Governo quer uma biblioteca pública para cada cidade até 2035

Garantir a existência de pelo menos uma biblioteca pública em cada município e ampliar, em 10%, as bibliotecas escolares, a cada ano, até 2035, é a proposta do Ministério da Cultura como metas da nova Política Nacional de Leitura e Escrita. Além de distribuir 100 milhões de livros em 10 anos e modernizar 50% das instituições existentes. Essas medidas visam combater a queda no percentual de brasileiros que se declaram leitores, que atualmente está em 47%. De acordo com dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), o número de bibliotecas públicas diminuiu de 6.057 para 5.293, entre 2015 e 2020. Na região Sudeste existem 1.274 instituições, sendo 1.266 municipais, sete estaduais e uma federal. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura em Bibliotecas Escolares de 2019, 63% das escolas brasileiras não têm biblioteca. O pedagogo e professor da Una, Wagner Cardoso Silva, explica que se essa meta for alcançada, o impacto será extremamente positivo. “Uma biblioteca não é apenas um prédio cheio de livros, ela representa acesso ao conhecimento, cultura, pesquisa, inclusão e cidadania”. “Ampliar bibliotecas públicas e escolares favorece a democratização da leitura, fortalece o aprendizado, incentiva o pensamento crítico e reduz desigualdades educacionais, especialmente em regiões onde o acesso ao livro ainda é limitado. Além disso, a presença de bibliotecas aproxima a população de atividades culturais e educativas, fomentando um ecossistema intelectual mais ativo e participativo”, acrescenta. Para Silva, a meta é ambiciosa, mas não impossível. “O grande desafio está na execução, não basta construir bibliotecas, é preciso garantir manutenção, equipe qualificada, acervo atualizado e planejamento contínuo. Hoje, enfrentamos desafios orçamentários, desigualdades e mudança nas prioridades políticas. Porém, se houver continuidade administrativa e financiamento consistente, a meta pode se tornar realidade”. Uma biblioteca escolar ativa e bem estruturada é um dos principais fatores de estímulo à leitura na infância, afirma o pedagogo. “Ela desperta curiosidade, amplia o vocabulário, melhora o desempenho escolar e fortalece habilidades cognitivas, como interpretação e criatividade. Crianças com rotina de leitura tendem a se tornar adultos com maior capacidade de raciocínio, comunicação e senso crítico. Investimentos O bibliotecário do Centro de Estudos do Hospital Felício Rocho, Samuel de Carvalho Alves Dantas, destaca que a redução no número de bibliotecas no país revela um grande retrocesso. “Significa que milhares de pessoas perderam ou deixaram de ter acesso a espaços públicos de leitura, pesquisa e convívio cultural. É um sinal de descaso com a educação, a cultura e com as populações vulneráveis que dependem desses serviços”. Ele esclarece que para que essas instituições tenham qualidade e cumpram seu papel social é preciso investir. “Em infraestrutura física adequada, acervo diversificado e atraente, profissional especializado, tecnologia e sistemas de gestão, políticas contínuas de manutenção e atualização, e sustentabilidade financeira. O investimento não é apenas estrutural, também envolve compromisso político e social para integrá-lo à comunidade”. Dantas pontua ainda que ter uma biblioteca pública em cada município significa garantir direito universal à informação, cultura e educação. “Especialmente para populações que não têm acesso fácil a livrarias ou internet de qualidade. É uma forma concreta de promover inclusão social e democratização do conhecimento”. “A biblioteca representa acesso gratuito a livros, cursos, pesquisa, leitura e convivência comunitária para muitas pessoas. Também garante o fortalecimento da memória coletiva, da cidadania e do desenvolvimento cultural nas localidades menos favorecidas”, finaliza.
Ultraprocessados são 23% dos alimentos consumidos no país

A participação de ultraprocessados na alimentação dos brasileiros mais que dobrou desde os anos 1980, passando de 10% para 23%, é o que revela uma série de artigos publicados na revista Lancet por mais de 40 cientistas, liderados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Os dados mostram que esse fenômeno não é exclusivo do Brasil, o consumo de ultraprocessados aumentou ao longo dos anos em todos os 93 países pesquisados, à exceção do Reino Unido, onde se manteve estável em 50%. A nação europeia só é superada pelos Estados Unidos, onde esses produtos perfazem mais de 60% da dieta. Em 40 anos, esse consumo triplicou na Espanha e na Coreia do Norte, alcançando índices de aproximadamente 32%. Na China, a participação dos ultraprocessados nas compras familiares era de apenas 3,5% e passou para 10,4%. Já na Argentina, o aumento foi menor, ao longo do mesmo período, saindo de 19% para 29%. Os artigos destacam ainda que o crescimento foi percebido nos países de baixa, média e alta renda, sendo que os últimos já partiram de patamares altos, enquanto as nações com renda menor registraram altas mais expressivas. O pesquisador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP e líder do trabalho, Carlos Monteiro, ressalta que esse consumo crescente está reestruturando as dietas em todo o mundo. “Essa mudança na forma como as pessoas se alimentam é impulsionada por grandes corporações globais, que obtêm lucros extraordinários priorizando produtos ultraprocessados, apoiadas por fortes estratégias de marketing e lobby político que bloqueiam políticas públicas de promoção da alimentação saudável”. A endocrinologista da Unimed BH e diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Flávia Coimbra Pontes Maia, explica que essa alta no consumo de ultraprocessados é um problema grave e preocupante. “Esses alimentos estão relacionados com uma série de problemas para a saúde, como o aumento de incidência de diabetes, de obesidade, e do colesterol alto. Isso tudo pode causar risco de doenças cardiovasculares no futuro”. Flávia afirma que esses alimentos podem impactar o organismo de diversas maneiras. “Alteram a regulação do apetite e promovem a ingestão aumentada de calorias; elevam rapidamente a glicemia e isso faz uma produção excessiva de insulina, que favorece o acúmulo de gordura visceral, elevando o risco de diabetes tipo 2; são capazes de alterar a microbiota intestinal, causando o aumento da produção de substâncias inflamatórias crônicas; entre outros problemas”. “Todas as faixas etárias podem ser afetadas pelo consumo desses alimentos ultraprocessados. No entanto, existem algumas faixas com risco maior. Por exemplo, as crianças até aos 10 anos de idade, porque o organismo ainda está em desenvolvimento. Eles vão criar um hábito alimentar inadequado e isso no futuro vai levar à obesidade, puberdade precoce, déficit de atenção, de aprendizado, doenças alérgicas e imunológicas”, alerta. Os adolescentes também figuram na faixa etária muito vulnerável, acrescenta a endocrinologista. “Eles são mais propensos a querer comer esse tipo de alimento, e é um período que estão tendo as alterações hormonais, o que pode prejudicar esse processo. Além dos jovens adultos, que costumam apresentar doenças metabólicas mais precocemente”. Alimentação saudável A especialista destaca que é possível reverter os danos causados pela ingestão excessiva de ultraprocessados. “Pare de comer esses tipos de produtos ou reduza ao máximo o consumo, tentando buscar uma dieta baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como verduras, legumes, frutas e grãos. Os produtos ultraprocessados são realmente o grande mal, causadores de problemas como diabetes e obesidade. Precisamos implementar também medidas que restrinjam o consumo desses alimentos”, finaliza.
Deputado Fabiano Cazeca apresenta projetos em Brasília

Depois de assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados, o parlamentar Fabiano Cazeca (PRD) iniciou seu mandato imprimindo agenda própria e priorizando temas regulatórios considerados por ele como urgentes. Em pouco tempo, apresentou duas propostas legislativas que já tramitam na Casa, ambas com impacto sobre o cotidiano do brasileiro. O primeiro Projeto de Lei (PL) 5.830/2025, altera o Código de Defesa do Consumidor para obrigar que plataformas de e-commerce informem, com destaque e de forma ostensiva, a data de validade de produtos perecíveis antes da finalização da compra. A medida busca preencher uma lacuna no ambiente digital, onde, segundo o deputado, muitos consumidores recebem produtos perto do vencimento, impossibilitando o uso integral. “Ele obriga o vendedor a informar ao comprador a data de validade da mercadoria. O objetivo é impedir que o consumidor receba alimentos ou medicamentos próximos do vencimento, problema recorrente no comércio digital. O texto prevê ainda que o prazo de validade esteja visível na página do produto e no resumo da compra, garantindo clareza e transparência”, ressalta o parlamentar. O segundo projeto, PL 6.016/2025, trata da regulamentação do uso de bloqueadores seletivos de radiofrequência para neutralizar drones em situações específicas. O texto também propõe critérios para uso privado e institucional, além de criar normas para uso pelas forças de segurança em operações policiais e penitenciárias. De acordo com Cazeca, a ausência de uma regulamentação no Brasil gera insegurança jurídica tanto para proprietários quanto para órgãos oficiais, além de permitir algumas brechas para o uso criminoso da tecnologia. “É um projeto muito importante porque no país os drones não são regulamentados”. Ele acrescenta que a proposta pretende estabelecer zonas permitidas, áreas restritas e regras claras para atuação de forças de segurança, especialmente em cenários envolvendo tráfico, contrabando, invasões de privacidade ou riscos operacionais. O projeto autoriza a fabricação e uso de equipamentos anti-drone homologados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com limites técnicos e responsabilidade civil e penal em caso de uso indevido. Próximos passos Para 2026, Cazeca já trabalha em uma nova pauta: reformular a Lei dos Consórcios, vigente desde 2008. Ele afirma que a norma necessita ser atualizada para poder refletir o crescimento e a complexidade do setor. “Já é preciso fazer um processo de modernização, alterando vários dispositivos”, destaca. Na avaliação do parlamentar, aspectos importantes da legislação foram deixados sob responsabilidade exclusiva do Banco Central, que regula o sistema. “Isso precisa ser revisto. Quero propor ajustes que tornem o sistema mais flexível e adequado às práticas atuais de mercado”. Articulação com a bancada mineira Além de suas propostas, Fabiano Cazeca vem buscando articulação com colegas mineiros para ampliar a força do Estado nas votações estratégicas. “Já tenho feito reuniões com a bancada de Minas, de alguns deputados aqui, para a gente se unir, aqueles que têm uma linha de pensamento mais aberta. Sou uma pessoa de centro e se o projeto for bom para o país e para Minas Gerais, eu apoio”, afirmou. O deputado diz que pretende atuar de forma flexível, avaliando propostas independentemente do campo ideológico, priorizando aquilo que considera benéfico ao país. “As questões mais importantes, nós temos que sentar em volta de uma mesa, construir parceria e aprovar tudo o que for bom para o povo”. Mesmo com pouco tempo de Casa, Cazeca salienta que quer deixar contribuição prática em temas de impacto imediato como tecnologia, segurança pública e defesa do consumidor, enquanto estrutura seus próximos movimentos legislativos. “Eu vim para cá para trabalhar – e trabalhar muito”, finaliza.
Menos aulas e mais acesso: o impacto das novas regras da CNH

Com a aprovação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) da retirada da exigência de frequentar autoescola para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e publicada no Diário Oficial, o processo de formação foi reestruturado. Agora, o candidato poderá fazer o curso teórico de forma gratuita e on-line, realizar apenas duas horas de aula prática – antes eram 20 horas – e escolher entre autoescola, instrutor credenciado ou preparação independente. O governo federal defende que a mudança pode reduzir o custo total da formação em até 80%, ampliando o acesso à habilitação para quem antes não tinha condições financeiras. No entanto, a alteração também levanta questionamentos sobre o impacto na segurança viária. Para aprofundar essa discussão, o Edição do Brasil conversou com o especialista em gestão, educação e segurança de trânsito, Renato Ribeiro. Como garantir que a qualidade do ensino de direção será mantida após essa mudança? A padronização deixa de ser automática. Hoje, o sistema é centralizado e auditável; com a flexibilização, passamos para um modelo pulverizado, onde cada instrutor e plataforma poderá trabalhar com metodologia própria. Isso torna o controle mais difícil. Se a fiscalização estadual não for rigorosa e contínua, veremos ensino improvisado, sem garantia pedagógica. A formação deixa de ser estruturada e passa a depender da capacidade individual do instrutor – e improviso no trânsito não gera eficiência, gera risco. A norma amplia a responsabilidade, mas enfraquece as ferramentas do Estado para garanti-la. A nova carga mínima prática prepara o aluno com segurança? Duas horas são insuficientes. A função do instrutor deixa de ser formativa e passa a ser superficial. O aluno aprenderá majoritariamente fora da estrutura supervisionada, com familiares ou pessoas sem preparo técnico. Isso significa que hábitos incorretos, crenças populares e práticas inseguras poderão se consolidar. A formação de um condutor envolve muito mais que domínio mecânico do veículo. Ela exige percepção de risco, leitura do ambiente e tomada de decisão, competências que só se desenvolvem com acompanhamento profissional. Quais os riscos concretos que a flexibilização pode trazer? Pelo menos três dimensões: pedagógica, física e patrimonial. Sem método, o aluno aprende por tentativa e erro. Sem preparo, aumenta a chance de acidentes, como casos envolvendo aprendizes ao volante sem supervisão adequada. No risco patrimonial, se alguém em treinamento causa um acidente com veículo próprio, não existe garantia de ressarcimento como ocorre quando há uma autoescola responsável. A consequência pode aparecer nos hospitais, no Sistema Único de Saúde (SUS) e na estatística de mortos, não apenas no bolso. A mudança democratiza o acesso ou amplia desigualdades? A promessa de inclusão é sedutora, mas sem estrutura pode gerar o oposto. A redução de exigências pode levar candidatos vulneráveis a concluir o processo com formação insuficiente. Além disso, mais reprovações podem gerar novos custos, aumentando frustração e desistência. Famílias com maior renda poderão contratar ensino complementar, enquanto as de baixa renda ficarão expostas a uma formação mínima e arriscada. A flexibilização tende a intensificar desigualdade, não reduzir. O Brasil está preparado para esse modelo? Ainda não. Para um sistema mais livre funcionar, seria necessário primeiro fortalecer fiscalização, credenciar instrutores com rigor técnico, padronizar conteúdo, digitalizar registros de aulas e consolidar educação para o trânsito nas escolas. Sem isso, a flexibilização caminha para desregulação. O trânsito não tolera improviso e quando a formação falha na entrada, a sociedade paga o preço na saída.
Esportes femininos estão na melhor fase e atraem marcas

O avanço dos esportes femininos, consolidado em 2025 com recordes de audiência, engajamento e receitas bilionárias, prepara o terreno para um 2026 marcado por expansão e forte movimentação do mercado publicitário. O segmento deixa de ser apenas uma pauta de representatividade para assumir o posto de plataforma estratégica de investimento para marcas que buscam alcançar consumidores engajados, alta capacidade de influência e retorno financeiro acima da média. Dados da Women’s Sport Trust mostram a dimensão dessa virada: 80% das marcas globais planejam investir em esportes femininos até 2027, enquanto 86% afirmam que o retorno sobre investimento (ROI) já supera as expectativas. O consumidor dessa modalidade também demonstra características que atraem o mercado, segundo o Women in Sports Review, fãs do esporte feminino são 4,7% mais receptivos às marcas patrocinadoras e têm 2,1% mais probabilidade de compra. Cada dólar investido gera, em média, US$ 7,29 em valor de cliente. Na visão do CEO da US Media, Bruno Almeida, essa evolução marca uma mudança estrutural no setor. “Os esportes femininos abriram uma nova fronteira premium de mídia e branding, sustentada por dados sólidos, crescimento de audiência e retorno comprovado. É hoje um dos terrenos mais seguros para marcas que buscam relevância cultural e resultado mensurável”. Receita global O relatório da Deloitte projeta que os esportes femininos cheguem a US$ 2,35 bilhões em receita global até dezembro de 2025, quase o dobro do registrado dois anos antes. O basquete responde pela maior fatia, movimentando cerca de US$ 1,03 bilhão, enquanto o futebol soma US$ 820 milhões. No Brasil, o futebol feminino puxa a fila do mercado. A segunda partida da final do Campeonato Brasileiro Feminino, entre Corinthians e Cruzeiro, levou 41.130 torcedores à Neo Química Arena e registrou a maior renda da modalidade, com R$ 1,23 milhão. A modalidade tem mostrado um público fiel e ativo no Brasil. Segundo a pesquisa “Consumo do Futebol Feminino”, 96% acompanham a modalidade semanalmente, 70% usam redes sociais diariamente para se informar, 82% preferem marcas patrocinadoras do futebol feminino, 67% já compraram produtos oficiais e 80,8% pretendem comprar ingressos para a Copa 2027, sediada no Brasil. Para Almeida, o engajamento do torcedor brasileiro reforça o potencial do setor. “Não é apenas um público que cresce. É um consumidor altamente comprometido, que reconhece e apoia marcas investidoras”. Ele conclui dizendo que os esportes femininos deixaram de ser tendência para se tornarem um eixo estratégico de investimento. “Quem entender desde já a progressão do setor vai liderar a conversa com o consumidor. O esporte feminino une propósito e eficiência e é uma oportunidade rara de escala e construção de marca”.
Dezembro Laranja alerta para a prevenção do câncer de pele

A chegada de dezembro e do verão reacende um alerta conhecido, porém, negligenciado: o risco do câncer de pele. Com a elevação das temperaturas, aumento do índice de radiação ultravioleta (UV) e maior exposição ao sol, especialistas reforçam a necessidade de cuidados intensificados. O câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente no Brasil (31,3% do total de casos, segundo o Inca) e, apesar de amplamente prevenível, ainda cresce devido a hábitos de exposição inadequados e falta de atenção aos sinais iniciais. De acordo com a dermatologista Helena Moura, a doença surge quando ocorre um crescimento anormal das células cutâneas, geralmente provocada pela radiação solar acumulada ao longo da vida. “Esse dano é progressivo, silencioso e cumulativo. Muitas pessoas acham que apenas queimaduras solares graves oferecem risco, mas pequenas exposições repetitivas, sem proteção, já são suficientes para desencadear mutações que levam ao câncer”. Existem dois grandes grupos da doença: o melanoma, considerado o mais agressivo, e os não melanoma, entre eles o carcinoma basocelular e o espinocelular, geralmente mais comuns e com menor probabilidade de metástase quando tratados precocemente. Os sintomas variam entre manchas, feridas que não cicatrizam e lesões pigmentadas com formatos irregulares. “O principal sinal de alerta é a mudança. Uma pinta que aumentou, uma ferida que sangra, uma mancha que coça ou dói, qualquer alteração persistente deve ser investigada”, afirma. O diagnóstico costuma ser feito por exame clínico e confirmado por biópsia, para isso, a consulta dermatológica regular é fundamental. A recomendação geral é que adultos façam avaliação anual, mas pessoas com pele muito clara, casos na família, ou longo histórico de exposição solar devem aumentar a frequência. “Nos meses de verão, principalmente em dezembro e janeiro, recebemos mais pacientes com lesões suspeitas. A luz solar é mais intensa e episódios de queimadura se tornam mais comuns, o que eleva o risco ao longo dos anos”, destaca. As causas estão relacionadas à exposição aos raios UV, porém, outros fatores podem influenciar, como predisposição genética, uso de câmaras de bronzeamento, proibidas no Brasil, mas ainda buscadas clandestinamente, e envelhecimento natural da pele. O oncologista Ricardo Fagundes reforça que o comportamento preventivo é decisivo. “Dezembro marca o início das férias e muitos brasileiros passam longos períodos ao ar livre sem qualquer proteção. Chapéu, óculos, roupas com proteção e reaplicação do protetor solar a cada duas horas são atitudes simples que salvam vidas”. O tratamento varia de acordo com o tipo e o estágio da doença. As modalidades incluem cirurgia, radioterapia, terapias alvo e imunoterapia, especialmente no caso de melanomas avançados. Segundo Fagundes, a abordagem precoce é sempre mais favorável. “Quando detectado no início, o carcinoma basocelular tem taxas altíssimas de cura com procedimentos pouco invasivos. Já o melanoma pode se espalhar rapidamente, por isso a rapidez na identificação faz toda a diferença”. Para enfrentar o verão com segurança, Fagundes recomenda evitar exposição solar entre 10h e 16h, período de maior radiação; utilizar protetor solar com fator no mínimo 30; buscar sombras sempre que possível; e proteger áreas esquecidas, como orelhas, lábios, nuca e dorso dos pés. “No Brasil, em dezembro, o índice UV frequentemente atinge níveis extremos, superiores aos observados em muitos países tropicais. Isso exige atenção redobrada, principalmente de crianças e idosos”. O método ABCDE, que avalia Assimetria, Borda, Cor, Diâmetro e Evolução das lesões, é uma ferramenta útil para identificar sinais suspeitos. “Ninguém conhece sua pele melhor do que o próprio paciente. Se notou algo diferente procure atendimento imediatamente. O câncer de pele é altamente tratável quando diagnosticado na fase inicial”, conclui.
Aécio Neves disputará o Planalto de olho no crescimento do PSDB

Em Brasília, há uma convicção de que o deputado Aécio Neves, ao assumir a presidência nacional do PSDB, já estabeleceu a sua possível disputa pela Presidência da República, em 2026, como forma de ajudar a incrementar e pautar o partido para discutir os grandes temas nacionais, com o objetivo de assegurar o retorno da sigla como uma instituição de prestígio perante os eleitores do pais. Pessoas próximas ao político avaliam ser esse o caminho dele, porque se fosse disputar o Governo de Minas ou o Senado, o projeto dos tucanos deixaria de ser alavancado pelo Brasil afora. Candidatura de centro Jornalistas da crônica política de Brasília avaliam que Aécio Neves está atuando pelo ressurgimento do PSDB como um partido forte, voltando ao cenário de outrora. O seu trabalho carece de ser certeiro, pois se errar no planejamento, pode levar a sigla à bancarrota. Os comunicadores apontam que o mineiro almeja ser uma opção mais moderada, representando um pensamento copaz de se identificar com os leitores cansados dos brigas entre bolsonaristas (direita) e lulistas (esquerda) Eles analisam também que existe um vácuo quanto à liderança política de um pré-candidato de centro. Até porque, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ainda está sem uma definição sobre o seu futuro eleitoral. Isso tem proporcionado um bate cabeca entre os governadores de oposição ao Planalto, como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Jorginho Mello (PL). Entusiasmado com esse novo desafio, assim que assumiu o comando do seu partido, Aécio estabeleceu uma agenda de contatos para ouvir opiniões de pessoas influentes e com experiência pública. Esteve pessoalmente para uma conversa com o seu padrinho e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também telefonou para o ex-presidente Michel Temer e tomou um café com o ex-presidente José Sarney. Formatação de chapas A partir de janeiro, o desafio do parlamentar é contribuir no formatação de chapas para as disputas nos estados, como a escolha de nomes pelo pleito 0o Senado e à Câmara Federal, naturalmente recaindo sobre figuras com reconhecido potencial de votos. Concernente a Minas Gerais, não é conhecida as possíveis alianças do tucano. Há um preponderante grau de tensão que deve impossibilitar a aproximação dele com o grupo do vice-governador Mateus Simões (PSD). É que ao longo dos últimos seis anos, fizeram inúmeras críticas a Aécio, especialmente quanto à sua administração como governador. Por exemplo, os palacianos teceram comentários ácidos, ironizando o projeto de construção da Cidade Administrativa.
Retorno da população de rua para cidade natal tramita na Câmara

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovou, em 1º turno, o Projeto de Lei (PL) 227/2025 que visa proporcionar apoio às pessoas em vulnerabilidade social que desejam retornar à sua cidade de origem. A medida prevê o encaminhamento desse público para órgãos competentes que possam viabilizar o transporte, suporte logístico e apoio na emissão de documentos necessários para o deslocamento. De autoria do vereador Vile Santos (PL), a proposta segue para as comissões para análise de emendas. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada especialista em Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos, Carla Rodrigues. Esse projeto é uma boa alternativa para melhorar a situação dessa população? Do ponto de vista jurídico e dos direitos humanos, qualquer política voltada à população em situação de rua só pode ser considerada adequada se tiver como eixo central a dignidade, a proteção integral e a autonomia das pessoas. Projetos que priorizam ordenamento urbano ou deslocamento, sem garantia de direitos mínimos, tendem a ser paliativos e não resolvem a questão estrutural. Portanto, a viabilidade depende diretamente do desenho da política e não do discurso que a acompanha. O que deveria ser considerado essencial para que a proposta funcione de forma ética e efetiva? É indispensável ter base legal clara, protocolos transparentes, consentimento sempre que possível, participação social, atuação intersetorial, garantia de acesso à moradia, saúde, assistência e documentação. Sem isso, o poder público corre o risco de produzir apenas movimentação territorial, e não inclusão. Há evidências de que o deslocamento contribui com a reinserção social dessas pessoas? Não. O deslocamento, isoladamente, não possui respaldo empírico como estratégia de reinserção. Muitas vezes produz descontinuidade de vínculos, perda de pertences e agravamento da vulnerabilidade. O que produz reinserção é acesso à moradia, proteção social e oportunidade de renda. Sem isso, deslocar torna-se apenas uma ação administrativa de contenção. Há risco de judicialização por possíveis violações de direitos? Sim, e significativo. Qualquer medida que implique retirada de pertences, remoção compulsória, tratamento desigual ou abuso de autoridade pode gerar judicialização imediata, sobretudo por violação à dignidade humana, ao devido processo legal e ao direito à assistência. Municípios que não estruturam juridicamente essas ações costumam enfrentar recomendações, ações civis públicas e controle judicial. Como seria possível evitar que a medida seja utilizada de forma discriminatória? Com critérios objetivos, fiscalização externa e protocolos que inibam o uso seletivo da política. Sem controles, ações como essa podem reforçar estigmas históricos contra a população em situação de rua e caracterizar discriminação institucional. A prevenção começa com transparência, capacitação e responsabilização. Que impacto essa proposta pode ter na percepção pública sobre a população de rua? O impacto depende da narrativa adotada. Se a política for comunicada como resolução rápida de um “problema”, reforça estigma e desumanização. Se for apresentada como garantia de direitos, com foco na pessoa e não no território, pode ajudar a reconstruir a percepção social. A comunicação pública tem papel jurídico e político neste tipo de política. Existe risco desse tipo de medida se tornar recorrente, sem atacar as causas estruturais da pobreza urbana? Sim. Medidas emergenciais, quando repetidas, tendem a substituir políticas de habitação, renda, saúde e prevenção de violações. Isso cria uma “gestão da rua”, e não uma política de superação da situação de rua. Sem investimento estrutural, o ciclo se repete e a política se torna manutenção do problema. Quais alternativas o município poderia investir para reduzir o índice da população de rua? Moradia digna (modelos como housing first), fortalecimento da assistência social, ampliação de equipes de abordagem, políticas de saúde mental, geração de renda, prevenção de despejos, documentação civil acessível, centros de acolhimento que respeitem a autonomia e articulação com entidades da sociedade civil.
Turismo de negócios registra crescimento em Belo Horizonte

Os deslocamentos corporativos com destino a Belo Horizonte registraram uma expansão expressiva em 2025, segundo um levantamento da Paytrack, plataforma especializada em gestão de viagens e despesas corporativas. Em alguns trechos, o crescimento ultrapassou 285% em relação a 2024. O aumento reflete a combinação de fatores econômicos, logísticos e estratégicos que têm reposicionado BH como um eixo relevante para negócios, inovação e eventos corporativos. O maior salto partiu de Porto Alegre, que teve uma alta surpreendente de 285,23% no número de passageiros. Em seguida aparece Joinville, com crescimento de 113,21%, e Montes Claros, que também demonstrou forte expansão, registrando 109,09%. A região Norte igualmente contribuiu para a elevação da demanda: Santarém apontou aumento de 93,33%, enquanto Carajás teve expansão de 76,26% nas viagens com destino a Belo Horizonte. Entre os grandes centros urbanos, o Rio de Janeiro, a partir do aeroporto do Galeão, apresentou alta de 51,24%. Já São Paulo, via Congonhas, teve um crescimento mais moderado, mas ainda positivo, de 9,60%. “Belo Horizonte vive um momento de fortalecimento econômico, com a chegada de novas empresas, ampliação de parques tecnológicos e maior oferta de espaços para eventos, isso aumenta naturalmente a circulação de profissionais, que viajam tanto para fechar negócios quanto para participar de treinamentos, feiras e rodadas de investimento”, explica o agente de viagens Vicente Brandão. O impacto também pode ser visto na rede hoteleira de Belo Horizonte. A Savassi segue como a área mais disputada pelos viajantes a trabalho, concentrando 36% das reservas corporativas. O bairro mantém sua posição como um dos pontos mais dinâmicos da capital, graças à presença de cafés, espaços de coworking e escritórios. Logo depois aparece a Pampulha, responsável por 24% das estadias, impulsionada pela grande variedade de hotéis voltados tanto para eventos quanto para o público executivo, além da facilidade de acesso a polos empresariais e instituições de ensino. Outras regiões vêm ampliando sua participação nesse segmento. O Cidade Jardim tem atraído profissionais que preferem se hospedar na área Centro-Sul, enquanto Caiçara e São Cristóvão se fortalecem como opções estratégicas para quem precisa de deslocamentos ágeis e boa conexão com a região Norte e com o aeroporto. Para Brandão, esse movimento tem impacto direto na economia local. “O crescimento das viagens corporativas traz benefícios que vão muito além do fluxo nos aeroportos. Ele impulsiona a rede hoteleira, os restaurantes, os serviços de transporte urbano e movimenta toda a cadeia de fornecedores ligados ao turismo de negócios”. Ele destaca ainda que, diferentemente do turismo de lazer, o corporativo tende a ser mais estável ao longo do ano e, por isso, representa uma oportunidade estratégica para a capital. A especialista em planejamento urbano e desenvolvimento regional, Carla Menezes, afirma que o dado sinaliza que BH está se tornando um hub de encontros e negociações. “O fortalecimento de espaços como o Expominas, a ampliação de centros de inovação e a expansão de coworkings estimulam as empresas a escolherem a cidade como destino. Belo Horizonte oferece infraestrutura competitiva, custo operacional mais baixo do que outras capitais e uma localização estratégica que facilita deslocamentos para todo o Sudeste e Centro-Oeste”. No entanto, Carla alerta que o crescimento exigirá atenção redobrada do poder público. “Para que esse movimento continue, a prefeitura precisa investir em mobilidade urbana, modernização de corredores de ônibus, ampliação da conexão com outras cidades da Região Metropolitana e qualificação dos serviços voltados ao turismo corporativo, além da importância de melhorias no entorno dos centros de eventos e nas áreas com grande concentração de hotéis. Ambientes bem iluminados, calçadas acessíveis e transporte eficiente fazem diferença na experiência do visitante corporativo”.
Vacinação contra o HPV evita vários tipos de câncer e salva vidas

O Brasil tem mostrado avanços significativos na aplicação da vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV). Em 2024, a cobertura vacinal ultrapassou 82% entre meninas, índice muito acima da média global de 37%, e chegou a 67% entre os meninos. O Ministério da Saúde pretende vacinar cerca de 7 milhões de jovens, que não foram imunizados na idade recomendada, entre 9 e 14 anos. Para alcançar esse público, foi prorrogado para até dezembro deste ano, a campanha de vacinação contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos. A meta é alcançar cerca de 7 milhões de jovens que não foram imunizados na idade recomendada, entre 9 e 14 anos. Esse cenário preocupa ainda mais diante das projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Somente em 2025, estima-se que mais de 17 mil mulheres receberão o diagnóstico de câncer do colo do útero. A doença, altamente associada ao HPV, é responsável por milhares de mortes anuais e representa um desafio contínuo para o sistema de saúde. “Geralmente, a infecção genital por HPV é bastante frequente e, na maioria dos casos, é assintomática e autolimitada. Mas, quando ocorre a persistência do vírus nas células do colo do útero, elas podem avançar para o desenvolvimento de câncer”, explica a oncologista Marcela Bonalumi. Imunização Segundo o médico da família, Martim Elviro, alguns mitos e tabus ainda são barreiras para o aumento da cobertura vacinal no país. “Muitos pais associam a vacinação à iniciação precoce da vida sexual dos adolescentes, quando, na realidade, trata-se de uma medida preventiva para proteger contra vírus altamente perigosos”. Ele reforça que não há evidências científicas que relacionem o imunizante ao comportamento sexual dos jovens. A segurança da vacina também é comprovada. “Circulam mitos sobre efeitos colaterais graves, o que não se confirma nos estudos clínicos”, destaca Elviro. A Organização Mundial da Saúde aponta que o HPV está ligado a cerca de 620 mil casos de câncer em mulheres e 70 mil em homens a cada ano. A imunização protege não apenas contra o câncer do colo do útero, mas também contra tumores de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe, além de prevenir verrugas genitais. O médico destaca que quando aplicada antes dos 20 anos, a vacina pode reduzir em até 86% o risco de câncer cervical, segundo estudos internacionais. “Estamos falando de uma vacina que salva vidas. Em países com alta cobertura, como Austrália e Reino Unido, já se observa queda expressiva nos casos de câncer de colo do útero”. Prevenção A oncologista alerta que mesmo para mulheres vacinadas, a prevenção não se encerra na imunização. Exames ginecológicos de rotina são indispensáveis. A recomendação é realizar o Papanicolau anualmente e, depois de resultados consecutivos normais, a cada três anos, dos 25 aos 64 anos. “O exame é fundamental para identificar lesões pré-cancerosas e agir rapidamente contra o câncer do colo do útero”. Ela lembra que nas fases iniciais, a doença costuma ser silenciosa. Quando surgem sintomas, podem incluir sangramento vaginal fora do período menstrual, dor durante relações sexuais, anemia e perda de peso inexplicada. Nos estágios mais avançados, há riscos de comprometimento urinário e intestinal. “Por isso, é muito importante buscar o aconselhamento de um especialista”. Se o diagnóstico é precoce, as chances de sucesso no tratamento aumentam consideravelmente. “Quando descoberta no início, pode haver uma redução de até 80% na mortalidade pelo câncer do colo do útero”, afirma Marcela. O tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo do avanço da doença. Desinformação A preocupação não é apenas com a cobertura, mas também com a desinformação. Uma pesquisa da Fundação Nacional do Câncer revelou que mais de um terço dos adolescentes desconhece que a vacina previne o câncer do colo do útero. Além disso, 57% acreditam que o imunizante pode trazer riscos à saúde e que a vacinação os protegeria contra todas as infecções sexualmente transmissíveis, o que não é verdade. Para melhorar a adesão, especialistas defendem ações integradas entre famílias, escolas e profissionais de saúde. “Médicos, escolas e famílias precisam caminhar juntos para derrubar mitos e mostrar que a vacina não é uma escolha sobre o presente, mas um cuidado com o futuro da saúde dos nossos jovens”, finaliza Elviro.