Uso de IA em conteúdos falsos mais que triplica em um ano

A circulação de conteúdos falsos produzidos com o uso de inteligência artificial (IA) mais que triplicou no Brasil entre 2024 e 2025, registrando um crescimento de 308% no período. A informação faz parte de um levantamento inédito realizado pelo Observatório Lupa que analisa tendências, principais alvos e estratégias utilizadas na propagação de informações falsas. Para o estudo, foram examinados 617 conteúdos checados pela agência em 2025, em comparação com 839 verificações realizadas em 2024, a partir de análises qualitativas e quantitativas. Os resultados indicam que deepfakes e outros materiais manipulados com IA passaram de 39 registros em 2024, o equivalente a 4,6% das checagens feitas pela Agência Lupa naquele ano, para 159 casos em 2025, representando 25% do total de verificações. Na prática, isso significa um aumento de 120 ocorrências desse tipo de desinformação. O levantamento indica que, em 2024, a inteligência artificial era utilizada principalmente na aplicação de golpes digitais, como a produção de deepfakes de celebridades promovendo plataformas fraudulentas. Já em 2025, a tecnologia passou a ser usada de forma mais estratégica no campo político: quase 45% dos conteúdos gerados com IA apresentavam viés ideológico, frente aos 33% registrados no ano anterior. A análise também revelou que mais de 75% dos materiais com uso de IA que circularam em 2025 exploravam a imagem ou a voz de pessoas públicas, sobretudo de lideranças políticas. Entre os principais alvos identificados no estudo estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citado em 36 conteúdos falsos, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 33 casos, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em 30 registros. Segundo a sondagem, o WhatsApp deixou de concentrar a maior parte da circulação de desinformação, passando de quase 90% dos casos em 2024 para 46% em 2025. Para o Observatório, essa queda não significa necessariamente uma redução das notícias falsas na plataforma, mas sim uma maior diversificação dos canais utilizados para disseminar esse tipo de conteúdo. A professora de comunicação digital, Samira Costa, esclarece que a sofisticação dos conteúdos falsos exige mais atenção dos usuários antes de compartilhar qualquer informação. “Hoje é possível criar vídeos e áudios extremamente realistas com poucos recursos técnicos. Muitas vezes, a pessoa vê uma imagem ou ouve uma fala aparentemente autêntica e acredita que aquilo é verdadeiro. É fundamental adotar uma postura mais crítica e sempre verificar a origem da informação”. Entre os principais sinais de alerta estão conteúdos que despertam forte emoção, como indignação ou surpresa, e que incentivam o compartilhamento imediato. “Mensagens alarmistas, com títulos chamativos ou que afirmam revelar algo ‘que a mídia não quer mostrar’, são estratégias comuns em conteúdos falsos”, explica. O especialista em educação midiática, Rafael Torres, também recomenda que os usuários procurem confirmar a informação em diferentes fontes antes de repassá-la. “Uma dica importante é pesquisar se aquele fato foi noticiado por veículos confiáveis ou checado por agências especializadas. Se apenas um perfil desconhecido está divulgando aquilo, há grande chance de ser falso”. Além disso, Torres destaca que inconsistências visuais e sonoras podem indicar manipulação. “Em vídeos feitos com IA, às vezes é possível perceber movimentos labiais estranhos, cortes abruptos ou falas que não combinam com o contexto. No caso de áudios, vale desconfiar quando a mensagem parece muito sensacionalista ou fora do padrão de comunicação da pessoa que supostamente estaria falando”. Outra medida importante é denunciar conteúdos suspeitos nas próprias plataformas digitais. Redes sociais e aplicativos de mensagens costumam oferecer ferramentas para reportar publicações enganosas ou perfis que espalham desinformação. Torres reforça que combater a desinformação depende também do comportamento individual dos usuários. “Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo. Antes de compartilhar qualquer conteúdo, é preciso fazer uma pausa, verificar a informação e pensar nas consequências. Muitas vezes, a simples decisão de não repassar uma mensagem já ajuda a interromper a cadeia de desinformação”.

Um em cada cinco adolescentes no mundo vive com obesidade

Informações do Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no mundo apresentam sobrepeso ou obesidade, o que corresponde a aproximadamente um em cada cinco jovens, somando 419 milhões de pessoas. Segundo projeções da Federação Mundial da Obesidade, esse número pode chegar a 507 milhões até 2040, caso a tendência atual se mantenha. Em comunicado, a entidade adverte que o excesso de peso na infância pode desencadear problemas de saúde semelhantes aos verificados em adultos, como hipertensão e doenças cardiovasculares. As projeções indicam que, até 2040, cerca de 57,6 milhões de crianças poderão apresentar sinais iniciais de doenças cardiovasculares, enquanto 43,2 milhões devem manifestar hipertensão. Os dados apontam que no Brasil cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos apresentam sobrepeso ou obesidade. Quando se inclui a faixa etária de 10 a 19 anos, esse contingente chega a 9,9 milhões, somando aproximadamente 16,5 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos vivendo com excesso de peso no país. As projeções para 2040 indicam um cenário preocupante: mais de 1,6 milhão de jovens dessa faixa etária podem ser diagnosticados com hipertensão associada ao índice de massa corporal (IMC); cerca de 635 mil devem apresentar hiperglicemia relacionada ao IMC; aproximadamente 2,1 milhões podem ter níveis elevados de triglicerídeos; e 4,6 milhões podem desenvolver doença hepática esteatótica metabólica. Para a endocrinologista pediátrica Mariana Vasconcelos, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, aliado à redução da atividade física, tem impacto direto na saúde das crianças. “A obesidade infantil é uma condição complexa, que envolve fatores biológicos, comportamentais e sociais. Hoje vemos crianças consumindo grandes quantidades de produtos ricos em açúcar, gorduras e sódio, ao mesmo tempo em que passam muitas horas diante de telas. Esse conjunto favorece o ganho de peso e pode desencadear problemas de saúde que eram mais comuns na vida adulta”. Segundo Mariana, os impactos do excesso de peso podem aparecer de forma precoce e afetar diferentes sistemas do organismo. “Crianças com obesidade têm maior risco de desenvolver hipertensão, resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações no colesterol e problemas no fígado. Além disso, existem consequências emocionais importantes, como baixa autoestima, ansiedade e episódios de bullying”. O nutricionista Carlos Menezes destaca que os hábitos familiares têm papel fundamental na formação do comportamento alimentar das crianças. “Os pais são os principais modelos para os filhos. Quando a família adota uma alimentação equilibrada e inclui atividades físicas na rotina, as crianças tendem a reproduzir esse comportamento. Oferecer frutas, verduras e refeições caseiras, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e limitar o tempo de tela são medidas simples que fazem grande diferença”. Ele também ressalta a importância de estabelecer uma relação saudável com a comida desde cedo. “É fundamental evitar o uso de alimentos como recompensa ou punição. A criança precisa aprender a reconhecer sinais de fome e saciedade, além de entender que a alimentação saudável faz parte do cuidado com o corpo”. Além das mudanças no ambiente familiar, o profissional defende que o enfrentamento da obesidade infantil exige ações mais amplas por parte do poder público. “Esse é um problema que ultrapassa a responsabilidade individual das famílias. Precisamos de políticas que incentivem ambientes mais saudáveis, como regulamentação da publicidade de alimentos ultraprocessados voltada ao público infantil, rotulagem clara dos produtos e programas de alimentação saudável nas escolas”. Menezes defende investimentos em infraestrutura urbana que favoreçam a prática de atividades físicas. “Espaços públicos seguros, parques, ciclovias e quadras esportivas são fundamentais para estimular crianças e adolescentes a se movimentarem. A escola também pode desempenhar um papel central, ampliando o tempo dedicado à educação física e à educação alimentar”. Outra medida apontada é o fortalecimento da atenção básica em saúde, como programas de acompanhamento nutricional e orientação às famílias que podem ajudar na identificação precoce de casos de sobrepeso e na adoção de estratégias de prevenção.

Páscoa 2026: chocolate mais caro pesa no bolso do consumidor

A celebração da Páscoa ocorre no dia 5 de abril, e o mercado já indica uma tendência de aumento nos preços do chocolate e dos bombons. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os valores do chocolate em barra e do bombom acumularam alta de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro. Em Belo Horizonte, um levantamento do site de pesquisa Mercado Mineiro em dez redes de supermercados aponta que os ovos de Páscoa estão até 35,8% mais caros. O aumento mais expressivo foi registrado no ovo Trakinas 190g, que saiu de R$ 59,62 em 2025, para R$ 80,99 em 2026. Entre os estabelecimentos, a maior variação de preço foi observada no Laka e Diamante Negro 494g, encontrado entre R$ 94,99 e R$ 124,19, diferença de 30,74%. Já o item mais barato foi o Lacta ao Leite 157g, com um valor médio de R$ 53,19, alta de 11,86% em comparação com 2025. O economista e professor dos cursos de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, explica que o doce vem sofrendo uma pressão muito acima do padrão de inflação percebido pelo consumidor médio. “Como chocolate em barra e bombom são produtos diretamente dependentes de insumos específicos, qualquer encarecimento relevante ao longo da cadeia tende a ser repassado ao preço final”. “Além disso, como a Páscoa é um período de forte apelo comercial, há uma concentração maior da demanda justamente em um momento no qual os custos já estão elevados. Isso faz com que o consumidor perceba mais intensamente a alta e associa o encarecimento dos produtos a um movimento generalizado de aumento no setor de chocolates”, salienta. Para Júnior, os valores dos ovos em Belo Horizonte tendem a mexer com as projeções do varejo mineiro no primeiro semestre. “Porque a Páscoa é uma data relevante para o comércio. Preços maiores podem até inflar o faturamento nominal, já que cada unidade vendida gera mais receita em reais”. No entanto, existe o risco desse faturamento crescer menos do que o esperado, destaca o profissional. “Inclusive, decepcionar em termos reais, caso a alta de preços desestimule as compras. Se o consumidor reduzir a quantidade ou trocar produtos premium por opções mais baratas, o varejo pode ter um resultado nominal aparentemente positivo, porém, com perda de dinamismo real nas vendas. E isso pode levar empresas e supermercados a revisar estoques, campanhas e reforços de equipe. Nesse contexto, a contratação temporária, por exemplo, pode continuar existindo, mas com perfil mais seletivo”. Empregos O levantamento da Fecomércio MG indica que a grande maioria das empresas (98,3%) afirmou que não pretende contratar funcionários temporários para o período. Apenas 1,3% dos empresários indicaram que deverão reforçar as equipes, com uma média de cerca de dois trabalhadores adicionais por estabelecimento. Apesar de não ter uma perspectiva grande de contratação, cerca de 60,6% das empresas afirmaram que o período tem impacto positivo nas vendas. Em relação ao desempenho esperado, 51,2% dos empresários acreditam que o consumo será semelhante ao do ano passado, enquanto 33% projetam crescimento. A pesquisa também aponta a expectativa de gasto dos consumidores, as compras devem se concentrar nas faixas entre R$ 50,01 e R$ 70 (33,3%) e entre R$ 70,01 e R$ 100 (28,4%). Consumidor Essa alta acumulada no chocolate tende a deixar o consumidor mais cauteloso. “Como se trata de um aumento muito expressivo em um item diretamente ligado à data, a reação mais provável é a busca por opções de menor valor, redução da quantidade comprada e maior comparação de preços entre marcas e lojas”, afirma o economista. Ele destaca ainda que o cenário aponta para forte pressão sobre o consumo. “Isso aumenta a chance de o faturamento crescer em valores correntes, mas sem avanço efetivo em volume vendido. A retração real pode ocorrer justamente porque o consumidor continua participando da data, entretanto, compra menos”. “A Páscoa é um período que pode manter movimento no comércio, porém, com uma menor quantidade de itens por compra, menor diversificação no carrinho e mais substituições por produtos que possuem menor preço. Esse é um ambiente típico em que a receita nominal não traduz necessariamente um desempenho real mais forte”, finaliza.

Blocos criticam a concentração de recursos no Carnaval

Representantes dos blocos carnavalescos e escolas de samba de Belo Horizonte pedem mais investimentos e melhor infraestrutura para fortalecer a festa popular que, todos os anos, ocupa as ruas da capital. Durante reunião da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa, realizada no dia 10 de março, integrantes da comunidade do Carnaval levaram suas demandas a representantes dos governos estadual e municipal. Uma das maiores preocupações das lideranças ligadas ao Carnaval é a forma como os recursos públicos são destinados aos cortejos. Os blocos apontam críticas às chamadas vias sonorizadas, financiadas com aproximadamente R$ 10 milhões pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). Embora a medida proporcione melhor qualidade de som, os critérios sobre quais grupos são contemplados geram questionamentos. De acordo com a Bruta, liga que representa cerca de 70 blocos carnavalescos, as chamadas vias sonorizadas, localizadas nas avenidas Brasil, Andradas e Amazonas, receberam 23 cortejos neste ano. Para a presidente da entidade, Marcela Linhares, do bloco “Então Brilha!”, a situação revela uma forte concentração de recursos direcionados a um número restrito de blocos. Ela sugere que o modelo de patrocínio da Codemge seja revisto, com a possibilidade de que os recursos sejam destinados diretamente aos blocos, que relatam dificuldades para custear a realização dos desfiles. “O aluguel de um trio elétrico custa cerca de R$ 70 mil, e muitos não conseguem arrecadar o montante. Não existe valorização do Carnaval sem dinheiro na mão dos blocos”. A Bruta também pede que sejam definidos critérios mais objetivos e transparentes para a seleção dos blocos contemplados pelas vias sonorizadas. Segundo Marcela Linhares, neste ano o “Alcova Libertina”, um dos blocos mais tradicionais de Belo Horizonte, não conseguiu desfilar na Avenida dos Andradas, local onde costumava se apresentar. Com o objetivo de garantir mais recursos para o carnaval, os blocos ainda defendem o aumento do limite de patrocínio previsto na Lei Estadual de Incentivo à Cultura (Leic). De acordo com Leandro César da Silva, diretor do bloco “Então Brilha!”, “os recursos destinados ao financiamento do Carnaval e de outras iniciativas culturais acabam se esgotando rapidamente”. Para Maria Elisa Abreu da Cruz, presidente da Liga das Escolas de Samba de Minas Gerais (Aliga), as agremiações necessitam de mais investimentos e de maior atenção por parte das políticas públicas. Ela também destacou que as escolas de samba vão além do espetáculo carnavalesco: funcionam como espaços de formação para profissionais da cultura, fortalecem o protagonismo feminino e ajudam a acolher jovens em situação de vulnerabilidade e expostos à violência. “A escola de samba oferece disciplina, pertencimento, identidade cultural e comunidade. Cada jovem que entra em uma bateria, em uma ala ou em uma oficina cultural encontra também um espaço de formação, convivência e cidadania”. A secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, contestou as críticas relacionadas à sonorização de algumas vias da cidade e disse que a iniciativa tem boa aceitação tanto entre os foliões quanto entre as agremiações carnavalescas. Ela também argumentou que, caso os recursos destinados à sonorização fossem distribuídos entre os mais de 600 blocos de rua existentes na capital, o valor recebido por cada grupo seria bastante reduzido. Já o vice-presidente da Belotur, Bruno Eduardo Silva Cassimiro, destacou o empenho da administração municipal em apoiar o Carnaval e afirmou que a prefeitura mantém disposição para dialogar com os blocos de rua e as escolas de samba. “Sabemos que temos muita coisa para melhorar, mas estamos de portas abertas para construir um Carnaval melhor”. A deputada Bella Gonçalves (Psol) fez críticas à postura da secretária de Estado de Cultura e Turismo e voltou a questionar a escolha de investir na sonorização de determinadas vias. Na avaliação da parlamentar, a medida representa uma “concentração excessiva” de recursos em uma ação específica, que não atende diretamente às necessidades dos blocos carnavalescos. “Queremos saber quem está lucrando com esse Carnaval, já que os blocos não recebem recursos para fazer seus cortejos”. A parlamentar reiterou que o teto de recursos da Leic não aumenta porque o governo estadual não permite. “Precisamos que o governo compreenda a importância da cultura”. Já a deputada Lohanna (PV) afirmou que os cidadãos precisam acompanhar a atuação da Secretaria de Estado de Cultura. “Que tipo de carnaval a gente quer: privado, com blocos selecionados sem transparência, ou descentralizado, que pertença ao povo mineiro?”.

Mpox: nova variante desperta preocupação entre especialistas

Mais de 80 casos de mpox já foram confirmados no Brasil em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença, causada pelo vírus monkeypox, voltou a preocupar após o aumento das notificações e a maior circulação de pessoas no período pós-Carnaval. O cenário ganha um novo componente com a confirmação, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma variante do vírus, formada pela combinação genética dos clados Ib e IIb. O infectologista Klinger Faíco explica que a recombinação é um fenômeno conhecido na virologia, mas que ainda precisa ser observado de perto no contexto da mpox. “Quando falamos de recombinação, estamos nos referindo à mistura do material genético de dois vírus que infectaram a mesma pessoa. Isso pode gerar um novo vírus com características diferentes. Ele pode ter transmissão mais fácil, mais rápida, ou até conseguir driblar o sistema imune. Pessoas que já haviam desenvolvido alguma imunidade podem não estar totalmente protegidas. É algo que ainda não tinha ocorrido na mpox, o que nos preocupa neste momento”. Segundo o especialista, o monitoramento agora deve se concentrar não apenas na quantidade de registros, mas também na evolução clínica dos pacientes. “Precisamos acompanhar se há aumento da gravidade, se mais pessoas estão sendo hospitalizadas, se evoluem para UTI ou apresentam complicações raras, como pneumonia ou encefalite. Tudo isso deve ser analisado para entender se essa nova variante altera o comportamento da enfermidade”. Transmissão A mpox é transmitida principalmente pelo contato direto com lesões cutâneas, secreções, gotículas respiratórias em proximidade prolongada e por objetos contaminados, como roupas e toalhas. A infectologista Flavia Porto ressalta que a disseminação pode ocorrer antes mesmo do surgimento evidente das lesões. “A pessoa começa a transmitir alguns dias antes de apresentar os sintomas. Não existem formas totalmente assintomáticas, como vimos na COVID-19, mas pode haver quadros leves, com poucos sinais, e o diagnóstico passar despercebido. Nesse intervalo, ela já consegue transmitir o vírus até a resolução completa do quadro”. De acordo com Flavia, a manifestação clínica é marcada principalmente por lesões de pele que evoluem de maneira semelhante entre si. “São vesículas, pequenas bolhas agrupadas, que passam por um ciclo: começam como lesão avermelhada, tornam-se bolhas, depois formam crostas e cicatrizam. Diferentemente da catapora, em que as lesões aparecem em estágios distintos, na mpox elas costumam estar na mesma fase. Muitas vezes surgem na região genital ou em mucosas, o que pode confundir com herpes ou outras infecções sexualmente transmissíveis”. Na avaliação da infectologista, qualquer alteração deve ser examinada. “Como se trata de uma doença de notificação compulsória e que não circula amplamente, a orientação é buscar atendimento médico diante de suspeita. O profissional vai avaliar, notificar em até 24 horas e orientar o isolamento. Essa é a lógica para conter a propagação”. Ela reforça que o isolamento deve ser mantido até a cicatrização completa das lesões. “Mesmo que a pessoa esteja se sentindo bem, não pode interromper o isolamento por conta própria. As lesões precisam cicatrizar totalmente antes da liberação médica”. Os especialistas também enfatizam que a mpox não está restrita a um grupo específico, embora determinados perfis tenham concentrado mais ocorrências desde 2022. “Existe muito preconceito quando se associa a doença a um grupo. Todas as pessoas são suscetíveis. A transmissão está ligada à exposição e ao contato, não à identidade de gênero ou à orientação sexual”, afirma Flavia. Klinger Faíco acrescenta que estratégias como prevenção combinada e educação em saúde são essenciais. “Precisamos falar de saúde sexual, testagem, formas de prevenção e acesso à informação de qualidade. A desinformação dificulta o controle da doença e pode afastar as pessoas dos serviços de saúde”.

Construção civil projeta um desempenho mais robusto em 2026

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta um desempenho mais robusto para o setor em 2026. A estimativa é de crescimento de 2%, o que marcará o terceiro ano consecutivo de expansão. Em 2025, o avanço foi de 1,3%. Segundo a entidade, a expectativa é sustentada pela combinação de um conjunto de fatores: o início do ciclo de redução da taxa de juros, o orçamento recorde para habitação financiada pelo FGTS, novas contratações do programa “Minha Casa, Minha Vida”, a implementação do novo modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança e os investimentos em infraestrutura. Entre as iniciativas que reforçam o cenário favorável está o Reforma Casa Brasil, que prevê investimentos de R$ 40 bilhões. E as mudanças no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que ampliou o valor dos imóveis passíveis de financiamento e deve aumentar a oferta de crédito. A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, ressalta a preocupação do setor para 2026. “A taxa de juros ainda elevada, a escassez e o alto custo da mão de obra, menor ritmo de crescimento da economia nacional e a situação fiscal do país. Como pontos positivos, para as nossas expectativas, temos o início da queda da taxa de juros, apesar de ser uma redução pequena, é uma expectativa de ciclo de diminuição, que é importante”. “O país está em um período de obras de infraestrutura, e isso deve continuar em 2026, impactando diretamente o setor. Tem o Reforma Casa Brasil, que é um programa importante e que pode incentivar as pequenas obras e reformas. Um orçamento recorde do FGTS para habitação e novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida”, complementa. Mercado em alta De acordo com os dados que compõem a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, houve um crescimento de 18,6% do mercado no quarto trimestre de 2025, em comparação ao trimestre anterior, com o lançamento de 133.811 unidades. No acumulado de 12 meses, o aumento foi de 10,6%, registrando 453.005 unidades. Em 2025, o mercado imobiliário brasileiro registrou um Valor Geral de Lançamento (VGL) de R$ 292,3 bilhões, montante 10,6% superior a 2024. Tanto o dado trimestral quanto o anual representam recordes, assim como o VGL teve o maior valor histórico. Além do crescimento do número de lançamentos, houve aumento de 5,4% no volume de vendas e de 6,2% na oferta final de unidades, considerando os dados fechados de 2024 e 2025. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, houve um aumento de 8% da oferta, encerrando o ano passado com 347.013 unidades. “O mercado imobiliário mostrou robustez. A demanda se sustentou no ano mesmo diante de um cenário de juros elevados, revelando que o déficit habitacional persiste, e o brasileiro está em busca pela realização do sonho da casa própria”, destaca o presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho. Empregos A construção civil encerrou 2025 com 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, alta de 3,08% em relação ao final de 2024. O segmento de construção de edifícios concentrou o maior contingente de empregados e registrou o maior incremento no número de trabalhadores formais. Entre 2020 e 2025, o setor foi responsável pela criação de 886.709 empregos com carteira assinada. O segmento de infraestrutura também contribuiu para o resultado. Em 2025, conforme estimativas realizadas pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), os investimentos podem ter alcançado R$ 280 bilhões, cerca de 3% acima do registrado em 2024, com predominância do capital privado, responsável por 84% do total. Ieda explica que São Paulo, Pernambuco e Bahia registraram o maior índice de geração de vagas, e Minas Gerais se destacou com um número de demissões superior ao de admissões. “O que gerou um saldo de vagas negativo (- 6.198). Até o terceiro trimestre, Minas era o segundo Estado que mais gerava empregos na construção”. “Esse resultado aconteceu em função das vagas perdidas, no quarto trimestre, por causa das obras de infraestrutura. O Estado fechou 8.517 empregos no segmento, sendo que isso aconteceu mais no último trimestre do ano e foi o principal responsável pelo saldo negativo”, aponta a economista.

Projetos na ALMG reforçam o combate à violência doméstica

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em 1º turno, na última semana, dois Projetos de Lei (PLs) que alteram a Lei nº 22.256/2016, responsável por instituir a política de atendimento à mulher vítima de violência no Estado. Uma das propostas é o PL nº 4.172/2025, de autoria da deputada Maria Clara Marra (PSDB). O projeto institui o Programa de Atendimento Psicológico Remoto para Vítimas de Violência Doméstica e Familiar em Minas Gerais e prevê facilitar o acesso ao acompanhamento psicológico, especialmente em regiões onde a oferta presencial é escassa ou inexistente. A iniciativa busca oferecer suporte emocional e psicológico que auxilie na superação de traumas e na recuperação da autonomia das mulheres, além de fortalecer a rede de apoio por meio da integração do serviço com outros órgãos de proteção. A relatora e presidente da Comissão, deputada Ana Paula Siqueira (Rede), opinou pela aprovação da matéria. “A rede estadual de saúde passa a promover o atendimento psicológico remoto à mulher vítima de violência, especialmente em regiões onde o serviço presencial é escasso ou inexistente”. A proposta também autoriza a ampliação do serviço por meio de convênios e acordos de cooperação técnica e acadêmica, sob supervisão da Secretaria de Estado de Saúde. Outro projeto foi o PL nº 4.666/2025, de autoria da deputada Ione Pinheiro (União). A iniciativa cria o programa Beleza Empoderada contra a Violência Doméstica, destinado à capacitação de profissionais da área da beleza e da estética como agentes de enfrentamento ao problema. Na justificativa, a parlamentar ressaltou a necessidade de oferecer à sociedade instrumentos eficazes de combate à violência contra a mulher. Segundo Ione, esses profissionais mantêm convivência frequente e diálogo próximo com o público feminino, o que pode representar uma medida relevante para o fortalecimento das ações de prevenção e enfrentamento. Também relatora da proposta, Ana Paula Siqueira destacou que o texto deve avançar na tramitação. “A proposta estabelece ações que ampliam a rede de proteção e contribuem para o fortalecimento das políticas de enfrentamento da violência contra a mulher”, afirmou. O projeto prevê atividades de capacitação, orientação e divulgação sobre a Lei Maria da Penha, os direitos das mulheres, os mecanismos de proteção disponíveis, as formas de violência doméstica e familiar e seus impactos sociais, além dos canais de denúncia e dos serviços públicos de atendimento às vítimas. Também contempla a disponibilização de materiais educativos em formato físico e digital e a certificação dos participantes, com foco na valorização social e no engajamento comunitário no combate à violência doméstica.

Veículos de carga estão envolvidos em 43,93% das mortes nas BRs

No relatório mais recente da Operação Rodovida, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentou um panorama preocupante sobre acidentes nas estradas federais. De acordo com a corporação, nos últimos 66 dias foram contabilizadas 1.172 mortes, sendo que 514 envolveram veículos de carga, o equivalente a 43,93% do total de óbitos registrados no período. Ao todo, foram registrados 3.149 acidentes com esse tipo de veículo, número que corresponde a 23,81% de todos os sinistros nas rodovias federais. Segundo a PRF, entre os acidentes que envolveram veículos de carga, as colisões frontais se destacaram como as mais letais, somando 288 mortes. No intervalo do Carnaval, ao menos 130 pessoas perderam a vida nas rodovias. De acordo com a instituição, trata-se do período carnavalesco mais letal dos últimos dez anos. Os dados indicam crescimento de 8,54% no número de acidentes graves registrados durante os dias de festa. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência no Trânsito da OAB-MG, Alice Araújo Pedrosa. Quais são os principais fatores que levaram a esse número estatístico? Na minha avaliação, estão ligados tanto à conduta dos motoristas quanto ao desrespeito à jornada de trabalho. Os dados da Operação Rodovida são alarmantes: foram registrados 1,2 milhão de veículos com excesso de velocidade e mais de 58 mil ultrapassagens irregulares. Além disso, a conduta perigosa é reforçada por 11,1 mil flagrantes de embriaguez e 9,6 mil condutores usando o celular ao volante. Quanto à jornada, o fato de 17,1 mil motoristas terem desrespeitado a Lei do Descanso mostra que a fadiga é um componente crítico na segurança viária. A norma que regula o tempo de direção e descanso dos caminhoneiros é suficiente? A legislação que regula o tempo de direção (Lei do Descanso) estabelece parâmetros claros, como a pausa de 11 horas, mas os índices de mortalidade sugerem que a eficácia depende de uma fiscalização ainda mais onipresente. Embora existam normas rigorosas para o uso do cronotacógrafo (Resolução 938/22) e a obrigatoriedade do exame toxicológico para categorias C, D e E (Resolução 923/22), o alto número de infrações durante a Operação Rodovida indica que muitos condutores ainda arriscam o descumprimento. As empresas transportadoras também devem ser responsabilizadas com rigor quando há acidentes fatais? Sim, as transportadoras devem ter uma responsabilidade técnica e administrativa bem definida, pois a segurança não recai apenas sobre o condutor. O Contran já prevê mecanismos de responsabilização, como a Resolução 710/17, que regulamenta multas para pessoas jurídicas que não identificam o condutor infrator (Multa NIC). Além disso, normas como a Resolução 926/22 padronizam as notificações de penalidades para empresas, garantindo que a responsabilidade administrativa seja efetivada quando há falhas na gestão da frota ou do pessoal. Em que medida as condições das rodovias federais contribuem para a gravidade desses acidentes? Embora as fontes não detalhem o estado técnico do pavimento, as estatísticas de dinâmica de sinistros mostram que o desenho operacional das vias federais é palco para colisões de extrema gravidade. No período analisado, as colisões frontais foram as que mais resultaram em mortes em acidentes com veículos de carga, totalizando 288 óbitos. Isso evidencia que, independentemente da condição da pista, a infraestrutura das rodovias federais, muitas vezes de pista simples, contribui para a letalidade quando ocorre uma falha de conduta ou fadiga. Que políticas públicas podem ser implementadas de forma imediata para reduzir esses índices? Acredito que a implementação imediata deve focar na tecnologia de monitoramento e na expansão de planos estratégicos já existentes. Políticas como o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), disciplinado pela Resolução 1.004/23, devem ser priorizadas em todos os estados. Além disso, o uso de sistemas de livre passagem e a pesagem automatizada de veículos podem reduzir o estresse nas vias e melhorar o fluxo, diminuindo pontos de conflito. Você defende mudanças no Código de Trânsito Brasileiro ou em normas específicas para o transporte de cargas? Defendo a atualização constante das normas para acompanhar a realidade das estradas. O foco deve estar no refinamento das resoluções do Contran que tratam da formação de condutores e na sinalização viária. Mais do que grandes mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), precisamos de agilidade na regulamentação de novos dispositivos de segurança veicular e em campanhas educativas contínuas e obrigatórias, como as definidas para 2025 pela Resolução 1.014/24.

Correios registram um saldo negativo de R$ 6 bilhões até setembro

Os Correios enfrentam uma crise financeira que, segundo a direção da companhia, vem desde 2016. No ano passado, a estatal registrou um saldo negativo de R$ 6 bilhões, nos nove primeiros meses do ano, e está com um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões. A empresa apresentou um plano de reestruturação que prevê fechar 16% de suas agências, além de cortar despesas em R$ 5 bilhões até 2028, e dois planos de demissão voluntária (PDVs) previstos para reduzir o número de funcionários em 15 mil até 2027. O advogado especializado em reestruturação empresarial, Christian de Luca, explica que a situação é extremamente preocupante. “O sinal de alerta não decorre apenas de déficits contábeis pontuais, mas da erosão da capacidade de investimento da companhia em tecnologia e renovação de frota. Quando uma empresa de tal magnitude começa a apresentar dificuldades para manter sua eficiência operacional básica, enquanto observa competidores privados expandirem centros de distribuição automatizados, o risco de irrelevância de mercado torna- -se uma ameaça real”. Luca afirma que os principais fatores que desencadearam a atual crise combinam passivos trabalhistas históricos com uma defasagem tecnológica acentuada. “O peso das obrigações com planos de saúde e previdência complementar (Postalis) consome uma parcela significativa do fluxo de caixa. Além disso, a manutenção de agências em municípios deficitários gera um custo social, e a demora na transição para um modelo focado em inteligência de dados e logística de última milha (last mile) permitiu que plataformas de e-commerce criassem suas próprias malhas de entrega, reduzindo a dependência da estatal e desviando receitas vitais”. Para o especialista, o Plano de Reestruturação possui diretrizes ambiciosas. “Porém, a viabilidade depende estritamente da celeridade de sua execução e da estabilidade política. O plano foca na modernização dos centros de triagem e na digitalização de serviços, o que é um passo correto, contudo, tardio. Para aliviar a crise é necessário que as metas de redução de desperdício e incremento de produtividade não fiquem apenas no papel, enfrentando resistências sindicais e burocráticas”. “Nos próximos anos, o cenário mais provável para os Correios é o de uma transformação em uma empresa de logística híbrida, reduzindo drasticamente sua dependência do correio de papel e focando quase exclusivamente no e-commerce e serviços financeiros digitais. É provável que a empresa caminhe para um modelo de governança semelhante ao de uma sociedade de economia mista, buscando um equilíbrio delicado entre a sustentabilidade financeira e a missão constitucional de integração do território brasileiro”, finaliza Luca. Trabalhadores Na avaliação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e Similares do Estado de Minas Gerais, Robson Gomes Silva, a crise atual é fruto de anos de decisões de gestão equivocadas que ignoraram a modernização e as novas tecnologias. “Aliado a isso, também tem a redução de investimentos, o sucateamento deliberado da estrutura e tentativas recorrentes de preparar a empresa para a privatização”. Silva ressalta que a privatização é um risco enorme não só para os funcionários, mas para a população em geral. “Experiências internacionais mostram aumento de tarifas, fechamento de agências e abandono de regiões menos lucrativas e do conjunto de políticas públicas do Estado. Exemplo disso é a distribuição de livros didáticos, transporte de vacinas, e ajuda humanitária em casos de desastres naturais, que sem o Correio público seria impossível essa ajuda chegar na velocidade e na quantidade necessárias”. O presidente argumenta que uma das alternativas para recuperar a empresa é colocar em prática a Lei nº 14.744/2023, que estabelece a contratação preferencial dos Correios para serviços postais e de comunicação pela administração pública federal. “Isso já resolveria a situação, pois estudos já apontaram na época que essa legislação poderia gerar até R$ 20 bilhões por ano. Também defendemos um plano público de investimentos, recomposição do quadro de pessoal, via concurso, fortalecimento da logística nacional, ampliação de serviços e gestão profissional com foco social, além da criação do marketplace próprio da estatal”.

R$ 5,7 milhões foram gastos com internações por ansiedade

Segundo um levantamento feito pela Planisa, empresa de gestão de gastos hospitalares, em conjunto com a plataforma DRG Brasil, entre 2022 e 2024, as hospitalizações por Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) custaram R$ 5,7 milhões aos hospitais públicos e privados do país. Foram registradas 2.202 internações no período. Dados recentes mostram que o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada, o que equivale a cerca de 18 milhões de brasileiros. A depressão também é uma preocupação crescente, agravada pelo impacto da pandemia de COVID-19, que levou a um aumento de 25% nos casos de transtornos mentais no país, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). A especialista em gestão de saúde corporativa e em psicologia clínica, Renata Livramento, ressalta que esse dado acende um alerta vermelho. “Pois, R$ 5,7 milhões é um custo altíssimo, mas sabemos que isso é só a ponta do iceberg. Por trás desses números existe um sofrimento humano gigantesco, famílias impactadas, pessoas que perdem sua capacidade de trabalho. Quando chegamos ao ponto de uma internação, por exemplo, isso significa que o indivíduo não conseguiu acesso ao tratamento adequado antes ou que o quadro já estava bem avançado”. O TAG é um transtorno de saúde mental, cuja característica principal é uma preocupação excessiva, explica Renata. “E essa apreensão é incontrolável. O paciente fica preocupado a respeito de diversos assuntos, a ponto de prejudicar o seu dia a dia. O transtorno traz uma sensação de descontrole, uma inquietação que não é proporcional à ameaça real que a pessoa está vivendo”. A profissional pontua que os sintomas psicológicos mais comuns são a preocupação excessiva e problemas de concentração. “Já os físicos são fadiga e um cansaço constante, algumas dificuldades com sono, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, sudorese e palpitações. Contudo, não necessariamente essas manifestações isoladamente caracterizam um TAG”. Tratamento Renata afirma que por ser um transtorno multifatorial, o tratamento também é multimodal e é individualizado, por isso, a importância de um diagnóstico bem feito. “Basicamente se dividem entre psicoterapia, para identificar os padrões de pensamento negativos e distorcidos; a farmacoterapia, em muitos casos é necessário o uso de medicamentos; e mudanças no estilo de vida para ajudar a pessoa a não apenas sair do quadro de transtorno de ansiedade generalizada, mas também não ter reincidência”. Ela destaca ainda que não tratar corretamente o TAG pode levar a um agravamento da situação. “Essa ansiedade pode se tornar crônica e piorar os sintomas físicos, por exemplo, aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Pode gerar também outros problemas de saúde mental e prejudicar severamente a qualidade de vida”. 40 anos com TAG O técnico administrativo, de 53 anos, que prefere não se identificar, diz que ao longo da sua vida sempre teve crises de ansiedade. “Contudo, nunca pensei que fosse progredir e tornar-se algo perigoso, portanto, tem uns 40 anos, aproximadamente, que convivo com o transtorno”. Cada crise tem o seu grau de gravidade, relata o técnico. “Depende muito do que estou encarando. Uma simples mensagem pode desencadear uma ansiedade profunda, caso não haja resposta. Se for algo que possa me prejudicar, minha mente aumenta esse perigo consideravelmente, fazendo com que todos os cenários sejam desfavoráveis a mim. A dimensão de todo episódio negativo é aumentada pelo cérebro. Daí surge a crise de ansiedade e, posteriormente, a autoproteção fazendo com que eu tome decisões desproporcionais ao problema real”. “Meu tratamento está apenas começando, já que a última crise afetou terceiros devido à minha reação negativa. Quando recuperei a razão, assumi os erros, porém, o estrago já tinha sido feito. Por isso, resolvi procurar ajuda médica e o diagnóstico inicial foi o transtorno de ansiedade generalizada”, finaliza.