Mais de uma dezena de deputados buscam novos partidos

A semana promete ser intensa nos bastidores da Assembleia Legislativa, por conta dos acontecimentos internos, inclusive a definição oficial pelo nome do presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), para o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas. O Edição do Brasil antecipou essa informação no início do segundo semestre do ano passado, cabendo desmentidos à época. No entanto, a notícia agora foi confirmada. Pelo roteiro, Tadeu deverá ficar no posto até o final do ano, o que é permitido pelo Estatuto Interno do Tribunal. Entre outras ações, o parlamentar vai buscar reforçar a eleição de sua esposa, a deputada Maria Clara Marra (PSDB). Mudança de partidos Pela legislação eleitoral vigente, o prazo de filiação partidária para quem almeja ser candidato circunda entre 3 de março a 2 de abril deste ano. Os interessados no assunto já estão em efervescência à procura da melhor oportunidade para se juntar a um futuro projeto político eleitoral. O imbróglio fica por conta dos atuais parlamentares. Alguns irão participar dessa corrida pela mudança, mas constata-se a resistência para aceitação da chegada de novos membros, especialmente por parte das siglas menores. No Parlamento mineiro, circula uma lista de 12 nomes rejeitados. Essa janela partidária só é válida para quem já tem mandato. No prazo de 30 dias, todos carecem de tomar as suas decisões. Possivelmente, Tadeu Leite (MDB) e João Vítor Xavier (Cidadania) não disputariam novos mandatos. Já a lista de estaduais querendo uma cadeira no Congresso são: Bella Gonçalves (PSOL), Lohanna (PV), Cássio Soares (PSD), Leonídio Bouças (PSDB) e Cristiano Caporezzo (PL). Relativamente aos desejos de migrarem para novos partidos, é uma lista bem preponderante. À espera de um novo ninho partidário estão os deputados: Grego da Fundação (Mobiliza), Bosco (Cidadania), João Magalhães (MDB), Betinho Pinto Coelho (PV), Doorgal Andrada (PRD), Dr. Paulo (PRD), Chiara Biondini (PP), Arlen Santiago (Avante), Enes Cândido (Republicanos), Maria Clara Marra (PSDB), Raul Belém (Cidadania), Roberto Andrade (PRD), Lud Falcão (PODE) e Ana Paula Siqueira (Rede).

Golpes digitais no país exploram falhas de conectividade

O Brasil registrou cerca de 553 milhões de tentativas de phishing, golpe digital em que criminosos se passam por fontes confiáveis – bancos, empresas ou instituições – para enganar vítimas e obter informações sensíveis como senhas, dados bancários ou números de cartão de crédito, seja por e-mail, SMS, ligações ou mensagens falsas entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Kaspersky. Tecnologias como VoIP, números virtuais, spoofing de chamadas e redes Wi-Fi inseguras têm sido exploradas por criminosos para ocultar identidades, enganar usuários para roubar dados ou dinheiro, e dificultar o rastreamento dessas fraudes pelas autoridades competentes. Para entender o volume tão alto de phishing e como falhas na infraestrutura de redes e telecomunicações ampliam esse cenário, o Edição do Brasil conversou com o especialista em infraestrutura de redes e conectividade, Jander César Albuquerque Faria. Esse volume revela uma fragilidade estrutural da nossa infraestrutura de conectividade ou uma falha de governança e fiscalização no setor? O número é reflexo dos dois problemas. Existe uma fragilidade estrutural na forma como a conectividade foi construída, priorizando expansão e custo, mas isso é agravado por falhas de governança e fiscalização. A tecnologia evoluiu muito rápido no meu ponto de vista, enquanto os mecanismos de controle e segurança não acompanharam esse ritmo, criando um ambiente favorável para o crime digital. Como as tecnologias ampliam os golpes? Elas permitem escalar golpes e ocultar a origem das chamadas, tornando as fraudes mais convincentes. A regulamentação ainda não acompanha essa evolução e carece de exigências mais eficazes de controle, autenticação e rastreabilidade. O uso indevido dessas ferramentas facilita crimes como falso suporte bancário e cobranças fraudulentas, explorando falhas na validação de chamadas e na identificação da origem. Estamos lidando com um problema técnico ou cultural? É muito mais um problema cultural do que técnico. As soluções existem, mas ainda há uma mentalidade de tratar segurança como algo secundário, acionado só depois do incidente. Falta incorporar a segurança digital como parte da rotina e da estratégia das empresas e instituições públicas. Até que ponto operadoras devem assumir maior responsabilidade? Precisam assumir um papel mais ativo na proteção da infraestrutura, sem interferir no conteúdo. Isso passa por monitorar padrões de tráfego suspeitos, bloquear rotas fraudulentas conhecidas e fortalecer mecanismos de validação, porque hoje grande parte do risco acaba recaindo apenas sobre o usuário final. Você avalia que é necessário tratar a conectividade como ativo estratégico? Na prática, significa tratar a internet como infraestrutura crítica. Para pequenas e médias empresas, isso passa por escolher bons provedores, manter equipamentos atualizados e adotar controles básicos de segurança, porque uma falha de conectividade hoje pode impactar diretamente o negócio e trazer graves prejuízos financeiros. O que precisa ser feito para o Brasil deixar de ser um dos principais alvos das fraudes digitais? Hoje, em grande parte, estamos reagindo. Na minha avaliação, a conectividade precisa ser pensada de maneira preventiva e estratégica. Para deixarmos de ser um dos principais alvos de phishing, é necessário avançar em regras mais claras, melhorar a integração entre telecomunicações e segurança digital, elém de educação digital do usuário. Sem essa mudança de abordagem, os golpes continuarão evoluindo mais rápido do que as defesas.

Quase 2 mil pessoas já andaram de Capivarã na Lagoa da Pampulha

O passeio de Capivarã, um catamarã turístico, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, deu início à retomada da navegação turística no local. A operação começou no final de dezembro do ano passado, e a experiência é ofertada de quinta a domingo, com três saídas diárias e ingressos gratuitos. Segundo a Prefeitura de BH, o intuito é estimular novas dinâmicas de visitação, valorizar o Conjunto Arquitetônico e paisagístico reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial, na categoria de Paisagem Cultural, e oferecer mais uma opção de contemplação do complexo, agora a partir de uma perspectiva diferente, diretamente sobre as águas. Até o momento, 1.913 pessoas já participaram do passeio. Durante a experiência, um guia de turismo apresenta a história, a arquitetura, a paisagem e a importância cultural e ambiental do Conjunto Arquitetônico. O trajeto passa pelos principais monumentos da Pampulha, revelando detalhes, curiosidades e novos olhares. As entradas são disponibilizadas semanalmente, às terças-feiras, a partir das 12h, por meio da plataforma Sympla. Cada passeio oferece 24 ingressos, sendo permitido até dois por CPF. O presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, ressalta que a criação desse projeto representa um novo passo na ampliação das experiências turísticas da Pampulha. “Nós entendemos que o turismo contemporâneo é feito de vivências, de conexão emocional com o território. O passeio de barco amplia o repertório do visitante e fortalece toda a cadeia produtiva do turismo local”. Era uma iniciativa muito demandada pela população e também pelos turistas, salienta o presidente. “Essa retomada é simbólica, porque contribui diretamente para a revitalização da imagem da Pampulha, fortalece o posicionamento de Belo Horizonte como destino cultural e impulsiona nosso processo de internacionalização. É uma entrega concreta que dialoga com a vocação turística da cidade”. “Para colocar o projeto em prática, cumprimos etapas fundamentais para garantir segurança e excelência na navegação. Uma iniciativa dessa magnitude exige o cumprimento rigoroso de todas as normas da Marinha do Brasil. Além disso, todo o processo de contratação da empresa operadora seguiu os trâmites legais. Também houve um trabalho técnico de planejamento operacional, definição de rotas, adequação do ponto de embarque e estruturação da experiência como um produto turístico qualificado”, acrescenta. Satisfação Em pesquisa realizada pelo Observatório do Turismo de Belo Horizonte, a atividade registrou média geral de satisfação de 9,8 (a nota máxima é 10). O principal destaque da experiência é a navegação, apontada por 46% dos participantes. Em seguida, 27,4% destacaram as explicações do guia como o grande diferencial. A maior parte do público participante é composto pelo gênero feminino (55,3%), com o masculino constituindo de 39,6%. Os passeios atraíram majoritariamente moradores de Belo Horizonte (65%) e da região metropolitana (24,1%), além de turistas do interior de Minas Gerais e de outros estados, que juntos representaram 19,9% do público. A média de idade dos participantes foi de aproximadamente 37 anos. De acordo com Cruvinel, os índices confirmam que o projeto foi bem estruturado em todas as etapas. “Desde o planejamento até a entrega da experiência ao público. Mais do que números, esses indicadores mostram que estamos entregando uma experiência qualificada, segura e memorável. Não chega a ser uma surpresa, porque houve planejamento técnico envolvido, porém, é uma confirmação muito importante de que estamos no caminho certo”. Célia Rodrigues, moradora do Bairro Santa Cruz, região Nordeste de Belo Horizonte, participou do passeio e destacou a experiência. “É muito legal ver a Pampulha pela perspectiva do catamarã, navegando pelas águas da Lagoa. Eu costumo passear bastante pela região, no entanto, do chão, a gente não consegue observar tudo. Com essa nova iniciativa, consegui viver uma experiência diferente, apreciando a paisagem, a arquitetura e a história da Pampulha de um jeito especial”, comenta.

Mulheres entre 30 e 50 anos são mais afetadas pela fibromialgia

Fevereiro é conhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre a fibromialgia, assinalado pela cor roxa em campanhas que buscam dar visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a doença afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, com uma maior incidência em mulheres do que em homens, sobretudo na faixa etária entre 30 e 50 anos de idade. O distúrbio crônico é caracterizado por dor musculoesquelética generalizada, fadiga intensa, distúrbios do sono e uma série de outros sintomas que afetam profundamente a qualidade de vida. Segundo a reumatologista Carolina Menezes, a fibromialgia ainda é um desafio para a medicina moderna justamente porque não há um exame específico que a confirme. “O diagnóstico é clínico, baseado em critérios definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia que levam em conta a presença de dor difusa ao longo do corpo por mais de três meses, além de sintomas associados como fadiga, alterações do sono e problemas cognitivos ou névoa mental”. Para a especialista, a falta de um marcador biológico dificulta tanto a identificação precoce quanto a aceitação da doença por parte de profissionais de saúde menos familiarizados com o tema. A causa da fibromialgia ainda não é totalmente esclarecida, mas pesquisadores apontam para uma combinação de fatores genéticos, neuroquímicos e ambientais. “Sabemos que há uma alteração na maneira como o sistema nervoso central processa os sinais de dor, um fenômeno chamado sensibilização central, que faz com que estímulos normalmente leves sejam interpretados como intensamente dolorosos”, explica a neurologista Marina Torres. Carolina destaca que os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas a dor difusa é o mais característico. “Ela pode ser sentida em músculos, tendões e articulações, e costuma ser descrita como uma dor profunda e persistente. Pacientes também relatam fadiga intensa que não melhora com o descanso, distúrbios do sono, como insônia ou sono não reparador, e sensibilidade exagerada a estímulos como luz, ruído e toque, além de dificuldades cognitivas, como memória falha, dificuldade de concentração e sensação de lentidão mental”. Tratamento O tratamento da fibromialgia é multidimensional, já que não existe uma cura definitiva. “Aqui não falamos em eliminar completamente os sintomas, mas em reduzir sua intensidade e melhorar a funcionalidade do paciente”, afirma Marina. “Medicamentos que modulam os neurotransmissores envolvidos na percepção da dor podem ser úteis em alguns casos, mas não são eficazes para todos. Em paralelo, terapias como atividade física regular, especialmente exercícios de baixo impacto como caminhada, natação e alongamentos, têm papel central no alívio da dor e na melhora da qualidade de vida”, ressalta. A neurologista comenta ainda a importância de incluir técnicas de relaxamento que ajudam a reduzir a tensão muscular e melhorar o equilíbrio emocional. “O corpo e a mente estão intimamente ligados na fibromialgia. Técnicas que atuam sobre o estresse e a ansiedade reduzem a sensação de dor e promovem bem-estar”. Embora não exista uma maneira de prevenir a fibromialgia de forma garantida, especialistas indicam medidas que podem reduzir o risco de agravamento dos sintomas ou ajudar no enfrentamento da condição. Marina recomenda atenção ao gerenciamento do estresse, manutenção de um padrão regular de sono e prática de exercícios físicos adaptados à capacidade individual. “A convivência com a fibromialgia exige adaptação e paciência. Para muitos, isso significa reorganizar rotinas, ajustar expectativas e aprender a escutar o próprio corpo”.

Alguns nomes são citados como fortes para disputar o Senado

O mundo político mineiro está surpreso com a aproximação entre o vice-governador Mateus Simões (PSD) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Segundo interlocutores, tem havido apenas agenda comum entre os políticos, porque ambos nutrem projetos diferentes. Nikolas planeja buscar mais um mandato com uma mega votação, contribuindo para a eleição de alguns parlamentares, assim como aconteceu no último pleito. Relativamente ao pré-candidato Mateus Simões, sua pretensão é convencer o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) a ser o seu vice na chapa. Ele tem se esquivado a bater o martelo sobre o assunto. A desculpa mais recente seria no sentido de prestar assistência a um familiar com problemas de saúde. Aécio para o Senado Reunindo informações debatidas em ambientes fechados, antes e durante o Carnaval, há uma constatação da construção da candidatura para o Senado do atual presidente do PSDB nacional, o deputado federal e ex- -governador Aécio Neves. Essa possibilidade seria em um contexto da possível candidatura ao Governo de Minas do senador Rodrigo Pacheco (PSD). No campo político da peleja em torno de Pacheco ao Palácio Tiradentes, o nome da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), também é mencionado para disputar a Casa Alta do Congresso. Ela mesma disse que há duas vagas, então seria bom possuir na disputa um político de centro, para buscar votos desse segmento para além do centro-direita e centro-esquerda. Para os matemáticos da política mineira, Aécio Neves se encaixaria perfeitamente nesse perfil descrito pela prefeita de Contagem. Para além dessas informações, existe outro nome forte com apoio do governador Romeu Zema (Novo) e do seu vice Mateus Simões. Ao deixar de ser deputado, o secretário de Governo, Marcelo Aro, sempre mirou a disputa ao Senado. Sua pretensão se tornou cada vez mais visível ao ser indicado para o cargo atual, o que lhe permitiu estreitar o relacionamento com deputados estaduais de diferentes partidos. Também intermediou inúmeros projetos às prefeituras, especialmente as mais distantes da Região Metropolitana. “O quadro de agora deixa bastante claro que se Aécio Neves efetivamente optar por uma candidatura dessa magnitude, terá pela frente um competidor que tem bala na agulha”, pontuam os amigos do secretário de Governo.

Uma média de 232 desaparecidos por dia e casos subnotificados

De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o Brasil registrou 84.760 casos de desaparecimento de pessoas em 2025. O número equivale a 232 sumiços diários e o resultado é 4,1% superior ao de 2024. Quase um terço (28%) das pessoas desaparecidas tinha menos de 18 anos de idade, e as 23.919 ocorrências envolvendo o segmento infantojuvenil representam uma alta de 8% em comparação a 2024. Para entender mais sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com o advogado e representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG, Renan Penchel. Quais são os principais problemas que o país enfrenta para frear o aumento desses índices? A subnotificação crônica, porque muitos casos ainda não são registrados ou são registrados de forma inadequada; falta de padronização e integração, ausência de protocolos unificados e interoperáveis entre as diversas forças de segurança e órgãos estaduais e federais; capacitação deficiente; recursos insuficientes; burocracia e morosidade; e causas estruturais, persistência de fatores como violência urbana, tráfico de pessoas, exploração sexual, abandono de incapazes e atuação de grupos criminosos organizados. O Brasil tem um sistema confiável e integrado para contabilizar desaparecimentos? Lamentavelmente, ainda não possuímos um sistema plenamente confiável e integrado para contabilizar desaparecimentos. Embora iniciativas como o Sinesp e bancos de dados estaduais existam, a fragmentação e a falta de interoperabilidade entre essas plataformas geram lacunas de informação. A ausência de um cadastro nacional único, com fluxo contínuo e padronizado de dados em tempo real, dificulta a eficiência das buscas e a geração de estatísticas precisas. Por que a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas ainda não conseguiu conter a escalada de casos? Acredito que o real motivo se dá pela dificuldade de implementação efetiva; alocação de recursos; resistência cultural e burocrática, há uma persistência na cultura de esperar um período (24h/48h) para registrar o desaparecimento, contrariando a premissa da busca imediata; e abrangência das causas, a polícia foca na busca, mas nem sempre aborda de forma integrada as causas sociais, econômicas e criminais que levam aos desaparecimentos. Segundo a pesquisa, o total de pessoas localizadas também vem aumentando na última década. O que esse avanço reflete? Este crescimento pode indicar uma melhoria na qualidade dos registros, aprimoramento nas ações de busca, uso de tecnologia e maior sensibilidade institucional e social. Este avanço, embora não elimine o problema dos novos desaparecimentos, sinaliza que os esforços empenhados estão gerando resultados concretos na reunião de famílias e na garantia do direito à informação sobre o paradeiro de seus entes. Quais medidas poderiam reduzir o número de desaparecimentos no país? Adoção universal da busca imediata, eliminar qualquer período de espera para o registro e início das investigações de desaparecimento, conforme a legislação de Direitos Humanos; criação de um Cadastro Nacional Único e Integrado; investimento em tecnologia e inteligência artificial; capacitação e especialização de agentes; fortalecimento da rede de proteção social; cooperação interinstitucional e internacional, reforçar a colaboração entre órgãos de segurança, justiça, saúde e assistência social e ampliar acordos de cooperação com países vizinhos; e canais de denúncia acessíveis e eficazes. Analisando o momento atual, você acredita que os índices de desaparecimento diminuam no país em curto prazo? Observando os dados apresentados e a complexidade dos desafios estruturais, torna-se desafiador prever uma diminuição de novos casos de desaparecimento em curto prazo. A redução efetiva e sustentável exige uma transformação profunda nas políticas de segurança pública, justiça, assistência social e direitos humanos. Embora possamos esperar a continuidade de melhorias nos registros e nas taxas de localização, a diminuição drástica dos desaparecimentos, como um todo, é um objetivo de médio e longo prazo.

Congresso debate fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais ganhou um novo capítulo no Congresso Nacional. Após aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que encaminhou o tema a plenário. A pauta também será analisada na CCJ da Câmara dos Deputados por dois textos em tramitação. A PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (PSOL), e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT). O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), afirmou que a expectativa é que a matéria seja votada em maio, com ampla discussão entre parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas antes da deliberação em plenário. Para a consultora de recursos humanos Bia Tartuce, a mudança pode representar um avanço significativo na qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente em setores com jornadas mais desgastantes. “O fim da escala 6×1 pode trazer impactos positivos tanto no engajamento quanto na saúde dos trabalhadores, especialmente em atividades que exigem esforço físico e alta demanda emocional. Com mais tempo de descanso, eles tendem a apresentar melhor concentração, menor índice de erros e maior satisfação”. Ela ressalta que o resultado não será automático. “Qualquer mudança nesse nível exigirá uma adaptação operacional das empresas, principalmente em setores que dependem de escala contínua, como varejo, serviços e indústria. Pode haver necessidade de revisão de processos, redistribuição de equipes e até aumento de custo operacional. O impacto final na produtividade dependerá menos da carga horária em si e mais da capacidade das organizações de reorganizarem seus fluxos de trabalho e modelos de gestão”. Sobre a redução gradual da jornada para 36 horas semanais, Bia avalia que os efeitos na saúde mental podem ser relevantes. “A redução pode favorecer o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, melhorar a qualidade do sono, reduzir o estresse e ampliar o tempo de qualidade com a família. Esses fatores influenciam diretamente o desempenho, a criatividade e a tomada de decisão. No entanto, é fundamental que a redução não resulte em sobrecarga de tarefas no tempo reduzido. O sucesso dessa transição dependerá de um bom desenho das atividades e da priorização de demandas”. A consultora defende que as empresas não esperem a aprovação final da PEC para agir. “O debate já sinaliza uma tendência global de revisão dos modelos tradicionais de trabalho. Revisar processos para identificar desperdícios, avaliar produtividade e investir no desenvolvimento das lideranças são medidas que podem ser adotadas desde já. Quem espera a mudança para rever a cultura organizacional já está atrasado”. Impactos para empresas No campo jurídico, a advogada trabalhista do Urbano Vitalino Advogados, Silvia Monteiro, explica que a implementação seguirá um cronograma previsto no texto aprovado no Senado. “Existe um prazo de transição. A jornada reduzida passará a valer a partir de 1º de janeiro do ano seguinte à promulgação, quando as empresas deverão passar de 44 para 40 horas. Após essa redução, a cada ano a jornada deverá ser diminuída em uma hora, até atingir 36 horas semanais”. O texto permite certa flexibilidade na organização das escalas, conforme destaca Silvia. “A proposta trata de jornada diária máxima de 8 horas e semanal de 36 horas. Isso não impede que haja trabalho de 6 horas por 6 dias na semana e uma folga semanal, por exemplo, desde que respeitado o limite semanal. Ou seja, podem existir modelos semelhantes ao 6×1 dentro das novas regras”. Silvia alerta para os riscos de dívidas trabalhistas caso a transição não seja bem planejada. “Além de reclamações individuais pleiteando horas extras, é possível a atuação de sindicatos e do Ministério Público do Trabalho, com ações coletivas exigindo o cumprimento da nova jornada, sob pena de multas e danos morais coletivos”. A advogada também chama atenção para o impacto financeiro. “Essa redução impactará de forma sensível os custos das empresas, podendo até inviabilizar operações. A legislação não prevê subsídio governamental. Se aprovada dessa maneira, pode haver aumento do desemprego e redução dos salários dos novos contratados”.

Hipertensão arterial já atinge três em cada 10 adultos brasileiros

A hipertensão arterial atinge 29,7% da população adulta brasileira, segundo dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2025. O levantamento do Ministério da Saúde monitora fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. O índice representa crescimento em relação a 2006, quando 22,6% dos brasileiros relataram diagnóstico médico de pressão alta. O avanço da hipertensão no Brasil ocorre em paralelo ao aumento da obesidade e do diabetes, compondo um cenário preocupante para a saúde pública e ampliando o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para a cardiologista e presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Érika Campana, os números refletem um problema estrutural. “O fato de quase 3 em cada 10 adultos brasileiros terem hipertensão revela um quadro preocupante de saúde cardiovascular populacional. O aumento também está relacionado ao envelhecimento da população, alimentação rica em sal e ultraprocessados, sedentarismo, obesidade, estresse crônico e acesso irregular ao cuidado em saúde”. A especialista destaca ainda que o problema vai além do diagnóstico. “Apenas 3 em cada 10 brasileiros portadores de hipertensão estão com a pressão arterial controlada. É um marcador claro de que estamos falhando na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento”. O crescimento mais recente entre as mulheres também chama atenção. De acordo com Érika, com a queda do estrogênio, há redução da proteção natural dos vasos sanguíneos. “Além do acúmulo de jornadas de trabalho, o estresse e a piora do sono contribuem para o avanço da pressão alta nesse público após os 40 anos”. Outro fator de risco é o calor intenso. “O estresse térmico e a desidratação podem levar a quedas bruscas ou picos de pressão. Esse desequilíbrio aumenta o risco de eventos como AVC e infarto, especialmente em idosos e pacientes crônicos”, explica a médica. Além das complicações graves, Érika afirma que hipertensão impacta a qualidade de vida. “Sono fragmentado, cansaço persistente e fadiga são sinais de que o corpo está sob estresse cardiovascular constante e ser o principal fator de risco para a morte cardiovascular”. Obesidade em alta O avanço da pressão alta também está diretamente ligado ao crescimento da obesidade no Brasil. Entre 2006 e 2024, o índice mais que dobrou, passando de 11,8% para 25,7%. Para o especialista em emagrecimento Marcelo Carneiro, a relação é clara. “A obesidade favorece alterações no funcionamento do organismo que elevam a pressão arterial, como inflamações e sobrecarga do coração e dos vasos sanguíneos”. Ele ressalta que se trata de um fator de risco evitável. “A obesidade é hoje um dos principais fatores de risco que podem ser prevenidos ou controlados. Perder peso já traz benefícios efetivos para o controle da hipertensão”. Segundo Carneiro, o excesso de peso dificulta a ação da insulina, favorece o acúmulo de sal e líquidos e compromete a flexibilidade das artérias, levando à elevação progressiva da pressão. Para o médico, o crescimento simultâneo de obesidade, diabetes e hipertensão evidencia fragilidades na prevenção. “Precisamos de políticas públicas que incentivem hábitos saudáveis desde a infância, além de acompanhamento regular da população”. Acompanhamento Érika destaca que a supervisão médica regular permite ajustar o tratamento de forma personalizada, identificar precocemente complicações e avaliar o risco cardiovascular global do paciente. “Quando esse cuidado é associado a mudanças de hábitos, como alimentação equilibrada, redução do sal, atividade física, controle do peso, sono adequado e redução do álcool, os benefícios são potencializados. Medicação e estilo de vida se complementam na proteção do coração, rim e cérebro”. “A obesidade é uma doença crônica, com múltiplas causas, e precisa de acompanhamento médico contínuo, assim como a hipertensão e o diabetes. As pessoas que sofrem de obesidade precisam de apoio familiar e não de julgamentos”, conclui Marcelo.

Partido Liberal enfrenta dilemas na disputa ao Palácio Tiradentes

Por meses a fio, a indecisão foi uma realidade no âmbito do grupo político em torno dos interesses eleitorais envolvendo o Palácio do Planalto, com expectativa de encontrar um nome ideal para disputar o Governo de Minas, cuja sugestão sempre recaiu sobre o senador Rodrigo Pacheco (PSD). No entanto, como se estivesse desinteressado em aceitar o desafio, o parlamentar fez o assunto esticar por pelo menos quatro meses. Esse cenário de vai e volta agora migrou para o Partido Liberal, o mesmo da família Bolsonaro. Na disputa mineira por cargos majoritários, especialmente ao Governo de Minas, o assunto entre os liberais se transformou em uma verdadeira Torre de Babel. São várias pessoas de “tribos” coirmãs falando ao mesmo tempo, mas sem um norte concreto para seguir. Nas entrevistas concedidas, alguns parlamentares externam que tudo vai ficar resolvido no final deste mês, quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro vier a Belo Horizonte. Ela, segundo informações, possui carta branca para orientar seus companheiros mineiros. A dificuldade do grupo é saber como entabular um entendimento para buscar uma candidatura competitiva ao Palácio Tiradentes. Teria que ser alguém alinhado com o nome do pré-candidato Flávio Bolsonaro. Surgem vários nomes, como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL) e agora o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. Antes dessa definição em relação ao governo, existem fissuras internas. Para o Senado, são citados nomes já em efervescência nos bastidores, como o presidente do PL em Minas, deputado Domingos Sávio, e o parlamentar Cristiano Caporezzo. Se a candidatura de Sávio for levada a efeito, haverá uma nova fresta a ser cuidada, qual seja a escolha de um nome para sucedê-lo na presidência do partido. Já o vice-governador Mateus Simões (PSD) está com sua candidatura em plena evidência, especialmente circulando pelo interior do Estado, cujos atos são turbinados pela presença do governador Romeu Zema (Novo). Como não poderia deixar de ser, Simões faz acenos constantes ao grupo bolsonarista para somar ao seu projeto. Essa pretensão do vice-governador esbarra no projeto político do governador Zema, atualmente pré-candidato à Presidência da República, embora as primeiras pesquisas apontem que o chefe do Executivo mineiro não tem a preferência dos eleitores. O quadro confuso deve mudar após o Carnaval, com possibilidade de entendimento e alinhamento desses grupos interessados em conquistar o Palácio Tiradentes. No momento, a realidade é que a sucessão mineira está indefinida, sem um nome com popularidade suficiente para vislumbrar uma vitória em outubro.

Uso da força letal pela polícia aumenta insegurança no Brasil

Um relatório da Human Rights Watch no Brasil aponta que a adoção recorrente da força letal pela polícia, como política de segurança, tem produzido o efeito oposto ao esperado, ampliando a violência e a sensação de insegurança nas cidades. Segundo o levantamento, entre janeiro e novembro de 2025, ações policiais resultaram na morte de 5.920 pessoas, sendo que a população negra apresenta uma probabilidade três vezes e meia maior de vitimização quando comparado com a população branca. O documento também chama atenção para a ação policial mais letal no Rio de Janeiro, a Operação Contenção, realizada em outubro do ano passado nos Complexos da Penha e do Alemão, que deixou 122 mortos durante ofensiva voltada à captura de lideranças da facção Comando Vermelho. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com o fundador e presidente da Associação Nacional da Advocacia Negra (ANAN) e presidente da ONG Clã da Negritude, Estevão Silva. Quando uma morte causada por policial deixa de ser uma ação legítima e passa a configurar execução ou violação de direitos humanos? Do ponto de vista jurídico, a regra é que a polícia não pode matar, pois sua função é prevenir e conter crimes, protegendo a vida. A morte causada por policial só é admitida, de forma excepcional, em legítima defesa ou para proteger a vida de terceiros, sempre com uso de meios proporcionais e moderados. Crimes contra o patrimônio, como furto ou roubo, não justificam o uso letal da força. Fora dessas hipóteses, a morte configura execução e violação grave de direitos humanos, inclusive quando há desproporção ou impossibilidade de defesa da vítima. Para além dos números, quais são os impactos dessas mortes nas famílias, nas comunidades periféricas e na democracia brasileira? O impacto da morte de homens, especialmente jovens negros, é profundo e estrutural em uma sociedade patriarcal. Ao eliminar o principal provedor, referência e proteção da família, ocorre a desestruturação econômica, psicológica e social do núcleo familiar, afetando filhos, mães e companheiras. Muitas famílias passam a depender de redes informais ou assistência que o Estado não garante, aumentando a vulnerabilidade social. A dor das mães, sobretudo negras, é devastadora e frequentemente acompanhada da ausência de justiça. Essa dinâmica alimenta ciclos de exclusão, violência e pode ser compreendida como uma forma de genocídio da população negra, com efeitos a curto, médio e longo prazo. O Brasil tem mecanismos eficazes para investigar mortes causadas por policiais? Possui boas ferramentas e métodos de investigação, como a polícia científica, mas elas não são aplicadas de forma igualitária. Quando as vítimas são pessoas negras ou da periferia, prevalece um imaginário social que naturaliza essas mortes, tratando esses corpos como “matáveis”, o que desestimula a apuração. Além disso, quando há suspeita de envolvimento policial, a investigação costuma ser feita pela própria corporação, o que compromete sua credibilidade. De que forma discursos políticos que exaltam o “confronto” ou a “guerra ao crime” impactam o aumento da estatística? O discurso de “guerra contra o crime” ou “guerra contra as drogas” é equivocado, perverso e profundamente perigoso, pois a lógica da guerra pressupõe a eliminação do inimigo. Ao adotar essa semântica, autoridades autorizam simbolicamente a morte de pessoas associadas, no imaginário social, ao crime e às drogas, em geral, negras e pobres. Não se fala em “guerra” contra crimes de colarinho branco. Essa linguagem reforça estigmas, legitima a violência e aumenta diretamente a letalidade policial. Quais medidas urgentes o Estado brasileiro deveria adotar para reduzir a letalidade policial? Para reduzir significativamente a letalidade policial, o Estado deve adotar duas medidas centrais: a desmilitarização da polícia e a criação de protocolos claros e proporcionais de uso da força. O Brasil é exceção ao manter uma polícia ostensiva fortemente armada em espaços civis, o que naturaliza a violência e aumenta o risco de mortes. Experiências internacionais mostram que forças menos armadas e mais orientadas pela inteligência reduzem conflitos letais. Protocolos bem definidos, aliados à redução de armas em circulação, tornam a atuação policial mais racional e segura.