Brasil tem 13,7 mil internações de sinusite crônica em cinco anos

Segundo Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH-SUS), durante o intervalo de 2019 a 2023, foram registradas 13.731 internações decorrentes de sinusite crônica em todo o Brasil. As regiões Sudeste e Sul apresentaram a maioria dos casos, com 7.245 e 2.757 ocorrências, respectivamente. No total ,42 óbitos foram registrados no período, com uma taxa de mortalidade calculada em 0,31%. A média anual foi aproximadamente 2.715 internações. Na análise demográfica destacou a predominância da raça branca, representando 6.387 pacientes e o sexo feminino foi prevalente, com 7.014 admissões (51,06%). A faixa etária de 50 a 59 anos foi a mais representativa (19,97%), seguida pela faixa de 40 a 49 anos (18,75%). Em 2020, observou-se um marcante decréscimo para 1.603 internações, reflexo das repercussões da pandemia de COVID-19. A médica otorrinolaringologista, Danielly Andrade, explica que a sinusite é a inflamação dos seios da face, cavidades que temos em nosso rosto, e pode ser aguda ou crônica, associada ou não a infecções bacterianas ou virais. “As mais comuns são as agudas virais e pós virais (bacterianas), principalmente em pacientes que já possuem obstrução nasal”. “As sinusites podem ser desencadeadas por rinites, muitas vezes mal cuidadas; sintomas alérgicos exacerbados; e infecções virais, bacterianas e fúngicas. Os fatores de propensão genética de cada paciente e o ambiente que ele vive e trabalha estão extremamente relacionados aos quadros crônicos”, acrescenta. Os sintomas agudos podem provocar dor, tosse produtiva, prostração, sensação de peso na face, coriza e congestão severa. “Já nos crônicos podem ser silenciosos, mas incluem a sensação de peso no rosto, dores de cabeça recorrentes, crises de exacerbação (às vezes até duas ou mais vezes em um único mês), necessidade de uso de antibióticos e corticoides, cansaço constante, e perda da qualidade de vida e do sono devido às ocorrências que reduzem a produtividade diária”. Danielly pontua ainda que os quadros agudos são mais frequentes no outono e no inverno no Brasil. “Devido à queda das temperaturas, clima mais seco, maior concentração das pessoas em ambientes fechados e maior circulação nesta época de vírus respiratórios sazonais”. Tratamento Para realizar o tratamento, a médica esclarece que precisa ser feito um diagnóstico diferencial e tratar a causa dessa condição inflamatória de forma direcionada. “Com corticoides nasais, lavagem nasal com soro, antibioticoterapia, nos casos bacterianos, cuidados diários e, às vezes, tratamento cirúrgico nos quadros crônicos já instalados. Existem sinusites crônicas com formação de pólipos nasais que são extremamente severas, recorrentes e graves, que necessitam de cuidados direcionados e muita atenção”. Ela finaliza ressaltando algumas medidas preventivas que podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver a sinusite. “Como lavagens nasais com solução salina diariamente; consultas regulares ao otorrinolaringologista; e cuidados com o ambiente, evitando ao máximo o contato com fatores alérgenos e inflamatórios. Além de cuidados gerais com a saúde, como a alimentação, atividades físicas e dormir bem”. Alimentação A nutricionista Aline Quissak afirma que ajustes na alimentação podem contribuir significativamente para a redução das alergias respiratórias e seus sintomas. “Alimentos como frutas: mamão, kiwi e melão; vegetais: espinafre e cenoura; e proteínas: tilápia; além de chá de gengibre e suco de limão, podem ser aliados para reduzirem os sintomas da sinusite”. “Embora a alimentação seja uma grande aliada no combate às alergias respiratórias, a avaliação de um especialista é fundamental para um tratamento adequado. Esses alimentos ajudam a reduzir os sintomas da sinusite, mas não substituem a necessidade de acompanhamento médico”, observa a nutricionista.

Começa a temporada de diálogo entre Cleitinho e Flávio Roscoe

Uma nova informação circula nos bastidores da Assembleia Legislativa e coloca ainda mais ardência nas discussões políticas da sucessão estadual de 2026. Propala-se sobre a possibilidade de uma aliança entre o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), para disputar o cargo de governador, tendo como companheiro de chapa o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), empresário Flávio Roscoe. Indagado a respeito do tema, o parlamentar não confirmou, mas também não desmentiu outra vertente dessa especulação, segundo a qual Cleitinho havia mantido recentemente uma ligação, via celular, com o presidente da Fiemg. De acordo com as fontes, ambos ficaram de se encontrar em breve, para incrementar um desdobramento atinente ao pleito do próximo ano. Paralelamente à eleição majoritária, acontecem entendimentos e conchavos, com vistas à disputa pela Câmara Federal e também em busca de espaço para cadeiras no Parlamento mineiro. Por exemplo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que pertence ao mesmo grupo ideológico de Cleitinho, já planeja incrementar a candidatura de seu afilhado político, o vereador de Belo Horizonte, Pablo Almeida, para concorrer também como candidato ao parlamento federal. O deputado estadual Bruno Engler, também filiado ao PL, enquanto conversa sobre o tema, aproveita para externar a sua pretensão de se tornar candidato à Câmara Federal. Ele almeja eleger, para o seu lugar na Assembleia Legislativa, o atual vereador e seu afilhado político, Vile Santos (PL). Outros federais Independentemente do projeto visando conquistar o Palácio Tiradentes, grupos políticos se organizam com a finalidade de colocar à disposição do eleitor, nomes com possibilidade de negociar votos, como pré-candidatos ao posto de parlamentar federal. Essa imensa lista é encabeçada por João Rafael Soares, filho do ex-procurador-geral de Justiça do Estado, Jarbas Soares Júnior. No campo das forças progressistas, surge o nome do ex-deputado João Batista dos Mares Guia. Enquanto isso, em Brasília, o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) continua catalisando sondagens, o incentivando a disputar o Governo de Minas. Inclusive, isso já foi verbalizado pelo próprio presidente Lula (PT). Resta saber como convencer o político mineiro a aceitar esse desafio. Relativamente ao vice-governador, Mateus Simões (Novo), seu padrinho, Romeu Zema (Novo), não para de dizer que Simões seria um excelente chefe do Executivo estadual, por ser um homem público de reconhecida cultura geral, “capaz de engrandecer o Governo de Minas”, disse recentemente, em um evento de prefeitos. Só para registrar, é enorme a popularidade do governador entre os mineiros. Nesse processo de discussões políticas, o Partido dos Trabalhadores tem assistido tudo apenas como coadjuvante, pois seus integrantes reconhecem a falta de popularidade para enfrentar uma eleição como cabeça de chapa. “Seria um desastre completo”, ironiza o deputado Nikolas Ferreira.

País reciclou 410 mil toneladas de garrafas PET pós-consumo

De acordo com dados do Censo da Reciclagem do PET no Brasil, 410 mil toneladas de embalagens PET pós-consumo foram recicladas no país em 2024. Isso representa um aumento de 14% em relação a 2022, quando 359 mil toneladas foram reaproveitadas. Do total da resina reciclada, 37% foram destinadas à fabricação de novas embalagens (preformas e garrafas), seguidos pelo setor têxtil (24%), indústria química (13%), lâminas e chapas (13%), fitas de arquear (10%) e outras aplicações (3%). A indústria da reciclagem de garrafas registrou, no período, um faturamento de aproximadamente R$ 5,66 bilhões. A maior parte dos rendimentos fica com catadores, cooperativas e sucateiros. Para entender melhor o setor, o Edição do Brasil conversou com o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET), Auri Marçon. O que contribuiu para o avanço de 14% em dois anos? O crescimento neste período reforça uma trajetória de sucesso impulsionada por três fatores. Primeiro, o esforço de quase três décadas da indústria do PET para criar demanda pela resina reciclada, garantindo sua viabilidade econômica. Em segundo lugar, os investimentos em tecnologia e infraestrutura por parte dos recicladores, tornando o Brasil referência mundial na reciclagem de PET. Por fim, os avanços tecnológicos recentes permitiram que o material reciclado atingisse a mesma qualidade do PET virgem, viabilizando o processo bottle to bottle e fortalecendo a circularidade do PET. Como esse aumento da reciclagem tem impactado socialmente e economicamente esses trabalhadores? O PET é o material com melhor valor de mercado, depois do alumínio. No entanto, o alumínio praticamente não é mais encontrado descartado para coleta e reciclagem, devido ao alto índice de reaproveitamento. Por esse motivo, em termos de volume de receita, o PET é o material que melhor remunera os catadores. Há uma forte demanda pelas embalagens e podemos dizer que ele contribui significativamente para o resgate da cidadania e para a renda desses profissionais, que estão na base da cadeia produtiva. Quais medidas podem ser adotadas para melhorar a coleta seletiva e garantir um maior aproveitamento das embalagens descartadas? Chegamos a um ponto em que um aumento no volume reciclado dependerá de mudanças estruturais, previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), mas ainda não implantadas. A PNRS estabelece que a gestão dos resíduos sólidos é uma responsabilidade compartilhada, envolvendo cidadãos, poder público e indústria. É fundamental que o consumidor tenha consciência ambiental e faça o descarte adequado das embalagens, separando-as do lixo orgânico. Cabe ao poder público implantar sistemas robustos de coleta seletiva, que permitam o resgate dos materiais descartados para que cheguem à indústria e sejam reciclados. No entanto, poucos municípios investiram na coleta seletiva. Como consequência, um volume imenso de embalagens descartadas pelos consumidores continua sendo encaminhado para aterros sanitários ou descartado incorretamente no meio ambiente. Há potencial para um incremento no faturamento nos próximos anos?Sim, existe um potencial significativo, uma vez que há uma demanda reprimida por PET reciclado que não está sendo atendida devido à baixa oferta. Apesar do trabalho realizado pelos catadores, a ampliação da reciclagem e do faturamento do setor só será possível quando o Brasil contar com sistemas públicos de coleta seletiva, cuja responsabilidade é das prefeituras. O que pode ser feito para que essa porcentagem aumente nos próximos anos?O setor privado tem cumprido seu papel. Para avançarmos, precisamos continuar contando com a conscientização da população, garantindo o descarte correto das embalagens após o consumo. E, principalmente, é essencial que as prefeituras cumpram seu dever e invistam na coleta seletiva, conforme determina a PNRS. Esse é o principal gargalo que impede o crescimento da indústria de reciclagem no Brasil.

Apoio de prefeitos será essencial na eleição ao governo em 2026

Nas diversas notícias relacionadas aos preparativos para a eleição majoritária do próximo ano, um detalhe chama atenção: a menção ao nome do prefeito de Nova Lima, João Marcelo (Cidadania), como opção para ser candidato a vice, na chapa possivelmente a ser encabeçada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD), ao Governo de Minas. Além dessa informação de bastidores, matemáticos da política mineira avaliam a chance de João Marcelo se postar como “cabeça de chapa”, por sua reconhecida popularidade, inclusive foi reeleito em sua cidade com mais de 85% dos votos. Recentemente, tornou-se presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de BH (Granbel), quando foi escolhido por unanimidade de seus colegas. O debate concernente às futuras eleições majoritárias acontece de maneira discreta e perante a cúpula dos grupos interessados no tema, com exceção do vice-governador Mateus Simões (Novo), já em plena atividade eleitoral. Prefeitos influentes Os cientistas políticos consideram que o maior engajamento dos eleitores, quando se trata de pleito majoritário, fica por conta de quem tiver mais capacidade de manejar com maestria as redes sociais. Quem almeja suceder o governador de Minas terá de buscar apoios diferentes, especialmente da bancada de deputados estaduais, pois os parlamentares têm liderança nos municípios mineiros. Para qualquer candidato ao governo ou ao Senado, é perceptível a importância de obter apoio de nomes como o do prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP). Ele foi eleito ainda no primeiro turno da eleição do ano passado e se tornou uma destacada liderança política no segundo colégio eleitoral de Minas, com mais de 540 mil eleitores. Nesta lista de influentes, com possibilidade de transferir votos, também está o chefe do Executivo de Montes Claros, Guilherme Guimarães (União Brasil), eleito com mais de 71% dos votos válidos. Na Zona da Mata, quem lidera, por mais de cinco anos seguidos, é a prefeita reeleita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT). Ainda relativamente à Região Metropolitana de Belo Horizonte, constata-se a propalada informação de que a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), tem projeto visando marcar presença na peleja de 2026. O nome do ex-presidente do Jornal O Tempo e atual prefeito de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), também surge com destaque. O município tem relevantes investimentos, crescimento e desenvolvimento econômico, inclusive, impulsiona a geração de empregos. Qualquer candidato ao governo, com aptidão para se eleger, também carece cair nas graças políticas do prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes (PL), município líder da região do Vale do Aço. O apoio desse seleto grupo seria fundamental para quem deseja vencer nas urnas. O difícil vai ser reunir, em uma mesma trincheira, conciliando esses prefeitos com pensamentos ideologicamente opostos. Mas, como a política é a arte do diálogo e do convencimento, perfilar todos eles em defesa de uma candidatura unida, já seria meio caminho andado para um resultado positivo em 2026.

54% dos profissionais da geração Z são demitidos nos primeiros 90 dias

Segundo uma pesquisa da ResumeBuilder, 54% dos profissionais da geração Z, nascidos entre 1997 e 2012, são demitidos nos primeiros 90 dias de trabalho. Falta de resiliência profissional e independência, ética e capacidade de lidar com feedback construtivo foram alguns pontos criticados pelos empregadores. De acordo com o relatório da consultoria McKinsey, em 2025, eles vão representar um quarto da força de trabalho global. Em mais cinco anos, devem chegar a 30%. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o diretor-executivo da Croma Consultoria de Recursos Humanos, Camilo Zanette. Quais são os principais desafios entre o mercado de trabalho e a geração Z? Eles estão relacionados a aspectos como adaptação à cultura corporativa tradicional, comunicação e expectativas em relação ao ambiente de trabalho. Essa geração tende a valorizar a flexibilidade, a diversidade e a transparência, o que muitas vezes entra em contraste com as estruturas mais rígidas e hierárquicas que ainda são praticadas em muitas empresas. Outro ponto relevante é a constante busca por propósito e significado no trabalho, o que pode afetar a satisfação e a retenção desses profissionais em instituições que não se alinham com valores desse público. O estudo também revelou que 74% dos gestores consideram os funcionários da geração Z mais difíceis de trabalhar do que as outras. O que os dois lados têm que fazer para melhorar essa relação? Tanto os gestores quanto os nativos da geração Z precisam cultivar uma comunicação mais aberta e empática. Para os gestores, considero importante adotar práticas de feedback contínuo, além de proporcionar ambientes de trabalho mais colaborativos e flexíveis. Para a geração Z, a adaptação à dinâmica organizacional e a compreensão das normas e valores do ambiente corporativo. Quais são as expectativas da geração Z em relação ao mercado de trabalho? A geração Z espera um ambiente de trabalho mais inclusivo e flexível. Valorizam a possibilidade de equilibrar vida pessoal e profissional, portanto, o trabalho remoto ou híbrido, por exemplo, é muito apreciado. Além disso, buscam oportunidades de desenvolvimento contínuo, com foco em aprendizado constante e ascensão rápida na carreira. Quais características tornam essa geração tão diferente das anteriores? São profundamente influenciados pela era digital e pela conectividade constante. Cresceram em um ambiente onde a tecnologia e as redes sociais desempenham um papel central em suas vidas, o que os torna adeptos a mudanças rápidas e ao consumo de informação de maneira dinâmica. Ao contrário das gerações anteriores, que buscaram estabilidade e carreiras mais longas em uma única empresa, a geração Z valoriza mais a flexibilidade e a busca por experiências diversificadas. São mais abertos à diversidade e estão mais envolvidos com questões sociais. Quais os benefícios que o empresário tem ao contratar um profissional da geração Z? Em primeiro lugar, possuem um domínio profundo da tecnologia e uma mentalidade altamente voltada para a inovação. Além disso, são naturalmente criativos, com uma forte capacidade de pensar fora da caixa e buscar soluções inovadoras para problemas complexos. Outro ponto é que são altamente focados em produtividade e realização de tarefas, trazendo um forte compromisso com o desempenho e a eficiência, podendo melhorar o trabalho em equipe e o andamento de projetos, entre outras características. Como as empresas podem adaptar suas estratégias de treinamento e desenvolvimento para atender melhor às necessidades da geração Z? Investir em programas de aprendizado contínuo que sejam digitais e interativos, e também na personalização dos programas de treinamento, para que se adequem aos diferentes estilos de aprendizado e interesses individuais. Oferecer feedback constante, além de mentorias, uma vez que a geração Z busca crescimento profissional contínuo e a troca de experiências com mentores. Outro ponto importante é que as empresas devem garantir que seus programas de treinamento estejam alinhados com o propósito organizacional e que incluam tópicos relevantes como inovação, sustentabilidade e diversidade, além de temas que tragam relevância e impacto positivo na sociedade.

Bronquiolite é uma das principais causas de internação das crianças

A bronquiolite é uma infecção respiratória comum, principalmente entre bebês, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. É mais prevalente nos meses mais frios e pode causar dificuldades respiratórias significativas nos primeiros dois anos de vida. Na maioria das vezes, a doença é causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que é o responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite no Brasil, segundo dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Outros vírus, como o adenovírus, rinovírus e coronavírus, também podem ser agentes etiológicos, mas em menor escala. “A infecção começa nas vias aéreas superiores, com sintomas que lembram um resfriado comum, mas rapidamente avança para os pulmões, comprometendo a respiração da criança. A inflamação e o estreitamento das vias aéreas dificultam a passagem de ar, o que pode levar a um quadro de insuficiência respiratória”, explica a pneumologista Sônia Andrade. “Os principais sintomas incluem coriza, tosse seca ou produtiva, dificuldade para respirar, com respiração rápida e ruidosa, chiado no peito, febre (frequentemente baixa), fadiga excessiva, dificuldade para se alimentar e cianose, que é a coloração azulada da pele, especialmente em torno dos lábios, devido à falta de oxigenação adequada”, acrescenta. O pediatra João Cardoso diz que o diagnóstico da bronquiolite é geralmente clínico, baseado na observação dos sintomas e na avaliação do histórico da criança. “O médico realizará uma série de perguntas sobre os sinais apresentados e a evolução da doença. Para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da infecção, exames complementares podem ser realizados, como a radiografia de tórax e o teste viral”. Ele ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental para o início de um tratamento adequado e para  evitar complicações respiratórias que podem ser fatais, principalmente em bebês com menos de 6 meses. “O foco do tratamento é aliviar os sintomas e apoiar a respiração da criança. Entre as abordagens comuns estão a hidratação constante, oferecer líquidos para evitar a desidratação, especialmente se a criança estiver com dificuldades para se alimentar”. “O monitoramento respiratório para acompanhar atentamente a respiração e os níveis de oxigênio do paciente, pois, em determinadas situações, pode ser necessário administrar oxigênio adicional para garantir a oxigenação adequada e o uso de broncodilatadores (medicações que ajudam a abrir as vias respiratórias nos pulmões), quando o paciente apresenta chiados evidentes, o médico pode optar por prescrever broncodilatadores para facilitar a respiração, especialmente em casos de bronquiolite”, completa Cardoso. De acordo com Sônia, algumas medidas preventivas que podem ajudar a reduzir o risco de infecção, especialmente em bebês e crianças mais vulneráveis, como manter uma boa higiene das mãos, evitar aglomerações, amamentação com o leite materno para manter o sistema imunológico do bebê forte e evitar contato com pessoas doentes com sintomas respiratórios”. Prevenir complicações O Ministério da Saúde vai incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) duas tecnologias para prevenir complicações causadas pelo vírus sincicial respiratório. O anticorpo monoclonal nirsevimabe é indicado para proteger bebês prematuros e crianças de até 2 anos de idade nascidas com comorbidades, e a vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B é aplicada em gestantes para proteger o bebê ao longo dos primeiros meses de vida.

Sedentarismo e alimentação ruim impulsionam obesidade

  De acordo com dados do Atlas Mundial da Obesidade, organizado pela Federação Mundial de Obesidade, 68% da população brasileira está com excesso de peso, sendo 37% com sobrepeso e 31% com obesidade. Segundo a entidade, essa porcentagem pode aumentar nos próximos anos, com projeção de crescimento de 33,4% entre os homens e 46,2% entre as mulheres até 2030. “O Brasil, assim como outros países, enfrenta esse aumento preocupante nos índices de obesidade devido a mudanças nos hábitos da população, ao sedentarismo e ao uso excessivo de telas. Além disso, fatores socioeconômicos, como insegurança alimentar e dificuldade de acesso a alimentos saudáveis, também contribuem para esse cenário”, ressalta o especialista em emagrecimento Thiago Viana. Para o nutrólogo Diego Torrico, o alto consumo de alimentos ultraprocessados também é um fator determinante para o aumento da obesidade. “Eles fazem com que a vida cotidiana seja mais rápida, levando as pessoas a optarem por soluções práticas, como fast food e outros produtos industrializados. Esses alimentos são ricos em açúcares, gorduras saturadas e aditivos químicos, estimulando o aumento do apetite e a ingestão excessiva de calorias”. Uma das principais queixas das pessoas, segundo Torrico, é a de que estão se alimentando bem, mas não veem resultados. “Existe uma diferença entre comer bem e ter um déficit calórico. O paciente pode consumir alimentos saudáveis, mas não na quantidade adequada. Para perder peso, é necessário gastar mais calorias do que se consome”.   Impactos Viana explica que a obesidade pode afetar a saúde mental, aumentando o risco de depressão, ansiedade e baixa autoestima. “Muitas pessoas ainda enfrentam estigmas e discriminação, o que pode agravar o quadro. A qualidade de vida acaba sendo comprometida, gerando um ciclo vicioso de isolamento social e transtornos emocionais”. “Na saúde física, a obesidade está associada a diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer. O excesso de peso também sobrecarrega as articulações, podendo causar dores crônicas e perda de mobilidade. Outro fator preocupante é a síndrome metabólica, que eleva o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC”, complementa. Segundo o especialista, fatores como estresse, privação do sono e distúrbios hormonais estão diretamente ligados ao ganho de peso e à obesidade. “O estresse crônico aumenta os níveis de cortisol, estimulando o acúmulo de gordura e o desejo por alimentos calóricos. Já o sono inadequado desregula os hormônios da fome e saciedade, levando a escolhas alimentares ruins. Além disso, desequilíbrios hormonais, como hipotireoidismo e resistência à insulina, desaceleram o metabolismo e favorecem o ganho de peso. O controle desses fatores exige acompanhamento médico e melhoria na qualidade do sono”, orienta Viana.   Incentivo desde cedo Ainda de acordo com o Atlas, entre 40% e 50% da população adulta não pratica atividade física com a frequência e intensidade recomendadas. Viana avalia que um dos caminhos para combater a obesidade é incentivar, desde cedo, a prática de esportes entre crianças e adolescentes. “Ensinar sobre alimentação equilibrada pode prevenir a obesidade no futuro. As escolas deveriam incluir educação nutricional no currículo e conscientizar pais e cuidadores. A redução do tempo de tela também é essencial, equilibrando entretenimento digital e atividades físicas. O poder público deve garantir infraestrutura para a prática de exercícios”. O nutrólogo reforça que a educação nutricional é fundamental, especialmente ao ensinar crianças a se alimentarem melhor. “Descascar mais e desembalar menos deve ser um princípio essencial. Os pais precisam preparar mais refeições em casa, incluindo frutas e verduras na dieta e evitando produtos industrializados. Essas pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença ao longo do tempo”, conclui.

Presidente da Assembleia Legislativa já almeja vaga no Tribunal de Contas

  Quando se confirmou a presença do senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD) na comitiva do presidente Lula (PT), durante seu roteiro internacional ao Japão e Vietnã, aumentou a percepção do envolvimento do Palácio do Planalto no projeto político para turbinar o nome do parlamentar, visando disputar as eleições ao Governo de Minas no próximo ano. O roteiro não é novo, mas voltou a ser reafirmado por interlocutores de Brasília, apontando para uma possível aliança entre Pacheco e o PT, a quem caberia indicar o cargo de vice, cujo primeiro nome mencionado é o da prefeita de Contagem, Marília Campos. Já a disputa pela vaga ao Senado, segundo avaliação de matemáticos da política estadual, a sugestão recairia sobre o ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PP), hoje uma liderança de respeito em todo o Triângulo Mineiro.   Presidente da ALMG No bojo desse projeto entabulado a partir de grupos políticos mineiros e nacionais, com vistas ao pleito ao governo estadual de 2026, havia uma possibilidade da candidatura a um cargo eletivo do atual presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins Leite (MDB). Mas como o seu partido é avaliado como uma sigla pequena, na comparação com os demais semelhantes, essa conversa de aliança de Tadeu/Pacheco parece ter “subido no telhado”. Ao presidente do Legislativo, faltaria espaço para o enfrentamento nas urnas, e pela ótica dos entendidos no assunto, para esse aludido projeto dar certo terá de conceber alianças com grupos definidos e de muita popularidade. A não ser que o próprio Tadeu, por exigência do seu partido a nível nacional, seja instigado a se candidatar ao Senado, hipótese pouco provável no quadro do momento. Enquanto aumentam as especulações relacionadas ao tema, avolumam avaliações nos bastidores da própria Assembleia, sugerindo a pretensão de Tadeu sair de cena em relação à peleja do próximo ano, colocando seu nome como pré-candidato ao cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Atualmente, são duas vagas já existentes, chegando neste meio de ano a três vagas. Pessoas próximas ao parlamentar não confirmam, mas também não negam sobre a existência de uma pauta alusiva à opção dele para o TCE-MG. Aliás, a ordem em torno da presidência é deixar esse assunto de eleição para o Tribunal em segundo plano, certamente para analisar os próximos passos no atual cenário.

37,5% das brasileiras sofreram alguma agressão no último ano

  De acordo com pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 21 milhões de brasileiras, 37,5% do total de mulheres, sofreram algum tipo de agressão nos últimos 12 meses. O relatório também mostra que 5,3 milhões de mulheres, 10,7% do total da população feminina do país, relataram ter sofrido abuso sexual e/ou foi forçada a manter relação sexual contra a própria vontade nos últimos 12 meses, ou seja, uma em cada 10. A ampla maioria das agressões ocorreu na presença de terceiros, 91,8%. Em 47,3% desses casos, quem presenciou foram amigos ou conhecidos; em 27%, os filhos; e em 12,4%, outros parentes. Para discutir a gravidade do assunto, o Edição do Brasil conversou com Alice Bianchini (foto), conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) e vice-presidenta da Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas (ABMCJ).   Sobre a realidade da violência contra a mulher, existe uma tendência de crescimento ou o número de casos se mantém estável? Quando se trata de medir a violência em um país, há uma convenção mundial no sentido de se analisar o número de mortes registradas no sistema de saúde. No caso, estamos falando de mortes de mulheres. Então, não se trata da mulher denunciar mais, ou menos, mas de cadáveres femininos contabilizados ano a ano. E o que se vê nessa estatística é, sim, um aumento dos casos de feminicídio a cada ano que passa.   Como a violência contra a mulher se manifesta nas diferentes faixas etárias, etnias e classes sociais? Os estudos mostram que as mulheres negras são as mais vitimadas. Outro dado que chama a atenção é a quantidade de mortes de mulheres nas regiões brasileiras com maior concentração de comunidades indígenas. O que se pode analisar é que nos locais em que há menos equipamentos de proteção à mulher (delegacias especializadas, CREAS, defensoria pública, entre outros), os índices de violência são mais expressivos, o que nos faz concluir que o investimento em políticas públicas para mulheres é fundamental para alterar essa situação.   Você acredita que as leis existentes, como a Lei Maria da Penha, têm sido eficazes na proteção das mulheres ou há lacunas no seu cumprimento e aplicação? Nos últimos anos, principalmente a partir de 2021, houve uma profusão de leis que tratam da condição feminina no Brasil. Em levantamento que fiz recentemente e que se encontra publicado no site da ABMCJ, podemos encontrar mais de 50 leis editadas entre 2021 até o ano de 2024. Elaborar leis é importante, mas também é preciso fiscalizar para que ela se torne uma realidade. Por exemplo, a lei que determina que as delegacias especializadas na defesa da mulher funcionem todos os dias da semana, por 24 horas. O número de delegacias é muito baixo no Brasil e praticamente nenhuma delas funciona de acordo com o previsto na lei.   Como melhorar a abordagem de apoio às mulheres que sofrem agressões, desde a denúncia até o acompanhamento psicológico e social? Precisamos atuar na prevenção da violência, por meio de projetos que atuem na forma de pensar na sociedade. Há, infelizmente, uma enorme tolerância em relação ao abuso contra a mulher, fazendo com que ainda seja persistente a ideia de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 92% das violências foram testemunhadas por alguém, e essa pessoa normalmente nada fez em relação à ocorrência que presenciou. E o que é grave, quase 30% foram testemunhadas pelos filhos, o que vai causar danos psicológicos muito graves, o que pode comprometer as futuras gerações.   O que pode ser feito para combater o ciclo de violência, considerando que muitos casos não são denunciados? A pesquisa mostra que quase metade das mulheres vítimas de violência não fez nada em relação à última agressão sofrida. Na mesma sondagem são identificados os motivos que levaram à inação da vítima, um deles é o medo de vingança do agressor. Nesse ponto, uma política pública é o encaminhamento do agressor para grupos de reflexão, conforme determina a Lei Maria da Penha. O impacto desses programas na vida do homem que cometeu a violência é muito positivo, levando uma pequena parcela (cerca de 4%) voltar a praticar a violência. No entanto, temos apenas cerca de 400 grupos espalhados pelo país e o orçamento para políticas voltadas à mulher vem diminuindo desde o ano de 2015.

Taxa de infecções hospitalares atinge 14% do total das internações no país

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que a taxa de infecções hospitalares atinja 14% das internações no país. Já a Associação Médica Brasileira revela que mais de 45 mil brasileiros morrem anualmente devido às infecções hospitalares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que esse número pode chegar até 100 mil por ano. Ainda segundo o Ministério, houve um avanço significativo na adesão dos hospitais à vigilância e à notificação dos dados de infecção. Em 2018, mais de 2.200 hospitais com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) notificaram seus dados para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto em 2009 eram apenas 1.000. Os números são visualizados e monitorados pelas coordenações estaduais, distrital e municipais de controle de infecção das Secretarias de Saúde. Para o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Adelino de Melo Freire Júnior, uma taxa de 14% é preocupante, pois indica que ainda há desafios significativos no controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). “Além disso, é preciso considerar que existe subnotificação, fazendo com que os números reais sejam ainda superiores a esse. Embora existam avanços em políticas de prevenção e controle, a alta prevalência sugere a necessidade de reforçar essas medidas”. Ele explica que as IRAS podem ser favorecidas por vários fatores. “Como alta densidade de pacientes, uso excessivo ou inadequado de antibióticos, falhas na adesão a protocolos de higiene das mãos, sobrecarga de profissionais de saúde, falta de estrutura adequada para isolamento de pacientes infectados e presença de microrganismos multirresistentes no ambiente hospitalar. E a incidência pode variar conforme as condições estruturais, disponibilidade de insumos e adesão aos protocolos de controle de infecção”. Impactos A médica pneumologista e paliativista na Saúde do Lar, Michelle Andreata, pontua que as infecções impactam gravemente a saúde dos pacientes. “Aumentando o tempo de internação, a morbidade e a mortalidade. Muitas dessas infecções são causadas por microrganismos multirresistentes, o que dificulta o tratamento e pode levar a complicações graves. Já no sistema de saúde, elas elevam os custos hospitalares, aumentam a demanda por leitos de terapia intensiva e sobrecarregam equipes de saúde”. Os principais desafios para a implementação eficaz de políticas de controle incluem a resistência microbiana devido ao uso inadequado de antibióticos, ressalta a médica. “Além da necessidade de capacitação contínua das equipes de saúde, a baixa adesão a protocolos de higiene das mãos e a falta de investimentos em infraestrutura hospitalar. Além disso, a vigilância epidemiológica ainda enfrenta dificuldades na coleta e análise de dados”. Anvisa A gerente de Tecnologia em Serviços de Saúde da Anvisa, Márcia Gonçalves, destaca que várias normas sanitárias definem a obrigatoriedade dos serviços de saúde executarem ações de prevenção e controle. “Entre as quais destacam-se a RDC 63/2011, que trata das Boas Práticas de Funcionamento dos serviços de Saúde, e a RDC 36/2013, que estabelece ações para a segurança do paciente. E também, a Lei nº 9431/1997 determina a obrigatoriedade da manutenção dos hospitais elaborarem um programa de controle de infecções hospitalares e da Portaria GM/ MS nº 2.616/98 que estabelece o que deve conter nesses programas”. “A fiscalização do cumprimento das normas e orientações sanitárias é realizada pela vigilância sanitária local (estadual/distrital ou municipal). Além disso, todos os estados e alguns municípios possuem uma Coordenação de Prevenção e Controle das IRAS, que podem estar vinculadas às vigilâncias sanitárias locais ou a outras estruturas das Secretarias de Saúde”, esclarece a gerente. Ela ainda observa que a Anvisa disponibiliza um canal para que o usuário possa relatar incidentes/falhas decorrentes da assistência à saúde. “O formulário específico de notificação, denominado Sistema Notivisa, está disponível no link: www16.anvisa.gov.br/notivisaServicos/cidadao/notificacao/evento-adverso. Além dos canais da ouvidoria da instituição, disponível em www.gov.br/anvisa/pt-br/canais_atendimento/ ouvidoria e das vigilâncias sanitárias estaduais/distrital e municipais”.