23 milhões de crianças em idade escolar têm problemas de visão

  De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, cerca de 23 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos apresentam problemas como miopia, hipermetropia e astigmatismo. A ausência de um acompanhamento adequado pode impactar o desempenho em sala de aula e reduzir a motivação delas para ir à escola e estudar em casa. Segundo a oftalmopediatra Lara Seixas, é fundamental que pais e responsáveis fiquem atentos a possíveis sinais de dificuldades visuais nos filhos. “Em casa, eles devem observar se a criança ou adolescente se aproxima demais da televisão ou de objetos, lacrimejam excessivamente, demonstra sensibilidade à luz, reclama de dor de cabeça e nos olhos, sofre quedas frequentes, desvia os olhos involuntariamente ou fecha os olhos para tentar enxergar melhor”. “Na escola, sinais como baixo rendimento acadêmico, dificuldade de aprendizado, necessidade de sentar-se mais próximo ao quadro para acompanhar a aula ou copiar do caderno do colega também são indicativos da necessidade de uma avaliação oftalmológica”, acrescenta. A oftalmopediatra reforça que crianças e adolescentes devem passar por consultas oftalmológicas de rotina periodicamente, mesmo na ausência de queixas, e a qualquer momento em que apresentem algum sintoma ou sinal de problema visual. “Muitas vezes, esse público ainda não tem a percepção da dificuldade visual e, por isso, não se manifesta. Os cuidados com a saúde ocular devem incluir uma alimentação equilibrada, o uso moderado de telas conforme a faixa etária e o estímulo a atividades ao ar livre e em contato com a natureza”.   Uso de telas Lara explica que o uso excessivo de telas pode comprometer a visão de crianças e adolescentes. “Isso pode causar distúrbios na superfície ocular, como olho seco, e, quando utilizadas muito próximas aos olhos, favorecer ou agravar a miopia e o estrabismo. Para minimizar os impactos, é essencial respeitar o tempo máximo de uso por faixa etária, além de adotar medidas como fazer pausas regulares e optar por ambientes bem iluminados”. Passar tempo excessivo diante das telas também pode gerar impactos psicológicos e comportamentais nesse público. “O primeiro deles é a desatenção. Elas podem desenvolver um quadro de distração acentuado e, em alguns casos, até apresentar sinais semelhantes a um vício. A criança pode ficar mais irritada, ansiosa e ter dificuldades de concentração e socialização, prejudicando o desenvolvimento de habilidades interpessoais. A longo prazo, o uso demasiado pode levar à dependência de telas e comprometer o crescimento social e emocional, uma vez que ela não estará interagindo com outras pessoas”, explica a doutora em psicologia Catiele Reis. Ela recomenda que crianças e adolescentes utilizem telas por, no máximo, duas horas diárias. “Os pais também devem dar o exemplo. Não adianta impor limites se eles próprios estão sempre no celular. É importante reservar um tempo para interagir com os filhos. Estratégias como restringir o uso, principalmente à noite, próximo à hora de dormir, e oferecer alternativas como jogos de tabuleiro e quebra-cabeças para reduzir o tempo de tela”. “Os pais também precisam incentivar atividades ao ar livre e investir em momentos de qualidade com os filhos, promovendo passeios e estimulando um equilíbrio maior entre a conectividade e a vida real”, acrescenta. Sobre a proibição dos celulares nas escolas, Catiele avalia que a medida é um primeiro passo. “As escolas têm exigido muito a utilização das tecnologias. É necessário um trabalho de conscientização sobre o uso responsável dos dispositivos e a importância do retorno à socialização”, conclui.

Possível filiação de Bolsonaro ao PP movimenta a política mineira

  As rusgas entre os deputados estaduais do Partido Liberal, no âmbito da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), foram atenuadas para acomodar os protagonistas da cena. O motivo é validar o prosseguimento do trabalho interno, visando as indicações técnicas para as Comissões Permanentes da Casa. Porém, o final desse conflito ainda está longe de terminar, segundo analisam pessoas que militam nos bastidores da política mineira. Este pode ter sido o primeiro capítulo envolvendo a discórdia entre o grupo do PL, composto por 11 parlamentares. Há uma informação, ainda em fase de especulação, mas com possibilidade de se tornar realidade, envolvendo a possível saída do ex-presidente Jair Bolsonaro da sigla. Se isso for confirmado, o tema irá reverberar imediatamente em Minas. O deputado Bruno Engler, muito ligado à família do ex-presidente, e candidato derrotado à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) no ano passado, estaria por trás dessa tese de debandada de, pelo menos, cinco dos atuais deputados que acompanhariam o ex-chefe da nação no caminho de filiar-se ao PP. Não se sabe a posição, especificamente a respeito dessa conjectura, por parte do deputado Antônio Carlos Arantes, um dos nomes fortes do bolsonarismo no Estado. Com vários mandatos representando o povo mineiro, o político é da ala moderada desse embate. Por seu turno, outro parlamentar liberal, o atual primeiro-secretário da ALMG, Gustavo Santana, caso esse racha venha a se configurar, tende a seguir as orientações do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, com quem familiares de Santana mantêm uma boa relação de amizade. Do ponto de vista do governo mineiro, a atuação dos assessores do governador Romeu Zema (Novo) foi intensa, no sentido de debelar essa fervura, até porque, os 11 deputados citados, até agora, fizeram toda a diferença no apoio e adesão incondicional à base de sustentação do Executivo estadual na Assembleia. “Vamos torcer para que tudo termine bem e sem maiores consequências, afinal, são apenas opiniões divergentes”, comentou o secretário de Governo, Gustavo Valadares.

Extintor de incêndio em carros pode voltar a ser obrigatório

  A exigência do uso de extintores de incêndio em veículos foi anulada em 2015, com a publicação da Resolução nº 556/2015 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que passou a tornar o equipamento opcional para carros de passeio. No entanto, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 159/2017, elaborado pelo deputado federal Moses Rodrigues (MDB), propõe que a obrigatoriedade do item seja restabelecida em breve. Atualmente, ele está em fase final de tramitação no Senado Federal. Se for aprovado, o projeto irá exigir que os extintores de incêndio sigam o padrão ABC. Além disso, caso o item volte a ser obrigatório, o Contran precisará estabelecer regras para os veículos fabricados entre 2015 e 2025 que não possuem o extintor. Muitos modelos, inclusive, não contam nem mesmo com o espaço ou o suporte necessário para a instalação do equipamento. Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com Ronaldo Cardoso, especialista pós-graduado em Gestão e Segurança no Trânsito.   Como a mudança na legislação deve afetar motoristas e fabricantes de automóveis no Brasil? É importante esclarecer que, em 2015, o extintor deixou de ser obrigatório, mas a sua utilização não é proibida. A decisão de torná-lo não obrigatório se deu por conta de estudos terem comprovado que o seu uso era inviável financeiramente e tecnicamente. Financeiramente porque o custo para manter esse equipamento em uma escala nacional é muito maior que os possíveis danos causados pelos poucos casos de incêndio em veículos. Tecnicamente porque os condutores não sabiam utilizar corretamente o extintor e isso gerava riscos maiores para os usuários.   Existem novas tecnologias ou alternativas aos extintores tradicionais que poderiam ser consideradas para a segurança dos motoristas? Esse é outro dilema, pois o mercado está recebendo uma nova geração de veículos elétricos e híbridos, para os quais o extintor do tipo ABC não tem qualquer eficácia. Para esse tipo de bateria o extintor é de um tipo bem restrito, o qual só pode ser manuseado por profissionais treinados.   Na sua opinião, haveria um impacto real na redução de incêndios e danos em acidentes com a volta dessa medida? Que viabilize a obrigatoriedade do extintor, posso garantir que não. A única coisa que realmente terá uma grande mudança com a volta dos extintores será a ampliação de bilhões de reais em multas por inadequações com o equipamento, não tenho dúvida disso.   O projeto inclui alguma forma de acompanhamento de treinamentos para os motoristas sobre o uso adequado do extintor de incêndio? Não, e caso isso fosse adicionado no PLC durante o seu trâmite no Senado e Câmara, representaria mais um custo adicional para os usuários. Acho que o brasileiro já está cheio de lidar com exigências que só servem para tirar dinheiro do seu bolso.   Essa proposta está sendo bem recebida pelos especialistas em segurança veicular e pelos órgãos responsáveis pela fiscalização no Brasil? Conforme já citado anteriormente, o extintor deixou de ser obrigatório em 2015, justamente porque especialistas chegaram à conclusão de que a sua utilização estava sendo mais prejudicial do que benéfica.   Quais são os maiores desafios para a adoção dessa proposta de forma eficaz e quais ajustes poderiam ser feitos para torná-la mais prática e eficiente? Acredito que não há melhoria nessa proposta que a justifique. Vejo nesse PL indícios de favorecimento à indústria de extintores, o que pode estar beneficiando o parlamentar que a propôs e seus pares que vierem a votar em seu favor.

Estudos apontam conexão entre diabetes mellitus e a demência

Pesquisas científicas identificaram a existência de uma conexão entre o diabetes mellitus e a demência. O estudo revelou que pessoas com baixo controle do diabetes têm de 22% a 78% mais risco de evoluir a demência, e que outras pessoas portadoras de Alzheimer e sem diabetes mostraram uma velocidade menor de desenvolver um declínio cognitivo importante. O índice elevado de açúcar no sangue pode ser um fator significativo para a incidência de Alzheimer, bem como uma causa secundária de demência. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o diabetes mellitus e a doença de Alzheimer são condições relacionadas com a idade e ambas são caracterizadas por aumento de incidência e de prevalência ao longo do envelhecimento. O diabetes tem sido fortemente associado ao declínio cognitivo e ao risco aumentado de desenvolver todos os tipos de demência, incluindo o Alzheimer. Segundo a entidade, em uma pesquisa recente, foram reunidos dados de vários estudos de coorte do diabetes e de Alzheimer e uma metanálise contendo 1.746.777 indivíduos para investigar as evidências que relacionam o diabetes como um fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. “Os resultados da pesquisa mostraram que o risco de desenvolver a patologia é maior entre as pessoas com diabetes do que na sociedade em geral, especialmente nas populações orientais”. A médica geriatra da Saúde no Lar, Simone de Paula Pessoa Lima, explica que a diabetes mellitus, especialmente o tipo 2, pode causar ou contribuir para o desenvolvimento de demência. “Isso ocorre devido aos efeitos deletérios que a hiperglicemia crônica, a resistência à insulina e as complicações vasculares associadas à diabetes exercem no cérebro, comprometendo a saúde dos neurônios e da circulação cerebral”. “A diabetes está associada a alterações metabólicas e vasculares que afetam diretamente o cérebro. A hiperglicemia crônica promove o estresse oxidativo e a inflamação, que causam danos neuronais e vasculares. A resistência à insulina interfere no metabolismo energético cerebral e favorece o acúmulo de proteínas tóxicas, como a beta- -amiloide, associada ao Alzheimer. Além do mais, o diabetes contribui para doenças nos vasos sanguíneos cerebrais, como aterosclerose e microangiopatia, que podem levar a infartos cerebrais silenciosos ou acidente vascular cerebral (AVC), típicos da demência vascular. Esses processos, somados, aumentam significativamente o risco de déficits cognitivos”, acrescenta. Sintomas e tratamento Os sintomas, em pessoas com diabetes, variam dependendo do tipo de demência, revela Simone. “Mas, os mais comuns incluem perda progressiva de memória, dificuldade em planejar ou realizar atividades cotidianas e alterações na linguagem, com muitas repetições e dificuldade em reconhecer lugares ou pessoas. Além disso, mudanças de humor, desorientação e perda de habilidades sociais, também podem ocorrer. Em casos de demência vascular, os indícios podem surgir de forma mais abrupta e incluir déficits neurológicos, como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade de equilíbrio ou marcha instável”. “O tratamento da demência vascular, especialmente quando associada à diabetes, é focado na prevenção da progressão da doença, no controle dos sintomas e na promoção da qualidade de vida. Embora não exista uma cura, a estabilização do quadro pode ser alcançada por meio de uma abordagem multidisciplinar. O principal objetivo é o controle rigoroso dos fatores de risco vascular, como hipertensão arterial, diabetes e dislipidemia”, afirma a profissional. Ela termina destacando as principais formas de prevenção. “Mudanças no estilo de vida têm papel fundamental. Adotar uma dieta saudável; prática regular de exercícios físicos aeróbicos, como caminhadas, também melhora o fluxo sanguíneo cerebral e auxilia no controle glicêmico e da pressão arterial; e estimulação cognitiva por meio de atividades que desafiem o cérebro, como leitura, jogos e aprendizado de novas habilidades, pode ajudar a preservar as funções mentais. Além disso, um sono de qualidade deve ser incentivado, pois distúrbios como apneia obstrutiva estão associados ao declínio cognitivo; entre outros”.

Alguns nomes de prefeito podem liderar a política em Minas

A imprensa tem mencionado muito o nome da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), como uma expoente à cena política majoritária de Minas, inclusive com chances de se tornar ainda mais influente politicamente, já no pleito de 2026. A titular da Prefeitura de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), permanece sendo propalada apenas em seu município, não se projetando, sequer, na região da Zona da Mata. Enquanto isso, e tendo como base a última eleição municipal, já é possível elencar nomes de prefeitos com possibilidade de se tornarem protagonistas na liderança política do Estado. Alguns deles ainda jovens, como o chefe do Executivo de Nova Lima, João Marcelo Dieguez (Cidadania); de Ipatinga, Gustavo Nunes (PL); de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP); de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB); de Montes Claros, Guilherme Guimarães (União Brasil); e Betim, Heron Guimarães (União Brasil). A dificuldade desses e de outros nomes no cargo de dirigente municipal é se projetar para além da fronteira de suas respectivas cidades. Isso iria incomodar muito os parlamentares e outras lideranças já consolidadas, inclusive em posição de comando, em postos importantes, como de senador, governador, vice-governador e deputado federal. Mas em uma projeção não muito distante, não há como negar a possibilidade de despontar como líderes os nomes já mencionados: o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio, foi eleito no final do ano passado ainda no primeiro turno, em uma cidade que é o segundo maior colégio eleitoral de Minas. Também em um grande colégio eleitoral, destaca-se a eleição, na primeira leva, de Heron Guimarães, em Betim. Na Grande BH, o nome mais badalado nos meandros políticos é o prefeito de Nova Lima, João Marcelo Dieguez, reeleito com mais de 80% dos votos. De Itabira, surge o titular Marco Antônio Lage, também reeleito com facilidade. Um destaque especial para o jovem prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes, que mesmo enfrentando uma enorme oposição, se reelegeu para o posto, em uma cidade onde a política local é decididamente complexa, devido às forças de muitas lideranças locais. O prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães, também foi outro a ser eleito no primeiro turno da peleja do ano passado. A cidade é considerada a capital do Norte de Minas, cujas ações locais reverberam em mais de 40 municípios da região Norte do Estado.

Fortunas bilionárias cresceram três vezes mais rápido em 2024

Segundo um relatório da Organização Não Governamental (ONG) Oxfam, o mundo registrou, em média, quatro novos bilionários por semana em 2024. No total, esse número aumentou de 2.565 em 2023 para 2.769 no ano passado. Juntas, essas fortunas alcançaram a marca de US$ 15 trilhões. Por dia, o patrimônio dessas pessoas cresceu US$ 5,7 bilhões, em uma taxa três vezes superior à do ano anterior. Por outro lado, o documento destaca que, conforme o Banco Mundial, o número de pessoas que vivem na pobreza se manteve igual. Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago. O relatório aponta que a riqueza dos bilionários aumentou três vezes mais rápido em 2024 do que em 2023. O que impulsionou esse crescimento e quais seriam as principais consequências para a economia? Esse fenômeno pode ser explicado pela concentração crescente de riqueza desde a década de 1980. De acordo com o economista Gabriel Zucman, as fortunas dos bilionários expandiram-se mais rapidamente do que a economia global como um todo. Esse padrão reflete um aumento desigual, no qual as famílias mais ricas têm acumulado uma parcela cada vez maior do patrimônio mundial. Por exemplo, a riqueza dos 0,0001% mais abastados, que representava 3% do Produto Interno Bruto (PIB) global em 1987, agora corresponde a 13%. Quase quatro novos bilionários surgiram por semana em 2024. Como essa velocidade na criação de fortunas extremas reflete a estrutura econômica global atual e o impacto das políticas públicas?A riqueza está crescendo muito mais rápido do que prevíamos. Isso significa que a taxa média de avanço anual das grandes fortunas disparou. Apenas os dez homens mais ricos do mundo viram seu patrimônio aumentar, em média, quase US$ 100 milhões por dia em 2024. A rápida criação de novos bilionários evidencia um sistema econômico global que concentra cada vez mais recursos no topo, favorecendo aqueles que já possuem grandes fortunas. A ausência de políticas públicas eficazes desempenha um papel central nesse cenário. Baixos impostos sobre riqueza, falhas na regulação de monopólios e a falta de mecanismos de redistribuição contribuem para essa concentração. Sem medidas governamentais para regular essas práticas e distribuir recursos de maneira mais equitativa, a desigualdade tende a se aprofundar. Pelo menos cinco trilionários devem surgir na próxima década. Que medidas podem ser adotadas para evitar a concentração extrema de riqueza e seus impactos na desigualdade?Primeiro, é essencial que os governos implementem políticas para garantir que a renda dos 10% mais ricos não ultrapasse a dos 40% mais pobres, acelerando a erradicação da pobreza. É fundamental reformar a tributação global, assegurando que os mais ricos paguem sua parcela justa e combatendo os paraísos fiscais. Além disso, tributar grandes heranças ajudaria a desmontar uma nova aristocracia econômica. Também é necessário desmantelar monopólios, democratizar as regras comerciais e garantir que as corporações paguem salários dignos, ao mesmo tempo em que se reestruturam instituições financeiras internacionais para garantir uma representação mais justa dos países do Sul Global. Atualmente, 60% da riqueza dos bilionários provêm de herança, monopólios ou conexões políticas. Como enfrentar essa grande concentração de recursos?Reformas tributárias são fundamentais para reduzir a extrema concentração de riqueza e promover maior justiça econômica. Impostos progressivos sobre grandes heranças ajudariam a mitigar esse efeito, garantindo que o patrimônio acumulado beneficie a sociedade como um todo. Uma tributação mais rigorosa sobre grandes fortunas poderia financiar políticas públicas essenciais, como educação, saúde e proteção social, reduzindo desigualdades estruturais. No Brasil, como a concentração de riqueza e a criação de novos bilionários têm impactado a desigualdade social? A concentração de riqueza no Brasil está profundamente ligada a um histórico de exclusão social, no qual populações negras, indígenas e periféricas têm menos acesso a oportunidades econômicas e educacionais. Além disso, o sistema tributário brasileiro é altamente regressivo, com elevados impostos sobre o consumo e baixa tributação sobre renda e patrimônio, o que aprofunda ainda mais a desigualdade, tornando-o um dos mais injustos do mundo.  

Prosseguem os entendimentos entre Mateus Simões e PSD rumo a 2026

Uma super aliança política, com a finalidade de projetar condições para enfrentar adversários poderosos, tem sido pensada para a sucessão estadual mineira de 2026. Esse argumento se desenrola a partir de Brasília, com a participação de personalidades ligadas ao Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte. No centro das discussões está o poderoso ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Ele possui acesso direto ao presidente Lula (PT), com quem se comunica diariamente, além da simpatia do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e também as bênçãos da primeira-dama Janja. Silveira tem se destacado cada vez mais no âmbito do governo federal, o que lhe concede o privilégio de se envolver em assuntos políticos mineiros. Secretário-geral do PSD nacional, o segundo cargo da importância na estrutura partidária, ficando atrás apenas do presidente Gilberto Kassab, Silveira tem em sua mesa a sugestão de uma parceria com o vice-governador Mateus Simões (Novo). Não há definição de qual cargo seria disputado, até porque a ideia ainda é embrionária. No entanto, essa seria uma forma de barrar o projeto do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), tido como um nome popular de prestígio para pleitear a cadeira de governador do Estado. Já se projeta inclusive uma aliança, onde Simões se candidataria ao governo, tendo a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), como vice na chapa. As duas vagas ao Senado seriam disputadas exatamente por Alexandre Silveira e o ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PP). Pelo lado da extrema-direita, pode haver uma definição dos nomes do aludido Cleitinho ao governo, tendo como companheiro de chapa, para o Senado, o super deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Seria uma espécie de partida a ser jogada por nomes experientes na administração e na vida política contra dois jovens, forjados pelas redes sociais, e que, até o momento, não esboçaram projetos estruturantes para o Estado de Minas Gerais. O presidente do PSD estadual, deputado Cássio Soares, indagado sobre o assunto, nada comenta, embora tenha sido visto na semana passada ao lado do governador Romeu Zema (Novo), durante viagens pelo Sul de Minas. O PSD é uma espécie de noiva cobiçada para este sugerido casamento, pelo fato de ser a sigla com maior número de prefeitos, atualmente são mais 140. Além disso, sua capilaridade só aumenta, quando somado também ao enorme contingente de vereadores. Nesta lista de nomes e sugestões de alianças, por enquanto, estão ficando de fora nomes importantes, como o próprio senador Rodrigo Pacheco (PSD); o ex-governador e deputado federal, Aécio Neves (PSDB); e o popular presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB).

Estudo revela queda no percentual de usuários do transporte público

Segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de Mobilidade da População Urbana, o percentual de pessoas que utilizam o ônibus diminuiu. Em 2024, o quantitativo foi 14,3 pontos percentuais menor em comparação com 2017, quando a parcela que utilizava esse veículo era de 45,2%. Nesse mesmo sentido, o uso do metrô também reduziu de 4,6% para 4,2%. O estudo aponta também, analisando o mesmo período, que a parcela da população que considera o transporte público um problema quase dobrou, passando de 12,4% para 24,3%. Em 2024, 29,4% dos entrevistados afirmaram que deixaram de usar totalmente o ônibus e 27,5% diminuíram o uso. O membro da Comissão Técnica de Transporte da Sociedade Mineira de Engenheiros e do Observatório da Mobilidade de Belo Horizonte, José Aparecido Ribeiro, conversou com o Edição do Brasil sobre o tema. Quais são os pontos que explicam a elevação dos preços do transporte público?A qualidade do transporte público, que é ruim, e por isso, as pessoas estão deixando de usar. Com as facilidades de crédito e de parcelamento, especialmente da motocicleta, os usuários deixam de usar o transporte público. Então, no meu entendimento, a qualidade piorou e vem piorando. Cidades como Belo Horizonte, que o metrô transporta 200 mil pessoas por dia, perto do que é necessário, que é de 1 milhão e 500 mil, ele não serve, pois não tem utilidade, do ponto de vista da mobilidade. Teríamos que ter mais linhas. Qual seria a melhor solução para driblar o problema da diminuição de passageiros para não impactar na tarifa?Qualidade, as pessoas querem um transporte público de boa qualidade. Outro ponto é que a nossa cultura tem muito mais a ver com o modelo americano do que o europeu. Para o brasileiro, o carro não significa só transporte, significa status. E mapeamento de origem/destino, precisamos saber de onde as pessoas saem e para onde elas vão, isso bem mapeado ajuda a incentivar o uso do transporte público. Quais são os principais problemas de financiamento?O problema de financiamento do transporte público é que alguém tem que pagar a conta. Nos países desenvolvidos temos exemplos de governos que investem na infraestrutura e fazem concessão, para a iniciativa privada, para a manutenção, porque os investimentos são muito caros. As cidades, infelizmente, estão quebradas e o Pacto Federativo do Brasil concentra o dinheiro em Brasília e deixa os municípios à míngua. E o transporte coletivo é um problema do Executivo municipal, não do governo federal. Por que o subsídio dado pelas prefeituras não consegue manter o preço das passagens aos passageiros?Não é simples subsidiar um transporte coletivo para uma cidade que tem uma demanda, por dia, de 1,2 milhão de pessoas, por exemplo. É ilusão de que dos nossos impostos é possível dar transporte coletivo para a população. Aqueles países que fizeram investimento em infraestrutura de metrô, monotrilho e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), conseguem administrar melhor a situação. Os que dependem da iniciativa privada com carrocerias de ônibus estão em situações mais difíceis. Quais são as principais dificuldades para implantar a Tarifa Zero?O sistema custa caro, a prefeitura tem outras prioridades e alguém precisa pagar a conta para que haja transporte coletivo, ou seja, alguns têm que pagar pelos outros, os que não usam têm que pagar pelos que usam. Nós pagamos 35% de impostos, mas as demandas são maiores. As contas precisam ser refeitas, sob demanda e oferta, para que haja um equilíbrio de preço. Qual seria a melhor solução para melhorar o sistema de transporte público no país?A diversificação dos modais, oferecendo mais conforto e preço justo. Investir em modais de transporte que têm apelos capazes de fazer as pessoas, que andam de carro, pensarem em mudar de comportamento. Que seriam: o metrô, em primeiro lugar; o monotrilho e VLT, em segundo; e só em terceiro, o ônibus, montados com mais comodidade.

Otite externa: inflamação no ouvido é bem comum no verão

No verão, a maioria das pessoas aproveitam o clima quente para se refrescar em piscinas e praias. No entanto, essa temporada de lazer também pode trazer consigo um problema de saúde, a otite. A infecção no ouvido, muitas vezes associada à exposição excessiva à água, é comum para quem frequenta ambientes aquáticos. A otorrinolaringologista, Laura Dias, esclarece que o tipo mais comum durante o verão é a otite externa, popularmente conhecida como ouvido de nadador. Ela ocorre quando a água entra no canal auditivo, criando um ambiente propício para o crescimento de bactérias ou fungos”. “Os sintomas são dor no ouvido, que pode ser intensa e aumentar com a movimentação da mandíbula; coceira ou sensação de pressão no ouvido; secreção ou secreção purulenta (em casos mais graves); sensação de ouvido tampado ou comprometimento da audição”, completa. Ela reforça que o diagnóstico da otite é feito por meio de exame clínico. “O médico otorrinolaringologista utiliza um otoscópio para observar o canal auditivo e verificar sinais de inflamação ou infecção. Em alguns casos, podem ser realizados exames laboratoriais ou culturas da secreção para identificar o agente causador da infecção (bactéria ou fungo)”. Laura explica que o tratamento da otite depende do tipo e da gravidade da infecção. “Nos casos de otite externa, o médico pode prescrever gotas otológicas com antibióticos ou antifúngicos, além de analgésicos para aliviar a dor. Se a infecção for mais grave, pode ser necessário o uso de antibióticos orais”. Embora a otite seja uma condição comum durante o verão, a adoção de hábitos de prevenção e cuidados com a higiene dos ouvidos pode minimizar o risco de infecção. Laura recomenda secar bem os ouvidos após nadar ou tomar banho de mar. “Opte por locais que ofereçam boa qualidade da água. Piscinas maltratadas ou com cloro em excesso também podem causar irritação nos ouvidos; use protetores auriculares como alternativa para evitar o contato direto da água com o canal auditivo. Em caso de histórico de otites frequentes, a consulta periódica com um otorrinolaringologista pode ajudar na detecção precoce de problemas”. A publicitária Fernanda Fagundes fez uma viagem para curtir a praia e aproveitou bastante o passeio. Depois de alguns dias, começou a sentir dor no ouvido. “Parecia que estava ‘entupido’ e a sensibilidade aumentava toda vez que tentava falar ou mastigar. Quando voltei para casa, fui ao médico e descobri que era otite externa, provavelmente por causa da água do mar. O otorrinolaringologista receitou gotas antibióticas para combater a infecção e analgésicos para aliviar a dor. Seguindo as orientações corretamente, o problema melhorou em poucos dias”, ressalta. “Ao notar sintomas de dor ou desconforto, é importante procurar orientação médica rapidamente, garantindo o diagnóstico e tratamento adequados para evitar complicações. Com esses cuidados simples, é possível aproveitar a estação mais quente do ano sem preocupações com a saúde auditiva”, conclui Laura.

Tempo de tela em excesso causa impactos na saúde física e mental

  Considerada a palavra do último ano pela Universidade de Oxford, brain rot, ou podridão cerebral na tradução literal, é um termo que tem ganhado destaque. Apesar de ainda não ser uma condição clinicamente reconhecida, os sintomas associados são alarmantes e incluem dificuldade de concentração, redução da produtividade, aumento da agitação e quadros de ansiedade e depressão. O psiquiatra Ricardo Assmé destaca que, antes de compreender o que é o brain rot, é essencial entender o funcionamento do cérebro. “Ele foi projetado com o objetivo de manutenção da espécie humana, possuindo como funções secundárias as cognitivas superiores. O cérebro consegue preservar a espécie humana gerando prazer, por meio da liberação de dopamina. Atualmente, algumas situações também fornecem essa descarga, como jogos eletrônicos, jogos de azar e consumo de vídeos curtos”. “O brain rot pode impactar nossas vidas a partir de mudanças comportamentais. A capacidade de uma pessoa agir, analisar as coisas e socializar se degrada, pois, com a inércia desse comportamento, alguns hábitos e aprendizados antigos são perdidos. A habilidade de compreensão social muitas vezes é prejudicada em quem tem contato excessivo com a internet e pouca socialização. Mudanças comportamentais se tornam mais difíceis se a pessoa não acostuma o cérebro com atividades que demandam esforço e proporcionam prazer”, acrescenta. A condição também pode trazer impactos significativos aos motoristas. “Costuma ocorrer uma deterioração cognitiva, afetando o raciocínio crítico. O cérebro, condicionado a funcionar em modo automático devido ao uso excessivo de telas, perde a capacidade de atenção plena e decisões rápidas. No trânsito, a situação pode ser fatal, pois exige concentração e respostas imediatas. Nessas circunstâncias, o brain rot mina essas capacidades, transformando os motoristas em potenciais agentes de risco e aumentando as chances de acidentes”, explica a psicóloga e diretora da Associação de Clínicas de Trânsito do Estado de Minas Gerais (Actrans-MG), Giovanna Varoni. Ela ressalta que cerca de 90% dos acidentes no trânsito são provocados por fatores humanos, e as principais vítimas têm entre 18 e 35 anos. “O declínio da saúde mental gera impactos desastrosos. Motoristas distraídos tendem a provocar mais acidentes, exceder os limites de velocidade e até mesmo desrespeitar a sinalização de trânsito. Por outro lado, irritação e estresse geram comportamentos agressivos e imprudentes, aumentando as chances de acidentes graves. As pessoas subestimam o efeito da saúde mental na capacidade de dirigir com segurança”. O adoecimento mental também pode acarretar outras consequências, como a privação do sono, segundo a presidente da Actrans-MG, Adalgisa Lopes. “Ao assistir vídeos no celular à noite, o cérebro não está relaxando, mas sendo estimulado o tempo inteiro. A pessoa demora a dormir e, consequentemente, tem menos horas de sono. Isso compromete a atenção e memória. No trânsito, o tempo de reação será reduzido, o que é extremamente perigoso”.   Como prevenir Uma das maneiras de reverter o brain rot é limitar o tempo de uso de telas, segundo Ricardo Assmé. “Fuja de conteúdos rápidos e superficiais. Evite atividades que demandam muito tempo, como jogos eletrônicos em excesso, e engaje-se em práticas prazerosas, como socializar, conversar olhando nos olhos e abraçar as pessoas”. Adalgisa complementa que as telas devem ser desligadas entre 30 a 40 minutos antes de dormir. Além disso, ela defende a necessidade de campanhas consistentes para mostrar como o uso excessivo pode ser prejudicial ao ser humano.