enquanto pobreza segue em alta

No ano passado, a riqueza dos bilionários cresceu mais de 16%, um ritmo três vezes superior à média dos últimos cinco anos, atingindo US$ 18,3 trilhões, o maior patamar registrado na história, segundo um relatório recente da Oxfam. Desde 2020, essa fortuna aumentou 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas não tem acesso regular a alimento suficiente e quase metade da população mundial vive na pobreza. O Brasil concentra o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe, com 66 indivíduos que somam cerca de US$ 253 bilhões, a maior fortuna coletiva da região. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a diretora-executiva da Oxfam, Viviana Santiago. Quais fatores contribuíram para o expressivo salto na riqueza dos bilionários em 2025 O crescimento desproporcional da riqueza dos bilionários, em um contexto global de pobreza, está intimamente ligado a medidas políticas que favorecem a manutenção e a reprodução dessa concentração de recursos. Um exemplo é a administração Trump, que adotou uma agenda claramente voltada à proteção dos interesses das grandes fortunas. Entre suas ações, destacam-se esforços para reduzir a tributação sobre grandes empresas, criar espaços pouco regulados para setores emergentes, como a inteligência artificial, e consolidar monopólios em determinados mercados. Essas medidas, combinadas, aceleram o aumento da extrema riqueza, impactam o mundo inteiro, mas beneficiam de maneira particular as grandes fortunas norte-americanas. Quais são os principais obstáculos políticos no Brasil para implementar a tributação de dividendos, grandes fortunas e heranças? A implementação de uma reforma tributária progressiva enfrenta obstáculos ligados à defesa dos interesses de bilionários, especialmente por mandatos parlamentares que protegem setores produtivos concentradores de riqueza. Narrativas controladas por esses indivíduos e veículos de comunicação associam tributação de lucros, dividendos e grandes fortunas à perda de empregos e à instabilidade econômica, dificultando o debate público. Na prática, trata-se de justiça fiscal: tributar a extrema riqueza não ameaça a sociedade, mas reduz desigualdades. A recente reforma do imposto de renda é capaz de reduzir a concentração de riqueza ou seu impacto é restrito? Ela representa um passo importante para reduzir a regressividade do sistema tributário. No entanto, embora relevante, essa medida não é suficiente para reverter totalmente o cenário de desigualdade fiscal. O país ainda possui poucas faixas de tributação, mantendo alta regressividade no topo da renda. Apesar da criação do imposto mínimo adicional, ele não resolve o problema estrutural. Para uma reforma verdadeiramente progressiva, é necessário ampliar as faixas do imposto de renda e avançar na tributação de lucros, dividendos e patrimônio, áreas que desde a década de 1990 permanecem praticamente isentas e concentram a extrema riqueza. O relatório relaciona o crescimento da desigualdade à redução das liberdades civis e da imprensa. Quais evidências concretas desse fenômeno já são visíveis? Nos últimos anos, tem se fortalecido no Brasil uma agenda de criminalização de movimentos sociais, ativistas e ações voltadas à igualdade, como o apoio à população em situação de rua. Projetos como a criminalização das barricadas, apresentados como combate ao tráfico, na verdade reprimem manifestações populares e protestos contra desigualdades. No ambiente digital, observa-se resistência à remoção de perfis ultraconservadores e censura à produção cultural, sempre sob a justificativa da “moral e dos bons costumes”. Esses processos refletem interesses de elites econômicas que buscam controlar narrativas e ampliar sua influência política. Quais políticas públicas a Oxfam recomenda para reduzir a desigualdade e garantir maior justiça fiscal e social? Enfrentar a desigualdade no Brasil exige transformar o sistema tributário regressivo em progressivo, com taxação de lucros, dividendos, heranças e grandes fortunas, acompanhada de métricas e indicadores claros. Combater pobreza não basta: é preciso reduzir desigualdade fortalecendo direitos sociais, como previdência e trabalho, e enfrentando a precarização do emprego. Também é essencial investir na formação política da população e na regulação de monopólios de comunicação, garantindo participação social e proteção democrática frente ao controle de narrativas

Ação militar de Trump na Venezuela pode impactar o Brasil

No início de janeiro, os Estados Unidos fizeram uma ação militar na Venezuela e prenderam o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Com isso, um aumento do fluxo migratório entre o país vizinho e o Brasil pode ser uma das consequências. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os venezuelanos formavam o maior grupo estrangeiro no país, em 2022, com 271,5 mil pessoas. Em 2010, os imigrantes da Venezuela somavam 2,9 mil, ou seja, uma população quase 100 vezes menor do que a atual. Já uma pesquisa da Agência da ONU para as Migrações (OIM) e da PUC Minas, também de 2022, mostra que 48% dos imigrantes em Minas Gerais são desse país. Desde julho de 2018, o Estado acolheu mais de 4.426 venezuelanos por meio da Estratégia de Interiorização do Governo Federal, sendo Belo Horizonte e Juiz de Fora as cidades que mais registraram imigrantes. O professor de Ciências Sociais da UniArnaldo Centro Universitário, Luciano Gomes dos Santos, afirma que há um risco real de aumento nos pedidos de refúgio, caso a instabilidade política, social e humanitária na Venezuela se agrave. “A experiência recente demonstra que episódios de intensificação de conflitos ou sanções severas tendem a provocar deslocamentos forçados da população civil. O Brasil, por sua proximidade geográfica e por possuir uma política migratória reconhecida internacionalmente, surge como um dos principais destinos”. “Embora ainda não se observe um crescimento acelerado imediato, o histórico da migração venezuelana indica que qualquer agravamento do cenário interno pode gerar ondas migratórias progressivas, sobretudo de famílias e pessoas em situação de maior vulnerabilidade”, acrescenta. Santos explica que a chegada de um novo contingente de imigrantes pode impactar a economia brasileira de maneiras distintas e em diferentes horizontes de tempo. “Em curto prazo, há um aumento dos gastos públicos relacionados ao acolhimento, como saúde, assistência social, moradia temporária e regularização documental. Já em médio e longo prazo, os efeitos tendem a ser mais complexos e potencialmente positivos. Migrantes em idade economicamente ativa ampliam o consumo, estimulam economias locais e, quando inseridos no mercado formal, contribuem para a arrecadação tributária”. Roraima é o Estado mais diretamente impactado, por ser a principal porta de entrada, destaca o professor. “Programas de interiorização são fundamentais para reduzir a sobrecarga e distribuir de forma mais equilibrada os impactos e oportunidades econômicas entre outros estados. Os setores da economia mais diretamente afetados, por esse aumento no número de imigrantes, costumam ser a construção civil, os serviços urbanos, a agricultura, o comércio e a logística que absorve parte significativa dessa força de trabalho”. Sistema jurídico A advogada do escritório Abrahão Advogados e mestre em Ciências Jurídico Políticas, Rafaela Abrahão, pontua que o país possui um arcabouço jurídico robusto para tratar migração e refúgio. “Em 2024 foram mais de 27 mil pedidos de venezuelanos registrados no Brasil, dentro de um total de mais de 68 mil, um aumento de cerca de 16,3% em relação ao ano anterior”. Rafaela cita os principais desafios do sistema. “Capacidade administrativa e logística, como postos de atendimento, emissão de documentos e infraestrutura em fronteiras; integração socioeconômica, especialmente acesso à educação, saúde e mercado de trabalho formal; cooperação intergovernamental, entre União, estados e municípios; possíveis tensões sociais, se políticas públicas de absorção forem insuficientes ou mal articuladas; e riscos de processos migratórios irregulares ou uso de sistemas de refúgio para outros destinos”. Se um aumento de fluxos migratórios não for acompanhado por respostas claras e estruturadas pode trazer consequências, ressalta a especialista. “O acesso a direitos tende a se tornar desigual, gerando insegurança jurídica para migrantes e refugiados; maior informalidade e vulnerabilidade social; riscos de práticas discriminatórias ou decisões administrativas incoerentes, que podem resultar em litígios e violações de direitos humanos reconhecidos no Brasil; e impacto reputacional internacional ao não cumprir compromissos humanitários, prejudicando cooperação com organismos como ONU/ACNUR”.

Minas Gerais é eleita destino gastronômico global para 2026

O Estado de Minas Gerais voltou a se destacar no cenário internacional ao ser apontado como um dos destinos gastronômicos mais relevantes do mundo para 2026 pela revista Condé Nast Traveler, referência global em turismo e lifestyle. Na lista publicada, a culinária mineira aparece ao lado de tradições reconhecidas internacionalmente, presentes em países como Espanha, Grécia, Canadá, Austrália, Marrocos e Hong Kong. A menção reforça o prestígio da cozinha de Minas, conhecida pelo preparo artesanal, pelo uso de ingredientes locais, como o Queijo Minas Artesanal e o café, e pela relação estreita entre comida, identidade cultural, acolhimento e território. A publicação também chama atenção para experiências gastronômicas ligadas ao enoturismo e aos roteiros turísticos do estado, destacando áreas como o Serro e a Cordilheira do Espinhaço, onde tradição, paisagem e sabores se complementam. Na matéria, Minas Gerais é descrita como uma joia ainda pouco conhecida do turismo internacional. A Condé Nast Traveler destaca a preservação das tradições culinárias transmitidas entre gerações, os conhecimentos populares, o patrimônio arquitetônico e a riqueza cultural que influenciam diretamente a formação da identidade gastronômica do Estado. Para o agente de viagens, Vicente Brandão, a menção tem peso significativo. “A Condé Nast Traveler não trabalha apenas com tendências passageiras, mas com destinos que oferecem experiências genuínas. Quando Minas Gerais aparece nesse tipo de ranking, isso funciona como um selo de qualidade internacional, capaz de influenciar viajantes de alto poder aquisitivo, operadores de turismo e também investidores”, afirma. Além da culinária tradicional, a publicação ressalta a diversidade de experiências gastronômicas distribuídas pelo território mineiro, incluindo rotas turísticas, vinícolas emergentes e regiões onde paisagem, cultura e sabores se encontram. “Minas não oferece apenas um prato ou uma cidade, mas um conjunto de experiências espalhadas pelo Estado, o que estimula o turismo regional e prolonga a permanência do visitante”. Belo Horizonte recebe menção especial ao ser apontada como uma capital que “vem se transformando discretamente em um destino imperdível”, impulsionada pela forte cultura dos bares, traçada em paralelo com o fenômeno da bistronomia em Paris. A reportagem também ressalta o papel de uma nova geração de chefs na releitura dos pratos tradicionais, o crescimento de espaços como o Mercado Novo e a revitalização de antigos mercados, hoje transformados em locais de convivência, gastronomia e expressão cultural, fortalecendo a posição da capital mineira no cenário da gastronomia contemporânea. A chef Mariana Lopes diz que esse reconhecimento internacional contribui diretamente para a valorização da culinária mineira dentro do próprio país. “Quando um veículo estrangeiro de prestígio aponta Minas como referência gastronômica, isso reforça o orgulho local e ajuda a combater a ideia de que a alta gastronomia está restrita a grandes centros internacionais. A cozinha mineira mostra que tradição e inovação podem caminhar juntas”. Restaurantes, produtores artesanais, mercados, festivais e eventos ligados à culinária passam a integrar o roteiro de viajantes interessados em experiências autênticas, segundo Mariana. “Esse tipo de turista costuma gastar mais, permanecer mais tempo no destino e buscar contato direto com a cultura local, o que gera benefícios econômicos importantes”. Outro reflexo positivo é a valorização dos produtores locais. O destaque dado a ingredientes como queijos, cafés e produtos artesanais contribui para ampliar mercados, estimular certificações de origem e fortalecer cadeias produtivas ligadas à agricultura familiar. “A gastronomia funciona como uma vitrine, quando Minas é reconhecida globalmente, o produtor do interior também ganha visibilidade e novas oportunidades”, ressalta. Brandão explica que o desafio agora é transformar o reconhecimento em estratégia de longo prazo. Investimentos em qualificação, infraestrutura turística, promoção internacional e preservação cultural são considerados fundamentais para sustentar esse crescimento. “Não se trata apenas de um prêmio simbólico, mas de uma chance concreta de posicionar Minas Gerais como um dos grandes destinos gastronômicos do mundo, valorizando sua cultura, gerando renda e fortalecendo sua imagem global”.

Uso de anabolizantes pode aumentar as chances de infarto

De acordo com um levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2018 a 2023, houve um crescimento de 670% nas vendas de esteroides anabolizantes no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), um em cada 16 estudantes já utilizou anabolizantes. A SBEM ainda alerta que o uso indiscriminado é um fator silencioso de risco cardiovascular, sobretudo entre jovens. Dados apresentados pela entidade mostram que 6,4% dos homens já utilizaram anabolizantes e que a taxa pode ser ainda mais alta entre frequentadores de academias. Em muitos casos, o uso não se limita a esteroides e envolve também insulina e hormônio do crescimento, o que, segundo a SBEM, potencializa os efeitos adversos. O urologista da Unimed-BH, Mateus de Almeida Ribas, destaca que o uso indiscriminado de anabolizantes mexe com o corpo inteiro. “O maior perigo é que muita coisa acontece por dentro, enquanto a pessoa só vê o resultado no espelho. No coração e na circulação pode aumentar a pressão, piorar o colesterol, engrossar o músculo do órgão, o chamado hipertrofia, e elevar o risco de arritmia, trombose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), inclusive em jovens”. “No fígado, principalmente com alguns anabolizantes orais, pode causar lesão relevante e, em casos graves, evoluir para problemas sérios. E também pode ter um impacto hormonal e sexual. No homem, o corpo desliga a produção natural, aparecendo queda de libido, disfunção erétil, redução do volume testicular e infertilidade”, complementa. E não é só no físico que os problemas aparecem, alerta o urologista. “Pode causar irritabilidade, ansiedade, insônia e, em alguns casos, queda forte de humor, ao interromper o uso. E a utilização estética tende a virar um ciclo de dependência psicológica, porque a pessoa fica presa ao medo de perder o resultado. Em adolescentes é ainda pior, é um corpo em desenvolvimento sendo exposto a doses hormonais que não foram feitas para isso”. Ribas pontua alguns sinais de alerta que não devem ser ignorados. “Dor no peito, falta de ar, palpitações, desmaio, olhos ou pele amarelados, acne explosiva, alterações extensas de humor, queda de libido, problemas de ereção, e também a famosa ginecomastia, que é o aumento das mamas. Às vezes é possível reverter o processo, mas não é garantido. Quanto mais tempo e maior a dose, aumenta a chance de causar um dano permanente”. Ilusão Na avaliação do profissional de educação física e especialista em Biomecânica e Longevidade, Randy Duarte, o uso de anabolizantes pode gerar um aumento rápido de força, volume muscular e até sensação de maior resistência nos treinos, e é justamente isso que ilude muitas pessoas. “O problema é que esse ganho acontece de forma artificial e desproporcional, principalmente no músculo, enquanto outras estruturas não acompanham essa evolução. O corpo até aparenta estar mais forte, contudo, fica mais vulnerável”. “Esses esteroides podem mascarar sinais importantes de fadiga e dor, fazendo com que a pessoa treine além do limite. É comum vermos um aumento no risco de lesões, como rupturas de tendão, estiramentos graves e sobrecarga articular, justamente porque o músculo passa a gerar forças que essas estruturas ainda não estão preparadas para suportar”, esclarece. O uso de anabolizantes está fortemente ligado à pressão estética e à influência das redes sociais, que muitas vezes vendem resultados irreais e rápidos, ressalta o profissional. “Com isso, o consumo acaba sendo normalizado, como se fizesse parte natural do processo de treino. E é fundamental reforçar que é possível evoluir sem esteroides”. Para Duarte, as estratégias educativas mais eficazes são aquelas que mostram a realidade sem prometer atalhos. “É essencial reforçar que no treino não existe caminho rápido e sustentável: constância no treinamento, boa alimentação, descanso e acompanhamento profissional continuam sendo a base de qualquer resultado duradouro”, finaliza.

Novas regras da aposentadoria exigem planejamento

Desde a entrada em vigor da reforma da Previdência, em novembro de 2019, as regras para aposentadoria no Brasil passaram por mudanças profundas. A extinção da aposentadoria apenas por tempo de contribuição, a adoção da idade mínima obrigatória e a criação de diferentes regras de transição tornaram o processo mais complexo e cercado de dúvidas para milhões de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em um cenário de envelhecimento da população e pressão sobre as contas públicas, especialistas apontam que entender as novas exigências e planejar o momento de requerer o benefício pode fazer uma diferença significativa no valor final da aposentadoria. Para analisar os impactos dessas mudanças e orientar os trabalhadores, o Edição do Brasil conversou com o advogado previdenciário Carlos Brandão. Passados mais de seis anos da reforma, as novas regras conseguiram tornar o sistema mais sustentável sem comprometer direitos? O objetivo central da reforma da Previdência de 2019 foi reduzir o ritmo de crescimento do déficit previdenciário, e isso de fato foi alcançado. No entanto, esse resultado veio acompanhado de um grave comprometimento de direitos de parte dos segurados, especialmente daqueles em situações mais sensíveis. A idade mínima obrigatória representa um avanço ou penaliza quem começou a trabalhar cedo? A idade mínima foi um aperfeiçoamento necessário. A antiga aposentadoria apenas por tempo de contribuição permitia que pessoas se aposentassem muito jovens, sem que houvesse um risco social consumado, como doença ou idade avançada. Isso tornava o sistema insustentável. Por outro lado, a reforma exagerou em alguns pontos, como na aposentadoria especial, ao exigir idade mínima de 60 anos para trabalhadores expostos a agentes nocivos, o que pode gerar sofrimento e adoecimento. Quais regras de transição são mais vantajosas em 2026? Para a maioria dos trabalhadores mais humildes, a regra de transição da aposentadoria por idade é a mais acessível, pois exige apenas idade mínima e 15 anos de contribuição. Já em termos de valor de benefício, a regra do pedágio de 100% costuma ser a mais vantajosa, pois permite alcançar 100% da média salarial, desde que cumpridos os requisitos. Ainda assim, cada caso deve ser analisado individualmente. O aumento progressivo de idade e pontuação cria uma “corrida contra o tempo”? Essa sensação existe, mas é importante lembrar que, a cada ano trabalhado, o segurado também acumula pontos. Além disso, é possível buscar estratégias para aumentar o tempo de contribuição, como reconhecer períodos especiais, tempo rural ou indenizar contribuições em atraso. Uma análise técnica pode fazer grande diferença. As mudanças no cálculo do benefício podem levar ao empobrecimento na velhice? Para quem tem pouco tempo de contribuição e salários mais altos, sim, há esse risco. Hoje, mulheres só atingem 100% da média com 35 anos de contribuição e homens com 40. No entanto, dois terços dos benefícios pagos pelo INSS continuam sendo de um salário mínimo. Além disso, o que mais compromete a renda do aposentado em longo prazo é a correção dos benefícios apenas pelo INPC, que nem sempre preserva o poder de compra. O planejamento previdenciário se tornou indispensável? Sem dúvida. O erro mais comum é pedir a aposentadoria assim que o direito é adquirido, sem avaliar se vale a pena esperar mais um pouco para receber um valor maior. A aposentadoria não pode ser desfeita depois de concedida, e as possibilidades de revisão são limitadas. Por isso, o planejamento individualizado é essencial.